Europa e América Latina perdem mercado nos EUA

As mudanças macroeconômicas dos últimos meses já estão alterando o padrão de compras externas norte-americanas. Ao longo do ano de 2007 todas as regiões do mundo aumentaram suas exportações para os EUA, menos a América Latina. Nos últimos três meses, porém, os dados mostram que as importações norte-americanas estão caindo rapidamente em relação à zona do euro e, em menor intensidade, em relação a alguns países da Ásia, como o Japão. O grande ganhador desse cenário parece ser a China.

No terceiro trimestre, as importações norte-americanas vindas da zona do euro registraram quedas mensais: de US$ 24,1 bilhões, em julho, para US$ 23,2 bilhões em agosto e US$ 20 bilhões em setembro. No mesmo período, a China vendeu US$ 28,5 bilhões, US$ 28,4 e US$ 29,3 bilhões, de julho a setembro.

O déficit com a China cresceu 5,5% em setembro, para US$ 23,8 bilhões, o segundo maior já registrado. Neste ano, a China mandou mais produtos para os EUA do que o Canadá, maior parceiro comercial americano.

“Os europeus foram duramente afetados pela valorização de sua moeda”, disse Nigel Gault, economista-chefe para os EUA da Global Insight. Só neste ano, a moeda única européia acumula uma valorização superior a 11% ante o dólar. Isso tende a causar problemas para as empresas européias mais voltadas à exportação, reduzindo a competitividade de seus produtos.

As autoridades da União Européia aparentemente vêm acusando o golpe, voltando o foco para a China. Na semana passada, por exemplo, o comissário de Comércio, Peter Mandelson, reclamou da falta de valorização do yuan.

Mas não são só os europeus que perderam espaço. As vendas do Japão para o mercado americano mostram também um declínio do começo para o fim do trimestre: de US$ 12,8 bilhões para US$ 11,4 bilhões. A América do Sul também registrou uma tendência parecida. As exportações para os EUA ficaram entre US$ 11,3 bilhões e US$ 12,1 bilhões no terceiro trimestre, com baixa em setembro.

Projeção de perdas

Segundo um estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, o Brasil perdeu para a China mais de US$ 1 bilhão em exportação para os EUA. A entidade estima que, em dez anos, o país pode perder para os chineses metade do que vende aos norte-americanos.

Para os EUA, entretanto, o mês de setembro não foi apenas de aumento do déficit comercial em relação aos chineses: o déficit comercial total diminuiu 0,6%, para US$ 56,4 bilhões, o nível mais baixo dos dois últimos anos. Após um déficit de US$ 56,804 bilhões em agosto, a maioria dos analistas esperava que o déficit comercial subisse em setembro para US$ 59,3 bilhões. Entre janeiro e setembro deste ano, os EUA registraram déficit comercial de US$ 527,5 bilhões, comparado aos US$ 581,6 bilhões do mesmo período de 2006.

Impulsionadas pela intensa desvalorização do dólar, as exportações dos EUA subiram 1,1% em setembro.

Fonte: Valor Econômico

Rizzolo:É claro que a política econômica é a responsável por isso, com o yuan desvalorizado fica realmente difícil para qualquer economia fazer frente à China. Com a valorização do Euro, a prejudicada Europa não exporta na quantidade devida, e na América Latina e mais precisamente ao Brasil, a política do BC impede que as nossas exportações se expandam. Não há dúvida que com os juros estratosféricos, a quantidade de especuladores no mercado, inundam de dólares a nossa economia, fazendo com que o dólar se valorize. Temos que urgentemente promover a queda dos juros, e de alguma forma intervir no câmbio, para que as nossas exportações progridam e recuperem segmentos que hoje vivem estrangulados face à valorização cambial.

Precisamos gerar 4 milhões de empregos por ano, e por mais que as entidades patronais, e sindicais insistam no erro da política econômica, a banca internacional quer ” segurar o país” auferindo lucros financeiros que de nada acrescentam à economia brasileira, vez que esse dinheiro não é injetado nos meios de produção. Assim subsidiamos indiretamente, empregos na China, e o pobre empresário brasileiro é mais uma vez esquecido, e como troféu recebe alguns “prêmios de consolação” como esses recursos que visam recompensar segmentos prejudicados pela valorização cambial. Uma vergonha !

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A volta de um Estado forte ?

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Entre a constatação da notável capacidade da Estatal Petrobras em avançar na descoberta de novas reservas no país, somos surpreendidos a cada dia mais como a importância da presença do Estado está se cristalizando nas sociedades em geral. Não há paradigma melhor do que opinião daqueles que vivenciaram a experiência socialista, e que hoje vislumbram a falta de ” segurança social”, que impera nos países que outrora erma marcos socialistas. Em pesquisa, com intuito de marcar a data da queda do Muro de Berlim, o Der Spiegel, divulgou neste sábado (10), uma análise política investigativa com mil alemães que cresceram nos dois lados do país dividido até 9 de novembro de 1989. A conclusão, para desespero do semanário alemão, é que, mesmo depois de 18 anos da queda do muro, 92% dos germânicos orientais, de 35 a 50 anos, ainda preferem o regime comunista ao capitalista. Já 60% dos jovens, de 14 a 24 anos que moram no Leste, lamentam que nada tenha restado do comunismo na sua pátria. Outra referência nesse sentido, é a manifestação com 50 mil pessoas pessoas em Moscou (Rússia), no último dia 7 de novembro, por ocasião das comemorações dos 90 anos da Revolução Russa, o que denota o quanto por a ainda existe o sentimento da presença do estado como protetor e gerador de desenvolvimento.

Na América Latina explodem as correntes de pensamento social onde rechaçam o conceito do estado mínimo, apregoado pelos amantes de Adam Smith que hoje estão falando sozinhos. Levantamento ” Estado /Ipsos” indica que 62% do eleitorado brasileiro é contra as privatizações; a percepção dos brasileiros é que as políticas conservadoras privatistas, pioraram os serviços prestados à população. Fica patente que, muito embora, o desmantelamento do Estado se processou num ritmo acelerado, face às influências imperialistas e à apregoações das mídias comprometidas, a população mundial ainda aprova um Estado forte e presente. Hoje, podemos conviver com um desenvolvimentismo atrelado a um socialismo sem o menor problema, países europeus com um Estado forte como a França e a Inglaterra jamais abrem mão das políticas públicas como na Saúde e educação, e outras áreas nobres do desenvolvimento social.

No Brasil, por influência daqueles que visam apenas o lucro, o Estado foi induzido a um sucateamento, visando seu ” raquitismo”, para que grupos tomassem de assalto, certos segmentos importantíssimos como a Saúde, que se tornou no Brasil ” bem de comércio”, ficando a população brasileira reféns dos famosos Planos de Saúde. Na educação, nem se fale, a Escola Pública tornou-se local onde transitam marginais que corrompem aqueles bem-intencionados estudantes pobres, a falta de professores salta aos olhos, e a conservação dos prédios é em geral precária, o que forçosamente leva à população, que tem recursos, ao ensino privado, onde por uma quantia absurda pode -se ter um ensino medíocre na maioria dos casos, deixando os estudantes pobres abandonados, vítimas ainda de uma política, da chamada ” ignorância continuada “.

A inclusão dos 45 milhões de brasileiros nos programas sociais leva aos jovens que estão vivenciando essa experiência a ter sim uma idéia de que o antigo modelo se bem aplicado, e longe das mãos daqueles que querem destrui-lo visando interesses próprios, funciona sim e muito bem, haja vista, o orgulho que temos de ostentarmos empresas como a Petrobras, que geram desenvolvimento e que por felicidade não caíram nas mãos dos privateiros, mas que eles tentaram, tentaram.

Fernando Rizzolo

Confronto entre rei espanhol e Chávez encerra cúpula no Chile

A 17ª Cúpula Ibero-Americana chegou ao fim no sábado, em Santiago, com uma disputa pública entre o rei da Espanha e o presidente venezuelano, deixando longe a imagem de coesão que o encontro visava.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, foi protagonista da reunião de três dias no Chile e, durante a sessão de encerramento, irritou o rei Juan Carlos e o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, por haver chamado o ex-primeiro-ministro, José Maria Aznar, de “fascista”.

“Por que não se cala?”, gritou o rei para Chávez, apontando-o com o indicador, quando o líder venezuelano tentava interromper Zapatero, que pedia respeito por Aznar. O monarca saiu por alguns momentos da sala depois do enfrentamento com Chávez.

“Pode-se discordar radicalmente de tudo, respeitando-se às pessoas”, disse Zapatero, provocando o aplauso dos chefes de governo presentes à sessão da cúpula, marcada pela fricção e debates entre os vários governantes.

Como anfitriã, a presidente chilena, Michelle Bachelet, disse em entrevista à imprensa que as disputas refletiram a “diversidade” das posturas e o aspecto “apaixonado” da reunião.

“O debate não tem de assustar ninguém. Não há que se dramatizar os debates”, disse Bachelet.

Apesar das brigas, os líderes ibero-americanos conseguiram fechar acordos e aprovaram a “Declaração de Santiago”, que prevê a formulação de ações para aumentar a coesão social entre os países do bloco.

Tensão entre presidentes

Ainda que os presidentes da Argentina, Néstor Kirchner, e do Uruguai, Tabaré Vázquez, não tenham participado do encerramento da cúpula, o tema ambiental os colocou em confronto na véspera, ao discutirem a abertura de uma fábrica de papel na fronteira entre os dois países.

Kirchner acusou Vasquez, em plena sessão, por ter permitido o início das operações de uma usina de celulose, e desculpou-se com o rei da Espanha por ter pedido sua intermediação no problema que os dois países arrastam há anos.

No sábado, em uma entrevista a jornalistas, Zapatero pediu novamente aos dois países sul-americanos para que retomem o diálogo interrompido com o conflito, que resultou no fechamento temporário de uma ponte fronteiriça e em uma nota diplomática de protesto enviada pela Argentina ao Uruguai.

Antes da última sessão plenária do sábado, vários presidentes aproveitaram para realizar reuniões bilaterais. Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, encontrou-se com o presidente da Bolívia, Evo Morales, e com o vice-presidente de Cuba, Carlos Lage.

O tema do petróleo e da alta dos preços do combustível foram também abordados no fórum, com a previsão do presidente venezuelano de que continuarão subindo. O presidente Rafael Correa, do Equador, concordou com essa avaliação.

“O preço do petróleo continuará em alta por uns cinco ou seis anos, por conta da demanda de países com China e Índia e pelos problemas do Iraque”, disse Correa em entrevista à Reuters.

Folha online

Rizzolo:O ex. primeiro-ministro direitista da Espanha José María Aznar foi um especialista em dar maus conselhos, segundo Fidel Castro, Aznar foi um aliado dos EUA em genocídios e massacres, tinha se reunido com o presidente Bill Clinton em 13 de abril de 1999, num momento incerto da guerra contra Iugoslávia, e lhe expressou textualmente: “Se estamos numa guerra, façamo-la completamente, para ganhá-la toda e não só um pouco. Se precisamos persistir durante um mês, três meses, façamo-lo. Não entendo por que não bombardeamos ainda a rádio e a televisão sérvias”. Não há dúvida que o camarada Aznar não merece uma defesa tão veemente por parte do rei espanhol Juan Carlos e do primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, mais conhecido como Bambi. Que conversa é essa? Juan Carlos é um reacionário especialista em opressão, que impõem a monarquia aos países catalães, e não abre o debate ao povo sobre essa imposição. A defesa do rei denota seu caráter belicista e antidemocrático. A 17ª Cúpula Ibero-Americana, é espaço de discussão e de liberdade de expressão, contudo, a velha Europa colonialista, insiste em ” mandar calar a boca” dos líderes da América Latina, como que se quisessem nos colocar ” no nosso lugar “. Como disse o vice-presidente da Venezuela, Jorge Rodríguez, neste domingo, afirmando “vulgar e grosseira” a atitude. “Não pode vir ninguém com a grosseria e a vulgaridade de mandar o chefe do Estado venezuelano calar a boca, que não será calada por nada nem ninguém”. Como sempre digo, os que não gostam da democracia, gritam, mandam calar a boca, e não apreciam ouvir as verdades. Esses são os ” democratas “.

A educação liberta

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Isaac abençoando Jacó

A porção semanal do Antigo testamento desta semana chama-se Toldot, inicia-se com Yitschac (Isaac) e Rivca (Rebeca) rezando a D’us por um filho. Finalmente Rivca concebe, e após uma gravidez difícil dá à luz gêmeos – Essav (Esaú) e Yaacov (Jacó). Suas diferenças de personalidade logo se tornam aparentes, quando Essav se volta às caçadas, enquanto Yaacov é puro e ingênuo, passando o tempo no estudo de Torá.

Voltando de uma expedição de caça, exausto e faminto, Essav encontra Yaacov preparando uma panela de sopa de lentilhas. Yaacov concorda em dar ao irmão mais velho uma porção do pote de sopa, em troca de seu direito à primogenitura, e o acordo é completado.

Em face a uma terrível escassez, D’us diz a Yitschac para permanecer na Terra de Israel, ao invés de descer ao Egito como seu pai Avraham o fizera anos antes, por isso Yitschac e sua família se estabelecem em G’rar, (a terra dos filisteus, que fica dentro das fronteiras de Israel). D’us reafirma a Yitschac que seus descendentes irão tornar-se uma grande nação, tão numerosa quanto as estrelas do céu.

Após conseguir incrível sucesso financeiro, Yitschac entra em contínuo desentendimento com o rei Avimelech sobre os poços que Yitschac cavara novamente. Entretanto, finalmente chegam a um acordo, e o tratado que foi assinado entre Avimelech e Avraham é reconfirmado.

Muitos anos mais tarde, Yitschac decide abençoar Essav como primogênito. A uma ordem de Rivca, Yaacov se disfarça como se fosse seu irmão mais velho e recebe a bênção do primogênito (que por direito lhe pertence). A porção termina com Yaacov fugindo da ira de Essav por “roubar” sua bênção e escapa para Charan para ficar com o irmão de sua mãe, Lavan, onde encontrará uma esposa.

O que podemos deduzir desta Parashat? Observem que nos dois irmãos gêmeos havia diferenças na personalidade, Essav era voltado às caçadas, enquanto Yaacov era puro e ingênuo, passando o tempo no estudo da Torá, ao mesmo tempo em que era protegido e querido pela sua mãe, já Essav era rude, mas agia, transformava, e no fundo Yitschac entendeu que a benção deveria ser dada a Essav e não a Yaacov. Por
que? Muito embora Essav era ruim como pessoa, não possuidor de um bom caráter, transformava, tinha uma atitude pró-ativa, mas por não se ater aos estudos desvirtuou-se, contudo a inteligência e a perspicácia de Yaacov o superou e com auxílio de sua mãe acabou “roubando” a benção de seu pai.

Podemos concluir que sempre existe o bem e o mal, se estivermos bem informados, com uma boa educação, com uma intelectualidade aprimorada, vencemos as adversidades que a vida nos impõe. Um país só se constrói com bases sólidas na educação, no conhecimento. A Internet é um poderoso instrumento de distribuição de informação, e como tudo na vida, existe os que a usam com propósitos de Essav, e outros com a finalidade de Yaacov. A condução de uma política pública educacional nos bairros pobres, nas favelas, na periferia, faz permear os conceitos de dedicação ao estudo tão necessário aos nossos jovens.

No Brasil durante muitos anos a elite impediu que os mais pobres tivessem acesso à educação, através dos poucos recursos que disponibilizavam ao Estado. Talvez vestígios de quatro séculos de escravidão e menos de um século de liberdade. Escravos não estudavam, apenas trabalhavam, e o resultado disso vê hoje quando por falta da atuação no campo educacional do Poder Público, muitos jovens se tornam discípulos de Essav, repetindo uma história antiga.

Fernando Rizzolo

Chávez convida Lula a exportar petróleo a países pobres

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Em discurso na 17ª Cúpula Ibero-Americana, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, propôs nesta sexta-feira (9) que Brasil e Venezuela se unam para vender petróleo até 70% mais barato para países pobres. “Lula, agora que você é magnata petroleiro, que o Brasil tem tanto petróleo, te proponho que nos juntemos nestes mecanismos de cooperação com os países que não têm petróleo, com os países que não têm possibilidade de pagar US$ 100 o barril”, disse Chávez ao o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O petróleo tem enfrentado altas nos últimos tempos, chegando a ser comercializado por US$ 100 o barril. “Não podemos vender petróleo aos países mais pobres a US$ 100. E não só aos mais pobres”, acrescentou. Chávez sugeriu ainda que que os dois países criem uma criem uma PetroAmazônia, a exemplo da Petroandina – aliança entre as estatais energéticas da Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela.

Na quinta-feira, a Petrobras anunciou que novas reservas de petróleo e gás na Bacia de Santos aumentarão em cerca de 50% o potencial do país. Segundo o presidente da estatal, Sérgio Gabrielli, o Brasil passará a ser um dos dez maiores produtores de petróleo do mundo, com um nível equivalente ao de países como Venezuela e Nigéria.

Chávez citou como exemplo de cooperação seu próprio país, que fornece petróleo à Argentina em troca de tratores, maquinário e “vacas prenhas que produzem muito leite”. No caso do Uruguai, a Venezuela recebe softwares e também “vacas que os uruguaios dizem ser melhores que as argentinas”. “Para mim são igualitas”, brincou o presidente venezuelano.

Em outro momento do discurso, comentando o tema central da cúpula deste ano, a coesão social, o presidente venezuelano mencionou as recém-descobertas jazidas brasileiras: “Um caminho pode ser muito coeso de pedras, de asfalto ou desse petróleo que o Lula acaba de conseguir lá no Brasil. Agora o Brasil poderá ingressar na Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo)”.

Resposta

Sobre as propostas de Chávez, o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, declarou que a Petrobras deve estudar a fundo o que fazer com as novas reservas de petróleo da Bacia de Santos. “Vamos examinar”, declarou Garcia. “São coisas que a empresa (Petrobrás) tem que ter autonomia de operação, é ela que vai decidir.”

Garcia, no entanto, apóia a idéia de pensar no desenvolvimento regional de forma conjunta. “Temos que utilizar esses mecanismos nacionais, nossa riqueza em matéria de energia, a riqueza da Venezuela, a da Bolívia em matéria de gás, e também a de outros países, para encontrar uma solução comum”, afirmou. “Nossa idéia é associar o desenvolvimento do Brasil ao de outros países da região.”

Da redação, com agências
Site do PC do B

Rizzolo: A imprensa golpista insinua de forma jocosa as propostas de Chavez em relação às reservas recém descobertas no Brasil. Na realidade, a Petrobras como empresa Estatal, tem por objetivo, não só o lucro a seus acionistas, mas, sim, cumprir o papel social de bem público. As pessoas, de tão embebidas pelo neoliberalismo, esquecem que, a finalidade do bem público, é promover bem-estar àqueles que compõem a nação. Quando Chavez faz a proposta solidária, a faz com o intuito de unir a América Latina nos termos da ALBA, onde a solidariedade está acima do lucro, um conceito diferente do Mercosul.

Talvez Lula ainda não tem absorvido conceitos solidários de desenvolvimento, e por isso, esta de certo modo reticente. Estive na Venezuela e o que mais ouvi em relação à América Latina foi à palavra solidariedade. Temos que refletir e repensar o papel de uma empresa Estatal na sociedade. A transferência de 70% do capital da Petrobras para mãos privadas e estrangeiras foi processada como um papel qualquer de Bolsa, “um fato para nos orgulharmos”, dizia a publicidade na época. Esses papéis estão custodiados em sua maioria no City Bank, que atua como gestor dos Fundos de Pensão, principalmente americanos. O governo brasileiro mantém o controle legal da empresa por meio das ações ordinárias, o planejamento internacional imposto ao País inseriu mais uma nova figura de ação estratégica, às Agências Reguladoras, que passaram a atuar, não mais em consonância com o Estado brasileiro e sim, com o capital internacional globalizado. Essa é a Petrobras de hoje, o lucro acima de tudo. Uma vergonha, não é?

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Meirelles defende ‘lucro justo’ dos banqueiros cevados pelo juro alto

“É importante mencionar que os lucros dos bancos estão menores relativamente às grandes empresas”, disse o presidente do BC na Câmara

Com a explanação e as “respostas” do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, na audiência pública na Câmara dos Deputados, dia 30, ficamos sabendo que os resultados alcançados pela economia brasileira se deram em função dos juros estratosféricos. O aumento do PIB, as exportações, a recuperação do salário mínimo, a expansão dos investimentos e do crédito consignado, a desoneração da indústria da construção civil foram devidamente capitalizadas como resultantes da política monetária. Só faltou creditar ao Banco Central a decisão do presidente Lula em destravar a economia.

O fato de o Banco Central não ter nada a ver com essas medidas não tem a menor importância. O essencial é que as “ações normativas de caráter preventivo e prudencial”, disse Meirelles, “estão contribuindo para o crescimento de nossa economia”. Prudencial porque “o BC tem uma ação preventiva e não reativa”. Isso para justificar os juros altos – como interromper o processo de queda da Selic na última reunião do Copom – para prevenir um hipotético descontrole inflacionário lá na frente, já que “os méritos das decisões tomadas atualmente deverão ser avaliadas no segundo semestre de 2008 e em 2009”.

Além de tomar para si os méritos de outros, o que chamou a atenção foi o esforço para fugir das perguntas feitas pelos parlamentares. Ao questionamento do deputado Renato Mollins (PP-RS), por exemplo, sobre a influência dos juros altos e da isenção de pagamento de IR aos especuladores com títulos públicos na sobrevalorização cambial, respondeu que a referida isenção não era de alçada do BC e que encaminharia às autoridades fazendárias as reivindicações feitas pelos deputados sobre o tema. Os juros altos, certamente não tem nada a ver sobre o assunto.

Sobre o fato do aumento das reservas internacionais estarem provocando um endividamento maior – emissão de títulos vinculados à Selic (atualmente em 11,25% ao ano) para compra de dólares que compõem as reservas, enquanto estas são aplicadas em títulos norte-americanos que pagam 4,5% ao ano – a resposta foi um primor e, sem exagero, tropeçando nas palavras . “O custo de captação interna é maior do que o custo [???], é verdade. Agora, o ganho se dá não só sobre essa parcela, mas sobre a parcela geral. Por exemplo, a reserva é cerca de 160 bilhões de dólares, a dívida do governo como um todo é mais de 1 trilhão de dólares. Então, o que acontece, o benefício é sobre a dívida como um todo”. Nem Rolando Lero seria capaz dessa clareza.

CRIME

Pergunta do deputado João Leão (PP-BA): “Quando o sr. vai chamar os universitários? Quando digo universitários é a Polícia Federal, porque os juros no Brasil hoje é crime. Onde está a lei de usura, que padrão tem o Banco Central de limite de juro máximo, existe ou não existe, ou vamos ter que votar um projeto de uma agência que regule os bancos?”, ao que Meirelles retrucou que limite de juros “é uma questão legislativa. Taxas de juros não são tabeladas no Brasil”. E recomendou que em caso de “comportamento abusivo” dos bancos as pessoas devem reclamar ao bispo, quer dizer, ao Procon.

“Existe um aumento da lucratividade dos bancos. Os bancos têm tido resultados bons, mas os das empresas são bem maiores. Os ganhos da massa salarial estão muito forte. Em resumo: todo o país vai bem. É importante mencionar que os lucros dos bancos estão menores relativamente às grandes empresas, comparado com o passado”, disse Meirelles, sentenciando a seguir: “A melhor maneira de assegurar o melhor serviço ao consumidor e os lucros adequados, justos, nem excessivos, nem insuficientes, é competição, transparência”. Só que o processo de concentração/desnacionalização do setor bancário – sob os auspícios do BC desde os tempos do Proer e do Proes – é exatamente o que impede a competição. Basta ver o nível do spread e as tarifas extorsivas. É risível, pra dizer o mínimo, alguém acreditar que transparência é que vai garantir o “lucro justo” dos bancos, os maiores beneficiários dos juros escorchantes vigentes no país.

Por isso, nada mais adequadas do que a pergunta e a fundamentação do deputado Paulo Rubem Santiago (PT-PE): “O presidente poderia nos citar qual é a literatura, quais são as teses acadêmicas, quais são as resoluções internacionais que afirmam, justificam e defendem que o papel primário do Tesouro Nacional é financiar a acumulação privada na esfera financeira?”, indagou o parlamentar pernambucano.

Para o deputado, “quando se fala dos impactos fiscais das políticas monetária, creditícia e cambial sempre os aspectos negativos são justificados sobre conjunto dos outros fatores. 2005: o Programa de Desenvolvimento da Educação Infantil teve o orçamento aprovado pelo Congresso em R$ 16.629.600, mas só foram executados naquele exercício R$ 2.580.000, certamente como conseqüência das restrições fiscais, do contingenciamento e da meta do superávit primário. Para o Desenvolvimento do Ensino Médio foram previstos R$ 369.292.700, mas só foram executados R$ 196.000.000. Em 2006, para Educação na Primeira Infância: R$ 27.900.000; só foram executados R$ 1.700.000. Desenvolvimento do Ensino Médio: R$ 107.000.000; só foram executados R$ 39.000.000. Em 2007, Desenvolvimento do Ensino Médio, dados de outubro do Siafi: R$ 162.870.000; Só foram executados R$ 21.547.000. Educação na Primeira Infância, aprovado na lei orçamentária R$ 132.000.000 e executados R$ 261.000”.

Citando dados de relatórios do Tesouro Nacional de 2002, concluiu dizendo “que o montante de títulos cujos vencimentos eram de 12 anos, de agosto a agosto de 2003, chegou a R$ 240,41 bilhões, saltou em 2003 para R$ 393,230 bilhões, chegando em 2007 a R$ 902,750 bilhões nos três primeiros anos de vencimento desse estoque. Quero dizer que nós temos questões primárias, não de natureza do superávit ou de gestão das contas, mas de natureza conceitual. Nós continuamos tratando o Tesouro Nacional em primeiro lugar como fonte de financiamento da acumulação de quem já tem excedente no país”.

Respondendo sobre o impacto nos juros, na dívida pública e no emprego uma eventual não aprovação da CPMF, Meirelles asseverou que “se eliminarmos uma receita, teríamos que eliminar uma fonte importante de despesas”. Poderia se pensar que o corte de despesas se daria nos juros. Mas, vaticinou o presidente do BC: “Teremos o crescimento da dívida pública e o crescimento dos juros” – juros esses, como se sabe, o remédio para todos os males, até a um suposto boicote às verbas da saúde e de programas sociais.

VALDO ALBUQUERQUE
Hora do Povo

Rizzolo:A mais difícil tarefa do Advogado é defender o indefensável. Não resta a menor dúvida que o camarada Meirelles dribla as respostas, inverte as argumentações, dá um conteúdo numérico para emprestar legitimidade ao que fala, mas na verdade, nada justifica os juros estratosféricos a não ser “empacar” a economia a mando dos especuladores que vêem no Brasil um maravilhoso Cassino. Ao invés de prestigiarmos a produção, a indústria nacional, estamos a pretexto dos velhos inimigos como a inflação, a demanda, segurados pelo BC e em última instancia pelo COPOM, que pra mim é um tipo de Febraban. Enquanto isso, os lucros dos bancos explodem, e nos resta apenas ouvir explicações na defesa do indefensável. É a roupagem de socialista no palanque, com o servilismo ao capital. Já não vejo diferença entre o PT de Lula e o PSDB, e vou mais longe, até acredito que muitos Tucanos, não iriam tão longe nessa promiscuidade político financeiro, ou banqueira, como quiserem.

Petróleo para 2012 e Gás para hoje

A descoberta do campo de Tupi, na região do que se chama de pré-sal, é de suma importância ao Brasil. Não resta dúvida de que a descoberta colocara o Brasil como país exportador de petróleo; contudo, teremos esse petróleo à disposição somente em 2012, alem disso, como se trata de uma tecnologia de extração cara, o custo do processamento será ainda analisado. O que não podemos deixar de observar, é que muito embora a noticia seja boa, estamos vivendo já um problema de energia em curto prazo; o fato de que em períodos de seca as termoelétricas são obrigatoriamente acionadas, gera uma demanda de gás excessiva, e hoje, o gás é nosso problema. O que descobrimos no Campo de Tupi, é petróleo leve, de boa qualidade, mas não é gás.

Com efeito, a política do bom senso prevaleceu na diplomacia brasileira, quando da decisão da nacionalização dos hidrocarbonetos, em maio de 2006, por parte de Evo Morales. Os profetas da discórdia na época cobravam de Lula uma postura ” agressiva ” e “forte”, em relação à Bolívia. Aproveitavam sua ira neoliberal, para que a intriga fosse instalada com o puro intuito para que o ganho secundário ideológico prevalecesse. Foi com o costumeiro acerto que o governo federal, ponderou e não deu ouvidos aos “precipitados”, e hoje, passado mais de um ano, os investimentos da Petrobras voltam ao país de Morales que em curto prazo poderá, face ao bom senso e da cooperação mútua, minimizar essa crise energética que hoje vivemos no país. Não resta dúvida, que a falta de visão, e as disputas internas nos Ministérios, procrastinaram decisões que já deveriam estar em pauta há um bom tempo, até porque, não podemos falar em desenvolvimento sem energia, seja ela qual for. O resto são projeções, ufanismos, e conjecturas. A descoberta veio ao encontro de um problema mais urgente, abafar a crise de energia que tem sim de fundo político e técnico na falta de planejamento por parte do governo.

Fernando Rizzolo

Petrobras anuncia a maior reserva de petróleo e gás do país

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A Petrobras é operadora da área com 65% do capital do campo onde foi feita a descoberta, em parceria com a britânica BG Group, que detém 25%, e a portuguesa Petrogal/Galp, com 10%. O óleo encontrado no local tem 28 graus API, considerado de melhor qualidade comercial do que a média do petróleo encontrado no Brasil. Quanto mais próximo de 50 graus API, mais leve é o óleo e portanto mais fácil de refinar.

Profundidade chega a 6 mil metros

”É uma descoberta gigante, sem sombra de dúvidas. É aproximadamente o dobro do tamanho de Roncador, a maior descoberta de petróleo brasileira até então”, afirmou a O Globo o consultor Caio Carvalhão, do Cambridge Energy Research Association.
A descoberta tende a elevar o Brasil para o 12º lugar no ranking dos países com maiores reservas conhecidas de petróleo e gás (veja o gráfico). Atualmente na 16ª colocação, ele superaria o México, Argélia, Catar e China.

O anúncio da descoberta levou a uma corrida para as ações da Petrobras na Bolsa de Valores de São Paulo. Durante a manhã desta quinta-feira o valor dos papéis da estatal subiu mais de 10%.

A Petrobras realizou, também, uma avaliação regional do potencial petrolífero do pré-sal que se estende pelas bacias do Sul e Sudeste brasileiros. Os volumes recuperáveis estimados de óleo e gás para os reservatórios do pré-sal, se confirmados, elevarão significativamente a quantidade conhecida de óleo em bacias brasileiras.

Segundo o comunicado enviado à imprensa pela estatal, ”pré-sal são rochas reservatórios que se encontram abaixo de uma extensa camada de sal, que abrange o litoral do Estado do Espírito Santo até Santa Catarina, ao longo de mais de 800 km de extensão por até 200 km de largura, em lâmina d’água que varia de 1.500m a 3.000m e soterramento entre 3.000 e 4.000 metros”. A grande profundidade exigirá fortes investimentos para explorar as reservas.

Ainda falta petróleo leve

Os poços que atingiram o pré-sal e que foram testados pela Petrobras mostram, até agora, alta produtividade de petróleo leve e de gás natural. Esses poços se localizam nas bacias do Espírito Santo, de Campos e de Santos (a Bacia de Santos se estende de Cabo Frio ao alto de Florianópolis (SC).

A Petrobras produz atualmente cerca de 1,8 milhão de barris de petróleo por dia. quantidade que satisfaz a demanda brasileira. A estatal, no entanto, ainda precisa importar petróleo leve, pois o óleo extraído em território brasileiro não tem características ideais para o refino.

Da redação, com agências
Site do PC do B

Rizzolo: A informação do potencial da reserva de petróleo recém descoberta na Bacia de Santos eleva o Brasil para o 12º lugar no ranking dos países com maiores reservas conhecidas de petróleo e gás. Atualmente na 16ª colocação, ele superaria o México, Argélia, Catar e China. Não há duvida que é uma excelente notícia e que vem corroborar com o fato de que uma empresa Estatal bem administrada como a Petrobrás, dignifica e traz desenvolvimento à nação, ao contrário do que afirmam os privatistas, que tem por objetivo sucatear os bens públicos para depois açambarca-los.

“Não vai faltar nem gás nem energia”

Lula: “vamos garantir toda a energia que for necessária”

Presidente repeliu aqueles que alardeiam uma suposta crise energética e disse que “estamos investindo muito na produção de energia”

O presidente Lula repeliu na quarta-feira, em discurso na cerimônia de abertura do 5º Encontro Nacional do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural – Prominp, as previsões dos apologistas da crise no setor energético. “Este país hoje está sólido e não vai ter crise energética nenhuma”. “As indústrias podem crescer que nós garantimos toda a energia que for necessária”, frisou.

Sobre a “iminência da suposta crise”, alardeada diariamente por parte da mídia, ávida por atingir seu governo, Lula respondeu que “não falta, na verdade, é gente para botar defeito, o que não falta é gente para dizer: ‘não vai dar certo’”. “Mas podem ficar tranquilos, não vai faltar gás e nem energia neste país”, reafirmou.

GÁS

Sobre o fornecimento de gás para as distribuidoras do Rio de Janeiro e São Paulo, reduzidas na semana passada, Lula ironizou os alarmistas de plantão: “Aconteceu um probleminha de gás no Rio de Janeiro: ‘Ah, acabou a energia do mundo’”. “Não acabou, não. Este país já tem energia garantida até 2012”. “Vamos descobrir os gases que precisamos descobrir ou vamos comprar o gás que precisar comprar”, enfatizou.

Lula falou sobre a viagem à Bolívia do presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, para discutir a ampliação do fornecimento de gás para o Brasil. Ele mostrou também outras iniciativas do governo para garantir a energia que será “mais do que suficiente para o desenvolvimento do país”. “Estamos investindo muito na produção de energia. Estamos construindo Madeira. Estamos discutindo o projeto do gasoduto com a Venezuela”. “Estamos fazendo aquilo que precisa ser feito para garantir que o Brasil tenha tranqüilidade energética num futuro, eu diria, bastante longo”.

Reforçando as palavras do presidente da República, Sérgio Gabrielli, de volta da viagem à Bolívia onde acertou com as autoridades locais a ampliação dos investimentos na produção de gás, disse que a Petrobrás “não deixou e não vai vai deixar de fornecer o gás necessário para o país”. “A Petrobrás em nenhum momento deixou de abastecer as distribuidoras nos níveis contratuais”, declarou (ver matéria ampliada na página 2). A estatal vinha fornecendo gás para as distribuidoras numa quantidade acima do contratado. No momento em que foi necessário ampliar a produção das usinas termoelétricas, a Petrobrás reduziu o fornecimento, mas sempre mantendo uma quantidade de gás acima do contratado com as distribuidoras.

O presidente Lula convocou os empresários a ampliarem os seus investimentos e criticou os que só criticam sem “nada contribuir” para o desenvolvimento. “Parece que introjetaram na nossa cabeça uma doutrina de que é pecado confiarmos em nós, acreditarmos em nós”, destacou. “Os descrentes pareciam ser maioria no Brasil, porque houve um período no Brasil que, não sei porque cargas d’água, desde o final dos anos 80 começou um processo de se desacreditar no Brasil”. “Eu não acredito que seja possível, nenhum clube de futebol, nenhuma associação de bairro e muito menos um país ir para a frente se as pessoas daquele país não acreditam em si próprias”, disse.

“Ainda em 2002, quando falávamos da necessidade de revitalizar as indústrias brasileiras, sobretudo a indústria naval e a indústria de petróleo, com a construção de plataformas aqui, nós fomos achincalhados”, lembrou. “Hoje eu estou vendo a economia brasileira consolidada, a indústria brasileira se consolidando, se fortalecendo. É por isso que nós estamos hoje, eu pelo menos, com muita alegria, alguns com tristeza, porque eles torcem para que as coisas dêem errado”, ressaltou.

Ele aproveitou para rebater os que defendem que a Petrobrás deva pensar apenas nos lucros. “Se imaginarmos apenas o lucro entre a Petrobrás e outra empresa de petróleo do porte da Petrobrás, que pode comprar uma plataforma, em algum país, algumas centenas de dólares mais barata que a que nós fazemos aqui, se pensar assim, estaremos matematicamente pensando certo e politicamente pensando equivocadamente”, disse. “Temos que ver que a recuperação da indústria brasileira, para a indústria do petróleo, significa uma distribuição de riqueza a que a gente estava desacostumado, significa geração de milhares de empregos”, frisou.

“A Petrobrás”, disse Lula, “já poderia ter se transformado numa das maiores ou na maior empresa de petróleo do mundo. Ela não se transformou e não aproveitou outras décadas porque os seus dirigentes possivelmente pensaram pequeno”.

“A Petrobrás agora está descobrindo que ela pode competir, ela está descobrindo que os trabalhadores brasileiros podem produzir, até porque ninguém melhor do que a Petrobrás pode descobrir isso pela qualidade de excelência que é a sua mão-de-obra”.

DESCRENÇA

Continuando a crítica aos propagandistas do caos e do apagão, Lula disse que “não há espaço neste país para descrença”. “O Brasil vai muito bem. O Brasil não estaria nessa situação se não fosse bem gerenciado”, argumentou o presidente. “Este país não exportava porque asfixiava o mercado interno. Não crescia o mercado interno porque asfixiava as exportações. Hoje, tudo isso nós desmentimos. Pode crescer o mercado interno e pode crescer o mercado externo”, avaliou.

“Imagine”, disse Lula, “algum tempo atrás, se tivesse havido a crise imobiliária que teve nos Estados Unidos, quantas vezes o ministro da Fazenda e o ministro do Planejamento já teriam viajado para Nova Iorque ou para Washington para pedir dinheiro para o FMI?”.

Hora do Povo

Rizzolo: Uma das características da diplomacia brasileira no atual governo foi, sem dúvida, não ter dado “ouvidos” aqueles que queriam “medidas duras” contra Evo Morales quando da nacionalização dos hidrocarbonetos, em maio de 2006. Quantas bravatas foram proferidas, por aqueles que na ânsia de amaldiçoar as medidas protecionistas e justas em nome da soberania do povo boliviano, apregoavam que Lula deveria se indispor e ser “duro”. Ora, todos sabemos que não há como desrespeitar decisões de países vizinhos, e a via diplomática é a melhor opção. Não resta dúvida, que a crise energética, esta sendo exagerada, e justamente pela boa diplomacia, é que estamos reativando os investimentos na Bolívia, no sentido de nos precavermos em termo de energia no futuro. O que mais falta, na elite brasileira, é inteligência política emocional, o resto é besteira.

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Paulo Nogueira Batista Jr: “O esperado nunca acontece

Estamos entrando provavelmente em uma nova fase da economia internacional. Pela primeira vez, a China e a Índia são os países que mais contribuem para o crescimento mundial, segundo estimativas do FMI. A participação dos países em desenvolvimento no PIB global vem aumentando de maneira contínua. Países como China, Rússia, Brasil e Índia estão adquirindo uma importância econômica e política gradualmente maior.

Nem sempre os países desenvolvidos encaram essas mudanças com tranqüilidade. As velhas potências econômicas, embora ainda dominantes, estão em processo de declínio relativo aparentemente inexorável. O seu comportamento é cada vez mais defensivo e protecionista.

Não querem abrir espaço para os que vêm de baixo.

Os países do G7 (EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá) ainda respondem por 40% do PIB mundial, mas sua participação tende a diminuir. São países economicamente maduros, basicamente acomodados e satisfeitos, com populações estacionárias ou cadentes. O crescimento demográfico que ainda conseguem registrar resulta, freqüentemente, dos fluxos de imigrantes legais ou ilegais provenientes da América Latina, da África ou da Ásia. Atualmente, os países do G7 abrigam apenas 11% da população do planeta. Os países em desenvolvimento, 85%.

Na crise financeira recente, as economias emergentes desempenharam um papel estabilizador, compensando os efeitos recessivos oriundos dos EUA e da Europa. Tumulto financeiro no Norte e -quem diria?- relativa calma no Sul.

Como dizia Keynes, “the expected never happens; it is the unexpected always” (o esperado nunca acontece; é o inesperado sempre). Quem poderia prever que uma grave crise financeira nos EUA e na Europa teria, pelo menos em uma fase inicial, repercussões tão modestas na periferia do sistema internacional?

Enquanto as velhas potências se debatem com surpreendente fragilidade financeira, países como o Brasil estão assoberbados por influxos excessivos de capital que, quando não são neutralizados ou contidos, contribuem para a valorização da moeda nacional, solapando a competitividade externa.

O que está por trás dessa relativa tranqüilidade dos emergentes é o grande progresso que esses países fizeram em termos de redução das suas vulnerabilidades financeiras.

As contas públicas e os sistemas financeiros nacionais foram fortalecidos. Houve um notável ajustamento das contas externas. Em boa parte do mundo emergente, os balanços de pagamento tornaram-se superavitários e as reservas internacionais aumentaram de forma expressiva.

Com algum atraso, o Brasil acompanhou essa onda e está hoje em posição razoavelmente confortável. Mas atenção: não há muito espaço para complacência. A situação internacional pode se complicar. Se a economia americana entrar em recessão, se a crise financeira no Norte se agravar, é pouco provável que países como o Brasil saiam ilesos.

Por isso, é essencial deter a valorização cambial, que vem produzindo efeitos cada vez mais claros nos setores de “tradeables” e nas contas externas brasileiras. A valorização não é inevitável. Uma combinação de abrandamento da política monetária, com intervenções cambiais esterilizadas e controles sobre a entrada de capitais, pode ser suficiente para enfrentar o problema. Se ele não for enfrentado, estaremos colocando em risco o dinamismo da economia e ressuscitando o problema da vulnerabilidade externa.

Paulo Nogueira Batista Jr é economia e diretor-executivo do FMI

Texto publicado na edição desta quinta-feira (8) da Folha de S.Paulo

Rizzolo: As economias emergentes estão mais estruturadas, haja vista a crise americana do “subprime” que pouco afetou países como o Brasil. O momento de desenvolvimento dos emergentes, precisa sim ser acompanhado de uma política de fortalecimento da economia interna, só podemos conceber uma estrutura econômica forte se temos um mercado interno absorvente, e para isso é necessário desenvolvimento promovido por uma maior queda de juros. O papel estabilizador das economias emergentes deve ser aproveitado a favor do desenvolvimento industrial nacional dessas economias, no Brasil, a política de fortalecimento da indústria nacional é pouco prestigiada, as exportações são açoitadas pelo real valorizado, e o pequeno e médio empresário é que o sente mais a carga tributária.

Não podemos continuar promovendo a entrada de dólares que não são revertidos na produção, no desenvolvimento, e na geração de empregos, e sim na pura especulação por agiotas internacionais. O desejo e a determinação de fazer o Brasil crescer é prejudicado pelas políticas econômicas daqueles que de patriotismo nada tem, e que apenas visam procrastinar as virtudes do lucro fácil.

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Lula: “são os venezuelanos que têm que dar palpites nas coisas que são deles”

Ao comentar a decisão do Congresso Nacional da Venezuela de reformar a Constituição para aperfeiçoar o sistema democrático naquele país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na segunda-feira que “Chávez está fazendo aquilo que entende que deve fazer na Venezuela”. “Penso”, prosseguiu, “que cada um tem de tomar conta daquilo que é seu, dar palpites nas coisas que são suas”. O presidente referia-se à adoção da reeleição ilimitada pelos venezuelanos.

“É engraçado, porque eu já vi Margareth Thatcher ser tantas vezes reeleita primeira-ministra (da Grã-Bretanha), o Helmuth Kohl ficar (no poder) por tanto tempo (na Alemanha). Nunca vi ninguém perguntar se vários mandatos sucessivos eram ruins”, lembrou Lula, após participar da entrega de prêmio sobre aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

Já sobre o caso da re-reeleição no Brasil, Lula disse que não apóia a proposta e que a antecipação dessa discussão só interessa à oposição. “Acho que o PT tem que tomar uma decisão sobre essa proposta levantada dentro do Congresso. Não tem sentido. Só interessa discutir eleição agora à oposição”, disse Lula. “O governo está com menos de um ano de seu segundo mandato. O Brasil está funcionando bem, por que deveríamos arrumar sarna para nos coçar discutindo reeleição?”, questionou.

SAÚDE

Lula afirmou ainda que está “convencido de que a responsabilidade dos senadores vai fazer com que a CPMF seja aprovada, até porque já foi feito um acordo e a questão da saúde vai levar uma boa parte do dinheiro”.

Em seu programa semanal “Café com o Presidente”, Lula falou sobre os avanços alcançados na área da saúde. Ele salientou que nos próximos quatro anos o orçamento da saúde passa dos atuais R$ 44 bilhões para R$ 72 bilhões. “Eu acredito que dá para a gente dizer que nós estamos caminhando para dar à saúde a seriedade que ela precisa receber do governo”, disse. Em companhia no ministro da Saúde, José Gomes Temporão, Lula anunciou que o PAC do setor “vai levar saúde para as escolas públicas. Vamos fazer aquilo que nós chamamos de medicina preventiva nas crianças brasileiras”.

Ele comemorou a regulamentação da Emenda 29 e frisou que ela “fará com que cada ente federativo cumpra com as suas obrigações de gastar o dinheiro necessário para resolver o problema da saúde”. “No Brasil, embora por lei os estados tenham que gastar 12% do seu orçamento com a saúde, na verdade, temos estados gastando 4%, temos estados gastando 6%, ou seja, apenas dez estados gastam aquilo que manda a Constituição, 17 não gastam”, apontou o presidente.

Hora do Povo

Rizzolo: É difícil contrapor a opinião da mídia golpista em relação à política interna da Venezuela, como ponderou o presidente Lula, cabe aos venezuelanos decidir os desígnios do seu país e não a imprensa brasileira sedenta e ávida ao prestar servilismo as EUA pontuando a questão das reformas constitucionais venezuelanas, de forma a desqualificá-la. Como poderia alguém contestar uma reforma constitucional que fora aprovada no Congresso venezuelano na forma mais democrática possível, e que ainda será ratificada por um referendo nacional popular ? Em que parte do planeta existe tanta participação democrática legítima ? Será isso que tanto incomoda aqueles que tem no fundo vocação autoritária ? Existiria lógica na postura daqueles que acusam Chavez ? A resposta é não. Os conservadores brasileiros nunca foram democratas. Jamais aceitaram que o povo tivesse a oportunidade de se manifestar diretamente, todas as questões forçosamente passam pelos representantes da elite no Congresso, no Senado, estamos hoje vivendo uma democracia de mentira, onde os representantes do povo, além de corruptos, muitos são lacaios do capital e dos poderosos que insistem em escravizar o povo brasileiro com suas manipulações visando única e exclusivamente seus interesses e principalmente daqueles que os financiam.

Programa para aquisição de novos caças será retomado em janeiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou ao comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, a retomada em janeiro do Programa FX – política de reaparelhamento para a aquisição de 36 novos caças para a Força Aérea Brasileira. Dentro dos moldes do Plano Estratégico Nacional de Defesa, o reaparelhamento será implementado também no Exército e na Marinha, e deverá ter como prioridade a transferência tecnológica na aquisição dos equipamentos, como forma de incentivo à reativação da indústria nacional de defesa.

No caso da FAB, entre os favoritos para vencer a licitação estão o russo Sukhoi 35, o Eurofighter Thypon (consórcio Grã-Bretanha, Alemanha, Itália e Espanha), o anglo-sueco Gripen, e o francês Rafale, da Dassault. O norte-americano F-35, fabricado pela Lockheed, é o menos cotado, uma vez que os Estados Unidos negam a transferência tecnológica. Foi o caso vivido pela Venezuela, que recentemente comprou 24 Sukhoi 30 depois de ter sido negado não só a aquisição de novos equipamentos de defesa dos EUA, mas também peças e materiais de reposição.

Nesta semana, a Secretaria de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa promove o Simpósio da Indústria Nacional de Defesa, reunindo as principais empresas do setor. Segundo o general José Benedito de Barros Moreira, o objetivo do evento é debater a participação do setor no Plano Estratégico Nacional. “Elas vão apresentar todas as suas reivindicações, mostrar o que está atrapalhando a indústria”, afirmou o general Barros Moreira. Este é o terceiro evento promovido pela Defesa para discutir o assunto.

“Um dos grandes gols obtidos durante os simpósios é a aproximação com a base industrial de defesa. Na realidade, você não consegue ter Forças Armadas sem uma indústria específica que possa lhe dar condições de operar”, disse o secretário de Ensino, Logística, Mobilização, Ciência e Tecnologia do Ministério da Defesa, brigadeiro Marco Aurélio Mendes. De acordo com ele, “queremos obter, por meio da participação da indústria, um grau elevado de autonomia para a obtenção desses meios e, assim, diminuir a dependência do exterior”.

Além do reaparelhamento, o Brasil está articulando com os países vizinhos um plano de defesa regional. A partir de fevereiro, representantes do Executivo e das FFAA deverão iniciar viagens a todos os países sul-americanos para negociar a elaboração do plano
Hora do Povo

Rizzolo: Tenho dito sempre que precisamos reequipar nossas Forças Armadas, destinando recursos para que possamos restabelecer o nosso Parque Industrial Bélico, para isso é necessário não só a compra de equipamentos, mas a transferência de tecnologia. Temos que, de uma vez por todas lembrar que os EUA jamais serão parceiros no âmbito militar, e mais, hoje todos sabem que qualquer mudança na política que não vá de acordo com o “Consenso de Washington” é motivo suficiente para os EUA negarem peças de reposição e embragos. Não podemos contar com isso, temos que explorar outras opções no mercado, e o mais importante, absorvermos tecnologia. Como disse o disse o secretário de Ensino, Logística, Mobilização, Ciência e Tecnologia do Ministério da Defesa, brigadeiro Marco Aurélio Mendes, “você não consegue ter Forças Armadas sem uma indústria específica que possa lhe dar condições de operar”. De acordo com ele, “queremos obter, por meio da participação da indústria, um grau elevado de autonomia para a obtenção desses meios e, assim, diminuir a dependência do exterior”.

Muitos tentam insinuar que o reaparelhamento das Forças Armadas tem relação com os investimentos da Venezuela nessa área, o que é uma grande besteira, Chavez reestrutura suas Forças Armadas não visando o Brasil, que é um país amigo e irmão, mas sim em se defender de possíveis agressões por parte de EUA, que no momento historio são contumazes na arte de invadir países com fins políticos e econômicos. Uma vergonha ! Os que apostam nessa teoria são os mesmos que querem e promovem a desunião da América Latina a mando do capital internacional. Podemos traduzir isso como falta de patriotismo, temos que ter o compromisso de construir uma América Latina unida e forte !

Justiça autoriza repatriar dinheiro do Banestado nos EUA

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A Justiça de Nova York informou ao governo brasileiro que está autorizada a repatriação de US$ 1,6 milhão, de um total de cerca de US$ 20 bilhões, remetido ilegalmente ao exterior via Banco do Estado do Paraná (Banestado). A parcela devolvida é ínfima, mas gerou comemorações no governo porque abre um precedente para trazer de volta toda a fortuna desviada do País, grande parte para fins de lavagem de dinheiro.

“É um caso inédito de repatriação de ativos e certamente apenas o início de uma série de autorizações que vamos obter junto à justiça de outros governos”, afirmou o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior.

Tramitam no Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) cerca de 200 processos relacionados ao mesmo esquema Banestado. Os envios foram feitos por meio de contas CC5 (Carta Circular nº 5, do Banco Central). São contas abertas no Brasil, por pessoas – físicas ou jurídicas – que moram no exterior. E também por transferências de dólar a cabo, um meio de compensação de valores entre dois países que não deixa registro no sistema bancário. “Usaram esse esquema para montar a maior lavanderia de dinheiro de que se tem conhecimento no Brasil”, explicou.

A devolução dessa primeira parcela foi comunicada ao ministro da Justiça, Tarso Genro, pelo procurador-geral do distrito de Nova York, Robert Morgenthau. O dinheiro será liberado na primeira quinzena de novembro. No comunicado, o procurador sinalizou que novos acordos deverão possibilitar a repatriação de mais recursos, conforme informou Tuma Júnior.

A repatriação do dinheiro do esquema Banestado é o resultado de uma investigação conjunta da Polícia Federal e do Ministério Público do Brasil, em parceria com a promotoria do distrito de Nova York e com autoridades do Estado de Nova Jersey. As fraudes foram descobertas durante a operação Farol da Colina, realizada pela PF em 2004. Foram presas 62 pessoas na ocasião. A fraude foi aplicada entre 1997 e 2002, período em que teriam sido movimentados US$ 20 bilhões pelas contas CC5.

Foram apanhados na operação doleiros, empresários, donos de casas de câmbio, escritórios de factoring e agências de turismo. Eles faziam as movimentações por meio de uma conta fantasma chamada Beacon Hill Service Corporation, em Nova York. Segundo as investigações, grande parte do dinheiro remetido ilegalmente provinha de corrupção, superfaturamento de obras públicas, tráfico e contrabando.

Agência Estado

Rizzolo:O secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, esta fazendo um trabalho à frente da Secretaria da maior importância, que é o combate à lavagem de dinheiro com a recuperação de ativos vindos do exterior. Estive pessoalmente com o Secretário que é amigo meu e ex- companheiro de partido, na solenidade da Revista Carta Capital, tivemos a oportunidade de conversar, inclusive sobre a questão do Cacciola, que no entender dele como um competente policial que é, afirmou que a defesa do ex-banqueiro procura procrastinar sua vinda, visando vantagens processuais. Como advogado, concordo plenamente com o Secretário na sua afirmativa, não há duvida que o fato de levantar suspeitas sobre o mandado, na verdade, não passa de “chicana procrastinatória”. Deve-se deixar registrado que membros do Supremo deveriam pensar duas vezes antes de conceder “Hábeas Corpus” a banqueiros do tipo Cacciolla, que obteve favorecimentos através do socorro a bancos privados. O que ocorreu com Cacciola foi uma verdadeira “doação” de R$ 1,5 bilhão feita pelo Banco Central, usando como intermediário Luiz Bragança, amigo de infância de Francisco Lopes, então presidente do BC. O banco de Cacciola investiu 20 vezes o seu patrimônio na manutenção da cotação do real frente ao dólar. Perdeu a aposta e pediu ajuda ao Banco Central e tivemos então que retirar R$ 1,2 bilhão dos velhinhos, para cobrir o rombo da Previdência. Uma piada, agora, “data maxima vênia” um Hábeas Corpus que já poderíamos entender como temerário. Não é ?

Para CNBB, “povo deve ser ouvido” sobre re-reeleição

Presidente da CNBB defende que “Congresso e sociedade se manifestem” sobre re-reeleição

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Geraldo Lyrio Rocha, disse na segunda-feira que “é preciso que a sociedade brasileira se manifeste” sobre a possibilidade de mudança constitucional para a disputa de um terceiro mandato presidencial.

O presidente da CNBB destacou que a entidade não tem uma posição definida, porém cobrou uma posição dos partidos políticos e o exame pelo Congresso do tema. Para ele, a discussão da questão é “eminentemente política”, entretanto, “as instituições, os organismos, a sociedade civil precisam se manifestar e participar nessas discussões”. É necessário “fortalecer as estruturas de participação dos cidadãos” na sociedade, defendeu o presidente da CNBB, na solenidade em que foi condecorado com as medalhas da Inconfidência e Santos Dumont, oferecidas pelo governo mineiro.

Sobre a CPMF, d. Lyrio disse que “enquanto tal, (a CPMF) é até uma forma de participação proporcional. E se a destinação for justa, especialmente obedecendo os critérios para os quais ela foi criada – que era o campo da saúde – e se puder até ampliar para outros campos sociais, é claro que a posição da Igreja só pode ser de apoio”. Ele comentou que Igreja olha a questão “sob o ponto de vista da ética” e sua principal preocupação é em relação à destinação dos recursos arrecadados.

Hora do Povo

Rizzolo: Não resta dúvida que a CNBB destaca a importância da participação popualr nos temas de ” alta indagação” como reeleição. Quando .Lyrio pontua que o povo precisa participar nada mais aprogoa do que o exercício da democracia participativa, na inclusão ao debate sobre temas de importância ao povo brasileiro.

Não podemos deixar a população pobre acreditando ser representada apenas pelos parlamentares que muitas vezes estão comprometidos com o capital e com os poderosos. Se o povo numa consulta popular entender, sobre a possibilidade de mudança constitucional para a disputa de um terceiro mandato presidencial. Quem vai dizer não ? Aqueles que se dizem democratas relativos ? Vivemos em uma falsa democracia, uma democracia sem povo e na qual a adoção dos sistemas políticos modernos serve apenas para ocultar o poder oligárquico sob o manto de um constitucionalismo meramente ornamental”. O processo de marginalização e isolamento do povo que se desenvolve atualmente acaba tornando-o cético e indiferente à realidade política. Vamos mudar isso !

Crivella defende entrada da Venezuela no Mercosul

“Esquecer o resto da América do Sul como parceiro do desenvolvimento significa esquecer a potencialidade dinâmica de um mercado integrado favorecido pela proximidade geográfica e pelas afinidades culturais”, afirmou o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), em discurso no Plenário, no dia 31, defendendo a entrada da Venezuela no Mercosul, como forma de garantir o fortalecimento do continente e estimular o desenvolvimento de regiões brasileiras como Norte e Nordeste.

O senador lembrou que treze governadores destas regiões apóiam a entrada da Venezuela e a aprovação da mensagem do executivo nesse sentido, “seria um grande objetivo que poderia unir todos os povos, acima de quaisquer divergências políticas”.
“Faço uma proposta: que possamos fazer a integração da América do Sul não com o mercado livre, mas com o pressuposto de aumentar a participação da massa salarial na renda nacional de cada país”, frisou. Marcelo Crivella destacou que avançar no projeto de integração da América do Sul, a partir do tríplice eixo Brasil, Argentina e Venezuela, é tomar uma decisão firmemente direcionada para atender os objetivos de desenvolvimento da economia e do povo brasileiro.

Ele lembrou ainda que o processo de integração “na medida em que seja implementado no marco de políticas macroeconômicas progressistas, extirparão o maior câncer da economia brasileira, que é o fenômeno da financeirização exacerbada”, acrescentou. O senador ressaltou que, para quebrar essa “ciclo de especulação improdutiva”, só um grande projeto de desenvolvimento “de real interesse dos povos”.

Crivella ressaltou o programa energético comum aos integrantes do Mercosul e o planejamento cumum de indústrias básicas e obras de infra-estrutura. “É um projeto, como disse, que atende primeiramente aos povos sul-americanos, e, pela dimensão do Brasil nesse bloco, aos brasileiros especialmente. Interessa às empresas industriais, interessa às grandes construtoras, interessa às indústrias de bens de capital e interessa ao trabalhador, pois significa mais emprego e mais renda”, sublinhou.
Hora do Povo

Rizzolo: Tenho dito reiteradamente que os evangélicos progressistas têm se posicionado de forma a defender os interesses do povo brasileiro em inúmeras pontuações. São inúmeras as questões patrióticas e de soberania nacional que os representantes dessa ala aprofundam o debate, e sem reserva atendem aos desígnios do povo brasileiro. No caso em pauta a integração da América Latina é essencial, e com propriedade, o Senador Crivella ressalta os interesses do empresariado nacional, e dos trabalhadores, com a entrada da Venezuela, vez que, promoveria geração de mais empregos. Ademais, a região Norte e Nordeste será a maior beneficiada com a inclusão, haja vista, o apoio dos treze governadores dos Estados que as compõem.

Capos do Citi e Merrill naufragam no colapso da pirâmide das hipotecas

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Tiveram que anunciar grandes perdas os bancos e corretoras que lideravam a ciranda alimentada pelos papéis podres. Além do Citibank e Merrill Lynch, a Bear Stearns, o Morgan Stanley, Lehman Brothers e o europeu UBS, entre outros

Em novo desenvolvimento do colapso da pirâmide com papéis podres de hipotecas nos EUA, o maior banco do país em ativos, o Citibank, e a maior corretora de títulos e derivativos, a Merrill Lynch, anunciaram a queda dos seus executivos-chefes, respectivamente Charles Prince e Stanley O’Neall.

As perdas do Citi no terceiro trimestre do ano atingiram US$ 11 bilhões, e ficaram em US$ 2,3 bilhões na Merrill, e ainda US$ 8,4 bi de provisões para empréstimos não-honrados. As perdas não se limitam aos dois. Também foram atingidos o Bear Stearns (queda de 61%) – corretora onde veio à tona o colapso do ‘subprime’ em agosto -, 7% no Morgan Stanley e 3% no Lehman Brothers. Bancos europeus, que participaram da orgia, também sofreram. O UBS suíço, o maior banco europeu, comunicou perdas de US$ 3,4 bilhões no terceiro trimestre e tratou de trocar de sofá, isto é, de chefão. Para recompor o Citi, chamaram a cavalaria, isto é, o ex-secretário do Tesouro no governo Clinton, Robert Rubin, ex-Goldman Sachs.

DANÇANDO

Em julho, Prince havia asseverado que o Citi “ainda estava dançando a música do boom das aquisições”. Fazia mais de um ano que começara a estourar a bolha das hipotecas e papéis com base nelas. Em outubro, já não havia como encobrir a realidade, ou deixar de percebê-la. Ao final, coube a ele estimar, no início do mês, que o lucro do banco “desabaria 60% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período de 2006”.

Mas, então, as perdas já extrapolavam o estouro dos papéis ‘subprime’, estas da ordem de “US$ 1,3 bilhão”. De acordo com o “The Economist”, as perdas “nos mercados de renda fixa” – que apontou como um dos alicerces do Citi desde que absorveu o Salomon Brothers – chegavam “a US$ 1,9 bilhão”. Mais “US$ 600 milhões por causa de ‘significativa volatilidade de mercado e a ruptura das relações históricas de preço’” – leia-se: papéis tidos como “AAA” que viravam do dia para a noite títulos “junk” (lixo). Perdas de US$ 1,4 bilhão em empréstimos alavancados com cobertura e sem cobertura, “que despencaram de valor”. Quanto a isso, o Citibank acrescentou tratar-se de compromissos – isto é, os citados “empréstimos alavancados” – de “US$ 69 bilhões no segundo trimestre e US$ 57 bilhões no fim do terceiro trimestre”. Também um aumento de US$ 2,6 bilhões em custos de crédito antes dos impostos no crédito ao consumidor, três-quartos dos quais “para cobrir futuras perdas e as perdas no trimestre”.

Assim, a previsão de “US$ 7,2 bilhões no terceiro trimestre”, apresentada no início de outubro transformou-se, no início de novembro, momento da queda de Prince, em perdas de US$ 11 bilhões. E ainda falta o quarto trimestre para o ano terminar, que adverte o ‘The Economist’, pode ter resultado ainda pior. A situação estava tão delicada que o Citibank tomou uma atitude incomum: antecipou do dia 19 de outubro para o dia 15 o anúncio das perdas. Antigo advogado-chefe do banco, Prince havia sido elevado, em 2003, a executivo chefe, com a incumbência de tapar as imbricações do banco com as fraudes da Enron. A renúncia foi anunciada em pleno domingo, antes que as bolsas abrissem.

Já O’ Neal foi apeado da direção da Merrill Lynch uma semana antes, depois de, segundo o “New York Times”, “tumultuosos 10 dias que incluíram significativo prejuízo e baixa contábil”, com perdas de “US$ 2,3 bilhões no terceiro trimestre e reserva de US$ 8,4 bilhões para ‘cobertura’. Ele jogou um papel particular no agravamento da crise. Engalfinhou-se com a Bear Stearns, a quinta maior corretora, quando esta buscava um acordo para dar baixa em um fundo de derivativos com base em ‘subprime’, em que as duas tinham participação, e que já fora a pique. Mais tarde, tornou-se óbvio aos especuladores de Wall Street que, se o desmanche dos papéis ‘subprime’ “contagiasse” os demais tipos de derivativos, e de montante muito maior, o cassino poderia vir ao chão. Os números do “The Economist” sobre o buraco na Merrill são um tanto diferentes. O jornal relatou que, no dia 24 de outubro, a Merrill havia anunciado baixa de US$ 7,9 bilhões nos ativos com hipotecas, “US$ 3,4 bilhões a mais do que estimara apenas 19 dias antes”. Outro motivo para a queda de O’ Neal foi a indiscrição com que propôs a fusão com o banco Wachovia como “saída que a Merrill deveria considerar para emergir das suas dificuldades”, claro, na cínica defesa, “uma das muitas” opções. E, casualmente, a sua preferida.

FINA FLOR

A fina flor da banca norte-americana passou os últimos anos fingindo acreditar que sua pirâmide jamais iria estourar, ao contrário de todas as que já existiram no mundo, já que isso seria impedido pelos novos e pomposos apelidos da vigarice, como “collateralized debt obligations (CDOs)”, e as maravilhas da computação financeira. “Hedge”: “Cobertura”. Em suma: pessoas sendo empurradas para hipotecas de longo prazo “financiadas” por títulos de curto prazo, que eram rolados entre seguradoras, corretoras e bancos, garantindo polpudas comissões e juros a todos estes. Os empréstimos sem cobertura, ou de duvidosa validade e documentação incompleta podiam ter seu risco disfarçado através dos chamados “derivativos”, como os CDOs, negociados e renegociados entre especuladores. Lotes de empréstimos bichados podiam ser disfarçados junto a títulos menos podres, e assim por diante. No finalzinho da pirâmide, valia tudo, até conceder hipoteca modalidade “Ninja” (sigla em inglês de “Sem salário, sem emprego, sem endereço”). No mais, era aquela ciranda, entre corretoras hipotecárias, fundos de derivativos, corretoras e bancos – e a enrolação de bancar 30, 40, 50 anos de hipoteca com títulos rolados no overnight. E o mico chegou.

Os bancos europeus que se envolveram na pirâmide do ‘subprime’ e outras modalidades de derivativos, também foram abalroados. As ações do maior banco europeu, o UBS, caíram 17% em relação ao ano passado, enquanto no Credit Suisse, tido como relativamente incólume, encolheram em 10%. As perdas do UBS foram as primeiras desde 1998, quando o fundo de derivativos Long Term Capital Management, dos EUA, afundou. No ano passado, o HSBC abrira a fila.

ANTONIO PIMENTA

Hora do Povo

Rizzolo: Bem ao estilo da vigarice neoliberal, a velha pirâmide recebeu nomes pomposos, como “collateralised debt obligations (CDOs)” – o que apenas significava que os empréstimos sem cobertura, ou de duvidosa validade e documentação incompleta podiam ter seu risco disfarçado através dos chamados “derivativos”, negociados e renegociados entre especuladores. A irresponsabilidade e a falta de controle do governo americano faz com cada vez mais os países emergentes adotem medidas contra essas crises promovidas por especuladores ” out of control “. Na crise passada do subprime, Bancos Centrais dos EUA, Europa e Japão transferiram US$ 370 bilhões para socorrer bancos privados atolados em suas hipotecas sem lastro. “Estado mínimo”, só quando é para usar verbas para atender as necessidades do povo.

Lula nega risco, mas articula “flerte” com a Bolívia para evitar falta de gás

Depois do racionamento temporário na distribuição de gás nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo na semana passada para garantir a não interrupção da produção de energia em usinas termoelétricas, a Petrobras e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apelaram para a Bolívia para tentar evitar novos cortes e também a falta do combustível no Brasil.

Em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, Lula admitiu que o país não tem condições de atender à demanda com a produção interna e agendou dois encontros com o presidente boliviano Evo Morales para tentar solucionar o problema e fechar acordos para incentivar o processo de industrialização do gás boliviano. A primeira reunião entre os dois presidentes está agendada para acontecer no Chile, sexta ou sábado desta semana, durante a 17ª Cúpula Ibero-Americana.

O presidente brasileiro pretende ainda viajar para a Bolívia no dia 12 de dezembro com uma comitiva de empresários. Lula telefonou para Morales nesta segunda. O presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, já viajou para a Bolívia para tratar do assunto. Há a possibilidade de a Petrobras ampliar os investimentos no país vizinho, que foram afetados depois que Morales decretou a nacionalização do gás boliviano.

Apesar da aparente preocupação com a falta de gás, Lula descartou a possibilidade de desabastecimento.

“Não corre risco [de desabastecimento]. Obviamente temos que ter prioridade para alguma coisa. À medida que o Brasil não tem gás dentro de seu território, nós temos de importar. O Brasil vai ter que garantir o funcionamento das termelétricas para produzir energia para sociedade brasileira”, disse.

“Eu marquei com Evo Morales uma viagem no dia 12 e vai acontecer aquilo que nós queremos que aconteça. Que o Brasil fique tranqüilo em sua relação com a Bolívia, e a Bolívia fique tranqüila com o Brasil”, afirmou o presidente.

Lula lembrou ainda que o país negocia a construção de um gasoduto com a Venezuela para buscar medidas de abastecimento a longo prazo.

“Ninguém colocou um tamborzinho de gás no seu carro porque quis. Houve um incentivo para que se fizesse aquilo. Portanto, para as pessoas que já têm, nós vamos garantir a tranqüilidade. Vamos ter que trabalhar para importar mais gás. É preciso encontrar navios, e a Petrobras vem investindo muito”.

(com informações da Folha Online)

Rizzolo: O fato de Lula recorrer a Bolívia para dar prosseguimento as negociações com intuito de incentivar o processo de industrialização do gás boliviano, é muito proveitoso. Na verdade, a importância do dialogo visando o comercio bilateral entre os dois países é fundamental, respeitando, evidentemente, a condução política e ideológica de cada um. Não há duvida que diante de Morales, o presidente Lula é um neoliberal com “embalagem de socialista”, e isso todo mundo sabe, apenas o “coitadinho” que lhe confiou o voto e que não lê jornal, ainda não descobriu. O empresário nacional, esse esquecido e tímido na própria casa, sente na pele o descaso, e a todos saltam aos olhos os privilégios que as transnacionais aqui possuem. Não é o caso da Bolívia de Morales, é claro, e a partir do momento que Morales e Chavez sabem que Lula é apenas uma “embalagem socialista” muito embora a simpatia entre eles reine, no fundo pensam que “todo cuidado é pouco”. A esquerda da América Latina tem Lula como sendo aquele que fala com os pobres e defende os banqueiros, Bolsa Família só não é o suficiente, hein! Temos que fazer o Brasil crescer e a indústria nacional ser prestigiada.

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Mangabeira, em A Charge On Line

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