Lula defende Chávez e a democracia venezuelana

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou ontem (14) a democracia da Venezuela, reiterou a importância do país tornar-se membro pleno do Mercosul e defendeu o presidente Hugo Chávez no polêmico episódio com o rei Juan Carlos da Espanha. “Podem criticar o Chávez por qualquer outra coisa. Inventem uma coisa para criticar o Chávez. Agora por falta de democracia na Venezuela não é.”, disse Lula.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (14) que seu colega da Venezuela, Hugo Chávez, é um democrata que já convocou várias consultas eleitorais e que não exagerou em sua polêmica com a Espanha, após o incidente com o rei Juan Carlos de Borbón.

“Podem criticar Chávez por qualquer outra coisa. Inventem uma coisa para criticar Chávez. Mas, por falta de democracia não”, disse Lula em conversa informal com jornalistas no palácio do Itamaraty, sede da Chancelaria.

E continuou: “O que não falta no país é discussão. Democracia é assim: a gente submete aquilo que acredita, o povo decide e a gente acata o resultado. Se não, não é democracia”, afirmou. Lula lembrou que está há cinco anos no poder, vai chegar a oito e, nesse período, acompanhou duas eleições para prefeitos. Na Venezuela, ressaltou, já houve três referendos, três eleições, quatro plebiscitos.

Quando os jornalistas tentaram arrancar de Lula alguma declaração contra a intenção de chávez disputar um terceiro mandato, Lula foi firme na resposta. “Por que ninguém se queixa quando Margareth Thatcher (primeira ministra da Inglaterra por dois mandatos) ficou tantos anos no poder?”, indagou.

Diante da observação de repórteres de que eram situações distintas, o presidente reagiu: “distintos, por quê? É continuidade. Não tem nada de distinto. Muda apenas o sistema. Muda apenas de regime presidencialista para parlamentarista. Mas o que importa não é o regime, é o exercício do poder.”

Lula passou, então, a citar o nome de outros chefes de governo que ficaram por muitos anos em seus cargos. “Ninguém se queixa do Felipe Gonzalez (ex-primeiro ministro espanhol), do Miterrand (François Miterrand, ex-primeiro ministro da França) e nem do Helmut Kohl (ex-primeiro ministro da Alemanha), que ficou por volta de 16 anos no poder.”

Para o presidente, é preciso respeitar a autonomia e soberania de cada país. “Se nós dermos menos palpites nas regras do jogo de outros países e olharmos o que estamos fazendo, todos nós sairemos ganhando. Mas se a gente achar que pode dar palpite em tudo e que só pode acontecer no mundo o que a gente quer, seremos eternamente infelizes.” E prosseguiu: “é melhor que os outros decidam os seus destinos e nós decidamos os nossos”.

Polêmica com o rei

Sobre a polêmica internacional iniciada após incidente na Cúpula Ibero-Americana do Chile, entre Chávez e o rei Juan Carlos da Espanha, Lula disse que o presidente venezuelano não exagerou na sua reação.”Houve uma fala do Chávez que o rei achou que era demais, que era uma crítica ao ex-primeiro ministro da Espanha(Jose maria Aznar), que tinha o apoiado o golpe (tentativa de golpe na Venezuela, em 2002). E a diferença, qual é? É que o rei estava na reunião. E quem falou ‘cala-te’ foi o rei. Ou seja, não foi um de nós. Entre nós, divergimos muito.A divergência faz parte de um encontro democrático”, declarou o presidente brasileiro.

“Somos um conjunto de países democráticos que fizeram uma reunião democrática onde todos têm o direito de falar, de temas livres, sobre aquilo que lhes interessa”, acrescentou Lula após um almoço com o presidente da Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira.

Ele argumentou que nas reuniões do G8 (sete países mais desenvolvidos do mundo e a Rússia), na qual o Brasil costuma comparecer como convidado, costumam acontecer sérias discussões por posições conflitantes, que saem do protocolo.

“Houve uma declaração de Chávez que o rei achou que era demais. Tratava-se de uma crítica ao ex-primeiro-ministro da Espanha que havia apoiado o golpe”, afirmou Lula.

“E qual é a diferença? Que o rei estava na reunião. E quem disse ‘cállate’ foi o rei. Ou seja, não foi nenhum de nós (os presidentes). Entre nós divergimos muito”, afirmou.

Mercosul

O presidente brasileiro defendeu mais uma vez a entrada da Venezuela no Mercosul.

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados adiou ontem novamente uma primeira votação sobre o ingresso da Venezuela no bloco regional, que deve ser aprovada pelo Congresso para que entre em vigência.

Os deputados da Argentina e Uruguai já votaram a favor do país caribenho, enquanto no Brasil a oposição tenta barrar a entrada da Venezuela, sob o argumento de que o Governo venezuelano não é plenamente democrático, já que não tolera a dissidência.

Da redação,
com agências

Site o PC do B

Rizzolo: Só aqueles que tramam pela desintegração da América Latina são capazes de fingir que não enxergam uma democracia plena na Venezuela. É exatamente disso que eles não gostam, não apreciam digamos, ouvir os anseios do povo, da população, querem o continuísmo, querem a manipulação eleitoral a seus favores, querem através dos insultos a Hugo Chaves, desqualificar uma democracia, assim como Hitler fazia a seus inimigos, desqualificando-os. O presidente, com o costumeiro acerto saiu em defesa do Presidente Venezuelano, que vê em Lula, e no Brasil um país amigo.

Revistas golpistas, jornalões tendenciosos, procuram achar alguma forma de tirania em Chavez, mas de nada encontram, a não ser a enorme participação popular. A integração Venezolana no Mercosul é indispensável, e de nada adianta o senhor Sarney, de acordo com a revista Isto É, receber enviados americanos para ” dar uma força” no sentido de desintegrar a América Latina, e não aceitá-la como membro. Isso é feio, antipatriótico, e vai na contramão do desenvolvimento da América Latina.

No tocante ao rei Juan Carlos, o instinto colonialista está ainda impregnado no seu DNA, se acha no direito de mandar calar a boca dos povos latinos americanos, como se já não bastasse as enormes remessas de lucros e dividendos das empresas espanholas, advindas do suor do povo latino americano, que através dos privatistas entregaram fatia do nosso mercado. Como disse o presidente, “democracia, a gente submete aquilo que a gente acredita ao povo, o povo decide e a gente acata o resultado, porque senão não é democracia. As pessoas se queixam ‘ah, porque o Chávez quer um terceiro mandato’. Ora, por que ninguém se queixou quando Margaret Thatcher ficou tantos anos no poder?” Muito bem ! Só para ilustrar um dado a mais, o relator do projeto que trata da adesão da Venezuela ao Mercosul, deputado Paulo Maluf (PP/SP), apresentou voto favorável à entrada ao fazer a leitura do seu parecer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, na terça-feira.

Maluf argumentou que a aprovação do ingresso está de acordo com o artigo 4º da Constituição brasileira, que orienta o país a buscar a integração econômica, política, social e cultural com a América Latina. “Consideramos o projeto de decreto legislativo constitucional, jurídico e dotado de boa técnica legislativa, prestamos uma homenagem ao povo venezuelano, a despeito do seu governante de momento”, disse Maluf. A votação do texto foi adiada para a quarta-feira (21).

A proposta de ingresso da Venezuela no Mercosul foi aprovado na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara no mês passado. Após a aprovação na Câmara, segue para o Senado. Argentina, Uruguai e a própria Venezuela já aprovaram a adesão, restando Brasil e Paraguai concluírem a tramitação.

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