Espanha: socialistas vencem eleições e Zapatero é reeleito

O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) anunciou neste domingo (9) a vitória nas eleições gerais do país. “O PSOE venceu as eleições. É uma grande vitória”, afirmou José Blanco, secretário do partido, que confirmou que o premier José Luis Rodríguez Zapatero continuará a governar pela “mudança e pelo progresso”.

Com 89% dos votos apurados, os socialistas obtêm 167 cadeiras e os populares, 155, o que significa, em relação ao pleito anterior, que o Partido Popular conquistou sete assentos a mais. Nas eleições de 2004, a legenda elegeu 148 deputados.

A vitória supõe “o triunfo do diálogo, o respeito à pluralidade e a negativa a uma estratégia política baseada na crispação e deslealdade”, enfatizou Blanco.

Ainda são aguardados os votos de outras regiões espanholas, como a região de Madri, onde o PP possui relativa maioria, e onde foram apuradas apenas 55,14% das urnas. Em contrapartida, em Ansaluzia, o PSOE ratificou sua maioria absoluta, com a vitória do governante regional Manuel Chávez, pela sexta vez consecutiva.

Oposição reconhece derrota

O conservador Partido Popular (PP) reconheceu sua derrota e parabenizou os socialistas “pelo que parece uma vitória clara, vencida por meios lícitos”.

O diretor nacional da campanha do PP, Pío García Escudero, destacou ainda, em entrevista coletiva, “o grande resultado” obtido por seu partido, “com um grande aumento no percentual de votos e de cadeiras, provavelmente maior que em 2004, o que nos causa uma enorme satisfação”.

Vítimas do ETA

Durante o festejo, os partidários do PSOE não deixaram de lembrar a memória do ex-vereador socialista Isaías Carrasco, morto na última sexta aos 42 anos na localidade basca de Mondragón por um suposto membro do ETA.

“Isaías deveria estar vivendo este momento hoje”, afirmou Zapatero diante das mais de 2.000 pessoas concentradas em frente à sede do PSOE, em Madri.

Zapatero lembrou ainda os equatorianos Carlos Alonso Palate e Diego Armando Estacio, mortos por uma bomba do ETA que explodiu no dia 30 de dezembro de 2006 no aeroporto de Barajas, e os policiais civis Raúl Centeno e Fernado Trapero, também assassinados pela organização armada em 1º de dezembro do ano passado no sudoeste da França.

“Eles vivem em nossa memória”, disse Zapatero, que fez um breve discurso de menos de dez minutos. Ele destacou a alta taxa de participação nas eleições, e agradeceu “de coração” àqueles que com seu voto “deram uma clara vitória ao Partido Socialista”, enquanto, a multidão repetia: “Zapatero, você não está sozinho”.

Pouco depois do fechamento das urnas, centenas de pessoas já se concentravam em frente à sede do Partido Socialista em Madri. “Governarei com mão firme e com a mão estendida (…), governarei para todos, mas pensando antes que ninguém naqueles que não tem de tudo”, declarou Zapatero, que depois de deixar a sacada do prédio voltou acompanhado da mulher, Sonsoles Espinosa, além de artistas e dirigentes socialistas.

Secretário-geral do PSOE desde o ano 2000, Zapatero, de 47 anos, chegou a La Moncloa, sede do executivo espanhol, em abril de 2004, após vencer de forma inesperada as eleições de 14 de março daquele ano, três dias depois dos atentados islâmicos contra quatro trens suburbanos madrilenhos que deixaram 191 mortos.

Da redação, com agências
Site do PC do B

Rizzolo: Muito embora a Espanha tem enfrentado uma crise econômica, essa vitória demonstra que os espanhóis estão dispostos a enfrentar alguns desafios cerrando fileira com o governo socialista. Os desafios em pauta são a desaceleração da economia que deverá crescer por volta de 3% este ano, a questão da emigração, que acabou sendo um tema tórrido durante a campanha; hoje a Espanha tem 4,5 milhões de imigrantes, ou seja, 10% da população, esse número há dez anos atrás era de 1,6% da população. Outro tema a ser enfrentado é o do terrorismo associado ao grupo basco ETA, que provavelmente deverá ser o maior problema. Zapatero já havia iniciado um diálogo com o grupo mas foi interrompido a partir de um atentado a bomba no aeroporto de Barajas, no fim de 2006.

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