Investir na América Latina, hora de avançar

A pequenez do pensamento de alguns políticos brasileiros, aliada a propagação dessas idéias tendenciosas pela mídia golpista dos Jornalões, nos faz deparar nesse domingo chuvoso com advertências apocalípticas de Sarney ao aterrorizar os leitores contra a Venezuela do “Bicho Papão Chavez”, que no seu ponto de vista “prepara uma corrida armamentista perigosa ao Brasil” Depois, ao folharmos outros jornais observamos a mesma retórica protocolar, em causar pânico em relação ao “temido Chavez” justificando um aumento nos gastos para reequiparmos nossas Forças Armadas. Nada disso é verdade. O que está ocorrendo na América Latina é apenas um ajuste social, apenas uma nova modalidade de democracia que é baseada nos desígnios populares, na Consulta Popular da aplicabilidade dos recursos do Estado, que poderíamos chamar de democracia participativa. O que é muito natural em face à inclusão da enorme população pobre que agora na América Latina, vive sim uma tempestade de esperança, e participação política.

Chavez reequipa suas Forças Armadas não para “invadir o Brasil”, ou “implementar o socialismo”, isso é uma besteira absurda; a Venezuela estrutura sua Forças Armadas, porque estavam sucateadas pelo neoliberalismo, como estão as nossas aqui no Brasil. Reequipa suas Forças Armadas para manter a soberania nos seu território visando sim uma eventual invasão norte americana. Argumentos sem o menor conteúdo probatório, que tem apenas por objetivo o terror, trazem no bojo a intenção maior, que é a desintegração da união na América Latina. Admiro empresário como Jorge Gerdau que afirmou a necessidade de investirmos na América Latina sem medo, para marcarmos nossa posição. Já que estamos perdendo mercado no nosso próprio território quando empresas espanholas com a OHL, subsidiadas pelo governo espanhol, nos arrancam do solo brasileiro deixando as empresas nacionais sem condições de competir em igualdade, numa demonstração do governo federal de pouco patriotismo e de descaso com o empresariado brasileiro. Os subsídios se referem ao Fundo de Comércio Financeiro, a principal ferramenta para estímulo à compra de ações de companhias e participação em licitações públicas no exterior por empresas espanholas. Essa política de subvenção, alvo de investigação pela Comissão Européia, explica a ofensiva econômica de conglomerados ibéricos sobre a América Latina e os Estados Unidos, mercados promissores no setor de infra-estrutura de transportes.

Como afirmou o Ministro Nelson Jobim, temos que desenvolver nossa tecnologia militar, e para isso precisamos mudar a Lei de Licitações, onde o que impera é o menor preço. Nem sempre o menor preço é o indicado, hoje, para o Brasil o melhor preço é a soberania, a possibilidade de absorvermos a tecnologia e não dependermos dos outros. Isso na verdade serve como esteio na analise do que estamos procurando nesse momento no nosso país, precisamos desenvolver nosso parque industrial nacional, prestigiarmos nosso empresariado, sim, como os espanhóis o fazem, seja lá qual forma adotar. Criarmos ambiente de harmonia na América Latina é essencial para que possam fluir investimentos brasileiros nos paises vizinhos, agora gerarmos tensão, terror, intriga, medo , tudo extamamente à pedido dos EUA, em nada leva o povo brasileiro e o empresariado nacional a avançar politicamente e economicamente na América Latina.

Infelizmente no Brasil, o empresariado nacional ainda se impressiona com opiniões de políticos, via Jornalões, que querem sim, perpetuar seus laços com políticas norte americanas republicanas que por sinal já estão chegando ao seu fim, bastam as declarações do novo embaixador americano na Venezuela, Patrick Duddy, ponderadas, amigáveis, conciliadoras, uma nova postura americana em relação ao país de Chavez que os políticos brasileiros ainda não descobriram, ou porque não gostam dos democratas, ou porque não lêem inglês.

Fernando Rizzolo

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A tão difícil escolha

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A porção semanal do Antigo Testamento, desta semana, chama-se “Chayê Sara” e começa com a morte de Sara na idade de 127, e a busca de Avraham (Abraão) por um local apropriado que fosse digno de sua grandeza. Avraham recusa-se a aceitar a generosa oferta de Efron (um membro da nação chitita que vivia na terra de Israel) de dar-lhe Mearat Hamachpela na cidade de Hebron sem custo algum, e Avraham termina por pagar uma enorme soma de dinheiro pelo lote, onde finalmente sepulta sua amada esposa.

Avraham envia seu fiel servo, Eliezer, de volta a seu país de origem e à sua família, a fim de encontrar uma esposa conveniente para Yitschac. Chegando à cidade de Aram Naharaim, Eliezer alinhava um plano pelo qual conseguirá selecionar uma moça recatada e generosa, apropriada para o filho de seu amo.

Eliezer reza a D’us para que Ele lhe conceda sucesso nesta missão, fazendo o plano funcionar. Decide ficar à beira do poço da cidade, esperando que uma moça lhe ofereça e a seus camelos, água para beber. Esta pessoa, que dar-se-ia ao trabalho de puxar água para um estranho e seus dez camelos, indo além do cumprimento do dever, certamente possuiria um grande caráter.

Rivka passa pelo teste, e após receber presentes enviados por Avraham, ela leva Eliezer à casa de seu pai. Eliezer conta os eventos do dia à família da moça e pede a Rivca que volte com ele para desposar Yitschac. Ela aceita, e eles se casam.

Com o papel de Avraham como pai do povo judeu completado, e o manto da liderança passado à próxima geração, a porção se encerra com uma breve genealogia dos outros filhos de Avraham com sua esposa Keturá (que muitos comentaristas afirmam ser na verdade Hagar) e sua morte com a idade de 175.

O que podemos inferir desta Parashá, ou Porção semanal, no meu entender, seria o fato de analisarmos o quanto é importante na vida o fator “escolha”. Quando estamos bem intencionados em escolher o que há de melhor para nós, ou para o nosso povo, não medimos esforços em traçar estratégias lógicas para que finalmente consigamos encontrar o que tanto procuramos. É exatamente nesse esteio de pensamento que podemos fazer uma reflexão sobre a escolha dos nossos representantes políticos; Abraão sabia que Eliezer era um bom estrategista e poderia enfim “testar” uma pessoa ideal para casar-se com seu filho Isaac, e o fez muito bem.

Não há duvida que muitas vezes nos enganamos nas nossas opções de vida, porque não tivemos ainda a oportunidade de testar a opção, aquilo que aparentemente parece ser bom, só podemos constatar com o tempo, ou quando o colocarmos em provação. O povo brasileiro viveu uma “tempestade de esperança” ao eleger Lula, em parte foi bom, porque quer queira ou não, o presidente é comprometido com a população pobre, mas não tem correlação de forças para avançar, contudo os demais políticos que querem de toda forma atrapalhar o desenvolvimento do país, beneficiando os poderosos que impostos ( CPMF) não querem pagar, foram eleitos por se apresentarem como defensores dos humildes, contudo a prova cabal agora demonstra, que a escolha foi errada, assim como tantas que não passaram pelo teste de Eliezer. Enfim temos muito que aprender com o patriarca Abrão e com seu servo Eliezer para nos iluminarmos nas escolhas e nas nossas opções, inclusive políticas, na defesa do pobre povo brasileiro.

Fernando Rizzolo

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Chávez: “Reforma Constitucional vai fundo pelo desenvolvimento e pela soberania da Venezuela”

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“Essa reforma vai fundo no desenvolvimento econômico verdadeiro, na soberania do país, e na luta contra a corrupção e a ineficiência”, afirmou o presidente da Venezuela Hugo Chávez na quarta-feira, 31, durante evento que celebrou o aniversário do Instituto Nacional da Mulher da Venezuela.

“A proposta original foi fortalecida e foram agregados mais 36 artigos”, acrescentou o líder da revolução bolivariana.

A Assembléia Nacional da Venezuela concluiu na terça-feira as últimas votações no projeto de Reforma Constitucional realizando emendas aos artigos enviados pelo presidente e acrescentando as novas 36 mundanças, que agora perfazem 69. A Assembléia anunciou que na sexta-feira entregará o texto final ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

Cilia Flores, presidente da AN, disse que os parlamentares concluíram a redação das 11 “disposições transitórias” pendentes e, assim, só falta uma leitura final de todo o projeto, prevista para sexta-feira. “Creio que ao meio dia estaremos entregando o projeto de Reforma, sancionado, ao CNE”. Ela explicou que o Conselho Nacional Eleitoral tem um mês para organizar o referendo do projeto de Reforma da Constituição.

Entre as propostas aprovadas pela Assembléia Nacional estão o direito do povo de reeleição presidencial continuada e o fim da autonomia do Banco Central venezuelano e outros artigos relacionados com a economia para estabelecer um modelo “socialista Bolivariano”.

Sobre a atuação do BC da Venezuela, que os governos neoliberais buscaram desvincular do governo para submetê-lo aos bancos, fica estabelecido que, o Executivo e o BC “em estrita e obrigatória coordenação fixarão as políticas e exercerão as competências monetárias do poder nacional” para garantir a estabilidade de preços e administrar o câmbio de acordo com os interesses do desenvolvimento do país, artigo 318.

Outro artigo aprovado pela Assembléia Nacional estabelece a proibição de que a empresa estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) possa ser privatizada no futuro, “nem total, nem parcialmente”. O Estado se reserva a exploração dos hidrocarbonetos líquidos, sólidos e gasosos na rica faixa petroleira do Orinoco.

A Reforma dispõe sobre o Poder Popular através da normatização dos Conselhos Populares (comunais, de trabalhadores, de camponeses, de estudantes) e trata da “gestão democrática dos trabalhadores nas empresas de propriedade social” e demais formas associativas constituídas para “desenvolver valores de mútua cooperação e a solidariedade socialista” (artigo 70).
Hora do Povo

Rizzolo:A Assembléia Nacional da Venezuela sancionou nesta sexta-feira reforma que modifica 69 artigos da Constituição bolivariana de 1999, na realidade isso significa um grande avanço na política de desenvolvimento implementada pelo Presidente Hugo Chavez. Foram 161 votos a favor e seis abstenções – estas, por parte de deputados do partido social-democrata. No dia 25 de outubro passado, a Assembléia Nacional aprovou a reforma dos 69 artigos incluindo 11 disposições transitórias e a elaboração do informe final, sancionado hoje. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), órgão ao qual está sendo entregue o documento, deve convocar imediatamente um referendo para o próximo domingo, dois de dezembro. Além do estabelecimento de um quinto poder do Estado – o poder popular – e de uma nova divisão política territorial, foi aprovada também a redução da idade mínima para o voto, de 18 para 16 anos, o limite de 36 horas para a jornada de trabalho semanal e a criação de um sistema de assistência social para os trabalhadores informais. Ao contrário do que afirmam os “democratas relativos”, o fato de Chavez ter maioria no parlamento unicameral da Venezuela, é unicamente devido a um regime chamado democracia, que muitos no Brasil entendem, como um regime que deve apenas privilegiar uma elite, elite essa que não aceita de forma alguma a participação popular nas decisões do país.

Não podemos entender uma democracia restrita, onde a população pobre, marginalizada, enfim a grande maioria, não opine diretamente sobre seus interesses. Os que se dizem “democratas” não aceitam a essência do regime democrático que é “governo do povo, pelo povo e para o povo”. É lamentável folharmos uma revista como a Veja, e observar a forma leviana dos conceitos de democracia, apregoando e insinuando que o povo não sabe eleger, induzindo o leitor a pensar que a democracia é perigosa, pois compara Chavez a Hitler, ambos eleitos pelo povo, desqualificando a democracia participativa, querendo jogá-la no lixo.

Não há duvida que daqui pra frente os que foram uma vez excluídos pelo neoliberalismo, terão seu papel consolidado na democracia participativa, sem manipulação, sem violência, mas no voto popular. O fato do Banco central fica vinculado ao executivo é de suma importância, para que a economia não seja coordenada por representantes do capital internacional como é o caso no Brasil. Essa é a verdade nua e crua.

Conheça o site dos ativista americanos pro Chavez

Os EUA e seu papel atual

Uma das maiores injustiças cometidas pelas esquerdas mundiais é culpar o povo americano pela política imperialista republicana de cunho belicista. Fomos educados num país cuja cultura americana permeou nossas mentes desde a mais tenra infância; o jazz, o blues, o rock, a musica soul, enfim através da mídia aprendemos a admirar a cultura americana, que na realidade, sempre foi promovida pelo povo do EUA. A exploração dessa cultura como meio de imposição de uma doutrina de dominação é que tornou perverso o objetivo.

Desde há muito tempo a família Rockfeller já tinha descoberto como manipular o povo americano através da religião e do discurso protestante, o ensaio de dominação desenvolveu uma prática que a grande mídia acabou adotando como forma de manter o povo americano alienado, numa subserviência aos donos do capital e da economia norte americana, que representam apenas 1% da população. Sem contar que quem pontua os caminhos da política econômica são as 300 maiores empresas americanas que impõem um verdadeiro regime ditatorial a seus funcionários, fora do controle Estatal.

A maneira da aplicabilidade da democracia nos EUA nos leva a uma reflexão, as eleições não são obrigatórias, elas ocorrem na segunda semana de outubro, e quem quiser votar é descontado o dia de trabalho. Este eleitor não vota diretamente, com o intuito de eleger um Presidente, mas a um Colégio Eleitoral, que irá determinar os desígnios da nação. Os negros e latinos são cidadãos de segunda classe, as políticas de inclusão atualmente estão sendo descartadas, como as cotas para negros, alem disso, hoje nos EUA, 47 milhões de pessoas não tem sequer seguro saúde, e a ausência do Estado nessa área é completa.

Os republicanos manipulam dados eleitorais como o ocorrido na Florida com Bush, tudo com a finalidade de mascarar a democracia e sublinhar os fatores de manipulação do povo, fazendo do mesmo “fantoches” do consumo e dos donos do poder. Com efeito, os movimentos dos democratas, nas pessoas de Hillary e Obama, estão desmistificando traços dos republicanos que como mágicos iludem o povo em favor da minoria que controla toda a economia.

Temas como o belicismo republicano tem sido atacado por democratas como Bob Kennedy Jr. que condena publicamente a guerra de Bush contra o Iraque e se coloca frontalmente contra a instalação de mísseis dos EUA na Europa, “Os EUA não necessitam desse escudo antimíssil na República Tcheca e Polônia. Sua criação não tem nenhum sentido para nós”, afirmou ele em visita à Rússia na terça-feira, durante entrevista à agência de notícias Novosti. “Considero a guerra de Bush contra o Iraque a verdadeira catástrofe da nossa história contemporânea”, ressaltou, e foi mais longe “Se a Europa precisa, que construa esse sistema. Por que os EUA têm que gastar seu dinheiro nisso?”.

Podemos concluir que o povo americano em si é tão vítima da democracia relativa quanto o povo brasileiro, apenas temos uma vantagem em relação a eles, quem pode auxiliá-los é a política dos democratas, que na realidade são apenas mais amenos em certas pontuações, mas que não possuem correlação de forças suficiente para libertar o povo americano do domínio de poucos. A nós nos resta integrarmos a América Latina, e somarmos esforços na procura de alternativas e parcerias no nosso desenvolvimento, aproveitando o deslocamento dos recursos econômicos mundiais como os Fundos Soberanos, que nada mais são do que aplicação de parte das reservas internacionais em investimentos de maior risco e retorno, China, Cingapura, Emirados Árabes e Arábia Saudita já adotaram esta solução.

A China, por exemplo, aplica US$ 300 bilhões em ações, além de ter participações em bancos e em empresas pelo mundo. No Brasil, a discussão ainda deve avançar, contudo, não podemos desprezar as oportunidades de nos libertarmos daquilo que nos aprisiona desde a nossa infância, o domínio dos donos do poder nos EUA, e nos cercarmos apenas do jazz, do blues, do rock, que é a essência da expressão artística do povo americano.

Fernando Rizzolo

Terceiro mandato, medo do povo ?

O governador de Minas Aécio Neves afirmou que o “Brasil não é a Venezuela” numa referência à democracia participativa que é exercida na sua plenitude naquele país onde o povo é consultado através dos instrumentos constitucionais como Plebiscito, Referendo, Consulta Popular. Numa demonstração de “pouca vocação a ouvir o povo” rechaçou qualquer tentativa do povo brasileiro opinar sobre um eventual terceiro mandato, disse ainda, que qualquer mudança constitucional “seria um desserviço ao povo”. Ora, essa postura antidemocrática, tem surgido de várias formas em declarações de políticos que apregoam a “democracia relativa”, aquela em que só os financiados por grupos internacionais, ou pela elite, podem decidir os destinos da nação brasileira, deixando o pobre, o humilde, aquele que gera riqueza, de lado, sendo manipulado pela imprensa, pelos ilusionistas da democracia fazendo com que a opinião popular seja abafada.

Todos sabem que tenho restrições ao governo Lula, até porque os 58 milhões de eleitores que depositaram suas esperanças no líder operário, foram literalmente enganados, houve sim, alguns avanços, projetos sociais foram implementados, contudo, o beneficiamento a grupos internacionais, banqueiros, e, principalmente o descaso com o pequeno e médio empresário nacional salta aos olhos. O governo Lula não é um governo voltado ao desenvolvimento empresariado nacional, a maior prova são as privatizações regadas à “óleo espanhol” deixando as empresas nacionais numa situação de desvantagem, não existe tampouco um projeto sólido de desenvolvimento do parque nacional bélico, o que há são apenas intenções, projetos que não saem do papel, e que são calados com aumentos aos militares. Isso é a base da defesa da nossa soberania? O Exercito não recebe verbas suficientes ao atendimento de suas necessidades há 30 anos. Jobim diz que a “sociedade tem que se envolver na discussão sobre a questão militar” quando o certo seria não discutir, mas agir, implementar, destinar verbas, e não ficar de certa forma procrastinando o reequipamento, levando questão de urgência para “discussão”.

A democracia participativa é a essência da democracia e deve ser exercitada, agora, o que não pode é o camarada Aécio negar o direito do povo ser ouvido. Se no Plebiscito, a população concordar com um terceiro mandato, quem é que, no Congresso, vai se opor à emenda para mudar a Constituição? Ah! mas os “democratas de araque” isso eles não querem, não é? Agora, aqui entre nós, se a vontade popular fosse expressada com a intenção de um terceiro mandato a Lula, temos que implementar algum instrumento que defenda o pobre eleitor de ser enganado de forma contumaz.

Fernando Rizzolo

Fundos soberanos, uma ameaça para o imperialismo

Há uma nova preocupação no horizonte dos países ricos, que dominam o mundo há alguns séculos e impõem o atendimento de seus interesses econômicos e políticos. É a ameaça representada pelos chamados ”Fundos de Riqueza Soberana” (em inglês, Sovereign Wealth Funds – SWF), que poderão ser instrumento para uma disputa econômica desfavorável para os países ricos – os EUA, em particular – e representam sério desafio para seu domínio.

Eles sinalizam uma mudança importante no equilíbrio do poder econômico e político no mundo. Até recentemente, os países chamados em desenvolvimento – como a China, a Rússia e o Brasil – eram quase sempre deficitários em seu comércio com os países ricos. Somente os países produtores de petróleo conseguiam superávits, que eram aplicados em títulos dos tesouros nacionais dos países ricos, principalmente dos EUA.

O boom do desenvolvimento da China começou a inverter esta tendência que, este ano, se fortaleceu quando países como o Brasil livraram-se da tutela do FMI e começaram , na esteira de um mercado mundial favorável a suas exportações, a acumular montanhas de divisas, formam altos volumes de reservas internacionais.

Com uma particularidade: essas reservas cresceram num ambiente de enfraquecimento do dólar e, em consequência, de queda na remuneração de investimentos feitos em títulos do Tesouro dos EUA. Uma opção que, ao longo do tempo, foi se revelando um mau negócio para os países que aplicam nesses títulos: calcula-se que, desde 2002, quando sua cotação começou a cair, o dólar já perdeu 20% de seu valor. Somente em 2007, desde a crise dos mercados imobiliários de agosto, a queda teria sido de 3%.

A reação, previsível, dos países emergentes, detentores de elevados saldos comerciais no comércio com os países ricos foi proteger seus ativos. Os Fundos de Riqueza Soberana não são novos. Hoje, existem cerca de 42, entre eles dez com ativos superiores a 100 bilhões de dólares. Somente o da China, criado este ano, tem patrimônio de 200 bilhões; o da Rússia tem 127 bilhões. E o Brasil começa a estudar a criação do seu, com pelo menos 10 bilhões.

Daí a ameaça que representam para os países ricos, e que levou a questão à pauta da reunião da diretoria do FMI, em 20 de outubro. Enquanto essas reservas estavam aplicadas em títulos do Tesouro dos EUA, elas eram benéficas para o equilibrio das contas da maior potência imperialista e não causavam preocupação. Afinal isso significava que os próprios países ”emergentes” deixavam seu dinheiro em poder da porência dominante, equilibrando suas contas esfarrapadas e ajudando a manter o mundo em um equilíbrio que a favorecia.
Site do PC do B

Rizzolo: Os EUA já se preocupam com estes fundos soberanos, e tentam impor regras com intuito de controlá-los, atualmente existem cerca de 42, entre eles dez com ativos superiores a 100 bilhões de dólares. Isso já esta sendo discutido com banqueiros do G7. Na verdade nem eles sabem se esta regulamentação vai realmente ser eficaz. A preocupação principalmente vem do governo Britânico.

Os EUA esperam através do G7 e do Fundo Monetário Internacional dominar e regular esses Fundos Soberanos. Observem que os EUA não se conformam de perder seu poderio econômico e tentam capitanear esses Fundos do ponto de vista regulamentador, definindo um modelo de conduta para os grandes instrumentos de investimento estatais. A proliferação de fundos soberanos, e o crescente tamanho destes instrumentos têm possíveis implicações para o sistema financeiro global, disse Paulson ao comitê diretor do Fundo.

Os Estados Unidos acreditam que uma abordagem multilateral dos fundos soberanos que mantenha políticas de investimento abertas é do melhor interesse dos países, tanto daqueles que detêm os fundos, quanto das nações onde eles investem, afirmou o secretário norte-americano. Qual o sentido dessa orientação, hein?

Profetas do modelo estagnacionista

Notícias de hoje vindas dos EUA, confirmam que a economia americana registrou um crescimento (anualizado) de 3,9% no terceiro trimestre, segundo estimativa inicial divulgada nesta quarta-feira pelo Departamento do Comércio. O resultado foi o maior desde o registrado no primeiro trimestre do ano passado, quando o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 4,8%. Ou seja, a economia dos EUA, ao contrário do que afirmam os “profetas do modelo estagnacionista”, está sim aquecida. Contudo, a decisão de hoje do Federal Reserve de cortar a taxa básica de juros, nos leva a uma reflexão. Uma economia em aquecimento com políticas de cortes de juros, estará correta ? Is there something wrong ? Depende, se depender dos comentários, dos profetas do modelo estagnacionista que vivem no Brasil, mas trabalham em Wall Street, isso não serve para o Brasil.

Segundo eles, temos sim que fazer ao contrário, para que o capital internacional se beneficie e o modelo estagnacionista se implante definitivamente no Cassino Brasil. Economistas que trabalham para esses grandes grupos que querem o “marasmo” econômico brasileiro; alegam através do terrorismo inflacionário, que temos que continuar com os juros nesse patamar, que é necessário insistirmos no “travamento” da nossa economia, alegando altas em alguns setores, para embasar a pobre argumentação do “superaquecimento”, do medo da volta da inflação, que na realidade é uma grande balela, que serve apenas para visar seus interesses não patrióticos.

Segundo números da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), vinculada ao Ministério da Fazenda, de janeiro a setembro o volume de capital estrangeiro para especular no mercado financeiro (renda fixa e ações) foi de US$ 35,794. No mesmo período do ano passado, o total foi de US$ 9,051 bilhões. Ou seja, houve um aumento de quase 300%.
A título de comparação no período, o saldo da balança comercial, por exemplo, foi de US$ 30,938 bilhões. O que mostra que a enorme quantidade de dólares que entra no país, jogando sua cotação para baixo, se dá em função da taxa de juros, que se encontra em um patamar ainda bastante alto.

Não é preciso ser economista, nem tampouco palpiteiro, para se inferir a má intenção dos membros do COPOM, que mais parece uma “Febrabam versão americana”, composta por representantes de bancos internacionais, para perceber que, o que se faz nos EUA, não se pode fazer aqui. E o pior, esses “profetas do estagnacionismo” ainda culpam o governo argumentando que ao invés de apregoar a diminuição das taxas de juros estratosféricas, o governo deveria “promover um programa de reforma”, como cortes nos gastos públicos e outros meios de contenção, sem a menor preocupação com o povo brasileiro que necessita da geração de 4 milhões de empregos por ano, e desenvolvimento do nosso parque industrial nacional.

Culpar os economistas, culpar o COPOM, culpar os “profetas do estagnacionismo”, de nada adianta, se não nos dermos conta de que os 58 milhões de votos a Lula, envoltos num discurso desenvolvimentista, a favor de maior distribuição de renda, e de crescimento, nada mais era do que uma pílula dourada mais ou menos reluzente com os dizeres “In Gold we trust”.

Fernando Rizzolo