Norte-americana Cisco subfaturava em até 70% preços de computadores

Para PF, “Fica comprovada a existência de uma organização
criminosa, uma verdadeira quadrilha”

A Operação Persona deflagrada na semana passada pela Polícia Federal desbaratou o esquema montado pela transnacional Cisco Systems Inc. – líder mundial na fabricação de equipamentos para a área de tecnologia da informação -, que redundou em uma megafraude fiscal de R$ 1,5 bilhão nos últimos cinco anos, entre sonegação de impostos e subfaturamento em até 70% na importação de produtos de informática.

Segundo relatório da PF, o esquema da corporação norte-americana, com sede em San Jose, no Vale do Silício, na Califórnia, funcionava através da empresa Mude, a real importadora da Cisco no Brasil, e totalizava 14 empresas de fachada – 6 nos EUA e 8 no Brasil, incluindo a Mude -, responsáveis pela importação de produtos subfaturados. Para burlar a Receita Federal, faziam também um simulacro de “industrialização” para obter redução de imposto.

A PF descobriu que os donos das empresas Brastec, Prime e ABC, reponsáveis pela importação de produtos que valem alguns milhões de dólares, são vendedores ambulantes, pedreiros e operadores de telemarketing. Nos EUA, entre as exportadoras estão a Mude USA e a LogCis, de Miami.

“Fica perfeitamente comprovada a existência de uma grande organização criminosa, uma verdadeira quadrilha”, diz o relatório da PF.

Após a divulgação do escândalo, um tal de Mark Smith, diretor-gerente para o hemisfério ocidental da Câmara de Comércio dos EUA, afirmou em Washington que “o subfaturamento é comum no Brasil”, devido ao “peso tributário elevado”. Sobre isso, nunca é demais repetir: o nível da carga tributária é problema dos brasileiros e não diz respeitos aos norte-americanos. A eles, como aos demais, cabe apenas cumprir a legislação brasileira.

A utilização de empresas sediadas nos paraísos fiscais, como Panamá e Ilhas Virgens Britânicas, de acordo com a PF, era para encobrir a responsabilidade da Cisco Systems nas operações de exportações e importações dos equipamentos de informática.

Em relato à Justiça Federal, a PF observa que a relação entre a Cisco e a Mude, “embora não aparecendo formalmente perante as autoridades aduaneiras nos procedimentos de importação de produtos Cisco, controlam todo o fluxo da importação, desde o fechamento da encomenda até a entrega do produto ao cliente final”.

As interceptações telefônicas realizadas pela Polícia Federal mostram como funcionava o esquema, para “fazer de conta” que havia industrialização, bem como “blindar” a Cisco Systems na megafraude. “Como é que eu ia industrializar um negócio de dois metros de altura que custa US$ 700 mil? Aí não tinha jeito, não tinha jeito de fazer nada. Aí eu falei: ‘Luís, inventa. Faz qualquer coisa’”, diz em certo momento Moisés Aleixo Nunes, da Waytec, uma das empresas que faziam parte do esquema.

“As vendas têm de ser feitas sem margem….”, fala ao telefone a vice-presidente da Cisco, Daniela Ruiz, explicando que o preço dever ser abaixo do custo. Já no telefonema entre Carlos Roberto Carnevali (ex-presidente da Cisco do Brasil) e Marcelo Ikeda, diretor da Mude, eles discutem sobre a necessidade de não decepcionar a “mãe Cisco”.
Hora do Povo

Rizzolo: Transcrevo artigo meu publicado no dia 18 de outubro de 2007.

Cisco – Americanos legitimam crime ” face a carga tributária”

No pais onde os juros altos são mantidos à revelia do desenvolvimento da nação, beneficiando aqueles que na arte de especular encontram no “ Cassino Brasil” um verdadeiro paraíso exercitando e apostando na estagnação da economia; no país onde as remessas de lucros têm superado em mais de cinco vezes a entrada dos festejados “investimentos” diretos, onde a brutal desnacionalização da economia brasileira proporciona a transferência de fabulosos recursos para o exterior, remessas essas que no ano passado, representaram 87% de todo o investimento direto que entrou no Brasil. Ou seja, quase tudo o que foi investido em 2006 retornou em forma de lucros; no pais em que remessas de lucros e dividendos ao exterior são isentas de Imposto de Renda, até 1995, essas remessas eram tributadas em 15%, estimando-se a renúncia fiscal em R$ quatro bilhões para o ano de 2006. O camarada Mark Smith, diretor-gerente, em nome da “Câmara de Comercio dos Estados Unidos, para assuntos de hemisfério ocidental” tem o atrevimento de dizer que” o crime da transnacional tem legitimidade em face a pesada carga tributária brasileira “.

Ora, isso só pode ser um desrespeito ao povo brasileiro, às normas legais estabelecidas no pais, e denota a que ponto a liberalidade dos detentores capital internacional chegaram. Não bastasse a política monetária que beneficia as transnacionais, os bancos internacionais, o capital camuflado que permeia a economia através de empresas brasileiras “laranjas,’ ainda levamos um” tapa na cara “ do Sr. Smith, com sua opinião inapropriada. Alega ainda mais, que não deveriam só punir a Cisco Systmes, e sugere, através do crime, que ogoverno faça alguma coisa em relação à carga tributária; quer dizer, alem de saquearem o país, cometem crimes tributários, ainda passam um” raspão e um pito “ no governo federal por não discutir e implementar a reforma tributária”. A Receita Federal estima uma perda de R$ 1,5 bilhão em arrecadação de impostos. De acordo com o coordenador do núcleo de inteligência da Receita, Gerson Schann, na importação de softwares os valores eram superfaturados e de hardwares, subfaturados.

Tenho cansado de falar que o Brasil precisa rever a questão dessas multinacionais no pais, precisamos construir um Brasil com uma indústria nacional forte, investir pesado em tecnologia, prestigiar o empresario nacional. O que é que hoje, o empresariado nacional não sabe fabricar ou projetar ? E se não souber, poder adquirir tecnologia no exterior ? Porque ao invés de ouvir desaforo de porta vozes de criminosos, não instituímos impostos às transnacionais para financiar nosso Parque Industrial, inclusive bélico ? A receitinha poderia ser é a seguinte: “A remessa anual de lucros não pode exceder a 10% dos investimentos líquidos registrados, com exclusão, portanto, para cálculo do percentual, do capital adicionado e originário dos lucros obtidos no Brasil. A remessa que ultrapassar essa percentagem seria considerada repatriação de capital, num máximo permito de 20% anuais. Lucros acima desse limite serão considerados capital suplementar e não poderiam ser remetidos, devendo ser reinvestidos no Brasil”. Que tal ? Fundamentalista ? Chega de humilhação, vamos ser patriotas, enquanto isso o pobre empresário nacional é um tímido em sua própria casa num mercado de 190 milhões de consumidores. Só para finalizar. Parabéns à Polícia Federal.

Fernando Rizzolo

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Os juros do Copom e o pensamento de Celso Furtado

Na última semana, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), resolveu interromper um ciclo de dois anos (25 meses) de baixa da taxa básica de juros, materializados em 18 cortes consecutivos. A taxa Selic foi mantida em 11,25%, uma das maiores do mundo.

Na decisão tomada por unanimidade de seus membros, o Copom consagrou em comunicado público ”fazer uma pausa no processo de flexibilização da política monetária”. A próxima reunião deste colegiado está marcada para o dia 5 de dezembro. A questão, agora, é saber quando será retomada a tendência de queda. Na projeção de juros futuros, antevê-se que a taxa Selic fique assim inalterada até 2008.

Em Relatório de Mercado (Focus), que reflete a opinião de analistas do mercado financeiro, um dia antes da decisão do Copom, considerava que havia ainda espaço para uma redução de 0,25% na taxa básica de juros. A inflação interna mostrou sinais de arrefecimento nas últimas semanas, não justificando preocupações por parte da autoridade monetária brasileira.

Especula-se, também, em perspectiva, que a reunião do Copom esteve preocupada com a incerteza em relação à profundidade da crise financeira nos Estados Unidos e a disparada dos preços do Petróleo — devido às ameaças de ampliação do conflito armado no Oriente Médio, capitaneado pelos próprios EUA a partir especialmente do Iraque — como sendo razões acolhidas pelo Copom para tomar uma decisão que poderá frear a tentativa do Governo de promover a aceleração do crescimento econômico.

O Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, se mostrou ”confiante de que a taxa básica de juros vai voltar a cair”, segundo informou o jornal A Gazeta Mercantil da última sexta feira, sendo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em viagem à África, já havia declarado antes mesmo da decisão do Copom, que se a taxa Selic não continuasse sua trajetória de queda o presidente do Banco Central, Henrique Meireles, deveria dar explicações ao país.

De fato, esta plêiade de diretores do Copom é que dá as cartas em última instância na esfera mais sensível e determinante dos rumos que o Brasil deverá trilhar nos próximos anos em matéria de política econômica com reflexos diretos nas políticas sociais. É bom lembrar, nesta hora, as palavras de uma das últimas manifestações públicas de Celso Furtado, no segundo semestre de 2003: ”Grandes dificuldades enfrentará o Brasil para retomar o processo de desenvolvimento, diante da crise estrutural causada pela perversa articulação das elevadíssimas taxas de juros com a extrema concentração de renda social (…) O primeiro esforço a ser empreendido será o de corrigir a tendência atávica à concentração de renda que tem suas raízes na época colonial (…) Com vista a lograr esse fim (o desenvolvimento), é indispensável que o Brasil adote uma política de baixas taxas de juros (…).” Este raciocínio de um dos fundadores do pensamento econômico brasileiro, foi exposto durante a abertura do Ciclo de Seminários ”Brasil em Desenvolvimento”, realizado no Instituto de Economia da UFRJ.

A questão dos juros, portanto, se reveste de elevado conteúdo político, sendo um problema que deve mobilizar intensamente as forças políticas interessadas em promover o crescimento econômico com implicação direta na situação das massas trabalhadoras e setores médios da sociedade brasileira.
Site do PC do B

Rizzolo: Pequena reflexão: O silêncio da esquerda

Uma das características de servilismo do governo Lula é a retórica em relação as atitudes do Copom, ora, todos nós sabemos, até os mais conservadores, que o desenvolvimento do pais depende de uma redução da taxa de juros, taxa essa Selic que foi mantida em 11,25%, uma das maiores do planeta; os demais argumentos, como “receio da inflação”, “economia aquecida”, são meros argumentos que tentam justificar o injustificável, vez que o Brasil nem sequer foi atingido pela crise norte-americana; e o pior, o vemos nos EUA, após a crise, foi sim uma diminuição nos juros.

O Brasil precisa criar 4 milhões de empregos por ano, precisamos desenvolver nossa indústria, e ao mesmo tempo redirecionar os investimentos na produção, e não na especulação, haja vista os ganhos amorais dos especuladores internacionais e nacinais que à sombra da política perversa financeira que promove a estagnação da nossa economia, auferem ganhos absurdos. Muito alem da perversidade do incentivo à especulação, a política do BC, faz com que face aos juros estratosféricos, os gastos do governo aumentem com o pagamento de juros referentes a divida pública.

Fica patente que quem recebe essa transferência, não permeia essa renda em consumo ou aplica-a em produção, geralmente revertem os ganhos em mais compras de títulos; ao passo que recebe recursos de projetos de transferência de renda, como o Bolsa Família, geram mais consumo, mais produção, e mais emprego. Não é possível que o camarada que recebeu 58 milhões de votos, da população pobre brasileira, promove uma política econômica conservadora desse tipo, ameaça passar um “pito” no Presidente do Banco Central, apenas para impressionar os incautos, corteja os banqueiros que nadam em lucros, promove privatizações pirotécnicas, e ainda conta com a benevolência e a compreensão da esquerda. Que esquerda? Só pode ser uma piada, né?

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FMI precisa da competição do Banco do Sul, diz Stiglitz

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Stiglitz ganhou o Prêmio Nobel de Economia em 2001

Joseph Stiglitz, ex-chefe do Banco Mundial (Bird) e vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2001, acredita que o Fundo Monetário Internacional se tornou um ”clube de países ricos” e que a criação do Banco do Sul em vez de uma ameaça oferece, pelo contrário, ”a competitividade da qual o fundo necessita”.

”Existem duas falhas graves dentro do FMI. Uma delas é que se ele se tornou um clube dos países ricos, dos Estados Unidos e da Europa, principalmente. E dentro dele, apenas um país, os Estados Unidos, tem o poder de veto. Os Estados Unidos são atualmente a principal fonte de instabilidade no mundo, como se viu na crise do setor de subprime (de hipotecas de alto risco)”, disse Stiglitz à BBC Brasil.

Mas o ex-chefe do Bird acrescenta que ”o FMI não se atreve a criticar os Estados Unidos, mesmo porque o país é o principal financiador do fundo, o que torna difícil para o FMI ter uma visão objetiva desses fenômenos”.

O economista comenta que o fundo precisa rever o seu papel e ”se reinventar”. Por conta disso, ele acredita que a criação do Banco do Sul deve ser saudada, uma vez que o próprio fundo ”precisa de competitividade, de diversidade”.

Banco do Sul

O Banco do Sul partiu de uma iniciativa da Venezuela. Ele visa financiar projetos de desenvolvimento regionais e pretende ser uma alternativa local a instituições como o próprio FMI, o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, todos com sedes em Washington.

A instituição deverá contar com a participação da Argentina, Bolívia, Brasil, Equador, Paraguai e Venezuela. A data prevista para o início de seu funcionamento é no próximo dia 3 de novembro. Na semana passada, a Colômbia manifestou interesse em aderir ao Banco do Sul.

No entender de Stiglitz, o Banco do Sul poderá ter mais sensibilidade para lidar com crises locais do que o FMI. Ele cita o exemplo da crise econômica do Leste Asiático, que teve início no final dos anos 90, para enfatizar a suposta inaptidão do fundo em saber como agir diante de situações adversas regionais.

”Quando estourou a crise no Leste Asiático, havia uma pressão local para que se criasse um fundo asiático, mais capaz de entender a situação vivida na região e as estruturas locais, porque o FMI não estava sendo capaz de compreender o que estava se passando por lá”.

O economista defende ainda uma completa reformulação na forma como tanto os líderes do FMI como do Banco Mundial são selecionados, que é também uma das reivindicações de alguns países em desenvolvimento, entre eles o Brasil.

Pelo acordo em vigor desde a criação dos dois órgãos, em 1949, o comando do Banco Mundial fica com os Estados Unidos e o do FMI, com a Europa.

”Eu venho defendendo mudanças há oito anos. Eu desaprovei a forma como tanto Horst Köhler e Rodrigo de Rato foram escolhidos”, diz Stiglitz em relação aos mais recentes detentores do cargo de diretor do FMI. O espanhol De Rato será substituído em 1º de novembro pelo francês Dominique Strauss-Kahn.

Escândalo

Stiglitz comenta que os recentes episódios envolvendo Paul Wolfowitz, o ex-presidente do Banco Mundial, ”abriram os olhos” da instituição. Wolfowitz renunciou ao cargo em 30 de junho deste ano, após o escândalo em que foi acusado de nepotismo por haver autorizado a promoção de sua namorada, Shaha Riza, que também trabalhava no banco.

”Mas, mesmo depois disso, eles deram continuidade a um sistema fracassado de escolha sucessória. Existem movimentos, mas não saberia dizer se o processo de escolha das próximas lideranças já será diferente”, comenta o ex-presidente do Bird.

Em relação ao atual presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, Stiglitz diz que ”há referências de que ele trabalha duro e é muito envolvido, mas tenho dúvidas de que o nome dele estaria na lista final se não coubesse aos Estados Unidos indicar o presidente do órgão”.

Mas, acrescenta o economista, o presidente George W. Bush ”não apenas determina a lista final, como até mesmo a lista completa. E Bush não tem qualquer compreensão de desenvolvimento ou de multilateralismo”.

BBC Brasil

Rizzolo: Stinglitz é um defensor da integração da América Latina, esteve neste mes de outubro na Venezulena , participando do Forum de Estratégias para os Mercados Emergentes , Stinglitz, defendeu a política de Chavez na aplicação dos recursos advindos da venda de petróleo às iniciativas sociais, combatendo o analfabetismo, promovendo a erradicação da fome e da miséria, investindo na saúde pública e vertendo uma postura do Estado como principal agente de transformações sociais. O Banco do Sul vem nesse esteio de cooperação entre os países da América Latina, e é mais uma iniciativa que partiu da política integracionista de Chaves.

Na verdade, o Banco do Sul seria um amplificador vigoroso da voz e dos interesses latino-americanos, o que contraria interesses dos EUA que através do Brasil insistiram, desta feita, em não fazer do Banco do Sul um substituto do FMI, cuja política visa, na verdade, apenas os interesses do governo americano, haja vista o que ocorreu na gravíssima crise cambial e financeira asiática de 1997-98, que definitivamente mudou a percepção desses países.

Houve descontentamento, e até revolta, com o modo como os EUA e o FMI abordaram a crise. As recomendações de política econômica foram consideradas em grande parte medidas contraproducentes. Além disso, parece ter ficado evidente que os EUA estavam se valendo do Fundo e de outras instituições sediadas em Washington para promover o seu interesses nacionais. “O FMI tem feito mais para promover a agenda comercial e de investimento dos EUA na Coréia do que 30 anos de entendimentos comerciais bilaterais”, disse na época Lawrence Summers, então subsecretário do Tesouro do governo Clinton. Como bem disse Stinglitz ” o Banco do Sul poderá ter mais sensibilidade para lidar com crises locais do que o FMI “.

Sucateamento das Forças Armadas – negligência ou falta de patriotismo ?

Há muito tempo tenho dito neste Blog, que face à nossa extensão territorial, precisamos que as Forças Armadas estejam equipadas para que possam exercer seu papel na defesa de nossa soberania. Contudo, o que observamos, é que e há muito tempo, sob a inspiração do neoliberalismo, governos se abstiveram de “enxergar as Forças Armadas” como instituição de maior importância, dando ênfase as políticas apregoadas pelo “Consenso de Washington” que, é claro, pouco se importam com a essência do domínio do território alheio. Talvez, até por um sentimento inconsciente de culpa por parte dos militares, em não se fazer ouvir com firmeza na necessidade dos investimentos devidos, face ao passado do regime militar, ou pelo fato de que no entender dos parlamentares, pouco patriotas, investir nas Forças Armadas,” não é fator de aumento de densidade eleitoral “, temos hoje um total sucateamento das instituições que integram as nossas Forças Armadas, no território brasileiro, cuja extensão corresponde a 47% da América do Sul, sendo o quinto maior país do mundo, possuindo 1,7% do território do globo terrestre possuindo uma área total de 8.514.876 km² .

Nosso parque industrial bélico foi totalmente pilhado; nos anos 70, tínhamos usinas modernas que fabricavam blindados. Mas elas foram destruídas. O Brasil deve voltar a ter tudo o que tinha e recomeçar a construir suas usinas de material de guerra desenvolvendo a sua indústria nacional bélica, temos projetos arrojados como o Submarino Nuclear e outros, mas precisamos voltar a ter um parque industrial bélico do tamanho e à altura da nossa extensão territorial. Podemos adquirir tecnologia para fabricação em alguns segmentos dessa área, e fornecedores para isso não faltam.

O Brasil perdeu seu parque indústrial bélico, já tivemos uma Engesa, fornecíamos armamento para Arábia Saudita, e outros países árabes, tudo foi sucateado, precisamos reequipar e desenvolver nossa indústria militar, para que enfim possamos ter as Forças Armadas como disse anteriormente instituições à altura da nossa extensão territorial; para isso o governo precisa traçar uma política consistente no reaparelhamento militar, e se preocupar menos em fazer superávit primário, alem disso, tenho dito sempre que o Brasil precisa da criação de um Fundo de Reaparelhamento das Forças Armadas, como forma de evitar a interrupção do fluxo financeiro das FFAA com a reativação da IMBEL.

Como bem diz o Almirante Mouro Neto, “Assim como no passado, o Brasil requer uma Marinha adequadamente dimensionada e equipada, apta a executar efetivamente o seu dever, como e quando for demandado pela vontade nacional, e não é só a Marinha são todas as Forças. Para tal, é necessário alocar os recursos e meios indispensáveis para que possa atuar na vigilância e proteção de nossos interesses e soberania”. Não é possível que na FAB das 719 aeronaves possuídas, apenas 267 estão voando, enquanto 220 estão “em manutenção”. As restantes 232 estão no chão, pasmem, por falta de recursos para compra de peças. Hoje a Fab nem sequer tem mísseis ar- ar e meio alcance, tampouco mísseis e ar-superfície, helicópteros, de ataque e bombas inteligentes, na Marinha, menos da os navios de combate está em condições e uso, no Brasil a demora os recursos nos programas e reaparelhamento é tão grande que projetos quando prontos já estão defasados, como revelou o relatório do brigadeiro Juniti Saito aos membros da Comissão de Relações Exteriores e efesa Nacional a Câmara os deputados.

Se fizermos uma reflexão do porque chegamos a esse ponto, verificamos que existem interesses internacionais na condução a nossa economia, que determina através de políticas de responsabilidade fiscal, o engessamento de toda a nossa economia, para que se possam atender as metas de superávit primário, sangrando o país e impossibilitando investimentos em áreas essenciais e vital interesse.

Hoje, nossos países vizinhos investem maciçamente no reaquipamento de suas Forças Armadas como é o caso a Venezuela, país que estive há um mês atrás a convite daquele governo, o mais interessante, é que ao contrário daqueles que pregam a desunião, colocando a Venezuela como “um país que se arma para ter hegemonia na América Latina”, ou que existe uma “conspiração no governo Venezuelano em nos ameaçar” nos faz refletir sobre a seguinte questão. A serviço de quem estão estes cidadãos ? Como afirmou o Almirante Moura Neto ao comentar a intenção do Brasil adquirir da Venezuela submarinos, ” não há nada a temer das negociações com a Venezuela para adquirir cinco submarinos russos de propulsão diesel, e que ” se o Brasil cumprir com seu Programa de Reequipamento, não haverá desequilíbrio militar regional.” A Venezuela tem um programa de reequipamento, tal como nós temos no Brasil”, afirmou.”Não me parece que seja um risco” a compra destes submarinos. “A Venezuela tem relações diplomáticas cordiais com o Brasil e suas Marinhas têm muitas boas relações”, ressaltou.

Fica patente ao revermos a história da Venezuela, que a República Bolivariana, jamais teve pretensões de hegemonia em parte alguma, agora, as opiniões das viúvas de FHC, que insistem no “perigo Venezuelano” não tem o menor valor, pois refletem o pensamento de quem trabalha dia e noite para o desenvolvimento das idéias retrogradas do imperialismo e do domínio dos EUA na América Latina. Esses representantes dos EUA, que já estiveram reunidos este ano numa Universidade da elite paulistana, tentando insinuar que a Venezuela tem pretensões de hegemonia, soltaram um “balão de ensaio” de cunho terrorista para numa teoria conspiratória fazer o Brasil ser militarmente açambarcado pelos EUA, fragilizando a integração da América Latina através da política mentirosa de enfrentamento com um país que é nosso irmão, e que se defende sim dos EUA. A Venezuela, jamais teve vocação imperialista e hegemômica, e esse discurso é um discurso perigoso, falso e traiçoeiro, que tem por finalidade única nos distanciarmos do desenvolvimento e da integração com os países da América Latina, preconizando assim o subdesenvolvimento, e aumentando o domínio dos EUA na região via Brasil.

É bom lembrar, que ao primeiro sinal de que o Brasil não estiver literalmente alinhado aos interesses os EUA, o fornecimento e peças e reposição aos equipamentos militares estará suspenso por completo pelos EUA, como ocorreu na Venezuela, que teve que desenvolver sim seu parque industrial bélico em parceria com empresas Russas; e ai sim está a resposta para o desenvolvimento militar da Venezuela, ter a soberania territorial e mais importante, ter a soberania técnica na possibilidade de contar com si mesma na implementação da renovação, manutenção dos equipamentos que compões as Forças Armadas. Entre os países que mais compram armas da Rússia, via a Agência Federal Exportadora de Armas, Rosoboronexport, esta a Venezuela.

A pouco uma Comissão Venezuelana integrada pelos contra almirantes Sanz Ferrer e outros foram visitar a empresa estatal russa Rosoboronexpot, sendo recebidos pelo Diretor Geral da empresa Ribin, a Venezuela esta adquirindo o submarino da Classe “Kilo” 636, um desenho especial para as águas da América Latina. A Venezuela também em acordo com a Rosobronexport fabricará sob licença russa o fuzil AK103, na Divisão Metalmecânica de Cavim (Companhia Anônima de Industrias Militares) empresa bélica Venezuelana fundada há 32 anos.

O Brasil tem tudo para ter um grande parque industrial bélico, vamos crescer, vamos reconstruir o que nos forçaram a destruir, vamos drenar investimentos para a construção o nosso submarino nuclear, bem como a reativação da Imbel, e com urgência, estudar medidas para recuperar o controle sobre a transmissão de dados militares e sigilosos, que hoje é feita através de satélites entregues para estrangeiros por Fernando Henrique Cardoso, em 1998, através da privatização da Embratel.

Temos tudo para isso, tecnologia, empresários empreendedores, o que falta é vontade política, e patriotismo. E, acima de tudo, ouvir menos os conselhos aqueles que a pretexto e nos amedrontar, nos jogam para os braços dos EUA, que no fundo gostam e nos ver “desarmados” como política “de intervenção branca”.

Fernano Rizzolo

OS POBRES E A INDÚSTRIA NACIONAL

Na discussão sobre a prorrogação da CPMF, podemos inferir a natureza da argumentação de seus opositores, que se expressa, em sua maioria, na alegação de que a carga tributária do Brasil é extremamente alta, e que a reforma tributária, sim, deveria ser o alvo da discussão. Órgãos de representativos da indústria como a Fiesp rechaçam o imposto, apregoam que a reforma tributária já deveria estar sendo apreciada, o que deverá logo ocorrer no Congresso Nacional, outros ainda dizem, que o governo não teria interesse no momento na reforma em face ao fato de que “se perderia receita com a reforma”, já que ela vem sendo fundamentado, na criação do IVA (Imposto sobre Valor Agregado), um agrupamento de impostos de alta arrecadação, como o PIS (Programa de Integração Social), Cofins (Contribuição sobre Financiamento da Seguridade Social) Cide (Contribuição sobre Intervenção de Domínio Econômico), CSLL (Contribuição sobre Lucro Líquido), IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), IR (Imposto de Renda) e IRPJ (Imposto de Renda de Pessoa Jurídica).

Na tentativa conciliatória em atender as demandas do empresariado, o deputado Antonio Palocci (PT-SP), disse que o governo estuda desonerar a folha de pagamento, para baixar a carga tributária do País, que no ano passado chegou 38,80% do PIB, ou seja, cresceu 0,98 ponto percentual em relação a 2005, quando alcançou 37,82%, o que na realidade, corresponde aos níveis da carga tributária da Inglaterra, país rico que nem precisaria de tanta intervenção Estatal.

Ao que tudo indica, Palocci não agradou os grandes empresários, e a Fiesp manifestou-se alegando que, “quer desvincular a discussão sobre reforma tributária, redução da carga e CPMF”, ou seja, manter o foco da oposição em cima da questão da prorrogação do imposto. Não há dúvida que a legitimidade para a prorrogação da CPMF já fora exaustivamente demonstrada, e no momento atual, só não entende quem não quer, que o imposto é imprescindível.

O Brasil, país pobre, necessita dessa receita para promover e implementar projetos sociais direcionados a 45 milhões de pessoas que vivem na miséria. A natureza do imposto, nem deveria ser questionada vez que é o único tributo “sem fato gerador”, o que não o desqualifica, e que incide diretamente no bolso do contribuinte sem a possibilidade de manobras para sonegação. Os pobres no Brasil, assim como o pequeno e médio empresário nacional, é que deveriam “gritar mais” até por que, no caso dos mais pobres que possuem menos capacidade contributiva, dão sua cota maior, hoje da arrecadação total o imposto sobre a renda corresponde a 29%, passando o mesmo a pesar mais no bolso do trabalhador pobre em face ao fato ao congelamento da tabela desse imposto (IR), que deixou de ser corrigida no período de 1996 a 2001. Na verdade, com isso, milhares de trabalhadores passaram a pagar o IR, ou seja, aquele que ganhava até 10,48 salários mínimos, em 1996, estava sim isento, já em 2007, está isento apenas quem recebe até 3,46 salários mínimos. É a taxação do rendimento do trabalho, na tabela progressiva, em até 27,5%. Um verdadeiro absurdo!

Já o rendimento do capital é isento ou sofre “leve incidência” e o mesmo não é submetido a nenhuma tabela progressiva. Outra discrepância que beneficia as grandes corporações representadas pelos opositores da CPMF, é um dos benefícios fiscais, criado no final de 1995, ou seja, a “permissão legal” para deduzir do lucro tributável uma despesa fictícia denominada “juros sobre o capital próprio”, reduzindo com isso os tributos sobre (IRPJ).

Como então poderíamos abrir mão de receitas se já na dinâmica tributária brasileira existe, sim, um tratamento diferenciado entre o pobre trabalhador e o grande capital? Como poderíamos alavancar nossa indústria nacional sucateada em tantos segmentos, se isentamos de Imposto de Renda, de forma vergonhosa, as enormes remessas de lucros e dividendos ao exterior efetuada pelas multinacionais; só para se ter uma idéia, em maio, o Banco Central registrou a entrada de US$ 501 milhões referentes ao chamado investimento direto estrangeiro, ao mesmo tempo em que as transnacionais instaladas no país enviaram US$ 2,632 bilhões para suas matrizes no exterior a título de lucros e dividendos. O fato de as remessas de lucros terem superado em mais de cinco vezes a entrada dos louvados “investimentos” diretos, nos leva a uma reflexão, mais uma vez, que a brutal desnacionalização a que foi submetida à economia brasileira proporciona sim, a transferência de fabulosos recursos para o exterior.

Hoje o pequeno e médio empresário nacional é um tímido em sua própria casa num mercado consumidor de 190 milhões de pessoas, que é açambarcado por grandes corporações, onde esses mesmo empresariados nacionais pequeno e médios, que proporcionalmente sente mais a carga tributária, passa a ser apenas um simples fornecedor desprotegido, calado, e tímido, dessas grandes empresas.

De que forma poderíamos desenvolver nossa indústria nacional, bélica, e gerar empregos se ainda insistimos em focar debates sobre questões isoladas, e corporativas? Ou será que o imposto menos sonegável mobilizaria uma discussão mais calorosa para que o aprofundamento das análises sobre as injustiças triburatárias que hoje vivenciamos no Brasil não viesse à tona? Com a palavra o pobre empresário brasileiro e o trabalhador contribuinte.

Fernando Rizzolo

Artigo publicado pela Agência Estado no dia 19/10/2007

Mantega: FMI se moderniza ou não servirá mais para nada

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De Washington – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta sexta-feira em Washington que, ou o FMI (Fundo Monetário Internacional) ”se moderniza, se transforma ou vai cair em desuso, vai se tornar supérfluo, não vai mais servir para nada”.

Segundo o ministro da Fazenda, é preciso que o FMI modifique o seu atual sistema de cotas, levando em conta a crescente importância de países emergentes na economia mundial. Pelo sistema de cotas em vigor atualmente, quem tem o maior número de votos dentro do FMI são os Estados Unidos, seguidos por Japão, Alemanha, França e Grã-Bretanha.

Os comentários de Mantega foram feitos na sede da instituição, onde o ministro participa da reunião do FMI e do Banco Mundial. A reforma do sistema de cotas foi um dos temas discutidos por Mantega no encontro que manteve com representantes do G4, o grupo formado por Brasil, China, Índia e África do Sul.

A reforma no sistema de cotas teve início há um ano, durante um encontro do FMI em Cingapura, quando foram concedidas maiores cotas à China, à Turquia, à Coréia do Sul e ao México. Mas Mantega avalia que a discussão sobre o avanço das reformas pouco evoluiu desde então.

”Nós achamos que o processo caminhou muito pouco, que ele é insuficiente para atender as mudanças na importância econômica desses países (as nações emergentes)”, afirmou.

No entender do ministro, o fato de que algumas das principais economias emergentes não sofreram significativos danos provocados pela crise gerada pela bolha imobiliária americana e os empréstimos hipotecários do tipo subprime (de alto risco) são um sinal da crescente importância dos países em desenvolvimento e a prova de que eles precisam contar com uma maior representatividade junto ao fundo.

”A mudança ficou patente a partir dessa crise do subprime. Nós tentamos demonstrar que os países emergentes estão mais sólidos do que os países ditos avançados. E que portanto a nossa importância econômica é maior do que aquela que está expressa na nossa participação nas cotas e nas decisões do fundo.”

Mantega disse que se a mudança não ocorrer, os países emergentes irão ”criar outras instituições que possam substituir o fundo no futuro”, mas ressaltou: ”Não quero que isso aconteça”.

O titular da Fazenda ressaltou que o Brasil não pretende chegar ao ponto de se retirar do FMI. ”Não estou me afastando do fundo. É uma instituição que hoje está em crise, uma crise de identidade, de função. Acho que o fundo pode ser recuperado, ele tem jeito, mas desde que aceite passar por transformações importantes. Não é só o Brasil, outros países estão dizendo a mesma coisa: ou o fundo muda ou perece. Essa é a encruzilhada na qual nos encontramos.”

O ministro também criticou as projeções feitas pelo FMI em relação ao crescimento da economia brasileira para 2007 e 2008, que foram de, respectivamente, 4,4% e 4%.

”O Fundo Monetário fez uma leitura equivocada da dinâmica da economia brasileira em 2007, projetando um crescimento de 4,4%. Demonstra o desconhecimento do que está acontecendo no Brasil, que está crescendo de forma robusta, impulsionado por um mercado interno crescente e que vai desembocar talvez no melhor Natal dos últimos tempos, nós vamos ter um Natal muito rico no Brasil no final de 2007. Tudo indica que o nosso crescimento atingirá algo como 4,7%, 4,8% do PIB em 2007.”

O otimismo do titular da Fazenda se estende ao próximo ano, para o qual prevê um crescimento de 5% do PIB: ”Nós chegaremos a 2008 com uma economia aquecida, com o setor de construção civil aumentando a sua produção, um nível de investimento bastante elevado, e nenhuma razão para haver uma desaceleração da economia em 2008”.

Mantega também prevê que a inflação ficará sob controle, fechando na casa dos 4%, em 2007 e entre 4,1% e 4,2% no ano que vem.

O ministro voltou a falar da criação do Banco do Sul, um dos temas da entrevista que concedeu em Washington na quinta-feira. A instituição é uma iniciativa do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que visa ser uma alternativa local a instituições como o próprio FMI, o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento. O banco tem por propósito financiar projetos de desenvolvimento regionais.

O órgão deverá contar com a participação da Argentina, Bolívia, Brasil, Equador, Paraguai e Venezuela. A data prevista para assinatura da ata que marcará a fundação do banco será no próximo dia 3 de novembro. Na semana passada, a Colômbia manifestou interesse em aderir ao Banco do Sul.

Mantega afirmou que gostaria de ampliar ainda mais o número de países que irão integar o banco. ”Eu pessoalmente estarei convidando aqueles que não estavam presentes, como o Chile, por exemplo, e o Peru. Acho que os 12 países sul-americanos deveriam fazer parte do conselho de gestão do banco.”

Mas o ministro destacou que ainda existe uma série de medidas que precisam ser tomadas para que o banco entre em funcionamento. ”Para que ele seja constituído, é preciso criar um estatuto. Até agora, só definimos os conceitos gerais. É preciso definir como ele irá funcionar, como vai emprestar, como será feita a análise de recursos, qual é o capital inicial de cada país. As regras do banco deverão ser discutidas daqui para a frente.”

O Estado de São Paulo

Rizzolo: O fracasso da rodada de Doha deixa cada vez mais claro que neste mundo de impérios globalizados, só tem vez os blocos coesos de interesses compartilhados. O Banco do Sul seria um amplificador vigoroso da voz e dos interesses latino-americanos, o que contraria interesses dos EUA que através do Brasil insistiram, desta feita, em não fazer do Banco do Sul um substituto do FMI, cuja política visa, na verdade, apenas os interesses do governo americano, haja vista o que ocorreu na gravíssima crise cambial e financeira asiática de 1997-98, que definitivamente mudou a percepção desses países. Houve descontentamento, e até revolta, com o modo como os EUA e o FMI abordaram a crise. As recomendações de política econômica foram consideradas em grande parte medidas contraproducentes. Além disso, parece ter ficado evidente que os EUA estavam se valendo do Fundo e de outras instituições sediadas em Washington para promover o seu interesses nacionais. “O FMI tem feito mais para promover a agenda comercial e de investimento dos EUA na Coréia do que 30 anos de entendimentos comerciais bilaterais”, disse na época Lawrence Summers, então subsecretário do Tesouro do governo Clinton.

Fica claro, que para conseguir seu desiderato, o conservadorismo exulta e se delicia com a promoção de divergências via mídia e Congresso Nacional entre o Brasil e os países da América Latina, em especial à Venezuela, onde vêem a oportunidade de isolar o Brasil, deixando-o numa situação refratária a uma maior integração Latino Americana, pra que talvez, finalmente, se sinta socorrido e alinhado aos interesses do EUA, até mesmo do ponto de vista militar, onde os investimentos das Forças Armadas são tímidos e precários frente a outros países da América Latina, e que certamente nos leva a uma reflexão, a uma pergunta. A quem isso serve?

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Lançado com êxito míssil balístico intercontinental RS-12M Topol

topol-rs-12m-bg.jpg

O míssil balístico intercontinental (VIDEO) RS-12M Topol , (VIDEO ) TOPOL-M foi lançado esta quinta-feira (18) desde o cosmódromo de Plesetsk e destruiu com êxito um alvo simulado no polígono localizado na península de Kamchatka” (extremo leste da Rússia) a 8 mil quilômetros do local do lançamento .

“Este lançamento permite prolongar até 2021 o prazo de serviço operacional do sistema de mísseis Topol”, destacaram as fontes no Ministério da Defesa à Ria-Novosti. Desde setembro de 1981 foram realizados 79 lançamentos deste tipo de mísseis desde Plesetsk, 800 quilômetros ao nordeste de Moscou.

Destes, 43 foram exclusivamente de treino militar e os demais para verificar os parâmetros de vôo dos mísseis e a infra-estrutura de lançamento.

O polígono de Kamchatka, com uma extensão de 10 mil quilômetros quadrados, em seus 46 anos de funcionamento serviu de alvo em mais de 5.500 ocasiões para comprovar a efetividade do arsenal nuclear russo.

Os MBI RS-12M Topol, em operação desde 1980, são mísseis de três fases e de combustível sólido de 22,3 metros de comprimento e 45 toneladas de peso.

Estes mísseis, nas Forças Armadas da Rússia desde 1980, são fabricados em duas modalidades: os de lugar fixo ou em silos e os móveis, que podem ser transportados em caminhões ou sobre vagões de trem.

Pravda.Ru

Rizzolo: O teste do míssil RS-12 M Topol de acordo com o Coronel Alexander Vosvk, tornou-se o sexto teste do sistema que visa neutralizar o sistema aéreo americano. O comando militar russo esteve mantendo toda a logística sob o controle durante o lançamento do míssil. O teste demonstrou, que a eficácia total do míssil na não interceptação do mesmo por forças inimigas.

De acordo com informações não oficiais, o arsenal russo de tropas estratégicas já posicionou o sistema de mísseis Topol-M. Eles planejam usar o sistema fixo e em bases móveis no futuro. A origem em sistemas de complexos balísticos foi incluída no arsenal russo no início de 1997. Havia quatro unidades de mísseis nas tropas de trabalho russo com os sistemas Topol -M. Cada uma das unidades tem mais de dez mísseis balísticos intercontinentais, de acordo com fontes oficiais russas.

Não é à toa que Putin mandou um recado ontem a Bush, quando o mesmo começou a “ balbuciar sobre uma eventual terceira guerra mundial “ dizendo o seguinte: “ Cuidado, Bush, nós não somos o Iraque “.

Veja o vídeo acima !

CPMF – Só não entende quem não quer, o desenvolvimento social

Existe por de trás da resistência na aprovação da CPMF um conteúdo político muito forte, muito mais é claro, do que tributário. À parte ao fato de que a CPMF dificulta a sonegação, face ao fato de incidir diretamente nas operações financeiras, e por não possuir o que chamamos em Direito Tributário do “fato gerador”, a essência da resistência esta em obstruir os programas sociais do governo Lula que os R$ 40 bilhões em arrecadação para 2008 poderiam operacionalizar, dando uma vantagem ao governo federal em termos de voto e popularidade. Na verdade, o empresariado contrário, a aprovação da CPMF é não tem sensibilidade social, e as atribuições argumentativas de reforma tributária e outras balelas, são pretextos políticos. Sem embargo, a antipatia por um imposto moderno que inviabiliza o “caixa dois”, é rechaçado por também questões políticas e de sucessão presidencial.

Sem arrecadação os programas sociais não prosperam, e hoje no Brasil temos 47 milhões de pobres sem a devida assistência do Estado, não há como “inventar receita” para levar adiante programas de desenvolvimento, tão necessários no Brasil de hoje. O capital financeiro é beneficiado com as altas taxas de juros, a elite se beneficia no desenvolvimento econômico, elite essa que de acordo com o Atlas da Exclusão Social – os ricos no Brasil (Cortez, 2004), apenas cinco mil famílias controlam 45% de toda a riqueza, ora, virar as costas para 47 milhões de pessoas que vivem na miséria e que dependem desses programas é no mínimo amoral. Os 10% mais ricos da população impõem historicamente, a ditadura da concentração, pois chegam a responder por quase 75% de toda a riqueza nacional. Enquanto os 90% mais pobres ficam com apenas 25%. Esse quadro de perversão distributiva se agrava quando constatamos que quatro cidades (São Paulo, Rio de Janeiro, e Belo Horizonte) concentram quase 80% de todas as famílias ricas do país. Paises que tentam desenvolver políticas sociais de impacto como a Venezuela, aprovam a natureza jurídica do imposto, o governo venezuelano, passará a cobrar um imposto de 1,5% sobre transações financeiras realizadas por empresas no país. A cobrança, semelhante à CPMF, entra em vigor 1º de novembro e – assim como a contribuição brasileira – nasce provisória, com duração programada até 31 de dezembro deste ano.

O Poder Público necessita de arrecadação para fazer frente às demandas sociais, a desorenação tributária no Brasil já atingiu mais de R$ cinco bilhões na produção em face à nova Lei Geral das microempresas e outras medidas de desoneração. Mas isso não é comentado pelo empresariado . A nossa carga tributária é de 37% do PIB, o que é muito sim para a pequena e média empresa, mas em relação a um país como o nosso que necessita de desenvolvimento, não é nada de excepcional, haja vista que na Inglaterra que é um país onde nem há tanta necessidade do Poder Público estar à frente das iniciativas, a carga tributária é de 38,2 % “. Ganhar, ter lucro e não ter disposição para pagar imposto ao Estado, para financiar programas à população pobre, como já disse, se trata com antidepressivos, e cursinho de catecismo, pra ter melhor noção até de cristianismo”.

Fernando Rizzolo

Nazista israelense quer “finalizar” a ação de Hitler contra os judeus

Um direitista israelense divulgou em site de sua lavra conclama-ções do tipo “terminem o trabalho de Hitler, matem judeus ashkena-zis”.(Ashkenazi é o judeu originário da Europa Oriental, enquanto que o judeu do norte da África e dos países árabes é o Sepharadi).

Um clip do mesmo autor diz “vocês agora vão ver alguns dos esquerdistas que Hitler e Eichman não conseguiram incinerar. 90% da esquerda moderada é de ashkenazis! 100% da extrema esquerda é de ashkenazis!”

“Se apenas pudéssemos, terminaríamos o que Hitler começou começando por destruir todos os askenazis, os descendentes dos judeus que traíram a Alemanha”.

O jornal israelense Haaretz divulgou que investigações apontam que o autor dos incitamentos nazistas, que se assina Stiven Malik, é ex-integrante de uma organização fascista dirigida por Baruch Marzel e denominada Frente Judaica.

Há pouco, um colégio religioso Haredi (colégio religioso sob o comando de judeus ashkenazis) se recusou a matricular um garoto judeu de origem sepharadi alegando que estes “não são integralmente judeus”.

Estes choques entre vertentes judaicas são nitidamente o fruto apodrecido de décadas em que prevaleceu no governo israelense a mais asqueirosa ideologia nazista anti-árabe.

Hora do Povo

Rizzolo:Israel vive um conflito interno ideológico muito grande, alguns judeus ortodoxos, não aceitam o Estado de Israel, até porque estes, dentro da ortodoxia religiosa, entendem que o povo judeu só poderá viver em Israel, quando Messias chegar, isso justificaria os problemas na Terra Santa. A compreensão sobre o Estado de Israel desse segmento religioso, nada tem a ver com a questão Palestina, e sim religiosa, combatem simplesmente o Estado de Israel. É uma minoria, é claro, mas demonstra a diversidade de opiniões.

Quanto ao fato de que o socialismo é uma invenção judaica, tem seus fundamentos, na própria Tora, nos ritos judaicos, podemos observar que não existe uma hierarquia, não há necessidade de se ter um rabino, para existir uma sinagoga, apenas dez judeus bastam. Segundo Lênin, “Existe na cultura judaica, uma clara revelação da visão de um mundo progressista: é o fator internacionalista, é a identificação com os avançados dos movimentos da época (a porcentagem de judeus nos movimentos democráticos e proletários em todo mundo é maior em porcentagem do que o número de judeus na população), isso deve explicar o ódio do camarada Stven Malik um preconceituoso da pior espécie”.

A direita israelense culpa os “judeus esquerdistas” que segundo eles, são “milhões no mundo” para manter e justificar seus atos, incitar o conflito árabe israelense, cometer atrocidades contra árabes, e perpetuar o fato de manter o povo judeu em Israel, como massa de manobra dos EUA. Hoje existem vários movimentos de deserção no exército israelense, por entenderem que manobra militar contra civis, não combina com ética judaica. É preciso encontrar uma solução pacífica que contemple a todos. Se essa moda pegar aqui, hein ! (risos..)

Dos dois milhões badalados, apenas pouquíssimos curiosos apareceram no show anti-CPMF

O show organizado pela Fiesp, sob a alegação protestar contra a CPMF, na última terça-feira, no Vale do Anhangabaú, que previa a concentração de 2 milhões de pessoas, reuniu apenas sete mil transeuntes, segundo os mais otimistas e a Polícia Militar. Mas alguns órgãos de imprensa sofreram de alucinação e conseguiram enxergar 15 mil pessoas.

Artistas como Zezé di Camargo & Luciano e KLB foram convocados para cantarem num local em que naturalmente ocorre o trânsito de milhares de pessoas, na expectativa de ludibriar as pessoas. Os organizadores não conseguiram levar nem mesmo Paulo Skaf, presidente da entidade, para participar do ato.

As poucas pessoas que pararam para assistir às apresentações não estavam nem aí. Quando o apresentador (que substituiu Luciano Huck, que não compareceu, provavelmente para poder procurar o seu rolex roubado em São Paulo) falava o nome dos artistas, os presentes gritavam e aplaudiam, mas quando pedia um “não” para a CPMF pairava um silêncio sepulcral.

No dia seguinte, a notícia sobre o evento no site da Fiesp (que é financiada com o imposto de 1% sobre o total da folha de pagamento mensal das empresas) foi tão pequena quanto a quantidade de pessoas presentes. Os diretores da entidade se esforçavam mais para negar que são contra a CPMF porque ela dificulta a sonegação do que tentar explicar o motivo do insucesso.

Nem mesmo a alegação dos organizadores de que o ato não era contra Lula durou muito tempo, e foi contestado até pelo cantor Luciano: “É hipocrisia falar que esse movimento não é contra o governo Lula”. Já o baterista da banda NX Zero, Dani, expôs em entrevista à “Folha de S. Paulo”: “A gente está fazendo um negócio de uma coisa que não sei informar”.

Hora do Povo

Rizzolo: O tema da CPMF já fora exaustivamente debatido, e só não entende quem não quer, ou melhor, quem quer se livrar de um imposto que “dá trabalho” pra sonegar. Ora já foi dito e esta claro que a arrecadação da CPMF será destinada ao Fundo Nacional de Saúde, e ao Fundo de Combate à pobreza. Arregimentar artistas, para que de forma ardilosa, pudessem agrupar população pobre no centro da cidade de São Paulo, aproveitando-se maliciosamente da presença do coitado trabalhador, incauto, sem conhecimento político, sem ao certo saber o que é CPMF, e em seguida, lançar um discurso para impressioná-lo enganado-o, é muita maldade, e chega a ser amoral, mas parece que nada deu certo, nem Paulo Skaf, presidente da Fiesp se sensibilizou, e tampouco apareceu, nem Luciano Hulk, que como bem coloca o texto, não compareu provavelmente para poder procurar o seu rolex roubado em São Paulo.

A cobrança da CPMF gera uma arrecadação de cerca de R$ 37 bilhões por ano, sendo destinados constitucionalmente cerca de R$ 15 bilhões para a saúde, R$ 8 bilhões para o Fundo da Pobreza (que, segundo o ministro, paga parte da Bolsa Família), R$ 8 bilhões para a Previdência e o restante para utilização do governo, fica patente que os que não tem interesse no social, ou os que entendem que sua utilização no desenvolvimento social é “dinheiro jogado fora”, são os mesmos que atacam o governo Lula, e devotos do santo padroeiro Adam Smith.

Tenho muita pena do povo brasileiro, daquele que por ventura por lá passou , pobre, humilde, sem acesso a saúde, educação, com fome, e que ao ouvir o seu artista no show, se alegrou, e ie ainda bateu palmas, mas que de forma traiçoeira, foi golpeado pelos poderosos, que o usaram, em nome dos seus interesses, do lucro, do egoísmo, da exploração, e do pior, na perpetuação da miséria do povo brasileiro. Enfim o Cansei II não prosperou. É isso aí .

Meirelles volta a sabotar esforço pelo crescimento travando queda da taxa de juros

O Copom decidiu interromper a queda dos juros básicos mantendo a taxa em 11,25% ao ano. Para os empresários a decisão foi “danosa” e “pode comprometer o ritmo de crescimento da economia”. Para o presidente da CUT, Artur Henrique, a decisão “não facilita o crescimento econômico e não contribui para a criação de empregos”.

BC interrompe queda dos juros e afronta esforço pelo crescimento

Contrariando o conjunto da nação, Copom decide, por unanimidade,
manter a taxa Selic em 11,25%

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central in-terrompeu dois anos de queda dos juros básicos (Selic) e decidiu nesta quarta-feira, por unanimidade, manter a taxa em 11,25% ao ano. Com isso, o titular do BC, Henrique Meirelles, põe em risco os esforços do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de garantir o crescimento da economia na casa dos 5%. De acordo com o IBGE, o PIB cresceu 5,4% no segundo trimestre em comparação ao mesmo período de 2006, e 4,9% no primeiro semestre sobre os primeiros seis meses do ano passado.

Conforme análise do economista chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Edgard Pereira, os indicadores da economia não justificam a decisão do Copom, que poderá comprometer a continuidade dos investimentos dos setores produtivos. “É uma decisão desnecessária diante de uma série de informações positivas da economia; a inflação está sob controle a não há sinais de superaquecimento. A partir de agora, os empresários vão ficar mais receosos, vão parar para pensar em fazer novos investimentos”, afirmou Edgard.

A decisão tomada por unanimidade também foi destacada pelo economista do Iedi. “A decisão unânime é uma sinalização forte de que até o início do próximo ano essa política não vai mudar. É uma sinalização ruim, principalmente porque a decisão foi unânime. Isso mostra que o BC está preocupado com o aquecimento da economia. Eu acredito agora que os empresários vão limitar os investimentos”.

Em nota de duas linhas, o BC afirma que após avaliar “a conjuntura macroeconômica”, o Copom decidiu “fazer uma pausa no processo de flexibilização da política monetária”, ou seja, uma pausa no crescimento do país. “Os efeitos serão sentidos ao longo do ano que vem”, declarou Edgard Pereira. “Pode comprometer o ritmo de crescimento da economia. Começa a ficar mais difícil a manutenção [de crescimento de 5% ao ano] pela forma como a decisão foi tomada, por unanimidade. É uma indicação de desaquecimento da economia”.

Quanto à produção industrial, que vem acumulando altas sucessivas – 6,8% no segundo trimestre e 4,9% no primeiro semestre, segundo o IBGE -, “o efeito será heterogêneo”, afirma Pereira. “Existem setores que estão crescendo forte. Os setores que estão crescendo pouco são os mais voltados para o mercado interno, de produtos com menor valor agregado. Esses poderão ser os mais penalizados”.

Em relação aos juros reais (descontada a inflação), com a decisão do Copom, o Brasil continua sustentando a segunda colocação do ranking mundial, atrás da Turquia. Considerando que o IPCA dos últimos 12 meses encerrados em setembro foi de 4,20%, os juros reais ficam em 6,8% ao ano. Pesquisa realizada pela consultoria “Up Trend”, usando como base informações de 40 países, mostra que a Turquia mantém a primeira colocação com juros reais de 9% ao ano. O Brasil está longe do terceiro posto, dividido entre Austrália, Israel, Inglaterra e Filipinas, em torno de 4%. “Uma taxa acima de 5% é ruim, não tem efeito expansivo para a economia”, diz Jason Vieira, economista chefe da “Up Trend”.

A interrupção da queda dos juros também influencia diretamente na taxa de câmbio, prejudicando as exportações. Além de elevar o endividamento das famílias, os juros altos impedem a formação do crédito de longo prazo. Os únicos beneficiados com a política do BC de travar a queda da Selic são os bancos e agiotas estrangeiros, que invadem o país com o propósito exclusivo de multiplicar seus dólares, sem nenhum compromisso com investimentos que façam o país crescer.

FREIO

Como havia declarado o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, na véspera da decisão do Copom, “se puxar o freio de mão, o carro pode capotar. Deixa o carro andar”. O ministro, que assim como todos os brasileiros comprometidos com o país esperava a continuidade da queda dos juros, havia destacado que a trajetória de queda da Selic nos últimos dois anos contribuiu para a expansão dos investimentos da indústria, resultando no aumento da geração de emprego com carteira assinada: “A economia está sob controle, a inflação está abaixo das projeções e as empresas estão investindo pesado em todos os setores da economia nacional”, declarou Lupi.

LUIZ ROCHA
Hora do Povo

Rizzolo: A política econômica do BC ditada pelo Copom, insistindo em manter o nível da taxa básica de juros (selic) na estratosfera, sustentando a segunda colocação do ranking mundial, atrás da Turquia, faz com que o “Cassino Brasil” atraia cada vez mais, capital internacional especulativo fazendo com que a cotação do dólar caia. Isso na verdade faz com que as exportações despenquem e em contrapartida, aumentemos as importações financiando empregos no exterior.

Fica patente que no país da especulação, não há interesse no investimento em produção, em geração de emprego, muito pelo contrário, alguns segmentos como de calçados e outros, sentem a dificuldade em exportar em face a um real fortalecido. É claro que a indústria nacional sofre, com essa política que beneficia sim, as multinacionais que vêem a oportunidade cada vez maior de fazer suas vultuosas remessas de lucros e dividendos em dólar e ainda, sem pagar imposto de renda ao povo brasileiro. O lucro já ocorre, de imediato, com a própria conversão das moedas, antes mesmo de que com a atividade especulativa em si, seja com títulos públicos, seja na Bolsa, uma verdadeira vergonha, num país pobre que precisa gerar quatro milhões de empregos por ano aos jovens que ingressam no mercado de trabalho, e aos que perdem seus empregos.

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Cisco – Americanos legitimam crime ” face a carga tributária”

No pais onde os juros altos são mantidos à revelia do desenvolvimento da nação, beneficiando aqueles que na arte de especular encontram no “ Cassino Brasil” um verdadeiro paraíso exercitando e apostando na estagnação da economia; no país onde as remessas de lucros têm superado em mais de cinco vezes a entrada dos festejados “investimentos” diretos, onde a brutal desnacionalização da economia brasileira proporciona a transferência de fabulosos recursos para o exterior, remessas essas que no ano passado, representaram 87% de todo o investimento direto que entrou no Brasil. Ou seja, quase tudo o que foi investido em 2006 retornou em forma de lucros; no pais em que remessas de lucros e dividendos ao exterior são isentas de Imposto de Renda, até 1995, essas remessas eram tributadas em 15%, estimando-se a renúncia fiscal em R$ quatro bilhões para o ano de 2006. O camarada Mark Smith, diretor-gerente, em nome da “Câmara de Comercio dos Estados Unidos, para assuntos de hemisfério ocidental” tem o atrevimento de dizer que” o crime da transnacional tem legitimidade em face a pesada carga tributária brasileira “.

Ora, isso só pode ser um desrespeito ao povo brasileiro, às normas legais estabelecidas no pais, e denota a que ponto a liberalidade dos detentores capital internacional chegaram. Não bastasse a política monetária que beneficia as transnacionais, os bancos internacionais, o capital camuflado que permeia a economia através de empresas brasileiras “laranjas,’ ainda levamos um” tapa na cara “ do Sr. Smith, com sua opinião inapropriada. Alega ainda mais, que não deveriam só punir a Cisco Systmes, e sugere, através do crime, que ogoverno faça alguma coisa em relação à carga tributária; quer dizer, alem de saquearem o país, cometem crimes tributários, ainda passam um” raspão e um pito “ no governo federal por não discutir e implementar a reforma tributária”. A Receita Federal estima uma perda de R$ 1,5 bilhão em arrecadação de impostos. De acordo com o coordenador do núcleo de inteligência da Receita, Gerson Schann, na importação de softwares os valores eram superfaturados e de hardwares, subfaturados.

Tenho cansado de falar que o Brasil precisa rever a questão dessas multinacionais no pais, precisamos construir um Brasil com uma indústria nacional forte, investir pesado em tecnologia, prestigiar o empresario nacional. O que é que hoje, o empresariado nacional não sabe fabricar ou projetar ? E se não souber, poder adquirir tecnologia no exterior ? Porque ao invés de ouvir desaforo de porta vozes de criminosos, não instituímos impostos às transnacionais para financiar nosso Parque Industrial, inclusive bélico ? A receitinha poderia ser é a seguinte: “A remessa anual de lucros não pode exceder a 10% dos investimentos líquidos registrados, com exclusão, portanto, para cálculo do percentual, do capital adicionado e originário dos lucros obtidos no Brasil. A remessa que ultrapassar essa percentagem seria considerada repatriação de capital, num máximo permito de 20% anuais. Lucros acima desse limite serão considerados capital suplementar e não poderiam ser remetidos, devendo ser reinvestidos no Brasil”. Que tal ? Fundamentalista ? Chega de humilhação, vamos ser patriotas, enquanto isso o pobre empresário nacional é um tímido em sua própria casa num mercado de 190 milhões de consumidores. Só para finalizar. Parabéns à Polícia Federal.

Fernando Rizzolo

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Para Fiesp, faltou entendimento da realidade para Copom; CNI diz que decisão frustra

O setor industrial criticou em peso a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), que manteve a taxa básica de juros em 11,25% ao ano. “Mais uma vez nos decepcionamos com a falta de entendimento da realidade demonstrada pelo Copom”, afirmou Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), em nota divulgada há pouco.

“A decisão é especialmente frustrante, porque o aumento da inflação nos últimos meses ocorreu por pressões pontuais e não de forma disseminada”, disse o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Armando Monteiro Neto.

“Apesar de lenta, a seqüência de cortes promovida até agora dava uma visão futura de taxa de juros menos atraente para o investimento especulativo e indutor de valorização cambial adicional”, avaliou Skaf.

Ele afirma que estudos da Fiesp não indicavam pressão da demanda e que, portanto, havia “as condições necessárias para prosseguir com os cortes nos juros”.

Os economistas que apostavam no congelamento da taxa Selic aleguavam que havia um aquecimento da economia doméstica que, sem contrapartida em investimentos suficientes na capacidade de produção, poderiam gerar inflação.

Para a Firjan (Federação da Indústria do Estado do Rio de Janeiro), a interrupção no processo de corte dos juros “evidencia a necessidade de diminuir e garantir eficiência dos gastos públicos”.

A CNI também manifestou preocupação com o crescimento do gasto público, que cresceu “em velocidade muito superior à expansão da economia”, o que Monteiro chamou de “insustentável”.
Folha online

Rizzolo: Não poderia ser outra a decisão, não há duvida que o capital internacional especulativo quer ainda manter e ganhar boas posições no “Cassino Brasil” onde muito embora, economistas, empresários, e o povo brasileiro, concordam que o Brasil necessita de investimentos na produção, e não na especulação. Velhos pretextos, como inflação, aquecimento da economia, são na realidade subterfúgios para que os especuladores realizarem os seus perversos desideratos que são em última instância, bloquear o crescimento econômico, servindo aos interesses internacionais, fazendo com que o crescimento interno da nossa economia continue “raquítico” como diz o economista Ponchmann. E mais uma vez, observem, a esquerda se cala, de forma vergonhosa, omitem críticas a Lula, num país onde apenas cinco mil famílias controlam 45% de toda a riqueza.

O Comitê do Copom, tem representado no segundo como no primeiro governo Lula uma trincheira da ortodoxia neoliberal. E atua em regime de independência de fato (embora sem atender ao ex-ministro Antonio Palocci e outros que desejariam conferir autonomia formal ao banco): um pacto extra-oficial ceifa-o com mãos livres para agir como bem entender.Com isso, o Copom ganhou uma notável unanimidade: é igualmente mal visto tanto por trabalhadores como por burgueses. Serve na prática aos interesses de um setor da burguesia, o poderoso segmento rentista, que inclui os bancos.

A ordem é, não diminuir as taxas de juros, de acordo com a recomendação daqueles que tem como cartilha o “Consenso de Washington” e se assegurar que, com taxas altas, a agiotagem descabida irá continuar, e no pobre Cassino Brasil ainda irão conseguir ganhos “nunca dantes auferidos”. Não é de se estranhar essa ingenuidade de Lula, que se assemelha aos antigos “inocentes úteis” às avessas. A liberalidade no entender de Lula, sobre a não confrontação com a elite financeira, mostra a subserviência e o descontrole sobre as políticas de retenção do limite ético do lucro financeiro, que mina as condições de progresso social, maculando os ideais daqueles que lhe emprestaram 58 milhões de votos. Na reflexão do porque da aliança financeiro-burguesa, se entende a consciência narcisa de se afirmar que muito embora venha de origem pobre, reconhece o valor da burguesia, talvez como num gesto de passividade absorvido no chão de fábrica que deu origem a sua popularidade.

Brasil vai nacionalizar financiamento do maior estudo sobre a Amazônia

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O governo decidiu assumir inteiramente o financiamento do Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), o maior programa de cooperação científica do mundo na área ambiental, que completa 10 anos em 2008.

A decisão foi tomada em reunião liderada pelo presidente Lula. No encontro, ficou acertado que o novo projeto – informalmente chamado de Programa Amazônia – vai abranger todas as áreas de pesquisa científica, e não apenas a ambiental.

De acordo com o coordenador do programa, Antonio Manzi, “muitos dos dados que embasaram os relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) levaram em consideração as conclusões de algumas pesquisas feitas pelo LBA”.

O programa é hoje financiado em parte pela agência espacial norte-americana (NASA) e por organismos europeus, além dos recursos do governo brasileiro, e possui 15 torres de observação espalhadas pelas regiões Norte e Centro-Oeste. O plano é garantir maior autonomia ao Brasil no que diz respeito à informações e pesquisas que estão sendo realizadas na região amazônica.

Entre as descobertas feitas pelos pesquisadores vinculados ao LBA, está o fato de a capacidade de resistência da floresta amazônica à seca ser bem maior do que previu o último relatório do IPCC. A pesquisa “Seca Floresta” simulou durante quatro anos uma diminuição de 50% das chuvas em Santarém no Pará e descobriu que as árvores têm mecanismos que lhes permitem sobreviver à secas extremas, o que contradiz os modelos climáticos computadorizados que fundamentam a “savanização” da Amazônia por aquecimento do planeta.

Para nacionalizar o financiamento das pesquisas, o governo brasileiro terá que aumentar dos atuais R$ 3,6 milhões direcionados ao estudo, para cerca de R$ 10 milhões por ano. Para isso, deve recorrer a recursos do Plano Plurianual (PPA) e de fundos setoriais, como Fundo Setorial do Agronegócio, que foi o primeiro a ser abordado, e o Fundo Setorial de Biotecnologia.

A proposta é criar uma convergência entre todos os projetos científicos desenvolvidos na região amazônica, o que inclui o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). Hoje o projeto está sob a responsabilidade do MCT e do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa) e cabe ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) gerir seu banco de dados.

“Gostaríamos que ele ficasse no MCT. Mas admito que, pela abrangência e importância do programa, será necessário negociar com todas as pastas, inclusive com a Casa Civil e o Ministério da Defesa”, informou o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCT, Luiz Antônio de Castro.
Hora do Povo

Rizzolo: Tenho cansado de dizer que precisamos de uma política de ocupação e de implementação de programas que abrangem todas as áreas de pesquisa científica, e não apenas a ambiental em toda a Amazônia. Existem grandes bases militares em países vizinhos da nossa Amazônia; muito bem lembrou o Senador Pedro Simon ( PMDB- RS) em seu discurso em abril deste ano, quando comentou, a arrogante postura do ex-secretário de Estado americano, Henry Kissinger, em 1994: “Os países industrializados não poderão viver da maneira como existiram até hoje, se não tiverem à sua disposição os recursos naturais não-renováveis do Planeta. Terão que montar um sistema de pressões e constrangimentos garantidores da consecução de seus intentos”. “

Mas ninguém foi mais direto que John Major, em 1992, então primeiro-ministro da Inglaterra”, continuou Simon e citou: “As Nações desenvolvidas devem estender o domínio da lei ao que é comum de todos no mundo. As campanhas ecologistas internacionais que visam a limitação das soberanias nacionais sobre a região amazônica estão deixando a fase propagandística para dar início a uma fase operativa, que pode, definitivamente, ensejar intervenções militares diretas sobre a região”.

Ora, esses políticos do exterior, esses “pesquisadores” esses “missionários”. Até quando vamos nos tornar vulneráveis a uma ocupação internacional da Amazônia ? Temos até o “primatólogo” o camarada Roosmalen, lembram dele ? Olha, é impressionante o cartel de picaretas que tentam por toda sorte adentrar na Amazônia, ora tirando sangue de índio, ora pirateando espécies, enfim como já não bastasse as multinacionais que sangram o país, essa espécie de gente a serviço de grandes laboratórios se acha no direito de transformarem a Amazônia na “casa da mãe Joana”.

Não é possível que não exista um patriota para de uma vez por todas dar um basta nisso tudo. Vai você leitor, tentar tirar sangue de índio em Idaho nos EUA, para ver o que te acontece, mas aqui, aqui não, aqui até o papa pediu mais liberdade para os “missionários agirem na Amazônia”. Isso chama-se entreguismo e falta de patriotismo. Sem contar que nossas Forças Armadas estão defasadas do ponto de vista dos equipamentos militares, alem disso precisamos urgentemente estudar medidas para recuperar o controle sobre a transmissão de dados militares e sigilosos, que é feita através de satélites entregues para estrangeiros por Fernando Henrique Cardoso, em 1998, através da privatização da Embratel. Imaginem o controle estrangeiro na transmissão de dados militares e sigilosos. Vergonha, hein !

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Lula responsabiliza países ricos pela pobreza africana

O presidente Lula afirmou na segunda-feira, durante visita a Burkina Faso, estar convencido de que a emenda constitucional que prorroga a vigência da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) será aprovada pelo Senado Federal. “Eu estou convencido de que vai passar, como passou na Câmara”, afirmou.

Ele disse que a aprovação da CPMF é “do interesse da nação” e não só do governo, lembrando que “todo o dinheiro está no mesmo cofre”. “Nós temos 504 bilhões de reais colocados no investimento de infra-estrutura e se você não pode utilizar esse dinheiro, você vai ter que mexer em dinheiro de outras áreas do governo”, argumentou.

Respondendo a uma pergunta sobre se a licença de Renan Calheiros alteraria alguma coisa na votação, ele disse que “o fato de o presidente Renan pedir licença não altera nada”. “Ultimamente, eu acho que o Senado votou todas as coisas que nós queríamos que fossem votadas, a Câmara votou todas as coisas que nós queríamos que fossem votadas, e somente agora chegou para votar no Senado. Não tenho dúvida que será aprovado”.

Lula falou também sobre os acordos de cooperação técnica no setor algodoeiro entre Brasil e Burkina Faso, país da África ocidental. “A aproximação entre nossos países já começa a se refletir no nosso comércio bilateral. Mas as cifras ainda estão muito abaixo do que podemos almejar”, disse. “Nas negociações comerciais multilaterais, estamos juntos na luta contra os subsídios dos países ricos”, lembrou Lula. “Burkina Faso, junto com Mali, Chade e Benin, atua na OMC em sintonia com o G-20, no combate aos subsídios aos produtores de algodão nos países desenvolvidos. Tais subsídios deprimem os preços do produto no mercado internacional e ferem diretamente a economia de países pobres da África”, denunciou Lula. “Por isso”, prosseguiu, “a vitória brasileira no contencioso do algodão na OMC foi também uma vitória de Burkina Faso”.

Falando sobre o sucesso das concessões das estradas federais, realizadas na semana passada, Lula disse, em seu programa semanal de rádio Café com o Presidente, desta segunda-feira, que “o leilão de concessão de rodovias federais muda a história dos leilões no Brasil, no que concerne a concessões de estradas”. “O que aconteceu foi uma demonstração inequívoca de acerto e arrojo do governo em mudar os critérios das concessões”, afirmou.

Hora do Povo

Rizzolo:A comportamento refratário dos países ricos nas negociações, não abrindo mão dos subsídios agrícolas, ao mesmo tempo em que cobra uma participação das indústrias multinacionais no nosso mercado, e nos mercados dos países emergentes, demonstra a capacidade de defender apenas seus interesses e não querer negociar, tampouco estão interessados em promover desenvolvimento a estes paises pobres. Quanto ao “leilão de concessões” que nada mais é do que “privatização das rodovias” Lula demonstrou que é capaz de fazer um discurso visando votos, desmoralizando a oposição, e depois, promover privatização, talvez até pior do ponto de vista contratual do que aquela feita pelo Tucanato, vez que a do governo federal muito embora seja o custo por KM mais baixo, não é dotada da “outorga,” ou seja, um valor em obra ou dinheiro, que o concessionário adianta ao Poder Público, mas Direito Contratual à parte, Lula comprovou sua vocação privatiza. E falar uma coisa na campanha e fazer outra depois, é muito feio, viu ! E o pior, a esquerda exceto os trotskistas, ficaram quietinhos. E eu não sou trotskista, hein !

Joseph Stinglitz – Nobel de economia, elogia crescimento econômico da Venezuela

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O premio Nobel de Economia e catedrático de Economia da Universidade de Columbia, Joseph E. Stinglitz, elogiou o crescimento econômico de Venezuela o que chamou de “políticas positivas na saúde e na instrução” durante uma visita a Caracas nesse mês de outubro. Afirmou, que “o crescimento econômico Venezuelano foi muito marcante nos últimos anos”, Stiglitz disse durante seu discurso, num fórum de estratégias para os mercados emergentes patrocinados pelo banco da Venezuela.

A Venezuela é o quarto maior exportador de óleo cru aos Estados Unidos, e experimentou uma taxa de crescimento econômico mais elevada na América Latina nos últimos anos, com um crescimento projetado em 9% ao ano. Apesar da taxa de crescimento elevada, a despesa pública ainda é alta e as demandas pelo consumidor contribuem para as pressões inflacionárias, empurrando a inflação em até 15.3%, também a mais elevada na América Latina. Entretanto, Stiglitz, que ganhou o prêmio de Nobel de economia em 2001, argumentou que a inflação relativamente elevada, não é necessariamente prejudicial à economia. Adicionou que o crescimento econômico da Venezuela, se deve em face ao fato dos preços de óleo estarem elevados, ao contrário de outros países produtores do óleo, a Venezuela aproveita a vantagem do aumento dos preços do óleo, para executar as políticas que beneficiam seus cidadãos e promovem o desenvolvimento econômico. Sitinglitz também elogiou a iniciativa do Banco do Sul.

O mais importante, é a análise por Stinglitz, que constata a aplicação dos recursos advindos da venda de petróleo às iniciativas sociais, combatendo o analfabetismo, promovendo a erradicação da fome e da miséria, investindo na saúde pública e vertendo uma postura do Estado como principal agente de transformações sociais. Estive pessoalmente na Venezuela e pude constatar a da democracia participativa nas deliberações daquilo que sempre pertenceu ao povo Venezuelano, mas que na verdade outrora, era sim, açambarcada tal riqueza do país, pelas transnacionais, deixando uma imensidão de pobres, miseráveis, vivendo em favelas maiores que a Rocinha; hoje o Presidente Chavez tenta reverter à riqueza do país a favor dos desprovidos, que na realidade são os únicos que tem a legitimidade de receber os proveitos do subsolo Venezuelano, que é a única riqueza que possuem.

OBS. Este texto foi escrito em outubro de 2007 ainda quando não havia revisto minhas posições em relação ao governo Chavez

Fernando Rizzolo

Tucanato e petismo unidos por uma mesma bandeira

Duas medidas atuais revelam a quanto andam os acertos (não explícitos para o povo) entre o PSDB (de FHC e Serra) e o PT (de Lula, do Dirceu, Zeca e tantos outros, antigos e arrependidos revolucionários – não falo de “Lula revolucionário”, é claro): a) o anúncio de estudos sobre a realidade de empresas estatais do estado de São Paulo – dezoito – determinado por Serra (tucano e ex-socialista), visando abertura de processo para entregá-las ao capital privado; b) a privatização de estradas federais – concluída no dia 09/10/07 – e que transfere nosso patrimônio para uma empresa espanhola: “A empresa OHL ficou com cinco dos sete trechos de rodovias que foram leiloados pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres)”, envolvendo as rodovias Fernão Dias e Régis Bittencourt (Folha de São Paulo, 10/10/07).

É sempre necessário recordar que “empresas estatais é sinônimo de dinheiro público investido” e que deveriam estar a servido do público e não do privado; que foram construídas com nosso dinheiro, porque o sistema dizia que os governantes tinham a responsabilidade de investir em empresas estratégicas, uma vez que o desenvolvimento da nação dependia dessas empresas de base.

Pois bem, o dinheiro do povo, arrecadado através de impostos e taxas, foi desviado do seu destino social (vejam o caso da CPMF, como simples exemplo) e redestinado para atender às “necessidades estratégicas” do capital. Depois de cumprir sua missão, permitindo o desenvolvimento extraordinário da indústria capitalista, quando deveria então dar retorno para o social, do qual foi desvirtuado, eis que nossos governantes, atendendo às determinações dos seus chefes, driblam a expectativa popular e transferem essas empresas públicas para os ladrões nacionais e internacionais, denominados ironicamente de iniciativa privada (ou capital privado). Não é por menos que Lula considera usineiros seus “heróis”. Serra é mais prudente, pois não confessa seus crimes, assim não precisa dizer que “não sabia” ou que “não é verdade”.

Quando das “privatarias” desenvolvidas pelos tucanos, pudemos presenciar, antes, o processo de desmonte das empresas estatais: a Cosipa, sob comando de FHC – durante o governo estadual de Montoro -, sofreu um extraordinário processo de inchaço, fato que propiciou, posteriormente, ao governador Covas a justificação para sua “privatariação”; o mesmo se deu com o Banespa; as estradas estaduais foram deixadas, em parte, sem a devida manutenção, e assim por diante, forjando-se realidades falsas a fim de justificar, perante a opinião pública, os crimes que se cometiam contra o patrimônio público, isto é, contra os bens do povo.

Lula não deixou por menos: abandonou as estradas de rodagem federais, deixando-as esburacadas, desviando recursos a elas destinados para fazer “superávit primário”; engambelou o povo durante sua reeleição dizendo que investeria rios de dinheiros para recuperá-las, e mais uma vez não cumpriu suas promessas, e agora as entrega para as privadas (empresas), que começarão a impor a segunda taxa rodoviária aos seus usuários: os pedágios, como fez o governo Covas-Alckmin.

Com isso, explorar-nos-ão por nada menos que vinte e cinco anos! Nesse rol de entregas estão a Amazônia, as terras que Lula quer destinar aos canaviais, a Previdência, os bancos que ainda restam, assim como a legalização das sementes transgênicas, enfim, uma lista enorme de transferências da coisa pública.

E o Serra, que em seus discretos encontros com Lula vem tramando contra o povo, quer entregar nada menos que 18 empresas públicas para a exploração privada – embora a construção continue a ser feita com o seu, o meu, o nosso sagrado e suado dinheirinho, dinheiro que faz muita falta em milhões de lares paulistas. A lista não é nada desprezível: a Nossa Caixa, a SABESP, a CESP, o Metrô… Imaginem que, finalmente, os abutres internacionais irão conseguir algo que vêm tentando há décadas: tornar a água, um elemento da natureza, vital para o povo, patrimônio universal e inalienável, em mera mercadoria. Quem não tiver dinheiro não poderá bebê-la. É a condenação à morte de milhões de seres humanos. E o povo continua, ingenuamente, elegendo seus algozes.

Lulismo-petismo e tucanato irmanados com o objetivo de implantar a barbárie no país, fazendo-nos regressar às tristes épocas do colonialismo servido pela escravidão. Depois, para enganar ainda mais o povo, vão fazer de conta que são antagonistas, continuarão a fazer um pseudo jogo de braço pra ver quem consegue ser mais sutil em suas meias-verdades e muitas mentiras e, assim, permanecer no poder por mais tempo. Claro, com o suporte político e financeiro do capital nacional e internacional, o grande vencedor desta tragédia.

Waldemar Rossi é metalúrgico aposentado e coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo.
Correio da Cidadania

Rizzolo: A questão intrigante é o fato da similaridade entre os pontos de vista cada vez mais convergentes entre o PT e o PSDB. Com efeito, de nada mais tem diferença os ideais de Lula, eleito com 58 milhões de votos com um discurso antiprivatização, com as pontuações de alguns Tucanos. A privatização das rodovias federais foi comemorada pelo Tucanato como “um enfraquecimento argumentativo contra as privatizações” argumento esse que contribuiu para que Lula vencesse as eleições e derrotasse Alckmin. Passaremos a entender a fusão da dialética política, como sendo uníssona na entrega de bens públicos à indicativa privada por simples falta de patriotismo.

Não sou contra a privatização, só entendo que a empresa interessa em privatizar, deve acima de tudo, participar desde o início do processo de concessão do bem, ou seja, determina o que quer explorar, por exemplo, um trecho de determinada rodovia, faz a devida captação do recurso no exterior, assume a responsabilidade financeira com os credores, ou grupos interessados, constroem a rodovia com esses recursos mencionados, gerencia a obra, e aí sim, explora por concessão o bem em que ela construiu. Agora, adquirir uma concessão de um bem que fora construído com o erário público, dinheiro do povo brasileiro, fruto de anos de arrecadação fiscal, bem esse público e que já fora pago pelos contribuintes, bem do Estado, e a partir daí apenas explorá-lo, distribuindo guaritas e cobrando pedágios a custos extorsivos, ah! Isso é o melhor negócio do mundo, assim até eu quero!

Por outro lado, como disse Serra “o governo federal criticava as concessões rodoviárias feitas em São Paulo”.E agora o governo federal vai fazer 10 “. Não há duvida que deve haver algo estranho no discurso do governo federal, ou será que também já estão caindo nos braços dos” privateiros “, numa análise perfunctória da argumentação federal, as privatizações no âmbito federal foram” bem elaboradas “e o preço do pedágio será” bem mais baixo “. Ora, então se trata de quem sabe melhor privatizar ? Alem disso o governo é demoralizado em editoriais como no Jornal Estado de São Paulo, que como já disse anteriormente, após ter apregoado um não às privatizações, abraça-as, e implementa-as. É claro que o modelo tucano de privatização das rodovias difere do governo federal, e por isso mais caro. Agora tudo é entrega de bem público a iniciativa privada. Pois é , falaram, falaram, e privatizaram.

Pochmann: “Juros altos freiam investimentos”

“Gastos com juros são gastos improdutivos”, afirma Márcio Pochmann

O economista Márcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), defendeu redução dos juros como forma de ampliar os investimentos dos setores produtivos. “No Brasil, há R$ 1 trilhão de recursos que estão sendo aplicados no sistema financeiro e não se transformam em investimentos. Os juros elevados são um importante fator. Se estou ganhando 8 % reais, que atividade econômica me daria isso?”, questionou Pochmann.

Sobre os impostos, Pochmann destacou que “o Brasil poderia reduzir sua carga tributária em cinco pontos percentuais, se cortasse gastos com os juros. Eu diria que são gastos improdutivos. É o gasto financeiro, que não gera emprego e forma uma sociedade extremamente desigual, uma polarização intensa entre ricos e pobres. Quem ganha até dois salários mínimos no Brasil, paga praticamente um salário em impostos; e quem ganha mais de 30 salários mínimos para um terço em impostos. Não há, por exemplo, imposto sobre herança e riqueza”.

Pochmann criticou a política de “redução do Estado nos anos 90” com a farra das privatizações, defendendo que o fortalecimento do Estado impulsiona o empresariado nacional. “No fruto do debate dos anos 90, criou-se uma falsa disjuntiva, que é: – mais estado significará menos setor privado. Na realidade, os dados mostram que a redução do Estado no setor empresarial reduziu o tamanho do setor privado nacional. Nos anos 90, nas privatizações, quem comprou as empresas estatais? Uma parte foram as empresas nacionais, mas grande parte foram estrangeiras. Se você pegar as 500 maiores empresas brasileiras, nos anos 90 menos de um terço eram estrangeiras. Hoje, são 50%. Perdeu-se governabilidade”, disse o economista.

Hora do Povo

Rizzolo: É claro que os juros altos desestimulam a aplicação na produção, não adianta promover programas de urgência como a Bolsa Família, sem na retaguarda criar ambiente para a formação de 4 milhões de empregos ao ano. Gerar empregos necessita investimentos na produção. E quem no Cassino Brasil pesa em investir a não ser na especulação ? Ganhos fantásticos de cunho financeiro, alimentam os lucros dos bancos, pervertem a economia, não criam um mercado interno forte, a nos jogam a uma vulnerabilidade a crises externas. Vultuosas remessas de lucros e dividendos ao exterior, maiores do que na época de FHC, sem ao menos o pagamento de imposto renda ao povo brasileiro, faz com que as transnacionais se deleitem sangrando um país pobre como o nosso. Até quando a esquerda brasileira vai chancelar tudo isso ? Lula seria um neoliberal, disfarçado ?