Rússia pode rearmar Tropas de Mísseis de Bielorrússia com sistemas Iskander

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O fornecimento de sistemas de mísseis Iskander à Bielorrússia, que têm capacidade destrutiva comparável a cargas nucleares táticas de baixa potência ,pode ser uma resposta assimétrica aos planos norte-americanos de instalar o sistema de defesa antimísseis na Polónia e República Checa, manifestou hoje (14) o Chefe das Tropas de Mísseis e de Artilharia da Rússia, o general Vladimir Zaritski.

“Por que não? Sob as circunstâncias corretas e com o aval de Bielarussia, é possível” , disse o Zaritski, comentando as declarações do seu colega bielo-russo, Mikhail Puzikov, sobre os planos de rearmamento de uma brigada das Forças Armadas de Bielorrússia com complexos Iskander E.

“ Qualquer ação obrigatoriamente enfrenta uma reação. A mesma coisa é com os elementos do sistema da defesa antimísseis na República Checa e Polónia “, declarou Zaritski. “Os militares das Tropas de Mísseis estão em contacto com colegas bielo-russos. Resolvendo as mesmas tarefas, estamos prontos para colaborar”, destacou o general, segundo Ria-Novosti.

Segundo Nikolai Gustchin, diretor e projetista da Empresa “Mashinostroyenie” situada na Região de Moscou, o efeito do impacto de uma ogiva de 480 kg deste sistema de 250 km de alcance e cerca de 2 m de precisão equivale ao uso de uma carga nuclear. É de notar que o sistema funciona de maneira plenamente autónoma ao receber o comando com a indicação dos alvos.

“O nosso mecanismo óptico de auto-orientação – diz Nikolai Gustchin – escolhe com grande precisão o alvo e não há nada que possa impedi-lo: nem a neblina, nem a falta de visibilidade, nem nuvens de interferências criada especialmente pelo adversário.

Os meios activos de luta radioelectrónica são impotentes no combate a este mecanismo. Nenhum outro sistema de mísseis do mundo pode realizar tais missões”. O sistema tem dois mísseis e a tripulação de 3 pessoas , chassis 8X8.

Por Lyuba Lulko

Rizzolo: O general Vladimir Zaritski, Chefe das Tropas de Mísseis e de Artilharia da Rússia, disse com muita propriedade. Por que não? Por que não, se os EUA insistem em instalar o sistema de defesa antimísseis na Polônia e República Checa. Porque deixaríamos a Bielorrússia vulnerável ? Fica patente que com o consentimento das Forças Armadas da Bielorrússia será imprescindível instalar os complexos Iscander – E.

A Bielorrússia ou Bielo-Rússia é um país sem acesso ao mar localizado na Europa Oriental que faz fronteira com a Rússia a leste, com a Ucrânia ao sul, com a Polônia a oeste e com a Lituânia e a Letônia a norte. Sua capital é a cidade de Minsk e possui quase 10 milhões de habitantes. Agora, é impressionante como os EUA ainda pensam que podem fazer o que querem e bem entenderem dos povos da humanidade. Mas cuidado, os russos não são idiotas, muito menos os Bielorussos, e enquanto dolar cai, e as ameaças norte americanas aumentam, não resta outra saída a não ser cada país defender sua soberania.

Bobos da corte propõem que o Senado aplauda os coices do rei

Os senadores Heráclito Fortes (Demo-PI) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA) anunciaram que vão apresentar no Senado moção de “aplauso” ao rei Juan Carlos por ele ter perdido os freios na Cúpula Ibero-Americana e destratado o presidente Chávez.

Heráclito e Flexa tentam lustrar os cascos do rei

Os senadores Heráclito Fortes (DEM-PI) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA) vão apresentar à Comissão de Relações Exteriores do Senado um moção de aplauso ao rei Juan Carlos, da Espanha. A idéia de bajular sua majestade surgiu depois da pantomimice do monarca na sessão da Cúpula Ibero-Americana, realizada na semana passada, em Santiago do Chile.

Juan Carlos de Bourbon, monarca criado pelo ditador espanhol, Francisco Franco, confirmou não ser nada afeito a debates democráticos. Não suportou ouvir do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a informação de que seu ex-primeiro ministro, José Maria Aznar, juntamente com George Bush, foram os únicos chefes de Estado a participarem ativamente do golpe de Estado ocorrido em seu país, em 2002.

O rei perdeu as estribeiras quando Chávez, respondendo ao primeiro-ministro Zapatero sobre o papel deletério de algumas potências na América Latina, informou que os dois únicos embaixadores presentes ao butim dos golpistas na Venezuela, eram dos EUA e da Espanha. Sua alteza não aguentou e disse para Chávez: “porque você não se cala?”. Era muita coisa para os ouvidos reais. Mas, não só Chávez, como outros líderes, seguiram denunciando a ação imperialista na região.

Os dois senadores, preocupadíssimos com o desgaste da monarquia no episódio, e atentos às graves consequências do fato para a imagem da nobreza espanhola, querem que o Senado faça um desagravo a Juan Carlos. Querem também o repúdio da instituição ao presidente Hugo Chávez, por este ter ousado desacatar sua majestade. Ou seja, o que se pode depreender da iniciativa tucano-pefelista, é que sempre há, na corte, quem esteja pronto a divertir e afagar a família real.

PARLAMENTO

Atropelando a delegação brasileira na 7ª Sessão Ordinária do Parlamento do Mercosul que foi instalada, nesta segunda-feira, em Montivedéu, o deputado Cláudio Díaz (PSDB/RS) resolveu se imiscuir nos assuntos da Venezuela, desferindo provocações contra o presidente Hugo Chávez a quem atribuiu a “ameaça de proliferação de armamentos e o risco de uma corrida armamentista” no continente.

Em outro momento do encontro, a também tucana Marisa Serrano, senadora pelo Mato Grosso do Sul, patrocinou uma tentativa de sabotagem à aprovação de uma “delegação de respaldo” em nome do Mercosul, para o presidente Chávez negociar junto às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) a libertação de reféns em poder da guerrilha, entre eles parlamentares. A senadora causou reações em vários parlamentares, sobretudo argentinos e venezuelanos, cabendo ao deputado Dr. Rosinha (PT/PR) fazer uma proposta conciliatória.

“O tema é importante para várias nações, o presidente Chávez foi chamado por uma senadora colombiana para tentar encontrar uma saída para o caso e não podemos deixar de apoiá-lo”, afirmou o petista. Além disso, até o presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, que não pode ser chamado de chavista nem de esquerdista, apoiou a mediação de Chávez.

Hora do Povo

Rizzolo: A direita brasileira não cansa de fazer um papel antidemocrático, e as vezes se porta de forma fascista ao apoiar correntes autoritárias e posicionamentos deploráveis como o do rei Juan Carlos. Como bem lembrou o presidente Lula, não há lugar mais democrático do que a Venezuela, a democracia participativa, onde os instrumentos e participação população ação efetivamente utilizados, levam a elite raivosa às raias do ridículo, e do contra-senso. Os adeptos ao autoritarismo, os que amam a democracia relativa, os que detestam a opinião do povo, os que entregam o Brasil às transnacionais, todos eles tentam rechaçar o governo de Hugo Chavez, por um único motivo: não suportam a verdadeira democracia. Para coroar o papel deplorável dos conservadores brasileiros, as lideranças da oposição de direita articulam o uso de uma comissão do Senado para tentar manifestar oficialmente repúdio do parlamento brasileiro ao governo Venezuelano. Mas o alvo principal dos oposicionistas de direita é o presidente Lula e sua política externa. A manobra terá como mote o recente e polêmico episódio envolvendo o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e o rei da Espanha, Juan Carlos, que será ”homenageado” no ato por ter mandado Chávez calar-se. O próximo a ser mandado calar a boca será Lula, e isso não deixaremos.

Vale privatizada anuncia interesse em açambarcar reserva nacional de urânio

Visando açambarcar a sexta maior reserva de urânio do mundo, a holandesa Bunge e a privatizada Vale do Rio Doce estão em campanha aberta pelo fim do monopólio estatal do urânio, inclusive com lobby no Congresso. Com apenas 30% do território prospectado, as reservas brasileiras somam 309 mil toneladas.

Em solenidade dia 6, em São José dos Campos (SP), o presidente da Vale, Roger Agnelli, informou que além de explorar o minério a empresa pretende construir usinas nucleares. “A energia nuclear é uma realidade, é uma tendência inevitável”, frisou Agnelli, acrescentando que “o Brasil tem uma das maiores reservas de urânio do planeta e nosso interesse é estabelecer parceria com o governo para pesquisar o potencial do país”. Em 2008, a Vale irá destinar US$ 470 milhões em geração própria de energia.

Bunge, Vale e Galvani encaminharam à estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) proposta para explorar em parceria a mina de Santa Quitéria, no Ceará, rica em urânio e fosfato, este último usado na produção de fertilizantes.

Curiosamente, o convite partiu da INB, que investirá US$ 20 milhões e os parceiros privados, US$ 110 milhões, na construção de uma unidade de beneficiamento e tratamento de urânio lavrado. A exploração do fosfato ficará com as empresas privadas.

Sobre a importância estratégica do urânio, citamos apenas uma avaliação do presidente da Eletronuclear, almirante Othon Pinheiro da Silva: “Dominamos todo o ciclo do urânio, assim como o do petróleo. Do ponto de vista da energia nuclear, apenas Estados Unidos e Rússia têm situação semelhante: dominam o ciclo atômico e possuem reservas para atender à própria demanda. Este é um diferencial e uma grande vantagem que o país não pode ignorar”. Segundo ele, além de Angra 1, 2 e 3, “o Brasil deverá implementar de quatro a oito novas plantas nucleares nas próximas duas décadas, o que agregará entre quatro a oito mil megawatts de energia ao sistema entre 2016 a 2030”.

Hora do Povo

Rizzolo: Isso é um absurdo, o maior perigo de uma abertura da exploração e comercialização do urânio para a iniciativa privada é a questão da produção de bombas nucleares, isso é um patrimônio do Estado brasileiro, por de trás dessa intenção privatista existe o interesse militar desse urânio. Um bem estratégico nacional não pode ser dado simplesmente à iniciativa privada, o urânio, hoje, é responsável por 17% de toda energia produzida no mundo. Por ser considerado uma fonte de energia “limpa” e que não polui o ar e nem causa grandes inundações (como as hidrelétricas), o minério é visto como um potencial a ser explorado. Além disso, é mais rentável que o carvão ou o petróleo (1 kg equivale a 10 toneladas de petróleo e 20 toneladas de carvão). Dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) mostram que existem 30 reatores nucleares sendo construídos no mundo, outros 74 planejados e mais 162 propostos.

O Brasil possui a sexta maior reserva mundial de urânio, o que permite o suprimento das necessidades domésticas em longo prazo. Estudos de prospecção e pesquisas geológicas foram realizados em apenas 25% do território nacional. Hoje, o minério extraído em território nacional pelas Indústrias Nucleares Brasileira (INB) abastece as usinas de Angra I e II. Só a jazida de Caetité resolve essa demanda. Se Angra III for construída, a produção de urânio deverá ser maior, com a exploração da jazida de Santa Quitéria (CE). A questão é séria e o lobby já existe, não podemos deixar que privateiros internacionais oportunistas açambarquem nossas reservas nacionais de urânio. Atenção plena, hein!

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Maria Pili: “Baduel, segue o teu caminho que eu fico com o povo”

Jornalista venezuelana, no artigo “O que não te perdôo”, desvenda motivações para repentina ida do ex-ministro da Defesa para apoiar a campanha da oligarquia contra a Reforma Constitucional.

A jornalista venezuelana, Mary Pili Hernández, põe a nu, a essência da atitude do general Raúl Baduel de, após anos integrante do governo dirigido por Chávez, abraçar agora a campanha do “Não” sem ter se manifestado em nenhum momento dos intensos debates que mobilizaram todos os setores do povo venezuelano. Se isso se constitui traição ou não, diz Mary ao general: “deixo à tua consciência”.

A seguir o artigo de Mary Pili, que já ocupou os cargos de presidente do canal estatal Venezuelana de Televisão, VTV, no início do mandato do presidente Chávez; vice-ministra de Relações Exteriores, responsável pela América do Norte, durante a gestão do ministro Ali Rodríguez, é membro do Comitê de Organização do Partido Socialista Unido da Venezuela, PSUV e escreve em vários jornais venezuelanos, inclusive no El Nacional, onde tem uma coluna semanal. Este artigo foi originalmente publicado no El Nacional em 08/11/07.

O que não te perdôo

“Amigo Raúl:

Não vou te chamar de traidor, isso deixo à tua consciência. Tens o direito de pensar o que quiseres e o dizer aos quatro ventos, porque vivemos num país democrático. Não critico que não gostes da Reforma, nem que vás votar “Não”, nem que tenhas feito uma coletiva de imprensa para contá-lo a todo mundo. Mas há três coisas que não te perdôo e quero que as conheças, não para que mudes de parecer, mas para que reflitas sobre teus erros.

1. Não te perdôo que tenhas esperado o primeiro dia da campanha para dizer que não gostas da Reforma. Na Assembléia Nacional pediram direito à palavra José Vicente Rangel, que foi Ministro da Defesa como tu, e Aristóbulo Istúriz, que também foi Ministro, e expressaram seus pontos de vista. Também esteve Elea-zar Días Rangel, simplesmente um jornalista, mas inclusive estiveram Julio Borges, Henry Ramos Allup e outros mais, expondo o que não gostavam. Por que não fizestes isso? Por que esperaste? Qual era teu plano? Qualquer uma de tuas propostas poderia haver sido incluída, mas não permitiste essa possibilidade. Não haver dito o que não gostavas, no momento em que a Assembléia abriu as consultas, demonstra que tua intenção não é construtiva, já que não permite consertar erros, no caso de que estes realmente existam. E se tua crítica não é construtiva, logica-mente é desleal.

2. Não te perdôo que tenhas dito que, ao ser aprovada a Reforma, isto constituiria um golpe de Estado. Este argumento, por demais absurdo, demonstra que desprezas o povo, que pensas que nós, que vamos votar pelo sim (que sem dúvida seremos a maioria, como bem o sabes), somos autômatos ou manipulados, e que não sabemos o que fazemos.Irmão, esse discurso está bem para os dissociados, para aqueles que acreditam ser melhores que todo mundo, que têm mais direitos que os demais e que são mais inteligentes, cultos e preparados que o resto dos cidadãos. Mas nunca para alguém que ganhou o amor desse mesmo povo no 13 de abril. Mas, esse axioma estranho no qual o voto do povo constituiria um “golpe de Estado” (?) demonstra, também, que tens medo do povo. Um povo que sabe o que lhe convém, embora agora isso não te convenha.

3. Não te perdôo que tenhas feito um chamado a teus “companheiros de armas”, e que tenhas lhes insinuado que devem atuar, frente a isto que tu chamaste “golpe de Estado”. Se dizes que há um golpe de Estado e logo depois fazes um chamado a teus companheiros de armas, quando até apenas umas semanas eras Ministro de Defesa, quando passaste toda tua vida ganhando o respeito deles, quando tens três sóis [correspondente às estrelas de general no Brasil] no teu ombro, o que é que devo supor que estás lhes dizendo ? Sabes uma coisa?: Nem a ti, nem ao próprio Simón Bolívar ressuscitado permito que brinquem com a minha paz, nem com a paz dos meus filhos. E deixe-me te esclarecer que as duas primeiras coisas que disse não as perdôo como revolucionária, mas esta última não a perdôo como mãe. Porque a paz de meus filhos não é negociável.

Por último, vou me permitir te dar um conselho: toma cuidado com quem te reúnes e com quem te aconselhas. Depois do que fizeste, será muito fácil para ti conseguir um papel prota-gônico no reality show oposicionista. Porém, nunca acredites nesses amores sobrevindos. Lamentavelmente para ti, os amores sinceros deixaste para trás. Sigas esse caminho, se assim o preferes, que eu fico com o povo.

Maria Pili Hernandez

Rizzolo: O camarada Baduel é a essência do contraditório. O que fez Baduel de repente, não mais que de repente entender que ao ser aprovada a reforma constituirá esta num golpe de Estado, se até a pouco concordava com tudo? Com quem andou se reunindo Baruel ? Se teve oportunidade de demonstrar o que não concordava e não o fez, por que Baruel ? Entender que Baruel de uma hora para outra resolveu mudar o discurso, é o mesmo que acordar e se achar que é o Homem Aranha, e que pode sair por ai voando. Mas o camarada Baruel de louco nada tem, foi plantado pela oposição para ser o antídoto fabricado de última hora, para tumultuar o pleito, o melhor como diz Maria Pilli é Baduel seguir seu caminho servindo aos interesses internacionais, e não se opor ao caminho da democracia venezuelana.

Dizer o certo na hora certa

O mundo acompanha o desenrolar da política venezuelana, conceitos de democracia estão sendo exercitados através de instrumentos legítimos, que nós aqui também comtemplamos na nossa Carta Magna, que são o Plebiscito, o Refendo, e a Iniciativa Popular, mas que por razões ideológicas, ainda não foram regulamentados. Nas últimas semanas podemos inferir que as notícias e os posicionamentos em relação à Chavez e a democracia na Venezuela, estão se amenizando. Das declarações do presidente Lula, apoiando a democracia participativa, do apoio de líderes europeus, que enxergam de forma clara o amplo debate, e a participação popular nas questões políticas na Venezuela embasada na essência da democracia, na imprensa internacional e brasileira, onde se deu a grande descoberta do óbvio, que não só se deve obter informações distorcidas da imprensa republicana americana, mas sim exercitar o contraditório jornalístico, se valendo de outros veículos de informação.

Contudo, existe ainda, um reduto refratário; são os filhos da ditadura, os que vieram do antigo PDS, dos que não admitem a participação popular e não gostam do ” palpite do povo”. Esses, como jamais exercitaram a democracia, a confundem, embaralham os conceitos de forma maliciosa, dilaceram suas estruturas, restringem sua amplitude, para que num estelionato ideológico de fundo argumentativo, desqualifiquem a participação popular, subvertendo o espírito democrático como exercitassem uma manobra empresarial perversa, visando seus interesses, tentando assim perpetuar a representatividade manipulatória do que chamam de democracia, e que eu classifico como “democracia relativa da elite”.

Com muito bom senso, juristas como o Dr. Fábio Konder Comparato, apregoam a ampliação e o aprofundamento dos mecanismos de democracia direta e participativa, como já disse, há três deles, declarados no artigo 14 da Constituição: o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular. A iniciativa popular hoje existente é apenas legislativa, não a de emendas constitucionais; por isso, entre as propostas que estão sendo discutidas pelo conselho federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), está a sua ampliação também em relação às emendas constitucionais, o que vem de encontro ao desenvolvimento da participação do povo brasileiro nos desígnios do país

Não podemos de forma alguma, sob pena de ceifarmos a essência da democracia, não entender, ou fingirmos que não entendemos o que ocorre na América Latina em termos de democracia participativa, da inclusão dos pobres, dos movimentos populares; isolarmos a Venezuela atende aos interesses dos EUA, que procura de todas as formas quebrar a integração latino americana. De forma apropriada, no momento atual das relações internacionais, o bom senso nos leva a uma postura firme, objetiva, e sincera, como a afirmação de Lula em relação à democracia na Venezuela, ou seja, dizer o certo na hora certa. Só não enxerga quem não quer, os que possuem “baixa visão democrática” e que são alérgicos ao povo brasileiro.

Fernando Rizzolo

A democracia venezuelana X a monarquia espanhola

Juan Carlos foi escolhido para ser rei da Espanha pelo ditador Francisco Franco — ainda em 1969 — e assumiu depois da morte do caudilho, em 1975. Ele não era o primeiro na linha de sucessão: o rei “de jure” da Espanha era seu pai, Juan, o duque de Barcelona. Mas Franco preferiu Juan Carlos, que era um “playboy” pouco experiente. Quando Juan Carlos assumiu, em 22 de novembro de 1975 (dois dias depois da morte de Franco), a monarquia não era legítima: para que se tornasse legítima, em 1977, seu pai, que fora preterido na sucessão espanhola, renunciou aos direitos ao trono. Em 1976, Juan Carlos deu início à transição democrática na Espanha. Os partidos foram legalizados, inclusive o Partido Comunista, e as primeiras eleições livres só ocorreram em 1977.

El Rey, entretanto, retomou esta semana durante a 17ª. Cúpula Ibero-Americana, no Chile, o estilo imperial e antidemocrático ao bradar: “Por qué no te callas?”, dirigindo-se ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez. quando este chamava o ex-presidente de governo da Espanha José María Aznar de fascista. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, disse à imprensa: “Inventem alguma coisa para criticar o Chávez; agora, por falta de democracia não é. Esse homem passou por três referendos, já teve três eleições não sei para que, quatro plebiscitos. Ou seja, o que não falta é discussão.” É verdade que, por três vezes, durante quase uma década na Presidência da República, o venezuelano foi sufragado com folga. A mídia voltou-se contra Chávez, apoiando o “basta!” do Rei de Espanha, em uníssono.

José Luis Rodríguez Zapatero, atual primeiro-ministro da Espanha, ficou preocupado com o incidente diplomático e se propôs retomar as relações com o governo Chávez. É bom lembrar que o primeiro ato de Zapatero como primeiro-ministro foi retirar as tropas espanholas do Iraque e, enfrentando a fúria dos EUA, alinhou-se com governos anti-americanos como Chávez. Zapatero irritou o governo Bush ainda mais ao vender armas e equipamentos militares para a Venezuela. Miguel Angel Moratinos, ministro de relações exteriores, em duas ocasiões acusou Aznar de apoiar uma tentativa de golpe contra Chávez em 2002. Mas deve ter sido difícil para Zapatero ouvir Daniel Ortega, presidente da Nicarágua, atacar a empresa espanhola Unión Fenosa, como “um bando de mafiosos usando táticas de gângsteres para extrair o máximo de lucro possível de nossos serviços privatizados”.Hugo Chávez também atacou as multinacionais espanholas, processos de privatização “corruptos” e acordos comerciais. “Comércio livre? Que nome equivocado. O que queremos é comércio justo”, disse o líder venezuelano.

Cinco dias após a explosão do rei Juan Carlos, Chávez declarou: –“O rei deveria pedir desculpas. Não fiz nada. Foi ele quem me atacou em um tom violento”. O presidente advertiu que os investimentos espanhóis não são “indispensáveis” à Venezuela. Chávez também anunciou na quarta-feira (14) que vai revisar as relações com a Espanha e ameaçou as empresas espanholas em uma entrevista pela televisão. Ele disse: “Vão ter de começar a prestar mais contas e vou ficar de olho nelas para ver o que estão fazendo aqui, todas as empresas espanholas que estejam na Venezuela”. De fato, “o Rei explodiu” como disse Chávez, mas muita coisa deverá ser revista após esta manifestação de intolerância antidemocrática perpetrada pelo monarca espanhol em fim de carreira.
Site do PC do B

Rizzolo: A direita brasileira não cansa de fazer um papel antidemocrático, e as vezes se porta de forma fascista ao apoiar correntes autoritárias e posicionamentos deploráveis como o do rei Juan Carlos. Como bem lembrou o presidente Lula, não há lugar mais democrático do que a Venezuela, a democracia participativa, onde os instrumentos e participação população ação efetivamente utilizados, levam a elite raivosa às raias do ridículo, e do contra-senso. Os adeptos ao autoritarismo, os que amam a democracia relativa, os que detestam a opinião do povo, os que entregam o Brasil às transnacionais, todos eles tentam rechaçar o governo de Hugo Chavez, por um único motivo: não suportam a verdadeira democracia. Para coroar o papel deplorável dos conservadores brasileiros, as lideranças da oposição de direita articulam o uso de uma comissão do Senado para tentar manifestar oficialmente repúdio do parlamento brasileiro ao governo Venezuelano. Mas o alvo principal dos oposicionistas de direita é o presidente Lula e sua política externa. A manobra terá como mote o recente e polêmico episódio envolvendo o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e o rei da Espanha, Juan Carlos, que será ”homenageado” no ato por ter mandado Chávez calar-se. O próximo a ser mandado calar a boca será Lula, e isso não deixaremos.

Todo crescimento acompanha enfrentamento

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Como é de conhecimento de todos, toda sexta-feira ( Shabbat) procuro ao estudar a Torah, nas porções semanais, relacionar os acontecimentos relatados nas passagens do Antigo Testamento, vivenciadas pelos nossos profetas, com aquilo que nos dias de hoje quer no plano espiritual ou material , ou ainda, no plano pessoal ou social, com o que passamos como experiência de vida, no momento. É impressionante, como sempre existe uma relação entre uma “Parashat”, ou passagem de um trecho do Antigo Testamento, da semana, com a nossa semana atual correspondente.

Minhas interpretações pessoais da Torah, me enchem de satisfação ao saber que posso compartilha-las com você , amigo ou amiga, independentemente de religião, vez que a Torah pertence a humanidade, e não só ao povo judeu, cabendo a nós interpretá-la, e usarmos como guia do nosso dia-a-dia. Tenho profundo respeito pelos cristãos, afinal compartilhamos dos mesmos ideais, e pelas demais religiões, que nos levam a um caminho de Luz, e como toda luz, ilumina ela a escuridão da tristeza, do abandono, da pobreza , da miséria, que tem na sua raiz a incompreensão daqueles que se dizem religiosos, ou ” defensores do povo”, mas não agem de forma pró ativa como parceiros de Deus na eliminação do sofrimento alheio. Uma das razões que me fizeram romper com o marxismo foi a de cunho religioso.

O nome da Parashat desta semana é Vayetsê, e começa com Yaacov (Jacó) fugindo de Esav (Esaú) e deixando a casa dos pais para viajar a Charan, onde ficará com seu tio Lavan (Labão). Ao passar a noite no local onde no futuro seria o Templo Sagrado, D’us aparece a Yaacov no sonho de uma escada descendo do céu até a terra, na qual anjos sobem e descem. Do topo da escada, D’us promete a Yaacov que seus descendentes herdarão a Terra de Israel.

Na sua chegada em Charan, após rolar uma imensa pedra da boca do poço da cidade para que os pastores do lugar pudessem dar água aos rebanhos, Yaacov encontra a filha de Lavan, Rachel, e concorda em trabalhar para seu pai por sete anos a fim de conseguir sua mão em casamento. Quando finalmente chega a noite do casamento, Lavan engana Yaacov, substituindo Rachel pela sua filha mais velha, Lea. Após esperar uma semana, Yaacov casa-se também com Rachel, mas não antes de ser forçado a cumprir mais sete anos de trabalho.

Nos anos que se seguem Rachel permanece estéril, enquanto Lea dá à luz a seis filhos e uma filha, e Bilá e Zilpá (as criadas de Rachel e Lea, respectivamente) cada uma tem dois filhos de Yaacov. Finalmente Rachel tem um filho, Yossef. Yaacov torna-se muito rico durante sua estadia com Lavan, amealhando um grande rebanho, mesmo enquanto Lavan continuamente tenta enganá-lo por todos os vinte anos de sua permanência.

Após aconselhar-se com suas esposas, Yaacov e a família fogem de Lavan, que o persegue e o enfrenta, aborrecido por Yaacov ter ido embora sem se despedir, e arrogantemente afirmando que Yaacov roubou seus ídolos. Após Lavan infrutiferamente procurar os ídolos (que Rachel escondeu, sem que Yaacov soubesse, para impedir o pai de adorá-los), Yaacov e Lavan entram em uma acalorada discussão. Finalmente assinam um acordo, prometendo permanecer em paz, e a porção se encerra quando eles se separam.

A viagem de Yaacov de Bersheva a Charan pode ser entendida como um modelo para a jornada da vida. Chega a hora, entretanto, quando o cordão umbilical é cortado e devemos enfrentar o mundo “real” com todos seus desafios e obstáculos. A palavra Charan está associada à palavra hebraica charon, que significa “raiva”. Desafios significam enfrentamentos, temos que desenvolver a capacidade de reflexão para distinguirmos quais os melhores caminhos a trilhar, de que forma iremos nos preparar para nos defendermos dos inimigos que irão surgir nesses novos caminhos nos enganando como Lavan, nos forçando a continuar seus escravos, nos fazendo trabalhar em dobro a seu favor.

O Brasil, está vivendo um momento em que o mundo nos enxerga como um país com inúmeras riquezas, minerais, as espreitas, o desejo de domínio internacional, é uma realidade, o Brasil é alvo de cobiça, por ter água, alimentos, e energia. Como bem disse o General de Exercito José Benedito de Barros Moreira . ” Temos que colocar um cadeado forte na nossa tranca ” , e eu complementaria dizendo que temos que nos preparar para um novo caminho a trilhar e estarmos prontos para eventuais enfrentamentos com os Lavans que sempre tiveram vocação imperialista.

Fernando Rizzolo

Profetas do problema energético

A simulação é tema conhecido e reconhecido pela medicina em geral mas é tratada de modo discreto e apenas na Medicina Legal no seu capítulo de Infortunística (acidentes e doenças profissionais). O conceito de ganho secundário pode ser caracterizado por vantagens práticas que podem ser alcançadas usando-se de um sintoma para manipular e/ou influenciar outras pessoas, termo usado pelos médicos e psiquiatras onde bem caracteriza a intenção de determinada pessoa em utilizar um sintoma com um fim distinto, com uma finalidade a seu favor.

Mas poderíamos perguntar o que tem a ver o conceito tão amplamente usado nos corredores da psicanálise coma crise energética brasileira? Numa análise perfunctória, podemos observar os atores que apregoam a crise energética, imbuídos de uma sintomatologia típica do ganho secundário.

De nada restou provado ainda, se estamos ou não, vivendo uma crise energética no país, ou se apenas existem pontuações isoladas como a crise de gás no Rio de Janeiro. Nos amplos debates que ocorrem entre os especialistas, podemos observar que por trás da análise da capacidade produtiva da reserva da Bacia de Santos, existem as afirmativas por parte de alguns especialistas de que a produção estimada não é bem o que os técnicos da Petrobras dizem; essas declarações sempre vêem acompanhadas de uma fundamentação mercantilista, onde no bojo da defesa das idéias investimento na prospecção, estão enfim os interesses das transnacionais do petróleo.

Não é de se esperar que o poderoso lobby das empresas de prospecção não tenham desenvolvido uma nova estratégia de mobilização da opinião pública nos moldes técnico argumentativo, com a pura intenção de descaracterizar as pontuações do governo em relação a retirar os 41 blocos da Nona Rodada de Licitação da Agência Nacional de Petróleo (ANP) , o que foi decididido em bom termo, ao determinar à ANP que exclua da Nona Rodada de Licitações os blocos situados nas bacias do Espírito Santo, de Campos e de Santos, relacionadas às possíveis acumulações em reservatórios do Pré-sal, e que promova estudos “no prazo mais curto possível”, para “as mudanças necessárias no marco legal que contemplem um novo paradigma de exploração e produção de petróleo e gás natural”.

Não resta a menor dúvida que essa atitude patriótica, face ao potencial da reserva Tupi, deixou as transnacionais enfurecidas, e hoje, a rede lobista joga uma argumentação pseudo técnica para a sociedade brasileira, de que faltará, capacidade financeira e tecnológica para suprir a ” crise energética de gás, em especial”, sendo então imprescindível a revisão dessa posição brasileira.

Se nos aprofundarmos mais ainda, podemos verificar que, dentre as fundamentações apocalípticas, estão de forma velada, a intenção de se valer do ” perigo da política de Evo Morales “. Os lobistas da prospecção, incitam a população a acreditar que a Bolívia não é confiável, e que a única opção energética baseada em gás deve ser explorada no Brasil, e lógico, no esteio argumentativo, como não temos possibilidade de fazermos sozinhos, não podem eles ficarem ” de fora”.

Desta forma, a crise energética, que ainda não se provou de forma clara se existe ou não, toma contornos políticos de interesses internacionais que convergem com o fomento a indisposição do Brasil com seus vizinhos, principalmente a Bolívia e a Venezuela, para que, num ganho secundário, possamos abrir e desconsiderar aspectos patrióticos pautados na questão do petróleo e do gás.

A Petrobras como empresa Estatal e a União como detentora do monopólio, jamais poderão se deixar influenciar por ” técnicos” que subliminarmente em suas opiniões técnicas de cunho político, vivem uma crise psicanalítica financeira de ganho secundário, em favor daqueles que ainda persistem em explorar o povo brasileiro. Como dizia Monteiro Lobato, o Petróleo é ” ainda ” nosso ”

Fernando Rizzolo

Lula defende Chávez e a democracia venezuelana

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou ontem (14) a democracia da Venezuela, reiterou a importância do país tornar-se membro pleno do Mercosul e defendeu o presidente Hugo Chávez no polêmico episódio com o rei Juan Carlos da Espanha. “Podem criticar o Chávez por qualquer outra coisa. Inventem uma coisa para criticar o Chávez. Agora por falta de democracia na Venezuela não é.”, disse Lula.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (14) que seu colega da Venezuela, Hugo Chávez, é um democrata que já convocou várias consultas eleitorais e que não exagerou em sua polêmica com a Espanha, após o incidente com o rei Juan Carlos de Borbón.

“Podem criticar Chávez por qualquer outra coisa. Inventem uma coisa para criticar Chávez. Mas, por falta de democracia não”, disse Lula em conversa informal com jornalistas no palácio do Itamaraty, sede da Chancelaria.

E continuou: “O que não falta no país é discussão. Democracia é assim: a gente submete aquilo que acredita, o povo decide e a gente acata o resultado. Se não, não é democracia”, afirmou. Lula lembrou que está há cinco anos no poder, vai chegar a oito e, nesse período, acompanhou duas eleições para prefeitos. Na Venezuela, ressaltou, já houve três referendos, três eleições, quatro plebiscitos.

Quando os jornalistas tentaram arrancar de Lula alguma declaração contra a intenção de chávez disputar um terceiro mandato, Lula foi firme na resposta. “Por que ninguém se queixa quando Margareth Thatcher (primeira ministra da Inglaterra por dois mandatos) ficou tantos anos no poder?”, indagou.

Diante da observação de repórteres de que eram situações distintas, o presidente reagiu: “distintos, por quê? É continuidade. Não tem nada de distinto. Muda apenas o sistema. Muda apenas de regime presidencialista para parlamentarista. Mas o que importa não é o regime, é o exercício do poder.”

Lula passou, então, a citar o nome de outros chefes de governo que ficaram por muitos anos em seus cargos. “Ninguém se queixa do Felipe Gonzalez (ex-primeiro ministro espanhol), do Miterrand (François Miterrand, ex-primeiro ministro da França) e nem do Helmut Kohl (ex-primeiro ministro da Alemanha), que ficou por volta de 16 anos no poder.”

Para o presidente, é preciso respeitar a autonomia e soberania de cada país. “Se nós dermos menos palpites nas regras do jogo de outros países e olharmos o que estamos fazendo, todos nós sairemos ganhando. Mas se a gente achar que pode dar palpite em tudo e que só pode acontecer no mundo o que a gente quer, seremos eternamente infelizes.” E prosseguiu: “é melhor que os outros decidam os seus destinos e nós decidamos os nossos”.

Polêmica com o rei

Sobre a polêmica internacional iniciada após incidente na Cúpula Ibero-Americana do Chile, entre Chávez e o rei Juan Carlos da Espanha, Lula disse que o presidente venezuelano não exagerou na sua reação.”Houve uma fala do Chávez que o rei achou que era demais, que era uma crítica ao ex-primeiro ministro da Espanha(Jose maria Aznar), que tinha o apoiado o golpe (tentativa de golpe na Venezuela, em 2002). E a diferença, qual é? É que o rei estava na reunião. E quem falou ‘cala-te’ foi o rei. Ou seja, não foi um de nós. Entre nós, divergimos muito.A divergência faz parte de um encontro democrático”, declarou o presidente brasileiro.

“Somos um conjunto de países democráticos que fizeram uma reunião democrática onde todos têm o direito de falar, de temas livres, sobre aquilo que lhes interessa”, acrescentou Lula após um almoço com o presidente da Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira.

Ele argumentou que nas reuniões do G8 (sete países mais desenvolvidos do mundo e a Rússia), na qual o Brasil costuma comparecer como convidado, costumam acontecer sérias discussões por posições conflitantes, que saem do protocolo.

“Houve uma declaração de Chávez que o rei achou que era demais. Tratava-se de uma crítica ao ex-primeiro-ministro da Espanha que havia apoiado o golpe”, afirmou Lula.

“E qual é a diferença? Que o rei estava na reunião. E quem disse ‘cállate’ foi o rei. Ou seja, não foi nenhum de nós (os presidentes). Entre nós divergimos muito”, afirmou.

Mercosul

O presidente brasileiro defendeu mais uma vez a entrada da Venezuela no Mercosul.

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados adiou ontem novamente uma primeira votação sobre o ingresso da Venezuela no bloco regional, que deve ser aprovada pelo Congresso para que entre em vigência.

Os deputados da Argentina e Uruguai já votaram a favor do país caribenho, enquanto no Brasil a oposição tenta barrar a entrada da Venezuela, sob o argumento de que o Governo venezuelano não é plenamente democrático, já que não tolera a dissidência.

Da redação,
com agências

Site o PC do B

Rizzolo: Só aqueles que tramam pela desintegração da América Latina são capazes de fingir que não enxergam uma democracia plena na Venezuela. É exatamente disso que eles não gostam, não apreciam digamos, ouvir os anseios do povo, da população, querem o continuísmo, querem a manipulação eleitoral a seus favores, querem através dos insultos a Hugo Chaves, desqualificar uma democracia, assim como Hitler fazia a seus inimigos, desqualificando-os. O presidente, com o costumeiro acerto saiu em defesa do Presidente Venezuelano, que vê em Lula, e no Brasil um país amigo.

Revistas golpistas, jornalões tendenciosos, procuram achar alguma forma de tirania em Chavez, mas de nada encontram, a não ser a enorme participação popular. A integração Venezolana no Mercosul é indispensável, e de nada adianta o senhor Sarney, de acordo com a revista Isto É, receber enviados americanos para ” dar uma força” no sentido de desintegrar a América Latina, e não aceitá-la como membro. Isso é feio, antipatriótico, e vai na contramão do desenvolvimento da América Latina.

No tocante ao rei Juan Carlos, o instinto colonialista está ainda impregnado no seu DNA, se acha no direito de mandar calar a boca dos povos latinos americanos, como se já não bastasse as enormes remessas de lucros e dividendos das empresas espanholas, advindas do suor do povo latino americano, que através dos privatistas entregaram fatia do nosso mercado. Como disse o presidente, “democracia, a gente submete aquilo que a gente acredita ao povo, o povo decide e a gente acata o resultado, porque senão não é democracia. As pessoas se queixam ‘ah, porque o Chávez quer um terceiro mandato’. Ora, por que ninguém se queixou quando Margaret Thatcher ficou tantos anos no poder?” Muito bem ! Só para ilustrar um dado a mais, o relator do projeto que trata da adesão da Venezuela ao Mercosul, deputado Paulo Maluf (PP/SP), apresentou voto favorável à entrada ao fazer a leitura do seu parecer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, na terça-feira.

Maluf argumentou que a aprovação do ingresso está de acordo com o artigo 4º da Constituição brasileira, que orienta o país a buscar a integração econômica, política, social e cultural com a América Latina. “Consideramos o projeto de decreto legislativo constitucional, jurídico e dotado de boa técnica legislativa, prestamos uma homenagem ao povo venezuelano, a despeito do seu governante de momento”, disse Maluf. A votação do texto foi adiada para a quarta-feira (21).

A proposta de ingresso da Venezuela no Mercosul foi aprovado na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara no mês passado. Após a aprovação na Câmara, segue para o Senado. Argentina, Uruguai e a própria Venezuela já aprovaram a adesão, restando Brasil e Paraguai concluírem a tramitação.

O bom senso e a crise energética

por Fernando Rizzolo*

O reconhecimento, por parte do governo brasileiro, como um “ato de soberania” o fato de o governo boliviano decretar a nacionalização de gás e petróleo em maio de 2006, foi sim uma atitude sensata. Ao relembrarmos aquele episódio, em maio de 2006, podemos inferir que governar é acima de tudo um ato de bom senso e diplomacia, algo que nem todos políticos e empresários possuem. Diria que existiu na crise da nacionalização dos hidrocarbonetos por parte de Evo Morales, uma oportunidade para vivenciarmos até que ponto a política externa brasileira pode ser contaminada por rompantes ideológicos, ou na pior das hipóteses, qual é o grau de inteligência emocional dos nossos governantes.

Ainda me lembro, quando da notícia da decisão de nacionalização, a incerteza gerada em relação ao abastecimento de gás no Brasil, o que prontamente foi sanado pelas declarações de Morales; na verdade, a maior preocupação de Lula, era garantir que o fornecimento de gás não fosse interrompido, apesar de as unidades de produção da estatal brasileira naquele país estarem ocupadas pelo Exército, assim como as das outras empresas estrangeiras do setor de gás e petróleo. Não faltaram políticos com baixa “inteligência emocional” ou pouco simpáticos à nacionalização promovida, que exteriorizaram suas “indignações” tentando promover de forma velada, uma intriga entre o Brasil e governo da Bolívia, como que se pudesse ter com a crise algum “ganho ideológico secundário”.

Talvez baseados em princípios do livre mercado e da “ética”, na época da nacionalização, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, afirmava que a Bolívia “desrespeitou contratos” e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ainda imaculado, pedia “reação dura contra aquele desvario”. Sem contar alguns segmentos do empresariado mais exacerbados como a Abdib (Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústrias de Base) que via “claro desrespeito” aos contratos firmados com cerca de 20 empresas internacionais que exploravam petróleo gás no país vizinho. E ainda cobravam em “tom militaresco” “firmeza” e “ação pronta” do governo Lula.

Passada a tempestade, verificamos que as medidas diplomáticas tomadas na época pelo governo, baseadas no bom senso foram acertadas, muito embora, temos pela frente, face ao desenvolvimento da economia, uma crise energética que poderia, sim, ser mais bem administrada com antecedência, o fato é que, excluindo a demanda das térmicas, o consumo de gás cresceu 5,9% nos oito primeiros meses do ano, enquanto a oferta caiu 1,2%. A Petrobras já promovia uma espécie de “racionamento branco”, no entanto, a seca rigorosa dos últimos meses evidenciou o desequilíbrio entre oferta e demanda.

Não há dúvida, que se as usinas hidrelétricas tivessem água em suficiência para produzir energia, as termelétricas não precisariam terem sido acionadas pelo ONS, o Operador Nacional de Sistema, contudo, no momento em que foi necessário ampliar a produção das usinas termoelétricas, a Petrobras reduziu o fornecimento, por medida de cautela, mas sempre mantendo uma quantidade de gás acima do contratado com as distribuidoras.

A retomada das negociações com a Bolívia com a possibilidade de novos investimentos, com uma nova e produtiva fase nas relações bilaterais, nos leva a refletir o quanto é importante a compreensão e o respeito no reconhecimento das políticas sociais implementadas por nossos vizinhos. A América Latina passa por um período de novos valores, de construção social baseada na soberania dos povos, e não há outra foram de reorganizarmos nossa economia sem que mantenhamos essa visão de cooperação e de diplomacia econômica, visando os interesses recíprocos.

Com a descoberta do campo de Tupi, na Bacia de Santos, na região do que se chama de pré-sal, não resta dúvidas que nos colocaremos como país exportador de petróleo; contudo, teremos esse petróleo à disposição somente em 2013, além disso, como se trata de uma tecnologia de extração cara, o custo do processamento será ainda analisado. O que não podemos deixar de observar, é que muito embora a noticia seja boa, estamos vivendo já um problema de energia em curto prazo; como dito anteriormente, o fato de que em períodos de seca as termoelétricas são obrigatoriamente acionadas, gera uma demanda de gás excessiva, e hoje, o gás é nosso problema. O que descobrimos no Campo de Tupi, é petróleo leve, de boa qualidade, mas não é gás que necessitamos a curto prazo.

Não resta dúvida, que a falta de visão, e as disputas internas nos Ministérios, procrastinaram decisões que já deveriam estar em pauta há um bom tempo, até porque, não podemos falar em desenvolvimento sem energia, seja ela qual for. Encontros e comunicados entre o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, o ex-diretor de Gás e Energia da estatal, Ildo Sauer, e representantes do governo – os quais não passaram despercebidos dos meios de comunicação – já eram reveladores dessas preocupações.

O resto são projeções, ufanismos, e conjecturas. Numa análise mais profunda podemos observar que o nosso desenvolvimento econômico e social, esta sim atrelado às tão compreensíveis aspirações de desenvolvimento e soberania dos nossos vizinhos, e é no exercício do entendimento e da “inteligência emocional política “que os povos da América Latina irão avançar no desenvolvimento. A descoberta veio ao encontro de um problema mais urgente, abafar a crise de energia que tem sim fundo político e técnico na falta de planejamento por parte do governo, que em parte está sendo compensado pela expedita diplomacia.

*Fernando Rizzolo é advogado criminalista e Coordenador da Comissão de Direitos e Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil(OAB)https://rizzolot.wordpress.com | dorizzolo@yahoo.com.br

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artigo publicado na Agência Estado dia 14 de novembro de 2007

O Confins não está em pauta , hein !

É impressionante como a falta de argumentação dos defensores implacáveis da CPMF se desmonta quando a interpelação vem acompanhada do efeito surpresa. Talvez advenha da falta de preparo, pois foi desenhada e mais voltada a questão, para a mobilização no vazio ideológico. O Dr. Jatene, pai da CPMF, levantou não só diante de Skaf a maliciosidade da intenção de se acabar com a CPMF, mas foi além, levantou seu dedo de cirurgião em riste, como que este ato emblemático, atingisse na forma de um bisturi, a insensibilidade de certa parte da elite egoísta, que em rompantes de posse, ignoram o real sentido e destinação de um imposto justo, e que do ponto de vista de arrecadação dificulta a sonegação.

Quanto surpreendeu Skaf no jantar do Figueira, com a pergunta, Por que não o Confins ? Desnudou sim, a incompreensão sistêmica do organismo da elite brasileira, transpôs a barreira de dissimulação que existe entre aqueles que acreditam e entendem que no Brasil existem dois povos num mesmo pais, os ricos a que tudo tem direito inclusive de sonegar, e os pobres que nada merecem muito menos recursos advindos de impostos pagos pelos que detêm o capital.

Mais uma vez, fica patente e comprovada, a intenção daqueles que fazem uso das organizações patronais ou corporativas para alavancar causas que vão na contra mão do povo brasileiro, daquele que trabalha por um salário humilde, que pouco sabe o que é conforto, que se alimenta mal, que sofre nas filas nos hospitais. O Dr. Jatene como pai da CPMF fez o que os pais dos filhos da elite não fizeram, chamar a atenção e lembrar que os pobres dependem de impostos como CPMF, para que o Estado gere o desenvolvimento que o egoísmo e a posse condenam.

Fernando Rizzolo

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“Autodenominado movimento estudantil é o mais recente recurso da oligarquia golpista”

“O imperialismo e a oligarquia venezuelana em sua tentativa golpista primeiro utilizaram a Confederação de Trabalhadores da Venezuela, a CTV de Carlos Ortega, que de entidade representativa dos trabalhadores não tem nada, e a Fedecámaras, sem resultados e desapareceram; depois o pessoal do petróleo, da PDVSA, que se prestou a destruir a propriedade que é de todos os venezuelanos, que já está esquecido; ai, foram os militares de Altamira [bairro de classe alta de Caracas], que chegaram inclusive a bater em alguns quartéis concitando à sublevação e não puderam; agora apelam aos estudantes. E a questão que chama a atenção é que são grupos de estudantes de colégios e universidades privados os que protagonizam a dissidência. Parece que estão incomodados com o fortalecimento do ensino universitário no país”, afirmou o vice-presidente da Venezuela, Jorge Rodríguez, na inauguração da Feira Internacional do Livro, em Caracas.

“Esses autodenominados movimentos estudantis que tem a encomenda de que haja um morto, são grupos de universidades privadas que são entrevistados pelos meios de comunicação antinacionais uma e outra vez”, assinalou Rodríguez, acrescentando que “este governo pode dizer com orgulho que jamais provocará um morto dentro dos movimentos estudantis, seja da orientação que seja, este é um governo que defende a vida humana com sua própria vida, defende os direitos humanos além da Constituição”, expressou.

Na semana passada cerca de 1500 pessoas que tinham se manifestado no Tribunal Supremo de Justiça, TSJ, contra o Referendo que será realizado no dia 2 de dezembro, invadiram a Universidade Central da Venezuela, e agrediram um grupo de 130 estudantes e funcionários da Escola de Serviço Social, ferindo 9.

Recrudescendo o uso da violência contra a população, setores que sabem que não tem votos, na sexta-feira passada provocaram um incêndio com uma bomba molotov nas instalações do Centro de Estudantes da Faculdade de Ciências Jurídicas e Políticas da UCV, entidade cuja diretoria participa da campanha pelo SIM.

“É muito estranho que os setores mais reacionários, que apelam ao golpe, ao seqüestro, à mentira, acusem a este governo, que consulta absolutamente tudo o que tem a ver com as medidas revolucionárias que toma ao povo da Venezuela em eleições livres, transparentes e certificadas por observadores do mundo inteiro, de que está construindo uma ditadura”, afirmou o vice-presidente, concluindo que “só se for a ditadura do conhecimento, da liberdade, a ditadura que acabou com o analfabetismo, que edita um livro por dia, que espalhou a cultura por todos os cantos do país”.

Jorge Rodríguez, vice-presidente da Venezuela:

Hora do Povo

Rizzolo: É sabido que a CIA e o governo americano agem na Venezuela insuflando movimentos ” vazios”, para que o governo de Hugo Chaves seja desestabilizado. O recrutamento de ” estudantes” ou a criação ficta de ” movimentos estudantis” demonstram que a direita está perdendo o jogo a cada dia que passa. Com muita propriedade, Jorge Rodrigues, vice presidente da Venezuela afirma que, querem sim um morto, para que fique demonstrada a pseudo violência Chavista, que de violência nada tem, a não ser a disposição exaustiva de consultar o povo, sobre todas as propostas da política venezuelana. Para os EUA, excesso de democracia não é bom, principalmente se passa pelo crivo popular. Agora esses ‘ movimentos estudantis fabricados ” não passam de uma piada de mal gosto, todos estudantes da elite, desarticulados, a mando de meia dúzia de reacionários que tentam usá-los como massa de manobra. Ainda bem que são pouquíssimos, e cansam logo.

A quem interessa o fim da CPMF?

A cobrança da CPMF gera uma arrecadação de cerca de R$ 37 bilhões por ano, sendo destinados constitucionalmente cerca de R$ 15 bilhões para a saúde, R$ 8 bilhões para o Fundo da Pobreza (que, segundo o ministro, paga parte da Bolsa Família), R$ 8 bilhões para a Previdência e o restante para utilização do governo, fica patente que os que não tem interesse no social, ou os que entendem que sua utilização no desenvolvimento social é “dinheiro jogado fora”, são os mesmos que atacam o governo Lula, e tem com santo padroeiro Adam Smith.

O famoso privatista FHC, sempre foi a favor da CPMF agora ser contra, a CPMF a quem tanto defendeu, mas atualmente ele não quer, e não é de se estranhar o fato e o receio, vez que o “homem que fala a fala do povo” (Lula) como ele mesmo diz FHC, pode vir a utilizá-la e gastá-la em projetos que agradem a massa que não é letrada, pode ser que o homem que fala e gesticula os modos do povo faça da CPMF uma espécie de transferência de renda promovendo desenvolvimento social, isso ele não quer. É simples.

Podemos paulatinamente reduzir a CPMF, mas não no momento de implementação de medidas de interesse social que dependem do tributo, até porque, se o Congresso não prorrogar a CPMF, “vai gerar descontrole fiscal” já que a arrecadação do tributo equivale a 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB).

Ao invés de reduzir a CPMF poderíamos como diz o Mantega, pensar sim na desoneração da folha de pagamentos. No fundo, os que são contra, são contra a aplicação social do tributo e não na essência do fato gerador. Só pra terminar na Inglaterra, uns países ricos, que não há mais necessidade de tanta intervenção Estatal, a carga tributária é de 37%, ora, no Brasil um país onde existem 45 milhões de pessoas que vivem da Bolsa Família, por que não tem o que comer, a nossa carga tributária é de 40 %, e os representantes da elite acham a carga um absurdo, é sim um absurdo, mas para o pequeno e médio empresário nacional esse sim precisa ser contemplado, vez que a carga para esse segmento é proporcionalmente maior.

Hoje a carga tributária no Brasil é enorme, principalmente ao pequeno e médio empresário. É bem verdade que proporcionalmente ela é muito maior ao pequeno empresário, até porque para as empresas multinacionais, as que tem estrutura isso não representa muito em face à remessa de lucros. Precisamos pensar no médio empresário, no empresário nacional, esse tímido na sua própria casa. Quanto ao inicio da discussão da proposta de reforma tributaria, já negociada com Estados e Municípios, a criação do IVA é de grande valia, facilita a arrecadação e acabaria com essa barganha que é a guerra fiscal, em suma simplificaria e condensaria tudo num só imposto, um imposto agregado.

Como insisto, temos que defender nossa indústria, e reduzir os juros mais rapidamente, desonerar de impostos os investimentos e o setor produtivo, até porque a arrecadação está crescendo e muito. Passar, por exemplo, a cobrar a contribuição previdenciária do faturamento e não da folha de pagamento o que é mais justo, vamos desonerar a pequena empresa, que geralmente é nacional, aliás, hoje o empresário nacional de pequeno e médio porte é um tímido em sua própria casa, o mercado brasileiro.

Fernando Rizzolo

Obs. artigo já publicado anteriormente.

A CPMF e o pito de Adib Jatene: ”Rico tem que pagar imposto”

O cirurgião cardiologista e ex-ministro Adib Jatene ganhou notoriedade no debate sobre a CPMF, ao passar um pito no presidente da Fiesp, Paulo Skaf, flagrado pela jornalista Mônica Bergamo. Skaf, à prente da poderosa entidade do capital industrial, está em campanha, pelo fim da CPMF. O cardiologista e ”pai” da CPMF, segundo Mônica, falou alto e de dedo em riste ao empresário: ”No dia em que a riqueza e a herança forem taxadas, nós concordamos com o fim da CPMF. Enquanto vocês não toparem, não concordamos. Os ricos não pagam imposto e por isso o Brasil é tão desigual. Têm que pagar! Os ricos têm que pagar para distribuir renda”, disparou.

Skaf tenta rebater (sempre conforme a colunista da Folha de S.Paulo): ”Mas, doutor Jatene, a carga no Brasil é muito alta!”. E Jatene: ”Não é, não! É baixa. Têm que pagar mais. Por que vocês não combatem a Cofins (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social), que tem alíquota de 9% e arrecada R$ 100 bilhões? A CPMF tem alíquiota de 0,38% e arrecada só R$ 30 bilhões”. Skaf desconversa: ”A Cofins não está em pauta. O que está em discussão é a CPMF”. E Jatene, certeiro: ”É que a CPMF não dá para sonegar!”

Dedo na ferida com precisão cirúrgica

Jatene tem uma carreira política tortuosa, que o levou à Arena (partido da ditadura militar) e aos ministérios de Fernando Collor e Fernando Henrique. Mas estava coberto de razão em seu diálogo acalorado com Skaf, no restaurante chique A Figueira Rubaiyat. Ele pôs o dedo na ferida com precisão cirúrgica.

O verdadeiro problema tributário do Brasil é que os ricos têm que pagar imposto, e não pagam. Na hora de discutir a CPMF, eis que o ex-PFL, a Fiesp & Cia vêm a público como paladinos do ”contribuinte”. E esquecem de dizer que, no sistema tributário atual, o trabalhador assalariado é quem paga a conta, enquanto o banqueiro, no vértice dourado da pirâmide social, escapa.

Brasil: o paraíso dos bancos

Em outra ponta do leque ideológico brasileiro bem distante de Jatene, o Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita federal), ligado à Conlutas, publicou um artigo do seu Departamento de Estudos Técnicos que expressa em números essa deformidade. É sobre a arrecadação tributária em 2006, escrito por Álvaro Luchiezi Júnior, Clair Hickmann e Evilásio Salvador, com o eloquente subtítulo Brasil: o paraíso dos bancos.

O texto, fartamente ilustrado por tabelas, mostra que a arrecadação de impostos realmente não pára de crescer: descontada a inflação, subiu 29,54% no segundo governo de FHC, e mais 19,81% no primeiro mandato de Lula. Porém essa carga pesada não recai por igual sobre todos: ”Os dados revelam que a tributação sobre o consumo e a incidente sobre os salários dos trabalhadores responderam por 65% dos tributos arrecadados pela Receita Federal, em 2006”.

Regalias e truques do contribuinte-banqueiro

Do total arrecadado, ”mais da metade (54%) advém de tributos arrecadados sobre o consumo. As famílias de baixa renda são as mais prejudicadas por esta estrutura, já que os gastos com consumo são relativamente maiores na medida em que renda familiar diminui”, aponta o artigo. E dá os dados do IBGE: ”As famílias
com renda de até dois salários mínimos arcam como uma carga tributária indireta de 46% da renda familiar, enquanto as famílias com renda superior a 30 salários mínimos gastam 16% da renda em tributos indiretos” (!).

”A evolução da arrecadação tributária das empresas constitui um caso à parte”, prossegue o estudo. ”Dois grupos de tributos chamam a atenção por razões opostas: de um lado, um grupo de tributos composto pelo Imposto de Renda – Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), cuja evolução foi positiva; por outro lado, o grupo formado pela Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e pela Contribuição para o PIS/Pasep, que apresentou um crescimento bastante tímido.” Vale notar a referência à Cofins, o mesmo imposto que, segundo Jatene, não é questionado porque ”dá para sonegar”.

”Em ambos os casos, o resultado da arrecadação tributária foi influenciado pelo setor financeiro da economia. O montante arrecadado de IRPJ e CSLL cresceu, em termos reais, 5,25% e 2,99% respectivamente, chamando a atenção o crescimento de 20,68% e 12,68%, respectivamente, recolhidos pelas instituições financeiras. À primeira vista esta evolução demonstraria um maior potencial de arrecadação do setor financeiro ou mesmo um incremento da tributação sobre os bancos. Contudo, não é isto o que ocorreu de fato.”

Mais artifícios e jogadas

”Apesar do aumento expressivo dos lucros dos bancos – os 10 maiores tiveram um crescimento de 23,87% e o conjunto do sistema financeiro apresentou aumento de 35,14%, no período de janeiro a setembro de 2006, em relação ao mesmo período do ano anterior —, a arrecadação de tributos desse setor permanece pequena em relação às demais setores da economia”, mostra o estudo.

”A participação dos bancos no total das receitas administradas pela SRF é pífia, apesar dos lucros extraordinários. As instituições financeiras, apesar do pequeno acréscimo no recolhimento de tributos (5,38%, em termos reais), respondem por apenas 5,11% das receitas administradas pela SRF. Os tributos que incidem diretamente sobre a renda dos bancos têm um peso de somente 3,27% nos tributos recolhidos pela Receita Federal”, diagnostica.

O texto explica como os banqueiros lançam mão de artifícios, como o de descontar prejuízos de exercícios anteriores, para pagar menos imposto que quem vive de salário. ”As instituições financeiras têm aproveitado todas as brechas legais, inclusive fazendo interpretações próprias da legislação, para escaparem do seu dever tributário”, prossegue. Mostra que no ano passado, em termos reais, as instituições financeiras recolheram penos PIS (queda de 5,74%) e menos Cofins (13,08% a menos), usando, entre outros recursos, uma brecha criada pela Lei 9.718/98.

”Renúncia fiscal a favor da renda do capital”

Nem só os banqueiros comparecem no levantamento do Unafisco como beneficiários de mágicas tributárias. Empresas estrangeiras, diz o texto, optaram pela remessa de juros sobre capital próprio para aproveitar o real supervalorizado e enviar recursos para fora do país. Há também a isenção de imposto de renda na remessa de lucros e dividendos ao exterior. Outros grandes capitais tiraram partido da dedução de juros sobre o capital. O estratagema, ”único no mundo”, é socialmente perverso, ”porque o rendimento do capital acaba não sendo submetido à tributação progressiva, mas apenas à proporcionalidade, o que fere os princípios da igualdade e da progressividade estabelecidos pela Constituição Brasileira de 1988”.

Já a arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre os Rendimentos do Trabalho alcançou R$ 39,6 bilhões no ano passado, um aumento de 5,5% acima da inflação, acima também do crescimento da massa salarial, que foi de 5,04%, apesar do reajuste de 8% na tabela do IR.

Conclusão do estudo técnico: ”O Estado brasileiro vem praticando uma renúncia fiscal a favor da renda do capital”. Foi o que Adib Jatene disse, com menos números e mais ênfase, ao apontar o dedo para o presidente da Fiesp. Isto é também o que será preciso discutir, para começo de conversa, no dia em que o Brasil tiver a coragem de enfrentar para valer a questão crucial da reforma tributária. Para começo de conversa, porque Jatene, ao passar sua descompostura em Skaf, menciona também a taxação da riqueza e da herança, que trabalho do Unafisco não menciona.

Por Bernardo Joffily

Site do PC do B

Rizzolo: É como eu sempre digo, e fico feliz ao saber que o Dr. Jatene, pai da CPMF, cerra fileira na luta contra o egoísmo perverso da elite, principalmente paulistana, que não gosta de pagar imposto, é insensível à população pobre, e tentar golpear o governo e aos avanços sociais. Como é possível, o camarada empresário, (e não estou falando especificamente do Skaf) que não sabe o que é miséria, tem a sua disposição os melhores médicos, viaja ao exterior à vontade, disponibiliza as melhores escolas aos seus filhos, se alimenta adequadamente, gasta com roupas de grife, tem empregados que lhe servem, e ainda, não quer pagar impostos ? Ou se quer, quer um tipo de imposto que ele possa sonegar, enganar, dissimular a União para que não transfira essa renda ao pobre. Isso é justo? Não, isso é antipatriótico, amoral, e merece um dedo em riste sim, ou voltar ater aulas de catecismo, na primeira igreja que encontrar. Vergonhoso, não?

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Governo protege nova província petrolífera do 9º leilão da ANP

Ordem determina que “a ANP exclua os blocos situados nas bacias do Espírito Santo, de Campos e de Santos” que fazem parte das novas reservas descobertas pela Petrobrás

Adecisão do presidente Lula em retirar 41 blo-cos da Nona Rodada de Licitação da Agência Nacional de Petróleo (ANP) foi tão importante quanto a própria descoberta da megajazida de óleo leve no campo de Tupi, ao deixar claro que a prioridade é “preservar o interesse nacional”.

Assim, em função da “descoberta da nova província petrolífera”, a reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), com a participação do presidente da República, decidiu “determinar à ANP que exclua da Nona Rodada de Licitações os blocos situados nas bacias do Espírito Santo, de Campos e de Santos, relacionadas às possíveis acumulações em reservatórios do Pré-sal”. Decidiu também que sejam efetuados estudos “no prazo mais curto possível”, para “as mudanças necessárias no marco legal que contemplem um novo paradigma de exploração e produção de petróleo e gás natural”.

Desde a aprovação da Lei Nº 9.478/97, a ANP tem se esmerado na tentativa de entregar para o cartel das Sete Irmãs – hoje reduzidas a quatro – o petróleo já devidamente mapeado pela Petrobrás. Tal lei, através da qual foi criada a ANP, repassou à agência a “regulação” das atividades econômicas ligadas ao petróleo, que tem se resumido à realização de leilões de blocos petrolíferos. Inclusive, na 8ª Rodada, a ANP chegou ao cúmulo de criar restrições para impedir que a Petrobrás adquirisse mais de 11% dos blocos ofertados.

Porém, mesmo com essa aberração imposta na gestão de Fernando Henrique, foi a Petrobrás quem garantiu a auto-suficiência nacional em Petróleo e agora coloca o Brasil no patamar dos países com maiores reservas petrolíferas mundiais. Como diz o comunicado da estatal, “o Brasil está diante da descoberta de sua maior província petrolífera, equivalente às mais importantes do mundo”. A Petrobrás informou ainda que o volume descoberto no campo de Tupi representa apenas “uma pequena parte da nova fronteira”. Segundo presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, caso sejam confirmadas as projeções de jazidas de petróleo e gás abaixo da camada de sal – do Espírito Santo a Santa Catarina, com 800 km de extensão e 200 km de largura, em lâmina d’água entre 2 e 3 mil metros de profundidade – as reservas brasileiras poderão atingir até 100 bilhões de barris.

Em nota à imprensa comunicando a nova descoberta, a Petrobrás diz que “cerca de 25% da área de ocorrência das rochas do pré-sal já estão concedidas pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis a várias empresas petrolíferas sob a forma de blocos exploratórios e concessões de produção”.

Ou seja, enquanto a estatal brasileira realiza os investimentos para desenvolver a tecnologia necessária – é a única empresa, até o momento, que perfurou, testou e avaliou rochas abaixo da camada de sal – e realizar a perfuração dos 15 poços (US$ 1 bilhão) que atingiram as camadas pré-sal, entre 5 mil e 7 mil metros de profundidade, para ampliar as reservas do país, a ANP atua no sentido oposto, ou seja, para entregar áreas com alto potencial de ocorrência de jazidas de petróleo aos monopólios privados estrangeiros.

Nesse sentido, enquanto os ministros Nelson Hubner (Minas e Energia) e Dilma Rousseff (Casa Civil) e a diretoria da Petrobrás defenderam na reunião do CNPE a suspensão da 9ª Rodada marcada para os dias 27 e 28 próximos, o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, advogou pela manutenção do leilão.

Desde sua criação em 1953, “a Petrobrás descobriu no Brasil 25 bilhões de barris de petróleo e gás natural, dos quais já foram produzidos 11 bilhões de barris. As atuais reservas provadas brasileiras são de 14 bilhões de barris. A maior parte deste petróleo e gás natural está localizada em camadas geológicas denominadas ‘pós-sal’”, informa a estatal, destacando ainda que “a partir de 2003, a Petrobrás expandiu suas atividades e buscou novas fronteiras exploratórias. Em decorrência desse esforço, a Companhia apropriou reservas de 9 bilhões barris, nos últimos 5 anos”.

Esforço esse que implicou em perseguir o objetivo para o qual foi criada a companhia, desde que foi criada por Getúlio, que é de atender a necessidade de todo o povo brasileiro – o que significa investir cada vez mais para ampliar as nossas reservas de petróleo e gás -, ao contrário da mentalidade em vigor durante o governo tucano, de que a Petrobrás deveria preferencialmente ampliar os lucros para benefício de acionistas e “parceiros”.

VALDO ALBUQUERQUE
Hora do Povo

Rizzolo: O diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, é um árduo defensor das quatro irmãs, como não podia deixar de ser, está comprovado que essas “agências reguladoras” servem apenas para regular as atividades do capital internacional; enquanto a Estatal brasileira se desdobra em perfurar, testar e avaliar rochas abaixo da camada de sal – e realizar a perfuração dos 15 poços (US$ 1 bilhão) que atingiram as camadas pré-sal, entre 5 mil e 7 mil metros de profundidade, para ampliar as reservas do país, o camarada Haroldo quer entregar áreas com alto potencial de ocorrência de jazidas de petróleo aos monopólios privados estrangeiros. Foi com muito bom senso, que o governo retirou os 41 blocos da Nona Rodada de Licitação da Agência Nacional de Petróleo. (ANP). Está na hora dos privateiros pensarem mais no povo brasileiro, ao invés de prestigiarem a ampliação do lucro beneficiando apenas acionistas e “parceiros”. Uma vergonha !

Daniel Ortega: “a empresa espanhola Unión Fenosa atua na Nicarágua como uma máfia”

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, em seu discurso na Cúpula Ibero-americana criticou a atuação de empresas espanholas, recheadas com capitais norte-americanos, que chegaram à América Latina, em conluio com governos entreguistas como o de Carlos Menem, na Argentina, FH, no Brasil, Vicente Fox, no México.

“A empresa espanhola Unión Fenosa chegou a Manágua para ajudar, diziam eles, a que a energia chegasse a todo o país. Até prometiam que o preço seria controlado e tudo mais. Chegou com os governos capachos. Nós não teríamos deixado entrar a Unión Fenosa, não teríamos entregue a distribuição da energia”, assegurou o dirigente nicaragüense.

“Os governos que nos precederam entregaram a geração de 47% da energia a empresas privadas”, mas “as multinacionais não compraram as empresas geradoras que estavam em mau estado, compraram mediante atos de corrupção, as empresas geradoras que estavam em bom estado a preços irrisórios. Nelas ganharam em um ano o total que pagaram pela empresa”, assinalou Ortega.

“São uma máfia. É uma estrutura mafiosa, táticas de gangsteres dentro da economia global, na qual nossos países são vítimas por responsabilidade dos [governos] capachos”, prosseguiu. Ortega afirmou que 90% dos nicaragüenses são contra a Unión Fenosa.

INTROMISSÃO

Também, se referiu à atuação de “embaixadores espanhóis” antes das eleições em seu país e denunciou que reuniram “na embaixada da Espanha, cooperando com a embaixada e os agentes dos EUA, as forças de direita para uni-las contra a Frente Sandinista”.

Hora do Povo

Rizzolo: Esta ficando cada vez mais patente que junto com as empresas espanholas, que se instalam na América Latina, vem a reboque o aparato e lobby golpista, visando influenciar governos, com o intuito de manter seus privilégios nos respectivos países. Não bastasse o ” arrastão ” que promovem nas indústrias nacionais, como fizeram no Brasil, beneficiando-se de subsídios do governo espanhol, segundo o texto, ainda tentam manipular e influenciar nas políticas dos países em que atuam. Como denunciou Ortega, em relação à intromissão espanhola, “embaixadores espanhóis” antes das eleições em seu país reuniram “na embaixada da Espanha, cooperando com a embaixada e os agentes dos EUA, as forças de direita para uni-las contra a Frente Sandinista”.

O Petróleo, o Etanol, e a fome

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Por uma obra do destino, o neoliberalismo não conseguiu a tempo lançar mão da Petrobras, como ocorreu com a argentina YPF, que sucumbiu nas mãos de Carlos Menem e foi abocanhada pela espanhola Repsol. As perguntas que devemos fazer nesse momento político brasileiro, é de que forma a Petrobras, se confirmada a extensão e o potencial da reserva da Bacia de Santos, irá reverter essa receita ao povo brasileiro. Poderíamos também perguntar, de que maneira a União que detêm o monopólio do Petróleo, destinaria e drenaria os recursos em prol das demandas sociais, como hoje se convertem os recursos na Venezuela advindos da extração. Não há mais espaço para análises de desenvolvimento puramente industrial e tecnológico sem levar em conta que o objetivo da Estatal é o bem-estar público e não apenas o lucro.

Nesse esteio de raciocínio, poderíamos traçar uma análise num outro combustível gerador de energia, que de certo modo mais envolvido está com o trabalhador pobre, que é o Etanol. Não temos hoje uma regulamentação de que como a expansão dos canaviais, das usinas, das terras, serão ajustadas com as demandas e necessidades das condições de trabalho dos trabalhadores rurais, muitos dos quais trabalham em regime de semi escravidão. Na análise conjuntural entre as novas disponibilidades energéticas o ser humano deve ser priorizado se sobrepondo ao lucro, e à especulação internacional. Hoje o Brasil é visto como um centro de investimento puramente mercantil, e a proteção ideológica trabalhista ainda é frágil, haja vista, que comtemplamos ainda discussões como a Emenda 3 que visa criar a lei da selva nas relações trabalhistas.

É exatamente nesse momento em que a possibilidade do lucro atrai transnacionais e o capital, é que devemos nos lembrar o significado da arrecadação dos recursos nesse país. Quando o ex. secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, depôs na CPI dos Bancos, ele revelou números estarrecedores. Das 530 maiores empresas do país, metade não paga Imposto de Renda (IR). O mesmo ocorre com os bancos. Das 66 maiores instituições financeiras, 42% não recolhem IR. A Receita Federal tinha, na ocasião, R$ 115 bilhões a receber em impostos devidos pelas empresas que não foram pagos por causa do que Maciel chamou de “indústria de liminares”. No sistema financeiro, 34% dos débitos reconhecidos com a Receita Federal estavam com o pagamento suspenso por causa de liminares. Sem contar com as remessas de lucros e dividendos das empresas multinacionais que são isentas de Imposto de Renda.

O próprio mercado, na busca cega do lucro, rendeu sua homenagem à Petrobras: em dois dias as ações da empresa na Bolsa de Valores de São Paulo tiveram alta de 16,44%. Seu valor internacional de mercado alcançou US$ 221,9 bilhões, ultrapassando gigantes como a Procter & Gamble, a Google, a Berkshire Hathaway e a Cisco Systems, e isso nos leva a refletir que desenho de desenvolvimento teremos ao povo brasileiro, e de que forma encontraremos mecanismos quer em relação ao Etanol, quer ao Petróleo, para levarmos as riquezas do solo brasileiro ao nosso povo, que pouco recebe, e que pouco se alimenta dos frutos dessa terra, face à miséria e o desalento que reina desde a época de Monteiro Lobato, em que as pessoas exclamavam pelas ruas, dizendo que o Petróleo era nosso !

Fernando Rizzolo

Rei não agüenta ouvir de Chávez que seu premiê apoiou o golpe

Embora nem sempre seja preciso enunciá-la por completo, Chávez só falou a verdade. Aznar é fascista mesmo e todo mundo sabe que só os embaixadores dos EUA e da Espanha prestigiaram, em 2002, a cerimônia de posse da efêmera junta civil-militar que rasgou a Constituição venezuelana, prendeu o presidente da República, fechou o Congresso, o Judiciário, mas borrou-se de medo ao dar de cara com o povo bolivariano nas ruas e fugiu para Miami. Porém, sua majestade achou que tinha o direito de mandar o presidente Chávez “calar a boca”. Tanto não tinha que quem acabou se retirando do plenário da 17ª Cúpula Ibero-Americana foi ele. Já a mídia golpista elogiou a atitude da peça viva de museu, que, em pleno século 21, responde pelo nome de Rei Juan Carlos. Tudo em nome da “democracia”, é lógico.

Países ibero-americanos defendem progresso com soberania e justiça

Chefes de Estado e de governo de 22 países reunidos de 8 a 10 últimos em Santiago do Chile na Cúpula Ibero-americana repeliram o embargo dos EUA a Cuba e defenderam um crescimento econômico independente e com justiça social

Após três dias de debates, os chefes de Estado e de Governo de 22 países aprovaram no sábado, dia 10, a Declaração de Santiago do Chile, um documento de 24 pontos com as resoluções da XVII Cúpula Ibero-americana, que estabelece os compromissos para garantir um crescimento econômico sustentado, independente e de inclusão social na região e repeliu o embargo dos EUA a Cuba.

Os líderes também assinaram um plano de ação e 10 comunicados anexos entre os quais se destacam a exigência de acabar com o embargo dos Estados Unidos contra Cuba por ser “uma política contrária ao direito internacional”, e o respaldo às aspirações da Argentina de recuperar as Ilhas Malvinas, ocupadas pela Inglaterra.

Os 19 países latino-americanos, mais Espanha, Portugal e Andorra, em outro comunicado especial condenaram o tratamento de aberta impunidade dispensados pelos EUA ao terrorista cubano-venezuelano, Luis Posada Carriles, responsável pela explosão de um avião cubano em 1976 sobre Barbados, em que morreram 73 pessoas.

O documento principal condensou os debates do encontro em que os dirigentes frisaram a necessidade de mudanças na política que levou os países a uma situação insustentável de miséria e o expressivo avanço imprimido pelos governos progressistas na região. “Não há como existir coesão entre nossas nações sem transformações profundas no estado em que vivem nossos povos”, sublinhou o presidente venezuelano, Hugo Chávez, com a concordância da maioria dos chefes de Estado. O texto aprovado enumera princípios gerais, e recolhe compromissos “para progredir e alcançar níveis crescentes de inclusão, justiça, proteção e assistência social e solidariedade”, além de avançar para a igualdade de direitos entre as mulheres e os homens, assim como acelerar a vigência de normas justas na previdência e seguridade social.

ACORDOS

Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Bolívia, Evo Morales, realizaram uma bilateral para detalhar os acordos que estão sendo detalhados sobre novos investimentos da estatal Petrobrás no país irmão e que permitirão ampliar a exportação de gás. Lula também realizou o anúncio da recente descoberta de reservas de petróleo entre 5 e 8 bilhões de barris de óleo leve, segundo dados da Petrobrás. O presidente brasileiro declarou seu interesse de ingressar na OPEP, logo que o país se tornar exportador de petróleo, fato certo em poucos anos. “Obviamente, temos a intenção de participar no foro em que podem se decidir políticas para o mundo inteiro”, disse.

Evo encontrou-se com a anfitriã da reunião, a presidente chilena Michelle Bachelet, com uma pauta de 13 pontos. Destacaram o trabalho conjunto em busca da normalização das relações diplomáticas entre os dois países, rompidas há 29 anos, e avançaram na análise do pedido boliviano de uma saída ao oceano Pacífico. Desde a posse de Evo, ocorreram três encontros presidenciais, depois de anos de esfriamento das relações.

O presidente equatoriano, Rafael Correa, informou em sua mensagem radiofônica dos sábados, que foi transmitida desde Santiago, que a assinatura da criação do Banco do Sul se realizará no dia 10 de dezembro, como estava previsto, mas na Argentina, e não na Venezuela.

Correa acrescentou que os chefes de Estado da região acertaram que o documento seja assinado em Buenos Aires, no dia em que Cristina Fernández de Kirchner assumirá a presidência. O Banco será formado, em princípio, pelo Brasil, Venezuela, Argentina, Colômbia, Equador, Bolívia, e Paraguai.

“É um imenso passo na integração latino-americana e sobre tudo sul-americana para financiar nossos projetos de desenvolvimento, e acabar com os projetos a controle remoto como os que nos impunha o FMI e o Banco Mundial, que nos quebraram”, manifestou.

Correa, reforçado por declarações do presidente Hugo Chávez, convocou os países da região a que pensem em aplicar no Banco do Sul suas reservas monetárias, que hoje ficam nos Estados Unidos, e que somam na atualidade cerca de 450 bilhões de dólares.

JUAN CARLOS

No sábado, último dia da Cúpula Ibero-americana, durante a intervenção do presidente do governo espanhol, José Luis Zapatero, aconteceu a polêmica com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, na qual acabou se envolvendo, de forma pouca diplomática, o rei espanhol Juan Carlos.

José Zapatero disse em seu pronunciamento que “um país nunca poderá avançar se busca justificações de que alguém de fora impede seu progresso”. O presidente venezuelano, diante dessa afirmação, pediu um aparte e fez algumas ponderações, levando em conta a história na América Latina e sua própria experiência. “Não se pode minimizar o impacto dos fatores externos”, contrapôs Chávez, se referindo à participação do governo dos Estados Unidos no golpe contra Salvador Allende, no Chile, e ao apoio de Aznar ao golpe no ano 2002, tramado pelos EUA em conluio com a oligarquia venezuelana. Para reforçar sua linha de raciocínio, de que existem forças externas que jogam contra o desenvolvimento soberano dos países, Chávez revelou no aparte a Zapatero dados sobre uma conversa que manteve com o então presidente do governo espanhol em julho de 1999. Aznar lhe dissera: “Venho te convidar para que te juntes ao nosso clube, você tem petróleo, deves te incorporar ao primeiro mundo, basta que você o decida, já que tens um forte apoio popular e político”.

“Mas eu tinha que deixar as relações com Cuba. Aznar me disse que não me convinha a amizade com Fidel Castro, um exemplo de dignidade, de luta, de resistência a um império”, contou Chávez. Prosseguindo, o chefe de governo venezuelano relatou: “E o que acontece com os países pobres, como Haiti, os da América Central ou da África?”, ao que Aznar respondeu: “Esses se ferraram”. “Esse é o rosto mais forte do fascismo e do racismo”, concluiu Chávez.

Zapatero retomou então a palavra para pedir “calma” a Chávez e exigir “respeito para com Aznar porque, embora seja uma pessoa com a qual compartilhe ideais”, ele tinha sido “eleito pelos espanhóis”, esquecendo que o neo-franquista ignorou olimpicamente a vontade desse povo, que se manifestou aos milhões nas ruas contra a presença de soldados espanhóis no Iraque, fato que se expressou na acachapante derrota que colheu nas urnas em 2004.

RESPEITO

Foi nesse momento, quando Chávez pediu o mesmo respeito para seu governo e seu povo, exigindo o fim da ingerência na política de seu país, que o rei, levantando o dedo, disse mal-humorado: “Por que você não se cala?”

O presidente Chávez reconheceu mais tarde que ele, naquele momento concentrado na troca de idéias com Zapatero, não escutou a frase do rei. “Teve sorte o senhor rei, que eu não o ouvisse”, disse, acrescentando que teria lhe respondido: “Se eu me calasse, gritariam até as pedras dos povos da América Latina, que estão dispostos a ser livres de todo colonialismo depois de 500 anos”, em referência uma conhecida passagem bíblica.

O rei espanhol acabou por retirar-se da reunião durante o discurso seguinte, o do presidente da Nicarágua (ver matéria ao lado), quando o líder sandinista fez duras críticas a empresas espanholas que “atuam no país como uma máfia e usam táticas de gangsters”.

Aí foi demais para o monarca. Juan Carlos levantou-se e saiu.

SUSANA SANTOS

Hora do Povo

Rizzolo: O ex. primeiro-ministro direitista da Espanha José María Aznar foi um especialista em dar maus conselhos, segundo Fidel Castro, Aznar foi um aliado dos EUA em genocídios e massacres, tinha se reunido com o presidente Bill Clinton em 13 de abril de 1999, num momento incerto da guerra contra Iugoslávia, e lhe expressou textualmente: “Se estamos numa guerra, façamo-la completamente, para ganhá-la toda e não só um pouco. Se precisamos persistir durante um mês, três meses, façamo-lo. Não entendo por que não bombardeamos ainda a rádio e a televisão sérvias”. Não há dúvida que o camarada Aznar não merece uma defesa tão veemente por parte do rei espanhol Juan Carlos e do primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, mais conhecido como Bambi. Que conversa é essa? Juan Carlos é um reacionário especialista em opressão, que impõem a monarquia aos países catalães, e não abre o debate ao povo sobre essa imposição. Pequenos episódios revelam o conflito latente entre os espanhóis e seu rei. Já em 1981, quando do frustrado golpe contra o Parlamento Espanhol, o comportamento de sua majestade deixou dúvidas. Ele levou algumas horas antes de se definir pela legalidade democrática. Para muitos, o golpe chefiado por Millan del Bosch pretendia que todos os poderes fossem conferidos a Juan Carlos, em um franquismo coroado.

A defesa do rei denota seu caráter belicista e antidemocrático. A 17ª Cúpula Ibero-Americana, é espaço de discussão e de liberdade de expressão, contudo, a velha Europa colonialista, insiste em ” mandar calar a boca” dos líderes da América Latina, como que se quisessem nos colocar ” no nosso lugar “. O vice-presidente da Venezuela, Jorge Rodríguez, neste domingo, classificou como “vulgar e grosseira” a atitude. “Não pode vir ninguém com a grosseria e a vulgaridade de mandar o chefe do Estado venezuelano calar a boca, que não será calada por nada nem ninguém”. Como sempre digo, os que não gostam da democracia, gritam, mandam calar a boca, e não apreciam ouvir as verdades. Esses são os ” democratas “.