O individualismo e o isolacionismo

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Globalização é a expressão de ordem do capitalismo. Na realidade o que impulsiona essa expressão é um tipo de alienação. A ironia da globalização, advêm do fato do mundo estar teoricamente unificado, e ao mesmo tempo as pessoas estarem tão separadas entre si como nunca na história da humanidade. Cada vez mais, nós nos definimos a nós mesmos em termos econômicos. Costumamos a um primeiro encontro, sempre perguntar ao outro. Você trabalha em que área? Nossas semanas estão divididas entre o trabalho e o descanso, o que na maioria das vezes significa horários para produzir, e horários para consumir, nos encontrando num ciclo entre produção e consumo, invariavelmente.

Nossas alienações aumentam de forma progressiva. A cada etapa que acompanha o desenvolvimento profissional, nos distanciamos dos outros cada vez mais; mudamos de um apartamento para um condomínio fechado, sem contato com os nossos vizinhos, compramos dispositivos que efetuam ” personalização ” do mesmo apenas para nosso uso exclusivo, nos proporcionando ouvir ou assistir somente músicas ou filmes do nosso gosto, de forma separada dos outros, geralmente através de “headphones” que acabam nos desconectando do mundo. Até mesmo nossos celulares, que deveriam nos conectar com os outros, nos permitem ” filtrar” nossas relações, nos separando dos corpos que estão ao nosso redor, de forma a nos fazer ouvir vozes ” descorpadas”, de pessoas, que no final, raramente encontramos. Filhos que só falam com os pais por telefone, visitas via celular a entes queridos, com um final geralmente dizendo ” eu te amo “.

Desesperadamente procuramos no fundo, estar com, somos na essência ” animais sociáveis”, apesar de com freqüência estarmos exaustos da alternância entre fazer, comprar, produzir e consumir, o que nos impõe uma real impossibilidade de “simplesmente sermos nós”.

Num ambiente altamente desfigurado, ajudarmos ao outro, é a melhor forma de nos tornarmos parte de algo maior. Como fazer isso? Agindo ao semelhante, ou seja, fazer aos outros aquilo que gostaríamos que fizessem a nós mesmos. Seria o princípio judaico de assegurar que não haverá ninguém sem roupas enquanto temos roupas, ou não haverá famintos enquanto alguns saboreiam alimentos. O capitalismo nos leva ao egocentrismo, ao individualismo, e dessa forma, não mais temos condições de pensar no coletivo, tudo enfim gira em torno do pessoal, do único, do mesquinho.

Mas como poderíamos quebrar essa cultura importada, a do consumo? Uma das formas é a reflexão, é o se despir da ganância, é se voltar as coisas simples da vida, à natureza, aos amigos, e não se deixar levar à extrema concorrência que gera o ódio, e leva fatalmente à depressão.

Ter um projeto de vida e uma visão política de Justiça Social, enobrece o homem e refina os preceitos éticos que tanto o individualismo consumista nos obscureceu. Pensar em Deus e agir como parceiro dele aqui na terra procurando ser o melhor naquilo que você faz é a melhor oração, mas sem se deixar levar pela febre do isolamento e do do consumo que o levará fatalmente à tristeza e a falta de sentido na vida. Pense nisso.

Fernando Rizzolo

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