Centenário de Olga Benário é lembrado no Brasil e Alemanha

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A passagem dos 100 anos de nascimento da alemã Olga Benário Prestes, completados na terça-feira (12), foi lembrada pelo senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) em discurso no Plenário. De origem judia, Olga, cujo nome verdadeiro era Maria Bergner, nasceu em Munique, na Alemanha, em 1908, e passou à história como a revolucionária que se casou com o comunista brasileiro Luis Carlos Prestes e foi entregue aos nazistas por Getúlio Vargas. Ela também recebeu homenagens em Berlim, na Alemanha.

Homenagem em Berlim O senador lembrou que Olga foi designada, em 1934, para garantir a chegada segura de Prestes ao Brasil depois de um período de estágio na então União Soviética. Clandestinos, articularam no país o movimento conhecido como Intentona Comunista de 1935, que eclodiu como uma revolta armada nas cidades de Natal, Recife e Rio de Janeiro.

Os dois acabaram presos. Apesar de protestos internacionais, ela foi entregue, grávida de sete meses, à polícia alemã, tendo passado três anos em um campo de concentração antes de ser enviada para a câmara de gás, em 1942.

“Olga Benário foi um modelo inquestionável de firmeza, coragem e convicção política. Reafirmamos os seus ideais de busca por um mundo justo, fraterno e solidário”, disse o senador.

“Pedra de tropeço”

Em Berlim, Olga Benário Prestes também foi homenageada. Como ponto alto das homenagens que presta ao seu centenário, a Galeria Olga Benario de Berlim inaugurou “pedra de tropeço” em frente ao último endereço que a revolucionária ocupou na capital alemã, na calçada da Innstrasse 24, no bairro berlinense de Neukölln.

A “pedra de tropeço” foi inaugurada pela filha de Olga e Luis Carlos Prestes, a professora Anita Prestes, que nasceu em Berlim quando sua mãe estava na prisão feminina de Barnimstrasse.

“Pedras de tropeço” são pequenas placas de latão cravadas nas calçadas dos prédios onde moraram vítimas do Holocausto. Nelas, estão escritos o nome, data de nascimento, data de deportação e uma referência ao local e data de morte da vítima. A idéia partiu do artista alemão Gunter Demnig. Hoje, já existem mais de 13,5 mil marcos deste tipo espalhados por quatro países europeus.

Olga Benario nasceu em Munique, em 12 de fevereiro de 1908. No início dos anos de 1920, os arquivos policiais da República de Weimar já a classificavam como “agitadora comunista”. Juntamente com seu parceiro, o comunista Otto Braun, ela se mudou aos 17 anos para Berlim-Neukölln, onde se tornou membro da Juventude Comunista.

Olga Benario e Otto Braun ocuparam um apartamento na Innstrasse 24 em Neukölln, tradicional bairro proletário berlinense. Foi neste endereço que foram presos. Logo libertada, Olga organizou a ação espetacular que resgatou seu companheiro Otto Braun da prisão de Moabit.

Disfarçados de estudantes de Direito, Olga e outros camaradas invadiram a sala de audiências para onde Braun era levado. Subjugaram os policiais e libertaram o preso. Após a operação, Olga e Braun fugiram para Moscou, onde Olga trabalhava para o movimento trabalhista internacional.

Intentona Comunista

Com Luís Carlos Prestes, Olga Benario partiu de Moscou para o Rio de Janeiro, em 1935. Durante a viagem, os dois se apaixonaram e tornaram-se um casal, vindo a organizar a Intentona Comunista de 1935.

Após a fracassada tentativa, Olga e Prestes foram presos e, apesar de protestos internacionais, ela foi entregue, em 1936, grávida de sua filha, à Gestapo pelo governo de Getúlio Vargas.

Em setembro do mesmo ano, Olga foi enviada à Alemanha. Em 27 de novembro de 1936, nascia Anita Prestes na maternidade da prisão feminina berlinense da Barnimstrasse. No começo de 1938, Olga foi separada de sua filha e enviada para o campo de concentração feminino de Lichtenburg. Depois foi levada para o campo de concentração de Ravensbrück, onde passou três anos antes de ser enviada para a câmara de gás em Bernburg, em 1942.

Mulher internacionalista

Em 12 de fevereiro de 1984, a Associação dos Perseguidos pelo Regime Nazista/Associação dos Antifascistas fundou a Galeria Olga Benario em Berlim-Neukölln. A galeria informa que três motivos justificaram a escolha do nome de Olga: por ser mulher, por ter uma relação próxima com o bairro de Neukölln e por ser uma internacionalista.

A galeria foi inaugurada com uma exposição sobre a vida de Olga Benario, que, para além da lembrança como revolucionária comunista, vem se tornando, nos últimos anos, um exemplo de coragem feminina para muitos alemães. Talvez por isto, os temas das exposições da galeria se expandiram para solidariedade internacional, imigrantes e asilo, movimento feminista, sindicatos, entre outros.

De Brasília
Aline Pizatto e Márcia Xavier
Com agências
Site do PC do B

Rizzolo: A memória de Olga Benário deve ser respeitada e honrada. Olga lutou em sua época por justiça social e jamais se deixou levar em sua ética como militante comunista. Não importa aqui a ideologia ou questionamentos sobre o regime comunista e sua defesa, o importante na vida é ter ideais de justiça, ética, e possuir suficiente determinação para considerá-los como paradigma em todas as atitudes da vida. Olga foi um exemplo de mulher judia, teve um triste fim, nas mãos de tiranos que a julgaram pela sua ideologia e pela sua etnia. A contribuição judaica nos movimentos socialistas sempre foi maciça.

Hoje os questionamentos continuam os mesmos, se o socialismo fracassou não podemos deixar que outras soluções baseadas na premissa de justiça aos pobres sejam abandonadas, se o fizermos estaremos chancelando a humilhação do capital sobre o homem. Olga por ter ser comunista pouco foi esquecida pela comunidade judaica. Assim sendo, aqui assumo a minha pobre e humilde homenagem a ela que nunca deixou de lutar pelos humildes, os humildes do Brasil.

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