Crise já mexe com mercado de emprego no mundo todo

São Paulo – A crise, que começou no mercado imobiliário norte-americano, atingiu o mercado financeiro e reduziu a oferta de crédito no mundo, chegou de vez à economia real. As empresas já anunciam corte de vagas de trabalho e investimentos. Em breve, haverá queda da renda. Com este cenário, não há mais dúvidas de que o mundo passará por um período de recessão.

No Brasil, o consenso é que a economia vai desacelerar. Para muitos setores, esta realidade já começou. O mercado automotivo e imobiliário dão os primeiros sinais. A Cyrela Brazil Realty, por exemplo, admitiu nesta sexta-feira que fará demissões no quarto trimestre para reduzir despesas administrativas.

“Assim que fizermos (as demissões) vamos informar a magnitude ao mercado”, disse hoje o diretor de Relações com Investidores da companhia, Luis Largman, em teleconferência com analistas e investidores. No terceiro trimestre, as despesas gerais e administrativas da Cyrela cresceram 96,2%, para R$ 58,8 milhões, na comparação com o mesmo período do ano passado.

As novas demissões vão abranger a Seller, empresa de vendas da Cyrela. “A Seller é um pilar importante para a Cyrela, mas se vai vender menos, também vai reduzir pessoal”, disse o presidente da Cyrela, Elie Horn. A Cyrela reduziu sua previsão de Valor Global de Vendas (VGV) de lançamentos para 2008 para a faixa de R$ 5,25 bilhões a R$ 5,6 bilhões, ante estimativa anterior de R$ 7 bilhões. A meta de vendas caiu de R$ 5,5 bilhões para entre R$ 4,675 bilhões e R$ 4,95 bilhões. Para 2009, as projeções estão sendo revistas.

As mudanças na Cyrela abrangem também a redução do prazo de pagamento dos imóveis aos compradores. “Estamos oferecendo menos prazo ao mercado em razão da crise, até que isso passe”, disse o presidente da companhia. No caso da Living, braço da Cyrela para a baixa renda, o valor a ser pago até a entrega das chaves aumentou de 20% para 25%, de acordo com Horn. Nas unidades com preço até R$ 350 mil a empresa está buscando mais repasses dos clientes para os bancos. “Acima da faixa do SFH (Sistema Financeiro da Habitação) nada mudou”, acrescentou Largman.

Vale já sente crise

Outra empresa que já sente efetivamente o cenário pessimista que há vários meses impera no exterior é a Vale. O diretor-executivo de Finanças da mineradora, Fábio Barbosa, na primeira apresentação da companhia para investidores em Londres, admitiu que a empresa não esperava um ajuste tão rápido na demanda por aço na China, o que afeta diretamente o mercado da Vale.

“Não antecipamos a gravidade da crise.” Segundo o diretor, até setembro o mercado chinês operava dentro da normalidade, tanto que os embarques foram recordes nesse mês e a companhia ainda tentava conseguir novo reajuste de preços, confiando na força da demanda.

A Vale começou a perceber que a situação tinha se alterado em outubro, conforme Barbosa. A estratégia de nova elevação dos valores na China foi abandonada e, além disso, a empresa retirou o acréscimo de 12% que já havia sido acertado com japoneses e coreanos, como revelou recentemente. Barbosa lembrou que 51% do consumo de aço na China vem do setor de construção, muito abalado atualmente pela escassez de crédito. “O cenário de curto prazo não é bonito, para dizer o mínimo.”

Bancos internacionais

No cenário internacional, a crise já provoca estragos maiores. O Citigroup começou uma nova rodada de demissões e está aumentando as taxas de juros para os clientes de cartões de crédito, numa tentativa de melhorar a rentabilidade da companhia, de acordo com o Wall Street Journal.

Nesta semana, o Citigroup cortará pelo menos 10 mil funcionários de seu banco de investimentos e de outros setores da companhia em todo o mundo, segundo fontes. Pandit, instruiu os executivos da empresa a diminuir em pelo menos 25% os gastos com salários.

Nos últimos quatro trimestres, o Citigroup demitiu 23 mil pessoas, enxugando o quadro de funcionários para 352 mil até 30 de setembro. O corte anunciado recentemente foi o maior até o momento. De acordo com uma fonte, o objetivo é reduzir o número de empregados do Citigroup para 290 mil até o ano que vem.

Na Europa, o Royal Bank of Scotland (RBS) planeja cortar três mil empregos em seus segmentos de mercados e atividades bancárias globais, informou a BBC, nesta sexta-feira. O banco, que emprega cerca de 170 mil pessoas, das quais 100 mil no Reino Unido, não falou diretamente sobre os cortes. “Nós constantemente revemos nosso modelo operacional para ter certeza de que ele é apropriado para as condições do mercado” De acordo com a BBC, os cortes ocorrerão durante as próxima semanas.

Carros e tecnologia

A Nissan Motor informou nesta sexta que estenderá os planos de cortar a produção de automóveis em meio à desaceleração dos gastos do consumidor, reduzindo a produção no Japão em 72 mil veículos a partir de dezembro. A terceira maior montadora japonesa em vendas disse que o corte significará a perda de 500 empregos de curto prazo nas operações japonesas em 2009.

Na área da informática, a Sun Microsystems informou nesta sexta que cortará entre 5 mil e 6 mil empregos. A crise econômica aumentou os problemas enfrentados pela companhia devido à fraca demanda por computadores sofisticados. A Sun informou que o corte de empregos representa de 15 a 18 por cento de sua força de trabalho e faz parte de um plano mais amplo de reestruturação, que pretende economizar entre 700 milhões e 800 milhões de dólares.

A empresa espera registrar um total de gastos em uma faixa entre 500 milhões e 600 milhões de dólares nos próximos 12 meses, em linha com o plano de reestruturação, que também inclui o realinhamento de sua divisão de software.

A Nokia também se pronunciou nesta sexta e afirmou que prevê queda nos volumes da indústria em 2009. As possíveis demissões não foram citadas diretamente, mas a empresa comentou a desaceleração das principais economias do mundo. A maior fabricante de celulares do mundo afirmou que o mercado de telefonia móvel deve ser mais fraco do que o esperado no quarto trimestre por causa da crise econômica e que deve recuar mais em 2009.

Agência Estado

Rizzolo:
Tenho observado que a realidade no enfrentamento da crise é unanimidade em todo o mundo. Observo também aqui na Europa, um realismo maduro, apolítico, pró ativo. Contudo no Brasil, seguindo o raciocínio folclórico entusiasta do governo, poucas são as empresas que assumem publicamente como a Cyrela a situação real do mercado. Por vezes podemos inferir que o empresário brasileiro pouco aculturado, não assume a tremenda crise financeira brasileira, por receio de piorar a situação, è o tipo do raciocínio pequeno e que tem por objetivo encorajar o consumidor a entrar ” numa fria”.

O próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou hoje ” que a recessão no mundo já está dada, mas não no Brasil”. Ora, todos sabem que já vivemos um período recessivo, os dados acima não mentem, o índice de inadimplência do consumidor brasileiro avançou 7,5% de janeiro a outubro na comparação com o mesmo período de 2007, informou hoje a Serasa. A alta do Indicador de Inadimplência Pessoa Física em outubro alcançou 6,9% na comparação com mês equivalente de 2007, enquanto em relação a setembro o avanço representou 4,9%. A crise atingiu em cheio alguns segmentos, principalmente o imobiliário, investimento de pouca liquidez e altíssimo risco no momento.

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