O olhar por cima que seduz a elite

Foi com uma das afirmações como esta, “E nós faremos o possível e o impossível para que saibam falar bem a nossa língua. Queremos brasileiros melhor educados, e não brasileiros liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria “, que FHC demonstrou o potencial de sua vaidade. É inimaginável que um político que foi presidente da república de um partido de direita, já um tanto estigmatizado, demonstre a partir da pessoa dele, seu desprezo por aqueles que não tiveram a oportunidade em ter acesso à cultura, muito em face ao modelo neoliberal implantado por ele mesmo.

De quantas vezes precisaremos afirmar que não há como entender um Brasil deixando de incluir os excluídos de toda sorte, quantas vezes precisaremos fazer as pessoas entenderem, que a América Latina passa por um momento em que as populações que sempre foram marginalizadas economicamente, estão sendo paulatinamente integradas por pontuações políticas visando o acesso a saúde, alimentação, a cultura, ou seja, tudo aquilo que o neoliberalismo de FHC negou.

Acredito que o PSDB num contexto maior, tenta de todas as formas sugerir uma abordagem social mais próxima ao povo , ao popular; mas a vaidade, o diletantismo, o se sentir superior, que tanto impregnado se faz na elite brasileira, por vezes se sobrepõe ao bom senso político necessário, para que o PSDB possa se identificar com as pontuações sociais da nossa realidade, até para se aproximar das bases.

Essa arrogância elitista é a mesma que não reconhece a democracia participativa na Venezuela, é a mesma que não aceita o palpite do pobre, é a mesma que nas reuniões regadas a vinho no Figueira, xingam e desprezam o governo Lula, e que adoram o ” priíncipe FHC”, que comete erros de português sem o álibi operário que Lula possui. ( não é ” melhor educados “, e sim “mais bem educados” ).

Fernando Rizzolo

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Trabalhistas voltam ao poder na Austrália

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O Partido Trabalhista australiano de Kevin Rudd derrotou a coalizão Liberal-Nacional, de direita, do atual primeiro-ministro John Howard nas eleições legislativas deste sábado na Austrália, acabando com 11 anos de governo conservador no país.

Rudd, um ex-diplomata de 50 anos que fala fluentemente chinês, anunciou sua vitória diante de centenas de simpatizantes em sua cidade natal, Brisbane. Ele disse que começará a trabalhar imediatamente para “escrever uma nova página na história da nação”.

“O futuro é muito importante para nós não trabalharmos juntos, para abraçar os desafios do futuro e definir o destino de nossa nação”, disse ao lado da nova primeira-dama do país, Therese Rein, e dos filhos.

Em sua campanha, Rudd defendeu a retirada dos soldados australianos do Iraque, mas demonstrou após a divulgação dos resultados que não pretende entrar em crise com Washington. “Os Estados Unidos são amigos e aliados da Austrália”, disse.

Os resultados oficiais divulgados pela comissão eleitoral, após a apuração de 73% das urnas, mostram Kevin Rudd com 53,3% dos votos, contra 46,7% para o atual governo.

Howard, grande aliado de Bush na guerra do Iraque, admitiu ainda que tem grandes chances de perder em sua própria circunscrição, em Bennelong, perto de Sydney, o que representaria a humilhação suprema de perder a vaga que tem no Parlamento desde 1974.

Ele seria o primeiro chefe de Governo em 78 anos a perder a eleição como premier e a vaga no Parlamento ao mesmo tempo.

Os 13,5 milhões de eleitores australianos deram uma ampla vitória aos trabalhistas, que, caso se confirmem os números atuais, podem eleger 86 representantes no Parlamento de 150 cadeiras. Com isto controlarão o governo central e todos os oito estados e territórios administrativos. Atualmente os conservadores têm 86 representantes no Parlamento.

A popularidade de Howard caiu muito por causa de seu apoio incondicional aos Estados Unidos e sua decisão de manter, contra a opinião da população, as tropas australianas no Iraque.

Howard também perdeu terreno em outro dos principais temas da campanha eleitoral: a mudança climática. O problema é que, apesar de admitir agora a necessidade de reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa, ele tende a minimizar a urgência.

“O aquecimento global é um problema sério, mas o fim do mundo não chegará amanhã”, afirmou recentemente. A Austrália, ao lado dos Estados Unidos, está na reduzida lista dos países que não assinaram o protocolo de Quioto.

Rudd prometeu que a sua primeira prioridade, se fosse eleito, seria assinar o Protocolo de Quioto, coisa que Howard, seguindo a “liderança” de Bush, sempre se recusou a fazer. Também prometeu retirar 550 soldados australianos com funções de combate do Iraque, deixando porém cerca de mil em funções principalmente de segurança. Howard pretendia manter todos no país pelo tempo que fosse necessário.

As questões de política interna que marcaram as eleições foram a nova legislação de trabalho do governo, muito criticada e que despertou forte oposição, e o aumento das taxas de juros, numa economia que atravessa uma grande fase de crescimento.

Com agências internacionais

Site do PC do B

Rizzolo: A observação de que o mundo não mais aceita políticas egoístas baseadas em preceitos neoliberais e autoritários, está cada vez mais se fazendo presente quer em países da América Latina, quer em países com tradições saxônicas O trabalhista Kevin Rudd , é um não alinhado à política republicana de Bush, e isso vem de encontro a uma nova tendência das esquerdas no mundo atual. É claro que não haverá confronto com os EUA, ou relações piores com o governo americano, mas na realidade é um vertente de pensamento que difere daquela que há 11 anos está no poder com visão conservadora.

Bush perde por todos os lados e isso fortalece os democratas nos EUA. Hoje os EUA vivem uma situação problemática quer do ponto de vista externo, na política internacional, como interno onde o abandono da população de baixa renda sofre o impacto das políticas mercadológicas ridículas que ainda apregoadas por alguns no Brasil. Ficou claro na campanha de Rudd sua intransigente defensa na retirada dos soldados australianos do Iraque, aliás, o número de militares que abandonam o Exército dos EUA aumentou em 80% desde a invasão do Iraque, em 2003. Essa taxa – que exército chama de “deserção” – é a mais alta desde 1980, e teve um crescimento de 42% desde o ano passado.

Nove de cada mil militares “desertaram” no ano de 2007. Em 2006 esta proporção foi de sete para mil. Neste ano foram registradas 4.698 deserções. O general chefe do Estado Maior, George Casey, reconheceu que o exército tem passado por uma situação limite. O cenário em que se encontra este quadro de deserções não poderia ser pior para os EUA, já que este, está passando pelo pior momento na guerra do Iraque, quando muitos militares têm que realizar longas e repetidas temporadas no Iraque e no Afeganistão. Talvez isso explique um pouco a vitóia de Rudd.