Lula diz que Brasil precisa produzir mais alimentos para reduzir inflação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neta quinta-feira (10) que o Brasil precisa produzir mais alimentos para reduzir a inflação. O presidente, que está em visita oficial à Holanda, comentou, em coletiva de imprensa, os resultados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados ontem (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostraram aumento de preços de 4,73% nos últimos 12 meses, acima da meta de 4,5% prevista pelo Banco Central para 2008.

Segundo Lula, a inflação causada pelo aumento dos preços dos alimentos é um problema não só do Brasil como de vários países do mundo. Isso porque, de acordo com o presidente, os pobres do Brasil, da Ásia, da África e da América Latina estão consumindo mais alimentos.

“Se o motivo da inflação que está acontecendo é porque milhões de pobres do mundo, que não tinham acesso à comida, estão tendo esse acesso agora, isso significa apenas o seguinte: precisamos produzir mais alimentos. No caso do Brasil, nós vamos resolver esse problema com muita facilidade porque temos, nos 851 milhões de hectares existentes no país, 400 milhões de terras agricultáveis”, disse.

O presidente lembrou que o feijão e o leite são os produtos alimentícios que mais causam impacto na inflação do Brasil. “Feijão e leite representam, em uma inflação de 4,5%, 0,7 pontos. Se não fosse o feijão e o leite, teríamos a inflação a 0,38%. Ou seja, são dois produtos que temos condições de produzir em maior escala.”

Lula negou que os biocombustíveis estejam causando aumento de preços dos alimentos. O presidente brasileiro defendeu o etanol, em reunião com os presidentes da Câmara e do Senado holandeses, ocorrida na manhã de hoje.
Agência Brasil

Rizzolo: Finalmente ouvi algo coerente do presidente, falou em ” aumento da produção” na pauta do assunto inflação. Puxa, por fim entendeu que nada melhor para combater a inflação do que crescer, produzir, respondendo à alta da demanda. Aliás, é a receita da China e da Índia. Contudo, não se animem, a autonomia do Banco Central, quer segurar o Brasil a todo custo, e Lula não tem correlação de forças para vencer essa receita contrária que vem de fora, dos especuladores. Pelo menos Lula já tem uma opinião coerente.

Até o Fundo Monetário Internacional (FMI), “avaliando os riscos à estabilidade financeira global”, diz que o juro alto praticado pelo Banco Central “pode representar um canal de vulnerabilidade”. No último relatório sobre a “estabilidade financeira global”, o Fundo avaliou o quão vulnerável está o Brasil diante das distorções e riscos em razão da queda do dólar, ou seja da ação dos especuladores atraídos pelos altos juros do BC.

Com a “deterioração das condições financeiras” internacionais, o “apetite dos investidores de risco por mercados emergentes” pode não continuar, diz o FMI, sobre uma possível fuga de capitais. O presidente Lula, deveria ler mais artigos do presidente do IPEA, o economista Pochmann, não lê porque não quer, ou se lê, agora é que está manifestando a essência dos textos do nobre economista. Apenas á título de ilustração, divulgo um texto de Pochmann extraido do jornal Hora do Povo, procurem ler as interessantes argumentações do economista.

Para Pochmann, aumento do juro pode interromper o ciclo de crescimento

“A melhor política de combate à inflação de demanda é justamente a ampliação dos investimentos que permita a capacidade de produção do país crescer, inclusive em condições suficientes para atender a demanda interna”, afirmou Márcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), condenando uma eventual elevação da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central na próxima reunião do Copom, dia 16. “É isso que nós estamos verificando nos últimos 41 meses: o investimento cresce acima do consumo”, completou.

“É claro que podemos ter alguns setores que estão mais pressionados por demanda e podem haver alguns gargalos, o que é natural em toda economia que começa a crescer a taxas importantes. Como foi o Brasil no ano passado e provavelmente será neste ano”, disse Pochmann. “Agora, os gargalos, que são poucos e pontuais, devem ser enfrentados com medidas voltadas basicamente para a ampliação da importação; podem ser enfrentados com a redução do crédito localizado aos setores e não com a elevação da taxa de juros, que significa um corte do consumo de forma horizontal, pois a elevação dos juros atua sobre todo o consumo, e significaria, inclusive, a possível interrupção do ciclo de investimentos. Porque, se os juros sobem, o investimento produtivo deixa de ser atrativo, fazendo com que se alimente ainda mais a cadeia da financeirização do país”.

Quanto à política de juros do BC, o presidente do Ipea considerou que “nós estamos transitando de uma convergência política basicamente assentada na estabilidade monetária para uma convergência em torno do desenvolvimento nacional: de um lado, a postura do Banco Central que reflete um antigo compromisso em torno da estrita estabilidade monetária, e, do outro lado, talvez a maior parte do governo Lula comprometida com a temática do desenvolvimento do Páis.

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