CNI repele juros do BC e diz que setor está preparado para o crescimento

Utilização da Capacidade Instalada recua em fevereiro para 82,9%, por conta do aumento dos investimentos

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) contestou as alegações do Banco Central de que o setor não estaria em condições de suprir a demanda por bens de consumo em função do esgotamento da capacidade de produção. Dados sobre produção e consumo divulgados na última semana não confirmam as avaliações do BC usadas para justificar uma elevação da taxa de juros.

Os economistas Paulo Mol e Flávio Castelo Branco, da CNI, afirmam que não há motivos para o aumento dos juros. De acordo com a última pesquisa Indicadores Industriais, divulgada no início do mês, o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) recuou em fevereiro para 82,9%, contra os 83,1% registrados em janeiro, por conta do aumento dos investimentos. “A capacidade de produção está aumentando. Enquanto a economia cresce a 5% ao ano, a formação bruta de capital fixo (que mede os investimentos produtivos) cresce a mais de 10% há oito trimestres”, declarou Paulo Mol. Segundo ele, a queda do NUCI é um claro sinal de que a indústria está acompanhando o crescimento da demanda interna: “O setor está preparado para esse crescimento, porque está investindo”.

Para Flávio Castelo Branco, uma eventual elevação dos juros básicos seria uma “precipitação”. “O Índice de Preços no Atacado (IPA, que mede a inflação na indústria) fechou na casa dos 3% no ano passado, abaixo da inflação dos outros setores, e não está tendo nenhum sinal de aumento neste ano. Não há porque aumentar juros nesse momento, ainda mais com a indústria mostrando capacidade de atender todos os pedidos”, disse.

O BC pregou o aumento da taxa básica de juros (Selic) para a próxima reunião do Copom, nos próximos dias 15 e 16, através de seu Boletim Focus – elaborado junto a especuladores autodenominados “especialistas de mercado”. Tais “especialistas” consultados pelo BC esperam um aumento de, no mínimo, 0,25 pontos percentuais, elevando os juros dos atuais 11,25% ao ano para 11,50%. Eles também “prevêem” que a Selic fechará 2008 em 12,5%, ou seja, sucessivos aumentos dos juros até o final do ano.

Antes do Boletim Focus desta semana, o presidente do BC, Henrique Meirelles, já havia divulgado na última ata do Copom um “descompasso entre a oferta e a procura” projetado para o futuro. Isso poderia ocorrer caso não houvesse investimento para ampliar a oferta de bens a tempo de suprir o aumento da demanda, acarretando em desabastecimento e escalada da inflação. Mas não é isso que vem ocorrendo no país. Ao contrário.

Nos últimos anos, os investimentos estão crescendo em ritmo mais acelerado do que a demanda. De acordo com o IBGE, no ano passado o consumo da população aumentou 6,5% e os investimentos cresceram 13,4%. As compras de máquinas e equipamentos pelos setores público e privado foram ampliadas em 30% nos últimos três anos.

Para a CNI, o aumento das taxas de juros será um freio “desnecessário” ao crescimento da economia, inibindo os investimentos e reduzindo o consumo.Para a técnica do Procon-SP Renata Reis, “há fortes indícios de alinhamento de preços e, se isso se confirmar, as medidas do BC se revelarão inócuas”.

Hora do Povo

Rizzolo: Muito embora os números anunciam uma equidade entre o consumo e a produção, e o melhor indicador é o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) que recuou em fevereiro para 82,9%, contra os 83,1% registrados em janeiro, por conta do aumento dos investimentos, Meirelles a pedido dos especuladores internacionais, provavelmente não se ” convencerá” e tentará aumentar a taxa de juros agraciando ainda mais aqueles que especulam no Brasil.

Outro dia ouvindo uma palestra e depois conversando com o nobre economista Pochmann, dizia ele que na China a preocupação sempre foi combater a inflação aumentando a produção; se aumentarmos a produção e fortalecermos o mercado interno baseado em investimentos no setor produtivo, iremos gerar mais empregos e ao mesmo tempo combatermos a inflação. Agora Meirelles não tem o foco na produção, no investimento, na geração de emprego, mas sim em aumentar os juros para combater a inflação diminuindo a demanda, e favorecendo a banca internacional. Ora, precisamos crescer, necessitamos gerar no mínimo 4 milhões de empregos por ano. Assim não podemos continuar. Ou isso tudo é receio de um Brasil forte numa fase em que os EUA estão se enfraquecendo?

Bancos devem ampliar prejuízos com crise das hipotecas, diz FMI

O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou nesta terça-feira que a crise financeira poderia se intensificar, com novos prejuízos para os bancos que possuem valores dos Estados Unidos, onde as perdas potenciais são de cerca de US$ 1 trilhão, segundo seus cálculos.

O Fundo Monetário Internacional publicou hoje seu relatório semestral sobre a estabilidade dos mercados financeiros, o “Assessing Risks to Global Financial Stability” (Avaliando os riscos à estabilidade financeira global), no qual mostra um panorama pouco promissor.

Segundo o documento, a supervalorização do real pode ser um fator de vulnerabilidade da economia brasileira em caso de um novo pico de volatilidade nos mercados internacionais.

Em um capítulo do relatório dedicado a avaliar o quão vulnerável à crise estão os países emergentes, como o Brasil, o FMI afirma que a força continuada de moedas como o real brasileiro ou a rupia indiana sugere a persistência de operações conhecidas como “carry trades”.

Nessas operações, os investidores tomam empréstimos em moedas de países com baixas taxas de juros, convertem o montante na moeda de outro país com taxas de juros maiores e aplicam os recursos nesse país, ganhando com a diferença.

Isso aumentaria o fluxo de investimentos externos aos países com maiores taxas de juros e pressionaria a cotação da moeda para o alto.

Segundo o relatório, além do Brasil, outros países que vêm recebendo um fluxo grande desse tipo de investimento são Colômbia, Islândia, Indonésia, Nova Zelândia, Turquia e África do Sul, a partir de financiamentos em iene japonês, franco suíço e, mais recentemente, com os cortes de juros nos Estados Unidos, em dólar americano.

Dependência
Apesar da observação quanto à supervalorização da moeda, o FMI considera o Brasil em posição relativamente melhor do que no passado para lidar com a dependência de fluxo de capitais externos.

Segundo o relatório, os países emergentes mais vulneráveis à escassez de crédito internacional são aqueles nos quais o crescimento do crédito interno foi alimentado por fontes externas de financiamento e onde grandes déficits em conta corrente precisam ser financiados, o que não é o caso do Brasil.

O documento do FMI observa que “até agora, os mercados dos países emergentes têm resistido (à crise)”.

A organização adverte, porém, que “mercados de dívida, particularmente de dívidas externas corporativas, já sentiram o impacto da turbulência nos países desenvolvidos e os custos de financiamento aumentaram”.

Na visão do FMI, “novos choques para o apetite dos investidores por ativos de risco nos mercados emergentes não podem ser descartados se as condições financeiras piorarem”.

(Com informações da Efe e BBC)

Rizzolo: É claro que as operações de “carry trades”, existem em função de uma política econômica de financeirzação da economia como no caso do Brasil. A medida que as altas taxas de juros propiciam esse tipo de operação, não há como deter a valorização da moeda face à grande entrada de dólares no País. Todos sabemos, que esses recursos são extremamente voláteis e que na verdade não são aplicados na produção e apenas servem-se da especulação promovida pelo BC.

O pobre exportador brasileiro, vivencia essa política perversa, ao mesmo tempo em que a balança comercial começa a ficar prejudicada. Aumentar o mercado interno, seria a saída para que enfim pudéssemos blindar ainda mais nossa economia, mas para isso temos que forçosamente mexer nas taxas de juros. Temos que entender que não há nada melhor do que o crescimento, produção e o aumento da oferta, para combater a inflação, contudo para Meirelles e o BC, o foco para o combate não é o do desenvolvimentismo, mas sim no freio do crescimento via taxas de juros agraciando os especuladores que enxergam o Brasil um grande Cassino.

Charge do Ique para o JBonline