Emergentes correm risco de menor fluxo de capital, diz Morgan

HONG KONG – O pânico do setor bancário que devastou economias desenvolvidas pode causar uma queda de 25 por cento na entrada de capital em países emergentes, aumentando o risco de uma recessão global e mesmo de uma crise monetária, afirmaram estrategistas do Morgan Stanley nesta sexta-feira.

Fluxos de capitais para economias emergentes podem cair para cerca de 550 bilhões de dólares em 2009 ante uma estimativa de 730 bilhões de dólares este ano, reduzindo uma importante fonte de crescimento de países como Brasil e China, aposta Stephen Jen e Spyros Andreopoulos, em nota de pesquisa.

“Uma redução no ritmo de crescimento econômico global vai minar os fluxos de capital para mercados emergentes. Isso, acreditamos, é um grande risco para moedas de mercados emergentes”, afirmaram os analistas.

A maior parte do capital que vai para economias emergentes tem ido na forma de empréstimos, não de investimentos em portfólio, que somente representam 8 por cento do total de recursos.

Empréstimos de bancos e outras instituições correspondem a 57 por cento do fluxo líquido total do setor privado, enquanto o investimento estrangeiro direto representa 35 por cento.

Isso significa que as ondas de choque da implosão de Wall Street nas últimas semanas aceleraram um processo de redução de risco e o congelamento dos mercados abertos vai provavelmente ter um impacto direto nos fluxos de capitais aos mercados emergentes.

Como resultado, o crescimento das economias emergentes, um dos principais motores do crescimento global no ano passado, quase que certamente vai ser prejudicado. Isso poderia retardar o crescimento do Produto Interno Bruto global para abaixo dos 3 por cento, um nível que o Fundo Monetário Internacional considera como recessão.

Fluxos de capitais para mercados emergentes entraram em colapso cerca de uma década atrás depois da crise asiática e da moratória russa. Entretanto, os danos aos mercados emergentes podem ser maiores desta vez porque os fluxos de capitais a essas regiões cresceu muito nos últimos anos.

“O risco de uma crise ainda é baixo, mas está crescendo, em nossa opinião”, disse Jen e Andreopoulos.
Agência Estado

Rizzolo: Com certeza haverá um fluxo de capital bem menor, aliás já há um problema de captação de recursos no exterior, prova disso é a disponibilidade do governo brasileiro atuar via empréstimos, no mercado interno visando amenizar esta dificuldade de fluxo. Nossa economia está muito relacionada com as exportações de produtos primários constantes no elenco das chamadas ” commodities”, e evidentemente com uma retração nos emergentes, as exportações serão afetadas. Uma das saídas é desenvolver o mercado interno e diversificarmos as exportações modulando-as também aos produtos manufaturados, o que por sua vez também exige mais investimento. Só o tempo poderá quantificar os estragos da crise na economia brasileira.

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