Venda do Bear Stearns e temor sobre setor bancário derrubam Bolsas em NY

As Bolsas americanas operam em baixa nesta segunda-feira, após uma breve reação do índice Dow Jones Industrial Average (DJIA) pela manhã. Os investidores vendem principalmente seus papéis do setor financeiro, devido à venda do banco de investimentos Bear Stearns ao rival JP Morgan, por US$ 236 milhões.

Às 13h37 (em Brasília), o DJIA –principal índice da Nyse (Bolsa de Valores de Nova York, na sigla em inglês)– estava em baixa de 1,11%, com 11.818,55 pontos; o S&P 500, por sua vez, caía 1,97%, para 1.262,74 pontos. A Bolsa Nasdaq tinha queda de 2,1%, indo para 2.165,20 pontos.

A venda do Bear provocou o temor entre os investidores de que o sistema bancário –e mesmo o sistema financeiro de modo geral– possam estar em situação mais frágil que o previsto. O Federal Reserve (Fed, o BC americano), inclusive, aprovou ontem uma linha de crédito de US$ 30 bilhões para financiar a compra

O Fed também aprovou um programa de empréstimos para as maiores empresas de investimentos em Wall Street e cortou sua taxa de redesconto para 3,25% ao ano.

A taxa de redesconto é um instrumento do Fed para conceder empréstimos de curto prazo a instituições com problemas temporários de liquidez (oferta de dinheiro). O instrumento, no entanto, é utilizado com cautela pelas instituições financeiras: as que recorrem a empréstimos com essa taxa ficam de certo modo marcadas como instituições fragilizadas, que não conseguem empréstimos em outras fontes e têm de recorrer ao ‘concessor do último recurso’ –papel que cabe ao Fed.

“Isso remove o risco de mais perdas para esse setor –o risco de que algo como o que aconteceu com o Bear Stearns ocorra de novo”, disse à agência de notícias Associated Press (AP) o gestor de carteiras Robert Pavlik, da Oaktree Asset Management.

Amanhã o Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês, equivalente ao Copom no Brasil) do Fed deve se reunir e decidir sobre sua taxa de juros, atualmente em 3% ao ano. A expectativa dos analistas é de que o banco mantenha sua política de cortes de juros e reduza a taxa em ao menos 0,75 ponto percentual.

O Fed reduziu sua taxa em cinco ocasiões consecutivas, entre setembro do ano passado e janeiro deste ano, como forma de tentar impedir que a economia americana caia em recessão.

O JP Morgan irá pagar US$ 2 por ação do Bear Stearns –para se ter uma idéia do que isso significa, os papéis do Bear não eram cotados abaixo dos US$ 20 desde 1995. “Alguns participantes mais fracos do mercado empurrados para fora dos negócios”, disse o diretor de investimentos Joseph Battipaglia, da Ryan Beck, à AP.

As ações do Bear Stearns chegaram a cair pouco mais de 87% hoje; as ações do banco, que encerraram a sexta-feira (14) cotadas a US$ 30, hoje pouco passam dos US$ 3.

Também preocupa os investidores a situação do Lehman Brothers Holdings; o banco de Cingapura DBS Group Holdings orientou seus operadores hoje a desconsiderarem novas transações com o Lehman –que deve divulgar seus resultados trimestrais nesta semana–, segundo a AP.

Hoje o governo divulgou dois indicadores que ficaram um pouco à margem dos acontecimentos do dia, diante do ocorrido no setor bancário. O Federal Reserve de Nova York informou que seu índice Empire State –que mede a atividade manufatureira no Estado– registrou em março o nível mais baixo desde que começou a ser elaborado, em julho de 2001.

O índice sobre as condições gerais da atividade manufatureira em Nova York ficou em -22,23 pontos em março, frente aos -11,72 pontos do mês anterior, e ficou muito abaixo da previsão dos analistas.

Hoje também o Departamento do Comércio informou que o déficit em conta corrente dos EUA no ano passado recuou 9% em relação ao registrado um ano antes, para US$ 738,6 bilhões, depois de ter atingido a marca recorde de US$ 811,5 bilhões em 2006. O balanço em conta corrente é uma medida mais ampla que a balança comercial do país, porque abrange não apenas o comércio de bens e serviços, mas também transferências unilaterais –que incluem recursos destinados a ajuda internacional.

Folha online

Rizzolo: A origem de toda essa crise foi a falta de regulamentação e a irresponsabilidade dos agentes financeiros americanos na questão dos “subprimes”. O sistema financeiro americano não é devidamente monitorado; especuladores de toda sorte, especialistas em ” fazer dinheiro rápido” optaram pelo setor imobiliário americano no oferecimento de crédito a um enorme contingente de tomadores que eram na sua maioria insolventes. O corte nas taxas de juros efetuado pelo FED não foi o suficiente para estancar a crise, mesmo agora cortando a taxa de redesconto para as maiores empresas de investimento em Wall Street para 3,25% ao ano, poderá deixar ainda mais claro quais são as empresas que lançam mão da medida, e trazer mais insegurança ao mercado. O mais interessante em toda essa questão é o fato de que no capitalismo dos EUA a tudo é permitido fazer no mercado com a menor intervenção possível do Estado regulador, agora, quando as perdas surgem e nada dá certo, quem salva é o Estado. Esse Estado que o capitalismo abomina.

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