Doze milhões de brasileiros deixam as classes D e E em 2007

As classes mais baixas da população, D e E, deixaram de ser maioria no Brasil. Em 2007, segundo estudo da financeira Cetelem em parceria com a Ipsos, o número de brasileiros nas classes mais baixas era de 72,9 milhões, cerca de 39% da população. Isso significa que 11,9 milhões de brasileiros passaram para classes mais altas em um ano, já que, em 2006, eram 84,8 milhões de brasileiros na base.

De acordo com o estudo, a classe C recebeu, tanto das mais baixas (D e E) como das mais altas (A e B), quase 20 milhões de integrantes, passando de 66,7 milhões em 2006 para 86,2 milhões em 2007, o que significa 46% da população.

O grupo que está nas classes A/B, por sua vez, reduziu de 32,8 milhões de pessoas em 2006 para 28 milhões em 2007, o que representa 15% da população.

Segundo a Cetelem, a pesquisa demonstra que houve diminuição na desigualdade de renda, com uma ligeira queda da renda média das classes A/B, ascensão de um grande contingente para a classe C e um pequeno aumento da renda média das classes D/E.

A virada definitiva aconteceu no ano passado, segundo a pesquisa. Em 2005, a renda média familiar das classes A/B era R$ 2.484. Ela caiu sucessivamente para R$ 2.325 e atingiu R$ 2.217 em 2007 –o que corresponde a uma redução de cerca de 11%. Nas classes D/E, a renda média familiar subiu de R$ 545 em 2005, para R$ 571 em 2006 e depois a R$ 580 em 2007, um crescimento de pouco mais de 6%.

Já a renda média da classe C permaneceu no mesmo patamar nesses três anos: algo em torno de R$ 1.100. A pesquisa ressalta ainda que o número de pessoas que passou de D/E para C teve um aumento de sua renda média mensal de R$ 580, para os atuais R$ 1.100.

Outro destaque da pesquisa foi a melhoria da renda disponível das classes C e D/E, aquela que sobra após o pagamento de contas e obrigações financeiras. A renda disponível das classes D/E foi negativa, em 2005, em R$ 17, terminando o ano no vermelho. No entanto, em 2006, a renda disponível ficou em pouco mais de R$ 2, subindo a R$ 22 no ano passado.

A classe C também registrou aumento nesse item. Ela era R$ 122 em 2005, passou para R$ 191 em 2006 e caiu para R$ 147 em 2007. Apesar da queda de 23,04% no último ano, quando se toma todo o período, o crescimento foi de 20%. Apenas as classes A/B viram diminuir sua renda disponível, caindo de R$ 632 em 2005 para R$ 506 em 2007, uma redução de 20%.

Da redação, com informações da Folha Online

Rizzolo: Na história da política brasileira desde os tempos de Getúlio Vargas, a classe média sempre foi decisiva tanto do ponto de vista de formação de opinião, quanto de mobilização política. O que está ocorrendo agora, é a existência de um fenômeno, ou seja, uma nova classe média ascendente, uma classe média jovem, morena, que estuda a noite, e que tem novas aspirações, diferentes da antiga e tradicional classe média brasileira cujas bases vinham de uma elite com outras concepções.

Essa nova classe média, é fruto da inclusão econômica, como demonstra o texto acima, e é por intermédio dela que as mudanças políticas se farão. O acesso aos bens de consumo, às informações, e à educação fez com que houvesse uma mobilização ascendente de classes, o grande enigma é saber decifrar os anseios dessa nova classe média, diversa da tradicional, que surge como força política no cenário brasileiro.

As manchetes desta sexta

JORNAL DO BRASIL – “Bush, meu filho, resolve tua crise”

FOLHA DE SÃO PAULO – Principal assessora de Dilma montou dossiê contra FHC

O GLOBO – MST é condenado por desvio de verbas de alfabetização

GAZETA MERCANTIL – Venezuela vem buscar alimentos no Brasil

CORREIO BRAZILIENSE – Em alta, Lula manda o governo gastar muito

VALOR ECONÔMICO – Importados sobem 18% e já não amortecem a inflação

ESTADO DE MINAS – BH tem 15 mil imóveis infestados pela dengue

Leias os destaques de capa de alguns dos principais jornais do País pela Radiobrás

Os Perigos do Neopopulismo

O historiador mexicano Enrique Krause escreveu recentemente (2006: Os dez mandamentos do populismo) que o populismo ao contrário do que se imaginava continua sendo uma variante política da atualidade, sobretudo na América Latina. Ele mostrou como está surgindo o fenômeno da emergência de um populismo latino-americano pós-moderno que poderia também ser chamado de neopopulismo que se diferencia das formas tradicionais, mais conhecidas, que se caracterizavam por uma irresponsabilidade macroeconômica.

Líder carismático, demagogia e palanquismo, dificuldade de aceitar a crítica e a opinião do outro, esbanjamento de recursos públicos (sobretudo para financiar gastos crescentes do Estado com pessoal, quer dizer, com aparelhamento), assistencialismo, incentivo à divisão da sociedade na base dos pobres contra os ricos (ou do povo contra as elites), mobilização das massas, criação de inimigos, desprezo pela ordem legal e desvirtuamento das instituições todos esses ingredientes, quando combinados, compõem a fórmula do novo populismo. (E um regime pode ser autoritário, como nos mostrou o ditador Salazar, em Portugal, sem ser irresponsável do ponto de vista econômico; ou seja, a estabilidade monetária pode ser usada como exemplo de bom-comportamento enquanto se suprime, restringe ou polui o ambiente democrático).

A pesquisa Confederação Nacional da Indústria (CNI)/Ibope conferindo recorde de popularidade ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva atesta que o governo tem a aprovação esmagadora do povo brasileiro. Mas a grande indagação consiste numa reflexão no âmbito da democracia e seus conceitos básicos. Até que ponto uma popularidade excessiva contribui para uma saudável democracia? Observa-se numa análise perfunctória, que o presidente Lula se exalta com as pesquisas, e que como natural seja, se consubstancia do poder e da legitimidade popular que possui, para que em questões controversas, impor seus desideratos. Um caso típico são os das Medidas Provisórias, existem outros, é claro, mas a análise da questão popularidade versus democracia, nos leva a pensar se realmente todos os fatores legitimados em uma pesquisa são efetivamente reais e não frutos de um marketing pessoal, e um momento econômico, e em especial a observação, da real sustentação da transmissibilidade política a um pretenso sucessor seu.

A política desenvolvimentista atrelada a financeirização da economia, por certo período que tem seu expoente na boa condição do mercado internacional, tem propiciado ao Brasil um ótimo desempenho econômico. Alem disso, os efeitos distributivos através do programas de transferência de renda como o Bolsa-Família, tem feito surgir uma nova classe média, a morena, que estuda à noite, ávida a atingir o patamar que outrora era delimitado a outro tipo de classe média burguesa, oriunda ainda de um Brasil escravagista. O componente pessoal de Lula, operário que fala o dialeto do povo sem passar pela mídia tradicional, o transformou num ícone popular. Essa popularidade exacerbada, delega na sua essência poderes de cunho irreverenciais democráticos, ao se dirigir ao presidente Bush, de ” meu filho” ou quando compara Bolsa-Família com milagre da multiplicação dos pães numa analogia a Jesus.

A verdade é que Lula para o povo brasileiro no momento, é a expressão de uma vida melhor, mais dinheiro no bolso do trabalhador, e mais emprego. Os perigos que alta popularidade poderão levar, devem ser aparados por uma oposição coerente e firme, afinal para um País que sempre adotou a receita dos EUA e passou a maior parte de seu tempo como devedor, chegou a hora de se libertar pelo menos em força de expressão na voz de um operário brasileiro. Não é “Bush meu filho, vai e resolve tua crise ! ”

Fernando Rizzolo

FHC pode pedir abertura de seus gastos ao Planalto

Fernando Henrique Cardoso revelou a um dirigente do PSDB que pensa em solicitar diretamente ao Planalto a abertura dos seus gastos com cartões corporativos e contas do tipo B da época em que foi presidente da República. Cogita recorrer ao hábeas data, um recurso jurídico que faculta a pessoas físicas e jurídicas requerer dados sobre si mesmos armazenados em bancos de dados oficiais.

Nesta quinta-feira (27), conforme noticiado aqui, na véspera, três ex-ministros de FHC protocolaram no Planalto requerimentos para que o governo lhes entregue as despesas relativas às suas respectivas gestões. Foram à presidência o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, e o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), ex-secretário-geral da Presidência da República (ambos na foto).

Além dos seus próprios requerimentos, Jungmann e Virgílio levaram o hábeas data assinado pelo deputado Paulo Renato (PSDB-SP), ex-ministro da Educação de FHC. O ex-presidente foi informado previamente da decisão tomada por seus ex-auxiliares. Considerou boa a iniciativa. Tão boa que informou que estudaria a hipótese de entrar, ele próprio, com um requerimento do gênero.

Também nesta quinta-feira, a Mesa diretora do Senado aprovou, sem alarde, 47 requerimentos de informações apresentados por senadores. Pedem a ministérios e a órgãos da presidência da República o envio ao Congresso de dados relacionados a despesas feitas com cartões corporativos. A iniciativa, atribuída a senadores, individualmente, nada tem a ver com a CPI dos Cartões.

A lista de ministros aos quais serão dirigidos os requerimentos inclui todo o primeiro escalão palaciano: Dilma Rousseff (Casa Civil), Jorge Félix (Gabinete de Segurança Institucional), Luiz Dulci (Secretaria Geral), Franklin Martins (Comunicação Social), José Múcio Monteiro (Relações Institucionais), José Antônio Toffoli (Advocacia Geral da União) e Jorge Hage (Controladoria Geral da União).

Fonte Blog do Josias

Rizzolo: O Habeas Data é o instrumento legal próprio para tal requerimento. A atitude de FHC leva por conseqüência Lula a uma situação constrangedora, contudo, como já comentei no artigo acima, sua extrema popularidade o faz destemido, e o coloca numa situação confortável que poderíamos assim caracterizar como quase impune. São lamentáveis os defeitos das democracias latino americanas que insistem no modelo paternal populista; talvez face ao desalento produzido pela miséria, a figura paternal identificatória faz com o povo se torne cego e dependente dos líderes populares. Com isso, não se discute e tampouco se questionam as questões básicas do desenvolvimento brasileiro que se apequena em discurso improvisados de efeitos que levam o povo a se sentir protegido. Uma mágica já conhecida deste os tempos mais remotos.

Charge do Fausto para o Olho Vivo

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Lula: Podem tirar o ‘cavalo da chuva’ porque farei sucessor

‘Oposição pode tirar o cavalinho da chuva, porque vamos continuar governando o País’, diz o presidente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira, 26, no bairro do Jordão, no Recife (PE), que fará o seu sucessor. Em um discurso inflamado, Lula atacou a oposição, que acusa o seu governo de usar irregularmente o cartão corporativo. “A oposição pensa que vai eleger o sucessor. Pode tirar o cavalinho da chuva, porque nós vamos fazer a sucessão, para continuar governando este País”, afirmou.

Ao lado da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, citada por três ministros, pelo prefeito de Recife e pelo governador de Pernambuco, em seus respectivos discursos, Lula ponderou que a eleição ainda está muito longe, mas que os adversários não vão atrapalhar o seu projeto de desenvolvimento. “Eles vão ter que lutar muito e trabalhar muito. Apenas fazendo discurso não vão nos derrotar, não”, afirmou. “É preciso trabalhar mais do que nós e dizer ao povo o que fizeram antes de nós”, acrescentou.

Lula voltou a dizer que é preciso comparar o governo dele com o anterior e avisou que até o final do seu mandato pretende voltar outras vezes a Pernambuco e visitar todos os estados brasileiros. “Meus adversários vão dizer: está em campanha, está em campanha. Eu não estou em campanha, porque nem posso concorrer”. Lula disse que vai fazer ainda muitas viagens. “Se eles acham que eu vou ficar lá em Brasília ouvindo discursos, eles podem fazer quantos discursos quiserem, porque eu vou para a rua ouvir o discurso do povo, que eu ganho muito mais”.

Dirigindo-se ao ex-deputado Severino Cavalcanti do PP, que estava na platéia e que teve que deixar a presidência da Câmara sob acusação de corrupção, Lula disse que foram as elites paulista e paranaense que o afastaram do poder. Em seguida, Lula disse que tinha muito respeito pelo deputado e que muitos políticos são hipócritas.

Agência Estado

Rizzolo: Não se pode negar que houveram avanços no governo Lula, os investimentos em projetos de cunho social, o desenvolvimentismo baseado na inclusão, fizeram uma marca no governo petista que jamais houveram em gestões passadas. Mas ao mesmo tempo em que se faziam as demarcações do ponto de vista social, as alianças com o capital internacional, a omissão em criticar as políticas de altas taxas de juros pelo BC promovendo a financeirização da economia em detrimento à produção, levaram ao descrédito a boa intenção do social e não pavimentou o desenvolvimento necessário para uma segunda fase do crescimento.

A oposição atua de forma saudável, principalmente no que falta ao governo petista que é a transparência e dificuldade em conter a improbidade administrativa que é a marca registrada petista, o que não se pode aceitar, é Lula se sentir ” ofendido” porque a oposição e o povo brasileiro, não aceitam os abusos com os cartões corporativos, isso só pode ser uma brincadeira petista. O pobre brasileiro mesmo, apenas conseguiu nesse governo, ser beneficiado face ao Bolsa Família e alguns outros projetos de inclusão, o resto é conversa e perfumaria eleitoral. Agora a ” mãe do Pac” não tem a menor condição de prosperar como candidata, só Lula que ainda não percebeu, com ela, seu projeto de sucessão deixará sim o cavalinho da oposição tomar chuva à vontade. Ou será apenas eu que acho isso ?

FHC diz que Lula deve seguir seu exemplo e divulgar gastos

Ex-presidente chama de ‘guerra suja’ acusação de que seus gastos têm irregularidades e quebra próprio sigilo.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aconselhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a seguir o seu exemplo e divulgar os gastos da Presidência, em entrevista à rádio CBN nesta quarta-feira, 26, e chamou de “guerra suja” as acusações de que os gastos à época em que foi presidente teriam irregularidades. Na última terça à noite, FHC autorizou a quebra do seu próprio sigilo.

A decisão foi tomada após reportagem da revista Veja desta semana, segundo a qual o governo teria preparado um dossiê sobre gastos do ex-presidente para intimidar tucanos na CPI dos Cartões. A denúncia provocou uma série de negativas do Planalto e acirrou os ânimos na comissão, que agora cobra a quebra de sigilo de Lula e planeja convocar a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para falar sobre o suposto dossiê.

Segundo FHC, a quebra de seu próprio sigilo é para “acabar com essa sensação de que tem algo de podre no reino da Dinamarca”. Se teve algo de podre, é longe de mim”, disse. O ex-presidente defendeu ainda punição caso seja comprovada alguma irregularidade. “Que se puna, mas não se pode fazer guerra suja. Por isso, pedi para abrir tudo de uma vez”.

FHC disse ainda na entrevista não considerar “violação de privacidade” a divulgação de seus gastos, mas chamou de “calúnia” reportagem da revista Veja que cita gastos com garrafas de champagne no início do segundo mandato. “Nem sei quem comprou (as garrafas) nem vi a ordem. Talvez tenha sido para a festa de posse da reeleição. Confundir isso como gasto pessoal é uma calúnia, dizer que fulano gastou para o seu bel prazer é errado”, afirmou.

Agência Estado

Rizzolo: Realmente essa postura do governo de insinuar gastos irregulares no governo FHC para que lá frente se negocie a não abertura das contas dos gastos pessoais de Lula, é no mínimo um ato deplorável. Com efeito, o fato de FHC ter autorizado a quebra de seu próprio sigilo, induz ao presidente Lula que se faça o mesmo, até porque essa postura de Lula justificar o seu sigilo através de argumentos constitucionais injustificáveis e não cabíveis de ” segurança nacional”, é extremamente antiético, amoral, e não condizente a um homem público. Concordo plenamente com FHC, que se escancare as contas pessoais do presidente Lula, e que de uma vez por todas se dê abrigo a uma postura ética e de trnsparência comum nas melhores democracias.