Dossiê com gastos de FHC saiu pronto do Planalto

Os repórteres Leonardo Souza e Marta Salomon obtiveram uma versão ampliada do dossiê com gastos feitos pelo Planalto na gestão FHC. Foi extraída diretamente do banco de dados da Casa Civil de Dilma Rousseff. Tem 27 páginas, 14 além das 13 folhas divulgadas até aqui.

O novo papelório demonstra o seguinte: a parte do dossiê que já veio a público é idêntica ao conteúdo das planilhas extraídas diretamente dos computadores do Planalto. não foi alterada nenhuma vírgula.

Cai por terra a versão segundo a qual os dados que chegaram às mãos de congressistas poderiam ter sido organizados de maneira diversa daquela registrada nos arquivos eletrônicos da presidência da República. Não houve adulteração nem na ordem dos dados nem na forma como as informações foram anotadas.

Os dados do Planalto foram acomodados em 27 planilhas do programa de computador Excel. Num dos campos, trazem a sigla “PR” (Presidência da República). Informam a hora e o dia em que os dados começaram a ser levados ao computador pela Casa Civil: 15h28 de 11 de fevereiro de 2008.

Nessa data, embora ainda não houvesse sido instalada, a CPI dos Cartões tornara-se irreversível no Congresso. Mercê dos esforços de Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, o governo lograra obter da oposição o compromisso de recuar a apuração ao ano de 1998, início da gestão FHC.

As novas planilhas desencavadas pelos repórteres anotam 532 lançamentos de despesas realizadas entre 1998 e 2002. Foram recuperadas no arquivo morto do Planalto, a partir de uma ordem de Erenice Guerra, a secretária-executiva da Casa Civil, número dois de Dilma Rousseff.

Digitalizadas no intervalo de uma semana, as planilhas agrupam dispêndios atribuídos a FHC, à ex-primeira dama Ruth Cardoso e a três ministros palacianos do governo tucano: Eduardo Jorge, ex-secretário-geral da Presidência; Clóvis Carvalho, ex-chefe da Casa Civil; e Arthur Virgílio, líder tucano que exerceu o cargo de secretário-geral da Presidência.

Lendo-se o documento digital, percebe-se que foi concebido seguindo uma lógica política, não administrativa. Deu-se preferência a gastos exóticos –aquisição de bebidas alcoólicas, por exemplo. Listaram-se também pagamentos feitos à chef de cozinha Roberta Sudbrack, que preparava o cardápio dos Cardoso no Alvorada.

O papelório obtido pelos repórteres exibe as planilhas da Casa Civil na forma em que se encontravam no dia 18 de fevereiro, mais de um mês antes de a revista Veja divulgar uma parte dos dados. Dois dias depois, em 20 de fevereiro, num jantar com empresários, a ministra Dilma Rousseff dissera que o governo não escutaria calado aos ataques da oposição. O governo, ela antecipara aos comensais, reunia informações sobre os gastos da era tucana.

Há dois dias, a Casa Civil foi instada a se manifestar sobre a descoberta dos novos documentos. Manteve, por meio de uma nota, a versão que sustentara antes: “A planilha de 13 páginas, mencionada pelo jornal em suas reportagens, contém informações que constam no banco de dados, como reconhecemos desde o início. No entanto, ela não confere com as nossas nem na seqüência nem na forma de organização das informações. Tal fato sugere a possibilidade de ter sido montada com fragmentos da base de dados.”

Uma investigação minimamente séria poderia comparar a planilha maior com a versão enxuta. O governo, porém, recusa-se a envolver a Polícia Federal no episódio. O caso está sendo “apurado” por uma comissão de sindicância composta de servidores da própria Casa Civil, da Controladoria-Geral da União e da Advocacia-Geral

Fonte : Blog do Josias

Rizzolo: É evidente que os dados obtidos vieram diretamente da Casa Civil de Dilma Rousseff, essa seqüencia corrobora o que se tem dito desde o início, foi uma manobra intimidatória. Ademais, se fosse elaborada ou obtida pela oposição os dados não seriam do FHC e sim da atual presidência. A verdade é que, bem ao estilo petista stalinista, tentaram acuar a oposição com esse documento. As insinuações já surgiam, quando a ministra Dilma Rousseff dissera que o governo não escutaria calado aos ataques da oposição num jantar com empresários em 20 de fevereiro. Sempre acreditei que a cópia de arquivo fora extraída diretamente da rede de computadores da Casa Civil. O dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da sua mulher, Ruth, de ministros tucanos e até da chef de cozinha de FHC saiu prontinho do Palácio do Planalto, não tenham a menor dúvida. Com isso, a situação da Dilma a cada dia vai piorando, até porque, é perceptível o desespero dos petistas em protegê-la, ou blindá-la.

Até a revista “The Economist” sugere na edição desta semana que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, terá de ser mais do que “a mãe do PAC” se quiser ser a candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. A publicação ressalta que Dilma deverá se recuperar do escândalo dos cartões corporativos porque as acusações contra ela são “indiretas” e “muito menos graves” do que as derrubaram José Dirceu. Muito menos graves ?

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