Dengue, epidemia de politicagem

Não são poucas as vezes que em reuniões entre amigos, em conversas no canto da sala, sempre se ouvem de alguém mais intolerante, para não dizer radical, que no Brasil o povo é atrasado face à nossa colonização. Se deixarmos a conversa rolar, das alegações de má colonização, o ” radical” passará a insinuar que o problema além da colonização, é o ” espirito latino” de desorganização, a aí por diante. Sempre tentei não enxergar o Brasil dessa forma, mas tentar entender a desordem e a ineficácia tamanha que reina no nosso meio político, é um árduo exercício, ademais, todo cuidado é pouco na análise, para que não venhamos cair nas argumentações dos radicais e intolerantes.

O fato é que, a ineficácia da política pública de combate ao mosquito transmissor da dengue e o jogo de empurra entre os governos federal, estadual e municipal, produziram um resultado concreto no Rio de Janeiro: agora, a doença é epidêmica. Nos últimos 15 anos, na cidade do Rio de Janeiro, morreram vítimas da dengue 149 pessoas, registrando-se 274,9 mil casos da doença.

Conforme levantamento realizado pelas Secretarias Municipal e Estadual da Saúde, a pedido do jornal O Globo, outras 204 pessoas morreram no mesmo período no Estado, tendo sido notificado 613,4 mil casos. Durante esse período, as autoridades municipais, estaduais e federais não foram capazes de implantar uma política eficaz de combate ao mosquito transmissor da doença nem de preparar a rede pública de hospitais para atender ao número crescente de casos.

Mais de 32 mil casos de dengue já foram registrados no Estado do Rio nos três primeiros meses deste ano. Quase 100 mortes foram notificadas como suspeitas de dengue, sendo 48 confirmadas, número que já supera o total de mortes (31) ocorridos no Rio em todo o ano de 2007. O índice de letalidade da doença na cidade está em torno de 5% dos pacientes contaminados, muito acima do considerado aceitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 1%.

Esse quadro nos leva a uma reflexão sobre a saúde pública no Brasil. Infelizmente, passa-se maior tempo tentando atribuir a culpa sobre a questão da epidemia, do que medidas eficazes de erradicação do transmissor. As autoridades municipais, estaduais e federais não foram capazes de implantar uma política eficaz de combate ao mosquito transmissor da doença nem de preparar a rede pública de hospitais para atender ao número crescente de casos.

O cerne da questão é o descaso com o trato das coisas públicas mais simples; as iniciativas dos governos em atender de forma expedita questões básicas, se perdem nos meandros da politicagem acreditando os homens públicos, que o pior não acontecerá e que se acontecer a atribuirão com certeza a culpa em alguém

A saúde pública no Brasil passa por uma crise muito séria, e desvendar essa questão não é tão complicado como assim parece. Gestões interessadas no sucateamento do papel do Estado em promover bem-estar, entusiastas do modelo americano de privatização da saúde, a perversa conceituação de que pode-se ” ganhar dinheiro” com investimentos em hospitais, tudo isso nos levou ao que vivemos hoje no País, chancelado ainda, pela inoperância e conivência dos políticos.

Nunca aceitei a argumentação dos intolerantes e radicais, como afirmei acima, mas entendo o porque que em determinadas situações surgem os radicais de direita; a explicação é simples: da mesma forma que o meio ambiente predispõe ao mosquito se alastrar, o meio político predispõe aos fascistóides surgir. E isso é um perigo, mais perigoso que Aedes aegypti .

Fernando Rizzolo

Lula diz que dossiê contra FHC é ‘mentira’; Dilma liga para Ruth

Denúncia da ‘Veja’ diz que ex-presidente e sua mulher tiveram gastos bisbilhotados nos anos de 1998, 2000 e 2001

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, 24, que “é uma mentira” a reportagem da revista Veja segundo a qual o Palácio do Planalto teria elaborado um dossiê sobre os gastos com cartões corporativos feitos no governo Fernando Henrique Cardoso (FHC). “Se não fiz dossiês em 2005, na época em que precisava fazer enfrentamentos, por que os faria agora. A quem pode interessar isso agora?”, disse Lula. As declarações do presidente foram feitas na reunião desta segunda do Conselho Político, no Palácio do Planalto, segundo o senador Renato Casagrande (PSB-ES) e o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS).

Ainda no esforço para desmentir a história, a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, telefonou também nesta segunda para a mulher do ex-presidente, a antropóloga Ruth Cardoso, assegurando que o governo não montou dossiê sobre despesas dela, à época em que era primeira-dama (1995-2002), com cartões corporativos. Foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quem informou sobre as explicações de Dilma a Ruth. Na reportagem da Veja, o ex-presidente e sua mulher tiveram os gastos bisbilhotados nos anos de 1998, 2000 e 2001, todos efetuados com a chamada conta B, um fundo de despesas que antecedeu a criação dos cartões corporativos.

Lula afirmou que o governo vai se dedicar “muito” para saber quem vazou documentos sigilosos citados na reportagem da revista. Ainda foi lida, durante o encontro, uma nota divulgada no sábado pela Casa Civil, em que o Planalto nega a autoria do suposto dossiê. Diante da ameaça de integrantes da oposição de abandonar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Cartões, caso os governistas insistam em manobras que impeçam a votação de requerimentos que pedem a quebra de sigilo, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) disse que se afastar das investigações é “legitimar a farsa”. “Se o governo deixar claro que não quer investigar, o PSDB tem de estar vigilante na CPI para denunciar a operação. Abandonar a comissão vai nos colocar na posição de coadjuvantes da farsa”, disse.

Agência Estado

Rizzolo: Essa questão do dossiê é séria. Prova disso é que o presidente Lula chegou ao ponto de pedir para que a ” mãe do Pac” telefonasse para a antropóloga Ruth Cardoso. Ora, ninguém vai chegar às raias de pegar um telefone e dar explicações sobre algo que sabe não ter existido. Na minha opinião há sim um dossiê intimidatório. Para casos como este em questão, a oposição deve ir às últimas conseqüências, sair à frente e abrir as contas de FHC com intuito de fazer com que Lula se sinta constrangido e passe a aceitar a investigação sobre seus gastos.. Agora, ” se dedicar muito para saber quem vazou as informações ” como afirma Lula, é no mínimo ser réu confesso. Não há outra saída para a oposição a não ser em insistir para que as contas sejam abertas.

O próprio ministro Tarso Genro admitiu que existe um levantamento minucioso dos gastos do governo Luiz Inácio Lula da Silva e do anterior, mas por razões de Estado, não para chantagear a oposição. “O objetivo é levantar dados universais que estejam disponíveis para o Congresso, o Judiciário e os órgãos de fiscalização do Estado.” Por favor ! Depois alega que não há dossiê, isso só pode ser uma brincadeira petista, não é?

Importação cresce mais e déficit em conta corrente é recorde

Saldo de transações correntes do País é influenciado por desempenho pior da balança comercial no ano.

BRASÍLIA – O aumento cada vez maior das importações do País e a conseqüente diminuição no saldo da balança comercial vêm atingindo o resultado das contas externas brasileiras. Em fevereiro, as transações correntes registraram déficit de US$ 2,090 bilhões, o maior valor para o mês desde o início da série histórica, em 1947.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, explicou que o resultado, que veio acima da expectativa do BC, de déficit de US$ 1,7 bilhão, foi influenciado negativamente pela balança comercial que, segundo ele, “veio um pouco pior”.

O saldo comercial do País vem registrando diminuição desde o ano passado, causada pelo aumento desproporcional das importações ante as exportações. No primeiro bimestre do ano, por exemplo, as compras internas cresceram 54% na comparação com igual período de 2007, enquanto as vendas externas subiram 24%.

Em 12 meses até fevereiro, o déficit em transações correntes corresponde a 0,37% do Produto Interno Bruto (PIB), ante déficit de 0,18% do PIB em 12 meses até janeiro.

Com o resultado de fevereiro, o BC elevou seu prognóstico para o déficit em transações correntes neste ano para US$ 12 bilhões, ante prognóstico anterior de US$ 3,5 bilhões.

O balanço de pagamentos no País, segundo o BC, foi superavitário em fevereiro em US$ 3,645 bilhões, acumulando no bimestre um superávit de US$ 6,876 bilhões.

Os investimentos estrangeiros diretos no País somaram US$ 890 milhões em fevereiro, frente a US$ 1,378 bilhão em igual mês de 2007.

Dívida

A dívida externa total do Brasil atingiu US$ 198,073 bilhões em fevereiro, de acordo com estimativas divulgadas pelo Banco Central. Em dezembro de 2007 – último dado fechado disponível, a dívida externa total era de US$ 193,563 bilhões.

O pagamento de juros com serviço da dívida em fevereiro foi de US$ 595 milhões. No acumulado do primeiro bimestre o pagamento de juros totalizou US$ 1,884 bilhão. O BC também aumentou a sua projeção para 2008 sobre o pagamento de juros, de US$ 4,5 bilhões para US$ 4,7 bilhões.

Agência Estado

Rizzolo: O resultado ruim das contas externas brasileiras, se dá exclusivamente, devido ao fato da alta taxa de juro que se promove no Brasil. Com o pretexto do acautelamento em relação à inflação, se promove-se no Brasil uma política monetária perversa, onde privilegia os lucros financeiros e a entrada de capital internacional, inundando o mercado de dólares e por conseqüência fazendo com que o câmbio se valorize. Isto posto, as empreitas de cunho exportador, ficam por demais comprometidas; com o dólar barato aumenta-se as importações e o déficit em conta corrente.

Não existe no País política voltada ao desenvolvimento no combate à inflação. Ao invés de se concentrarem no aumento da produção, aumentando a oferta de produtos e minimizando desta forma a eventual escalada inflacionária, fazem exatamente o inverso. Prestigiam a financeirização da economia via altas taxas de juros, abrem as portas, para que tomadores de empréstimos internacionais, especulem com o real valorizado, haja vista empréstimos tomados no Japão e aplicados aqui; comprometem o desenvolvimento do mercado interno inviabilizando geração de novos empregos, e depois tomam ” medidas inócuas” visando conter a entrada de capitais.

Ora, até quando o Copom e o Sr. Meirelles, vão segurar o crescimento do País? Hoje estive com meu amigo o nobre professor e pesquisador Márcio Pochman, presidente do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), conversamos rapidamente no Cresce Brasil, do qual faço parte, e cada vez que o ouço, mais tenho a percepção da sua viva lucidez política. Vale a pena acompanhar suas idéias.

Censura bloqueia acesso ao blog mais lido em Cuba

HAVANA (Reuters) – Autoridades cubanas bloquearam o acesso a partir de Cuba ao blog mais lido do país, disse sua autora, Yoani Sánchez, na segunda-feira.

Sánchez, cujo blog crítico “geração Y” recebeu 1,2 milhão de visitas em fevereiro, disse que os cubanos não podem mais visitar a página dela (www.desdecuba.com/geraciony) e os de outros dois blogueiros do país hospedados em um servidor alemão.

Os internautas vêem apenas um mensagem de “erro no download”.

“Então, os censores anônimos do nosso famélico ciberespaço tentaram me trancar em um quarto, apagar a luz e não deixar meus amigos entrarem”, escreveu ela em seu blog na segunda-feira.

Sánchez diz que não consegue acessar seu blog diretamente de Cuba, o que impede novas atualizações. Mas ela descobriu uma maneira de driblar os censores comunistas, por meio de uma rota diferente.

Aos 32 anos e graduada em linguística, ela conquistou um número considerável de leitores ao escrever sobre seu dia-a-dia em Cuba e descrever as dificuldades econômicas e restrições políticas que enfrenta.

Ela critica as “vagas” promessas de mudança do novo líder, Raúl Castro, que assumiu o poder formalmente no mês passado, depois da renúncia do irmão Fidel. Segundo ela, ele deu passos mínimos para melhorar o padrão de vida dos cubanos.

“Quem é o próximo na fila para ganhar uma torradeira?” era o título de um blog que satirizava a derrubada das restrições à venda no varejo de computadores, aparelhos de DVD e outros utensílios que os cubanos desejavam. Apesar da mudança, as torradeiras não serão vendidas livremente até 2010.

Em um país controlado pelo Estado, sem mídia independente, Sánchez e outros blogueiros que vivem em Cuba encontraram na internet um meio de expressar-se sem amarras.

“Esta rajada de ar fresco despenteou os burocratas e os censores”, disse a blogueira em uma entrevista por telefone. Ela prometeu continuar com o blog. “Qualquer um com um mínimo de prática com computador sabe como contornar isso”, disse ela.

O objetivo dos censores do governo é bloquear a leitura em Cuba, onde as pessoas têm acesso restrito à internet, disse ela.

“Eles assumem que não existe pensamento alternativo em Cuba, mas as pessoas vão continuar nos lendo de algum jeito”, disse ela. “Nenhuma censura poderá deter as pessoas determinadas a acessar a internet”, afirma ela.

(Reportagem de Anthony Boadle)

REUTERS MR

Rizzolo: Enquanto houver o retrógrado entendimento stalinista em Cuba, censurando a livre expressão do pensamento, o estereótipo ditatorial cubano vai continuar prevalecendo aos olhos do mundo. Contudo, tentativas de calar blogueiros existem até em países como o Brasil, haja vista o que ocorreu com Blog do Paulo Henrique Amorim que evaporou-se do ar. É inconcebível numa democracia ou num Estado Socialista, a censura às idéias e às reflexões políticas.

O que temos no Brasil hoje, é um início de abertura da discussão política, vez que a mídia convencional está nas mãos de poucos políticos, e que na sua maioria, são de direita. O que nos resta pela diversidade de opiniões que proporciona, são os Blogs independentes, como este Blog. Aqui no caso específico, não devo satisfação a nenhum portal, não aceito patrocínio de ninguém, não estou ligado a nenhum partido nem de direita, tampouco de esquerda, não aceito ingerência no que escrevo, sou livre. Liberdade é uma palavra muito especial, principalmente para os de origem judaica. Temos que nos livrar dos Egitos que tentam nos calar.

Charge do Lane para Charge online

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Alckmin quer dar o troco a tucanos pró-Kassab

A ala alckimista do PSDB de São Paulo resolveu revidar com sua própria demonstração de força às manifestações de apoio de outros tucanos à candidatura do prefeito Gilberto Kassab, do DEM mas apoiado pelo governador José Serra. “É uma manifestação espontânea da militância”, disse farisaicamente o deputado Júlio Semeghini (PSDB-SP), sobre a contra-ofensiva marcada para esta quinta-feira (27) às 19 horas. A tendência é o partido marchar dividido para a eleição paulistana.

A guerra de manifestações de apoio encerrou o cessar-fogo pactuado em fevereiro entre Alckmin e Kassab. O sinal do reinício das hostilidades foi a divulgação de uma carta pelo líder da bancada tucana na Câmara Municipal, Gilberto Natalini, com elogios à gestão Kassab e uma defesa velada do apoio do PSDB ao prefeito. A movimentação do vereador, orquestrada pela ala serrista, foi uma reação a declarações dadas dias antes por lideranças do PSDB em outros Estados, como os senadores Arthur Virgílio (AM) e Tasso Jereissati (CE), em defesa da candidatura própria em São Paulo.

A missão quase impossível de Guerra

Nesta segunda-feira (24), o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), desembarca em São Paulo com uma missão aparentemente impossível: apaziguar o racha entre os defensores do apoio à reeleição de Kassab e os que desejam candidatura própria de Alckmin. Na terça-feira Guerra vai se reunir, em separado com Alckmin e Serra.

Não se acredita que o senador, que tem suas bases na frágil seção pernambucana do PSDB, tenha argumentos ou cacife político para apartar a briga entre os emproados tucanos do principal reduto do partido. Ele já tentou de outras vezes, sem resultado.

Em privado, Guerra teria confessado que considera a candidatura de Alckmin irreversível e que ela tem de ser anunciada em breve para minimizar as possíveis seqüelas partidárias. Acredita-se que nesse caso Serra prestaria apoio formal a Geraldo Alckmin, mas o seu grupo político trabalharia para Kassab. Há até quem cogite que esse ânimo dissidente pode até se estender ao segundo turno, devido ao acirramento das divergências. Estas são na realidade um segundo round do conflito iniciado em 2006. Na ocasião, Alckmin e Serra disputaram a indicação como candidato presidencial tucano. Após três meses de paralisia, o primeiro venceu a contenda, mas perdeu a eleição para Lula.

Da redação, com agências

Site do PC do B

Rizzolo: Este problema dentro do PSDB paulista, denota a falta de fidelidade partidária por parte dos tucanos. Alianças podem ocorrer quando não há candidato à altura na disputa eleitoral; Alckmin tem todas as condições de concorrer à prefeitura de São Paulo como candidato com o perfil do eleitor paulista. Kassab é um bom nome, mas o que se analisa aqui, é a crise gerada dentro do PSDB que se estende para a disputa presidencial de 2010, onde interesses maiores estão em jogo. Leia também Alckmin X Kassab

Minas Gerais, Aécio e o PT

O Partido dos Trabalhadores surgiu envolto a uma densidade ideológica sindical, onde a indignação operária da época tentava por meios da negociação e das greves promovidas, um avanço do operariado nas conquistas sociais. Esse ideal foi propagado por Lula , um de seus maiores expoentes culminando com a sua vitória eleito como Presidente da República.

Lula e seu partido que ganharam expressão no Brasil, nasceram em São Paulo. Mas a questão principal no atual cenário político brasileiro, é talvez algo que não transpareça de forma explícita, mas que ocorre de forma velada nas esquinas, nas cidades históricas, e na capital mineira. A continuidade do sonho de Tancredo Neves. Após um período negro e violento na História do Brasil, Tancredo foi eleito o primeiro presidente civil em mais de 20 anos. A ansiedade de todo o país pela sua posse e por uma reorganização da sociedade, ainda amedrontada pelo regime militar, era nítida. Apesar de indireta a eleição de Tancredo foi recebida com grande entusiasmo pela maioria dos brasileiros, mas infelizmente essa trajetória foi interrompida.

O que observamos hoje na aproximação entre o PT e o PSDB mineiro, nada mais é do que uma articulação bem do “tipo mineira”, discreta, de boca em boca, mas instrumentalmente eficaz. Na capital mineira, o prefeito petista Fernando Pimentel deu as mãos ao governador tucano Aécio Neves. Ambos anunciaram a intenção de apoiar a pré-candidatura de Márcio Lacerda, do PSB de Ciro Gomes (CE). O caso mineiro não é único. O petismo está próximo do tucanato também em capitais do relevo de Salvador e Sergipe. Por trás, Lula emite sinais de que é simpático à aproximação, sobretudo à que juntou Pimentel e Aécio.

Já maior parte do PT não aceita a aproximação. Prova disso é a reunião do diretório nacional na segunda-feira (24) sob a presidência de Ricardo Berzoini; no encontro, os dirigentes petistas vão fixar as balizas da política de alianças que o partido de Lula adotará nas eleições municipais de 2008. Sob o ponto de vista político, a aliança do PT com o PSDB é estratégica e visa os interesses de Aécio, que quer sim, de qualquer forma, resgatar a influência mineira na política brasileira dando continuidade ao legado de Tancredo Neves.

Não há dúvida que em termos de articulação, Aécio Neves tem uma flexibilidade e uma visão política aguçada, move-se da direta para a esquerda com facilidade, se despoja de princípios partidários ideológicos, e analisa a proposta eleitoral num prisma de correlação de forças que enaltece seu desiderato político.

A crise no PSDB paulista está se agravando. O que é ótimo para o discurso de conciliação nacional do governador de Minas. Para Serra, uma vitória de Alckmin seria inconveniente. Ela fortaleceria a eventual candidatura de Aécio. Mas uma derrota de Alckmin poderá se transformar num negócio ainda pior, a depender dos termos em que ela venha a ocorrer.

Talvez no fundo, no conflito entre Serra e Alckmin esteja o oculto desejo da volta de Minas no cenário político nacional, talvez muito embora suposição, e exercício de reflexão política, o alinhamento PT e PSDB seja o início de uma incursão política não ideológica, mas saudosista em dar a Minas Gerais a continuidade em ocupar o lugar que de mérito era de Tancredo Neves na antiga alternância de poder entre São Paulo e Minas Gerais. Quem sabe ?

Fernando Rizzolo

OAB e CNBB relançam movimento por reforma política

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) marcaram para dia 15 de abril a primeira reunião de um movimento que pedirá pela reforma política no País.

Segundo o presidente do Conselho Federal da OAB, Cezar Britto, os projetos “tratarão dos seguintes temas: mudança das regras para escolha do suplente de senador, fim da reeleição para o Executivo, dar ao eleitor o direito de cassar o mandato do eleito que trair as promessas de campanha e instituir o financiamento público das campanhas”.

“O movimento pretende apresentar quatro projetos de iniciativa popular para mudar o sistema político e eleitoral Brasileiro”, afirmou Britto, em notícia publicada no site da OAB.

Ele disse que a população precisa compreender que precisa se mobilizar em defesa de seus objetivos e gerir o seu próprio destino. “Isso está expresso na Constituição Federal”, disse. “A melhor forma de exigir é a mobilização popular, é levar para a população a idéia de que ela pode mudar o País”.

A assessoria da OAB informou que os temas que comporão os quatro projetos poderão sofrer alterações. Para a reunião do movimento, também foi convocada a União Nacional dos Estudantes (UNE), entre outras entidades de todo País. As informações são do site da OAB.

Fonte: Agencia Estado

Rizzolo: A reforma política é um dos itens essenciais para um bom funcionamento do legislativo. Hoje o que presenciamos na política brasileira, são os interesses bem representados por parlamentares, que são na sua grande maioria financiados pela iniciativa privada, pelos lobbies O financiamento público das campanhas, vem ao encontro da verdadeira inclusão da população pobre em eleger seus legítimos representantes. Combater as falsas promessas, a politicagem barata, é outra bandeira do movimento que propõe dar ao eleitor, o direito de cassar o mandato do eleito que trair as bases de sua campanha.

Tudo isso denota sim um defeito da democracia representativa elitista. Temos que disponibilizar através de meios legais, a ética na política, e dar espaço a imensa população pobre brasileira que vem sendo utilizada como massa de manobra pelos grandes interesses, daqueles que financiam as poupudas campanhas de seus lacaios. Vamos moralizar a política parabéns a OAB e a CNBB.

Banco estrangeiro lucra mais no Brasil em 2007

Os bancos estrangeiros lucraram R$ 13,56 bilhões no Brasil em 2007 –uma alta de 160% sobre o ano anterior– em um momento que as matrizes vivem em estado de alerta por causa da recente crise financeira nos Estados Unidos, informa Ney Hayashi da Cruz na edição de hoje da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

O crescimento dos ganhos apurados pelos estrangeiros supera o dos bancos privados cujos controladores são brasileiros –que lucraram R$ 22,228 bilhões, 22% a mais do que em 2006. Os números foram levantados pela Folha a partir dos balanços entregues pelas instituições financeiras ao Banco Central.

O banco estrangeiro com maior lucro no Brasil em 2007 foi o UBS Pactual, com ganho de R$ 2,665 bilhões. O UBS é um banco de investimentos –que, no ano passado, foi o tipo de instituição financeira que mais elevou os lucros. Eles são especializados em grandes operações, como emissão de títulos no mercado internacional e lançamento de ações na Bolsa. Bancos de varejo, com foco em concessão de crédito e manutenção de contas, também conseguiram aumentar seus ganhos, mas em menor proporção.

Os números contrastam com as dificuldades enfrentadas pelo setor bancário nos Estados Unidos devido ao aumento na inadimplência de financiamentos habitacionais. Num dos últimos capítulos dessa crise, o Bear Stearns, quinto maior banco de investimentos norte-americano, foi salvo da falência ao ser vendido ao JPMorgan por 7% de seu valor de mercado, medido pela cotação de suas ações na Bolsa.

Folha online

Rizzolo: Essa é uma das maiores provas da financeirização da economia brasileira face à alta taxa de juros aplicada no Brasil que beneficia a especulação. Uma rotina entre os especuladores é a tomada de empréstimos no Japão e a especulação na aplicação desses recursos no mercado financeiro no Brasil. Só para se ter uma idéias, o resultado obtido pela operação brasileira do JPMorgan aumentou 394% entre 2006 e 2007, chegando a R$ 551 milhões. No caso do Morgan Stanley, a alta foi de 408%, e os lucros, de R$ 263 milhões ! Infelizmente essa é a política econômica de Meirelles do BC, que acaba prestigiando o capital em detrimento as aplicações na produção geradora de empregos.

Quanto a justificativa aos lucros dos Bancos internacionais, nada mais é do que o reflexo da perversa dessa lógica econômica que transforma o Brasil no maior Cassino do planeta. Sem contar com que, ao longo de 2007, as remessas de lucros ao exterior feitas por instituições financeiras instaladas no país aumentaram 29%, chegando a US$ 1,808 bilhão. Medidas paliativas de restrição ao ingresso de capitais promovidas por Mantega, são na sua essência inócuas, pois o problema está nas taxas de juros. Mas isso, o BC não quer admitir, é sagrado o lucro por meio especulatório, e a financeirização da nossa economia deve ser preservada. Uma vergonha, e o pior, Lula sabe disso mas não tem correlação de força para deter nem o Copom tampouco Meirelles do Banco Central.

O que vale é a intenção

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Como de costume, todo Sábado procuro não escrever textos que não estejam relacionados com o Shabbat e com o estudo da Tora. Sem ter a intenção de dar uma conotação pessoal religiosa ao que escrevo, permito dirigir me a você, que acompanha minhas reflexões diariamente, e compartilhar com o amigo(a), de uma forma humilde, esses momentos de introspecção dos meus estudos no Shabbat, que se iniciam todas às sextas-feiras, quando me recolho duas horas antes da primeira estrela surgir no céu, numa Sinagoga ortodoxa que freqüento em São Paulo.

Como já disse anteriormente, tenho profundo respeito por todas as crenças, religiões, e acima de tudo sou um brasileiro patriota, amo meu país e o povo brasileiro, e tenho sim, uma grande satisfação espiritual em ao estudar a Parashá (Porção da Tora semanal) relacioná-la ao que vivemos nos dias atuais. Shabbat é um dia de paz, descanso e harmonia. Devemos nos abster das tensões e às exigências da vida cotidiana.

Como é uma reflexão de estudo pessoal, baseada na introspecção bíblica, recomendo a todos que acompanhem no Antigo testamento (Torah ) os comentários aqui expostos, para que possamos ter uma semana de paz; e que através dos estudos judaicos, possamos compreender nossas vidas e encontrar formas de superar as adversidades na visão de Hashem (Deus). Isso nos dará energia e um “Idiche Kop” ( perspicácia particular), para que enfim tenhamos condições de construir um Brasil cada vez mais digno e com mais justiça social, que é a base do Judaísmo, do Cristianismo, do Islamismo, e de todas as religiões que levam a um mesmo Deus.

E lembre-se, Deus não quer apenas que você ore, mas que você aja com um parceiro dele aqui neste mundo, promovendo mudanças, estudando, se aperfeiçoando cada vez mais em sua área de atuação, e lendo, lendo muito. Quem não lê não pensa, e quem não pensa será para sempre um servo . Nesses aspectos, Ele Hashem ( Deus), precisa mais de você do que você dele. Somos aqui nesse mundo, parceiros de alguém maior. Quando se dirigires a Deus, ” Um homem deve saber que, durante sua prece, ele se acha no palácio do rei e que não vê senão o rei. Ele se esquecerá então até da sua existência ” Rabi Nahman de Bratslav”.

A parashat desta semana chama-se Tsav (Vayicrá 6:1:36) começa com D’us continuando a ensinar Moshê muitas das várias leis relativas ao serviço no Mishcan, Santuário. Entretanto, enquanto a Porção da semana passada descreveu os corbanot, sacrifícios, da perspectiva do doador, nesta semana a Torá concentra-se mais diretamente nos Cohanim, fornecendo mais detalhes sobre seu serviço.

Após descrever primeiro a manutenção do fogo que ardia sobre o altar, a Torá discute em detalhes os vários tipos de corbanot que Aharon, seus filhos e as gerações seguintes de Cohanim estariam oferecendo. As oferendas deveriam ser trazidas com as intenções apropriadas, e comidas em um estado de pureza espiritual.

Finalmente, Moshê realiza os prolongados melu’im, serviço de consagração do Mishcan , e Moshê unge e introduz Aharon e seus filhos para o serviço deles no Mishcan, em frente de toda a congregação de Israel.

Como as duas primeiras porções da Torá de Vayicrá tratam quase que exclusivamente do serviço sacrificial, podemos refletir que relevância têm para nós estas oferendas. Infelizmente hoje em dia não temos um Templo Sagrado, e conseqüentemente não mais temos a oportunidade de realizar estes serviços. Talvez a seguinte percepção possa nos ajudar a relacionarmo-nos melhor com os corbanot de antigamente e, por sua vez, com nosso serviço atual a D’us.

A respeito de muitas das oferendas, a Torá declara que elas serão um “agradável aroma para D’us”, independente de a oferenda ser um valioso novilho trazido por um rico homem de negócios ou sua alternativa mais simples – uma oferenda de refeição trazida por uma pessoa destituída de meios.

Nossos rabinos comentam: “Tanto faz se a pessoa faz mais ou menos, desde que sua intenção seja pelo mérito dos Céus” (Talmud – Tratado Berachot 5b). A dúvida, entretanto, ainda poderia ser aventada se tanto o pobre como o rico estão doando igualmente por amor a Hashem; neste caso então aquele que está fazendo uma contribuição maior não realiza mais que aquele que doa menos? Como podem os rabinos afirmarem que são iguais?

O Sfas Emes resolve este dilema ensinando-nos uma lição extremamente importante sobre o que D’us espera de nós. Ele explica que nossa missão principal na vida é realizar nosso compromisso particular de todo o coração, e preencher nosso potencial a serviço de D’us. Se estamos fazendo tudo aquilo que podemos e somos verdadeiramente incapazes de fazer mais, então, embora nossa contribuição seja mínima, vale tanto quanto aquela que alguém com maior potencial, que está fazendo mais. Ambos indivíduos estão trabalhando com sinceridade, esforçando-se para realizar seu potencial. É irrelevante se um doa mais que o outro. As pessoas têm forças e potenciais diferentes, mas essencialmente estão todas fazendo o mesmo – usando tudo que possuem para servir ao Criador. E isto é o que D’us deseja de nós – servi-lo sincera e verdadeiramente, da melhor forma possível.

Tendo isso em mente, a pessoa jamais deve desesperar-se naquilo que está fazendo, pois Hashem visualiza cada um individualmente, percebendo suas características e sua posição na vida. Isso significa que toda e cada prece, cada mitsvá, cada ato de bondade que fazemos é apreciado quando Ele vê Seus filhos amados esforçando-se para servi-Lo com cavaná, verdadeira intenção. Portanto, não importa qual seja sua oferenda, saiba que terá sempre “um agradável aroma para D’us”.

Fonte : Beit Chabad

Tenha um sábado e uma semana de paz !

Fernando Rizzolo

Quando um Raio-x acusa a falta de assunto..

É realmente impressionante como certos setores da direita e da esquerda, se utilizam de situações fantasiosas que beiram a infantilidade em época eleitoral. Por acaso, li uma matéria, que após tive notícia fora publicada na revista Veja, sobre a viagem que Marta e seu marido Favre fizeram com destino a Paris, no vôo 455 da Air France. Alega a matéria, que na terça -feira passada ao embarcarem Marta e Luis Favre, decidiram não passar pela revista de bagagem de mão feita por raios X. Alegam ainda, que o casal furou a fila da Polícia Federal, alegando que no Brasil, para as autoridades não valem as exigências que recaem sobre os brasileiros comuns.

Em primeiro lugar, o assunto é de uma irrelevância política tão grande, que denota a infantilidade jornalística no seu objetivo principal; desqualificar a Ministra como sendo uma ” desiquilibrada”, uma ” geniosa” e por conseqüência, demonstrando é claro, incompetente para lidar com a ” rés pública”. Em nota no Blog do Favre, seu marido, o casal alega que nada disso aconteceu, e nem sequer ouviram a versão oficial do casal sobre o ocorrido. Ora, está mais que patente que a imprensa infantil quer já, antes do horário eleitoral, desqualificar Marta Suplicy. Se existe alguma prerrogativa em termos de Raio-X, para Ministros em aeroportos, nada mais justo do que exercê-la. Qual é o problema? Essas pobres insinuações políticas de cunho maldoso, servem apenas para o não aprofundamento das questões principais no País. Nem é para vender mais revista, mas para simplesmente desqualificar quem não está alinhado com a opinião de uma pequena parcela raivosa. Pura falta de ter o que falar…

Fernando Rizzolo

Lula: é ‘cretinice verbal’ dizer que PAC é eleitoreiro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desconsiderou hoje, em Foz do Iguaçu, adversários políticos que consideram o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como um projeto eleitoreiro. “De vez em quando alguém fala assim para mim: ‘os governos estão utilizando o PAC eleitoralmente’. Isso é de uma cretinice verbal que não tem lógica”, afirmou.

Segundo ele, se fosse assim, o governod federal não teria assinado convênio de R$ 8 bilhões com o Estado de São Paulo e outros com Minas Gerais, Paraíba, Rio Grande do Sul, e um de R$ 1,1 bilhão com a prefeitura de São Paulo, todos governados por integrantes de partidos adversários.

“A mim não importa de que partido é o prefeito, de que partido é o governador. O que importa é que o Estado tem necessidade, a cidade tem necessidade, nós temos o programa, temos dinheiro e vamos fazer a obra”, ressaltou. Lula acrescentou que, em cidades onde o prefeito não é do PT, até pode haver petistas “de biquinho”. “Eu não estou subindo no palanque com outro candidato, estou subindo com a pessoa que administra a cidade. Portanto, com quem de direito representa naquele instante, institucionalmente, o município.”

Lula também negou que tivesse feito críticas a ministros por não lhe passarem números corretos do PAC. “O que eu disse é que, como há R$ 504 bilhões em vários ministérios e muitas coisas acontecem na Caixa Econômica, nos ministérios, em parcerias com Estados e municípios, precisamos ter um único sistema de controle de tudo, recebendo online as informações”, afirmou.

Na solenidade, o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), repetiu suas críticas à “imprensa golpista que quer de qualquer forma depor um governo popular”. “Abre-se um jornal e parece que não acontece nada de bom”, reclamou. Concordando com Requião, Lula buscou amenizar a crítica e disse que “não vale a pena ter azia por causa de alguma coisa que a gente vê em alguma coluna”.

Alcooduto

Requião, Lula, o governador André Pucinelli, do Mato Grosso do Sul, e o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo, assinaram nesta quinta-feira (20), no Parque Tecnológico da Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu, termo de cooperação para a criação de um grupo de trabalho que vai desenvolver estudos para a construção do alcoolduto entre Campo Grande (MS) e o Porto de Paranaguá.

Também foi assinado um convênio para construção de 1,1 mil casas populares. O governo ainda assinou termos de autorização de uso de águas públicas para a criação de peixes. Os produtores utilizarão as águas da barragem de Itaipu num sistema de criação em tanques-rede.

O alcoolduto faz parte do PAC e seu traçado básico contemplará as cidades de Campo Grande e Batagussú, no Mato Grosso do Sul, e Maringá e Londrina, no Paraná. O projeto, com cerca de 920 quilômetros de extensão, tem sua conclusão prevista para 2010 e o objetivo principal é escoar a produção de etanol dos dois estados para o mercado de exportação.

O presidente Lula destacou que seu governo conseguiu, depois de muitos encontros e reuniões, dar ao setor sucroalcoleiro uma imagem empresarial. “Sabia que se nós quiséssemos adentrar no comércio exterior, com força e potencial que tem o Brasil, teríamos que ser profissionais e ter cartão de credibilidade social para fazer frente às intrigas que estão fazendo contra o Brasil no exterior”.

“Quando um país é insignificante, do ponto de vista de sua balança comercial, e quando não coloca em risco nenhuma grande economia, ninguém se incomoda. Mas quando um país passa a ser competitivo com as grandes potencias do mundo, em vários produtos, começa a ser vítima de ataques. É o que está acontecendo agora na área dos biocombustíveis”, alertou Lula.

O presidente ainda salientou: ‘Todo mundo sabe que o Brasil será invencível nessa disputa, porque temos terra, água, tecnologia e 30 anos de acúmulo de conhecimento. Portanto, somos imbatíveis. É exatamente por isso que países, como os Estados Unidos e integrantes da União Européia, estão impondo barreiras ao álcool brasileiro”.

Com informações das agências
Site do PC do B

Rizzolo: Existem duas questões que se deve levar em conta, uma é a viabilidade do PAC como projeto de desenvolvimento, outra é a sua utilização como meio de angariar votos. Não há como não considerar que o PAC é um projeto de desenvolvimento arrojado e muito bom, já na época da ditadura militar quando do milagre brasileiro, o Estado traçava as diretrizes dos segmentos prioritários da economia, e o capital privado acompanhava, o Estado era a coluna vertebral do desenvolvimento do País.

O PAC é uma cópia modernizada desta política desenvolvimentista. O problema é a gestão do PAC, o governo não conta com corpo técnico à altura para poder com eficiência tocar as obras. Os números são falhos, existe muita desinformação, e Lula sabe disso, já antecipa seu ” descolamento” como a crise do cronograma das obras, até porque já sabe de antemão que está atrasado.

Quanto a questão do PAC emprestar prestígio ao PT e a Lula, nada mais é do que uma conseqüência de um bom projeto, e não é porque estamos em época de eleição, que tudo ficará parado. Se realmente existem as alegações de que o PAC é eleitoreiro realmente é uma “cretinice política” e não verbal…

A completa história de Purim

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Artigo transcrito do Beit Chabad na íntegra.

Nossos Sábios explicam que os dois dias de Purim serão comemorados eternamente, mesmo na Era Messiânica, quando outras festas serão anuladas.

Há 23 séculos, cada geração de judeus celebra todos os anos, a festa de Purim, cuja a data é hoje. Para os inimigos de Israel, para os “Hamans” de todos os tempos, esta comemoração é uma advertência solene. Para nós, esta maravilhosa festividade transmite inspiração, coragem e fé e fortifica nossa devoção e ligação ao nosso grande D’us misericordioso. Ela é, ao mesmo tempo, um sinal precursor e certo de nossa Redenção que não tardará a vir.

Achashverosh sobe ao trono da Pérsia“E se passou nos dias de Achasverosh…” (Meguilat Ester 1:1)

Há mais de dois mil anos (no ano 3392 após a Criação do mundo), o rei Achashverosh subiu ao trono da Pérsia. Apesar de não ser o herdeiro legítimo da coroa, conseguiu impressionar o povo pelas suas riquezas e poder, estabelecendo seu reinado sobre todos os territórios persas. Guerreava muito e conseguiu numerosas vitórias. Seu império se estendia das índias até a Etíópia, comportando 127 países.

0 rei, que já havia conquistado vivamente o povo persa pela sua opulência, impressionou-o ainda mais com seu casamento com Vashti, filha de Belshatsar, rei da Babilônia, e neta do poderoso Imperador Nevuchadnetsar. 0 povo estava persuadido de que a dinastia babilônica estava destinada a reinar para sempre.

Achashverosh governava com mão de ferro e jamais hesitava em perseguir aqueles que suspeitava de traição. Os inimigos de Israel, bem conhecidos por sua astúcia, os samaritanos e amonitas, que tinham organizado uma campanha para abolir o decreto imperial do rei persa anterior, Ciro, autorizando os judeus a reconstruírem o Templo de Jerusalém, aproveitaram-se da situação. Corrompiam os governadores persas, nomeados para dominar o país de Yehudá e os países vizinhos, para que revelassem à corte imperial da Pérsia os rumores segundo os quais os judeus, ao reconstruírem o Templo, teriam a intenção de se revoltar e se libertar completamente do domínio persa. Como bem sabiam, nenhuma lei poderia ser anulada sem o consentimento do rei.

Estes samaritanos inescrupulosos decidiram então, utilizar-se de falsas acusações e declarar que os judeus, não somente reconstruiriam o Templo, mas reedificariam ao mesmo tempo as fortificações da cidade que foram destruídas pelo Imperador da Babilônia, Nevuchadnetsar.

A reconstrução das fortalezas ao redor de Jerusalém era proibida pelo império real. Os samaritanos pensavam então ser isso motivo suficiente para anular o decreto imperial do rei Ciro, autorizando os judeus a reconstruírem o seu Templo.

Entretanto, temiam proferir tais mentiras, facilmente esclarecidas, cujas conseqüências poderiam ser perigosas. Tramavam então um plano astucioso no qual não correriam o sério risco de serem responsabilizados por falsas acusações. Pretendiam subornar com dinheiro os secretários do rei encarregados de traduzir a acusação original escrita na língua samaritana, para que fossem acrescidas as palavras “Muro de Fortificação”, na parte do texto que se referia ao Templo. Esperavam assim poder justificar sua mentira, invocando um simples erro de tradução.

Os dois secretários designados a apresentar o documento ao rei eram Rachum e Shamshi, sendo que o segundo era um dos filhos de Haman. Ambos possuíam um ódio feroz dos judeus. A trama obteve sucesso e os judeus receberam a ordem de parar a reconstrução do Templo em Jerusalém.

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0 trono do rei Salomão

“Naqueles dias quando o rei Achashverosh sentou no trono real em Shushan…” (Meguilat Ester 1:2)

Desde que Achashverosh proclamou-se rei da Pérsia, decidiu utilizar o trono, pertencente ao rei Shlomo (Salomão), encontrado junto a seus despojos.

Este trono era o mais maravilhoso, sobre o qual um rei jamais se sentara. Era construído de marfim recoberto de ouro, encrustado de rubis, safiras, esmeraldas e demais pedras preciosas que lançavam faíscas multicoloridas.

Possuía seis degraus, e cada um deveria recordar um dos seis mandamentos especiais que um rei de Israel deveria cumprir. Estavam esculpidos, em cada degrau, dois animais em ouro com a face voltada um ao outro. No primeiro: um leão e um boi; no segundo: um lobo e um carneiro; no terceiro: um tigre e um camelo; no quarto: uma águia e um pavão; no quinto: um gato e um galo; no sexto, enfim: um falcão e uma pomba. Na parte superior do trono, uma pomba segurava em seu bico um falcão, ambos de ouro.

Na parte lateral, sobre o trono encontrava-se uma esplêndida Menorá (candelabro), ornamentada com taças, botões e pétalas de flores, tudo em ouro puro. De cada lado da Menorá erguiam-se sete braços. De um lado gravados os nomes dos sete pais do mundo: Adam, Nôach, Shem, Avraham, Yitschac e Yaacov, com Iyov no centro, e do outro os nomes dos homens mais pios: Levi, Kehat, Amram, Moshê, Aharon, Eldad, e Medad com Chur no meio.

De cada lado do trono havia uma cadeira especial em ouro, uma para o Cohen Gadol (o Sumo Sacerdote) e outra para o Segan (Vice-Cohen Gadol), rodeados de setenta cadeiras, também de ouro, para os membros do Sanhedrin (a Corte da Suprema Justiça), com vinte e quatro vinhedos de ouro formando uma cúpula sobre o trono.

Quando o rei Shlomo subia ao trono, começava a funcionar um mecanismo especial. No primeiro degrau, o boi e o leão estendiam suas patas para sustentar e ajudá-lo a subir ao próximo degrau. De cada lado e em cada degrau, os animais mantinham firmemente o rei até que ele se sentasse no trono. Mal se sentava, vinha a águia trazendo-lhe a grande coroa e a mantinha acima de sua cabeça, para que não sentisse o seu peso.

Em seguida a pomba sobrevoava por cima da Arca Sagrada, pegava um pequeno Sêfer Torá e o colocava nos joelhos do rei, conforme o preceito da Torá, segundo o qual um Rolo de Torá deveria sempre acompanhar o rei a fim de servir-lhe como um guia para governar Israel.

0 Cohen Gadol, o Segan e os setenta membros do Sanhedrin levantavam-se e saudavam o rei. Após esta cerimônia, se sentavam para estudar e julgar os casos e situações do reino a eles apresentados.

Todos os reis e príncipes daquela época falavam do trono do rei Shlomo e vinham admirar sua beleza e engenhosidade. Posteriormente, quando o Faraó Nechê, invadiu o país de Yehudá, apossou-se do trono, mas ao colocar o pé no primeiro degrau, o leão de ouro desfechou-lhe um violento golpe que o fez cair, deixando-o enfermo durante o resto de sua vida. Este é o motivo pelo qual ele recebeu o apelido de “nechê” – que significa “o manco”.

Mais tarde, quando Nevuchadnetsar destruiu o Templo e subseqüentemente conquistou o Egito, levou o trono consigo à Babilônia. Mas na tentativa de subir, o leão o derrubou, e ele nunca mais ousou intentar. Depois, o rei Dárius da Pérsía conquistou a Babilônia e trouxe o trono para a Média. Quando Achashverosh tentou por sua vez subir ao trono, recebeu um golpe na parte inferior das costas.

Não repetiu a façanha nunca mais, porém convocou alguns engenheiros especialistas do Egito e lhes ordenou a construção de um trono análogo ao do rei Shlomo. Estes, por sua vez, trabalharam por quase três anos consecutívos para edificá-lo, e foi para esta ocasião que o rei Achashverosh deu uma grande festa.

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A festa real

“No terceiro ano de seu reinado, ele ofereceu um banquete…” (Meguilat Ester 1:3)

O rei Achashverosh, que era um usurpador, procurava constantemente novos métodos pata reforçar seu poderio e ganhar os favores do povo, tanto quanto dos poderosos homens de Estado que pertenciam à corte real.

Para tanto, transferiu a capital da Babilônia para Shushan, na Pérsia, e o que mais impressionou a todos foi a festa real que ofereceu com a duração de 180 dias. Todos os representantes das nações do seu vasto império foram convidados a participar. Após esses seis meses, ele organizou um festejo especial para toda a população de Shushan, que durou sete dias.

No decorrer desta festa, cujo objetivo era ganhar a popularidade e simpatia da grande massa, lugares de honra foram concedidos a simples cidadãos, cujas mínimas exigências foram prontamente atendidas.

Existia um velho costume persa que estabelecia que, durante uma refeição importante, cada convidado deveria beber até o fim, uma grande taça de vinho, de aproximadamente 5/8 de um tonel. Mas o rei Achashverosh, procurando satisfazer a todos, não os obrigou a tomar esta quantidade, pois não quis que seus convidados fizessem algo que não os agradasse.

Naquele instante D’us proclamou: “Tolo e vaidoso! Como você pode querer satisfazer a todos? Quando dois navios seguem em rotas opostas, um em direção ao sul, e o outro ao norte, como pode um ser humano fazer com que um único vento seja capaz de empurrar os dois? Amanhã, dois homens virão, Mordechai e Haman. Você não poderá agradar a ambos; você será obrigado a valorizar um e desprezar o outro. Somente D’us, pode satisfazer a todos”.

0 rei Achashverosh ficou muito perturbado, porque dera ordem de parar a construção do Templo de Jerusalém. Mas o medo verdadeiramente apoderou-se dele com a aproximação do término dos setenta anos de exílio previsto pelos profetas judeus. Temia que a restauração do Estado judeu e a reconstrução do Templo terminassem por abalar os fundamentos sobre os quais se baseava seu vasto império. Era neste estado de angústia que ele esperava o fim destes setenta anos.

Segundo seus cálculos, os setenta anos deveriam terminar durante o terceiro ano do seu reinado. Quando viu passar esta data sem nada ocorrer, ficou jubiloso e acreditou finalmente que os judeus seriam para sempre seus súditos, sem jamais recuperar o poderio e a independência.

Esta foi a outra razão para tão pomposa festa. Sentia-se seguro e poderoso; com efeito estava tão certo de seu poderio que não hesitou em utilizar à sua mesa a preciosa e sagrada louça do Templo, capturada pelo terrível Nevuchadnetsar.

Como todas as outras nações, os judeus foram convidados a assistir à festa real. Haman, simples funcionário, que ainda não ocupava um cargo de prestígio, viu nisto uma chance de lhes preparar uma armadilha, atraindo-os a comer alimentos não casher. Em seguida, aproveitando-se da momentânea cólera de D’us contra o seu povo, resolveu perseguir os judeus e colocar em prática o seu projeto de exterminá-los.

Mordechai que, na época era o grande líder de seu povo, tomou conhecimento desse plano, e exortou os judeus a evitarem o palácio, a fim de não incorrerem na ira Divina. A grande maioria seguiu seu conselho, mas alguns não o obedeceram e foram ao palácio para assistir a festa. Para sua consternação, descobriram nas mesas os objetos sagrados do Templo e se retiraram. Mas o rei apressou-se em ordenar a seus servos para colocar mesas especiais para os judeus. Eles então abandonaram toda sua altivez, comendo iguarias e bebendo vinho não casher, divertindo-se tanto quanto os demais convidados.

0 Eterno, bastante irritado pela desobediência de seu povo, ordenou que ele fosse perseguido por Haman e decidiu que somente seria salvo quando retornasse de todo coração a D’us.

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A condenação à morte

“A rainha Vashti recusou-se a obedecer a ordem do rei que lhe havia sido transmitida… ” (Meguilat Ester 1:12)

O sétimo e último dia da grande festa realizada no palácio real era um Shabat. Enquanto os judeus religiosos não trabalhavam, mas recitavam preces e estudavam a Torá, as orgias no palácio não cessavam. 0 rei, com a língua solta pelo vinho, começou a gabar-se de suas riquezas, de seu grande império e até mesmo de Vashti, a rainha, que pela sua beleza e extraordinário charme superava a todas as outras mulheres. Um dos convidados, excitado pelos licores e vinho ingeridos, desafiou o rei a provar a veracidade de suas palavras, permitindo a Vashti exibir a sua beleza aos convivas. 0 rei imediatamente mandou procurar a rainha e ordená-la a vir a sua presença.

No fundo do coração Vashti possuía um ódio terrível contra os judeus, ira que havia herdado do rei Nevuchadnetsar, seu avô. Tinha o prazer de torturar meninas judias, mandando trazê-las no Shabat e forçando-as a fazer todos os tipos de trabalho. Quando o rei a chamou, falou indignada: “É possível que me ordenaram buscar como a uma simples escrava?” E com muita audácia – recusou-se a obedecer a ordem do rei de ir até o salão onde se realizava o banquete.

0 rei ficou irado. Reuniu sábios conselheiros de seu reino para julgar e condenar Vashti por desobediência. Mas todos temiam falar, menos Haman, que naquela época, era um funcionário desconhecido chamado de Memuchan, e de todos estes homens era ele quem ocupava o posto inferior. Aconselhou o rei a executar Vashti, pois, dizia ele, seu atomafrontoso poderia trazer conseqüências desastrosas de grande porte. Portanto Vashti foi morta por rebelar-se.

Entretanto, não foi simples coincidência que a cruel Vashti foi condenada à morte no Shabat. Ela estava pagando assim o sofrimento que causou às crianças judias no sagrado dia de Sbabat.

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Mordechai e Ester

“Havia em Shushan, a capital, um judeu… ” (Meguilat Ester 2:5)

Após a morte de Vashti, buscas foram empreendidas em todo o reino para achar uma esposa adequada para o rei. Todas as moças, as mais belas do país foram levadas ao palácio para que o rei pudesse escolher uma dentre elas, para substituir a Vashti.

Em Shushan, habitava um judeu religioso e sábio, Mordechai, que tinha uma gentil e charmosa prima, Ester ou Hadassa, órfã, tendo sido criada por Mordechai.

A maioria dos pais teria considerado o casamento de sua filha com o rei uma honra rara e um grande privilégio. No entanto, Mordechai temia o dia no qual Ester seria chamada a se apresentar à corte. Ele sabia que não poderia escondê-la por muito tempo. Finalmente as autoridades ouviram falar de Ester e vieram buscá-la para conduzi-Ia ao palácio.

As buscas para substituir Vashti perduraram por alguns anos. As moças mais belas de todas as 127 províncias do império foram reunidas no palácio do rei em Shushan, cada uma desejando ser escolhida como rainha. Todas receberam o tratamento de beleza exigido e os vestidos mais extraordinários que poderiam ambicionar.

Ester foi a única a nada pedir. No entanto, desde sua chegada ao palácio, todos foram cativados pela sua modéstia e ela foi tratada com respeito e deferência. Sua beleza provinha da alma, o que lhe conferia um charme e uma graça dos quais somente ela possuía o segredo. Apesar de não ser a mais bela das moças que tinham sido reunidas, o rei lhe deu preferência. Quando soube que havia sido escolhida para se tornar rainha rodeou-se de leais servos judeus que lhe providenciavam comida casher. Escondia sua origem, pois Mordechai lhe havia dito para revelá-la somente quando obrigada a fazê-lo. Portanto o rei não conhecia sua nacionalidade; sabia somente que era órfã.

Todos os dias, Mordechai ia ao palácio para obter notícias. Ele achava que a jovem tivera um mau destino, mas consolava-se ao pensar que havia sido escolhida por D’us pela sua devoção, para ajudar o povo judeu em caso de necessidade. Mordechai sentia que nuvens sombrias se levantavam no horizonte e previa dias difíceis para seus irmãos judeus.

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A conspiração é descoberta

“Naqueles dias… dois camareiros do rei… elaboraram um plano para destroná-lo… ” (Meguilat Ester 2:21)

Após ter sido escolhida como rainha da Pérsía, Ester perguntou ao rei a razão dele não possuir um conselheiro judeu, como haviam feito os outros reis.

Ela lembrou-lhe que, mesmo o poderoso Nevuchadnetsar tinha um conselheiro judeu, o profeta Daniel. 0 rei respondeu que não conhecia nenhum judeu digno de ser nomeado para o cargo. “Existe Mordechai”, respondeu Ester. “É um homem sábio, religioso e leal.” Foi assim que Mordechai tornou-se conselheiro do rei.

Um dia Mordechai ouviu uma conversa entre dois servos do rei, Bigtan e Teresh. Descobriu que tinham a intenção de envenenar o rei, pois ele os havia destituído do seu cargo de camareiros-mor e os colocado abaixo de Mordechai. Queriam que todos acreditassem que no longo tempo que se ocupavam do rei, sua vida esteve em segurança, mas bastou um judeu ser nomeado na corte, para que viesse a ser vítima de um envenenamento. Apesar de serem tártaros e falarem o idioma de seu país, Mordechai, que por ser membro do Sanhedrin deveria conhecer todas as línguas, não teve nenhuma dificuldade em entender esta conversa. Revelou a Ester o complô que se tramava, e ela por sua vez, informou ao rei, em nome de Mordechai.

Após a sesta, o rei pediu sua bebida costumeira a seus dois criados, Bigtan e Teresh que, ignorando serem suspeitos a trouxeram envenenada. 0 veneno foi imediatamente descoberto na taça e os dois homens condenados à morte, enquanto que no livro de memórias reais, foi relatado que Mordechai havia salvo a vida do rei.

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O novo primeiro ministro

“Após estes acontecimentos, o rei Achashverosh concedeu a Haman uma posição acima de todos os ministros…” (Meguilat Ester 3:1)

O cruel Haman descendia de Amalec, o inimigo implacável dos judeus. Era o homem mais rico do seu tempo. Ele adquirira suas riquezas desonestamente, apossando-se dos tesouros dos reis de Yehudá. 0 rei Achashverosh fortemente impressionado pela sua fabulosa fortuna, nomeou-o Chefe do Conselho de Ministros. Ele promulgou, em seguida, uma ordem determinando a cada um na corte de se inclinar perante Haman, por deferência.

Haman trazia em seu peito a imagem do deus que adorava. Mordechai recusava-se a prostrar-se perante ele, apesar das numerosas advertências que havia recebido dos diversos oficiais da corte. Quando o próprio Haman o censurou por não lhe dar a honra que o rei lhe havia conferido, Mordechai teve uma resposta muito justa, que era judeu e que não se inclinaria jamais perante um ser humano com um deus pagão por sobre o peito.

Mordechai e Haman já haviam se encontrado anteriormente em outras circunstâncias. Há muitos anos atrás, no tempo do rei Ciro, quando os judeus haviam recomeçado a reconstrução do Templo de Jerusalém, vivia na Samária uma tribo que o rei Sancheriv tinha trazido após ter enviado ao exílio muitos judeus. Estes samaritanos praticavam parcialmente a religião judaica, mas não se identificavam totalmente com o povo judeu e a Torá.

Quando o rei Ciro concedeu aos judeus a autorização de construir o Templo, os samaritanos teriam gostado muito de participar da sua edificação, mas os judeus recusaram esta ajuda. É por este motivo que os samaritanos faziam todo o possível para impedi-los de realizar esse projeto tão caro a eles.

Apesar de seus esforços, os samaritanos não alcançaram a sua meta. Dirigiram-se então à corte real da Pérsia, acusando os judeus de não se contentar com a reconstrução do Templo, mas de organizar também uma rebelião contra o domínio persa.

Os samaritanos, juntamente com outros inimigos dos judeus escolheram Haman para representá-los na corte do rei Ciro e apoiar suas acusações. Os judeus, por sua vez, designaram Mordechai como seu advogado.

Os dois homens partiram ao mesmo tempo rumo à Pérsia. Como eram obrigados a atravessar o deserto, levaram víveres para a jornada. Haman, que era glutão terminou rapidamente com suas provisões, enquanto Mordechai conservara o suficiente para toda a viagem.

Haman que estava faminto, pediu a Mordechai para dividir com ele os alimentos que restavam. Inicialmente, Mordechai recusou-se, mas tomado pela piedade, aceitou, com a condição de que Haman se tornasse seu escravo.

Como não encontraram nenhum papel para concretizar o contrato, Haman escreveu este compromisso na sola de um dos sapatos de Mordechai: “Eu, Haman, descendente de Agag, me vendi como escravo a Mordechai, em troca de pão.”

Desde então, Haman não podia perdoar Mordechai por esta humilhação e temia constantemente que Mordechai fizesse com que ele cumprisse com seu compromisso. Naturalmente, Mordechai jamais sonhara em tirar algum proveito disto.

Quando Haman tornou-se Primeiro Ministro e exigiu que Mordechai se inclinasse perante ele, este levantou seu sapato e o agitou no ar. Haman segurou sua língua e se calou. Mas em sua ira, jurou destruir Mordechai e todos os judeus.

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A trama de Haman

Não foi preciso muito tempo para Haman descobrir um meio através do qual esperava exterminar todos os judeus das 127 províncias da Pérsia e, entre eles, seu pior inimigo – Mordechai.

Sem perder tempo, fez uma longa lista de falsas acusações contra os judeus. Para dar à elas uma maior aparência de veracidade e abusar da ingenuidade do rei, algumas eram reais ou parcialmente corretas. Haman aproximou-se do rei, dizendo-lhe que o povo estava impaciente e para tanto era preciso encontrar uma diversão apropriada. Acrescentou afirmando que havia chegado o tempo de perseguir os judeus.

Mas o rei replicou timidamente: “Seu D’us é poderoso e fará com que eu tenha o mesmo destino de Nevuchadnesar e de outros monarcas que injuriaram os judeus.”

Haman disse-lhe então: “Mas há muito tempo os judeus abandonaram seu D’us.”

“Mas não há entre eles, homens religiosos e devotos?”, perguntou o rei.

“Eles são todos iguais, um não vale mais do que o outro”, respondeu Haman.

O rei continuou argumentando: “Mas isso poderá prejudicar o interesse do meu reino.”

Ao que Haman respondeu que os judeus se encontravam espalhados por todo o território e ninguém perceberia seu extermínio. Continuou a difamar e a humilhar os judeus aos olhos do rei, insistindo em afirmar que era um povo isolado, que vivia, comia e bebia entre si, não se misturava e nem casava com moças do país, era pouco desenvolvido e preguiçoso, pois constantemente observava dias de descanso como Shabat, Pêssach, Shavuot, Sucot, etc.

D’us escutava o que era proferido e disse: “Homem perverso! Tu estás reclamando das festas que Meus filhos celebram. Pois bem, Eu lhes darei mais outra, para que possam comemorar a tua queda.”

Haman ofereceu ao rei dez mil moedas de prata para compensar as despesas com a perseguição aos judeus, mas o monarca sorriu e falou: “Guarda o dinheiro e acossa os judeus com ele. Faz deles o que te agradar.”

Sobre esta transação, nossos Sábios contam a seguinte parábola:

Havia dois colonos cujos campos eram vizinhos. No primeiro existia um grande poço que o proprietário queria preencher com terra, enquanto que no segundo, uma colina cujo dono queria suprimi-la. Certo dia, estes homens se encontraram. O primeiro disse: “Você quer me vender tua colina, pois quero tampar o meu poço?” O outro respondeu: “Você é o homem que procuro. Eu lhe dou a colina gratuitamente, pois pensava em me livrar dela.”

Como prova de sinceridade, o rei Achashverosh tirou seu anel de sinete e o entregou a Haman, dando-lhe poder absoluto. Haman tinha agora seus passos livres. Podia publicar decretos e promulgar ordens, ficando os judeus em suas mãos, o que o deixou imensamente feliz.

Imediatamente começou a executar seu sombrio propósito. Chamou os escribas do rei e ordenou-lhes que preparassem dois decretos reais para enviar a todos os embaixadores e governadores das 127 províncias.

0 primeiro era um edital aberto e ordenava a todos os governadores que fornecessem armas ao povo para o dia 13 de Adar, a fim de que, neste dia massacrassem um certo grupo prejudicial à nação. 0 segundo decreto, lacrado, indicava o nome desse grupo, mas eles somente tinham a permissão de abri-lo no dia 13 de Adar. Esta ordem indicava em termos claros e inequívocos, que o povo persa devia atacar e matar todos os judeus, jovens e velhos, mulheres e crianças, em todo lugar onde estivessem.

Estes dois decretos irrevogáveis, devidamente assinados e selados com o carimbo do anel do rei, foram enviados de imediato a todos os dirigentes do reino. O astuto Haman tinha tomado as devidas precauções para que seu plano permanecesse secreto, para surpreender os judeus sem lhes dar nenhuma escapatória. Ele saiu do palácio exultante, para informar Zeresh, sua mulher, de seu engenhoso plano.

Mordechai que se encontrava no portão do palácio real, percebeu a exuberante alegria refletida na face de Haman, e deduziu que este havia preparado alguma surpresa. Ele avistou três crianças judias que saíam da escola e seguiu-as. Mordechai pediu a uma delas:

“Diga-me o que aprendeu hoje?”

O menino respondeu-lhe: “Não temas um medo repentino e as catástrofes dos perversos quando vierem.” (Mishlê 3:25)

0 segundo abriu conversa e falou: “Eu estudei hoje Torá e parei no versículo: “Eles (os perversos) têm planos que serão anulados, falam palavras que não se concretizarão, pois D’us está conosco.” (Yeshayáhu 7:10)

0 terceiro citou o versículo: “Até a velhice Eu serei o mesmo; na idade avançada Eu te guiarei; Eu já o fiz e Eu continuarei a te sustentar; Eu te orientarei e Eu te redimirei.” (Yeshayáhu 46:4)

A face de Mordechai iluminou-se e ele abraçou as crianças com amor.

Haman que havia testemunhado a cena, estava curioso por saber o significado do que havia presenciado. Perguntou: “O que fizeram estas crianças, para te deixar tão alegre?” E com um ar triunfante, Mordechai respondeu: “Elas me trouxeram boas notícias, abençoadas sejam, e me disseram que não preciso temer-te”.

Haman, nervoso, exclamou: “Serão as crianças as primeiras a sentirem minha mão destrutiva.”

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Mordechai entra em ação

“E Mordechai soube do que estava ocorrendo…” (Meguilat Ester 4:1)

Na mesma noite Mordechai teve um sonho estranho. Eliyáhu, o profeta, o maravilhoso protetor que surge em tempos de aflição para avisar o povo judeu de perigo iminente, apareceu-lhe, revelando o complô de Haman. 0 profeta acrescentou que os judeus estavam ameaçados, pois não haviam respeitado os mandamentos da Torá, comendo alimentos não casher.

Somente um profundo arrependimento poderia salvá-los.

Ao acordar, Mordechai rasgou suas vestes e foi para as ruas da capital. Seus gritos e choro despertaram todos os judeus de Shushan. A má notícia se espalhou rapidamente pela cidade. Quando eles souberam que, estavam condenados a morrer no dia 13 de Adar, sentiram uma imensa dor. Vestido com um saco e com cinzas espalhadas pela cabeça, Mordechai chegou aos portões do palácio. Os fiéis servidores de Ester, avisaram-na do estado no qual se encontrava Mordechai. Estas notícias a preocuparam muito.

Desejosa em saber a razão da aflição de seu primo, Ester enviou-lhe roupas para que pudesse trocá-las pelas suas, com as quais ele não poderia adentrar no palácio. Pediu-lhe para vir imediatamente contar o ocorrido. Mordechai recusou-se a tirar o saco, mas, enviou à rainha através do seu fiel servo Hatach, um pequeno bilhete, anexo à cópia do decreto real publicado em Shushan. Ele pedia à rainha para intervir junto ao rei a fim de salvar o povo judeu. Mordechai, estava plenamente convencido de que Ester se tornara rainha somente para permitir a ele, ajudar o seu povo em uma época tão decisiva. Era chegada a hora dela revelar ao rei sua origem e solicitar dele que não fosse feito mal algum aos judeus, a respeito do que fora induzido erroneamente pelo arrogante Haman.

Ester escreveu a Mordechai estas linhas:

“Caro primo, estou pronta a fazer todo o possível, mas tu certamente conheces as instruções rigorosas dadas pelo rei, influenciado por Haman, segundo as quais qualquer pessoa que penetrar nos aposentos do rei sem ter sido convidada, será condenada à morte, a menos que o rei lhe estenda o cetro de ouro. 0 perverso Haman deve ter pressentido que eu iria tentar ver o rei. Infelizmente, eu não tive a chance de vê-lo nestes últimos tempos. Já fazem trinta dias que ele não me convida. Como posso estar segura de que ele aceitará me receber e estenderá seu cetro? Claro que não tenho medo de morrer pelo meu povo, mas o que ganharíamos se eu perecesse em vão?”

Sobre isto respondeu Mordechai:

“Tuas palavras são escritas de boa fé e sinceras, minha filha. Mas tu acreditas poder assegurar tua saúde abrigada no palácio real, enquanto teus irmãos morrerão? Não, os judeus serão salvos, mas se não quiseres arriscar tua vida por eles, estou certo de que somente tu perecerás. Não é o momento de pensar na tua segurança pessoal. É preciso que tentes e tenhas confiança em D’us.”

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O Jejum de Ester

“Então Ester, respondeu a Mordechai: ‘Vai e reúne todos os judeus… e jejuai em meu favor… Da minha parte, também jejuarei com minhas servas'” (Meguilat Ester 4:15-16)

Ester entendeu então o grave perigo que ameaçava o povo judeu. Sim, ela estava pronta, de todo coração, a arriscar sua vida por seus irmãos. Mas que situação desesperadora! Mesmo que ela salvasse sua vida e o rei aceitasse seu pedido, os decretos com o selo real continuariam irrevogáveis; o próprio rei não poderia anulá-los. Quão pequena era a chance de sucesso! No entanto, Mordechai tinha razão: ela não tinha escolha. Ester tomou portanto a resolução de não abandonar seu povo nesse momento de aflição.

Novamente ela se dirigiu a Mordechaí através do Hatach:

“Diga a todos os judeus, jovens e velhos, para jejuar e rezar durante três dias, até que D’us nos escute e tenha piedade. Aqui no palácio, eu e minhas servas jejuaremos e recitaremos preces também, pois somente um milagre Divino pode salvar nossos compatriotas. Após estes três dias, apesar da proibição, irei ver o rei; se tiver que morrer, morrerei.”

Era difícil para Mordechai aceitar este legítimo e sábio pedido de Ester, pois o jejum coincidia com a festa de Pêssach. Porém, como se tratava do futuro do povo inteiro, ele decidiu proclamá-lo oficialmente.

Em todos os lugares onde havia judeus, nas 127 províncias do império persa, aceitaram o jejum e rezaram suplicando a D’us. Muitos dentre eles se vestiram com sacos e cobriram-se de cinzas em sinal de luto.

Em Shushan, Mordechai reuniu as crianças judias das escolas e das instituições talmúdicas (Yeshivot). Vestidos com sacos e cinzas por sobre a cabeça elas gritavam e rezavam dia e noite para que D’us tivesse compaixão. Quando D’us viu estes pequenos inocentes e ouviu suas preces aflitas, apiedou-se. Ele disse: “Por causa das crianças Eu salvarei o Meu povo”.

Enquanto isso, Haman soube que Mordechai havia organizado rezas em Shushan e foi de encontro ao lugar onde ele tinha reunido as crianças. Chegando lá, viu Mordechai rodeado por 22.000 delas todas rezando com lágrimas nos olhos. Seu coração petrificado nada, sentiu.

Pelo contrário, ironizou: “Suas preces de nada adiantarão. Agora está tudo perdido.”

Logo depois, ordenou aos soldados acorrentar as crianças e guardá-la à vista. “Elas serão as primeiras a morrer! ” exclamou ele.

As mães, com o coração partido, trouxeram alimento para seus filhos, mas estes juraram que preferiam morrer jejuando. Diziam a Mordechai: “Nós ficaremos aqui com o senhor até que nos separem pela força. ”

Neste instante, doze mil Cohanim (sacerdotes) com o Rolo da Torá numa mão e com o Shofar na outra, dirigiram seus apelos D’us implorando: “D’us de Israel, se Teu povo eleito perecer, quem estudará tua Torá? Quem restará para glorificar Teu nome? Responda-nos, ó Eterno.”

Logo após, cada um dos Cohanim tocou o Shofar e seus sons, mesclados com as súplicas das crianças, penetraram nos portais do Céu.

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Ester intercede perante o rei

“E aconteceu no terceiro dia; Ester vestiu suas roupas reais e entrou na corte interior do palácio… ” (Meguilat Ester 5:1)

Durante os três dias de jejum, Ester não cessou de dirigir preces a D’us, a fim de obter êxito em sua tentativa de salvar seu povo. No terceiro dia, reuniria coragem e iria em direção à sala do trono. Sentia-se inspirada por D’us, e apesar do prolongado jejum que a tornara pálida e fraca, terminou por ignorar os guardas do rei e entrou na sala do trono onde ele permanecia sentado, rodeado por seus servos.

Entre os cortesãos do rei encontravam-se os filhos de Haman e seus seguidores. Mal podiam disfarçar seu regozijo ao ver a rainha entrar sem ser anunciada. Se o rei ignorasse essa convidada não anunciada, Ester não mais existiria…

Neste momento, o rei viu Ester na entrada da sala. Ela estava pálida e tinha um ar preocupado, mas sua face irradiava um charme angelical. Achashverosh imediatamente estendeu-lhe seu cetro e a rainha aliviada e cheia de esperança, aproximou-se e tocou na sua ponta.

Muito surpreso por receber uma visita inesperada, o rei perguntou-lhe docemente: “O que te preocupa, minha cara Ester e o que posso fazer por ti? Se desejasses a metade do meu reino, eu te daria”.

Ester julgou não ser este o momento propício para revelar-lhe suas verdadeiras intenções; contentou-se em perguntar se viria ao banquete que ela havia preparado especialmente para ele e o Primeiro Ministro, Haman.

O rei aceitou imediatamente, e enviou instruções a Haman para que ele também comparecesse a este banquete.

Ester tinha boas razões para convidar não somente o rei, mas também a Haman. Primeiramente, não queria que os judeus confiassem somente nela, mas reconhecessem que o bem-estar dependia verdadeiramente de D’us e somente d’Ele. Sabendo que nesta hora de angústia e perigo, ela havia preparado um banquete e convidado o inimigo mais cruel, os judeus começariam a duvidar de sua lealdade e retornariam a D’us, dirigindo-Lhe preces ainda mais sinceras e fervorosas. E mais, Ester queria apaziguar os temores ou suspeitas de Haman de que ela estivesse conspirando contra ele pois, ao se certificar que suas dúvidas eram fundamentadas, ele poderia provocar uma revolta visando destronar o rei. E mais que isso, ela esperava o momento favorável para despertar a desconfiança e a cólera do rei contra seu desleal Ministro, a fim de causar sua derrota.

Quando o rei e Haman chegaram ao banquete, o rei perguntou novamente qual era o seu desejo, mas Ester achou que ainda não havia chegado o momento oportuno de fazer-lhe o seu pedido, ela convidou-o, assim como a Haman, a um segundo banquete que se realizaria na noite seguinte, prometendo revelar então o que desejava.

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O conselho de Zeresh

“Então Zeresh, sua mulher, e todos seus amigos responderam: Constrói uma forca de cinqüenta cúbitos de altura” (Meguilat Ester 5:14)

As atenções que a rainha dispensara e a honra que lhe havia dado, causaram euforia a Haman.

“Até mesmo a rainha reconhece minha importância”, pensava ele. “Quem pode comparar-se a mim em poder e riqueza!” Mas, saindo do palácio, encontrou Mordechai perto das grades do portão. Como de costume, este ignorou a presença de Haman, o que o enervou muito.

Haman rapidamente dirigiu-se à sua casa e convocou um conselho de família. Rodeado pelos seus filhos, mulher e conselheiros, gabou-se da honra que o rei lhe concedera. “A própria rainha Ester me convidou a um banquete ao qual somente o rei presenciou, sem nenhum outro ministro. Amanhã, estou novamente convidado para jantar com o rei e a rainha.

“Entretanto, qual o valor destas honrarias para mim, enquanto Mordechai, esse judeu, fica perto das grades do palácio, sem se inclinar durante minha passagem? Não Posso mais esperar até dia 13 de Adar.”

Ele convidou parentes e amigos a procurar uma solução para arranjar a morte de Mordechai, sem demora; mas deu-lhes a seguinte advertência:

“Vocês devem adotar um plano que jamais tenha fracassado, pois D’us vem sempre com um milagre em auxílio de Seu povo. Não será suficiente decapitar Mordechai, pois o Faraó tentou matar Moshê através da espada, no entanto, o pescoço dele endureceu como mármore.

“Afogá-lo também não será a solução: as águas do Mar Vermelho abriram-se para deixar o povo de Israel passar. Não ousem furar os olhos de Mordechai, pois lembrem-se do que Shimshon (Sansão) mesmo cego, conseguiu fazer aos filisteus. É igualmente inútil queimá-lo vivo; não faz muito tempo que os três ministros judeus de Nevuchadnetsar, Chananya, Mishael e Azarya, tinham saído ilesos da fornalha onde foram jogados.

“Pessoalmente preferiria dar Mordechai como presa a leões famintos, mas ninguém ignora que o profeta Daniel tenha saído são e salvo da cova dos leões e que foram seus próprios inimigos que terminaram sendo atacados pelas feras. Agora, meus sábios conselheiros, encontrem um meio de execução com o qual o D’us dos judeus jamais tenha sido testado.”

Um profundo silêncio dominou durante alguns instantes; cada um procurando uma morte terrível através da qual seria possível livrar-se de Mordechai. Repentinamente, a esposa de Haman, Zeresh, exclamou vitoriosamente:

“Enforquemos Mordechai! Nunca soube de um judeu que tenha sido salvo de um enforcamento. Constrói uma forca de cinquenta cúbitos (25 metros) de altura e pela manhã vá até o rei obter a permissão de enforcar Mordechai. Não tenho dúvida de que o rei atenderá a este pedido. E poderás jubilosamente ir ao banquete em companhia do rei.

Haman encantou-se com a idéia e não perdeu sequer um instante, erguendo uma forca de cinquenta cúbitos de altura na corte do seu próprio palacete.

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A noite fatal

“Naquela noite, o sono do rei foi perturbado…” (Meguilat Ester 6:1)

Naquela noite gritos de apelo foram dirigidos aos Céus. As lágrimas e as orações dos judeus aflitos, seu arrependimento, e os remorsos sinceros penetraram nos Céus. Os anjos constrangidos perguntaram-se se D’us queria realmente destruir o mundo.

Ninguém dormia. Mordechai e os judeus estavam rezando e implorando a D’us. Ester estava ocupada preparando o banquete para o rei e Haman. Até mesmo o perverso Haman passou a noite em claro, construindo a forca para Mordechai. Somente, o rei dormia calmamente.

Quando o Eterno viu Achashverosh dormindo tão tranqüilamente, disse ao anjo Gabriel: “Meus filhos estão em perigo mortal e este tolo dorme serenamente! Vai e atrapalha seu sono”.

O rei acordou subitamente e não pôde tornar a adormecer. Uma grave suspeita apossou-se de seu coração e ele se perguntou: “Por que razão Ester havia convidado Haman a presenciar o banquete. Será que os dois estão conspirando contra mim?” Começou a agitar-se em sua cama, virando e revirando-se a fim de afastar seus temores. Pensava: “Existe certamente um servo fiel em minha casa que me advertirá em caso de perigo, a menos que eu não lhe tenha dado o devido valor, nem a recompensa merecida”.

“Shamshi”, gritou o rei, “traga-me o Livro de Memórias, e lê para mim o que está escrito sobre os recentes acontecimentos que ocorreram aqui no palácio”.

Shamshi, o filho de Haman, que nesta noite ocupava o lugar de camareiro-mor, trouxe o livro e se preparou para lê-lo perante o rei. Abrindo-o, seus olhos localizaram a estória que contava como Mordechai salvou a vida do rei, revelando-lhe a conspiração tramada por Bigtan e Teresh. Shamshí apressou-se em virar a página, mas esta retornou espontaneamente. O rei, impaciente, disse: “Por que estás virando as páginas em todas as direções? Começa a ler e não hesita mais”.

Com uma voz trêmula, o servo disse-lhe que não estava enxergando bem, quando repentinamente, as palavras tomaram vida: o anjo Gabriel lia a estória da lealdade de Mordechai e não omitia naturalmente nenhum detalhe. Escutando toda a leitura, os olhos do rei começaram a se fechar.

“No sétimo ano do reinado do grande e poderoso Achashverosh, dois camareiros desleais ao rei, Bigtan e Teresh, tártaros, planejaram matá-lo e Mordechai o judeu, recentemente nomeado chefe dos camareiros, soube desta trama, ao ouvir a conversa entre esses dois traidores. Ele então informou à graciosa rainha Ester e ela avisou o rei. Os dois infames foram pegos em flagrante servindo ao rei vinho envenenado. Confessaram que haviam arquitetado este ato de traição pelo fato do rei ter nomeado Mordechai acima deles e esperavam poder acusá-lo por este crime… Os dois culpados foram enforcados… Mordechai o judeu, o fiel chefe dos camareiros será recompensado o mais cedo possível.”

Gabriel lia a narrativa com tanta arte e citava o nome de Mordechai com uma voz tão terna que o rei acabou por dormir. Agora, ele sonhava que Haman estava em cima dele, sua mão segurava uma espada levantada. O rei acordou em sobressalto, e ouviu passos no vestíbulo. “Quem está aí?” disseram que era Haman.

“Tudo isto não pode ser um sonho”, pensou o rei, e fez entrar Haman.

“Dize-me Haman, bom conselheiro, como o rei pode honrar um de seus súditos?”

Haman alegrou-se com estas palavras, pois pensava que era ele a pessoa em questão, e com um ar de modéstia, respondeu:

“O homem que o rei quer honrar deverá vestir roupas reais e com a coroa do rei por sobre a cabeça, passear pelas ruas da capital, sentado no cavalo real, enquanto o mais alto funcionário do governo andaria à sua frente, gritando: “É isto que deve ser feito ao homem que o rei deseja honrar.”

” Ah! “, pensou o rei, “este intrigante tem mesmo em vista minha coroa”. Satisfeito com a ironia, ordenou a Haman para sair e fazer tudo isso a Mordechai.

Estas palavras o fulminaram como que atingido por um trovão, deixando-o momentaneamente mudo. O rei gritou impaciente: “Não proceda como um burro! Corra e conceda as devidas honras a Mordechai!”

Haman fingiu não saber sobre qual “Mordechai” o rei estava se referindo. Ao que o rei respondeu que se tratava naturalmente de Mordechai o judeu, “Mas existem muitos judeus que se chamam Mordechai”, lamentou Haman.

0 rei retrucou que era o Mordechai que ficava perto das grades do portão do palácio. Haman em prantos, declarou que Mordechai era seu inimigo e que preferia dar-lhe 10.000 moedas de prata do que conceder-lhe tal honra.

“Com efeito, dá-lhe o dinheiro; mas que lhe seja dada também a honra que propuseste.”

Mas Haman ainda não se deu por vencido e suplicou: “Oh rei, sua majestade irá conceder tantas honras a um judeu?”

Então o rei zangou-se e exclamou: “Que insolência! Não basta o fato de Mordechai ter salvo a minha vida? Para de discutir! Vá imediatamente até Mordechai e executa minhas ordens, se quiseres viver.”

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A queda de Haman

“Mas Haman foi imediatamente para sua casa, cheio de tristeza e em desgraça… ” (Meguilat Ester 6:12)

Cabisbaixo e trêmulo, Haman começou a procurar Mordechai. Durante esse tempo, este estava sentado na Casa de Estudos, rodeado pelos seus queridos alunos. Ao levantar os olhos em direção à janela, percebeu Haman. “Salvem-se crianças. Eis o cruel Haman”, – exclamou Mordechai. Mas elas responderam que não o abandonariam num momento como este, que tinham vivido com ele e queriam morrer juntos.

Mordechai recitava suas últimas orações quando Haman entrou. Haman esperou pacientemente que terminasse suas preces, depois dirigiu-se a ele com as seguintes palavras:

“Mordechai, filho de Avraham, o hebreu, tu tens verdadeiramente um grande D’us. Cada vez que súplicas Lhe são dirigidas, Ele lhe atende e faz milagres em seu favor. Agora, levanta-te Mordechai, coloca as vestes reais, e esta coroa de ouro… ”

“Perverso Haman, filho de Amalec, por que vieste aqui zombar de mim. Não basta querer enforcar-me?”

“Não”, – respondeu Haman com amargura – “eu não vim para escarnecer de ti, apesar de preferir que assim fosse. Eu estou executando a ordem do rei…”

Mordechai mal acreditava no que ouvia, enquanto as crianças começaram a dançar de alegria. Entretanto, Mordechai respondeu: “Sou eu digno, ó Chefe do Conselho de Ministros, de colocar as vestes reais no estado em que estou? Eu jejuo há três dias e estou coberto de cinzas…”

Haman fez um sinal com a cabeça, demonstrando que havia compreendido. Levou Mordechai aos banhos públicos onde o lavou e esfregou com óleos e perfumes dos mais refinados.

Subitamente Haman começou a gemer e a reclamar ao aparar os cabelos de Mordechai. Este perguntou-lhe qual a causa da súbita tristeza e ele respondeu-lhe: “Qual é o primeiro ministro que aceitaria de bom grado tornar-se cabelereiro?”

“Pois eis que tu exerces finalmente uma profissão que te convém. Não lembras que outrora eras cabelereiro na cidade de Carzum?”

E Haman continuou seu trabalho sem responder. Após ter-lhe colocado as roupas reais, tirou da estrebaria o cavalo predileto do rei e pediu a Mordechai para montá-lo. Mas este lhe disse: “Haman, teu infortúnio fez-te perder o bom senso. Eu estou fraco e sem forças, após o prolongado jejum. Como esperas que um velho como eu monte o cavalo sem ajuda?”

Haman sabia que não deveria fazer pouco caso das palavras do rei. De mais a mais ele já temia a sua impaciência. Assim sendo inclinou-se de má vontade, para permitir a Mordechai apoiar-se nele a fim de montar no cavalo.

Vestido com os adornos reais e com um ar majestoso e imponente, Mordechai percorreu à cavalo as ruas de Shushan, enquanto Haman o guiava e gritava: “É isto que deve ser feito ao homem que o rei deseja honrar!”

As ruas de Shushan estavam repletas de pessoas. Os músicos do rei tocavam seus instrumentos de prata, os oficiais mais graduados acompanhavam o cortejo, enquanto malabaristas lançavam ao ar taças de prata e ouro. Foi um espetáculo magnífico. A platéia aplaudia e gritava alegremente, enquanto Haman, com voz clara e forte, tornava a proclamar em altos brados o dito que ele próprio criara.

A filha de Haman, que estava no terraço da casa, disse à sua mãe, ao ver o cortejo passando: “Veja mamãe, papai está sentado no cavalo do rei e Mordechai está lhe servindo como guia”.

Ela então pegou um caixote cheio de lixo e, com um sorriso perverso, jogou-o na cabeça do homem que pensava ser Mordechai. Imediatamente reconheceu a voz do homem que gemia de dor e percebeu que era o seu pai. Para não ter de suportar a cólera deste, jogou-se do terraço em desespero.

Após o término do desfile, Haman, abatido e desonrado, retornou à sua casa cambaleante. Ele disse a Zeresh: “Eu me vingarei de Mordechai. Eu o enforcarei no patíbulo e meus olhos ainda verão seu corpo sem vida balançar no vazio”.

Mas sua mulher lhe respondeu: “Haman, tu certamente perdeste o juízo. Esquece o teu projeto, pois tu já foste derrotado. Os judeus são como a areia e as estrelas. Quando se afastam de D’us e desobedecem Seus preceitos, é possível oprimi-los, humilhá-los e pisoteá-los, como a areia; mas quando retornam a D’us, retomam a sua importância como as estrelas no céu. No que te concerne, meu pobre Haman, tua queda já começou”.

Enquanto conversavam, os camareiros do rei chegaram para acompanhar Haman ao segundo banquete oferecido por Ester.

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O fim de Haman

“E penduraram Haman na forca que ele havia preparado para Mordechai…” (Meguilat Ester 7:10)

O rei Achashverosh na noite do banquete estava com um excelente humor. O repouso do dia anterior ainda estava refletido em sua face. Como tinha sido cômico ver Haman dar tantas honrarias a seu pior adversário. Ele havia recebido uma lição bem merecida.

E Achashverosh, dirigindo-se carinhosamente à Ester, disse-lhe: “Ester minha rainha, tu certamente possui um desejo que gostarias que eu atendesse. Tu não organizaste estes dois banquetes para agradar Haman! Dize-me, qual é o teu pedido. Eu te darei até mesmo a metade do meu império. Somente não me pede para os judeus reconstruírem seu Templo, pois este está na metade do reino que eu me reservo”.

Ester, julgando que as grandes honrarias conferidas a Mordechai durante o dia eram um sinal favorável dos Céus, reencontrou sua confiança e segurança em si mesma e, com uma voz emocionada, respondeu ao rei: “Eu somente almejo uma coisa: que a minha vida e a dos meus compatriotas seja poupada, pois nós devemos, meu povo e eu própria, sermos impiedosamente exterminados e eliminados…”

0 rei, trêmulo com o horrível pensamento que a vida de sua amada rainha estivesse em perigo, em seu próprio palácio, tomou a palavra e disse à sua esposa: “Quem ousa cometer tamanha inépcia?”

Ester respondeu, apontando um dedo acusador na direção de Haman: “É esse nosso opressor e inimigo, o odioso Haman. Foi ele o causador da morte de Vashti, e agora quer me tirar a vida…”

Haman amedrontou-se e empalideceu, enquanto que o rei saiu para o jardim, afim de respirar um pouco de ar puro.

Para sua grande surpresa percebeu que alguns homens estavam cortando as árvores raras e exóticas do seu jardim. Na verdade, eram anjos vindos do Céu para despertar nele um indomável sentimento de fúria contra Haman. O rei começou a gritar: “Quem ordenou a vocês fazer isto?” E “os jardineiros” responderam: “Foi Haman que nos deu a ordem de derrubar estas árvores”.

0 rei como um animal ferido dirigiu-se então ao salão de festas e encontrou Haman esgotado e abatido, prostrado sobre o sofá de Ester. Haman estava ajoelhado perante a rainha, suplicando para deixá-lo com vida. O rei, irado, lhe disse: “Portanto foste tu que ousaste conspirar na minha casa até contra minha própria mulher?”

Naquele instante, Charvoná, um dos servos do rei, falou a seu mestre: “Ó rei, o senhor não sabe que ele construiu uma forca de cinqüenta cúbitos para o leal Mordechai, que sua majestade honrou? Veja, ela é mais alta que o palacete do Haman!”

“Que Haman seja enforcado!” – ordenou o rei.

Haman foi executado na forca, apesar de tê-la preparado para Mordechai e a cólera do rei se apaziguou.

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A festa de Purim

“Então Mordechaí saiu da presença do rei, trajando roupas reais, azul celeste e branco, com uma grande coroa de ouro e um manto de linho fino e púrpura. E a cidade de Shushan o aclamava jubilosamente” (Meguilat Ester 8:15)

“Os judeus instituíram e estabeleceram para eles… e para a posteridade, a obrigação de celebrar, a cada ano, estes dois dias…” (Meguilat Ester 10:27)

O rei Achashverosh tinha boas razões para se orgulhar de Ester. Soube agora que ela descendia da família real de Saul, o primeiro rei dos judeus. Quando descobriu que Mordechai era também descendente desta nobre família e primo de Ester, nomeou-o sucessor de Haman.

O rei presenteou Ester com a casa de Haman, e deu a Mordechai o anel real que havia retomado de Haman. Apesar de Mordechai e Ester estarem profundamente agradecidos ao rei pelos seus favores e segurança que sentiam sob a sua proteção, não perdiam tempo em alcançar seu verdadeiro objetivo. O cruel decreto de Haman ainda estava em vigor e se não fosse revogado, os judeus estariam perdidos.

Assim Ester intercedeu novamente perante o rei em favor dos seus irmãos condenados a morrer. Atirando-se ao chão e com os olhos cheios de lágrimas, suplicou ao rei para salvá-los do terrível destino que os aguardava e bradou com uma voz angustiada: “Como poderia eu assistir inerte ao massacre dos meus irmãos?”

0 rei, profundamente tocado, gostaria de poder livrá-la dessa dor. Infelizmente, era muito difícil anular o decreto em questão, pois tinha sido promulgado com sua ordem, e possuía o carimbo do anel real; portanto era írrevogável.

Finalmente uma solução foi encontrada. Um novo edital foi publicado, avisando que Haman abusou da confiança do rei, proclamando decretos falsificados. Ao invés de declarar a supressão das perseguições aos judeus em todo território persa, a qual era a verdadeira intenção do rei, Haman, o traidor, tinha ordenado o extermínio de leais cidadãos. Além do mais, o enforcamento de Haman, sob ordem expressa do rei, era uma prova clara de que este desaprovava sua política.

Uma vez mais os escribas foram convocados para elaborar novos decretos que desta vez foram ditados velo próprio Mordechai. Mensageiros reais montando os cavalos mais velozes do reino, dirigiram-se imediatamente a cada uma das 127 províncias do império persa, que se estendiam da índia até a Etiópia, para entregar os novos decretos aos governadores e respectivos príncipes.

Por ordem real, os judeus foram autorizados a se reunir no dia 13 de Adar para se defender, atacar e matar todos os inimigos que os ameaçavam.

A notícia espalhou-se rapidamente como um relâmpago até os recantos mais longínquos do império, e todos começaram a tratar os judeus com respeito.

No dia 13 de Adar, data na qual os judeus deveriam ser exterminados por Haman e suas forças, eles se reuniram nas praças públicas de cada cidade e vilarejo, condenando à morte, por ordem do rei, todos que tivessem demonstrado crueldade para com eles. Setenta e cinco mil homens, dispostos a atacá-los, foram condenados à morte, mais quinhentos em Shushan, como também os dez filhos de Haman.

Quando o rei deu a notícia a Ester, perguntou-lhe se agora ela estava satisfeita.

“Existem ainda em Shushan, numerosos e temíveis inimigos que não cessaram suas atividades e que devem ser exterminados se o país quiser viver em paz. Se o rei achar correto, o dia de amanhã será dedicado a julgar, em Shushan, os últimos inimigos dos judeus, pois eles são ao mesmo tempo os inimigos da humanidade. E é preciso igualmente pendurar os corpos-sem-vida dos filhos de Haman.”

O pedido de Ester foi imediatamente atendido e, enquanto os judeus das outras cidades comemoravam e festejavam no dia 14 de Adar, os de Shushan estavam demasiadamente ocupados em condenar os inimigos. Eles então celebraram no dia seguinte, o grande dia da sua milagrosa salvação.

Assim foi decidido que o dia 14 de Adar seria escolhido como o dia da festa de Purim, em comemoração à milagrosa salvação do nosso povo e a queda do perverso Haman.

Em respeito à Terra de Israel que, naquela época jazia em ruínas, os Sábios instituíram que nas cidades cercadas por muralhas, Purim seria celebrado, como em Shushan, no dia 15 de Adar. Este dia é chamado de Shushan Purim, Os dois são dias de alegria e júbilo e, nesta ocasião, os judeus trocam Mishlôach Manot (presentes comestíveis), e os pobres recebem doações.

Ao mesmo tempo, os judeus decidiram que o dia 13 de Adar, véspera de Purim, seria um dia de jejum, chamado de “Jejum de Ester”, em lembrança às rezas e jejuns realizados pelo povo todo por iniciativa da rainha Ester, que os levou ao arrependimento e fervor religioso, quando aceitaram, de bom grado, todos os mandamentos da Torá.

Obs. Espero que vcs tenham gostado da história de Purim, eu na verdade sintetizaria Purim como ” O mundo dá muitas voltas….” É um costume judaico beber muita vodka hoje à noite, é até uma mitzvá uma pessoa é obrigada a beber em Purim até não saber mais a diferença entre ‘amaldiçoado seja Haman’ e ‘abençoado seja Mordechai'” não é um costume, mas uma Halachá, lei estabelecida pela Torá e não um caso de interpretação. O que vcs acham devo encher a cara ou não ? ( risos…)

Fernando Rizzolo

Charge do Frank para A Notícia

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Lula passa uma ‘carraspana’ nos gestores do PAC

Lula reuniu nesta quarta-feira (19) os responsáveis pela gestão das obras do Programa de Aceleração do Crescimento. Abespinhado com as informações desencontradas que lhe chegam, o presidente passou um sabão, como se diz, nos auxiliares.

Disse coisas assim: “Eu faço uma reunião com os ministros e falo: ‘companheiros, temos obras para visitar? Eu quero visitar as obras pra ver como é que está’. Aí, tem ministro que fala: ‘está tudo pronto, presidente’. Aí, eu falo: ‘vai falar com a agenda. Aí, a agenda liga para o chefe de gabinete dele e sou informado que a obra não está pronta”.

Ou assim: “Eu agora decidi que só vou citar número [quando] vier por escrito pelo ministro e assinado. O que eu quero dizer é: ‘segundo o ministro do Transporte, o ministro da Casa Civil e o ministro da Fazenda’. Porque qualquer um pode passar por mentiroso, menos o presidente da República”.

Em meio a tantas broncas, Lula livrou a cara de mãe Dilma. De quebra, pespegou-lhe um apelido com o qual já brindara o companheiro Zé Dirceu: “Capitão (?!?!) do time”.

“Companheira Dilma, eu disse em um ato bem pensado que [você] era a mãe do PAC, porque sei o esforço que você faz junto com sua equipe para coordenar isso”, iniciou Lula. “Sei quantas vezes você tem brigado com seus companheiros ministros, sei quantas vezes é obrigada a dizer não dá para gastar tanto, só dá para gastar isso. E, os companheiros precisam compreender que, às vezes, o capitão do time é obrigado a xingar o jogador do próprio time que não está suando a camisa direito”, completou.

É de perguntar: que mentiras andaram dizendo a Lula? Mais: que potocas o presidente passou adiante?

Blog do Josias

Rizzolo: Mais uma vez o que se observa é que Lula quer desta feita, se ” descolar” daqueles que segundo ele mentem. Quer Lula estar “descolado”, quando efetivamente surgirem os números dos atrasos nas obras. Já prepara terreno e se coloca numa posição de distância, de estar sendo enganado. Agora a “companheira Dilma”, a “mãe do Pac” não tem a menor vocação, nem carisma para disputar a Presidência da República como Lula insiste em mostra-la como popular e eficiente. Ex- guerrilheira, não perdeu seu rosto de mulher “marruda”. O PAC é um projeto de desenvolvimento onde a coluna vertebral do Estado direciona a iniciativa privada, o PAC é bom, mas a gestão petista é fraca, falta pulso firme, e a administração não é nada ética, e Lula sabe disso. A ” carraspana” serve como se diz na gíria, apenas para ” livrar a cara de Lula”, nada mais…

Alckmin X Kassab

No Brasil, a medida que o panorama político se define, os traços da personalidade política de cada um acaba aflorando. O que seria lógico em qualquer partido político, tornou-se uma celeuma, surgiram e ainda surgem situações políticas constrangedoras num partido que até há pouco tempo era o mais ” certinho”. Não há dúvida que Geraldo Alckim é o homem do PSDB, jamais deveria se cogitar, em se tratando de um partido sério e que no decorrer dos anos se propôs a ser um paradigma ideológico neoliberal, em conceber uma articulação com outro partido sem antes analisar profundamente suas conseqüências, até do ponto de vista do constrangimento.

O que ocorre agora, é uma eventual debandada do tucanato que está na prefeitura de Kassab, caso venha a se confirmar a oficialização da candidatura de Geraldo Alckmin. Alguns mais apressadinhos como Andréa Matarazzo já tencionam deixar o cargo, até por uma questão de lógica; se não houver aliança com DEM, seria no mínimo constrangedor a um tucano que se preze ficar no cargo. Mas o mais intrigante nessa história, é que algo na essência ideológica do PSDB está ocorrendo. As manobras ficam mais claras, quando se observa que o conteúdo partidário de união em torno do partido e de sua estrutura ideológica, dá lugar a uma aliança onde na mistura PSDB e DEM nada se encontra de cunho ideológico, tampouco se observa, algo que poderia trazer um benefício direto ao partido PSDB em São Paulo. Tenta-se misturar dois partidos dando-lhe legitimidade em função de uma aliança, que nada tem de partidária e sim de pessoal, entre Serra e Kassab. Puro exercício de poder interno.

Kassab é um bom nome, porem para o PSDB, Alckmin tem o perfil de um candidato paulista, alem disso, possui densidade eleitoral na Capital. Estranho são membros de um partido virarem as costas para um candidato natural e original desse mesmo partido, se colocando de forma inversa numa frontal falta de fidelidade partidária. O PSDB paulista, deve rever seus conceitos partidários e advertir aqueles que tentaram e tentam em nome de uma ” aliança”, virar as costas para a sigla que um dia optaram em fileiras cerrar. Observação: não sou tucano, nem tenho ” ligações” com o PSDB. Ainda bem….( risos..)..

Fernando Rizzolo

Barack Obama, tempestade de esperança

O candidato Barack Obama significa um avanço nos EUA; sua forma de visualizar um futuro melhor, e transmitir sua esperança ao povo americano, nos faz refletir o quanto ainda existe de injustiça social no País mais rico do mundo. Este vídeo com o discuso da Super-Terça do candidato Barack Obama, foi elaborado pela TV política. Sua fala nos leva a uma viagem de encontro aos seus ideais e a sua determinação por uma sociedade americana mais justa. Barack Obama, um líder dos pobres, dos negros e do latinos.

Fernando Rizzolo

Petistas voltam a falar em criar imposto para grandes fortunas

Os petistas irão retirar da gaveta uma reivindicação antiga e colocá-la no meio da reforma tributária: a criação de uma taxa sobre as grandes fortunas brasileiras. “Faremos uma emenda para taxar grandes fortunas que será regulamentada por meio lei ordinária”, afirmou Maurício Rands (PT-PE), líder do partido na Câmara dos Deputados.

Segundo ele, essa proposta será apresentada por meio de emenda à PEC (Proposta de Emenda Constitucional) da reforma tributária. No entanto, ainda não há uma definição sobre o que será considerado grande fortuna.

Para angariar apoio, o líder garante que esse imposto ou contribuição será repartido com Estados e municípios. A Constituição brasileira já prevê um tributo sobre grandes fortunas. No entanto, nunca foi regulamentado.

Não é a primeira vez que o tema é defendido pelo PT. Na reforma tributária de 2003, ele também esteve em pauta.

Quando senador, há mais de 18 anos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez um projeto com o intuito de taxar grandes fortunas. Ele chegou a ser aprovado em comissões, mas não avançou no plenário.

Hoje, os ministros Guido Mantega (Fazenda) e José Múcio (Relações Institucionais) e o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), se reuniram com deputados petistas para tratar da reforma tributária.

Chinaglia queria uma posição oficial de Mantega sobre quais os temas que seriam prioritários para o governo nessa votação, mas não houve essa definição. Além disso, a bancada petista oficializou o nome de Antonio Palocci (PT-SP) para relator da reforma da comissão especial.

Folha online

Rizzolo: A PEC (Proposta de Emenda Constitucional) sobre imposto para grandes fortunas a ser ” encaixada” no meio da reforma tributária é extremamente controversa. Não há dúvida que o Brasil é um País pobre, e que existem sim grandes fortunas por aqui; contudo é necessário nos despojarmos da análise apaixonada sobre a questão, e refletirmos se, realmente este imposto induz a uma distribuição de renda, ou é uma medida apenas de impacto. Em primeiro lugar, o controle seria extremamente complexo, passivo de medidas para regulá-lo e fiscalizar a sua aplicação; por fim, poderia gerar fuga de capitais para países em que tal imposição inexiste (a esmagadora maioria não tem o IGF).

Outra questão é determinar o que é “grande fortuna”, um imposto sobre algo ainda subjetivo. Concordo com o Nobre jurista Ives Gandra da Silva Martins quando afirma que “tributar a geração de riquezas, na sua circulação, os rendimentos ou lucros é muito mais coerente e justo do que pretender ainda tributar o resultado final daqueles fatos geradores já incididos”. De qualquer forma vale um estudo para analisar a sua real aplicabilidade, muito embora, poucos são os países que o adotaram.