Calar o povo sai caro

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Um dos aspectos mais interessantes que atualmente ocorre na América Latina, é a relação do capital com a política, as conveniências ideológicas face a uma postura de inclusão dos governos progressistas, com as dos detentores do capital. Não resta dúvida que, capital, lucro, rentabilidade, investimento internacional, dificilmente se coadunam com distribuição de renda, justiça social e participação popular. Contudo, uma verdade não pode ser contestada, não há como não mais incluir no desenvolvimento da América Latina a imensa população pobre, só no Brasil temos 45 milhões de excluídos que estão sendo de forma gradual, partícipes do desenvolvimento econômico graças aos projetos de inclusão como o Bolsa Família, e outros.

Mas o que mais aguça o pensamento reflexivo, é a forma pela qual os detentores do capital, acostumados a numa faixa de “conforto ideológico programado”, e respaldados pelos governos passados neoliberais, se acostumarem agora, com a nova realidade política onde o povo é o fator determinante e ator das políticas desenvolvimentistas; essa ” digestão ideológica”, essa condição do capital ser validado pela política, muitas vezes encontra resistência manifestada em verdadeiros ” surtos de autoritarismo” como o observado pelo rei Juan Carlos, e outros.

Ao analisarmos o caso da Espanha e de suas empresas cujo início maciço do desembarque em terras latino-americanas se deu no começo dos anos 90, aproveitando a onda neoliberal – caracterizada pela desregulamentação da economia a das privatizações do patrimônio público, verificamos que o capital espanhol ainda não sabe lidar com novas posturas ideológicas; Telefônica, Repsol, Endesa, Santander, BBVA, construtoras, firmas de hotelaria, grupos de comunicação, empresas de serviços, entre outros conglomerados, vêm se fixando na América Latina nas duas últimas décadas, apostando em governos neoliberais. Só para se ter uma idéia entre 1993 e 2000 destinaram investimentos brutos de 77 bilhões de euros, 50% do total espanhol no mundo”, segundo reportagem do El País.

Ou seja, a América Latina corresponde a 24% do capital movimentado pelas 35 maiores empresas da Espanha. Ora, não é possível que com investimentos desse porte, o governo espanhol ainda se acha no direito de ” calar a boca ” de governantes eleitos democraticamente. Ou pior, atuar de forma temerária na contramão das políticas governamentais como o fizeram na Argentina. O que vai ocorrer se continuarem na intromissão? Vão perder muito, mas muito dinheiro.

No Brasil, ocorre mais no âmbito político, representantes do capital, pouco habilidosos, que representam a direita ultrapassada, estarão prestes a perder seus empregos, quando se derem conta que o discurso ideológico apregoado corre na contramão dos interesses do povo, e por conseqüência contra os interesses do capital pois esse último sera cada vez mais validado pelo povo e pelos seus representantes legítimos, como por exemplo a adesão da Venezuela ao Mercosul, em artigo que ontem escrevi,”Antidemocratas prejudicam o desenvolvimento do Brasil”. relatava depoimento do Presidente da Câmara de Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria , onde afirmava o aumento das exportações brasileiras aquele país, e que a não entrada da Venezuela no Mercosul acabaria trazendo um enorme prejuízo econômico ao Brasil.

Não é difícil imaginar, que a grande saída para o desenvolvimento da América Latina, e em especial do Brasil, é ouvir menos os ideológicos do capital, e fazer sim do capital, instrumento de harmonia e desenvolvimento dos povos, num clima de justiça social onde não só o lucro prevalece, mas o ser humano como centro e sentido da rentabilidade, convertendo esse mecanismo de valia econômica em também lucro social. Agora, calar o povo cada vez vai ficar mais caro, viu!

Fernando Rizzolo

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