Alckmin diz ao PSDB que vai concorrer à prefeitura

Geraldo Alckmin informou à direção do PSDB que sua decisão está tomada. Mais: é irreversível. Vai mesmo concorrer à prefeitura de São Paulo nas eleições municipais de outubro. Aguarda agora uma posição do partido quanto à melhor data para a oficialização da candidatura.

Há dois dias, em diálogo reservado que manteve com um grão-duque do tucanato, o senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, resumiu assim a cena paulistana: “Agora, é fazer a campanha do Geraldo e lutar para ganhar a eleição.” Diante do fato consumado, também o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que torcia o nariz para as pretensões de Alckmin, já se deu por vencido.

Em privado, FHC prometeu “arregaçar as mangas” por Alckmin. Se for sincera, a declaração representa uma reviravolta. Até duas semanas atrás, o presidente de honra do PSDB punha as mangas de fora por um outro projeto: a celebração de uma aliança tucano-democrata em torno do nome do prefeito Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição.

FHC chegou mesmo a urdir uma mobilização da bancada tucana na Câmara de Vereadores da capital paulista em favor da composição com Kassab. Antes, dissera, em público, que Alckmin deveria se preservar para a disputa ao governo de São Paulo, em 2010. Assim, estaria aberto o caminho para a aliança municipal com o DEM, que pavimentaria a reedição da parceria ao redor da candidatura presidencial de José Serra.

O prazo final para que os partidos retirem suas candidaturas do armário é o mês de junho. Mas Alckmin deseja que seu nome seja levado à vitrine bem antes disso. Trabalha com a perspectiva de achegar-se ao meio-fio no final de março. Até lá, cuidará da costura das alianças. Um cerzido que já se encontra em estágio avançado.

Alckmin aponta suas agulhas em duas direções: o PMDB de Orestes Quércia e o PTB de Campos Machado. Ao primeiro, já ofereceu a posição de vice. E acenou com o apoio à candidatura de Quércia ao Senado, em 2010. Cobiçado também pelo PT de Marta Suplicy, Quércia simula a disposição de lançar candidato próprio e cozinha os assédios em banho-maria.

Com seus movimentos, Alckmin levou Serra às cordas. Até a cúpula do DEM cobre o governador paulista de críticas. Atribui-se a “teimosia” de Alckmin ao fato de Serra ter tratado o grupo do ex-presidenciável tucano a pão e água. Daí a ânsia de Alckmin em concorrer à prefeitura, um posto que lhe devolveria a voz e a visibilidade que lhe tomaram.

Mercê da incompatibilidade que o separa de Serra, o eventual triunfo de Alckmin jogará água no moinho presidencial de Aécio Neves. Não por acaso, o governador de Minas é um dos mais ferrenhos defensores do direito de Alckmin à vaga de candidato a prefeito. Enxerga no aliado uma cunha paulista para a disputa interna que trava com Serra.

De resto, arma-se em São Paulo um cenário que o PT festeja gostosamente. A despeito de a aliança com o tucanato ter escalado o telhado, a cúpula do DEM trata a re-candidatura de Kassab como um fato consumado. Argumenta-se que o prefeito não tem nada a perder. Ainda que não retorne à prefeitura, tonificaria o seu cacife pessoal para disputar, em 2010, o Palácio dos Bandeirantes ou uma vaga ao Senado.

A divisão de tucanos e ‘demos’ é, do ponto de vista do petismo, o cenário ideal. Os partidários da ministra Marta Suplicy (Turismo) argumentam que Alckmin e Kassab disputam o mesmo eleitorado. A refrega entre ambos abriria uma avenida na qual a candidatura de Marta desfilaria rumo ao topo das intenções de voto.

Na última sondagem do Datafolha, divulgada em 16 de fevereiro, a distância que separava Marta de Alckmin era de exíguos quatro pontos percentuais. Ele amealhava então 29% dos votos. Ela, 25%. Kassab, o terceiro colocado, vem bem atrás, com 12%. A ser mantido esse cenário, Alckmin e Marta mediriam forças num segundo turno de resultado imprevisível.

Fonte: Blog do Josias

Rizzolo: Conheço o governador Alckmin pessoalmente, tive a oportunidade de jantar ao seu lado na comemoração de um aniversário na casa de amigo em comum, conversamos desde política até acupuntura. Alckmin está mudando seu discurso, aliás já estava desde a época em que no debate com Lula, não sustentou de forma enfática as privatizações, o que fez o tucanato torcer o nariz na época. Do ponto de vista estratégico eleitoral, a candidatura de Alckmin é mais adequada do que qualquer outro candidato ou composição como originalmente FHC apregoava. O perfil paulista se coaduna com a postura ” Alckmin de ser”, e o melhor, sua imagem não ficou sequer maculada face ao problema dos cartões corporativos envolvendo supostos gastos no governo Serra. Já Kassab ( DEM) também é um ótimo nome, o conheço, é integro, mas acredito que ainda não possui densidade eleitoral.

Outra vantagem, seria o fato de que sua imagem está vinculada ao embate com o PT, vestígios do confronto na disputa presidencial passada, com isso, o desgaste ético do Partido dos Trabalhadores enfrentaria alguém puro, e que de certa forma hoje, em suas colocações, não difere tanto do discurso petista, com a vantagem de que a desmoralização ainda não o alcançou.

O mais interessante no debate político, é a falta de compreensão de alguns. Tenho recebido emails de ” companheiros ” que se dizem perplexos com a ” dinâmica do meu raciocínio político”, alguns chegam a dizer que, muito embora consideram meus comentários” inteligentes”, ainda não conseguem me definir politicamente; alegam que oscilo entre o ” judeu Trotsky” e o ” judeu Sharon” na faixa de Gaza. Gostaria de lembrar essas pessoas, que a imparcialidade é soberana, e o esteio da compreensão do imparcial sempre aborda o que é ético e o que é, digamos, amoral.

O PT durante anos se portou “purista” na sua essência, contudo, com o passar dos anos, e com o poder, mergulhou na lama; enquanto entendia eu, ser o partido dos trabalhadores ético, o apoiava, a partir de certo momento o abandonei, assim também o fiz com Chavez; era no início composto de propostas bem-intencionadas, porém seu grupelho avermelhado e incompetente, deixou claro à oposição as oportunidades de ataque. Seus adeptos mais conscientes na Venezuela o abandonaram, e no exterior também. Isto posto, nada devo aqueles que não entendem meu ponto de vista político, a miopia ideológica é a pior doença da intelectualidade, prefiro pensar, exercitar um pensamento reflexivo, do que me apegar a correntes emboloradas tanto de direita quanto de esquerda. Aprendam a pensar…

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