Recuperação brasileira é gradual, mas consistente, diz Meirelles

LONDRES – O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que a recuperação da economia brasileira tem sido gradual, mas é consistente. Para uma plateia de cerca de 150 pessoas na Universidade de Oxford, na Inglaterra, ele avaliou que as medidas adotadas durante a crise para injetar liquidez nos mercados financeiros funcionaram e possibilitaram a retomada, com a criação de empregos e a recuperação das vendas de veículos, que devem ser recorde neste ano.

Conforme Meirelles, o desempenho brasileiro está trazendo de volta a teoria do descolamento, que havia sido demolida após o colapso do Lehman Brothers, em setembro do ano passado. Ele lembrou que alguns setores, como as vendas no varejo, não chegaram a ser afetados, pela sustentação fornecida pela demanda doméstica. “A crise foi muito menos severa no Brasil, durou três meses.”

O presidente do BC explicou o processo de estabilização econômica em curso no Brasil desde 1999 e os sistemas de responsabilidade fiscal e metas de inflação, que permitiram a solidificação dos fundamentos e uma posição favorável em meio à crise internacional. “No passado, (a crise) teria sido um desastre”, disse.

Para Meirelles, a atual situação do Brasil torna algumas vantagens do País mais evidentes neste momento, como a democracia já estabelecida, as garantias para os investimentos privados, a estabilidade das regras e a liberdade de imprensa.

Ele avalia, no entanto, que há desafios importantes, como estimular a formalização dos negócios, melhorar as condições sociais, manter a responsabilidade fiscal e monetária e administrar o papel de exportador de commodities, especialmente com o desenvolvimento dos grandes campos de petróleo.

Meirelles citou que as principais fontes de entrada de recursos no País hoje são os investimentos externos diretos e o mercado de ações. Meirelles faz neste momento palestra na Universidade de Oxford, durante evento do Global Economic Governance Program 2009-10.
agencia estado

Rizzolo: Meirelles só não comentou a errada política macroeconômica onde as elevadas taxas de juros fazem com o fluxo de dólares aumente forçando uma valorização do real e inviabilizando as exportações de manufaturados, onde quem mais sofre é o pequeno e médio exportador. Impostos como IOF, mesmo que mais elevado não são suficientes para barrar o fluxo de dólares de caráter especulativo no país.

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