Mulher tira a blusa para entrar em agência bancária em Jundiaí

Empregada doméstica de 44 anos considera que foi barrada por ser negra.

Ela só entrou na sexta tentativa, depois de tirar a roupa
A empregada doméstica Doralice Muniz Barreto, de 44 anos, conta que teve de tirar a blusa para passar pela porta giratória da agência do Banco do Brasil no Centro de Jundiaí, cidade localizada a 58 km de São Paulo. “Me senti humilhada, arrasada, acabada, uma ninguém”, afirmou.

Ela contou ao G1 na tarde desta sexta-feira (6) que vai procurar um advogado na próxima semana para processar o banco e pedir uma indenização por danos morais. Toda a cena foi gravada pelo celular de outra cliente, Cleide Aparecida dos Santos Silva. Em nota, o Banco do Brasil informou que segue as normas institucionais

A empregada doméstica considera que foi discriminada por ser negra, uma vez que outros clientes brancos passaram tranquilamente pela porta. A Polícia Militar foi chamada por um advogado, cliente do banco, e lavrou um termo circunstanciado.

Mãe de cinco filhos e avó de quatro netos, Doralice chegou à agência por volta das 15h10 de quarta-feira (6) para descontar seu cheque-salário de aproximadamente R$ 700. Quando tentou entrar pela primeira vez, a porta travou.

Doralice tirou o relógio e duas chaves do bolso e depositou no
porta-objetos, mas nada adiantou. Ela também esvaziou a bolsa que carregadva a tiracolo, colocando todos os objetos à vista, sem sucesso. De acordo com ela, o segurança permaneceu dizendo que havia objetos de metal com ela. Ela ainda tentou entrar na agência outras quatro vezes.

Desesperada, Doralice pediu ao segurança que chamasse o gerente, mas o vigia avisou que o gerente estava ocupado. “Disse para ele: ‘eu não tenho mais nada. A única coisa que eu posso fazer agora é tirar a roupa’. E ele me disse: ‘problema seu'”, conta Doralice.

Diante da resposta do vigilante, a empregada tirou a blusa e a porta imediatamente destravou. “Eu fiquei tão nervosa que ia tirar a roupa toda, mas não deu tempo”, disse ela.

A mulher conta que cerca de 50 clientes estavam dentro do banco no momento em que a cena aconteceu. “Depois da raiva, me senti humilhada e com vergonha. Chorei muito e estou chorando até agora”, disse ela.

A costureira Cleide Aparecida conta que estava no banco com a filha, a dona de casa Érica Cristina dos Santos, que filmou toda a cena com seu celular. “Se ela me chamar eu vou ser testemunha a favor dela. Tinha um advogado lá no banco que também aceitou defendê-la. Eu fiquei indignada. Como pode uma pessoa ser impedida de entrar no banco com todo mundo olhando. Foi só ela tirar a blusa que deixaram entrar”, afirmou.

Cleide afirma que filmou para não depender apenas da palavra. “Filmei porque se a pessoa vai na delegacia e conta o que aconteceu, ainda são capazes de dizer que é mentira”, afirmou.

Doralice contou que, assim como Cleide, todos os clientes se mostraram solidários. Na intenção de ajudar, um advogado que passava pelo estabelecimento chegou a propor ao segurança que levasse a empregada para algum lugar seguro por onde ela pudesse entrar sem oferecer risco. “Ele disse que se eu tivesse alguma coisa perigosa os guardas poderiam chamar a polícia”, conta ela. Outros clientes aconselharam Doralice a quebrar a porta.

Funcionários parados

Ela afirma ainda que nenhum dos funcionários se mostrou solidário a ela. “Todo mundo que estava sentado naquelas mesas fingiu que não estava acontecendo nada.”

Questionado sobre o caso, o Banco do Brasil divulgou a seguinte nota: “O Banco do Brasil segue as normas institucionais, entre elas, a portaria 387 da Polícia Federal que em seu artigo 62 diz que o banco é obrigatório ter vigilante, alarme e um item de segurança, que pode ser portal com detector de metais ou outro item que retarde a ação dos criminosos. O objetivo é garantir a segurança dos clientes.”

Marido de Doralice, o aposentado e vendedor Augusto Zara ficou preplexo. “Eu vou falar o que? Além de revoltante, isso mostra que essas pessoas são muito mal preparadas. Isso deveria servir para mostrar que o banco é nosso”, afirmou.

No ano passado, a atriz Solange Couto também acusou um banco de constrangimento. Ela disse que teve de ficar de calcinha na porta de uma agência no Rio depois de ser barrada quatro vezes na porta giratória.
Globo

Rizzolo: Olha há muito tempo esta questão de “segurança bancária” obedecendo as “normas institucionais”, ou, “a portaria 387 da Polícia Federal que em seu artigo 62″, tem servido muito mais para constranger a população pobre do que na segurança propriamente dita. Não podemos mais aceitar que diante de inúmeras pessoas, determinado sistema ou segurança ” implique” com pessoas negras, pobres, mal vestidas, e que as vejam como “suspeita”.

Já não bastasse os juros exorbitantes, os ” spreads”, as tarifas, ainda temos que nos dar por notícias como esta. É imperiosa a necessidade de encontrarmos solução para este problema, diariamente o constrangimento deste tipo, atinge milhares de pessoas no Brasil. No Brasil dos lucros monumentais dos bancos dos juros mais altos do planeta, dá aos banqueiros o direito de também cometer os maiores constrangimentos ao povo brasileiro. Que mude as “normas institucionais”, ora!

2 Respostas to “Mulher tira a blusa para entrar em agência bancária em Jundiaí”

  1. Marcos Grama Says:

    Boa Noite Rizollo.

    Infelizmente os brasileiros passam por certas cituações lamentaveis no decorrer do cotidiano.Não só essa,mas tantas outras que não dá para contar.Caso a Senhora Doralice Muniz Barreto entre com uma Ação contra o Banco do Brasil,vale ressaltar que não só cabe uma ação “penal baseada no Art.44,CP”,como disse a advogada Gabriela Zara de Barros,como também Configura um ferimento aos preceitos constitucionais dispostos no Art 5º de nossa constituição,o que ,quase nunca,ou parcialmente, é respeitado em nossa sociedade.Tais cituações que nós (brasileiros) passamos são lamentaveis.Agora vamos ver se algúm “reprasentante” de nosso “Estado Demográfico ou Democrático,Demotráfico ,Demotrágico “,sei lá…; tira o PÔPÔ da cadeira e tome alguma atitude.

    Grande Rizzolo,

    Gosto de ler seu blog,mas nunca comentei.Achei que hoje eu deveria comentar e o fíz.

    Um grande abraço

    Marcos.

  2. Marcos Says:

    Axo um absurdo uma pessoa de bem passar por uma humilhação dessa,como essa empregada domestica que com certeza não é facil pra ganhar seu salario e vai em um banco sacar o dinheiro e é barrada pela porta giratoria como se fosse uma ladrona…O mecanismo dessas portas de bancos tem que ser mudadas,pq os seguranças nas maiorias das veses barra a entrada de pessoas…e nenhum ser humano tem capacidade de decirnir se tem ou não objetos metalicos…Nessa situação tem que haver justiça e processar msm esse banco por danos morais…e to torcendo pela vitoria dela na justiça


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