Crédito para exportador cai pela metade após piora da crise

SÃO PAULO – O Banco Central (BC) divulgou nesta quarta-feira, 1, dados que mostram uma forte redução do volume de Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC) após o fim de semana de derrocada do banco de investimento Lehman Brothers. Essa linha de crédito é usada para financiar a produção de boa parte das empresas que vendem ao exterior. A média diária de contratos desse tipo fechados nas duas semanas seguintes à piora da crise foi 51,7% menor que a registrada na primeira quinzena do mês.

Os dados revelam que os empréstimos para as empresas que vendem ao exterior estão mais difíceis, com juros maiores e prazos menores. A combinação faz com que bancos emprestem cada vez menos.

O levantamento do BC mostra que a média diária de contratos de ACC entre 15 e 26 de setembro foi de US$ 164,9 milhões. A cifra é 51,77% menor que a média de US$ 342 milhões verificada nas duas primeiras semanas do mês, entre os dias 1º e 12. A mudança de patamar dos números coincide com a última tentativa de socorro ao Lehman Brothers e a piora do cenário global que ocorreu exatamente no fim de semana entre os dois períodos, entre os dias 13 e 14 de setembro.

O pior dia do mês foi a segunda-feira, dia 22, em que apenas US$ 117 milhões em contratos de ACC foram fechados. O melhor dia foi a quarta-feira, 10, quando contratos somaram US$ 457 milhões.

Além de mais difícil e caro, o prazo das operações de ACC caiu. Em agosto, o estoque dos empréstimos para exportação tinha, na média, 130 dias, número que tem oscilado pouco nas últimas semanas. Há poucos meses, em abril, o prazo era maior: estava em 141 dias.

Agência Estado

Rizzolo: Muito embora o presidente Lula negue que seu governo esteja preparando um pacote de medidas para amenizar os efeitos da crise financeira internacional no Brasil, entendo que seria sim interessante não só um pacote de medidas, mas uma visão mais acentuada da gravidade da situação, principalmente no que diz respeito as linhas de créditos usadas para financiar a produção das empresas que vendem ao exterior.

Desde o início da crise este blog vem alertando em relação às dificuldades que as empresas terão ao Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC). Com efeito o governo deve elaborar um ” socorro” urgente a essa captação. Existe um receio político por parte do governo em não enxergar a realidade dos fatos, no meu ponto de vista, um receio que beira a imprudência.

Hoje, além da questão americana, existe o componente europeu da crise. Os bancos europeus têm uma alavancagem gigante e são imensos. Além disso, os políticos são muito confusos e as questões não são tratadas de forma organizada. Alguns bancos grandes ficaram muito maior que o país onde estão instalados. No Brasil, da forma em que as coisas caminham, haverá um aperto no crédito muito forte, que deve reduzir muito o crescimento econômico.

O maior risco agora são os possíveis problemas com os bancos europeus. “Politicamente lá as coisas são muito mais lentas, muito mais complicadas. Lá os bancos têm uma alavancagem gigante e são imensos. Além disso, os políticos são muito mais atrapalhados e as questões não são tratadas de forma organizada. Alguns bancos grandes ficaram muito maior que o país onde estão instalados”,

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