Turbinados pela popularidade

Muitas vezes comentei neste Blog, sobre a capacidade mágica que o governo e a base aliada têem de manobrar as massas com um discurso afiado, aplaudido e reconhecido pela sua popularidade, ao mesmo tempo em que, separam o devido quinhão aos banqueiros, se tornando desta forma imbatíveis diante de uma parca oposição.

Num rápido desmembrar de acontecimentos, no vácuo deixado pela legitimidade emprestada pela farta popularidade, borbulham fatos que nos deixam perplexos e que sustentados são pela certeza de serem e estarem mais fortes do que aqueles que os acusam. Sem ao menos darmos conta, tomamos ciência num período de 24 horas, que: o presidente encomendou aos deputados a derrubada de um projeto que beneficia algo como 25 milhões de aposentados e pensionistas da Previdência.

E tem mais ainda, o dia não terminou, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), anunciou o reajuste da verba de gabinete dos deputados. Passou de R$ 50,8 mil para R$ 60 mil mensais, verba extensiva a 513 gabinetes, uma conta de mais de R$ 400.1 milhões por ano destinado ao pagamento dos funcionários não-concursados empregados no gabinete dos deputados, com ajuda, é claro, da oposição, que em questões de remuneração e benefícios a si próprios, aproveitam desse manto de popularidade e se calam.

Não terminou , o dia ainda não findou, não só o governo, os aliados “socialistas” também aproveitam o trem da popularidade para embarcarem no jatinho da ” alegria, o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), levou sua sogra a uma viagem oficial de dez dias à Europa, que custou R$ 388.596 apenas com o aluguel de um jatinho. A lista de passageiros e o custo com o aluguel do jatinho foram divulgados só ontem, dois meses depois que a Assembléia encaminhou ao governo um requerimento.

Para arrematar, já à noite na quarta-feira, o Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, decidiu elevar a Selic (taxa básica de juros) em 0,5 ponto percentual, para 11,75% ao ano, após manter o patamar anterior de 11,25% anuais por cinco reuniões consecutivas, desde setembro de 2007. Aliás, Lula já estava “preparando o terreno”, o presidente havia dito que se a taxa de juros subisse ” um pouquinho” não faria diferença, afirmando depois – para remendar- que só um louco aceitaria um aumento das taxas de juros. E observem que este Blog já havia anunciado esta esbofeteada no Brasil.

Vejam como as coisas ocorrem rápido quando turbinadas são com um bom discurso, com uma aliança com os donos do capital, uma esquerda silenciosa e conivente, e uma oposição enfraquecida. Esse é o Brasil do PT. Do Lula conivente. O que fazer ? Eu também acreditei….

Fernando Rizzolo

Brasil rebate críticas de que biocombustíveis são crime contra humanidade

BRUXELAS, 16 Abr 2008 (AFP) – O Brasil rebateu nesta quarta-feira, em Bruxelas, as críticas que equiparam a produção dos biocombustíveis a um crime contra a humanidade, ao afirmar que o estímulo a estas fontes de energia e a luta contra a fome são compatíveis.

“Podemos conciliar políticas de produção e distribuição de alimentos, como estamos fazendo, com políticas que permitem respeitar o meio ambiente e contribuir para que a humanidade tenha acesso a energias renováveis e mais limpas”, disse o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias.

Ananias, que assinou um memorando com o comissário europeu de Assuntos Sociais, Vladimir Spidla, para estimular o diálogo bilateral nesta área, explicou que o Brasil tem “características muito especiais” que permitem conciliar a produção de alimentos e de biocombustíveis.

“O Brasil é um país muito grande, um país que tem muitas terras férteis, que tem muita biodiversidade e recursos hídricos. É um país que nos permite produzir alimentos em abundância”, disse.

Dessa forma, o ministro rebateu as declarações do relator especial da Nações Unidas para o direito à alimentação, o suíço Jean Ziegler, que, na segunda-feira, afirmou que “a produção de biocombustíveis é hoje em dia um crime contra a humanidade”.

Os críticos dessa tecnologia argumentam que o uso de terras férteis para cultivos destinados a fabricar biocombustíveis reduz as superfícies destinadas aos alimentos e contribui para o aumento dos preços dos mantimentos.

Ziegler pediu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que mude suas políticas sobre os subsídios agrícolas e deixe de apoiar apenas programas destinados à redução da dívida.

Segundo ele, a agricultura também deve ser subsidiada em regiões onde se garanta a sobrevivência das populações locais.

Ziegler também advertiu que o mundo se dirige para “um período muito longo de distúrbios e outros tipos de conflitos derivados da escassez de alimentos e aumentos de preços”.

Nesse contexto, a Comissão Européia indicou na segunda-feira que vai propor a supressão das subvenções para os cultivos destinados à produção de biocombustíveis, em meio à crescente polêmica causada pelo desenvolvimento dessa fonte de energia para lutar contra a mudança climática.

Vários outros dirigentes europeus já manifestaram preocupação com a utilização da produção agrícola com fins energéticos em detrimento dos alimentos, num contexto de alta dos preços das matérias-primas.

“A produção agrícola com fins alimentares deve ser claramente prioritária”, afirmou o ministro francês da Agricultura, Michel Barnier.

A França propôs na segunda-feira uma iniciativa européia frente ao aumento de preços das matérias-primas e a crise alimentar que isto provoca, impulsionando um apoio reforçado à agricultura comunitária e uma ajuda maior a este setor nos países pobres.

“Em um mundo em que vai ser necessário produzir mais e melhor para alimentar nove bilhões de habitantes, há necessidade dos esforços de todos e também da Europa”, afirmou o ministro Barnier.

Ante esta posição cada vez mais dura de certos países europeus, o ministro Ananias deu como exemplo o programa para a produção de biodiesel que impulsiona seu país e que permite aos pequenos agricultores combinar a semeadura de graus para alimentos com outros destinados aos biocombustíveis.

“Os pequenos agricultores podem produzir, por um lado, alimentos, e, por outro, produtos que se adaptam à produção de biodiesel, como a soja. Estes agricultores estão melhorarando sua situação econômica”, explicou.

Nesta quarta um documento da Conferência Regional da FAO para América Latina e o Caribe que se celebra no Brasil indicou que a produção de biocombustíveis deve levar em conta o direito à alimentação e à segurança alimentar dos povos.

O Brasil é o maior exportador mundial de biocombustível com base no etanol, atrás dos Estados Unidos, com 22 e 28 bilhões de litros em 2007 respectivamente. Os americanos produzem o combustível a partir do milho, mas o Brasil usa como base a cana-de-açúcar.
Folha online

Rizzolo: Conciliar a produção de alimentos com a produção de biocombustíveis é possível, mormente em se tratando de um país como o nosso. Atualmente temos o Brasil tem 7 milhões de hectares de cana cultivada, sendo 3,6 milhões para produção de etanol, o que na realidade corresponde a uma área pequena destinada ao etanol, por volta de 5% da área cultivada brasileira. Ademais, a cana-de-açúcar, não entra na cadeia alimentar animal, como no caso do milho destinado é, a comida humana ou animal. Do ponto de vista territorial, isso já não ocorre nos EUA, onde um quarto da safra de milho é comprometido para fazer etanol, via subsídios elevadíssimos.

Todavia, entendo importante regulamentar a produção do Etanol, quer do ponto de vista territorial, como os referentes aos problemas sociais que envolvem a cultura, questões estas que já conhecemos de longa data. Na verdade querem impor aos biocombustíveis a responsabilidade pela inflação dos alimentos no mundo, mas na realidade, muitos são os fatores que concorrem para este aumento, dentre eles, o subsídios agrícolas promovidos pelos países ricos. Isso eles não falam.