Minas Gerais, Aécio e o PT

O Partido dos Trabalhadores surgiu envolto a uma densidade ideológica sindical, onde a indignação operária da época tentava por meios da negociação e das greves promovidas, um avanço do operariado nas conquistas sociais. Esse ideal foi propagado por Lula , um de seus maiores expoentes culminando com a sua vitória eleito como Presidente da República.

Lula e seu partido que ganharam expressão no Brasil, nasceram em São Paulo. Mas a questão principal no atual cenário político brasileiro, é talvez algo que não transpareça de forma explícita, mas que ocorre de forma velada nas esquinas, nas cidades históricas, e na capital mineira. A continuidade do sonho de Tancredo Neves. Após um período negro e violento na História do Brasil, Tancredo foi eleito o primeiro presidente civil em mais de 20 anos. A ansiedade de todo o país pela sua posse e por uma reorganização da sociedade, ainda amedrontada pelo regime militar, era nítida. Apesar de indireta a eleição de Tancredo foi recebida com grande entusiasmo pela maioria dos brasileiros, mas infelizmente essa trajetória foi interrompida.

O que observamos hoje na aproximação entre o PT e o PSDB mineiro, nada mais é do que uma articulação bem do “tipo mineira”, discreta, de boca em boca, mas instrumentalmente eficaz. Na capital mineira, o prefeito petista Fernando Pimentel deu as mãos ao governador tucano Aécio Neves. Ambos anunciaram a intenção de apoiar a pré-candidatura de Márcio Lacerda, do PSB de Ciro Gomes (CE). O caso mineiro não é único. O petismo está próximo do tucanato também em capitais do relevo de Salvador e Sergipe. Por trás, Lula emite sinais de que é simpático à aproximação, sobretudo à que juntou Pimentel e Aécio.

Já maior parte do PT não aceita a aproximação. Prova disso é a reunião do diretório nacional na segunda-feira (24) sob a presidência de Ricardo Berzoini; no encontro, os dirigentes petistas vão fixar as balizas da política de alianças que o partido de Lula adotará nas eleições municipais de 2008. Sob o ponto de vista político, a aliança do PT com o PSDB é estratégica e visa os interesses de Aécio, que quer sim, de qualquer forma, resgatar a influência mineira na política brasileira dando continuidade ao legado de Tancredo Neves.

Não há dúvida que em termos de articulação, Aécio Neves tem uma flexibilidade e uma visão política aguçada, move-se da direta para a esquerda com facilidade, se despoja de princípios partidários ideológicos, e analisa a proposta eleitoral num prisma de correlação de forças que enaltece seu desiderato político.

A crise no PSDB paulista está se agravando. O que é ótimo para o discurso de conciliação nacional do governador de Minas. Para Serra, uma vitória de Alckmin seria inconveniente. Ela fortaleceria a eventual candidatura de Aécio. Mas uma derrota de Alckmin poderá se transformar num negócio ainda pior, a depender dos termos em que ela venha a ocorrer.

Talvez no fundo, no conflito entre Serra e Alckmin esteja o oculto desejo da volta de Minas no cenário político nacional, talvez muito embora suposição, e exercício de reflexão política, o alinhamento PT e PSDB seja o início de uma incursão política não ideológica, mas saudosista em dar a Minas Gerais a continuidade em ocupar o lugar que de mérito era de Tancredo Neves na antiga alternância de poder entre São Paulo e Minas Gerais. Quem sabe ?

Fernando Rizzolo

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