Brasil já tem reservas o bastante para pagar dívida externa

O Banco Central divulgou documento nesta quinta-feira (21) no qual estima que as reservas internacionais brasileiras superaram a dívida externa do país em cerca de US$ 4 bilhões. Em outras palavras, o fato, que é inédito, significa que o Brasil possui moeda estrangeira suficiente para honrar seus compromissos internacionais, o que lhe confere o título de credor externo.

Ao final de 2003, a dívida externa brasileira registrava US$ 165,2 bilhões e, em 2007, de acordo com projeções do Banco Central, o indicador reduziu para US$ 4,3 bilhões e, já no mês passado, caiu ainda mais, para US$ 4 bilhões. O banco avalia que esta redução é oriunda do programa de recompra da dívida externa, antecipação de pagamentos e solidez das reservas internacionais.

Apenas no ano passado, as reservas internacionais cresceram 110% e chegaram a US$ 180,3 bilhões no final de dezembro.

“A análise dos resultados observados pelo setor externo da economia brasileira nos últimos anos e seus impactos nos indicadores de sustentabilidade externa mostram um inquestionável fortalecimento da posição externa do país”, avaliou o BC no documento.

“Em resumo, diante de um cenário internacional por aumento considerável na incerteza, pela volatilidade dos mercados financeiros e desaceleração da atividade econômica, a melhoria desses indicadores tende a mitigar, embora sem anular por completo, o impacto de eventos externos adversos.”, diz o órgão.

Grau de investimento

Com a posição credora no mercado internacional adquirida pela primeira vez pelo Brasil – as reservas brasileiras ultrapassam o total da dívida externa do Brasil -, o País fica a um passo do grau de investimento – classificação dada aos países com baixíssimo risco de calote da dívida. A opinião é do ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e atual consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Julio Gomes de Almeida.

Para ele, se a situação externa não apresentar deterioração, é possível que o País receba o grau de investimento ainda este ano. “Esse é o nosso passaporte para o grau de investimento e mostra porque estamos vivendo essa situação de tranqüilidade em meio à forte crise internacional. Se não fosse isso, é muito provável que o Brasil tivesse sofrido com a crise, com riscos para a economia”, diz Gomes de Almeida.

Com a posição credora, o ex-secretário avalia que o anúncio do grau de investimento – que foi motivo de forte rumor ontem no mercado financeiro na quarta-feira – deve ser acelerado. “As agências de classificação de risco só não nos dão o investiment grade agora porque é preciso cumprir certo ritual para que a classificação seja dada. Nessa crise, o Brasil já está mostrando que é investiment grade”, reforça.

Para Gomes de Almeida, a situação credora do Brasil contou com a colaboração externa gerada por alguns fatores como o aumento da demanda internacional, principalmente na China, disparada dos preços das commodities e boa liquidez (volume de negócios) no mercado internacional.

Para ele, essa situação permitiu que o Brasil acumulasse dólares com os seguidos superávits comerciais e, assim, aumentasse as reservas. Apesar da posição credora, ele afirma que ainda há espaço para que o Brasil continue adquirindo dólares no mercado cambial.

PIB

O BC divulgou também dados referentes ao Produto Interno Bruto do país. Em 2007, o PIB nominal dolarizado atingiu US$ 1,310 trilhão, um aumento de 159,7% sobre a posição de US$ 504,4 bilhões em 2002. Segundo o BC, esse é um dos indicadores que podem ajudar numa blindagem do Brasil aos efeitos de uma possível crise externa da economia mundial.

A evolução do PIB em dólares foi favorecida pelo crescimento da atividade e, em especial, pela apreciação do real nos últimos três anos. O BC cita que ao bom desenvolvimento da posição financeira internacional desde 2003 decorreu “da implementação de políticas macroeconômicas consistentes”, o forte ingresso de divisas por saldos recordes da balança comercial e pelo ingresso maciço de investimentos produtivos.

Da redação, com agências
Site do PC do B

Rizzolo: Não há dúvida que é uma ótima notícia, na verdade o cenário internacional colaborou para esse resultado, contudo, países da Ásia como a China, podem sofrer este ano diminuição nas suas exportações. Resumo da ópera, o Brasil se beneficiou face ao cenário internacional, contudo, no âmbito do cenário interno, muito há que fazer. O mais importante a ser feito, é alterar a política econômica que rege o mercado interno, diminuindo os juros e fortalecendo a nossa indústria nacional; ter desempenho apenas em razão da situação econômica mundial, e em virtude de fazer superávit primário esquecendo os investimentos internos, é extremamente perigo, precisamos fortalecer o nosso mercado consumidor, e saber gerir o País internamente, sem as atrapalhadas como na questão do embargo da carne brasileira pelo mercado europeu.