Chávez, um mal assessorado..

Uma das características da inabilidade de Chavez na condução do que ele chamou de “socialismo do século 21”, é não conhecer a dinâmica do pensamento do povo venezuelano e errar de forma grosseira as políticas estratégicas para a obtenção de um bom resultado na aceitação popular, revertendo isso em votos nas urnas. Sempre justificou seu despreparo, “à mídia golpista, aos interesses internacionais e ao império americano”, mas talvez jamais tenha feito uma reflexão das questões pontuais relacionadas à sua imagem, e de que forma poderia face a isso, minimizar as resistências conservadoras.

Políticos europeus socialistas, que tentam promover uma política mais voltada à presença do Estado, com maior embate ao neoliberalismo, nunca se portaram de forma visual e com uma retórica inconveniente como Chavez. Ainda me lembro quando estive em Caracas no ano passado, a forma pela qual a propaganda chavista se expunha, eram palavras de ordem socialistas assustadoras, escritas em vermelho em grandes painéis. Ora, quem quer fazer efetivamente mudanças sociais, conscientes, democráticas, de bom senso, não lança mão de exposição midiática socialista de ” quinta categoria”, avermelhada, que facilmente pode ser utilizada pela oposição para fins de assustar e intimidar a população, promovendo o medo. Ademais, conduziu o seu ” socialismo” vinculando-o ao que há de mais radical e obsoleto ideologicamente; resultado: se desmoralizou.

Agora, depois de tudo, Chavez tenta numa pobre manobra diversionista, até para justificar sua postura anterior errada, emanar gritos e ameaças bélicas na tentativa de fazer com que Correa, seu discípulo, seja prestigiado com o incidente. Ao fabricar uma “real ameaça” do velho inimigo os EUA, traria Chavez de volta aqueles que já o abandonaram, além disso, prestigiariam por efeito, o camarada Correa, que, por consequência, traria à reboque toda a América Latina ao seu lado.

Chavez tenta numa postura paternal incitar os demais países da América Latina a se posicionarem também de forma paternalista protegendo o pobre Equador, capitalizando aliados. Não resta dúvida, que a atitude da Colômbia deve sim ser rechaçada, contudo, ao que parece o incidente está tomando um corpo desproporcional ao fato, que poderia sim ser facilmente resolvido via diplomática sem argüições belicistas oportunistas.

Mais uma vez perdeu-se a oportunidade de se demonstrar comedimento e bom senso por parte da Venezuela; pura inabilidade de seu presidente, por não entender que socialismo não se produz na cabeça do povo gritando, se vestindo com roupas berrantes, com bonezinho tipo MST, tampouco não falando sequer um Inglês básico, com o prazo de validade ideológico vencido, e acima de tudo, pouca instrução; denotando pouco contato com socialistas de nível do mundo moderno. Nesse aspecto, pelo menos, a assessoria pessoal e de imprensa do nosso presidente Lula é bem melhor.

Fernando Rizzolo

Uma resposta to “Chávez, um mal assessorado..”

  1. Rafael Alencastro Says:

    Quando Karl Marx e Friedrich Engels escreveram O Manifesto Comunista em 1848, nunca imaginaram que suas idéias seriam utilizadas para promover o terrorismo, tráfico de drogas e uma possível guerra entre países vizinhos. A busca do proletário para reverter a precária condição de vida virou escudo de seqüestradores, assassinos e invasores de terras que não respeitam o direito de propriedade.

    As idéias da revolução percorreram os quatro cantos do planeta e, mesmo depois de 160 anos, ainda é o mastro da bandeira de muitos partidos políticos e organizações narcoguerrilheiras. As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), embalada pelo discurso marxista-lenista, deixaram de lado há muitos anos a tão sonhada utopia bolchevique e hoje são bandidos disfarçados de militantes esquerdistas.

    A recente crise que a América Latina vive é dividida em dois blocos: de um lado, Hugo Chávez, que esta louco para iniciar uma guerra, quer se perpetuar como a nova figura poética (e patética) revolucionária incitando seu colega equatoriano Rafael Correa com discursos inflamados “anti-imperialista”. Só que a república monárquica absolutista onde o presidente-rei passa por cima dos direitos civis, fecha uma emissora de TV por achá-la golpista e tenta ao máximo burlar a Constituição Federal, carta magna de uma nação, é exatamente a Venezuela. Do outro lado disso tudo, esta Álvaro Uribe, presidente da Colômbia, que quer livrar seu país de um inimigo que há anos assombra a liberdade e a segurança nacional. Seu projeto anti-terror na região leva o respaldo financeiro da maior potência mundial. E o Brasil nisso tudo, onde entra? O presidente Lula tenta voltar a ser o grande líder do bloco latino-americano e busca uma solução pacífica para a questão. E a chancelaria brasileira manda um recado ao Tio Sam: este é um assunto somente dos países da América do Sul.

    Entre disputas regionais pela liderança, soberania de países e organizações paramilitares, só fico imaginando como Marx e Engels reagiriam ao ver até onde levou seus trabalhos filosóficos e científicos. De revolucionários, os dois fundadores do movimento socialista viraram base de traficantes. Daqui a pouco iremos ver Fernandinho Beira-Mar com O Capital em uma mão e A Sagrada Família em outra.


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