E que tudo mais vá pro inverno – Coluna Carlos Brickmann

Coluna de quarta-feira, 15 de julho

Os trabalhos do Congresso estão se encerrando. A partir de amanhã, nem os assessores caxias que têm o estranho hábito de trabalhar estarão por lá. Faz frio em julho. Como pedir que Suas Excelências fiquem tiritando?

CPI da Petrobras? Pode gerar crises. Mas quem sabe como estará a situação a partir de agosto? Até agosto, com o frio que faz, o clima político também deve estar menos quente. Anulação de mais de 600 atos secretos? Já foi assinada, mas fica para depois, que ninguém é de ferro.

A anulação dos atos secretos, a propósito, tem tudo para gerar enorme confusão. As pessoas que trabalharam, mas cuja nomeação não vale (porque não foi publicada), serão afastadas sem indenização? Mas como indenizá-las, se não foram legalmente nomeadas? Esquecer o passado, vá lá; mas, no caso, é um problema presente, que pode terminar na Justiça.

E a CPI da Petrobras? Pode transformar-se numa bomba: uma empresa deste tamanho dificilmente deixará de ter segredos que funcionários descontentes terão prazer em revelar – e isso na melhor das hipóteses. Mas pode ser apenas um traque: uma empresa deste tamanho opera no Brasil inteiro, interfere em múltiplas atividades, é útil a políticos de todos os partidos. E uma oposição como a nossa, que teve suas chances no Mensalão, na CPI dos Correios, no caso VarigLog, e não aproveitou nenhuma, não chega a ser nenhum centro-avante rompedor. É esperar para ver. E esperar sentado.

Quando setembro chegar

O projeto que concede aos aposentados reajuste igual ao do salário mínimo (apresentado pelo senador gaúcho Paulo Paim, do PT), também ficou para mais tarde. O Governo quer evitar este gasto. Comenta-se que a votação ocorrerá em agosto, mas setembro é uma data bem mais provável.

Força, Alencar!

O vice-presidente José Alencar, se tudo correr normalmente, deve deixar o hospital nesta semana. Mas, por ordem médica, só irá a Brasília alguns dias depois, quando tirar os pontos. Alencar foi operado em São Paulo, no Hospital Sírio-Libanês, para extrair um tumor que lhe obstruía o intestino.

Gente, que garra tem este homem! E ele nunca é visto sem um sorriso.

Serra em campanha

O silêncio do governador paulista José Serra sobre sua candidatura à Presidência terminou ontem. Em resposta a críticas sobre o que se considerou supervalorização do prêmio que recebeu de uma ONG associada à ONU, disse em seu nome a assessora Júnia Nogueira de Sá: “(…) não é prática do governador ostentar títulos que não tem. Primeiro, porque não seria ético. Segundo, porque seu currículo dispensa maquiagens.” Foi um ataque direto à ministra Dilma Rousseff, sua possível adversária em 2010, cujo currículo tinha sido enriquecido com títulos de que não dispunha.

Dilma em campanha

A ministra Dilma Rousseff, candidata do PT, também está em plena campanha. Ainda ontem, em Palmeira dos Índios, Alagoas, o presidente Lula disse que “vai trabalhar para fazer sua sucessora”. Dilma estava no palanque, ao lado de Lula e de outros aliados, como o senador Fernando Collor de Mello, do PTB de Alagoas, e do ministro Geddel Vieira Lima, do PMDB baiano. Houve gritos de apoio a Dilma e Lula corrigiu rapidamente, para não parecer que violava a lei eleitoral: “Sucessora ou sucessor”.

Boa notícia

O juiz federal Jatir Pietroforte Lopes Vargas, da 1º Vara Federal de Jales, SP, condenou André Luís Ferreira a um ano e oito meses de prisão, em regime semi-aberto, por roubar senhas bancárias. Ele instalava um equipamento especial (o “chupacabras”) em caixas automáticas, e gravava as senhas dos clientes. Mas a boa notícia não é a sentença: é a rapidez com que foi dada. Saiu pouco mais de três meses após a prisão, dois meses depois da apresentação da denúncia. Juiz e promotor se esforçaram para que a Justiça, em sua área de atuação, seja rápida – e provaram que isso é possível.

Moça imoral

A jornalista Lubna Ahmed Al-Hussein está presa no Sudão por usar “roupas indecentes” – ou seja, calças compridas. Se condenada, Lubna estará sujeita à pena, executada em praça pública, de 40 chibatadas. Não seria o primeiro caso: a lei islâmica é imposta mesmo aos cristãos, que formam boa parte da população. Uma jovem cristã, Cecília Holland, por não usar um lenço na cabeça, levou 40 chibatadas. No caso de Lubna, o desafio é maior: ela convidou a imprensa internacional para assistir ao julgamento.

Só daqui a mil anos

Atenção: às quatro horas, cinco minutos e seis segundos do dia 7 de agosto, hora e data serão 04:05:06 – 07/08/09. Outra sequência igual só ocorrerá no inverno de 3009 – até lá, espera-se, aqueles problemas que o Congresso vem empurrando com a barriga poderão estar resolvidos.

Carlos Brickmann

Uma resposta to “E que tudo mais vá pro inverno – Coluna Carlos Brickmann”

  1. Eliseu Says:

    Dilma em campanha: Acho que o presidente Lula vai primeiro ensinar a ministra Dilma a falar e/ou solicitar um fonoaudiólogo para ela antes de elege-la a sucessorA à presidencia da república.
    Serra em campanha: Desde quando é necessário diploma de alguma coisa para fazer um bom governo?
    “Não somente o conhecimento, mas o acúmulo de experiencias e diversividade de vivencias proporciona uma visão ampla e definida dos problemas do povo a fim de governa-lo” — Elias —


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