Maria Pili: “Baduel, segue o teu caminho que eu fico com o povo”

Jornalista venezuelana, no artigo “O que não te perdôo”, desvenda motivações para repentina ida do ex-ministro da Defesa para apoiar a campanha da oligarquia contra a Reforma Constitucional.

A jornalista venezuelana, Mary Pili Hernández, põe a nu, a essência da atitude do general Raúl Baduel de, após anos integrante do governo dirigido por Chávez, abraçar agora a campanha do “Não” sem ter se manifestado em nenhum momento dos intensos debates que mobilizaram todos os setores do povo venezuelano. Se isso se constitui traição ou não, diz Mary ao general: “deixo à tua consciência”.

A seguir o artigo de Mary Pili, que já ocupou os cargos de presidente do canal estatal Venezuelana de Televisão, VTV, no início do mandato do presidente Chávez; vice-ministra de Relações Exteriores, responsável pela América do Norte, durante a gestão do ministro Ali Rodríguez, é membro do Comitê de Organização do Partido Socialista Unido da Venezuela, PSUV e escreve em vários jornais venezuelanos, inclusive no El Nacional, onde tem uma coluna semanal. Este artigo foi originalmente publicado no El Nacional em 08/11/07.

O que não te perdôo

“Amigo Raúl:

Não vou te chamar de traidor, isso deixo à tua consciência. Tens o direito de pensar o que quiseres e o dizer aos quatro ventos, porque vivemos num país democrático. Não critico que não gostes da Reforma, nem que vás votar “Não”, nem que tenhas feito uma coletiva de imprensa para contá-lo a todo mundo. Mas há três coisas que não te perdôo e quero que as conheças, não para que mudes de parecer, mas para que reflitas sobre teus erros.

1. Não te perdôo que tenhas esperado o primeiro dia da campanha para dizer que não gostas da Reforma. Na Assembléia Nacional pediram direito à palavra José Vicente Rangel, que foi Ministro da Defesa como tu, e Aristóbulo Istúriz, que também foi Ministro, e expressaram seus pontos de vista. Também esteve Elea-zar Días Rangel, simplesmente um jornalista, mas inclusive estiveram Julio Borges, Henry Ramos Allup e outros mais, expondo o que não gostavam. Por que não fizestes isso? Por que esperaste? Qual era teu plano? Qualquer uma de tuas propostas poderia haver sido incluída, mas não permitiste essa possibilidade. Não haver dito o que não gostavas, no momento em que a Assembléia abriu as consultas, demonstra que tua intenção não é construtiva, já que não permite consertar erros, no caso de que estes realmente existam. E se tua crítica não é construtiva, logica-mente é desleal.

2. Não te perdôo que tenhas dito que, ao ser aprovada a Reforma, isto constituiria um golpe de Estado. Este argumento, por demais absurdo, demonstra que desprezas o povo, que pensas que nós, que vamos votar pelo sim (que sem dúvida seremos a maioria, como bem o sabes), somos autômatos ou manipulados, e que não sabemos o que fazemos.Irmão, esse discurso está bem para os dissociados, para aqueles que acreditam ser melhores que todo mundo, que têm mais direitos que os demais e que são mais inteligentes, cultos e preparados que o resto dos cidadãos. Mas nunca para alguém que ganhou o amor desse mesmo povo no 13 de abril. Mas, esse axioma estranho no qual o voto do povo constituiria um “golpe de Estado” (?) demonstra, também, que tens medo do povo. Um povo que sabe o que lhe convém, embora agora isso não te convenha.

3. Não te perdôo que tenhas feito um chamado a teus “companheiros de armas”, e que tenhas lhes insinuado que devem atuar, frente a isto que tu chamaste “golpe de Estado”. Se dizes que há um golpe de Estado e logo depois fazes um chamado a teus companheiros de armas, quando até apenas umas semanas eras Ministro de Defesa, quando passaste toda tua vida ganhando o respeito deles, quando tens três sóis [correspondente às estrelas de general no Brasil] no teu ombro, o que é que devo supor que estás lhes dizendo ? Sabes uma coisa?: Nem a ti, nem ao próprio Simón Bolívar ressuscitado permito que brinquem com a minha paz, nem com a paz dos meus filhos. E deixe-me te esclarecer que as duas primeiras coisas que disse não as perdôo como revolucionária, mas esta última não a perdôo como mãe. Porque a paz de meus filhos não é negociável.

Por último, vou me permitir te dar um conselho: toma cuidado com quem te reúnes e com quem te aconselhas. Depois do que fizeste, será muito fácil para ti conseguir um papel prota-gônico no reality show oposicionista. Porém, nunca acredites nesses amores sobrevindos. Lamentavelmente para ti, os amores sinceros deixaste para trás. Sigas esse caminho, se assim o preferes, que eu fico com o povo.

Maria Pili Hernandez

Rizzolo: O camarada Baduel é a essência do contraditório. O que fez Baduel de repente, não mais que de repente entender que ao ser aprovada a reforma constituirá esta num golpe de Estado, se até a pouco concordava com tudo? Com quem andou se reunindo Baruel ? Se teve oportunidade de demonstrar o que não concordava e não o fez, por que Baruel ? Entender que Baruel de uma hora para outra resolveu mudar o discurso, é o mesmo que acordar e se achar que é o Homem Aranha, e que pode sair por ai voando. Mas o camarada Baruel de louco nada tem, foi plantado pela oposição para ser o antídoto fabricado de última hora, para tumultuar o pleito, o melhor como diz Maria Pilli é Baduel seguir seu caminho servindo aos interesses internacionais, e não se opor ao caminho da democracia venezuelana.

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