O Brasil fora da lei – Coluna Carlos Brickmann

Coluna de domingo, 18 de outubro

Legalmente, não estamos em campanha eleitoral. Legalmente, fazer campanha nesta época é crime eleitoral. Na prática, a campanha eleitoral se faz abertamente. E outra ilegalidade, campanha com dinheiro público, ocorre ao mesmo tempo. Tribunais? Ministério Público? Até agora, quedam-se em silêncio.

A visita do presidente Lula às obras de transposição do rio São Francisco, levando a tiracolo dois possíveis candidatos – Dilma Rousseff, plano A, e Ciro Gomes, plano B – é campanha eleitoral. A promessa da ministra Dilma, de construir mais domicílios, a fiéis que transportavam miniaturas de casas na procissão do Círio de Nazaré, é campanha eleitoral. A massacrante propaganda da Petrobras, Redenção Suprema do Povo Brasileiro, é campanha eleitoral. E fora da lei.

Os aliados do presidente Lula não estão sozinhos na prática de ilegalidades. O discurso de José Serra, o mais provável candidato do PSDB à Presidência, na Basílica de Aparecida, no Dia da Padroeira, procurava ensinar aos fiéis as virtudes do bom governante. A Sabesp, estatal paulista de saneamento básico, fez campanha nacional pela TV – e, no entanto, só atua em São Paulo. E é dinheiro público que promove festas como a do sanfoneiro Dominguinhos, ao lado de quem o governador Serra, como se fosse Suplicy, pôs-se a cantar.

Este colunista acha que campanha não deveria ter datas marcadas. Quem quisesse começar cedo que gastasse seu dinheiro e ficasse ao sol e ao sereno. Mas a lei existe para ser cumprida. E os encarregados de defendê-la, por onde andam?

Cinema para todos

O filme “Lula – o filho do Brasil” entra em cartaz em 1º de janeiro do ano eleitoral, bem antes do início legal da campanha. A verba de propaganda do filme é de R$ 4 milhões. Além disso, do esforço de massificação do filme participam sindicatos, centrais, os chamados movimentos populares, todo o aparato lulista.

Bola em jogo

O PSDB diz que vai representar à Justiça Eleitoral contra o PT, por campanha antecipada. Talvez seja só bravata: é o roto falando do esfarrapado. E para ir à Justiça entregar a representação é preciso descer do muro. Como isso cansa!

Nós e eles

João Reis Santana (PMDB-Bahia), secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional, falava num auditório com ar-condicionado sobre a transposição do rio São Francisco, enquanto os trabalhadores da obra e suas famílias aguardavam de fora, sob os 35 graus do sol do sertão baiano. Quando alguém lhe fez sinal para encerrar, depois de 50 minutos de exposição, Santana reagiu: “Não estou preocupado. Quem manda é o presidente Lula. O resto que se exploda”.

Meia nota

O presidente nacional do PMDB, Michel Temer, fechou o que chama de “pré-acordo” para apoiar a candidatura petista de Dilma Rousseff. Temer deve cumprir sua parte: o tempo de TV, por exemplo. Mas não tem como entregar boa parte da legenda. Em Minas, o PMDB tende a fechar com o PSDB: em São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Pernambuco, o PMDB já apoia o PSDB. No Paraná, o governador Roberto Requião decidiu lutar por candidatura própria. Pode acabar apoiando Dilma, mas isso é apenas uma possibilidade.

As cuecas do senador

A melhor definição da cena constrangedora ocorrida no Senado, do senador Eduardo Suplicy (PT de São Paulo) desfilando de terno e cuecas vermelhas para o Pânico na TV, a pedido da comediante Sabrina Sato, saiu no blog de Josias de Souza:

“O homem não é senão um ridículo em recesso, esperando para acontecer”.

Injustiça

Muitas críticas ao Senado por ter aprovado proposições equivalentes à metade das aprovadas pela Câmara. Grande injustiça: o antigo governador mineiro Hélio Garcia, que passou boa parte do mandato em sua fazenda, costumava dizer que cada resolução que ele não assinava representava economia para a população.

Tudo pelo social

Aprenda, caro leitor, aprenda: as paredes de três metros de altura, de aço, concreto e policarbonato à prova de bala, que a Prefeitura do Rio começa agora a construir para separar as favelas das vias expressas, não são muros. São, conforme explica o prefeito Eduardo Paes, do PMDB carioca, “barreiras acústicas”. E têm como objetivo, sempre segundo Sua Excelência, proteger as favelas do barulho do trânsito. Deve ser maravilhoso poder contar com autoridades tão preocupadas com o bem-estar da população mais carente!

Coxa de fora

O lendário negociador Eduardo Rocha Azevedo, Coxa, que foi presidente da Bolsa paulista e fundador da Bolsa Mercantil e de Futuros, BMF, vendeu sua corretora Convenção à Tullett Prebon Plc, especializada em renda fixa e derivativos. Coxa teve duelos memoráveis com adversários do porte de Naji Nahas, levou sua corretora, em 35 anos, ao grupo das cinco maiores do Brasil, e só não deu certo na carreira política, quando pensou em ser deputado federal.

Uma resposta to “O Brasil fora da lei – Coluna Carlos Brickmann”

  1. Eliseu Says:

    “enquanto os trabalhadores da obra e suas famílias aguardavam de fora, sob os 35 graus do sol do sertão baiano” O que você sugeria? Que eles instalassem arcondicionados para o povo também ?

    “O homem não é senão um ridículo em recesso, esperando para acontecer”.
    Acho muito mais ridículos o zé-povinho que levou essa fulana desse tal de programa ridículo a tal posição, apenas por ter belas pernas e coxas. Povo patético.
    E ainda não sei o que ela faz no interior das instalações governamentais, onde deveria ser um local de trabalho sério.Falta de decoro é permitirem o acesso dela naquele local e ainda quase pelada. Eis a DEMOCRACIA que vocês pediram.


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