O contraditório de Serra

Hoje li com muita atenção, um ótimo artigo escrito por Altamiro Borges, membro do PC do B, intitulado ” São Paulo, palanque dos neoliberais “, em seu texto, descreve de que forma São Paulo tornou – se o ninho da direita. Não há como não concordar com as suas pontuações na exegese do brilhante texto por ele escrito. Todavia, descreve o governador Serra como um neoliberal irrecuperável e autocrático. Com efeito, existe um componente de auto mutilação ideológica em Serra, às formas das tradições do “Opus Dei”; de contornos a trair idéias e sentimentos de justiça social, que um dia povoaram o consciente e o inconsciente do governador.

Muitas vezes me pergunto se conceitos nobres podem ser abandonados por direcionamentos partidários, ou por maioria condicionante via mídia neoliberal ou interesses econômicos. Não chegaria a acreditar que as modulações ideológicas vividas pelo governador não o assaltam na escuridão da noite ao conversar com Deus e nas suas introspecções. Acondicionar todos os ideais e o passado de Serra e condená-lo pelo fato de ser partidariamente conduzido à direita gananciosa, não o desqualifica, porque na essência, a devida oportunidade eleitoral o levará a se afastar daqueles que na realidade o comprometem partidariamente e o acorrentam na condição neoliberal conspurcando-o ideologicamente.

Enganam-se aqueles que apostam na ingenuidade política de Serra, da mesma forma que, de forma oportuna modificou seu discurso a agradar a direita paulista ditada pelos jornalões e por algumas revistas muito lidas em ” consultórios médicos “. Não estaria eu de todo errado, se Lula já não ensaiasse uma aproximação à Serra, uma leitura na vocação combativa a favor da CPMF empreendida pelo governador, numa verdadeira catequese tucana, num gesto realmente nobre.

Tampouco me enganaria, quando Zé Dirceu elogia Serra, em entrevista na revista Piauí, o classificando de obsessivo e trabalhador. Serra, ao contrário das apregoações de Altamiro Borges, não é perigoso, mas mal utilizado, um potencial que poderá retornar ao bem do povo brasileiro, talvez longe do PSDB e mais perto daquilo que um dia foi, e que com certeza não se arrependeu de ter sido. Um político de esquerda, que passou quatorze anos de sua vida no exílio. Só aos mortos é dado o direito de jamais mudar suas idéias, e ele nem mudou viu.

Fernando Rizzolo

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