Risco de contágio da economia real já mobiliza governo

Da BBC Brasil em São Paulo – Um dia após o agravamento da crise nos mercados, o governo brasileiro negou a existência de um pacote, mas admitiu que estuda formas de evitar um primeiro risco de contágio à economia real: a redução de crédito para empresas exportadoras.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge, disse que o governo apresentará, até a semana que vem, um plano cujo objetivo é ampliar as fontes de crédito para essas empresas.

Já o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse em entrevista à Globonews que existe uma determinação do presidente Lula no sentido de evitar que a economia brasileira seja contaminada. A prioridade é garantir a oferta de crédito às empresas, sobretudo às exportadoras.

Estima-se que metade das exportações brasileiras sejam financiadas por bancos no exterior. Isso porque o crédito no Brasil, baseado na Selic (13,75%), chega a ser o dobro do que é cobrado lá fora. Somente duas instituições no país, que são o BNDES e o Banco do Brasil, conseguem oferecer financiamentos com valores no padrão internacional, mas seu caixa é restrito.

O crédito é essencial para as empresas que trabalham com comércio exterior, pois em geral o pagamento é efetuado meses após o embarque do produto. Quem não tem capital de giro suficiente para arcar com esse custo é obrigado a procurar um financiamento bancário.

A avaliação do professor do Ibmec São Paulo, Ricardo José Almeida, é de que o plano do governo para ampliar as fontes existentes de financiamento é válida, mas não é suficiente.

“O setor precisa de um plano mais abrangente, que crie condições, por exemplo, de que parte da exportação seja voltada para o mercado interno”, diz.

Uma forma seria identificar setores onde há espaço para se estimular o consumo doméstico, como o de construção civil. “Existem segmentos com demanda reprimida”, afirma. Ele lembra que o mundo irá consumir menos nos próximos meses, até anos, e que os exportadores brasileiros precisam trabalhar com esse cenário.

Segundo o presidente da Associação de Comercio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, algumas empresas vêm preferindo aguardar antes de fechar novos contratos de exportação. Para ele, a recente alta do dólar, ao contrário do que se imagina, não chega a ser uma boa notícia. “O ganho com a alta do câmbio nem de longe compensa a elevação do custo do crédito”, explica.

A preocupação do governo é de que as empresas passem a congelar os contratos, deixando de exportar. “A paralisia atual, se persistir, pode ter impactos ainda mais desagradáveis na economia, como demissões”, afirma Almeida.

As exportações são responsáveis por 14% do PIB no Brasil, pouco quando comparado a outros países emergentes. No entanto, seu papel na economia é relevante para as contas externas, por representar o principal canal de entrada de dólares no país. BBC Brasil

Agência Estado

Rizzolo: O pior problema é em relação ao crédito às empresas exportadoras. Não acredito que o governo supra ao contento a falta de crédito que ora existia. O pior dessa questão das restrições e da dificuldade de captação de recursos, é que com isso os juros irão aumentar e logicamente esses custos financeiros serão repassados ao produto final gerando como efeito uma inflação, o que por conseqüência, irá gerar mais alta de juros. A dificuldade de crédito já é uma realidade no mercado, e a situação é extremamente séria para as empresas. Os bancos captadores de recursos já encontram dificuldade, e o ” dinheiro ficará mais caro”.

O setor de embalagens por exemplo ” travou” ontem, e na realidade é o primeiro segmento a sentir o impacto da crise. A saída é o fortalecimento do mercado interno, mas que também de certa forma está atrelado ao patamar de juros aplicado. Acho que a estas alturas ” caiu a ficha” do presidente Lula, ao afirmar que isso era um problema de Bush. Mas o presidente fala cada coisa, hein !!! E a popularidade sobe, não é ? !! Só aqui..mesmo…É que o pobre coitadinho que trabalha e ganha pouco, nem tem bem noção da crise, não sabe o que ” subprime”, commodities, plano para salvar a economia americana, etc.., sabe que tem emprego e dinheiro no bolso, por isso Lula é bom, e com certeza o é para ele. Mas a crise está por perto, e esse pobre trabalhador também não vai entender quando chegar o dia que porventura perder seu emprego. Já viu né !

Serra critica ação do governo federal na crise financeira

RECIFE – “Não somos uma ilha de tranqüilidade num mar de turbulência.” A declaração foi feita hoje pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB), ao destacar que o Brasil tende a ser atingido pela crise internacional, e contradiz a avaliação feita nos últimos dias pelo governo federal. “Não sabemos em que proporção, mas o Brasil tem duas vulnerabilidades, o déficit em conta corrente ascendente e a expansão exagerada dos gastos correntes”, afirmou ele, no Recife.

“Para dar conta dos aumentos que se estão dando agora e se programando para o futuro, a receita real tributária no Brasil teria que crescer 9% ao ano, real”, afirmou. “O quadro fiscal é complexo, não tem Lei de Responsabilidade Fiscal na esfera federal.” De acordo com o governador paulista, estas fragilidades da economia se destacam quando comparadas com outros países emergentes.

Hoje, porém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista à imprensa, que a crise financeira é “muito séria” e pode ter impacto no País. “Poderemos correr riscos porque é uma recessão em caráter mundial e pode trazer prejuízos para todos nós.” Mesmo assim, o presidente disse que o Brasil está “precavido”.

Segundo o governador de São Paulo, o governo federal está começando a gastar reservas para manter o valor do real “claramente sobrevalorizado, diria hipervalorizado”. Na sua avaliação, foi até agora “um equívoco” da gestão econômica do governo Lula ter promovido desnecessariamente uma sobrevalorização exagerada, que “neste momento, evidentemente, cobra seu preço”.

Para ele, a tendência é desvalorizar e o governo deverá ficar subindo juros mais ainda para poder segurar o dólar, “como se fosse um objetivo em si”, enquanto começa a queimar reservas. “A China, aliás, os países em geral não estão torrando suas reservas, o Brasil começou a fazer isso, espero que não continue”, afirmou Serra.
Agência Estado

Rizzolo: Primeiramente já estava na hora da oposição falar alguma coisa. Serra ao criticar a ação do governo federal- o que o faz com toda razão-, denota já uma nova postura política em relação ao governo Lula. Com efeito a expansão dos gastos correntes, de forma descontrolada é a marca registrada do governo petista. Segurar o dólar fazendo uso das reservas, ou aumentando os juros, são medidas inadequadas e que deverão ter conseqüências. O que ainda nos alivia é que o Brasil é um credor em dólar, e face à desvalorização do real, isso nos coloca numa posição de moderado conforto. Há sim um rigor fiscal em outros países emergentes, mas na visão “lulística” de governar, a gestão deve ser pródiga. Segundo eles gastar muito significa ” gastar com os pobres”. Não é bem assim..

Ano Novo Judaico pára Congresso dos EUA até quinta

WASHINGTON – A Câmara dos Representantes e o Senado dos Estados Unidos estão em recesso hoje e amanhã até o pôr-do-sol, que marca o final do feriado do Ano Novo Judaico, o Rosh Hashaná, de acordo com as sinagogas ortodoxas e conservadoras. Hoje, líderes do Congresso trabalhavam e tentavam desenvolver um plano alternativo ao pacote de ajuda financeira, rejeitado ontem pela Câmara, que seja aceito pelas duas Casas. Entrar em folga no Rosh Hashaná e, uma semana depois, no dia judaico do perdão, o Yom Kippur, é uma prática recente no Congresso dos EUA.

Os primeiros judeus só foram eleitos para a Câmara e para o Senado na década de 1840 e, durante grande parte do século XIX, o Congresso dos EUA se reunia entre dezembro e a primavera (boreal). Como naquela época os congressistas não podiam voltar de maneira rápida para os Estados que representavam, freqüentemente o Congresso se reunia no dia de Natal, 25 de dezembro, de acordo com Donald Ritchie, historiador do Senado.

Mesmo após a mudança do calendário político em 1930, o Congresso norte-americano passou a trabalhar, de uma maneira geral, entre janeiro e a metade do ano, o que não conflitava com os feriados judaicos. O Congresso passou a se reunir também após a metade do ano quando os jatos comerciais entraram em operação, na década de 1960, e permitiram aos congressistas da Costa Oeste do país voltarem mais rápido para casa.

Logo depois, os recessos fixos, que acontecem perto dos feriados religiosos e nacionais, ficaram mais freqüentes. Ritchie afirmou que durante suas três décadas no Senado, observou que alguns líderes tentaram fazer os congressistas trabalharem no Natal e em outros feriados, embora sem sucesso. Atualmente, o Congresso dos EUA tem 13 parlamentares judeus no Senado, que conta com cem cadeiras, e 29 parlamentares na Câmara dos Representantes, que tem 435 cadeiras.
Agência Estado

Rizzolo: Da forma em que está a economia americana, quanto mais feirado melhor, se depender dos feriados judaicos ainda temos o Yom Kipur dia 8. Observem que do ponto de vista de representatividade política os judeus são poucos nos EUA, mas bem maior do que no Brasil onde a maioria dos judeus que se candidatam demonstram timidamente sua origem judaica.

Na realidade existe um componente político em não aprovar o socorro à economia americana; os aproveitadores alegam que o contribuinte não poderia arcar com o prejuízo, mas esquecem que se os bancos quebram, quebram também os correntistas, os investidores, e por tabela os funcionários do banco.

A verdade é que não há saída, e não adianta culpar ” os países ricos, ou os banqueiros exploradores”, como faz Chavez e Lula, o regime capitalista americano é na sua essência não intervencionista, o que de certa forma é um erro, há que se ter um mínimo de regulação financeira.

Contudo exorcizar de vez o liberalismo da economia americana, visando ter um discurso popular e um ” ganho secundário, é de feitio daqueles que gostam de fazê-lo ao som de Mercedes Sosa, ou no saudosismo das músicas de Geraldo Vandré. Que coisa antiga, hein! Eles devem estar falando: ” Foi só acabar o feriado judaico, para esse judeu volta a atormentar! ( risos..)

Obrigado pelos emails de Shaná Tová !!!! Recebi um email de um petista me perguntado, porque eu havia voltado mais cedo da sinagoga. E eu respondi: Sentiram falta ?

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Desespero de George Washington

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Importadores da Europa e Ásia já cancelam pedidos

O crédito para exportação, que estava escasso na semana passada, secou de vez ontem para as empresas, após a rejeição, pelo Congresso americano, do pacote de ajuda de US$ 700 bilhões às instituições financeiras em crise. Para contornar a restrição de financiamentos, as companhias – e não apenas as exportadoras – já estudam alternativas de emergência para obter recursos financeiros.

“O mercado parou”, afirmou Sérgio Amoroso, presidente do Grupo Orsa, um dos maiores grupos do setor de embalagem de papelão e celulose do País, que fatura US$ 800 milhões, dos quais US$ 300 milhões são provenientes de exportações. “Não sei o que vamos fazer”, disse. Segundo ele, uma das alternativas é o desconto de duplicatas. “Mas estamos estudando.”

Além da restrição do crédito à exportação, Amoroso conta que muitos importadores da China e da Europa decidiram cancelar parte dos pedidos, temendo a desaceleração da demanda em seus países. “O momento é preocupante”, resumiu o executivo, que optou por segurar os R$ 30 milhões restantes que investiria no aumento da capacidade de produção das fábricas, programado para até dezembro deste ano.

Além do setor exportador, Ricardo Hingel, diretor do Banrisul, lembrou que outros começam a sentir o impacto da crise de oferta de crédito no dia-a-dia. Nesse rol, ele aponta as lojas de varejo, que têm boa parte das vendas financiadas. “A taxa de juros já subiu e a tendência é encurtamento de prazos de pagamento. Estamos avaliando as políticas de redução”, disse.

Também as construtoras, que recentemente abriram o capital e compraram inúmeros terrenos na expectativa de conseguirem facilmente recursos de crédito imobiliário dos bancos para erguer os empreendimentos, começam a recorrer novamente ao mercado para se capitalizarem. Na sexta-feira, por exemplo, a Rossi Residencial distribuiu um comunicado informando que seu conselho de administração tinha aprovado a emissão de debêntures no valor de R$ 40 milhões, com garantia do Banco Votorantim. Segundo o comunicado, a decisão foi tomada para “incrementar a posição positiva de caixa, assegurando maior conforto durante um eventual cenário de contração de crédito”.

A construtora Even decidiu no dia 18 aumentar em R$ 150 milhões o seu capital social, por meio de emissão de ações. “As medidas contribuem para a manutenção da sua robustez financeira”, disse nota da empresa.
Agência Estado

Rizzolo: A situação é extremamente grave, o setor de embalagem de papelão e celulose do País, é o primeiro a sentir os efeitos de qualquer crise. Com o crédito cada vez mais restrito e seletivo, as empresas reavaliam sua condição futura; as projeções do ponto de vista do mercado, são intuitivas e refletem a situação atual. É claro que setor exportador é o primeiro a receber um maior impacto, e não resta outra saída a não ser pensar nas alternativas de emergência para obter recursos financeiros.

O mais preocupante é o fato de que as indústrias do setor de infra -estrutura já sentem o enxugamento do crédito, estando este mais restritivo. Preocupado com esta questão que envolve o desenvolvimento dos projetos, o governo vai procurar garantir recursos para quatro áreas significativas: agricultura, exportação, PAC, BNDES. Agora, temos que repensar a economia de dentro para fora, fortalecendo o mercado interno com os recursos de que dispomos, jogar a culpa nos países ricos, discurso, ficar bravo, isso não tem um efeito diminutivo, apenas aumentativo do fator popularidade. Nisso o presidente já está bem, pelo menos até agora.

Lula muda o tom e diz que Brasil pode ter ”pequeno aperto”

Pouco depois da rejeição, pelo Congresso dos Estados Unidos, do pacote de US$ 700 bilhões de ajuda ao sistema financeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou preocupação em relação a possíveis conseqüências negativas, para a economia brasileira, da crise nos mercados. Durante entrevista ao programa semanal de rádio “Café com o Presidente”, divulgada pela manhã, Lula já admitia que o Brasil pode passar por um aperto “muito pequeno” na economia. Embora comedida, a fala do presidente foi menos otimista que discursos anteriores.

“É importante que o povo brasileiro saiba que uma crise de recessão num país como os Estados Unidos pode trazer problemas a todos os países, porque eles representam a maior economia do mundo.”

As declarações de ontem do presidente marcaram uma mudança de tom em suas análises sobre a turbulência financeira. Antes, Lula dizia que “a crise não atravessou o Atlântico” e repetia que o Brasil sofreria pouco por causa dela. Ontem, porém, foi diferente. O presidente voltou a falar em confiança na economia do País, mas ressaltou que há problemas sérios e deixou claro que a solução está com os EUA, embora repetisse a disposição de continuar os investimentos no Brasil. Lula falou a jornalistas após participar da solenidade pelos cem anos da morte de Machado de Assis, na Academia Brasileira de Letras, no Rio.

O presidente ressaltou estar “tranqüilo” e voltou a dizer que o Brasil não deixará passar a oportunidade de voltar a crescer. Mas deixou claro que a solução dependerá da “sabedoria do governo americano”. Lula pediu “responsabilidade” ao Congresso e ao Executivo dos Estados Unidos para evitar uma crise que atingiria o “mundo inteiro”. E criticou duramente a falta de controle dos americanos sobre os bancos.

“Eles precisam ter responsabilidade, porque os países pobres, que fizeram tudo para ter uma boa política fiscal, fizeram tudo para ter tranqüilidade, não podem agora ser vítimas do cassino que eles montaram na economia americana.”

“Não é justo que países latino-americanos, países africanos, países asiáticos paguem pela irresponsabilidade de setores do sistema financeiro americano”, acrescentou. Lula lembrou que, no Brasil, um banco de investimento não pode se alavancar além de dez vezes o patrimônio líquido. “Nos Estados Unidos, não tem limite”, declarou, em tom escandalizado.

“Posso dizer a vocês que estamos conscientes do que está acontecendo no mundo”, afirmou. Lula ressaltou, ainda, que tem feito reuniões sistemáticas com a área econômica e o Banco Central para discutir a crise. “Sabemos que a crise é grave, sabemos que vai diminuir o crédito no mundo, mas estamos seguros de que nossas exportações continuam indo bem, as importações de máquinas e equipamentos continuam indo bem, a indústria continua crescendo, temos projetos importantes do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), temos projetos importantes de infra-estrutura que não vamos paralisar, vamos continuar.”

Lula atribuiu a rejeição do pacote pelo Congresso americano à disputa eleitoral pela presidência dos EUA, que ocorrerá em novembro. “Acho que foi rejeitado porque, nessas alturas do campeonato, tem gente tentando tirar proveito”, afirmou. “Mas penso que a responsabilidade que os americanos têm diante do mundo vai obrigá-los a tomar uma posição. Ali não existe meio-termo. Ou eles assumem a responsabilidade de cobrir o rombo que eles permitiram que fosse criado ou eles vão criar uma crise muito séria no mundo inteiro.”

Ele disse que chegou a hora de o Congresso e o governo dos EUA assumirem “a responsabilidade que lhes cabe nessa história”. “Eles criaram um rombo no sistema financeiro, então agora têm que tampar.”

No rádio, Lula já havia ressaltado que o mercado interno daria sustentação à economia brasileira durante a crise, garantindo números positivos em exportação, emprego e investimentos.
Agência Estado

Rizzolo: O que marca o governo do presidente Lula é a sua popularidade que ontem atingiu 80%, sem contar que no nordeste este coeficiente é maior. Contudo não é de forma gratuita que os patamares da popularidade assumem números assustadores, a forma de enxergar o mundo do ponto de vista ” Lulístico” é algo que nos leva a uma reflexão. Não há como identificar se o discurso já é elaborado pela “equipe de marketing ” do PT ou se é próprio do presidente. Atribuir a tudo que é de cunho negativo a terceiros é a marca registrada de Lula. É impressionante como nada o atinge neste universo.

A crise americana é devida a uma desorganização do mundo capitalista financeiro, ocorreu agora, como já ocorrera em outras épocas. Agora, aproveitar a crise e ” despejar ” a culpa nos EUA, na luta entre os ” ricos e pobres”, afirmando que os países emergentes são ” vítimas”, e de forma popular aproveitar a crise para blindar-se, como que dizendo ” o problema é deles ” já faz parte da visão ” Lulística” de entender problemas internacionais.

Todos sabem que houve uma falta de maior regulação financeira nos EUA, também é sabido, que o liberalismo financeiro deve ser contido, mas o cerne da questão é que em problemas mundiais, de crises, temos que ter atitude ” pró ativa” , e não só ficar popularizando o tema levando o discurso da crise para uma luta entre ” ricos e pobres”, aquela coisa do discurso petista. Como o povo gosta sempre de ouvir que a culpa é dos ricos, a popularidade em tempos de crise também aumenta na mesma proporção desta última.

Ano Novo judaico, judeus comemoram 5771

Judeus de todo o mundo comemoram o Rosh Hashaná, o Ano Novo judaico, que se inicia nesta quarta-feira à noite dia 8 de setembro de 20010. Para saudar a chegada do ano 5771, as famílias seguem a tradição: reúnem-se para jantar, além de comparecerem às sinagogas para orações.

Entendo que momentos para uma reflexão independem de religião, qualquer comemoração que nos leve a pensar, ou a refletir no que somos, e de que forma utilizamos nossas habilidades, sejam elas culturais, técnicas, ou políticas, são valiosas. São intervalos em que esses momentos nos propiciam para que numa tentativa de nos aproximar de algo mais perfeito como a natureza ou Deus, arregimentemos as forças em prol daqueles que atualmente não estão tão fortes e que precisam das nossas habilidades para que possamos libertá-los. O conceito de religião, é o da libertação, e isso está incutido nas tradições judaico cristão, desde quando Moisés libertou o povo judeu do Egito.

Nas sinagogas, o Rosh Hashaná é comemorado com orações e com o toque do Shofar, um instrumento feito de chifre de carneiro e que avisa sobre a chegada dos “Dias de Arrependimento”, que culminam com Yom Kipur – o Dia do Perdão, dia 17 de setembro, a Vespera de Yom Kipur. O Yom Kipur é a data mais sagrada do calendário judaico, em que se faz jejum para atingir uma introspecção completa e pede-se o perdão dos pecados cometidos. Em Yom Kipur, o homem deve responder perante DEUS à pergunta: ” Que tipo de pessoa eu me tornei ?

Na religião judaica existe uma simbologia forte nos rituais, centrada nos alimentos. O pão redondo simboliza os ciclos da vida, a maçã com mel simboliza a idéia de se ter um ano doce, assim com a romã significa uma disposição para que a nossa vida tenha tantos méritos como as sementes dessa fruta.

Desejo aos Judeus e a todos que comemoram essa data como sendo uma referência, que pensem e reflitam até que ponto nossas habilidades estão realmente a serviço daqueles que a necessitam, ou estarão elas se prestando aos poderosos que a tudo tem, poderosos esses que como um Farol no Meio do Oceano apenas pensam em iluminar cada vez mais a parte de cima, deixando a base na mais profunda escuridão. Pela ética judaica, temos que iluminar também aqueles que estão embaixo, vamos iluminar os pés do Farol, vamos enfim trazer luz para quem está na escuridão, na escuridão do desamparo, da falta de oportunidade, da desesperança. Vamos celebrar nesta data, que sejamos inscritos no Livro da Vida, com o compromisso de jamais desistirmos de fazer um Brasil melhor a todo povo brasileiro.

Shaná Tová a todos , independente de religião !

Veja Também: Silvio Santos fala sobre Yom Kippur.

Hoje não haverá posts!

Fernando Rizzolo

Charge do Myrria para A Crítica

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Liberalismo Financeiro e o PAC

Um dos conceitos mais discutidos nas questões políticas e econômicas na última década, foi a do neoliberalismo e seu papel na economia. Seus ardentes combatentes, em contraponto aos amantes de Adam Smith, se digladiaram numa discussão polarizada, que em última instância, se expressava em conceitos sócio políticos sobre a participação do Estado como provedor de desenvolvimento, e ao mesmo tempo, como regulador do processo econômico em oposição aos liberais que entendiam que o mercado por si era auto sustável.

Mais recentemente no Brasil, como na América Latina, prevaleceu-se o pensamento contrário às posturas neoliberais e ao ” Consenso de Washington”; impulsionado por economistas como Joseph Stinglitz ( Prêmio nobel ), que sempre defendeu um modelo econômico não tão liberal, onde o Estado assume um papel mais participativo na elaboração das diretrizes de investimento, balizando-o, e dando o tom na segmentação da aplicação dos recursos à iniciativa privada. Modelo este, mais próximo ao instituido na época do “milagre brasileiro”, onde a presença do Estado era mais acentuada.

Foi nesse esteio de pensamento, que o modelo econômico do governo do presidente Lula, pavimentou seus ideais de construir e desenvolver programas de inclusão social e consolidar a implantação de projetos de infra-estrutura contidos no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Ainda na esfera da regulação por parte do Estado, a sucessão de crises forçou modificações do sistema bancário brasileiro, que tornou-se mais eficaz, ao contrário dos preceitos do liberalismo financeiro. Hoje, o Banco Central, ao contrário do FED( banco central americano), tem grande abrangência nas suas atividades reguladoras e fiscalizadoras.

A história de certo modo veio provar que não estávamos de todo errado ao propagarmos uma política econômica mais centrada e menos arrojada do ponto de vista do liberalismo financeiro. A crise bancária dos EUA que levou à elaboração de uma pacote de resguardo à economia no valor de US$ 700 bilhões em dinheiro público, nos leva apensar que o caminho inverso das propostas liberais ganha força no pensamento econômico mundial.

Por ironia econômica, nosso modelo de desenvolvimento, baseado no PAC, sofrerá as influências da crise mundial advindas do descontrole financeiro. Já se observa um grande número de obras fora do prazo estabelecido, até o balanço do programa está atrasado. Com efeito, as indústrias do setor de infra -estrutura já sentem o enxugamento do crédito, estando este mais restritivo. Preocupado com esta questão que envolve o desenvolvimento dos projetos, o governo vai procurar garantir recursos para quatro áreas significativas: agricultura, exportação, PAC, BNDES. Contudo a Taxa de Juros de Longo Prazo poderão ser alteradas dificultando ainda mais o crédito.

Não seria exagero a um observador, inferir que a inter conectividade dos mercados ultrapassa as políticas internas monetárias, fazendo com que a blindagem econômica dos demais países pobres acabam sendo um minimizador na contenção das turbulência internacionais, que ainda insistem na pouca regulação financeira e na pouca participação do Estado na economia, fazendo com que o debate sobre a discussão neoliberal, seja paga pelos pobres do mundo e pelos pobres contribuintes dos países ricos.

Fernando Rizzolo

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Ao lado do velho córrego, ele chorava como uma criança

Ainda me lembro bem daquele sábado, era uma tarde quente, e eu como que tivesse uma alegria estranha, com uma corda na mão, tentava laçar meu cavalo para caminhar pelas estradas de Potuverá, um bairro rural de Itapecerica da Serra, interior, hoje, periferia de São Paulo. Aquilo para mim naquela época, em 1973, era uma aventura. Eu estudava Direito em São Paulo, e quando chegava sexta-feira, sentia o cheiro do mato das florestas, dos riachos, do trilho de trem que rasgava Aldeinha passando por trás da nossa Fazenda. Mas naquela tarde, algo de estranho ocorreu; percebi que meu cavalo – sempre me avistava costumava correr em minha direção- Numa peleja dura e com muito custo, cheguei a laça-lo, e enfim, segurando -o firme como quem contava com um amigo, coloquei a sela e fui em direção ao centro da cidade pela antiga BR116, hoje, a Régis Bittencourt.

O caminho era sempre o mesmo, virava no ” Bar do vovô” e seguia a velha estrada até a cidade. Galopava com um vento no rosto, naquela estrada de terra dura, num cavalo que “socava” chamado ” amargoso”- mistura de amargo com “bardoso’. Foi quando observei num vilarejo uma voz de choro, um choro triste que chegava a doer na alma. Puxei a rédea, parei, observei e vi uma casa muito pobre, com umas galinhas ciscando, e ao lado da casa um córrego, com uma água verde que cheirava mal.

Mas o choro, o choro mesmo, vinha de trás da casa. Resolvi então descer e caminhar até lá. Logo que me aproximei da casa, uma velhinha com uns olhos azúis marejados me olhou com um olhar assustado, como quem precisava de ajuda. Perguntei: ” A senhora mora aí ?” “Moro, sim senhor “, respondeu meio encabulada.” Está tudo bem? Ouvi alguém chorando… “. Logo que ela percebeu que eu já tinha ouvido o choro me disse: ” Sabe que é, senhor, o irmãozinho dele morreu hoje pela manhã. Ele era muito apegado ao irmão, de tanto brincarem juntos no córrego, o irmãozinho ficou doente e morreu; quem disse foi o médico lá do Hospital. Olha senhor, ele não pára de chorar, está chorando o dia inteiro, ali atrás, perto da curva do córrego”.

Com o coração totalmente partido, caminhei em direção à curva do córrego e vi então uma cena muito triste: um rapaz agachado, encolhidinho, soluçando como uma criança. Tentei consolá-lo, mas era difícil, a perda do irmão doía no seu peito como uma faca rasgando seu tórax, perguntei “O que houve? ”
– Meu irmãozinho de seis anos morreu, ele dependia de mim, minha mãe morreu, meu pai sumiu, e nós vivíamos aqui com a minha avó. Sempre aos sábados brincávamos jogando bola ou empinando pipa ao lado desse córrego, mas não sabia que estava contaminado; o doutor disse que a infecção ele pegou aqui ”

Naquele momento, olhei para ele e percebi o que a miséria e as desventuras da vida fazem com as pessoas. Já naquele tempo não se investia em saneamento básico, e não se investia como ainda hoje não se investe, porque saneamento básico é obra que não aparece, não dá votos. E mais, hoje como antigamente, as pessoas continuam morrendo de infecções vindas da rua, dos córregos, dos riachos, pela negligência dos políticos que são bons, em época de eleição tocar ” aquelas musiquinhas irritantes “, com aqueles carros de som imundos. São os que eu chamo de velhos “políticos profissionais”, “espertos”, dotados daqueles “olhinhos” que não perdem um lance de oportunidade sequer, que prometem tudo; mas quando eleitos, fazem afinal o jogo dos prefeitos, que por sinal, detestam investir em saneamento básico, saúde pública e lixões.

Fiquei muito abalado com aquela cena, que até hoje a tenho na memória. O choro, o desespero a miséria, ainda estão vivos em mim, quando passo por lá, sempre lembro do garotinho que se foi, e o soluço de tristeza de seu irmão, que hoje é um conhecido comerciante no Embu. Há dois anos, o encontrei num supermercado, ele se lembrou de mim, do cavalo, dos momentos em que eu tentei consolá-lo. Disse a ele brincando que um dia ainda seria prefeito de Itapecerica da Serra. Ele olhou para mim, deu um sorriso, depois olhou para o chão e disse: ” Doutor, se um dia o senhor for prefeito, acabe com aquele riacho maldito, que ele ainda está infectado, matando as crianças e rindo de mim. Sempre que posso, ainda sento ao lado dele derramo minhas lágrimas, choro de saudade do meu irmãozinho; infelizmente ele se foi e não volta jamais “. Naquele momento senti que a alma daquela criança migrara para aquelas esferas em que todas as almas santas e injustiçadas se encontram. Não consigo imaginar o Eden sem aquele menino, inocente e vítima do descaso.

Fernando Rizzolo

Dedico este texto a todas às crianças da periferia de São Paulo que morrem ou morreram nas últimas décadas, face à falta de saneamento básico e abandono pelo Poder Público.

Lula diz que pacote dos EUA é injusto com pobres

BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva culpou os Estados Unidos pela crise financeira global e disse que o plano de resgate de 700 bilhões de dólares para socorrer Wall Street é injusto com as pessoas pobres de outros países do mundo.

O Congresso norte-americano acertou, na madrugada de domingo, as bases para o acordo de resgate destinado ao setor financeiro. A crise iniciada em Wall Street se espalhou para os mercados de todo o mundo.

“Eles querem ajudar os bancos e não querem ajudar os pobres”, disse Lula, na noite de sábado, durante comício do PT na cidade de Garulhos, na Grande São Paulo.

“Porque quando eles ganham é só deles, mas o prejuízo eles querem repartir com todos os países do mundo e com os mais pobres. Se eles brincaram com a economia deles, eles que resolvam e não deixem a crise chegar aqui”, acrescentou o presidente, de acordo com reportagem da Agência Brasil.

Lula disse ainda que os Estados Unidos têm a responsabilidade de resolver a crise de repercussão internacional que eles mesmos causaram.

“Se eles brincaram com a economia deles, eles que resolvam e não deixem a crise chegar aqui”, afirmou o presidente, acrescentando que o Brasil está em melhores condições para enfrentar a crise do que no passado por não depender tanto dos EUA.

“Antes, os Estados Unidos eram responsáveis por 30 por cento das nossas exportações, agora são 15 por cento. Começamos a vender para a América do Sul, Ásia, Europa, Oriente Médio, África”, disse.

A economia brasileira está crescendo mais de 5 por cento ao ano, mas deve diminuir para um crescimento por volta de 4 por cento no próximo ano. Empresas exportadoras brasileiras anunciaram na semana passada grandes perdas de derivativos devido à flutuação cambial causada pela crise financeira global.
Agência estado

Rizzolo: A realidade é que pacote americano é única solução plausível para resolver o problema causado pela falta de regulação do mercado financeiro americano. Em verdade a liberalização financeira, tão apregoada pelos neoliberais do mundo, desta vez está sendo questionada até pelos seus mais árduos defensores no passado. De fato que paga são os pobres, não só dos países em desenvolvimentos ou extremamente miseráveis, mas o contribuinte americano que também é um assalariado e sofrerá com o desemprego e um mercado mais retraído. É como sempre afirmo, a liberalização financeira possui um discurso em que o lucro não é compartilhado pelo Estado, mas os prejuízos estes sim. Os povos é que pagam.

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Charge do Henrique para o Tribuna da Imprensa

Lula fala sobre educação em evento no interior de SP

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve neste sábado em São Jose dos Campos, no Vale do Paraíba, no interior do Estado de São Paulo, falando para um público de 10 mil pessoas durante a campanha do deputado estadual Carlinhos Almeida (PT) a prefeito da cidade. Recheado com números sobre a educação no País – como o de 535 mil estudantes nas faculdades pelo PróUni – Lula dedicou a maior do tempo de um discurso de 33 minutos ao programa do governo que estimula as pessoas a cursarem faculdades e escolas técnicas.

O presidente criticou os tucanos e a gestão do PSDB na Presidência quando foi tirada a responsabilidade do governo federal de cuidar das escolas técnicas. “Nós revogamos esta lei. E por que eu, que não tenho diploma universitário, estou fazendo pelo Brasil do que os doutores fizeram?”. Lula ainda defendeu que o “pobre tem o direito de estar nas universidades federais”, informando a criação de 14 novas unidades federais para o ano que vem. “Quando eu assumi, eram 113 mil universitários nas faculdades federais. No ano que vem, serão 227 mil. O pobre tem o direito de virar doutor”, afirmou. Ele enfatizou ainda a formação universitária da mulher, dizendo que “a mulher formada conquista algo sagrado, que é a independência”.

Agêcia Estado

Rizzolo: A implementação de um programa de formação de escolas técnicas é de suma importância no Brasil. A medida que os investimentos aumentam, torna-se cada vez mais escasso o profissional técnico. Hoje já temos um déficit de engenheiros no País, contudo precisamos nos conscientizar que o técnico de nível médio é tão importante quanto os engenheiros. No Brasil a formação técnica nunca foi priorizada, as escolas técnicas tem com certeza ser de responsabilidade do governo federal, e nisso o presidente tem razão. Tenho me debatido muito sobre essa questão da educação, e ainda as poucas oportunidades que os pobres tem, de ter acesso à profissões como médico, engenheiro e outras. É uma tristeza ver jovens pobres, cujos sonhos em se tornarem médicos são ceifados pelo elitismo corporativista ainda enraizado no Brasil. Nosso País é grande está se desenvolvendo, e aquela antiga visão de que apenas aos ricos é dado o direito a ser ” doutor”, tem que ser varrido da nossa sociedade brasileira. Escrevi um texto sobre uma reflexão minha, baseado num fato vivenciado por mim. Leia: Desperdício de vocações e sonhos perdidos

Sonhos, Memórias e Falafel #

Cada vez mais os lugares, os espaços físicos tomam espaço no nossa memória; na verdade, o passado tem um efeito potencializador das nossas emoções vividas. Por mais das vezes, quando vivenciamos uma situação em determinado momento, principalmente as boas, não damos o devido valor aquele momento, e parece que ao relembrarmos, o cérebro os potencializa fazendo de nós reavalidores das nossas próprias emoções.

Passei toda minha vida- quando não afundado nos livros estava-, na Hebraica de São Paulo. Foi lá que cultivei meu melhores amigos, minha vida sentimental, sedimentei meus valores; ainda me lembro dos anos 70, quando ainda nem sequer havia a academia, eu rapaz franzino fazia ” musculação”, no ” Salão de Musculação” com outros amigos, dos quais hoje nem sei aonde estão. Mas uma lembrança em especial, é muito forte ainda e parece sempre presente nas minhas idas ao Clube: o Falavel do Habib. Ao lado do clube, nos anos 70 havia um árabe que estacionava seu carro na parte lateral do Clube e vendia Falafel. Ah! Mas era um verdadeiro faláfel, daqueles que você come e se lambuza, daqueles que escorre das suas mãos..

Ao sair do clube havia fila ao lado do carro do Habib, alí nunca houve conflito árabe israelense, tudo era alegre e banhado num molho que o Habib sabia fazer, alguns até os levava para casa. Mas os anos foram passando e o Habib sumiu, mas com certeza muitos ainda se lembram dele. Na Hebraica vi meus amigos se casarem, terem filhos, se divorciarem, mas ainda são os mesmos, muito embora não os encontro com frequencia, exceto nas Grandes Festas, quando enfim rezamos juntos.

Foi na Hebráica que aprendi a “esperar pelo livro novo” que tinha acabado de ter sido adquirido pela Biblioteca do Clube- uma das maiores do Brasil-. Toda a semana, um setor da biblioteca emprestava os novos livros para os sócios; mas tinha que chegar cedo, os leitores eram muitos, e a fila da reserva grande. O bom é que não se gastava em livro, tínhamos todos, e isso aguçava ainda mais minha vontade de ler. Bom tempos aqueles, Habib, livros, namoradas, musculação, piscina, rabinos na porta para colocar tefilin.

Hoje ainda frequento o clube, vou à biblioteca, aos concertos no Teatro Arthur Rubinstein , ao barbeiro; mas sempre ao caminhar, a cada metro quadrado, lembro dos meus bons momentos ali dentro vividos, e quando a passos largos caminho na pista de “cooper”, ao lado dos jovens, magros, fazendo dieta, olho para eles e tenho vontade de perguntar: Você já ouviu falar no falafel do Habib ? Contudo contenho o meu ímpeto, e continuo caminhando calado, bem ao lado do muro onde ele ficava. Mas fico quieto, afinal podem achar que sou mais um ” Meshugeneh” ( maluco). Falafel do Habib aqui ? O senhor está louco ?? Chamem o segurança !!!

Fernando Rizzolo

Tenham um sábado de paz e uma semana feliz !!

Emergentes correm risco de menor fluxo de capital, diz Morgan

HONG KONG – O pânico do setor bancário que devastou economias desenvolvidas pode causar uma queda de 25 por cento na entrada de capital em países emergentes, aumentando o risco de uma recessão global e mesmo de uma crise monetária, afirmaram estrategistas do Morgan Stanley nesta sexta-feira.

Fluxos de capitais para economias emergentes podem cair para cerca de 550 bilhões de dólares em 2009 ante uma estimativa de 730 bilhões de dólares este ano, reduzindo uma importante fonte de crescimento de países como Brasil e China, aposta Stephen Jen e Spyros Andreopoulos, em nota de pesquisa.

“Uma redução no ritmo de crescimento econômico global vai minar os fluxos de capital para mercados emergentes. Isso, acreditamos, é um grande risco para moedas de mercados emergentes”, afirmaram os analistas.

A maior parte do capital que vai para economias emergentes tem ido na forma de empréstimos, não de investimentos em portfólio, que somente representam 8 por cento do total de recursos.

Empréstimos de bancos e outras instituições correspondem a 57 por cento do fluxo líquido total do setor privado, enquanto o investimento estrangeiro direto representa 35 por cento.

Isso significa que as ondas de choque da implosão de Wall Street nas últimas semanas aceleraram um processo de redução de risco e o congelamento dos mercados abertos vai provavelmente ter um impacto direto nos fluxos de capitais aos mercados emergentes.

Como resultado, o crescimento das economias emergentes, um dos principais motores do crescimento global no ano passado, quase que certamente vai ser prejudicado. Isso poderia retardar o crescimento do Produto Interno Bruto global para abaixo dos 3 por cento, um nível que o Fundo Monetário Internacional considera como recessão.

Fluxos de capitais para mercados emergentes entraram em colapso cerca de uma década atrás depois da crise asiática e da moratória russa. Entretanto, os danos aos mercados emergentes podem ser maiores desta vez porque os fluxos de capitais a essas regiões cresceu muito nos últimos anos.

“O risco de uma crise ainda é baixo, mas está crescendo, em nossa opinião”, disse Jen e Andreopoulos.
Agência Estado

Rizzolo: Com certeza haverá um fluxo de capital bem menor, aliás já há um problema de captação de recursos no exterior, prova disso é a disponibilidade do governo brasileiro atuar via empréstimos, no mercado interno visando amenizar esta dificuldade de fluxo. Nossa economia está muito relacionada com as exportações de produtos primários constantes no elenco das chamadas ” commodities”, e evidentemente com uma retração nos emergentes, as exportações serão afetadas. Uma das saídas é desenvolver o mercado interno e diversificarmos as exportações modulando-as também aos produtos manufaturados, o que por sua vez também exige mais investimento. Só o tempo poderá quantificar os estragos da crise na economia brasileira.

Em crise com os EUA, Rússia promete se aproximar da Venezuela

ORENBURG, RÚSSIA – Os presidentes da Rússia, Dmitry Medvedev, e da Venezuela, Hugo Chávez, decidiram nesta sexta-feira preparar um acordo energético que vai aproximar Moscou do maior adversário atual dos EUA na América Latina.

O anti-EUA Chávez recentemente recebeu uma visita de aviões bombardeiros russos, e em novembro deve ocorrer no Caribe um exercício naval conjunto, primeira incursão marítima russa nas Américas desde o fim da Guerra Fria.

A aproximação entre os dois países acontece num momento em que os russos também vêm tendo atritos com os EUA, especialmente depois de invadirem a Geórgia, em agosto, o que provocou duras críticas de Washington.

Nesta semana, Moscou anunciou um empréstimo de 1 bilhão de dólares a Caracas para a compra de armas e equipamentos militares russos.

Sob o olhar de Medvedev e Chávez, representantes das estatais de gás e petróleo Gazprom e PDVSA firmaram um memorando de entendimento, enquanto os respectivos ministros de Energia formalizaram o início da preparação de um pacto de cooperação energética.

“Estimado presidente, querido Hugo, estou feliz por cumprimentar a delegação da nossa amiga Venezuela”, disse Medvedev, sorridente, ao abrir o encontro em Orenburg, no sul dos montes Urais.

“Esta dinâmica em nosso relacionamento aponta para a sólida fundação de nossos laços”, acrescentou. “Nossa cooperação é multifacetada e inclui laços econômicos e militares.”

Chávez manifestou “apoio total, modesto, embora firme” à intervenção militar da Rússia na Geórgia. Apesar disso, Caracas não seguiu o exemplo de Moscou em reconhecer a independência das repúblicas separatistas pró-russas da Abkházia e Ossétia do Sul, pivô da guerra de agosto, iniciada quando a Geórgia tentou reconquistar a segunda região à força.

“Sabemos como os pacíficos residentes da Ossétia do Sul foram atacados”, acrescentou o presidente venezuelano, que na noite de quinta-feira se encontrou com o influente primeiro-ministro Vladimir Putin e recebeu um aceno de ajuda russa para o desenvolvimento de usinas nucleares.

Chávez aproveitou o cenário de um exercício militar conjunto entre Rússia e Cazaquistão para se encontrar com Medvedev, a quem se dirigiu como “presidente e amigo”.

Ele agradeceu o dirigente por enviar neste mês dois bombardeiros TU-160, e não perdeu a chance de cutucar Washington. “Embora alguém no norte do nosso continente tenha dito que esses eram aviões obsoletos, ficamos satisfeitos com esses aparelhos”, disse Chávez.

A Rússia negou que tenha enviado aviões e navios para provocar os EUA, mas o fato é que tais decisões foram anunciadas logo depois de Medvedev se queixar da presença de embarcações dos EUA no mar Negro, tradicional “quintal” naval russo.
Agência Estado

Rizzolo: É lógico que a Rússia quer se vingar dos EUA por sua interferência na Geórgia fazendo uso de Hugo Chavez, mas não é apenas uma vingança, é uma estratégia visando sua influência na América Latina. Por trás da Rússia está o Irã, a China e a Coréia do Norte que a reboque querem instalar bases físicas e ideológicas no continente latino-americano. Fico extremamente preocupado com o Brasil, pela sua condição militar, política, e ideológica. O que observamos no governo petista é uma postura conivente com os países alinhados com essa turma. Observem a postura do governo em relação a Rafael Correa. Lula se considera um ” irmão mais velho”, a esquerda aplaude o enfrentamento dos EUA com a Rússia bombardeando aqui a Quarta Frota, e o pior tudo chancelado por Lula, que até outro dia queria ” explicações do governo americano”, mas em relação às manobras russas fica bem calado, como se com eles, ” tudo bem”.

Todas estas questões, é claro, não passam pelo povo pobre do Brasil, que nem sequer lê jornais, e tampouco sabem das questões internacionais e suas implicações. O Brasil precisa de uma vez por todas, abandonar esse discurso anti americano alinhado pela Venezuela, até porque num conflito desarmado estamos, face ao sucateamento das nossas Forças Armadas, e teríamos sim que nos socorrer ao nosso velho aliado. É uma pena eu ser por minhas opiniões, ” escorraçado” pela esquerda, e pelos petistas do mal, só eu sei os emails que recebo. Mas o que me anima é que muitos mas muitos brasileiros, compartilham das minhas idéias e do meu ponto de vista, que passam pelo bom senso, equilíbrio, e patriotismo. Sou apenas um advogado que amo a democracia.

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Charge do M. Aurélio para o Zero Hora

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Mulheres dos EUA são as que mandam em casa, diz estudo

WASHINGTON – As mulheres dos Estados Unidos tomam a maioria das decisões sobre as finanças do lar, as atividades do fim de semana e os programas de televisão, segundo um estudo divulgado nesta quinta-feira, 25, pelo centro Pew.

“Dizem que este é um mundo dos homens, mas, na família típica dos Estados Unidos, a mulher veste as calças”, diz o estudo.

Em termos gerais, o estudo – baseado em uma enquete feita com 2.250 pessoas (entre elas 1.260 casadas) – determinou que 43% dos entrevistados percebem que as mulheres são as que tomam mais decisões no lar, e 26% acreditam que são os homens que mandam.

Entre os entrevistados, 31% opinaram que homens e mulheres compartilham por igual a tomada de decisões.

O estudo se concentrou em quatro áreas: o descanso do fim de semana, as compras importantes no lar, as finanças e o controle remoto da televisão.

De acordo com o estudo do centro Pew, os homens de 43% dos casais entrevistados não têm a última palavra em nenhuma dessas áreas: compartilham a tomada de decisões com a mulher ou cedem à decisão de suas companheiras.

Só em 33% dos casais a mulher não toma as decisões em alguma das quatro áreas.

No total, apenas 8% dos casais indicaram que tomavam decisões de comum acordo nas quatro áreas

Agência Estado

Rizzolo: Só nos EUA ? Do ponto de vista pessoal, isso indica que há muito vivo em território americano e não sabia. ( risos..) Um amigo meu costuma dizer que ” Quando você chega em casa de madrugada e sua mulher nem reclama, é porque já é tarde demais ” Realmente os homens gostam de uma mulher participativa e companheira, e não há como se relacionar sem esses dois atributos. Eu acredito muito no senso de percepção e intuição feminina, por esta razão as mulheres a cada dia avançam mais em alguns segmentos do mercado de trabalho, haja vista a quantidade de gerentes mulheres nas instituições bancárias. Parabéns às mulheres !! Só uma observação: ” o pior casamento é o que dá certo ” cuidado ! ( risos..)

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