Opositores explodem gasoduto boliviano que abastece o Brasil

LA PAZ – A companhia petrolífera estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) informou nesta quarta-feira, 10, que um “atentado terrorista” atribuído a manifestantes opositores ao governo do presidente Evo Morales provocou destruição em um gasoduto, forçando um corte de 10% no fornecimento de gás que o país envia ao Brasil. O duto, que extrai gás de vários campos na região, está localizando na região de Chaco, no sul do país, segundo a agência Reuters. Sua reparação irá demorar cerca de 20 dias e as perdas totais superam US$ 100 milhões, declarou o presidente da YPFB, Santos Ramirez.

Segundo ele, 3 milhões de metros cúbicos de gás deixarão de ser fornecidos ao País – diariamente, a empresa enviava 31 milhões de metros cúbicos. Ramirez explicou que a válvula do gasoduto, localizado a cerca de 50 quilômetros da cidade de Yacuiba, na fronteira com a Argentina, foi danificada por manifestantes antigovernamentais, que tentaram fechá-la violentamente.

De acordo com o jornal argentino Âmbito Financiero, os opositores ainda cortaram o fornecimento de gás para a Argentina. No entanto, o Ministério de Minas e Energia brasileiro negou que a redução de gás tenha ocorrido, dizendo que o recebimento diário continua próximo do nível normal de 31 milhões de centímetros cúbicos. São Paulo é altamente dependente do gás boliviano, e a Petrobrás é a maior investidora externa na Bolívia.

Há mais de uma semana grupos opositores de Evo estão organizando ações como ocupações de estradas, invasões de edifícios públicos e tomadas de postos da fronteira com o Brasil, a Argentina e o Paraguai em cinco departamentos opositores – Santa Cruz, Tarija, Beni, Chuquisaca e Pando.

Além disso, no sul da Bolívia, grupos radicais também ocuparam na madrugada desta quarta, perto da localidade de Villamontes, uma fábrica de envasilhamento de gás liqüefeito de petróleo em bujões.
Os grupos opositores, entre eles uma pessoa disfarçada de militar, atacaram dois soldados que guardavam o local, os desarmaram e invadiram a instalação para causar a suspensão de suas atividades, mostraram os canais de televisão locais.

O objetivo dos manifestantes é protestar contra o projeto de uma nova Constituição, aprovado por parlamentares governistas em novembro, que Evo pretende referendar em votação em dezembro. Os manifestantes exigem ainda a restituição de parcela do imposto sobre gás e petróleo, que era repassada para os governos, mas foi confiscada pelo governo para financiar uma pensão nacional para idosos.

O ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, anunciou que, a partir desta quarta, será disponibilizada uma “maior presença” militar nas instalações petrolíferas para evitar “os atentados criminosos” nessa região produtora de hidrocarbonetos. Também disse que os atentados e a onda de protestos da oposição buscam “sepultar a nacionalização” decretada por Evo em 2006, “levar pela frente o governo e derrubar a democracia.”

Os protestos abrem mais um capítulo da disputa entre o governo Evo e a oposição regional. Eleito em 2005 prometendo refundar a Bolívia, Evo teve seu mandato ratificado no referendo revogatório de agosto com 67% dos votos e agora quer acelerar suas reformas. A oposição resiste e exige que o governo reconheça os estatutos autonômicos aprovados em consultas populares em quatro departamentos.
Agência Estado

Rizzolo: A situação política da Bolívia está se complicando, os opositores do regime de Evo não aceitam o populismo “à la Chavez” para legitimar o projeto de uma nova Constituição, aprovado por parlamentares governistas em novembro, que Evo pretende referendar em votação em dezembro. É claro que este não é o caminho, dessa forma a direita se desmoraliza. Não há como admitir qualquer tipo de manifestação terrorista quer seja de direita ou de esquerda.

É bem verdade que Evo Morales tem abusado da paciência daqueles que defendem a ordem e a democracia, mas nada justifica atos desse tipo. É como sempre digo, o final de todo populismo é trágico, as identitificações ideológicas, as demonstrações de solidariedade latino americana com essa esquerda sem limites leva com certeza a extremismos irresponsáveis como este. Logo surgirão aqueles que dirão que os EUA é que estão patrocinando essa bagunça, que isso é obra do ” imperialismo” e que o índio Morales é uma vítima. Olha nessa bagunça generalizada não existe vítima e sim culpados.

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