Senado aprova ingresso da Venezuela no Mercosul

BRASÍLIA – Orientada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a base aliada enfrentou resignada os discursos da oposição contra governo do presidente venezuelano Hugo Chávez, mas na hora do voto exerceu o poder de maioria e aprovou, na noite desta terça-feira, 15, por 35 votos a 27, o protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul.

Para participar do bloco, no entanto, a Venezuela ainda precisa do aval do parlamento do Paraguai, que deixou as discussões para 2010, quando o Brasil estiver dado o assunto por encerrado. Embora o presidente paraguaio, Fernando Lugo, seja próximo ao governo venezuelano, ele não tem maioria no parlamento daquele país. Argentina e Uruguai já aprovaram o protocolo.

A aprovação do texto cumpre promessa do presidente Lula, feita, no último dia 8, durante a 38ª Reunião de Cúpula do Mercosul, ao presidente venezuelano de que o Senado iria aprovar o protocolo, assinado em junho de 2006, em Caracas.

“Tanto o Itamaraty quanto o presidente Lula vivem ambos prisioneiros do que Hugo Chávez determina”, criticou Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). “O coronel Hugo Chávez é um autoritário, um inimigo da liberdade. Aqueles com quem ele não pretende trabalhar são afastados e perseguidos”, completou o senador pernambucano.

“Tratar Hugo Chávez como caudilho e ditador é uma imprecisão, porque ele foi eleito duas vezes com reconhecimento da oposição e da Organização dos Estados Americanos (OEA). O Brasil não pode temer Hugo Chávez”, defendeu o petista João Pedro (AM), um dos únicos senadores do governo a subir à tribuna para defender o protocolo.

A votação do protocolo já se arrastava por três anos e meio no parlamento brasileiro. As discussões do projeto colocaram o presidente Venezuela em rota de colisão com os parlamentares brasileiros. Em 2007, Chávez chegou a dizer, em viagem a Manaus, que o Congresso brasileiro repetia “como papagaio o que dizem em Washington”, provocando a ira de setores da oposição brasileira. Era uma resposta à moção aprovada no Senado que pedia a reabertura da RCTV, emissora privada que não teve a renovação autorizada pelo presidente venezuelano.

Tempos depois, Chávez disse que se o protocolo não fosse aprovado até setembro daquele ano, 2007, retiraria o pedido de adesão ao Mercosul, o que repercutiu mal até mesmo com Lula. “Se não quiser ficar, não fica”, desafiou o presidente. José Sarney (PMDB-AP) disse, à época, que Hugo Chávez não estava pronto para participar do bloco e afirmou que o presidente venezuelano poderia comandar uma corrida armamentista na América do Sul, o que seria, segundo o senador “o desequilíbrio estratégico do continente”. Durante a votação de ontem, Sarney, na presidência do Senado, não fez considerações sobre o projeto.

Precedente X balança comercial

Em resposta, à pressão do presidente da Venezuela a oposição atrapalhou as votações em todas as instâncias da Câmara e do Senado. Na última comissão na qual foi discutida, de Relações Exteriores do Senado, a oposição aproveitou o fato de ter a presidência do colegiado para colocar a relatoria do protocolo sob cuidados do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

“Na Venezuela, jornalistas estão na prisão, os servidores públicos são obrigados a filiarem-se ao partido oficial, há presos políticos. Estamos abrindo precedente perigosíssimo. Além disso, em todas as disputas políticas a Venezuela atuou contra o Brasil”, defendeu Tasso Jereissati no relatório contrário à adesão do país ao bloco comercial.

Coube ao líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), rebater Jereissati em relatório paralelo aprovado na comissão em 29 de outubro último. “Não ampliamos a democracia isolando ninguém. Se existem problemas, e eu reconheço que existem problemas, o remédio é integração, abertura, intermediação internacional”, retrucou Jucá.

Números informados pelo senador Romero Jucá afirmam que as exportações brasileiras para a Venezuela passaram de US$ 608 milhões para US$ 5,15 bilhões entre 2003 e 2008 – crescimento de 758 % em cinco anos. Hoje, o Brasil tem com a Venezuela seu maior saldo comercial: US$ 4,6 bilhões dólares, valor 2,5 vezes superior ao obtido com os EUA, US$ 1,8 bilhão.

Rizzolo: Não há como deixar de integrar a Venezuela no Mercosul. O discurso da oposição é vazio e mistura conteúdo político com econômico. Na integração comercial entre os países do Mercosul, não podemos deixar com que os as posturas de cunho ideológico se sobreponham aos interesses da nação, aliás a integração da Veneuela no Mercosul beneficiará os Estados do nordeste, hoje a Venezuela é o nosso sétimo parceiro comercial.

Mercado interno sustentará economia, diz ministro

BRASÍLIA – O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Miguel Jorge, disse hoje que a economia continuará sendo sustentada em 2010 pelo mercado interno. Segundo ele, haverá uma melhora nas exportações, mas a recuperação nos mercados compradores não será suficiente para gerar um comércio internacional forte.

Jorge lembrou que o Brasil já exportou a um câmbio mais valorizado que o atual, mas a diferença, agora, é que o mercado não está comprando. Por isso, de acordo com o ministro, o cambio não é o principal problema para as exportações brasileiras. Ele avaliou que as medidas anunciadas na semana passada, pelo Ministério da Fazenda, “estão de bom tamanho”.

Segundo Miguel Jorge, o mercado interno vai se normalizar em 2010, com a recuperação da economia. Ao ser questionado se as medidas prometidas para ajudar o setor exportador estariam encerradas, Miguel Jorge disse que não. O ministro disse que o governo teve que fazer, neste momento, uma “escolha de Sofia”, ao decidir entre ajudar o mercado interno, que está forte, ou as exportações, que não tinham muita saída.

“Tivemos que resolver um para depois ajudar o outro”, afirmou. Ele lembrou que o mercado interno responde por 87% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto as exportações correspondem a 13% do PIB. “É óbvio que as primeiras medidas tinham que reforçar os 87%. A questão das exportações era muito difícil de resolver, porque não depende só de nós”, afirmou, referindo-se à situação do mercado internacional.

Preço do aço

O ministro disse ainda que, se houver um aumento no preço do aço nacional, o governo poderá propor à Câmara de Comércio Exterior (Camex) uma redução na alíquota do imposto de importação (II). Segundo ele, qualquer reajuste neste momento não tem justificativa.

As associações das indústrias consumidoras de aço têm alertado o governo para um possível reajuste de até 15% a partir de janeiro. O ministro disse que o governo vem acompanhando o preço do produto. “Se nós verificarmos que houve um aumento que não se justifica – e, por tudo o que se vê, não se justifica -, há possibilidade de reduzirmos a alíquota de importação do aço”, advertiu.
agencia estado

Rizzolo: Quem acompanha este Blog , sabe que sempre defendi a expansão do mercado interno. O grande problema é que com uma taxa de juros reais a este patamar, fica difícil implementarmos de forma sustentável, o nosso mercado interno que é de um enorme potencial. A grande saída para o Brasil, esta na dinâmica da implementação dos programas de transferência de renda, os quais emprestam de forma significativa um impulso ao desenvolvimento do mercado consumidor interno do Brasil. Com uma política mais ajustada do ponto de vista macroeconômico, estaremos mais próximos deste objetivo.

Aécio: PSDB deve ir além da aliança com DEM e PPS

RIO – O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, disse hoje que “o PSDB deve sair da comodidade de aliança com o DEM e o PPS, que é importante, mas talvez não seja suficiente para vencer as eleições”. Aécio afirmou que pode trabalhar pela aproximação com partidos como PSB, PDT, PP e com setores do PMDB e reiterou a decisão de esperar somente até o início de janeiro por uma definição dos tucanos sobre a candidatura à Presidência da República.

O governador reconheceu ter um prazo diferente do colega José Serra, governador de São Paulo, que quer adiar o anúncio do candidato tucano para o fim de março. Aécio informou que, por enquanto, mantém seu nome como possibilidade para disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e evitou falar em concorrer ao Senado. “No final de março as alianças que poderíamos construir já terão buscado outro caminho. Os ativos que eu poderia agregar à nossa candidatura terão buscado outras alianças. A partir de janeiro a contribuição que eu poderia dar se torna mais difícil”, disse o governador, depois de participar de um almoço na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

Programa de TV

Aécio criticou a estratégia do PT de fazer da eleição presidencial de 2010 uma disputa plebiscitária, com comparação entre a gestão do presidente Lula e de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso (PSDB). “O programa de TV do PT (que foi ao ar na semana passada) teve um viés um pouco perigoso ao querer dividir o País entre pobres e ricos, entre os que pensam no povo e os que são contra o povo. É uma falsa discussão”, afirmou o governador de Minas.

O tucano também criticou o governo federal por não reconhecer os avanços anteriores à eleição do presidente Lula. “Se um extraterrestre pousasse sua nave aqui ia achar que o Brasil foi descoberto em 2003 (primeiro ano do governo Lula) e que tudo foi feito de lá para cá”, brincou, durante discurso aos empresários.
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Rizzolo: Acho importante diferenciar o que é uma política voltada aos interesses financeiros, e outra voltada ao desenvolvimentismo. Por mais que o governador Aécio tente minimizar os efeitos políticos do PSDB no decorrer dos anos, fica difícil confrontar com a política de inclusão elaborada pelo PT. Observem que muitos da oposição sempre foram contrários ao Bolsa Família, e agora não possuem coragem para dizer que são contra, sem contar, evidentemente, com toda carga de privatismo contida no governo FHC, portanto, não há que se falar em injustiças eleitorais e sim de disposição política em investir no social. É simples e objetivo.

Cristina Kirchner é ameaçada de morte em transmissão de rádio

BUENOS AIRES – A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, recebeu ameaças de morte por uma frequência de rádio enquanto ia de helicóptero para o trabalho e o chefe de gabinete disse nesta segunda-feira, 14, que as ameaças foram levadas a sério.

As comunicações de rádio entre o piloto do helicóptero e a torre de controle foram interrompidas na sexta-feira por alguém que dizia “mate ela” e “mate a égua”, como frases obscenas, de acordo com uma gravação de áudio exibida no canal C5N de televisão. Por vários segundos, uma marcha militar é escutada como pano de fundo.

O chefe do gabinete, Aníbal Fernández, disse à estação 10 de rádio que as ameaças foram “muito sérias” e ainda estão sob investigação. Ele disse que o objetivo das ameaças era criar medo, “mas elas não conseguirão isso”.

O governo suspeita que partidários da ditadura militar argentina (1976-1983) podem estar por trás das ameaças. Elas foram feitas no mesmo dia de um julgamento histórico de 19 oficiais militares da época da ditadura, acusados de torturas milhares de presos políticos.

agencia estado

Rizzolo: Não existem provas de que são estas pessoas que a ameaçaram, mas a probabilidade é que tais ameaças tenham realmente vindo dos partidários da ditadura militar. No Brasil ainda prevalece o bom senso da interpretação da Lei de Anistia, uma lei ampla e irrestrita que, muito embora muitos não admitam, beneficiou ambos os lados. Fora isso são questões interpretativas que não valem a pena serem rediscutidas, vamos evoluir, crescer, e pensar no povo brasileiro.

Maioria dos piscinões de São Paulo está cheia de lixo

SÃO PAULO – Garrafas pets, restos de móveis, entulho e terra suja. Dez dos dezoito piscinões ao ar livre da capital paulista – o 19º piscinão, o do Pacaembu, na zona oeste, é subterrâneo – mais parecem lixões. Criados para amenizar os estragos de enchentes, como a que parou São Paulo na terça-feira, a maioria dos reservatórios da capital está em condições precárias de manutenção.

Quinta e sexta-feira da semana passada, a reportagem visitou os 19 piscinões e constatou que apenas oito estavam limpos. Com a cidade embaixo d água, na terça-feira passada, o prefeito Gilberto Kassab disse que os “piscinões estavam com a limpeza realizada adequadamente”.

Os moradores do Campo Limpo, zona sul, vizinhos do piscinão Jardim Maria Sampaio discordam. “Faz muito tempo que a Prefeitura não limpa isso aí. Basta olhar para os muros e ver a quantidade de lodo e garrafas pets. A sujeira junta ratos, baratas e mosquitos, que acabam indo para as casas”, afirma a vendedora Luzinete de Souza, de 26 anos.

Situação semelhante ocorre na Brasilândia, zona norte, no piscinão do Bananal. “É tanta sujeira que ninguém aguenta o cheiro. Pede para o prefeito vir aqui e ver se está limpo. Fora o matagal, que está cheio de ‘noias’ (usuários de drogas)”, diz o comerciante Antonio Padilha, de 57 anos, que mora próximo do reservatório.

Segundo a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, até outubro foram removidas 120 mil toneladas de lodo e lixo dos piscinões. No ano passado, até dezembro, foram 160 mil. O serviço é executado por empresas contratadas por meio de pregões, que são remuneradas de acordo com a quantidade retirada: em média R$ 70 por tonelada.

O coordenador de drenagem da secretaria, Domingos Gonçalves, defende que a sujeira flagrada pela reportagem é “normal”. “Ninguém vai encontrar um piscinão brilhando nesta época do ano, mas está tudo em ordem”, afirma. “Continuam recebendo água rapidamente e escoando aos poucos, que é a sua função.” As informações são do Jornal da Tarde.

Rizzolo: É, realmente a administração Kassab está problemática. Primeiro as alegações de não houve caos, agora a constatação da imundice nos piscinões. Não é possível que depois de tanto discurso, tanto marketing Kassab abandone a cidade dessa forma. No mesmo passo do mau gerenciamento, estão os aumentos do IPTU, etc. Só através de uma política séria visando combater as enchentes dessa cidade é que chegaremos à normalidade, enquanto existirem as afirmativas de que ” é normal, ou está tudo bem” não sairemos disso.

Charge do Junião para o Diário do Povo

Otimismo, o PIB e o Câmbio

Quando todos, já embalados pelo otimismo do governo, concordavam com o presidente que a crise econômica que assolou o país neste ano não passava de uma simples “marolinha”, a notícia sobre o aumento do PIB no terceiro trimestre intensificou ainda mais esse sentimento de otimismo no povo brasileiro, pois, de acordo com o governo, tal aumento deveria superar as expectativas. Contudo, segundo a revisão de dados do IBGE, foi apontada uma queda de 2,1%, em lugar de 1,8%, do PIB no primeiro trimestre e de 1,6%, em vez de 1,2%, no segundo, o que gerou uma frustração geral.

A primeira delas porque ficou comprovado que o empresariado, os economistas e os analistas se renderam muito mais aos impulsos otimistas da era Lula do que aos números reais da economia, os quais podem ser revistos de uma hora para outra e nos levar a uma triste realidade econômica. A segunda frustração – esta já tão contestada por parte de muitos empresários e especialistas – foi que as altas taxas de juros – o grande vilão da história – realmente contribuíram para o resultado obtido, freando o desenvolvimento do mercado interno e prejudicando nossa capacidade de exportação.

Muito embora o desempenho da nossa indústria tenha sido o mais forte entre os setores de produção (2,9% ou 12,1% anualizados), o triste resultado da agropecuária colaborou para o menor crescimento do PIB, em função da valorização do real, que está diretamente relacionado às altas taxas de juros reais, e da queda dos preços no mercado internacional, o que, de certa forma, potencializou o baixo desempenho desse importante setor.

Com efeito, o PIB de 2009 vai depender do resultado do quarto trimestre, mas com certeza será ligeiramente inferior a 1%. Diante desse quadro, só nos resta confirmar que a política macroeconômica que culminou com a valorização de 100,64% do real na era Lula, em função das altas taxas de juros, prejudicando o consumo interno e essencialmente as exportações, deverá ser revista. A pretensa acomodação e a argumentação de que mesmo com os juros no atual patamar a economia deslanchava de vento em popa caíram por terra.

Portanto, resta-nos agora não só rever os valores do PIB, mas também visualizarmos uma nova concepção monetária que priorize as exportações, principalmente as do setor agropecuário, setor este mais afetado, de maior risco e que sempre contou com diversos fatores do otimismo: o realismo, o fatalismo climático, as chuvas, o investimento de risco e a sorte. Otimismo em excesso e números reais que surgem da noite para o dia causam, da mesma forma, os efeitos devastadores a que os agricultores estão habituados: a perda da colheita ou a perda da esperança.

Fernando Rizzolo

As águas que fecham o ano – Coluna Carlos Brickmann

Coluna de domingo, 13 de dezembro

São Paulo tem enchentes todos os anos – enchentes pluripartidárias, com prefeito do PT, com prefeito do PP, com prefeitos do PSDB e do DEM. São Paulo não pode escapar das enchentes: a cidade só tem uma saída de água, ali onde o rio Pinheiros desemboca no Tietê, debaixo do Cebolão, um complexo de viadutos. São Paulo não deveria ter enchentes: bastaria seguir a lição dos portugueses que fundaram a cidade, que deixaram livres as várzeas e não mexeram nos rios.

Há muito que pode ser feito, e não é: jogar lixo nas ruas e nos rios é suicídio. Há alguns anos, este colunista assistiu à dragagem do rio Tietê e viu pilhas e pilhas de dois metros de altura de pneus usados; viu sofás, geladeiras, até carros depenados. E não há no mundo quem tenha orçamento para limpar os rios todos os anos. Jogar latas e garrafas de plástico nas ruas, para entupir os bueiros, é terrível; e com frequência a Prefeitura não cuida da limpeza como devia (embora o ideal fosse evitar esse lixo e o custo para retirá-lo). Derrubar árvores e cimentar canteiros é fácil: quem quer limpar as folhas da calçada? E as obras oficiais, qual delas inclui gramados e canteiros? O chão impermeável joga toda a chuva nos rios, imediatamente, sem que este fluxo seja retardado por qualquer plantinha.

Traduzindo, não é culpa dos atuais administradores, nem de seus antecessores. A enchente é culpa coletiva, que inclui o avanço da cidade sobre as várzeas dos rios, que inclui o aumento das áreas verdes. Mexer nisso é o caminho. Só que um caminho de quase 500 anos não se muda de uma hora para outra.

Eleições?

A coisa está esquisita: a candidata oficial demora a decolar, e mesmo assim o presidente Lula e o PT hostilizam seu maior aliado, o PMDB. Em circunstâncias normais, o PMDB já é um aliado difícil, com diversas alas que não dão a menor bola para a direção nacional; e, após as declarações do presidente Lula, de que Michel Temer na vice pode ser, pode não ser, que o melhor seria escolher três nomes para que Dilma escolhesse seu favorito, tudo ficou mais complicado.

Eleições mesmo?

Já havia problemas em São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Pernambuco, que preferem Serra e o PSDB; com o Paraná, que lançou o governador Roberto Requião à Presidência para ter melhores condições de negociar; com Bahia, Pará, Rio e Minas, onde o PMDB quer ir com Dilma mas exige o apoio do PT na luta pelo Governo estadual, e não consegue nada. Enquanto isso, Lula viaja, como se não houvesse eleições no ano que vem.

O que sai da boca

Não se impressione com o uso, pelo presidente Lula, da palavra “merda”. Do latim “merda, merdae”, não é sequer qualificada como chula pelo dicionário Aulete. “Merde” é o que respondeu Cambronne, general de Napoleão, quando foi intimado a render-se em Waterloo pelas tropas vitoriosas do Duque de Wellington. “Viva Chile, mierda!” é grito patriótico (como “Bolivia, carajo!” também o é). Mas, se Lula disse “merda”, não foi pensando nessas explicações: era o único jeito de sua viagem ao Maranhão não ser lembrada apenas pelo encontro com aquela família de quem sempre falou mal, pelo menos até aliar-se a ela.

Panetonão

Tudo muito bom, tudo muito bem, o governador brasiliense José Roberto Arruda se desfiliou do DEM e, portanto, não pode concorrer a cargo nenhum no ano que vem. Está sendo investigado de todos os lados – até a ex-mulher entrou na parada. Mas é preciso não esquecer que o PDT de Cristovam Buarque, o PMDB, o PV, o PSB, o PPS e o PSDB participavam do Governo. A equipe de Arruda foi herdada de Joaquim Roriz, hoje seu maior adversário (e tio de Tadeu Filipelli, que lhe tomou o PMDB para ficar com Arruda). Arruda ficou com o panetone, mas seus companheiros é que esperam ter um Próspero Ano Novo.

Questão de ocasião

Não, não vamos discutir o vasto reajuste que a Câmara dos Deputados deu a seus servidores (e que, apostem, será seguido pelo Senado). Não vamos discutir a criação de um setor de Marketing na Câmara Municipal paulistana. Não vamos discutir a presença de dois ministros do Tribunal de Contas da União, que devem fiscalizar o uso do dinheiro público, entre os 785 participantes da Comitiva da Alegria em Copenhague – destino turístico, diga-se, dos mais aprazíveis e caros.

Admitamos que é tudo supernecessário: pagar aos servidores de Suas Excelências mais que o salário dos deputados, posicionar mercadologicamente os vereadores paulistanos, levar ministros do Tribunal de Contas para uma reunião internacional sobre o clima. Mas há horas, como esta em que o panetone está assando, em que certas coisas não se fazem. É desrespeitoso. Esse pouco caso com os outros explica em boa parte por que quase todos são contra esse tipo de gente.

Questão de justiça

Pioneirismo: o livro-agenda Esporte com Arte, lançado ontem no Museu do Futebol, em São Paulo, é o primeiro a homenagear o centenário do Corinthians. O projeto, de Fred Rossi, juntou dois craques: o jornalista e dramaturgo Oswaldo Mendes, nos textos, mais Paulo Hardt, na direção de Arte. E é Corinthians.

Carlos Brickmann é Jornalista, consultor de comunicação. Foi colunista, editor-chefe e editor responsável da Folha da Tarde; diretor de telejornalismo da Rede Bandeirantes (prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte, APCA, em 78 e 79, pelo Jornal da Bandeirantes e pelo programa de entrevistas Encontro com a Imprensa); repórter especial, editor de Economia, editor de Internacional da Folha de S.Paulo; secretário de Redação e editor da Revista Visão; repórter especial, editor de Internacional, de Política e de Nacional do Jornal da Tarde.

O Verdadeiro Super-Homem

*Por Chana Weisberg

Christopher Reeve e George Reeves.

Dois homens, não relacionados, com sobrenomes quase idênticos.

Os dois morreram jovens, no auge de suas vidas; George com 45 anos e Christopher aos 52.

Ambos foram celebridades americanas que atingiram o estrelato pelas suas conquistas artísticas. Os dois desempenharam o papel do Super-Homem – George, na série original da TV dos anos 50, e Christopher, no estrondoso sucesso do cinema nas décadas de 70 e 80.

Olhando de relance, a vida dos dois parece semelhante. Porém cada qual tinha um sistema de crenças diferente, efetivamente mudando a direção de como eles levaram a vida – e como morreram.

Segundo o relatório do Departamento de Polícia de Los Angeles, nas últimas horas da noite de 16 de junho de 1959, George Reeves morreu baleado na cabeça no quarto de sua casa. Depoimentos de testemunhas e um exame da cena do crime levaram à conclusão de que a morte na verdade foi consequência de isolamento seguido de suicídio.

O relatório da polícia declara: “[Reeves estava]… deprimido porque não conseguiu ter o tipo de papéis que desejava.”

Christopher Reeve, por outro lado, teve sucesso como ator, diretor, produtor e roteirista.

Então a tragédia veio em 1995.

Após um acidente numa competição equestre, na qual foi jogado fora do cavalo, Reeve ficou quadriplégico. Ele precisou de uma cadeira de rodas e aparelhos para respirar pelo resto da vida, até sua morte em 2004, de ataque cardíaco.

Cinco dias após ter sido jogado de cabeça no chão, Reeves recuperou a consciência. O médico explicou que ele tinha destruído a primeira e a segunda vértebras cervicais. Após compreender que não apenas jamais caminharia novamente, mas também não poderia mover qualquer parte do corpo, Reeve considerou o suicídio.

Disse para sua esposa Dana: “Talvez devêssemos deixar que eu vá embora.”

Chorando, ela respondeu: “Vou dizer isto uma única vez: vou apoiar o que você quiser fazer, porque esta é a sua vida, e a decisão é sua. Porém quero que saiba que estarei com você para a longa corrida, não importa o que aconteça. Você ainda é você. E eu te amo.”

Reeve jamais pensou em suicídio novamente.

Em vez disso, ele passou por uma cirurgia e extensa reabilitação, forçando-se até seu limite nas sessões diárias de terapia. Uma vez estabilizado, mas ainda paralisado do pescoço para baixo, Reeve usou seu nome e status de clebridade em prol das pessoas com lesões na espinha e criou a Fundação Christopher Reeve, que tem doado dezenas de milhões de dólares para pesquisa e consegue melhorar a qualidade de vida de pessoas incapacitadas.

Reeve também abrilhantou as Para-Olimpíadas, narrou, dirigiu e produziu filmes, compareceu à Entrega do Oscar, fez uma viagem a Israel e discutiu o progresso da pesquisa em lesões da medula espinhal no Programa Larry King Live, fez discursos em todo o país, escreveu livros que foram campeões de vendas e permaneceram na lista dos best-seller do New York Times durante semanas, recebeu diversos prêmios e ainda estrelou alguns papéis no cinema.

E ele fez tudo isso nos anos que se seguiram ao acidente, apesar de sua extensa incapacidade física.

Cada um de nós é um SuperHomem com status de super-herói. Cada um de nós recebeu um âmago Divino com potencial infinito para atingir o “estrelato”. Porém quanto mais alto chegamos, maior é a queda que podemos ter.

Há épocas na vida em que nos sentimos como verdadeiros astros. As coisas estão surgindo em nosso caminho. Chegamos ao auge do sucesso, ou conquistamos uma importante aspiração da nossa vida. Sentimo-nos contentes e felizes. O sol está brilhando intensamente sobre nós.

Mas então, de repente, a maré vira, e nos encontramos no meio de uma tempestade terrivelmente escura e assustadora. Nossos sonhos são destroçados, nossas expectativas destruídas. O mundo que conhecíamos não é mais o mesmo, e jamais será. Os desafios nos privam de nossa alegria e vigor, e minam toda a vitalidade da nossa existência.

Como reagimos à essa situação difícil? Mergulhamos na depressão, concentrando-nos unicamente na injustiça e crueldade do nosso destino? Praguejamos contra um mundo cruel e sem D’us?

Ou nos erguemos para enfrentar a situação, investindo uma força sobre-humana para lutar contra os obstáculos em nosso caminho? Resolvemos fazer o melhor possível com aquilo que o destino atirou em nosso caminho, celebrando nossa vida de maneira plena, enquanto trazemos júbilo e objetivos àqueles que nos cercam?

Não podemos julgar as escolhas de outros. Não conseguimos imaginar suas circunstâncias ou sua tremenda luta interior. Porém a certa altura, pelo menos em parte, cada um de nós deve enfrentar uma escolha assim em nossa própria vida. E em última análise, o caminho de um verdadeiro Super-Herói é somente um.
fonte: beit Chabad

Tenham um sábado de paz !

Fernando Rizzolo

‘Lula assombra o mundo’, elogia Zapatero em jornal

SÃO PAULO – O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, escreveu um texto bastante elogioso sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o jornal “El País”. No perfil elaborado por ele, o primeiro-ministro demonstra sua “profunda admiração” por Lula. Intitulado “O homem que assombra o mundo”, o texto lembra a origem humilde do presidente e sua passagem pelo sindicalismo. Zapatero escreveu o perfil de Lula para o número especial “Os 100 do Ano” do jornal espanhol, que circulará no domingo. Em seu site, o “El País” adiantou o texto do espanhol sobre o líder brasileiro.

Zapatero cita a luta de Lula para combater a fome, enquanto ao mesmo tempo fez com que aumentasse a confiança internacional no País. O primeiro-ministro espanhol descreve ainda o presidente como “honesto, íntegro, voluntarioso e admirável”, convertido em “referência” para os líderes latino-americanos. “Não me estranha que esse homem assombre o mundo”, afirma o espanhol.

Na opinião de Zapatero, Lula “seguiu o caminho aberto pelo seu antecessor”, Fernando Henrique Cardoso, e o Brasil, “em apenas 16 anos, deixou de ser o país do futuro que nunca chegava para converter-se em formidável realidade”. Zapatero prevê que o Brasil desempenhe nas próximas décadas “uma crescente liderança política e econômica no mundo, tal como já vem fazendo na América Latina com notável acerto”.
agência estado

Rizzolo: Tirando as questões relativas à política externa, Lula é um grande líder, quer pelo seu carisma, quer pelo seu passado de luta em favor dos pobres. A grande questão é saber se encontraremos um novo presidente eleito pelo povo com todas as características e o compromisso de Lula para com as políticas de inclusão. O medo do povo é de um retrocesso social das conquistas atingidas em favor dos mais humildes.

‘Pensem 2 vezes’, dizem EUA sobre relação América Latina-Irã

WASHINGTON – No lançamento da nova estratégia diplomática para a América Latina, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, advertiu os países da região sobre a influência iraniana e fez um chamado ao respeito pelas instituições democráticas em países como a Venezuela e a Nicarágua.

“As pessoas que querem se aproximar do Irã deveriam pensar em quais as consequências disso. Esperamos que pensem duas vezes”, disse Hillary em um discurso sobre as relações entre EUA e América Latina nesta sexta-feira, 11.

Segundo a secretária de Estado, os EUA estão cientes dos interesses iranianos em se promover na região. “Relacionar-se com o Irã é uma má ideia”, afirmou. “Espero que os países latino-americanos reconheçam que o Irã é um dos maiores promotores e exportadores do terrorismo nos dias atuais”.

O Irã tem se aproximado de países como Bolívia, Venezuela e Nicarágua. No mês passado, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad esteve na região para uma visita a Brasil, Bolívia e Venezuela.

Democracia

Hillary ainda fez um firme pedido para que Venezuela e Nicarágua mantenham-se no caminho da democracia. Segundo a secretária de Estado, países cujo líderes eleitos legitimamente não podem maltratar a ordem constitucional e democrática, o setor privado e os direitos do povo.

“A democracia não se trata de líderes individuais, mas de instituições fortes”, disse.

No começo do ano, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, conseguiu aprovar um referendo que o permite se candidatar sucessivamente à presidência. Na Bolívia, Evo Morales foi reeleito na semana passada após uma reforma constitucional que permite apenas uma reeleição.
agencia estado

Rizzolo: Após longo e tenebroso inverno de silêncio, omissão, e fraqueza, o governo Obama resolve reagir e advertir a América Latina sobre os perigos das relações com o Irã. O que todos já esperavam há tempos surge agora através das palavras da secretária de Estado americana, Hillary Clinton . As conseqüências ainda advindas dos EUA ainda são desconhecidas, mas as afirmativas servem como base para uma maior reflexão da postura política de alguns países inclusive o Brasil. Demorou mas a reação começa a surgir.

Charge do Lute para o Hoje em Dia

Arruda anuncia desfiliação do DEM e diz que deixa vida política

BRASÍLIA – O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, anunciou nesta quinta-feira, 10, seu desligamento do DEM. O partido se reuniria na manhã sexta-feira, 11, para decidir o destino de Arruda, que está sendo acusado de envolvimento em esquema de corrupção.

Em coletiva de imprensa realizada sede do governo, o governador do DF disse também que se afastará da vida política.

Na quarta-feira, o governador havia entrado com um pedido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de suspensão da reunião do DEM, mas a ministra do TSE, Carmem Lucia, negou o recurso.

Apesar de Arruda alegar que não teve direito de defesa nesse processo, a ministra Carmem Lúcia disse que o próprio governador afirma que foi notificado a apresentar defesa em oito dias. “Ocorre que é o prazo estatutariamente previsto e contra o qual não há notícia de que se tenha insurgido”.

Arruda também havia pedido a transferência do caso, que seria analisado na Comissão Executiva Nacional do partido, para o Diretório Regional, em Brasília, cujo presidente é seu vice, Paulo Octávio, também acusado de participar do esquema, conhecido como “Mensalão do DEM”.

O prazo para a entrega da defesa de Arruda aos líderes do DEM se encerra às 18 horas desta quinta. Segundo informações do partido, a expulsão de Arruda seria inevitável, mas sob a alegação de garantir o direito de ampla defesa ao acusado, líderes do DEM marcaram a reunião para sexta e permitiram que ele preparasse sua defesa.

O governador do Distrito Federal é apontado pela Polícia Federal (PF) como um dos articuladores de esquema de arrecadação e distribuição de propina a membros da base aliada de seu governo, ação investigada pela Operação Caixa de Pandora, deflagrada no dia último dia 27.

Antecipação

Para o senador democrata Antonio Carlos Magalhães Júnior (BA), Arruda “esticou a corda” ao pedir a suspensão da reunião do DEM no TSE, já que isso teria antecipado o resultado da decisão do partido.

“Se existisse alguém que estivesse indeciso quanto ao voto agora ficou difícil (para Arruda). A tendência natural é por uma medida mais drástica. A grande maioria vai caminhar agora para a expulsão”, disse o democrata baiano.

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Rizzolo: A situação de Arruda já estava insustentável, além disso, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), negou o pedido de liminar feito pelo governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), no mandado de segurança impetrado ontem. No mandado, o governador pedia a suspensão do processo interno aberto pelo DEM, que pode resultar em sua expulsão dos quadros do partido. No pedido, Arruda alegou que faltou prazo para apresentar sua defesa ao partido. O pedido de liminar ocorreu às vésperas da reunião da Executiva Nacional do DEM, marcada para amanhã. Integrantes da Executiva já sinalizaram que a expulsão de Arruda é certa. Menos mal, não é ?

Chega ao Congresso projeto sobre crime de corrupção

BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso Nacional projeto de lei anunciado ontem propondo que os delitos de corrupção sejam caracterizados como crimes hediondos. A proposta compreende os crimes de peculato (uso das facilidades do cargo de funcionário público para se apropriar de dinheiro ou outros bens); concussão (extorsão praticada por servidor público); corrupção passiva e corrupção ativa.

Entre os crimes hediondos, que são inafiançáveis, estão os de genocídio, homicídio qualificado, latrocínio, extorsão com morte, extorsão por meio de sequestro e estupro. O texto do projeto foi publicado na edição de hoje do Diário Oficial da União.
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Rizzolo: O texto visa coibir a manifesta corrupção instalada no país. O projeto de lei vem em boa hora. Agora precisamos saber quando aprovado da sua aplicabilidade, e contar com o rigor na execução das penas. Este sim é o problema, a lei das execuções penais são por demais brandas.

Copom mantém taxa de juro em 8,75%

São Paulo – O Comitê de Política Monetária decidiu manter a taxa de juros em 8,75% ao ano como já era esperado pelo mercado. Essa foi a última reunião do ano e agora a próxima só ocorrerá em 26 e 27 de janeiro.

Hoje, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou, após a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), que não vê razões para que o Banco Central (BC) eleve a taxa básica de juros no ano que vem em decorrência das medidas fiscais expansionistas anunciadas hoje. “Não vejo interferência no comportamento da taxa de juros. O comportamento da economia está equilibrado”, afirmou o ministro, em entrevista coletiva.

Mantega disse que o comportamento da inflação “está muito bom”. O ministro afirmou ainda que trabalha com a manutenção da taxa Selic em 8,75% no ano que vem. Segundo ele, essa é a projeção do Ministério da Fazenda para o próximo ano.

As afirmações do ministro foram dadas em resposta às perguntas de jornalistas, interessados em saber a sua avaliação sobre o impacto das medidas anunciadas hoje na evolução da taxa básica de juros. “Repito, a inflação está sob controle.” Mantega disse também que o crescimento do País entre 5% e 5,5% é possível no ano que vem, sem que haja o risco para a inflação.
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Rizzolo: A expectativa geral era mesmo pela manutenção da Selic. A dúvida entre os economistas é quando o BC começará a subir os juros em 2010. Há estimativas apontando para a Selic em 12,75% no final do ano. Portanto, haveria 4 pontos percentuais de aumento. Na verdade é de se lamentar o fato, é um absurdo o Brasil voltar a ocupar a segunda colocação no ranking das maiores taxas de juros reais do mundo. A quem interessa esse freio ao Brasil? É só pensarmos na hora de dormir.

Arruda pressiona DEM por voto secreto e pede absolvição

BRASÍLIA – O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), não sai do telefone. Preocupado com o julgamento de sua eventual expulsão do partido, ele vem fazendo dois pedidos aos colegas da executiva nacional que analisará seu caso na sexta-feira: pede que seja absolvido e que o voto seja secreto.

O regimento prevê o voto fechado, mas diversas lideranças democratas já se mobilizam para reverter essa dinâmica. Arruda é suspeito de comandar um esquema de corrupção, já conhecido como mensalão do DEM, e vem perdendo apoio político a cada dia.

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO), um dos maiores defensores da expulsão do colega por julgar que as acusações mancham a imagem da legenda, apresentará na sexta um requerimento pedindo o voto aberto. Essa é a estratégia dos contrários à permanência do governador e fruto do temor de que a votação confidencial viabilize sua permanência.

O argumento será de que o voto secreto no âmbito interno da sigla não tem sustentação constitucional.

“Vou apresentar a questão de ordem na hora da votação”, afirmou Demóstenes. “Se ele for absolvido, o partido mergulha de uma vez na história do mensalão e se iguala aos demais.”

Nos últimos dias, Arruda disparou telefonemas aos membros da executiva nacional –45 ao todo– pedindo apoio à sua causa e ao instituto do voto secreto. Seus advogados já cogitam recorrer caso a expulsão se confirme.

Líder da bancada na Câmara, o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) providencia uma lista de assinaturas a favor do voto aberto. Quer apresentá-la no início da reunião, prevista para às 8h da manhã.

“Estamos tomando todos os cuidados para que a reunião ocorra com total transparência”, assegurou.

“Já criamos o movimento do voto aberto”, acrescentou o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

A assessoria de imprensa do governador não estava imediatamente disponível para comentários.
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Rizzolo: Não tenham ilusão de que Arruda será expulso. O governador sabe muito e isso não interessa a ninguém. Se o voto será secreto ou aberto é apenas um detalhe. Nossa democracia está doente, e só há uma solução: reforma política, financiamento publico de campanha, acabar de vez com a impunidade, e jamais eleger novamente políticos profissionais, o resto é perfumaria.

Manifestantes enfrentam policiais em Brasília

BRASÍLIA – Manifestantes pró-impeachment do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), entraram em confronto hoje com policiais militares na Praça do Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal.

No final da manhã, um grupo de manifestantes da CUT e do PT protestavam em frente ao Palácio do Buriti contra a permanência de Arruda no cargo, com discursos e palavras de ordem gritadas de um carro de som.

A situação começou a ficar tensa quando estudantes aderiram ao movimento e ampliaram a manifestação invadindo a pista em frente ao Palácio do Buriti, chamada de Eixo Monumental, provocando a paralisação do trânsito. O contingente policial foi reforçado pela Cavalaria da PM. . O que lembra a época da ditadura, com apenas uma diferença: havia naquela época menos corrupção. Democracia sim, mas com qualidade, que é o que mais nos falta.Os estudantes resistiram à investida agredindo os policiais com pedras e mangas colhidas das árvores no gramado central. O Batalhão de Operações da Polícia Especial (Bope) foi acionado para ajudar a conter o protesto.

Os manifestantes saíram do Eixo Monumental mas resolveram caminhar em direção à rodoviária, que fica no ponto central do Plano Piloto de Brasília. A PM usou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Os estudantes já haviam organizado um protesto de seis dias na Câmara Legislativa do DF e foram retirados do local ontem. Eles reivindicam o afastamento de Arruda, único governador eleito pelo DEM em 2006, alvo da Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal no dia 27 de novembro. Imagens em poder da PF mostram indícios de um esquema de pagamento a políticos, empresários e aliados do governador, proveniente de propina vinda de empreiteiras e prestadoras de serviço.
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Rizzolo: Legítima é a manifestação e jamais deveria ela ser coibida. É triste inferirmos que a nossa democracia é de caráter primitivo. A corrupção, a bandalheira, o desmando, a falta de ética tudo isso ocorre e é em muitas vezes defendido de forma sutil, ou abafado, agora a livre manifestação os protestos são coibidos pela força policial. . O que lembra a época da ditadura, com apenas uma diferença: havia naquela época menos corrupção. Democracia sim, mas com qualidade, que é o que mais nos falta nesse momento.

Charge do Seri para o Diário do ABC