Como não dizia o poeta – Coluna Carlos Brickmann

Collor odiava Lula que odiava Renan que amava Collor que odiava Sarney que amava Pedro Simon que amava Lula que odiava Sarney que já tinha amado Delfim que não amava nem odiava ninguém, nem mesmo Suplicy que falava mal de todo mundo (bem devagar) e os outros não aguentavam ouvi-lo sobre seu tema único, e ele ainda nem cantava Bob Dylan. Lula foi para a Presidência da República, Renan foi para a base aliada, Collor virou lulista desde criancinha, Suplicy continua falando (devagar) de seu tema único e cantando Bob Dylan, Sarney foi para a Presidência do Senado e luta pela sobrevivência política, quase todos viajaram por conta do Tesouro, Delfim se transformou em conselheiro das mais diversas tendências políticas, o gaúcho bravo Pedro Simon ficou com medo de Collor porque o olhou com raiva, quem sabe não estaria querendo dar um tiro nele? E um jovem militar bonitão conquistou o coração de Ideli, que não tinha entrado na história.

Estas frases se inspiram num belíssimo poema de Carlos Drummond de Andrade, um clássico da literatura brasileira. O nome do poema é “Quadrilha”.

A volta do que não foi

A propósito, Delúbio Soares (“nosso Delúbio”, como o chamava o presidente Lula) retorna em grande estilo. O antigo tesoureiro do PT, expulso por causa do Mensalão, lançou na quinta, em São Paulo, a revista “Companheiro Delúbio” e o blogdelubio.com.br/blog. Delúbio quer voltar ao PT. Já recebeu emissários que lhe pediram para esperar as eleições, para evitar explorações políticas. Mas Delúbio não quer esperar: quer ser candidato a alguma coisa já em 2010.

Cipó de aroeira

Há uma operação de risco em curso no Senado: um levantamento das doações de campanha a José Sarney, para cruzá-lo com a atuação do senador em assuntos de interesse dos doadores. O problema é que os doadores não são entidades de beneficência: esperam que os eleitos acompanhem seus casos com interesse. Se a porteira for aberta, é preciso lembrar que por onde passa um boi passa a boiada.

O mundo gira

Em 1949, os intelectuais de esquerda achavam que o comunismo salvaria a China. Em 1955, estes mesmos intelectuais, preocupados com a denúncia dos crimes de Stalin na União Soviética, achavam que a China de Mao Tsé-tung salvaria o comunismo. Em 1979, o primeiro-ministro Deng Xiaoping concluiu que somente reformas no sistema de produção, com introdução de princípios capitalistas, salvariam a China. Hoje, é a China que está salvando o capitalismo.

Cuidado, titia!

Mais um caso com a agência de viagens Tia Augusta, especializada em excursões à Disneyworld (foi uma de suas passageiras que morreu durante o voo de volta ao Brasil). Agora o problema ocorreu com uma garota de 15 anos, amiga de um leitor desta coluna: por causa de um overbooking (venda de mais lugares que os disponíveis), a garota, mais seis outras da mesma idade que participavam da excursão, ficaram retidas nos EUA. No dia seguinte, mandaram o grupo para Atlanta, de lá para Nova York, e daí, enfim, de volta. Isso com o grupo formado, permitindo o planejamento total da viagem. E o respeito aos passageiros, titia?

Veja, mamãe: sem piloto!

A Polícia Federal está testando um avião sem piloto, com controle remoto, para uso em áreas de conflito e combate ao narcotráfico. É como se fosse um grande aeromodelo, mas de alta capacidade: voa a dez mil metros, pode ficar dois dias no ar sem reabastecimento, e tem capacidade para 250 kg de armamento. O aparelho é construído pela IAI, Israel Aerospace Industry, e vendido por uma empresa de capital misto brasileiro-israelense, a EAE, por preço não divulgado.

Questão presidencial

O Supremo Tribunal Federal autorizou a extradição do coronel uruguaio Manuel Cordero Piacentini para a Argentina, onde é acusado de sequestros e de cooperação com polícias clandestinas de outras ditaduras, no âmbito da Operação Condor. Mas a extradição não é automática: precisa ser concedida pelo presidente Lula. É um teste interessante – especialmente porque há um caso semelhante, de Césare Battisti, cuja extradição é pedida pela Itália, por acusação de assassínio. O Governo não quer extraditar Battisti. O STF ainda não se manifestou.

O preço da saúde

Raul Zampol Jr., assíduo leitor desta coluna, protesta contra o possível aumento dos planos de saúde por causa da gripe suína. “Os planos reclamam dos custos, mas é só abrir revistas e jornais, é só ligar a TV, para ver anúncios caríssimos. E os patrocínios de clubes? Cadê as dificuldades? E tem mais: os planos não respeitam o Estatuto do Idoso, que não permite aumento por faixa de idade acima de 65 anos”. O leitor tem toda a razão. E a elevação dos preços, à medida que o segurado envelhece, é como uma multa pelo atrevimento de continuar vivo. Uma dúvida: por que não fazer um estudo atuarial para igualar as faixas, de maneira a que os mais jovens paguem um pouco mais (só um pouco, já que ao longo dos anos isso será muito) e se mantenha o preço para os mais idosos?

Carlos Brickmann é Jornalista, consultor de comunicação. Foi colunista, editor-chefe e editor responsável da Folha da Tarde; diretor de telejornalismo da Rede Bandeirantes (prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte, APCA, em 78 e 79, pelo Jornal da Bandeirantes e pelo programa de entrevistas Encontro com a Imprensa); repórter especial, editor de Economia, editor de Internacional da Folha de S.Paulo; secretário de Redação e editor da Revista Visão; repórter especial, editor de Internacional, de Política e de Nacional do Jornal da Tarde.

Uma resposta to “Como não dizia o poeta – Coluna Carlos Brickmann”

  1. Luciane A. Vieira Says:

    No final da ditadura militar (mais ou menos entre os anos de 1983 e 1984…) surgiu uma música, a qual nunca consegui descobrir quem a canta, quem a compôs e nem como a conseguiram colocar na mídia.
    A letra era a seguinte:
    “AINDA NÃO É DESTA VEZ QUE EU VOU VOTAR
    TEM GENTE QUE FOI ESCALADA PRA VOTAR POR MIM…
    SOU ELEITOR PREPARADO PRA ARGUMENTAR
    SE DIGO QUE NÃO TÔ QUERENDO, AFINAL, DIZER SIM…
    A ELEIÇÃO DESTA VEZ VAI FICAR TUDO EM CASA
    POIS O MÁRIO MALUF É PARENTE DO PAULO ANDREAZZA
    QUE POR SUA VEZ É CASADO COM IVETE CHAVES
    QUE É TIA DE UM AFILHADO DO AURELIANO…
    AURELIANO MONTORO É ‘CUMPÁDI DOS HOMI’
    JÁ FOI DIRETOR DE HARMONIA DA NOSSA ESCOLA…
    E O LEONEL FIGUEIREDO FEZ UM SAMBA ENREDO
    EM HOMENAGEM A SEU TIO: MAGALHÃES BRIZOLLA…
    PORÉM ELES TODOS NÃO SABEM QUE O FIM DESTA HISTÓRIA
    VAI SER SURPRESA GERAL NESTE CÉU VARONIL…
    QUEM VENCERÁ A ELEIÇÃO É O RONALD REAGAN:
    O DEPUTADO MAIS VOTADO DO BRASIL…
    Ô Ô Ô Ô…
    Ô Ô Ô Ô Ô…
    RONALD REAGAN NA SURDINA JÁ GANHOU….
    Ô Ô Ô Ô…
    Ô Ô Ô Ô Ô…
    ELE É MINEIRO DE UBERLÂNDIA, ‘SIM SINHÔ!'”

    Muito sintomático eu me lembrar desta música tão pouco tocada na época, mas que me vem á lembrança não bem pelos políticos militares daquele tempo, mas sim pelos políticos corruptos de hoje em dia…
    Conseguindo fazer uma salada de nomes ‘da hora’ com nossos atuais políticos, sairá uma miscelânia muito mais interessante do que esta que copiei acima…
    Interessante como tudo muda… exceto a demagogia dos políticos que grassam pelo país de 1984 pra cá…
    Vou cometer um plágio de uma frase usada por Vinícius de Morais em uma de suas músicas… “É… OS POLÍTICOS SÃO ESTRANHOS… MUITO ESTRANHOS…”
    Luciane.


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