O medo de acordar mais pessimista

Dizem que todo otimista é um mal informado, pelo menos o ditado serviu para confirmar as previsões do economista Nouriel Roubini que hoje comanda um dos portais econômico econômico-financeiros mais prestigiados do mundo, e Stephen Roach, presidente para a Ásia do banco de investimentos americano Morgan Stanley.

Há um ano, no mesmo painel de abertura de Davos, ele ficou isolado ao prever, no momento em que se começava a falar em problemas no mercado hipotecário americano “subprime”, que os Estados Unidos entrariam em recessão, afetando toda a economia global. Roubini se contrapôs a visões bem mais otimistas de economistas de altíssima reputação como Laura Tyson, da Universidade de Berkeley, e ex-conselheira da Casa Branca, e Jacob Frenkel, vice-presidente do grupo segurador AIG.

Ontem ao ser questionado por um jornalista brasileiro se concorda com a tranqüilidade demonstrada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante da crise financeira internacional, Roubini afirmou, “O Brasil e outros países da América Latina fizeram muitas coisas certas”, disse Roubini. “Acumulou superávits em conta corrente, regime cambial flutuante, fortaleceu suas reservas, implementou maior austeridade fiscal. A situação hoje é muito diferente do que vimos nas crises de 1999 ou 2002, não existe o mesmo risco.” Afirma também o economista que o Brasil teve boa sorte face aos preços das matérias-primas que fortaleceu a balança comercial, contudo acredita que com uma recessão nos Estados Unidos e uma desaceleração do PIB mundial causará uma queda nos preços das commodities, e disso dificilmente escaparemos.

Tenho dito que o Brasil não pode ter como meta ser só um exportador de matérias-primas, o que vemos hoje são os manufaturados estarem relacionados à existência de contratos de longo prazo, que podem não ser renovados caso o câmbio permaneça no nível atual, e isso tem muito a ver com as taxas de juros estratosféricas que só servem aos especuladores e dificulta, face ao dólar valorizado, as exportações principalmente dos manufaturados. E ao que parece, as taxas básicas não vão ceder, ontem o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, decidiu manter a Selic (taxa básica de juros) em 11,25% ao ano, percentual que está em vigor desde setembro. Só para terminar, o que esta ocorrendo no Brasil, faz com que até o otimista durma com medo de acordar pessimista.

Fernando Rizzolo

“Requião é livre para manifestar suas opiniões e pensamentos”, diz juíza

“A Constituição garante os direitos fundamentais à livre manifestação do pensamento e à livre expressão da atividade intelectual, independentemente de censura ou licença de acesso à informação. Assim, Roberto Requião está livre para manifestar críticas, bem educadas ou não, a respeito da imprensa, das instituições públicas e de seus adversários políticas”, analisou a juíza federal Tania Maria Wurster, que negou outro pedido do Ministério Público de censura prévia às críticas e denúncias do governador, em dezembro de 2007, contrariando o atual despacho do desembargador Edgar Lippmann.

Referindo-se às críticas dos que acham que o governador faz uso da emissora pública em benéfico próprio, a juíza argumentou em seu despacho: “Impedir de fazê-lo configura censura, o que é vedado constitucionalmente. A circunstância de serem as críticas categóricas é da pessoa de Roberto Requião e, juntamente com ele, elas foram chance-ladas pelos paranaenses quando o elegeram. São opiniões políticas, próprias do exercício do regime democrático. As opiniões não foram lançadas na esfera privada dos ofendidos, o que poderia demandar a aplicação dos princípios de proteção à honra. Em razão do exposto, entendo que a manifestação do pensamento, porque é livre de qualquer condicionamento, por si só e em princípio, não configura lesão à moralidade ou impessoalidade administrativa”.

Tânia Maria afirmou que, “na condição de Governador do Estado, o réu Roberto Requião é notícia. Enquanto agente político, chefe do Poder Executivo do Estado do Paraná, seus atos, palavras e decisões são de interesse público. Não é por outra razão que o réu é mencionado todos os dias na imprensa estadual. Neste caso, inviável pretender que deixe ele de aparecer, manifestar opinião, dar informações a respeito de seu governo, seja em rede privada ou pública de televisão. Inviável pretender, portanto, que ele deixe de ser mencionado na TV Educativa”, disse.

Hora do Povo

Rizzolo: A juíza Tânia Maria na sua fundamentação esta correta, não há que se falar em censura, vez que o Governador Requião está fazendo uso da sua prerrogativa de Governador do Estado, alem disso, Requião é livre para manifestar suas opiniões e pensamentos. Ademais, não se tem notícia que as opiniões foram lançadas na esfera privada, como assim bem disse a juíza. O que me parece, é que existe uma disputa política e o uso da emissora pública no entender de alguns tem privilegiado Requião. A OAB por sua vez, não quer e nem deve se envolver nessa questão, para isso existe o provimento jurisdicional que o Nobre Governador pode provocá-lo quando assim entender, na tentetiva de reformar a decisão. Agora, sinceramente, essa situação gerada era tudo que Requião queria para aparecer e ter notoriedade, a oportunidade foi dada.

Serra sugere que incêndio no HC foi ‘provocado’

Segundo o governador, hipótese de incêndio criminoso não havia sido descartado em ocasião anterior

O governador de São Paulo, José Serra, sugeriu que o incêndio da manhã desta quarta-feira, 23, no Hospital das Clínicas tenha sido provocado. Segundo ele, esta hipótese não havia sido descartada na ocasião do incêndio anterior, ocorrido no dia 24 de dezembro de 2007, mas no incidente de hoje essa tese é ainda mais forte. “Esse incêndio de hoje foi numa sala fechada, sem elementos de combustão, inclusive existe a hipótese, que vai ser investigada, de que foi provocado”, disse. “Era numa sala fechada, que não tinha elementos combustíveis. Ninguém acendeu um fósforo, quer dizer, não havia motivo para ter saído fumaça de lá”, acrescentou.

Serra ressaltou que as obras para a recuperação e manutenção da rede elétrica do hospital foram iniciadas hoje e que, o ano de 2007 foi o primeiro de muitos em que o orçamento do hospital para este tipo de obra não foi contingenciado. Ele destacou ainda que o incêndio desta manhã não teve nenhuma vítima. “Não teve conseqüência nenhuma agora, que foi esquisito, foi”, suspeitou o governador.

Sobre a intenção do Sindicato dos Funcionários e Servidores do Hospital das Clínicas, que sugeriu a interdição do Prédio dos Ambulatórios HC até que uma perícia completa do edifício seja realizada para evitar novos incidentes, Serra ironizou: “O sindicato lá é petista e torce contra. Não dá para levar a sério. Eles estão lá na base da provocação para procurar enfraquecer a diretoria do hospital”. E alfinetou: “Isso é provocação petista”.

O governador disse que a denúncia do sumiço de parte de uma carga de cocaína apreendida pela polícia de São Paulo já está sendo investigada. Na ocasião, foram apreendidos 200 quilos da droga, mas a Justiça consta a apreensão de 98 quilos.

Em relação à manifestação dos servidores do Sistema Penitenciário do Estado, realizada hoje no centro de São Paulo, Serra disse que no governo já existem estudos para aumentar a remuneração dos agentes. “Eles têm direito de se manifestar, mas, independente disso, nós já estávamos examinando o assunto”, garantiu.

Agencia Estado

Rizzolo: Olha, realmente dois incêndios no mesmo lugar, me parece uma tremenda falta de imaginação. Todavia, deve-se investigar, o que me causa espécie, é o fato desse incêndio, ter se iniciado em uma sala fechada, sem combustão, do nada. Não resta dúvida de que grupos ligados ao PT irão explorar o assunto ao máximo. Agora, o Sindicato dos Funcionários e Servidores do Hospital das Clínicas, sugerir a interdição do Prédio dos Ambulatórios HC até que uma perícia completa do edifício seja realizada para evitar novos incidentes, acho que é demais. Quanto essa questão do sumiço da cocaina tem que ser apurada com rigor, e não tenho a menor dúvida de que será.

Dois candidatos à presidência dos EUA defendem socialismo

Dois candidatos à Presidência dos Estados Unidos carregam a bandeira do socialismo em suas campanhas. Brian Moore, do Partido Socialista, e Róger Calero, do Partido dos Trabalhadores da América, dizem que são candidatos para defender um sistema justo.

‘Os EUA deveriam ser mais como Cuba’, diz Brian Moore, candidato socialista.
Róger Calero, também socialista, acredita no potencial da ‘vanguarda’ dos trabalhadores.

David Butter Do G1, em Miami

Em ”Democracia na América”, texto clássico sobre os então jovens Estados Unidos, no século XIX, Alexis de Tocqueville afirmou que democracias como a americana ”não só não desejam revoluções como tem medo delas”. Pelo menos dois candidatos à presidência americana discordam do diagnóstico do mestre francês. Na campanha de 2008, Brian Moore, do Partido Socialista, e Róger Calero, do Partido dos Trabalhadores da América, carregam a bandeira do socialismo, uma causa que, ao contrário do que sugerem os resultados eleitorais recentes, tem tradição nos EUA.

Tanto Moore, um ativista da Flórida, quanto Calero, um jornalista de Nova Jersey, têm poucas chances de superar Eugene Debs, líder socialista que, por duas vezes (uma em 1912 e outra em 1920, quando concorreu preso) somou mais de 900 mil votos. Mesmo assim, eles concorrem para marcar posição

”Uma das principais funções do Partido Socialista é preservar o ideal, demonstrar aos povos do mundo inteiro que nós precisamos ter um sistema mais justo”, diz ao G1 Moore, que já tentou, sem sucesso, ser prefeito de Washington, senador e deputado pela Flórida.
Pela Constituição americana, o outro candidato socialista não poderia assumir a presidência nem se vencesse. O jornalista de 38 anos nasceu na Nicarágua e mora nos

EUA desde 1985 na condição de ”estrangeiro residente”, não é cidadão americano – só americanos natos estão qualificados para o cargo. ”Os requisitos (da Constituição) podem mudar. Não é só uma questão para mim, é uma questão dos direitos de milhões de estrangeiros de poder votar e se candidatar.”

Os dois sabem que, nem na melhor das hipóteses, estarão nas cédulas de mais da metade dos 50 estados. Pela lei, o registro na ficha de votação é feito estado a estado, e as regras vão do liberal ao restritivo. Em estados como o Tennessee, com menos de 300 assinaturas de eleitores é possível incluir o nome do candidato. No Texas, são necessárias mais de 50 mil. Moore espera entrar nas cédulas de 20 estados; Calero, em pelo menos 12. Nesta fase, de início da campanha, os candidatos menores dependem de voluntários e contribuições para organizar os abaixo-assinados e pagar, onde necessário, as taxas de inscrição.

”Tenho que conseguir dinheiro com amigos, parentes e integrantes do partido. Mas, geralmente, eles não têm muito dinheiro. O que eu faço é colocar meu site à disposição e esperar a resposta daqueles simpáticos ao movimento antiguerra e à criação de um sistema nacional de saúde”, diz Moore, que vê como sua grande adversária ”uma elite de 5%” que se mantém graças ao trabalho dos ”outros 95%”.

Experiência latino-americana

Os dois candidatos têm ligações profundas com problemas latino-americanos. Depois de abandonar um seminário na Califórnia, por divergências políticas com um bispo, Moore participou de trabalhos sociais na região dos anos 60 em diante, inclusive no Brasil, e arranha o português. Quando busca um modelo, o ativista olha para o sul, mais precisamente para o Mar do Caribe. ”Os EUA deveriam ser mais como Cuba”, afirma, ao elogiar o sistema de saúde e o status dos trabalhadores da ilha governada pelos irmãos Castro.

Calero, nicaragüense, já teve problemas com a imigração americana. Em 2002, foi preso no aeroporto de Houston, no Texas, quando os agentes checaram seu histórico: em 1988, quando ainda era estudante secundário, ele foi condenado pela Justiça por vender maconha em Los Angeles. O fato, que, de acordo com os ativistas que se mobilizaram para defendê-lo, já era conhecido há anos pelas autoridades, quase custou a deportação do jornalista. ”É o tipo de coisa que eles fazem com milhões, é só um reflexo da luta dos imigrantes pelo direito de viver e trabalhar nos EUA”, afirma ao G1.

Na última tentativa de ser presidente, há quatro anos, Calero somou 10.795 votos a frente do mesmo Partido dos Trabalhadores da América. O partido de Brian Moore, o Socialista, ficou um pouco acima, com 10.822. Ambos acreditam no potencial de realização de suas expectativas.
”A perspectiva para uma mudança revolucionária é muito grande aqui nos EUA, será uma mudança que virá de nossas próprias lutas”, avalia Calero. Moore não só confia no sucesso de sua causa, como se arrisca a imaginar as ações do primeiro presidente socialista, no primeiro dia de governo: sair do Iraque, fechar as bases no exterior, abolir as agências de inteligência (”a começar pela CIA”), garantir acesso gratuito à saúde e à educação e acabar com a ”mentalidade do cowboy, de vencer a qualquer custo”.

Site do PC do B

Rizzolo: É claro que a candidatura de socialistas nos EUA é uma ficção eleitoral, contudo, vale a demonstração de que nem tudo vai bem. Preceitos de justiça social cada vez mais estão surgindo nos EUA, até porque, o contingente de pobres esta aumentando em determinadas, áreas. Alem disso, a questão do seguro saúde agrava a situação de quem não pode suportar os custos médicos tendo que muitas vezes atravessar ilegalmente a fronteira do Canadá para se tratar.

O povo americano merece ser tratado com dignidade, e a primeira atitude a ser tomada é varrer a nefasta influência republicana nos meios políticos e na mídia. Mas acredito que com a ajuda de Deus, os democratas virão e amenizarão os tentáculos da potência imperialista. Termo antigo? Não, pensa bem e verás que não é. Como dizia o velho republicano reacionário, ” Quando acabarmos de comer o queijo vamos distribuir ao povo todos os buracos “.

Emergentes poderão ser novo centro de poder, diz Soros

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O megainvestidor húngaro naturalizado americano, George Soros afirmou nesta quarta-feira que não acredita que crise que atinge a economia americana provocará uma recessão global e que o centro de poder e influência poderá ser transferido dos Estados Unidos para o mundo em desenvolvimento.
Em entrevista à BBC, Soros disse que será “muito difícil” evitar uma recessão nos Estados Unidos.

“Não acredito que haverá uma recessão mundial. O que poderá ocorrer é uma transferência significativa do centro de poder e influência em direção ao mundo emergente e à China, em particular”, disse o bilionário americano.

Soros disse ainda que apoiar a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de cortar a taxa de juros para 3,5%, uma redução de 0,75 ponto percentual, reaquecendo os mercados nesta terça-feira.

“É preciso resgatar os mercados. Do contrário, teremos uma depressão, como aconteceu nos anos 30”, afirmou.

Regulamentação

Na avaliação do investidor, a situação da economia atual mostra que os Estados Unidos não poderão continuar consumindo mais do que produzem.

“A expansão do crédito que permitiu os Estados Unidos a consumirem bem mais do que produzem foi capaz de engolir as reservas de todo o mundo. Este é um processo que está chegando ao fim”.

Soros ainda defendeu uma maior regulamentação do mercado.

“Desde 1980, em vez de impor regulamentações ou restrições, os governos têm confiado demais nos mercados. Em outras situações, eles já tiveram de intervir para resgatá-los, então têm de estar cientes de que os mercados não podem funcionar sempre sob suas próprias regras”, disse.

BBC Brasil

Rizzolo: O mais importante aspecto desta entrevista é que finalmente um especulador como Soros reconhece a necessidade da regulamentação do mercado. Isto serve como paradigma, para que os amantes do neoliberalismo desenfreado pensem duas vezes antes de apregoarem a total livre iniciativa. Pensem ou ouçam um especulador do calibre de Soros. Aliás, para acabar com essa orgia financeira é fundamental prender o chofer não o automóvel. Isso que dá ” confiar na ação reguladora dos mercados “.

A verdade não é uma virtude ?

Com a finalidade de dar transparência ao PAC ( Programa de Aceletação do Crescimento), o governo omitiu e maquiou os resultados do PAC. Na verdade, na área de energia elétrica o governo decidiu ignorar os atrasos em obras como as da usina nuclear de Angra 3 e das hidrelétricas de Belo Monte (PA) e Ribeiro Gonçalves (PI). Entre os projetos de gás natural, não foi considerado o atraso no gasoduto Campinas-Rio. Faltou falar a verdade?

Não entenderam como atraso, as obras da usina nuclear de Angra 3, obra que poderá agregar 1.350 MW (megawatts) ao sistema elétrico se for concluída. No ano passado o cronograma era para que a obra ficasse pronta em dezembro de 2013. Agora, o novo prazo é 31 de maio de 2014. Enfim em todos as questões relativas às obras do Programa de Aceleração do Crescimento no tocante a prazo, o governo procura mais uma vez não dar a devida explicação lógica. É claro que, contra fatos não há argumentos, e melhor seria, até para se redimir dos espúrios acordos com intuito de mercadejar cargos em troca de opoio político, que o governo, de uma vez por todas, fizesse uso da sinceridade.

Determinado momento prevalece os interesses da elite e do agro negócio, como na transposição do São Francisco, em outro momento abandona a ética e parte para acordos ” estranhos” com o PMDB, loteando Ministérios, em outra, admite a afirma peremptoriamente que não haverá crise energética, em outro então, afirma que não haverá aumento de impostos. Ora, afinal aonde está a ética e a sinceridade? Sempre defendi o governo Lula, até porque avanços existem em função da implementação dos programas sociais, mas o que me leva à indignação, é a falta de sinceridade política que transborda os níveis da ética. Será necessário não dizer a verdade para se ter um ganho político? Será tão importante mercadejar cargos para ter-se a chamada ” governabilidade? Isso é a democracia? Não, definitivamente, acredito que não.

Não aceito como premissa, usar o pobre povo brasileiro com promessas eleitoreiras, levando um partido como o PT ao poder, para depois de forma dissimulada servir às elites selecionadas, por que na questão energética e outras onde a sinceridade é escassa como a chuva, o prejudicado será o povo com o possível desemprego face a impossibilidade do desenvolvimento da indústria; até porque não há consumo sem energia em todos os sentidos. Entendo que o governo deveria fazer uma reflexão é, decididamente, não mais iludir a população deixando de assumir a responsabilidade sobre os projetos que andam a passos lentos, enquanto a politicalha se justifica com o pretexto de ” avanços e as necessárias correlações de força “.

Fernando Rizzolo

A preocupação é maior do que o corte de juros

Uma das características da atual crise americana que se iniciou com a questão dos ” subprimes”, é o fator confiança. A profundidade da eventual recessão americana é que o mercado se questiona. A obscuridade do problema face aos mercados globalizados, leva os investidores a uma análise, a meu, ver perfunctória da realidade, que pode ser maior ou menor do que tende a aparentar.

O mercado teme que a medida emergencial do banco central americano (BC) de cortar os juros básicos no país em 0,75 ponto porcentual, para 3,5% ao ano, não seja suficiente para estimular o sentimento em meio aos temores crescentes de recessão nos EUA e o tombo das bolsas européias e asiáticas nos últimos dois dias.

Não resta a menor dúvida que o problema é grave na medida em que difícil é mensurar ou quantificar a extensão da questão econômica americana. Além disso é importante salientar que a China possui uma boa quantidade dos chamados ” títulos podres” e que de certa forma também sera afetada pela crise.

Quando o Fed concretizou as apostas do mercado, deixou transparecer sua preocupação com a saúde da economia norte-americana. “O comitê tomou esta ação à luz do cenário de enfraquecimento econômico e aumento dos riscos de baixa para o crescimento”, disse o Comitê de Mercado Aberto do Fed, em comunicado. Isso fez com que o índice Dow Jones da Bolsa de Nova York abrisse o pregão em forte queda, ontem.

Na Europa, o comissário para Assuntos Econômicos e Monetários da União Européia, Joaquin Almunia, declarou que retração dos EUA não deve atingir diretamente o crescimento da zona do euro. Ele admitiu que a queda nas bolsas européias ontem mostrara “que os mercados estão considerando a possibilidade de uma desaceleração mais pronunciada, possivelmente, uma recessão, nos EUA”. Entretanto, disse, a UE não está tão vulnerável quanto no passado. “No passado, nossas economias eram mais dependentes da dos EUA”, disse Almunia.

No Brasil poderá haver um impacto sobre o preço das commodities, devido ao esperado enfraquecimento da economia global, e isso não seria nada bom face ao fato da nossa economia não deter uma produção de manufaturados estruturada, sendo vulnerável e dependente dos preços das mesmas, contudo, o que mais afetaria seria as exportações, o que seria compensado exatamente com investimentos de estrangeiros e brasileiros que estão interessados no aquecido mercado consumidor doméstico, que cresce a taxa superior a 10%. A primeira amostra disso deu-se ontem, após acumular perdas de quase 16%, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) ganhou força e descolou das Bolsas americanas, sua principal referência externa. Vamos ver no que vai dar daqui para frente.

Fernando Rizzolo

IEDI: “a última coisa que o BC deveria fazer é elevar os juros”

Incentivar o mercado interno é a melhor política a ser adotada diante da crise dos Estados Unidos

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou na segunda-feira com uma queda de 6,6%, em 53.709 pontos, mesmo dia em que também foram registradas expressivas quedas nas bolsas européias e asiáticas. O pano de fundo, obviamente, é a grave crise em que se encontra a economia norte-americana. Como a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, os defensores dos juros altos já saíram defendendo a elevação da taxa básica de juros para supostamente enfrentar possíveis turbulências externas.

Além dos analistas da mídia antidemocrática, o boletim Focus – que o BC divulga semanalmente com uma pesquisa com representantes do sistema financeiro e que serve de parâmetro para as decisões do Copom – aumentou sua projeção da taxa Selic para 11,25%, contra 11,13% feita anteriormente. O presidente do BC, Henrique Meirelles, sinalizou que poderá adotar medidas preventivas, que têm se traduzido nos juros siderais ao longo anos. “Não temos ilusão de que o Brasil está imune à crise, mas entendemos que estamos mais preparados”, disse.

O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), em sua análise intitulada ”A crise e os mecanismos de defesa da economia brasileira”, defende que o país está em condições de se proteger contra efeitos negativos de crises provenientes do exterior. O primeiro fator está no fato de que nos últimos anos a economia brasileira “apoiou-se muito mais no mercado interno do que no mercado externo, o que reduz o impacto de uma retração de volumes e preços de exportações devido à retração da economia mundial”. É isso, diz o Iedi, que “torna maior o alcance de políticas de incentivo ao mercado interno através do crédito, por exemplo, que poderão ser adotadas caso o quadro internacional se agrave e ameace levar à retração a economia doméstica”.

MENOS JUROS

Ampliar o crédito para fortalecer o mercado interno significa ter que reduzir os juros, como, aliás, defende o Instituto: “A última coisa que o Banco Central deveria fazer no presente momento da economia nacional e internacional seria elevar a taxa de juros”. Até porque, ao contrário do pretexto usado por Meirelles, não “serviria para o controle da inflação”.

RESERVAS

Outro fator de defesa da economia brasileira destacado pelo Iedi são as reservas internacionais – US$ 185,024 bilhões até o dia 18 -, “conseqüência dos saldos comerciais elevados que o país gerou desde 2003”. Essas reservas poderão ser usadas pelo governo, argumenta o Iedi, “para defender o real e evitar fortes e bruscas desvalorizações originadas de um colapso de capitais internacionais para o país, caso isso venha a ocorrer. Isso neutralizará possíveis riscos de reaceleração inflacionária, evitando que o Banco Central eleve a taxa de juros o que provocaria uma retração econômica”.

Nesse aspecto, cabe destacar a política adotada pelo governo Lula em diversificar o comércio exterior brasileiro, em especial a de fortalecimento do Mercosul. Assim, de um saldo negativo de US$ 999.243 no comércio com os países do bloco em 2003, o Brasil saltou para um superávit de US$ 5,723 bilhões no ano passado.

Para o Iedi, tanto o incentivo do mercado interno, através de crédito, quanto a utilização das reservas para uma eventual defesa do real, “se bem manejados pela política econômica, assegurarão um crescimento razoável em 2008, mesmo levando-se em conta as adversidades externas. O governo não deve hesitar em usar esses mecanismos para a defesa da economia real”.

O Iedi considera que a turbulência ocorrida nas bolsas no sistema financeiro ocorrida no dia 21 “não reflete de fato nenhum evento novo. Sua causa última são os problemas da economia americana originados da crise do mercado de crédito imobiliário desse país. A maior instabilidade foi detonada pelo impacto negativo dos enormes prejuízos acumulados pelas instituições financeiras, sediadas principalmente nos EUA, que agora, seis meses após o início da crise, vieram a público com a divulgação dos resultados do último trimestre de 2007”.

VALDO ALBUQUERQUE

Rizzolo: Ao analisarmos as declarações do Meirelles, observamos que desde já ensaia um aumento das taxas de juros, o que seria uma atitude deplorável. Temos um mercado interno aquecido mas que não justifica uma aumento das taxas de juros, muito pelo contrário, devemos sim aumentar o mercado interno para que possamos blindar ainda mais nossa economia através de crédito. Ademais, com as taxas de juros altas, atraímos especuladores que inundam o mercado com dólares mantendo o real valorizado, e por conseqüência uma dificultando as exportações.

Quanto a utilização das reservas para uma eventual defesa do real, acredito ser um instrumento a ser usado numa situação emergencial, com isso, evitaríamos fortes e bruscas desvalorizações originadas de um colapso de capitais internacionais para o país. É na realidade um instrumento de controle cambial. Isso neutralizará possíveis riscos de reacelerarão inflacionária, evitando que o Banco Central eleve a taxa de juros o que provocaria uma retração econômica.

Mortalidade infantil cai quase pela metade no país, diz ONU

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O Brasil conseguiu reduzir quase pela metade a taxa de mortalidade infantil entre 1990 e 2006, de 46,9 por 1 mil para 24,9 por 1 mil nascidos vivos, mas continuam muito grandes as disparidades entre as diversas regiões do País e entre diferentes grupos étnicos e raciais.

No índice de mortalidade inferior a cinco anos, o avanço foi ainda maior, de 57 por 1 mil nascidos vivos em 1990 para 20 por 1 mil nascidos vivos em 2006. Com isso, o Brasil passou de 86º para 113º lugar no ranking da mortalidade na infância (os primeiros lugares são ocupados pela mortalidade mais elevada) num total de 194 países.

Os dados são do relatório Situação Mundial da Infância 2008 – Sobrevivência Infantil, divulgado nesta terça-feira pela Unicef, agência das Nações Unidas para a infância, e referem-se a mortes de crianças com menos de um ano.

“O Brasil avançou mais do que a média mundial, o grande problema é a disparidade tanto entre as diferentes regiões como grupos étnicos”, afirmou a representante da Unicef no Brasil, Marie-Pierre Poirier. “O Brasil está no caminho certo, mas não saiu do túnel ainda”, disse ela.

Metas do Milênio

Com estes dados, o Brasil caminha para alcançar a meta número quatro dos Objetivos do Milênio, que prevê a redução da taxa de mortalidade pela metade até 2015. A meta do País é reduzir a mortalidade de crianças com menos de 5 anos para 18. “Agora entra a parte mais difícil, que é a redução não pelo fator técnico para pelo fator humano”, afirmou. “Agora vamos ver se o compromisso (do governo) do Brasil é total”, diz ela.

Para isso, afirma Marie-Pierre, é preciso aumentar o investimento em programas de acompanhamento do recém-nascido e aumentar o número de crianças entre 4 e 6 anos de idade com acesso à escola. Enquanto a média nacional é de 24,9 mortes com menos de 1 ano para cada 1 mil crianças nascidas vivas, no Nordeste este número é de 36,9 por 1 mil.

O lado positivo, diz a representante da Unicef, é que a região foi a que mais avançou entre 1990 e 2006, reduzindo um pouco a desigualdade em relação a outras regiões. O relatório da Unicef mostra ainda que as crianças pobres têm mais do que o dobro de chance de morrer, comparadas às crianças de famílias mais ricas.

A taxa de mortalidade para a população indígena é de 48,5 por mil nascidos vivos (138% maior do que para a população branca), enquanto para a população negra é de 27,9 por mil (37% maior do que para a população branca). A taxa para a população branca é de 20,3 por 1 mil nascidos vivos.

Das 11,5 milhões de crianças com menos de 6 anos no Brasil, 56% vivem na pobreza, em famílias com renda per capita de menos de meio salário mínimo. Desse total, 4,7 milhões estão em famílias beneficiadas pelo Programa Bolsa Família, o que corresponde a 10,2% do total de beneficiários do programa.

Causas

Cerca de 66% das mortes ocorrem no primeiro mês de vida, e 51% na primeira semana. As principais causas de morte na primeira semana de vida estão relacionados ao nascimento prematuro, asfixia durante o parto e infecções. Para Marie-Pierre, este dado mostra que os programas pré-natais precisam continuar até os primeiros meses de vida do bebê.

A região Nordeste tem a maior taxa de mortalidade neonatal precoce do País, com 15,3 por 1 mil nascidos vivos. Os Estados de Alagoas e Paraíba têm as taxas mais altas, de 17,4 e 16,9 por 1 mil nascidos vivos, respectivamente.

“Para se manter a queda na taxa de mortalidade infantil será necessário o trabalho intenso que resulte numa maior cobertura e melhoria do pré-natal, assistência ao parto e pós-parto, que se traduz em melhor qualidade dos serviços de saúde, melhores condições hospitalares e melhoria na condição socioeconômica das populações mais carentes”, afirma o relatório.

“Se não forem fomentadas no País políticas públicas com esses objetivos, corre-se o risco de uma estagnação na taxa de mortalidade”, diz o documento, que alerta ainda para o fato de que é possível haver uma subnotificação dos óbitos infantis nas regiões Norte e Nordeste.

O progresso obtido até agora, destaca o relatório, foi conseguido com programas de atenção à saúde da criança, em questões como segurança alimentar e nutricional, saneamento básico, vacinação e atenção à saúde da família.

Mães

Se mostra melhora na sobrevivência das crianças, o relatório também aponta uma piora nas condições de vida das mães. A mortalidade materna aumentou 2,1% no Brasil entre 2000 e 2005, passando de 52,3 mulheres por 100 mil nascidos vivos para 53,4 por 1 mil nascidos vivos.

O estudo também mostra que a idade das mães continua diminuindo. O número de bebês nascidos de mães com menos de 15 anos aumentou, na média brasileira, de 6,9 por 1 mil nascidos vivos em 1994 para 8,8 mil por 1 mil em 2005, um crescimento de 28,6%.

O aumento ocorreu em todas as regiões. Em 1994, foram 18 mil bebês nascidos de crianças e adolescentes menores de 15 anos; em 2005, foram 27 mil.

Fonte: BBC Brasil

Rizzolo: Esse é um dado importantíssimo, contudo, há muito ainda que se fazer para que consigamos a meta em reduzir a mortalidade de crianças com menos de 5 anos para 18. Fica patente, que os programas sociais de inclusão contribuíram sobremaneira para atingir os resultados. O problema da saúde pública, ainda é pouco discutido no Brasil, vez que engloba desde saneamento básico, até a formação suficiente de mão-de-obra na área da saúde, investimentos em hospitais de referência, e acima de tudo dar oportunidade a imensa população pobre de se alimentar. Essa visão é que infelizmente falta nos políticos da direita brasileira, que de tudo fazem para conspirar contra o desenvolvimento social. Haja vista o comportamento em relação à prorrogação da CPMF. Uma vergonha num país pobre como o nosso. Não esqueci naõ, viu !

Um cabo eleitoral chamado PAC

Com cenário internacional se deteriorando, e a brisa de uma crise anunciada se concretizando na economia brasileira, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), peça-chave do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, poderá ser a alavanca eleitoral nas eleições municipais em 2008.

Ao completar um ano, o Pac, sob a ameaça de cortes de verbas, ficou mais na retórica do que no concreto, pouco se viu aos olhos do povo o tão revolucionário Programa de Aceleração, muito embora, o balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) mostra que em dezembro do ano passado 86% dos projetos monitorados estavam com ritmo adequado. Em agosto do ano passado, o porcentual de projetos que tinham essa avaliação era de 80%.

Motivos não faltam, a possibilidade de uma crise energética ou uma crise econômica se misturam na indefinição política percebida nas declarações ora de que não haverá apagão elétrico, ora sobre a questão dos aumentos de impostos. Além disso, há dúvidas se o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas de uma nação), previsto em 5% para este ano, será concretizado com a deterioração da economia internacional, e as dificuldades que a mesma poderá acarretar, inclusive com um aumento real nas taxas de juros.

Especificamente ao PAC, o que poderia amenizar é a notícia de que caiu de R$ 20 bilhões para cerca de R$ 17 bilhões –ou até um pouco menos—a previsão de cortes que a Comissão de Orçamento do Congresso planeja fazer nas despesas do governo para 2008. Pessoalmente, projetaria uma expansão de 4,5% na melhor das hipóteses, face ao cenário atual.

Contudo, do ponto de vista político, o PAC poderá se transformar numa poderosa arma eleitoral fortalecendo as bases do PT e de seus aliados, se os governos e as prefeituras forem suficientemente ágeis; a própria ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef já havia prometido que o País seria um enorme ” canteiro de obras”. Há muito que se fazer em termos de PAC no que diz respeito a projetos sociais que visam a urbanização de favelas, saneamento básico e construção de casas populares.

Temos que tornar o PAC visível aos eleitores; os motores desse setor já foram acionados, a construção civil espera um crescimento de 6% este ano, e é disso que Brasil precisa, casas populares gerando dignidade para a imensa população pobre desassistida, e a enorme capacidade de geração de emprego que o setor da construção civil, pela sua natureza, é capaz de agregar. Ano eleitoral também pode ser o sinônimo de ano de desenvolvimento.

Fernando Rizzolo

Decisão de Virgílio sobre 2010 amplia crise tucana

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM) aumenta ainda mais a confusão entre os tucanos e colocou-se como pré-candidato do partido às eleições de 2010. Para o senador, que entrou em atrito com o governador de São Paulo, o também tucano José Serra, durante a tramitação da CPMF no Senado, acabou o tempo de a cúpula tucana escolher o candidato e o resto do partido ter que obedecer. “Chega de três ou quatro entrarem em restaurante caro para ungir Zezinho, enquanto o demagogo do Lula vai em restaurante popular”, atacou o senador amazonense.

É uma referência velada ao jantar em um restaurante de luxo em São Paulo há dois anos, entre Serra, o governador mineiro Aécio Neves, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o então presidente da sigla, senador Tasso Jeressaiti (CE), para discutir a sucessão de 2006. Na ocasião, os caciques apoiaram Serra. Mas o candidato do partido foi o ex-governador paulista Geraldo Alckmin.

Virgilio minimiza o confronto com Serra, tanto que na semana passada disse que o governador paulista é ainda o “melhor nome” para a disputa de 2010. Mas diz que o partido mudou depois da votação da CPMF. “Houve uma inflexão sim. O PSDB tem que ser contra o aumento dos impostos, sempre. Não pode o governo resolver aumentar e um governador ou prefeito aparecer e dizer que está tudo bem”. Para o líder no Senado, o PSDB está há oito anos fora do poder e correrá o risco de ficar mais tempo longe do Planalto se não mudar. “O partido tem que ter cara, sempre. Eu tenho 30 anos de vida pública, honesta”, afirmou ele. Virgílio não se assusta com o fraco desempenho que teve nas eleições de 2006, quando concorreu ao governo estadual e teve menos de 2% das intenções de voto. “Fiquei isolado, tinha que dar palanque para o Alckmin e enfrentei Lula em seu melhor momento. Muitos teriam desistido”, disse.

Uma eventual candidatura Virgílio, caso supere de fato a dicotomia Serra-Aécio, traria como bandeira a redução dos impostos, do tamanho da máquina, transparência dos gastos públicos e reformas tributária e previdenciária no primeiro ano de mandato. “As mensagens com as reformas estruturantes essenciais devem estar no Congresso no primeiro dia “, disse.

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), confirmou que Virgílio lhe comunicou sua pré-candidatura na semana passada. Além do senador pernambucano, o líder do PSDB conversou também com o próprio Serra e com Fernando Henrique . “O Virgílio foi enfático. Vamos incluir o nome dele nas próximas pesquisas qualitativas, para avaliar a reação do eleitorado”, prometeu Guerra.

Rumo à direita

Ao comentar as declarações de Virgílio, o jornalista Paulo Henrique Amorim ironizou: “Arthur Virgilio está certo – o PSDB tem que ir para a direita e fazer o que os conservadores de sociedades democráticas fazem em todo o mundo: cortar impostos. No mundo inteiro é assim: os conservadores não querem pagar imposto – preferem guardar o dinheiro no bolso; os trabalhistas querem o dinheiro dos ricos para dar aos pobres”.

Site do PC do B

Rizzolo: Quando o PSDB demonstra que no seu quadro existem políticos de bom senso como José Serra e Aécio, vem o camarada Virgílio com as velhas iconografias reacionárias num discurso de ” não pagar impostos,” de ” eficiência”, ” competência “, ” tamanho da máquina “, enfim, aquela ” baboseira” típica dos discursos elitistas. Muito bem fez o governador Serra e Aécio em apoiar a prorrogação da CPMF; demonstraram que possuem coluna vertebral ideológica, e defendem o interesse do povo brasileiro e isso deve ser reconhecido por todos principalmente pela esquerda legítima. Não a esquerda dos oportunistas que vivem uma letargia intelectual, ao mesmo tempo em que se dizem progressistas batem palmas para Sarney e se vangloriam com os acordos de Lula mercadejando cargos em troca de apoio político. Vigílio atrapalha na medida em que coloca o PSDB numa posição de extrema-direita, trabalhando a favor do PT e não prestigiando o pouco de progressismo que ainda subsiste em alguns setores do tucanato.

Citibank anuncia rombo recorde de US$ 18 bi no quarto trimestre

O maior banco dos EUA divulgou também um prejuízo de US$ 9,8 bilhões.
Vai ainda realizar 21.000 demissões e corte de 41% nos dividendos

O Citibank, o maior banco dos EUA em ativos, anunciou um prejuízo de US$ 9,8 bilhões no último trimestre de 2007 – o maior da história – e confirmou um rombo de US$ 18 bilhões em perdas no ‘subprime”, isto é, na especulação hipotecária, e mais US$ 4,2 bilhões com empréstimos bichados. O novo presidente do Citi, Vikram Pandit, convocado às pressas em novembro passado, anunciou, ainda, mais 4 mil demissões, além das 17 mil já comunicadas no meio do ano, e um corte de 41% nos dividendos. As ações despencaram e as bolsas no mundo inteiro vêm acompanhando a derrubada.

E eis que o colapso da pirâmide com papéis podres de hipotecas arrasta de roldão o segundo banco da família Rockefeller – o outro é o Chase, agora fundido com o JP Morgan -, por décadas, o símbolo da arrogância imperial e da intromissão na economia alheia. O banco que presidia o “Comitê dos Bancos Credores” no achaque da crise da dívida externa dos países dependentes, e que, como notou o presidente Lula, se metia “a dar palpites sobre como administrar os países, as coisas”. “Quando chega a hora de mostrar a sua competência, eles mostram que não têm tanta competência quanto falavam”.

O rombo do quarto trimestre é recorde, mas não é o único. No terceiro trimestre de 2007, os resultados já haviam sido tão ruins que o então presidente, Charles Prince, no cargo desde 2003, caiu. O banco teve de admitir no dia 5 de novembro um rombo de US$ 11 bilhões nesse período. Mas em julho, quando já fazia mais de um ano desde que a bolha especulativa começara a estourar, Prince ainda asseverava que o Citi continuava “dançando o boom das aquisições”. Antes de ir ao chão, ainda filosofou sobre “significativa volatilidade de mercado” e “ruptura das relações históricas de preço”.

RUPTURA

A “ruptura das relações históricas de preço” era uma cínica referência ao fato de que os títulos-frankstein montados pelas operações de “engenharia especulativa”, para bancar empréstimos alavancados e a pirâmide das hipotecas, então tidos como “AAA”, do dia para a noite eram descobertos como “junk”, lixo. Por precaução, o Citi anunciou a demissão de Prince num domingo, antes que as bolsas abrissem. Agora em janeiro, a agência “Standard & Poor’s”, buscando se desvincular da fraude na determinação dos títulos subprime, rebaixou o Citi para “AA-” e apontou como “negativa” a tendência para o banco. Afinal, não eram a S&P, a Moodys e outras espeluncas que asseguravam que os títulos “junk” eram de primeirís-sima linha?

Muito tem sido escrito sobre a concessão de empréstimos sem critérios, a gente que não tinha como pagar. Mas não foram as pessoas que foram enganar os bancos, mas os bancos, as corretoras e todo tipo de espertalhão que montaram operações em larga escala para levar a população a adquirir os títulos bichados, botando sua casa no risco. Um analista comparou os “títulos” suprime a um porquinho pintado de batom, a que foi atribuído valor equivalente a um título do governo dos EUA, AAA.

Outro comparou com montar uma torta de camadas, em que várias delas são constituídas de lama, estrume e outras especiarias, mas que, como também tinha chantilly, virava um “título AAA”. Mas, a pirâmide com hipotecas é apenas o lado mais “extenso” da questão, porque paralelamente foram montados esquemas mais sofisticados, entenda-se, com um nível de fraude mais apurado. O tipo de “papéis” que dão suporte a uma avalanche de aquisições e fusões “alavancadas”. Por exemplo, a BBC afirmou que no dia 14 de dezembro o Citi encerrou sete operações “SIV” – tipo particularmente arriscado de derivativo -, no montante de US$ 48 bilhões.

PADROEIRO

Assim como na crise de 90-91, quando 500 bancos norte-americanos foram à lona e os demais se salvaram com a ajuda de São Greenspan, o santo padroeiro dos Rockefellers durante quase duas décadas, o Citi saiu à cata de socorro lá fora. Na época, um príncipe saudita compareceu com o dinheiro. Dessa vez, o Citi apelou, em novembro, para o sheik de Abu Dhabi, conseguindo US$ 7,5 bilhões. Conforme a coisa piorou, chamou o príncipe saudita de novo, que ampliou sua cota, e também o sheik do Kuwait e o governo de Cingapura, que estão aportando US$ 14,5 bilhões. Nada como ter uma frota armada nas imediações dos cofres amigos.

SONO DOS JUSTOS

Mas há muito chão até a fina flor da malandragem de Wall Street poder dormir sossegada. No dia 17 de julho do ano passado, uma das maiores corretoras de títulos dos EUA, a Bear Stearns, teve de comunicar aos seus clientes que dois de seus fundos, bancados por títulos subprime, de US$ 20 bilhões, não valiam mais nada. Em 9 de agosto, o banco francês Paribas interrompeu operações por “não ter como avaliar o preço” dos títulos. Havia meses que os bancos faziam de conta que nada estava acontecendo, mesmo após US$ 10 bilhões de perdas do HSBC. A crise causou um aperto de crédito, em cada banco temia realizar operações com o outro, convulsionou as bolsas no mundo inteiro e escancarou o estouro da bolha nos EUA. Desde então, praticamente todos os grandes bancos e corretoras dos EUA declararam rombos nas suas contas, assim como vários outros da Europa, que se envolveram na especulação ‘subprime’. Só nas vésperas de Natal, os bancos centrais liberaram mais de US$ 500 bilhões no mundo inteiro aos bancos comerciais, para mantê-los à tona.

INJEÇÃO

Quanto à injeção de capital no Citi, ainda há muito chão à frente. Como já assinalou a revista inglesa “The Economist”, “se há algo que deixa os grandes de Wall Street sem dormir, é a perspectiva das pontes irem ao colapso. Bancos que financiaram operações de aquisição [buy-outs] têm facilitado os acordos por tomarem dezenas de bilhões de doláres em débitos e ações ‘ponte’. O objetivo é dar baixa na contabilidade rapidamente repassando-os para investidores institucionais”. O que, conclui a revista, tem ficado “cada vez mais difícil de fazer”, conforme “os apetites por papéis altamente lucrativos mas de alto risco definham”. Como os demais mastodontes financeiros dos EUA, o Citi está entupido desse lixo tóxico.

ANTONIO PIMENTA
Hora do Povo

Rizzolo: A crise dos “subprimes” demonstra a vulnerabilidade do mercado americano onde especuladores fazem o que bem entendem sem a devida regulamentação do setor bancário. O mais interessante é que quando é para se fazer uso de empréstimos irresponsáveis, é a lógica do mercado que impera, contudo nas crises a tutela do Estado é apregoada, para enfim pagar a conta dos prejuízos causados pelos sedentos de lucros.

Como diz o texto, não foram as pessoas que foram enganar os bancos, mas os bancos, as corretoras e todo tipo de espertalhão que montaram operações em larga escala para levar a população a adquirir os títulos bichados, botando sua casa no risco. Com certeza o reflexo será sentido no Brasil, mas face ao mercado interno aquecido o efeito poderá ser brando. Até o tema das campanhas presidenciais americanas mudou, antes o foco era o Iraque, agora com certeza será a economia que poderá fazer e trazer tanto estrago quanto a guerra de Bush.

Quando a política se sobrepõe à crise

A turbulência com uma eventual crise de recessão nos EUA, nos joga a repensar o desenvolvimento da economia brasileira com todas as suas variantes, uma delas, com certeza, é a questão energética. Não há como desvencilhar crescimento da economia sem energia suficiente, até porque, para nos blindarmos, necessitamos de uma mercado interno forte e isso demanda energia e consumo.

Numa análise mais delicada, a vulnerabilidade brasileira nesse aspecto não só passa pelo baixo nível dos reservatórios, mas por um problema maior, a disputa política, onde os interesses partidários se sobrepõem às questões emergenciais e técnicas. Assim foi a indicação do senador Edison Lobão(PMDB-MA) para o Ministério de Minas e Energia, um acordo para dar ” governabilidade”; contudo, parece que a sede do PMDB não para por aí, existe a disputa para os cargos de segundo e terceiro escalão.

A decisão do ministro de Minas e Energia, de nomear Márcio Zimmermann para o cargo de secretário-executivo, é louvável, ele é engenheiro, técnico do setor e ligado à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), o que nos leva a pensar que Dilma ainda tem influência de sobra no setor. Ademais, outros nomes não teriam o esteio técnico, e estariam vinculados a outros políticos que foram alvo de investigações.

As declarações de que o Brasil ainda não corre o risco de enfrentar um novo apagão, como o que ocorreu em 2001, são na verdade apaziguadoras num ano de disputa eleitoral, e na verdade, não condizem com a realidade; a situação é preocupante, com a agravante da questão da crise internacional; o próprio presidente da Associação de Investidores em Autoprodução de Energia Elétrica Mário Luiz Menel, afirma que, já operamos em ritmo de apagão, dando vazão ao sentimento do diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica, Jerson Kelman, que já sinalizara na direção de um racionamento de energia. Medidas técnicas já foram devidamente efetuadas. Importaremos 20 milhões de metros cúbicos dia de GNL – regazeificados nas unidades do Rio Grande do Sul e do Ceará – e, assim, teremos o necessário para gerar os 4.615,9 megawatts de energia requeridos pela demanda no segundo semestre deste ano.

A Petrobras esta desviando o gás que utiliza em suas unidades de refino para as termoelétricas e a de Cuiabá (MT), a gás, passa a ser movida a óleo passando dos atuais 195 MW para os 390 MW. Nossas térmicas tem capacidade de gerar 15,2 GW, dos quais, 10,8 GW a gás. Mas será o suficiente ? Até por uma questão de segurança nacional, temos que enfrentar um desgaste político, sim, mas necessário, sem eufemismos, e relançar o Plano de Racionalização do Uso de Energia, esquecido pela Eletrobras.

Na verdade, pouco importa a questão eleitoral, ou o preço político, temos que enfrentar a crise e jamais colocarmos o crescimento do país em situações de vulnerabilidade por questões decisórias e partidárias. De nada adianta o aumento dos custos da energia, e seus repasses ao consumidor, a racionalidade passa pelo racionamento de consumo e não pela disputa de poder partidário sem o menor esteio técnico e de responsabilidade, caracterizando um Estado estróina

É desalentador vermos o Brasil vivenciar crises de todo o tipo, e suas soluções passarem por interesses políticos, por cargos mercadejados, cujas nomeações podem nos levam a crises maiores ainda, envolvendo o desenvolvimento do país e as necessidades do povo brasileiro que ainda acredita na democracia representativa, que na realidade representa os interesses pessoais e por último os da Nação. Uma prova disso é a experiência na área de energia do Ministro senador Edison Lobão(PMDB-MA), quando afirmou peremptoriamente, ” Também não entendia de educação, de segurança, de agricultura. , Graças a Deus, fiz um governo no Maranhão (entre 1991 e 1994) muito elogiado. ” Quem diria, hein, o governo refém do PMDB, esse é o Brasil de Lula, ” o conciliador “. Aliás, em política o que te dizem nunca é tão importante quanto o que você ouve nem querer.

Fernando Rizzolo

Casa Hope, Claudia Bonfiglioli na Hebe

Ajudem a Casa Hope !

Fernando Rizzolo

Elucubrações futurológicas do Pacheco

Abadia vai negociar com as Farc?

Não é a primeira vez que arrisco prever o que está para acontecer.

Como analista político costumo acertar. Mas, desta vez, estou invadindo área que não conheço, apesar do processo de análise ser parecido.

Refiro-me ao pedido de extradição feito pelo traficante Abadia, que chegou a sensibilizar o MP quando ofereceu 40 milhões de dólares para ser extraditado para os USA, na contramão do que normalmente ocorre. Enquanto outros criminosos fazem de tudo para não cair nas garras da
justiça norte-americana, Abadia paga para ser julgado em um país que pune, com pena de morte, crimes como os que ele cometeu.

Não é difícil, portanto, deduzir que “aí tem!”

E completo dizendo que “aí tem” o interesse do presidente Bush em manter um contato direto com as Farc, afastando o “negociador inconveniente” Hugo Chávez, que já apareceu demais na mídia internacional.

As negociações entre os advogados de Abadia e a justiça brasileira, estão paralisadas. Serão feitas novas propostas.

Vamos esperar a reação do STF. Se a extradição acontecer, arisco prever que, não vai demorar muito para que a negociação com as Farc para libertação dos reféns – cerca de setecentos – tenha um novo negociador. E vou mais além: se tal acontecer, não duvido nada que os advogados do traficante Fernandinho Beira-Mar resolvam entrar com alguma proposta no mesmo sentido.

Afinal, ter contato com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia é um bom negócio.
M. Pacheco

Rizzolo: M.Pacheco me envia com frequência alguns comentários seus, sempre com questões de ” Alta Indagação “, como se diz em Direito, ” Elocubrações “, e ” Teorias Conspiratórias” . Não o conheço, nunca nos falamos, sei apenas que é carioca, sempre leio suas reflexões, seus artigos, que nos remetem a pensar na linguagem subliminar das notícias, e muita margem à imaginação. Dá-lhe Pacheco ! !

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Lula é líder com melhor imagem na América Latina, diz pesquisa

Uma pesquisa da ONG Latinobarômetro, divulgada nesta sexta-feira, em Santiago, no Chile, afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o líder político com melhor imagem na América Latina e o único a manter o posto nos últimos dois anos. A ONG entrevistou mais de 20 mil pessoas em 18 países, à exceção de Cuba, em setembro e outubro deste ano.

Hugo Chávez, da Venezuela, George W. Bush, dos Estados Unidos, e Fidel Castro, de Cuba, apareceram nos últimos lugares neste ranking. Numa avaliação de zero a dez, Lula recebeu a nota 5,7. Mas apesar do resultado favorável ao presidente, os brasileiros mostraram-se pouco otimistas em relação ao futuro.

Os brasileiros estão entre os latino-americanos que mais temem perder o emprego nos próximos 12 meses, ficando atrás nesta lista apenas dos moradores da República Dominicana, de El Salvador e do Equador. No Brasil, 70% temem perder seu posto de trabalho. No ano passado, este índice era de 42%.

Este percentual vem caindo na América Latina como um todo. Em 1998, por exemplo, 78% temiam ficar desocupados. No ano passado, 67%. E este ano, 64% afirmaram preocupar-se em perder o emprego.

Quando perguntados sobre como qualificariam a situação da economia do país, 26% dos brasileiros responderam que ela é “muito boa” e “boa”. No ano passado, esse percentual era de 28%. Neste ranking, a Venezuela lidera com 52%.

A situação no Brasil chama ainda mais a atenção quando os entrevistados responderam sobre sua expectativa para a economia do país em 2008. No Brasil, 35% afirmaram que a economia do ano que vem será “muito melhor” ou “melhor” do que a deste ano, uma queda de 20 pontos em relação ao ano anterior, quando esse percentual foi de 55%.

Neste item, só a Venezuela mantém o mesmo otimismo registrado no ano passado, com 60% da população acreditando que a economia do ano que vem será “muito melhor” ou “melhor” do que a deste ano.

De acordo com o estudo, a alta do preço do petróleo, que influencia diretamente a economia do país, poderia ter motivado a resposta dos venezuelanos. Mas no geral, ressalta a ONG, as perspectivas dos moradores dos outros países da região são diferentes das dos venezuelanos.

“Estes números indicam que os cidadãos sabem que a situação econômica do país em 2008 será menos favorável comparativamente com a situação que se esperava para a região em 2007”, diz o estudo. “Não sabemos com exatidão como se formam estas expectativas”.

No geral, os principais problemas apontados pelos moradores dos principais países da região foram desemprego e delinqüência.

Este ano, de acordo com o estudo do Latinobarômetro, a delinqüência foi definida como o maior drama para os moradores de oito dos 18 países pesquisados. No ano passado, este item reunia seis países. Em 2007, Brasil e Chile foram incorporados.
BBC BRasil

Rizzolo: Esse dado é muito interessante na medida em que Lula procura de forma diplomática estabelecer relações amistosas com os países vizinhos na América Latina, pontuações como a inclusão da Venezuela no Mercosul, viagens a Cuba, uma relação cordial com o garoto dos EUA, Álvaro Uribe, apoio a Cristina Kirchner, enfim, Lula desenvolve as relações diplomáticas sem conflito e com uma visão desenvolvimentista, haja vista as questões que envolveram o bom senso em relação a Evo Morales quando da nacionalização dos hidrocarbonetos, isso é saber governar, pelo menos nesse aspecto esta sendo excelente.É claro que em relação à pergunta sobre o receio de perder o emprego atualmente é maior no Brasil face aos problemas externos, nesse ponto o artigo é tendencioso.

Enfrentar a adversidade, o início da libertação

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Moises bate na rocha gerando água ( pintura óleo sobre tela de Tintoretto)

Como de costume, todo Sábado procuro não escrever textos que não estejam relacionados com o Shabbat e com o estudo da Tora. Sem ter a intenção de dar uma conotação pessoal religiosa ao que escrevo, permito dirigir me a você, que acompanha minhas reflexões diariamente, e compartilhar com o amigo(a), de uma forma humilde, esses momentos de introspecção dos meus estudos no Shabbat, que se iniciam todas às sextas-feiras, quando me recolho duas horas antes da primeira estrela surgir no céu, numa Sinagoga ortodoxa que freqüento em São Paulo.

Como já disse anteriormente, tenho profundo respeito por todas as crenças, religiões, e acima de tudo sou um brasileiro patriota, amo meu país e o povo brasileiro, e tenho sim, uma grande satisfação espiritual em ao estudar a Parashá (Porção da Tora semanal) relacioná-la ao que vivemos nos dias atuais. Shabbat é um dia de paz, descanso e harmonia. Devemos nos abster das tensões e às exigências da vida cotidiana.

Como é uma reflexão de estudo pessoal, baseada na introspecção bíblica, recomendo a todos que acompanhem no Antigo testamento (Torah ) os comentários aqui expostos, para que possamos ter uma semana de paz; e que através dos estudos judaicos, possamos compreender nossas vidas e encontrar formas de superar as adversidades na visão de Hashem (Deus). Isso nos dará energia e um “Idiche Kop” ( perspicácia particular), para que enfim tenhamos condições de construir um Brasil cada vez mais digno e com mais justiça social, que é a base do Judaísmo, do Cristianismo, do Islamismo, e de todas as religiões que levam a um mesmo Deus.

E lembre-se, Deus não quer apenas que você ore, mas que você aja com um parceiro dele aqui neste mundo, promovendo mudanças, estudando, se aperfeiçoando cada vez mais em sua área de atuação, e lendo, lendo muito. Quem não lê não pensa, e quem não pensa será para sempre um servo . Nesses aspectos, Ele Hashem ( Deus), precisa mais de você do que você dele. Somos aqui nesse mundo, parceiros de alguém maior.

A parashat desta semana chama-se Beshalach o povo judeu é libertado do Egito e D’us os conduz pelo deserto, não pelo caminho mais curto que cruza a terra dos filisteus, mas pelo mais longo para que não tivessem que lutar contra inimigos imediatamente, e desta forma desejarem retornar ao Egito, arrependidos e amedrontados de terem que enfrentar a imprevisível jornada. D’us os protegia través de nuvens durante o dia andavam à sua frente e uma coluna de fogo para iluminar o caminho à noite. O faraó arrepende-se de ter enviado o povo judeu em liberdade e segue à frente de seu exército a fim de persegui-los e aniquilá-los. O povo reclama a Moshê porque ele os tirou do Egito? Para perecerem agora no deserto?

Moshê fala que nada devem temer. D’us comanda a Moshê que levante a vara e fenda o mar. Ocorre um grande milagre e as águas do Yam Suf abrem caminho seco no meio do mar, formando paredes imensas em ambos lados, totalizando doze caminhos por onde passam as doze tribos. E as águas se fecharam castigando e trazendo a morte sobre os egípcios. O povo judeu faz a travessia do Mar Vermelho cantando canções para D’us, enaltecendo Sua grandeza. O Shabat da porção da Torá de Beshalach é conhecido também como Shabat Shirá. E Miriam apanha um pandeiro e as mulheres saem atrás dela dançando.

Após a travessia o povo judeu não encontra água por três dias, apenas águas amargas em Mará. D’us realiza novamente um milagre transformando as águas amargas em potável.

O povo continua reclamando, desta vez é por fome, D’us então envia alimento dos céus, o maná, na exata porção para cada um, sem sobras e sem poder ser guardado ou armazenado, pois apodrecia. Apenas Erev Shabat o maná caia em porções duplas e estes deveriam ser guardados para o dia seguinte, pois era Shabat. Moshê reserva um man em um frasco a mando de D’us para ser descoberto por gerações futuras como testemunho da grandeza do Criador. E após recomeçarem nova jornada, há falta de água, mas Moshê bate na rocha e todos podem beber da fonte que jorra dela. A parsha termina com a luta entre Amalêc e Yehoshua com a vitória de Yehoshua e a promessa de D’us de que a memória de Amalêc será extinta.

O que podemos extrair dessa passagem é a necessidade do homem ser examinado constantemente. Por que motivo, o povo encarava o futuro de modo pessimista? Por que ele não se lembrou, baseado no que acabara de ocorrer, que Deus ao menos nesta fase, encontrava-se ao seu lado e lhe estenderia a salvação no devido momento? Qual seria a razão das reclamações e lamentos? A Tora nos ensina que as provas e necessidades passadas no deserto, assim como em toda a Bíblia e na vida de modo geral, inclusive de uma Nação, têm um único objetivo de libertar o homem e capacitá-lo a agir com total liberdade espiritual em seu mundo.

Esta situação foi bem descrita pelo filósofo judeu alemão Franz Rosenzweig:

“Deus deseja homens livres. Seu Reino é oculto aos olhos. Mas isso não basta para diferenciar o homem livre do escravo… Deus, em sua vontade de distinguir entre as almas, não só evita causar prazer como provoca dor. Aparentemente Ele não tem alternativas: precisa provar o homem. Não apenas tem de ocultar o seu Reino, como deve criar locais que possam confundir o homem em sua busca pelo Reino Divino, até que se suponha invisível. Isto para que possa ter fé verdadeira em Deus, ou seja, crer e confiar Nele por livre iniciativa ”

A Estrela da Redenção

Isto posto, a própria descoberta de uma situação de miséria, doença, infortúnio já é um ato de libertação, que desperta a esperança de que possamos suportar a prova de forma mais digna na próxima oportunidade e de que nossos espíritos desatem, ao menos parcialmente, os laços que os mantem atados aos instintos. Assim cada prova passa a ser um exercício espiritual, elevando a consciência e agindo para transforma-la com ações, com consciência inclusive política, até por que, Moisés era um líder político e encontrou problemas face ao desconhecimento do povo em lidar com as adversidades.

Ainda me lembro uma passagem que li sobre o Rebe, quando recebeu uma pessoa que se dizia estar com uma doença incurável, dizia ele: “Rebe, tenho câncer estou sofrendo muitas dores, e gostaria que o senhor me explicasse esse sofrimento, e quando isso vai terminar.” O Rebe olhou docemente a ele e disse; “deve terminar em alguma hora, mas o importante é o quanto alto você irá subir… Imagino o salto …”

fontes, Beit Chabad, e Reflexões sobre a Tora de Moshe Grylak

Tenha um sábado de muita paz… (VIDEO)

Obs. Neste Sábado, existe um costume judaico muito antigo, que consiste em dar alimentos aos pássarinhos, por que ao abrir o mar em 12 partes ( que significavam 12 tribos ) entre as parades de agua existiam muitos pássaro cantando.

Fernando Rizzolo

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Belluzzo: “O Brasil não pode pagar com recessão a farra dos ricos”

Até agora, o Brasil e seu povo usufruíram as benesses do câmbio valorizado. O dólar barato tem sido compensado por preços generosos formados num mercado mundial de commodities superaquecido e especulado. Não há dúvida de que a taxa de câmbio real valorizada e a inflação baixa daí decorrente melhoram o “bem-estar” da população, tanto dos pobres empregados ou beneficiados por políticas sociais eficientes quanto dos ricos de todo o gênero, para não falar dos remediados, que passam a gozar dos benefícios materiais e, espero culturais, de viagens e cursos baratos no estrangeiro.

Por Luiz Gonzaga Belluzzo*

A valorização foi acompanhada por resultados positivos em conta corrente e por um crescimento mais rápido da demanda doméstica e do emprego, graças à expansão do crédito movida pela ampliação dos prazos. Os otimistas argumentam que, a despeito da valorização do real, o país preservou uma fração importante do aparato industrial e, sobretudo, valeu-se do dinamismo do agronegócio, que respondeu muito rapidamente às transformações ocorridas na divisão internacional do trabalho.

A ascensão econômica da China e dos asiáticos em geral, com dotações de recursos naturais diferentes da nossa, mudou a configuração do comércio internacional. Os termos de troca entre produtos primários e bens manufaturados moveram-se a favor dos países com disponibilidade e diversidade de recursos naturais. Em ambiente de confiança e otimismo, investidores, daqui e de lá, trataram de vender a moeda americana e “comprar” reais. A moeda brasileira e seu juro básico formaram um par atraente para os promotores da sarabanda global.

Vamos aos riscos. A economia global, neste momento, se debate entre as ameaças de “inflação de commodities” e os temores de um “ajustamento japonês” – longo e doloroso – dos preços de ativos, fenômeno típico de um abrangente e exuberante ciclo de crédito em seus estertores.

Muitos apostam no chamado “descolamento” da China. Entendem que o crescimento do Império do Meio e de seus sócios asiáticos sofreria pouco com os redemoinhos da recessão americana. Se assim for, os preços de alimentos e matérias-primas subiriam menos, só o suficiente para manter saudável a balança comercial. Esse é o cenário almejado por otimistas de todos os matizes. Não pode ser descartado. Mas não arrisque todas as fichas nele. Se a inflação de ativos recrudescer, não há como sustentar os preços das commodities.

“Há um mito, sobretudo em torno das economias da Ásia, quanto à possibilidade de se descolarem do resto do mundo”, diz Harry Krensky, do Atlas Capital Management, “hedge fund” especializado em mercados emergentes. “Não acho que essa história vá funcionar.”

Já na esfera financeira, o “ajustamento” dos preços dos ativos, ora em curso nos Estados Unidos, não vai poupar o Brasil. O nível de reservas, o saldo comercial e o superávit em conta corrente (mesmo em queda) podem atenuar os efeitos da crise. Mas não é prudente ignorar o crescimento da participação de ativos líquidos de propriedade estrangeira – Bolsa e renda fixa – no total de ativos financeiros. Nos últimos dias, as trepidações nos mercados globais aconselham os incautos a não subestimar os efeitos domésticos da celebrada “globalização financeira”.

Nada de decisões precipitadas. Se a contração do crédito e a aversão ao risco cumprirem o que estão a augurar os pessimistas, de nada valerá manter a taxa de juros elevada para defender o real. Os diretores do Banco Central do Brasil, suponho, dominam a matéria. O “amortecedor” representado pelas reservas deve ser usado com parcimônia. O Brasil não pode pagar, com a recessão doméstica, a farra dos ricos submergentes.

* Economista e professor titular de Economia da Unicamp.

Texto originalmente publicado na Folha de S.Paulo

Rizzolo: A valorização do real se dá por conta dos preços das commodities, e alta taxa de juros praticada pelo país onde os especuladores de toda ordem investem. Fica patente que face à crise americana, os investimentos externos diminuem, contudo pelo fato do aquecimento do mercado interno provavelmente os efeitos da crise dos “subprime” não nos atingirá. O nível de reservas, o saldo comercial e o superávit em conta corrente (mesmo em queda) podem atenuar os efeitos da crise. Temos que desenvolver a exportação de manufaturados, por que ficar na dependência da desenvoltura do agro negócio na atual conjuntura não é nada bom. Otimismo é bom até certo ponto. Lembre-se que, todo otimista é um mal-informado (risos.)

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