A Turma do Panetone – Coluna Carlos Brickmann

Coluna de quarta-feira, 2 de dezembro

Claro, todos têm o direito de defesa. O governador de Brasília, José Roberto Arruda, DEM, começou exercendo o seu ao explicar aquele dinheiro vivo com a magnífica história da compra de panetones. Mas, já reza o ditado, uma imagem vale mil palavras. Quantas palavras serão necessárias para compensar os vídeos?

O presidente Lula, com muita habilidade, lembrou que a legislação eleitoral praticamente obriga os políticos a trabalhar com dinheiro não-contabilizado. Atinge, simultaneamente, dois objetivos: retoma a discussão da reforma eleitoral e ajuda a manter Arruda no reino político dos mortos-vivos, enfraquecendo o DEM, o mais ruidoso dos partidos de oposição (e, por tabela, o candidato do PSDB, seja Aécio ou Serra, que têm como garantido o apoio do DEM).

Na área da lei eleitoral, Lula tem toda a razão. Um candidato a deputado estadual por São Paulo que não tenha nicho fixo de eleitores gastará no mínimo R$ 2 milhões na campanha (e receberá, em quatro anos de mandato, no máximo a metade disso). Ou se barateia a campanha ou sempre haverá uma explicação para a roubalheira – quer dizer, para o dinheiro não-contabilizado. Talvez haja candidatos que só buscam caixa 2 para a campanha; mas um número muito maior ficará com uma parte do que for arrecadado. E um grande contingente só se candidatará para buscar o caixa 2. De qualquer forma, todos estarão fora da lei. E os menos incorretos estarão ao lado dos que são simplesmente sem-vergonhas.

Quanto ao Feliz Natal da Turma do Panetone, será que alguém acredita neles?

Tutti-frutti

1 – Os meios de comunicação salientam negativamente a cena em que um integrante da Turma do Panetone coloca maços de dinheiro nas meias. Que injustiça! Onde é que Papai Noel põe os presentes das crianças bem-comportadas?

2 – Passando por tantas chaminés, como Papai Noel se manterá limpo?

3 – O governador José Roberto Arruda, numa ameaça explícita a seus companheiros de DEM, disse que se o partido radicalizar ele também radicalizará. Uma advertência importante: dizem que panetone faz muito mal quando azeda.

O país do “ão”

Tivemos o Mensalão tucano, em Minas; o Mensalão petista, nacional (e a turma está de volta, menos, por enquanto, Delúbio Soares). Agora, em Brasília, o Panetonão. Qual o problema com PSDB, PT e DEM que rima com “ão”?

Coincidência, claro

Saiu no Painel da Folha: “Comunicado do chefe de gabinete Gilberto Carvalho informa que, a partir de agora, os ministros não poderão usar nenhum equipamento eletrônico em audiências com o presidente. Os aparelhos devem ser deixados na portaria ou com ajudantes de ordem”. É justo: cavalheiros não gravam seus encontros. Mas que confiança comovente Lula tem nos seus ministros!

Pânico em Honduras

Os EUA anunciaram o reconhecimento do novo Governo hondurenho. Mas o presidente Lula diz que ele não reconhece nem as eleições. O terror se abate sobre o Governo eleito hondurenho: diante da ameaça de Lula, nem com discursos do senador Suplicy os novos dirigentes de Honduras conseguirão dormir à noite.

Unidos nos dividiremos

Não, ninguém jamais imaginou que o PMDB vá unido para as eleições presidenciais, por mais que tenha recebido cargos e agrados para apoiar a candidatura oficial. O PMDB costuma dividir-se, em cada eleição, até por uma questão de tática: ganhe quem ganhe, o partido estará no poder, como sócio da vitória. Já estava certo, por exemplo, o apoio das seções paulista, pernambucana e catarinense a José Serra (que também tem boas chances de ganhar o apoio gaúcho e do Mato Grosso do Sul, e vislumbra alguma oportunidade de atrair os baianos, liderados por Geddel Vieira Lima, ministro de Lula). Agora surge uma nova tendência: a do candidato próprio, que seria o governador paranaense Roberto Requião. Quércia, que apóia Serra, diz também apoiar Requião; e até Mangabeira Unger, que passou em um dia de inimigo a ministro de Lula, está com Requião.

Um dia depois do outro

Mas tudo é PMDB. Orestes Quércia hostilizou Serra e seu grupo, que por isso saíram do PMDB e fundaram o PSDB; hoje estão aliados. Quércia e Requião tiveram uma briga histórica, em que Requião chegou a criar um Disque-Quércia destinado a receber denúncias, e Quércia apelidou Requião de Maria Louca, “às vezes mais Louca do que Maria, às vezes mais Maria do que Louca”.

Destino marcado

O engenheiro-agrônomo e cafeicultor Antônio Carlos de Oliveira Martins, com fazendas em São Paulo e Minas, está a caminho da Presidência da Cooperativa de Produtos de Guaxupé, a Cooxupé, a maior do mundo no setor, com movimento anual de algumas centenas de milhões de dólares. Martins tem o apoio da família do lendário Isaac Ferreira Leite, presidente da Cooxupé por muitos anos, responsável pelo crescimento seguro e incessante da cooperativa; e repete seu caminho, ao receber da Assembléia Legislativa de Minas, como Isaac Ferreira Leite há muitos anos, a Medalha da Ordem do Mérito.

Carlos Brickmann é Jornalista, consultor de comunicação. Foi colunista, editor-chefe e editor responsável da Folha da Tarde; diretor de telejornalismo da Rede Bandeirantes (prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte, APCA, em 78 e 79, pelo Jornal da Bandeirantes e pelo programa de entrevistas Encontro com a Imprensa); repórter especial, editor de Economia, editor de Internacional da Folha de S.Paulo; secretário de Redação e editor da Revista Visão; repórter especial, editor de Internacional, de Política e de Nacional do Jornal da Tarde.

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