Chávez convida Lula a exportar petróleo a países pobres

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Em discurso na 17ª Cúpula Ibero-Americana, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, propôs nesta sexta-feira (9) que Brasil e Venezuela se unam para vender petróleo até 70% mais barato para países pobres. “Lula, agora que você é magnata petroleiro, que o Brasil tem tanto petróleo, te proponho que nos juntemos nestes mecanismos de cooperação com os países que não têm petróleo, com os países que não têm possibilidade de pagar US$ 100 o barril”, disse Chávez ao o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O petróleo tem enfrentado altas nos últimos tempos, chegando a ser comercializado por US$ 100 o barril. “Não podemos vender petróleo aos países mais pobres a US$ 100. E não só aos mais pobres”, acrescentou. Chávez sugeriu ainda que que os dois países criem uma criem uma PetroAmazônia, a exemplo da Petroandina – aliança entre as estatais energéticas da Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela.

Na quinta-feira, a Petrobras anunciou que novas reservas de petróleo e gás na Bacia de Santos aumentarão em cerca de 50% o potencial do país. Segundo o presidente da estatal, Sérgio Gabrielli, o Brasil passará a ser um dos dez maiores produtores de petróleo do mundo, com um nível equivalente ao de países como Venezuela e Nigéria.

Chávez citou como exemplo de cooperação seu próprio país, que fornece petróleo à Argentina em troca de tratores, maquinário e “vacas prenhas que produzem muito leite”. No caso do Uruguai, a Venezuela recebe softwares e também “vacas que os uruguaios dizem ser melhores que as argentinas”. “Para mim são igualitas”, brincou o presidente venezuelano.

Em outro momento do discurso, comentando o tema central da cúpula deste ano, a coesão social, o presidente venezuelano mencionou as recém-descobertas jazidas brasileiras: “Um caminho pode ser muito coeso de pedras, de asfalto ou desse petróleo que o Lula acaba de conseguir lá no Brasil. Agora o Brasil poderá ingressar na Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo)”.

Resposta

Sobre as propostas de Chávez, o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, declarou que a Petrobras deve estudar a fundo o que fazer com as novas reservas de petróleo da Bacia de Santos. “Vamos examinar”, declarou Garcia. “São coisas que a empresa (Petrobrás) tem que ter autonomia de operação, é ela que vai decidir.”

Garcia, no entanto, apóia a idéia de pensar no desenvolvimento regional de forma conjunta. “Temos que utilizar esses mecanismos nacionais, nossa riqueza em matéria de energia, a riqueza da Venezuela, a da Bolívia em matéria de gás, e também a de outros países, para encontrar uma solução comum”, afirmou. “Nossa idéia é associar o desenvolvimento do Brasil ao de outros países da região.”

Da redação, com agências
Site do PC do B

Rizzolo: A imprensa golpista insinua de forma jocosa as propostas de Chavez em relação às reservas recém descobertas no Brasil. Na realidade, a Petrobras como empresa Estatal, tem por objetivo, não só o lucro a seus acionistas, mas, sim, cumprir o papel social de bem público. As pessoas, de tão embebidas pelo neoliberalismo, esquecem que, a finalidade do bem público, é promover bem-estar àqueles que compõem a nação. Quando Chavez faz a proposta solidária, a faz com o intuito de unir a América Latina nos termos da ALBA, onde a solidariedade está acima do lucro, um conceito diferente do Mercosul.

Talvez Lula ainda não tem absorvido conceitos solidários de desenvolvimento, e por isso, esta de certo modo reticente. Estive na Venezuela e o que mais ouvi em relação à América Latina foi à palavra solidariedade. Temos que refletir e repensar o papel de uma empresa Estatal na sociedade. A transferência de 70% do capital da Petrobras para mãos privadas e estrangeiras foi processada como um papel qualquer de Bolsa, “um fato para nos orgulharmos”, dizia a publicidade na época. Esses papéis estão custodiados em sua maioria no City Bank, que atua como gestor dos Fundos de Pensão, principalmente americanos. O governo brasileiro mantém o controle legal da empresa por meio das ações ordinárias, o planejamento internacional imposto ao País inseriu mais uma nova figura de ação estratégica, às Agências Reguladoras, que passaram a atuar, não mais em consonância com o Estado brasileiro e sim, com o capital internacional globalizado. Essa é a Petrobras de hoje, o lucro acima de tudo. Uma vergonha, não é?

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