A luta na superação das dificuldades e o respeito às instituições

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Como de costume, todo Sábado procuro não escrever textos que não estejam relacionados com o Shabbat, e com o estudo da Tora. Sem querer dar uma conotação religiosa pessoal ao que escrevo, me permito dirigir me a você, que acompanha minhas reflexões diariamente, e de forma humilde, compartilhar com o amigo(a) esses momentos dos meus estudos no Shabbat, que se iniciam às sextas-feiras, quando me recolho duas horas antes da primeira estrela surgir na Sinagoga ortodoxa que freqüento em São Paulo.

Como já disse anteriormente, tenho profundo respeito por todas as religiões e acima de tudo sou um brasileiro patriota, amo meu país e o povo brasileiro, e tenho sim, uma grande satisfação espiritual em ao estudar a Parashá ( Porção da Tora semanal) relacioná-la ao que vivemos nos dias atuais. Como é uma reflexão de estudo pessoal, baseada na introspecção, recomendo a todos que acompanhem no Antigo testamento ( Tora) os comentários aqui expostos , para que possamos ter uma semana de paz, e que através dos estudos possamos compreender nossas vidas e encontrar formas na visão de Hashem ( Deus), para construirmos um Brasil cada vez mais digno e com mais justiça social, que é a base do Judaísmo e do Cristianismo.

A Parashá desta semana chama-se Vayishlach, e inicia-se com Yaacov (Jacó) e sua família retornando da casa de Laban (Labão) para a Terra de Israel, apenas para encontrar Esav (Esaú) marchando em sua direção com 400 homens, aparentemente prontos para a batalha. Após preparar a família para a guerra e rezar a Deus pedindo ajuda, Yaacov tenta aplacar a ira de seu irmão, enviando-lhe inúmeros e valiosos presentes.

Depois de a família cruzar o rio a fim de aguardar o encontro com Esav, Yaacov é deixado sozinho e entra noite adentro em confronto com um anjo disfarçado de homem. Embora Yaacov saia vitorioso, acaba ficando manco ao deslocar o quadril na luta. Unindo-se novamente à família, Yaacov encontra Esav, que o aceita com um recém-despertado amor fraterno, e insiste em escoltar Yaacov até seu destino.

Yaacov declara que não deseja incomodar Esav, e eles se separam. Uma nova crise ocorre quando a filha de Yaacov, Diná, é raptada e estuprada por Sechem, o príncipe de uma cidade do mesmo nome. Os filhos de Yaacov, ultrajados pela humilhação causada à irmã, engoda os habitantes da cidade a circuncidarem-se a si mesmos, assumindo que eles terão permissão de realizar casamentos mistos com a família de Yaacov.

Shimon e Levi (dois dos irmãos) dizimam então toda a cidade e salvam Diná. Yaacov retorna à Bet El, onde D’us lhe aparecera originalmente no sonho da escada (mencionado na porção da semana anterior) e lá constrói um altar. D’us abençoa Yaacov e lhe dá um nome adicional, Israel.

Logo depois, Rachel morre ao dar à luz a Binyamin (Benjamin), décimo segundo filho de Yaacov e segundo de Rachel, e Yaacov a sepulta em Bet Lechem. Finalmente, Yaacov volta para casa e se reúne a seu pai Yitschac. A Torá relata que Yitschac morreu aos 180 anos de idade, e a porção termina com uma demorada genealogia da família de Esav.

Primeiramente encontramos Jacó apreensivo em encontrar seu irmão Esaú pois não sabe qual seria sua reação, pois tinha informação que viria ele Esaú com 400 homens para destrui-lo. Jacó que sempre representou o bem se vê preocupado com uma suposta agressão do mal representado por Esaú. Após ter tomado todas a medidas de segurança , quando foi dormir completamente só “, um estranho apareceu lutou com ele até antes de romper a aurora. Quando o estranho viu que não podia vencê-lo, tocou a junção superior da coxa ( de Jacó). A junção do quadril de Jacó foi deslocada quando ele lutou com ( o estranho) ”

Essa passagem é uma das mais interessantes da Parasha. Quem era esse estranho ? De acordo com a tradição era ” Samael ” anjo guardião de Esaú e a encarnação do mal. Observem que de repende um espírito surgiu e o atacou. Mais adiante, quando o estranho percebeu que não podia vence-lo pediu a Jacó que o liberasse, pois a aurora estava rompendo, Jacó disse não. A não ser que você me abençoe ! O anjo mal perguntou então a Jacó ? Qual é o teu nome ? Disse ele não deixando o anjo ir embora, Jacó. Respondeu então o anjo ” Teu nome não será mais Jacó, mas Israel, pois tu me venceste.

Dessa passagem podemos observar que precisamos estar preparados para enfrentar na força, quando necessário, nossos inimigos, e muitos dos nossos inimigos só nos abençoam e nos respeitam quando sabem que podem perder a luta e reconhecendo nosso eventual poder de resposta . Observem o efeito surpresa do inimigo, na realidade Jacó foi surpreendido, faço uma relação muito próxima com a necessidade da proteção da nossa soberania, de estarmos preparados para enfrenatrar os ” estranhos ” que possam surgir nas nossas vidas e no nosso país. Sempre nos portamos uma nação de bem, como Jacó, já fomos o bastante enganados, como Jacó, e poderemos ser surpreendidos por ” anjos do mal ” como Jacó.

Outra questão dessa Parashá é o fato dos filhos de Jacó, Shimon e Levi (dois dos irmãos) dizimarem então toda a cidade e salvarem Diná. Quando Shimon e Levi atacam a cidade de Shechem e subjugam os habitantes para salvar sua irmã Diná, a Torá muda de tom para descrevê-los como sendo “os dois filhos de Yaacov” (Bereshit 34:25). Nesta altura certamente já estamos bem informados sobre a genealogia deles. Rashi comenta que ao repetir o óbvio, a Torá está destacando o fato de que, embora obviamente eles fossem filhos de Yaacov, não estavam agindo como tal, pois não procuraram seu conselho a respeito desta questão.

Se nos perguntassem qual a qualidade essencial para que alguém seja considerado “agindo como um filho”, nossa primeira idéia seria provavelmente honrando os pais ou cuidando de suas necessidades. Mas Rashi aparentemente está nos revelando algo diferente. Os fatores mais básicos para ser considerado como “um filho” é que busque o conselho de seus pais, o que não ocorreu, fizeram aquilo sem consultar seu pai, de forma ditatorial, sem respeitar a amplitude do conhecimento , e isso podemos inferir no comportamento daqueles tiranos que de muitas formas surgem; respeitar as instituições é respeitar o pai, e as instituições são reflexos dos anseios do povo, consultá-los se faz importante. Quem é o pai de uma nação ? Não seria o povo ? O popular ? Porque não consulta-los ? A torá é clara e condena despotismo de poucos, para isso nos baseamos na necessiade da democracia participativa, não podemos ser enganados como assim foi Jacó por Labão , explorando-o e enganado-o como vimos na Parasha´da semana passada , e o que vemos na política brasileira é que os representantes do povo se portam como Labão enganando o povo brasileiro, que é o pai da nação que tem sido vítima constante da democracia representativa perversa onde uma vez eleitos, os tais representantes se envolvem em corrupção, tirando o pouco que o povo brasilero tem, que na sua maioria é explorado e vive na miséria!

Um sábado de paz para você !

Fernando Rizzolo

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