Charge do Sinfrônio para o Jornal do Commercio

A Oposição e a Estabilidade Política

Muito embora a janela do escritório fosse do tipo “antirruído”, naquela tarde de 1998 o carro de som e as palavras de ordem tiravam minha concentração ao elaborar uma contestação judicial que deveria ser entregue no fórum, no dia subsequente. Como quem já soubesse que se tratava de uma passeata sindical, fui até a janela e olhei a multidão que caminhava com cartazes na avenida Paulista, centro financeiro de São Paulo.

Os sons do microfone, a voz estridente, o volume nas alturas já faziam parte do cenário do segundo mandato do governo do tucano Fernando Henrique Cardoso (1998-2002) As greves e a instabilidade política sindical eram corriqueiras e exigiam uma nova postura do governo. Hoje, ao olharmos para trás e observarmos a calmaria reivindicatória que nos envolve, vemos que o Brasil realmente mudou.

Os sindicatos, apesar de estarem muito mais estruturados, fortes e segmentados, parecem estar sofrendo de determinada “dormência reivindicatória” e pactuados com o governo federal do ponto de vista ideológico. Em contrapartida, alegar que essa condição não produz certo bem-estar e real estabilidade política ao país é não reconhecer os avanços do governo Lula no que diz respeito ao diálogo em relação à flexibilização das ideias, na construção de uma sociedade representativa e mais justa.

A grande questão que devemos analisar nas eleições de 2010 é a objetiva capacidade da oposição, se vencedora, de se alinhar aos anseios sindicais, de ter verdadeira postura à dignidade do trabalhador e, principalmente, de ser capaz de fazer o que o governo Lula fez nas relações de trabalho. Todos sabemos que a maioria das grandes centrais sindicais deverá apoiar a ministra Dilma, que representa a continuidade desse entendimento.

Portanto, talvez devêssemos analisar até que ponto a oposição do país será capaz de ter a devida governabilidade social, hábil em nos proporcionar a tranquilidade sindical tão necessária, expressa na calmaria e na estabilidade política, para que possamos perpetuar esse gosto pelo desenvolvimento, sem as turbulências e violências reivindicatórias tão comuns na era FHC. As conquistas dos trabalhadores não possuem caminho de volta, e com certeza um retorno ao passado, pela falta de diálogo, influenciaria a economia, a vida e os ouvidos da população e principalmente as antigas janelas antirruído, que já algum tempo atrás se tornaram desnecessárias para esse tipo de barulho popular.

Fernando Rizzolo

QUANDO A GENTE SE ESQUECE

“Havia um rei muito bondoso que certa vez, ao passar por uma estrada, escutou gritos de socorro. Ele parou sua carruagem e viu uma mulher cercada por maldosos bandidos. Em um impulso de valentia, o rei conseguiu salvar a mulher. Ela trazia muito dinheiro e certamente aqueles bandidos não teriam misericórdia dela, e por isso ficou muito agradecida ao rei por tê-la salvado. Após aquele incidente eles começaram a se falar todos os dias. Conversaram muito, e a conversa era cada vez mais agradável, até que um dia eles perceberam que estavam apaixonados e decidiram se casar.

O casamento foi uma grande festa, todos se alegraram muito, principalmente o noivo e a noiva. E por algum tempo eles viveram em completa lua-de-mel. Mas passados alguns meses, a esposa já não tratava o rei da mesma maneira. As longas conversas foram rareando, até que praticamente eles não se falavam mais. A mulher já não tinha mais nenhum sentimento de gratidão pelo que o rei havia feito por ela. Mesmo quando o rei tentava puxar uma conversa, ela se mostrava fechada e indiferente.

Não suportando mais aquela situação, o rei teve uma idéia. Certo dia, quando a esposa saiu para dar uma volta, o rei mandou alguns homens, fingindo ser bandidos, cercá-la e ameaçá-la. Quando ela se viu em perigo, gritou desesperada, pedindo a ajuda do rei. Ele apareceu e a salvou novamente. Então ela se lembrou de tudo o que ele já havia feito de bom por ela, e voltaram a ter um bom relacionamento. Muito feliz, o rei confidenciou à sua esposa:

– Gostaria de pedir perdão pelo sofrimento que eu te causei ao te dar este susto. Na verdade fui eu que armei tudo isso, apenas para que você voltasse a me procurar e a valorizar o nosso relacionamento. Mas no fundo eu preferia que você tivesse me procurado sem que eu precisasse te causar nenhum sofrimento. Como vi que nada estava funcionando, tive que fazer deste jeito”

Assim é o nosso relacionamento com D’us. Recebemos Dele coisas boas o tempo inteiro, e tudo o que Ele espera de nós é que nos lembremos Dele durante o nosso dia. Mas a gente sempre se esquece…

*
Nesta semana lemos a Parashá Beshalach, que começa com a saída do povo judeu do Egito, quando o orgulhoso faraó, dobrado pelo peso das 10 pragas que destruíram completamente o Egito, finalmente deixou o povo judeu sair. Mas o povo judeu ainda não se sentia completamente livre, em suas cabeças eles ainda se sentiam escravos, tinham medo que os egípcios os perseguiriam e os levariam de volta ao trabalho pesado. E também D’us não havia terminado Sua justiça com os egípcios, e não havia vingado a morte dos bebês que foram afogados no rio Nilo. Então o que D’us fez? Endureceu o coração do faraó, fazendo com que ele se arrependesse de ter libertado o povo judeu. O faraó reuniu um enorme exército e partiu em perseguição deles. Os judeus de repente se viram presos no deserto, cercado por todos os lados. Diante deles estava o Mar Vermelho, atrás deles vinham os egípcios e seus carros de guerra, e dos lados estava o terrível deserto com todos os seus perigos. Os judeus ficaram desesperados e gritaram para D’us, como está escrito: “O faraó se aproximou; e levantaram os olhos os Filhos de Israel, e eis que os egípcios viajavam atrás deles. E eles temeram muito, e gritaram os Filhos de Israel para D’us” (Shemot 14:10). Então o grande milagre aconteceu: o Mar Vermelho se abriu diante dos olhos de todo o povo judeu, e eles atravessaram no seco. Quando os egípcios foram atravessar, o mar se fechou sobre eles, afogando todo o exército egípcio e terminando definitivamente com a escravidão do povo judeu.

Mas deste episódio surgem algumas perguntas: se D’us queria salvar o povo judeu e terminar Sua justiça com os egípcios, por que teve que “assustar” o povo judeu? Por que Ele não fez de outra maneira, de forma que os judeus nem mesmo vissem os egípcios os perseguindo? Além disso, o Midrash (parte da Torá Oral) diz que a aproximação do faraó, que causou um grande susto no povo judeu, foi mais importante do que 100 jejuns e rezas. Por que?

Para encontrar a resposta destas duas perguntas, antes de tudo precisamos entender o que é a Tefilá (reza), pois em geral temos conceitos muito equivocados. Por exemplo, uma das bases do judaísmo é saber que tudo o que D’us faz é com justiça perfeita. Portanto, se Ele nos mandou algum sofrimento, é porque de alguma maneira nós o merecemos. Então por que rezamos para que Ele tire de nós este sofrimento? Não é uma forma de tentar desviar o julgamento perfeito de D’us?

Sempre que passamos por alguma dificuldade na vida, imediatamente começamos a rezar. Mesmo aqueles que estão afastados da religião, quando surge alguma doença ou qualquer outro perigo de vida, encontram um tempo e uma motivação para rezar. Nos aeroportos e hospitais sempre há um lugar para as pessoas rezarem, pois em geral envolvem situações de perigo ou medo. Por isso estamos acostumados a pensar que a Tefilá é apenas um meio que podemos utilizar para nos salvar de algum perigo ou sofrimento e, se não houvessem sofrimentos, não haveria nenhuma necessidade de fazer Tefilá.

Ensina o Rav Yechezkel Levinshtein que é justamente o contrário. A Tefilá não é um meio, é um propósito por si só. A Tefilá é nossa comunicação com o Criador do mundo, é a nossa forma de agradecer e reconhecer tudo o que Ele nos faz de bom. Diz o Pirkei Avót (Ética dos Patriarcas) que a Tefilá é um dos pilares que sustenta o mundo. Quanto mais o ser humano reflete sobre o conteúdo das Tefilót e o coloca em seu coração, mais ele cresce no seu amor e no seu temor a D’us, e consegue reconhecer todas as coisas boas que recebe. Mas quando o ser humano se afasta das Tefilót e se esquece do seu Criador, começam a vir dificuldades e sofrimentos que o despertam novamente para a Tefilá. Portanto a Tefilá não é um meio para se salvar dos sofrimentos, ao contrário, o sofrimento é o meio utilizado por D’us para trazer o ser humano de volta para a Tefilá, que Ele tanto deseja.

Foi isso o que aconteceu com o povo judeu no Egito. Quando eles estavam passando por terríveis sofrimentos da escravidão pesada, voltaram seus corações para D’us, como está escrito “E os Filhos de Israel suspiraram por causa do trabalho, e eles gritaram. O clamor deles por causa do trabalho chegou até D’us” (Shemot 2:23). Imediatamente D’us iniciou a salvação do povo judeu, com grandes milagres, com mão forte a braço estendido. E D’us ficou esperando que o povo judeu continuasse com seus corações conectados com Ele, mas isso não aconteceu. Quando os judeus viram que seus sofrimentos estavam terminando, imediatamente começaram a se afastar de D’us. Então Ele utilizou o faraó como um “despertador”. O susto despertou o coração dos judeus e os conectou novamente a D’us, em um nível maior do que se tivessem feito 100 jejuns.

Com este conceito entendemos também que a Tefilá, ao retirar o sofrimento, não desvia a justiça perfeita de D’us. Os sofrimentos vieram justamente pelo desejo de D’us de que a pessoa se conectasse com Ele através da Tefilá. No momento que a pessoa volta a fazer Tefilá, não há mais nenhuma necessidade dos sofrimentos.

É justamente por isso que temos no nosso dia 3 Tefilót fixas, em momentos estratégicos, para que possamos nos manter conectados com D’us o dia inteiro. Começamos o dia com a Tefilá da manhã (Shacharit), antes de irmos ao trabalho e antes mesmo de tomarmos um bom café-da-manhã. No meio do dia, após algumas horas de trabalho, paramos novamente para alguns momentos de conexão espiritual durante a reza da tarde (Minchá). E no final do dia, quando voltamos para casa, mais uma vez nos conectamos com a nossa espiritualidade na reza da noite (Arvit).

Muitas vezes, quando coisas “ruins” acontecem em nossas vidas, questionamos por que D’us nos abandonou. Mas a Parashá nos ensina justamente o contrário. Se estamos passando por dificuldades, pode ser um sinal de que nós abandonamos D’us. Apesar Dele cuidar do nosso bem estar 24 horas por dia, nós estamos sempre ocupados com o nosso dia-a-dia. Tudo é mais importante, tudo vem antes da nossa conexão com D’us. Então antes de reclamarmos que D’us nos abandonou, é bom checarmos se não fomos nós que O abandonamos e O deixamos falando sozinho.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

Tenha um sábado de paz !!

Fernando Rizzolo

Lula defendeu projeto que partilha lucro das empresas, diz Mangabeira

Autor do projeto que determina a distribuição compulsória de 5% dos lucros das empresas para os empregados, o ex-ministro de Assuntos Estratégicos Roberto Mangabeira Unger afirmou ontem que a cúpula do governo não só sabia como estimulou a proposta. Em entrevista ao Estado, por e-mail, ele disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva era um defensor “entusiasmado” da proposta e os ministros da Justiça, Tarso Genro, e do Trabalho, Carlos Lupi, colaboraram diretamente na sua elaboração. “Conduzi esse trabalho com o apoio entusiasmado do presidente Lula e em estreita colaboração com meus amigos colegas ministros, sobretudo os do Trabalho e da Justiça”, garantiu Mangabeira, que hoje é professor na Universidade Harvard.

A afirmação contradiz declaração do ministro da Justiça, segundo a qual a obrigatoriedade da partilha de lucros, hoje entregue à negociação direta entre empregados e empregadores, não passa de “estudo” e não foi objeto de análise e decisão de sua pasta nem do governo. O projeto tem nove artigos e integra um documento de 67 páginas, chamado Reconstrução das Relações Capital-Trabalho, que Mangabeira diz ter produzido após um ano e meio de análises e discussões com entidades representativas de trabalhadores e do setor empresarial.

LEI

Prevista na Constituição, a participação de empregados no lucro das empresas é disciplinada pela Lei nº 10.101, editada em 2000 pelo governo Fernando Henrique Cardoso. O texto remete os critérios da distribuição à livre negociação entre as partes e não fixa um porcentual de partilha. O novo texto, na prática, anularia a lei vigente e tornaria a distribuição compulsória, fixando a cota de 5%.

Desse montante, se aprovada a proposta, 2% serão transferidos de forma linear a todos os empregados. Os 3% restantes devem ser distribuídos conforme critério interno de gestão da empresa, em razão do mérito individual, produtividade e resultados.

O ex-ministro relatou que “sempre”, com o apoio de Lula, se reuniu com as seis maiores centrais sindicais do País para dar uma definição mais clara à norma constitucional. “Expus ao presidente, em meio a essas discussões, o rumo das propostas que emergiam”, explicou Mangabeira, que antes de ter um posto na Esplanada dos Ministérios qualificara o governo Lula de “o mais corrupto da história”.

CONSULTAS

Ele informou que fez também “incontáveis consultas” a empresários grandes, médios e pequenos, além de ter dialogado com a Justiça e o Ministério Público do Trabalho. “Nessa parte de meu esforço, contei com a ajuda constante do dr. Jorge Gerdau e do movimento Brasil Competitivo, que ele lidera”, afirmou. “Em toda essa atuação, sempre fui claro a respeito do sentido dessas consultas.”

Segundo Mangabeira, o Brasil tem a má tradição, em matérias como a da relação trabalho-capital, de delegar a definição das leis às corporações interessadas. “República não é corporativismo”, escreveu em sua resposta, ao defender papel decisivo do Estado na elaboração desse tipo de conteúdo. “A consulta é necessária por justiça e por prudência, mas é preciso não confundir consulta com delegação de poder”, disse. “São as instituições republicanas as que precisam deliberar o conteúdo das leis e, ao deliberá-lo, zelar pelos interesses das maiorias desorganizadas.”

Ele disse compreender que, como em qualquer país do mundo, projetos que mexem em interesses poderosos, como o seu, gerem controvérsias. “É natural: alcançam a distribuição da riqueza, da renda e do poder.”
agencia estado

Rizzolo: Bem, em relação a essa questão este é o meu primeiro comentário após refletir e analisar o projeto referido de Lei. Na verdade não há nada de novo em relação a esta distribuição de lucros, na Europa ela já existe há tempos, e na sua essência é extremamente válida no que diz respeito a sanar as diferenças sindicais, ou seja, o que ocorre hoje, é que muitas empresas não concedem a distribuição até porque alguns segmentos não possuem representatividade sindical forte capaz de impor a justa partilha de lucros.

Numa visão desenvolvimentista trabalhista e contemporânea, as negociações devem sempre estabelecer um mínimo, e hoje muitos desses acordos estão aviltados por falta de uma postura protecionista do Estado. Postura essa saudável do ponto de vista dos interesses da classe trabalhadora. Portanto apóio de forma inconteste o projeto de Lei que vem ao encontro da grande massa laboral do nosso país.

Lula passará por avaliações médicas hoje e amanhã

BRASÍLIA – O médico-chefe da coordenação da saúde da Presidência da República, Cléber Ferreira, irá nesta sexta-feira, 29, à tarde à casa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Bernardo do Campo, para fazer uma nova avaliação médica, medir a pressão e verificar os batimentos cardíacos dele. Ferreira acompanha diariamente Lula em seus deslocamentos em Brasília e nas viagens. O presidente permanece descansando em sua casa no ABC paulista, conforme orientação médica.

Lula também será submetido no sábado, 30, a partir das 8 horas, a uma bateria de exames no Instituto do Coração (InCor) em São Paulo. O check-up está previsto para durar três horas. A agenda do presidente continua suspensa para compromissos oficiais. A primeira previsão de retomada da programação é na segunda-feira, às 10 horas, na reabertura dos trabalhos do Judiciário, no Supremo Tribunal Federal (STF).

No entanto, na semana que vem, o presidente Lula já tem viagem prevista para três Estados, a partir da quarta-feira: Rio de Janeiro, São Paulo (na quarta-feira) e Rio Grande do Sul (na sexta-feira).
agencia estado

Rizzolo: Como já comentei anteriormente, a situação do presidente merece os cuidados de praxe. É natural de que com o rítmo de trabalho imposto ao presidente, situações de estresse ocorram. Vamos torcer pela recuperação de Lula, dessa forma todos nós ganhamos.

Uma caminhada rumo à dignidade

Sempre compartilhei da ideia de que um dos maiores patrimônios que temos na vida é a nossa saúde. Assim, cumprindo as recomendações médicas, levantei cedo, coloquei meus tênis (anti-impacto) e fui caminhar e correr, ou correr e caminhar, como faço quase todos os dias quando estou na praia. Especialmente naquele dia havia muita gente cumprindo as mesmas recomendações e caminhando na orla do Guarujá, litoral paulista. A multidão era grande; enquanto uns iam, outros voltavam com seus trajes diferentes, tênis variados, com o olhar demonstrando cansaço, porém determinado.

Como sou daqueles que preferem pensar em vez de ouvir, não levei meu MP3. Preferi o silêncio das minhas observações à medida que caminhava junto ao mar, desviando vez ou outra das pessoas, muitas das quais não viam a hora de terminar o martírio esportivo. Caminhar e pensar desfrutando do trajeto, analisando a arquitetura dos prédios, observando as pessoas é algo fascinante que aguça nossa capacidade de reflexão, porque sempre há ao longo do caminho atores de situações diversas que acabam participando do percurso não como atletas, mas como vítimas do dia a dia da nossa sociedade.

Naquela manhã, naquele turbilhão de pessoas, observei que em determinado ponto havia um jovem deitado debaixo da pequena fachada de um prédio, provavelmente embriagado – ou drogado, se os leitores assim preferirem. Todavia, a questão é que ele estava bem ali, perdido, desbaratado, maltrapilho, abandonado – uma cena deplorável. Diminuí meu ritmo e tentei adivinhar sua idade, quando cheguei à conclusão de que ele devia ter uns 18 anos. Enquanto a grande maioria das pessoas exercitava sua consciência do ponto de vista da saúde, o jovem de origem humilde estava totalmente à mercê das consequências da miséria, da falta de formação e principalmente da falta de uma política de saúde pública.

Contudo, foi com imensa satisfação que, naquele mesmo dia, ao ler os jornais, tive conhecimento de que o governo federal vai instituir o Comitê Técnico de Saúde para a População em Situação de Rua, que contará com a participação de vários órgãos ligados à saúde, incluindo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Pastoral Nacional da População de Rua e a Organização Médicos Sem Fronteiras. O referido comitê vai propor ações e apresentar subsídios voltados à saúde da população em situação similar à do jovem e elaborar propostas de intervenção conjunta nas diversas instâncias e órgãos do Sistema Único de Saúde (SUS).

Essa iniciativa do governo federal faz parte da política nacional para a população de rua instituída pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a partir de um decreto que busca promover todo tipo de direito dessa população. A coordenação do comitê será da Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde, e os responsáveis pela política serão a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, além de diversos Ministérios.

É fato que, quando falamos em inclusão social, não podemos deixar de ressaltar que muitas vezes incluir significa primeiro tratar, cuidar, e não apenas promover uma renda mínima imediata. Os jovens de rua, os pobres abandonados pelas famílias, os desvalidos, os alcoólatras necessitam de um plano de assistência médica que envolva programas de reinclusão social semelhantes a essa iniciativa do governo, que busquem promover os direitos humanos, civis, políticos, econômicos e sociais dessa população carente.

Desamarrar os tênis, relaxar as pernas já cansadas de correr e observar que estamos avançando na luta contra essa população jovem e perdida nos faz sonhar com o dia em que jovens como aquele estarão enfim valorizando sua saúde, assim como tantos que por ele passavam, muitos dos quais sem lhe dirigir sequer um olhar, talvez muito mais em razão de seus MP3 que pela falta de indignação de ver seres dormindo o sono da desesperança.

Fernando Rizzolo

Charge do Ique para o JB Online

Só notícias ótimas (bom, depende) – Coluna Carlos Brickmann

1 – Amanhã, dia 27, o novo presidente de Honduras, Porfirio Lobo, toma posse. E o presidente do chapéu, Manuel Zelaya, disse que vai deixar a Casa da Mãe Joana, conhecida em outros tempos como Embaixada brasileira em Tegucigalpa. Ao que dizem (se não mudar de ideia), Zelaya vai para a República Dominicana.

2 – Também amanhã, o presidente Lula, que já falou o diabo sobre o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, estará lá. E não poderia faltar: Lula deve receber, depois de amanhã, o prêmio Estadista do Ano.

3 – Está-se realizando, em Porto Alegre, o Fórum Social Mundial, criado (com apoio de Lula e de petistas como Oded Grajew) para se contrapor ao Fórum Econômico Mundial. Se houver tempo, talvez Lula dê uma passadinha por lá.

4 – Parece que o ministro da Justiça, Tarso Genro, que deixa Brasília para candidatar-se ao Governo gaúcho, não conseguiu emplacar o substituto no cargo. Seu favorito era o deputado federal petista José Eduardo Cardozo, uma espécie de Tarso Genro com roupas mais engomadas. Mas quem deve ficar é o atual secretário-executivo do Ministério, Paulo Barreto. Tarso tenta agora manter Cardozo na Secretaria-Geral do PT; mas sua tendência política foi derrotada no partido, e os vencedores, da tendência Construindo um Novo Brasil, querem o cargo.

5 – Um lembrete: Tarso Genro é o ministro de Lula mais comprometido com a concessão de asilo ao italiano Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália e com pedido de extradição. Sem Genro no Governo, como fica o caso?

O social-socialismo

O PSB, Partido Socialista Brasileiro, pergunta à população se votaria em Paulo Skaf, presidente da Fiesp, Federação das Indústrias de São Paulo, para o Governo paulista. De acordo com o texto rimado do PSB, Skaf trabalha de forma incansável pelo crescimento sustentável. Assim que parar de rir, o leitor pode responder à pergunta no endereço eletrônico http://www.psbsp.org.br.

Ciro de volta

O problema é que Skaf nem sabe se conseguirá ser candidato. Ciro Gomes, seu companheiro de partido, é o favorito do presidente Lula para disputar a sucessão estadual paulista, com a missão específica de incomodar o governador José Serra, candidato à Presidência. Ciro, por enquanto, insiste em candidatar-se à Presidência e não ao Governo paulista. Mas como resistir a um pedido de Lula, ele que até deixou crescer a barba para facilitar sua inclusão no Governo petista?

Poste contra poste

O presidente Lula está pensando em incrementar sua candidata Dilma Rousseff com um vice mais atraente do que o presidente nacional do PMDB, Michel Temer. A opinião geral,no PT, é que a aliança com o PMDB é necessária, porque o partido está espalhado por todo o país e, principalmente, porque seu tempo de televisão é substancioso; mas consideram que Temer não chama votos.

Que não chama, não chama: nas últimas eleições, por pouco sua candidatura a deputado federal não bateu na trave. Mas ninguém, neste momento, tem sua capacidade de unir o PMDB na medida do possível (porque São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso e Pernambuco vão com Serra, seja Temer ou não o vice de Dilma; e Roberto Requião quer ser ele o candidato). Sem a candidatura de Temer, o PMDB corre o risco de se dividir ainda mais. Neste caso, talvez decida por maioria apoiar Serra, multiplicando seu tempo de TV.

A luta tucana

Na disputa pelo Governo de São Paulo, aparentemente, o candidato já está decidido: é o ex-governador Geraldo Alckmin, que pelas pesquisas ganharia no primeiro turno. Só que não é bem assim: os tucanos que não pertencem ao grupo de Alckmin acham que não apenas ficarão de fora do Governo como serão triturados por ele. Seu candidato preferido é o chefe da Casa Civil de Serra, Aloysio Nunes Ferreira – que tem votos na convenção mas mal aparece nas pesquisas. Há, porém, uma terceira possibilidade: Serra terá de se afastar do Governo para poder candidatar-se à Presidência, e seu substituto legal é o vice Alberto Goldman. Com a máquina nas mãos, Goldman pode transformar-se em alternativa a Alckmin e sair candidato. De qualquer forma, a disputa deixará cicatrizes.

Ganhar é perder

Aquilo que você vai ler agora é surpreendente: fique bem sentado, portanto, de preferência numa cadeira de braços. O ministro petista da Previdência, José Pimentel, disse à Rede Globo que nenhuma categoria teve aumento real superior à dos aposentados e pensionistas em 2009. Não, não foi no “Casseta&Planeta”, nem no “Zorra Total” – a menos que se considere que, com ministros falando coisas desse tipo, vivemos mesmo numa zorra total. Até o mínimo subiu mais que o pagamento dos aposentados: 9,68% contra 6,14%. Na opinião de Pimentel, expressa na mesma entrevista, só há razão de reclamar das perdas acumuladas entre 1980 e 1990. Sua Excelência deve achar que quem reclama está maluquinho da cabeça – inclusive seu colega de partido, o senador gaúcho Paulo Paim, que julga necessário um aumento de quase 17% só para repor perdas. E, de certa forma, Sua Excelência está certo: alguém está maluquinho da cabeça.

Americana ganha diploma de professora aos 100 anos e morre no dia seguinte

A norte-americana Harriet Richardson Ames formou-se professora em educação aos 100 anos, na última sexta-feira (22) no estado americano de New Hampshire, mas não “aproveitou” o diploma: ela morreu no dia seguinte.

Harriet morreu três semanas depois de completar seu centésimo aniversário, em 2 de janeiro. Ela recebeu o diploma de professora, um velho sono, em sua cama, pouco antes de morrer.

A professora aposentada se disse feliz por ter conseguido seu objetivo, segundo sua filha.

“Ela disse que tinha uma lista de objetivos na vida, e que este era o último”, afirmou a filha, Marjorie Carpenter.
Harriet tinha um certificado de professora que ganhou em 1931, após ter estudado dois anos na Keene Normal School, hoje Keene State College.

Com ele, deu aulas em uma pequena escola em South Newbury, e depois passou 20 anos como diretora de ensino na Memorial School, em Pittsfield.

Ao longo dos anos, ela foi tendo aulas na Universidade de New Hampshire, na Plymouth Teachers College e na Keene State para angariar créditos para conseguir o diploma de curso superior.

Mas, com problemas de vista, ela teve de parar com as aulas depois da aposentadoria, em 1971. Ela nunca teve certeza se tinha obtido os créditos necessários para garantir o diploma.

Seu antigo desejo por se formar oficialmente veio à tona quando um professor de cinema entrevistou-a, em 2008, para um documentário sobre o centenário do colégio, celebrado no ano seguinte.

A escola então resolveu revirar seus registros e descobrir se Harriet tinha direito ao tão desejado diploma. Durante um mês, os responsáveis trabalharam rápido e chegaram à conclusão que sim.

“Ela queria ser o melhor que ela podia ser”, disse Norma Walker, coordenadora de um grupo que reune ex-alunos.

Segundo Norma, Harriet disse, durante uma visita recente que, se morresse no dia seguinte ao dia em que se formasse oficialmente, morreria feliz, porque seu diploma “estava a caminho”.

Os responsáveis da escola entregaram o diploma a Harriet em sua cama, na última sexta.

Norma, que conheceu Harriet em 1997 em um encontro de ex-alunos, disse que gostava de ouvir a idosa falar sobre seus alunos e sobre como ela os encorajava a ler.

“Ela é o tipo de pessoa que todo pais gostaria de ter como professora de seus filhos”, disse Norma.

Norma afirmou que vai ler o conteúdo do diploma de Harriet durante suas cerimônias fúnebres, no próximo sábado. “Isso se eu não chorar”, disse.

Paula Finnegan Dickinson, ex-aluna de Harriet em 1956 e hoje também professora, lembra da idosa como uma mentora e uma amiga querida.

“Com seu entusiasmo, os personagens dos livros viviam”, disse. “Ela nos mostrou como a leitura abria as portas para outras experiências que nós jamais teríamos conhecido.”
Globo

Rizzolo: Dessa notícia podemos inferir que a determinação na consecução de um sonho nunca deve ser perdida. Entendo que não há nada mais gratificante do que a instrução, a cultura, a oportunidade de aprender. Seja ele qual for seu sonho, ele deve ser perseguido com a determinação de um caçador. Infelizmente no Brasil ainda os sonhos de muita gente ainda não podem ser realizados, principalmente no tocante à educação, ao ensino superior, até porque as vagas são limitadas nas Universidades Públicas, e nas particulares, muitos não podem arcar com as mensalidades. É bem verdade que no governo Lula muito melhorou, mas ainda falta por demais a fazer para que o sonho do diploma de nível superior seja alcançado.

Terremoto no Haiti encerra ‘período de sorte’ da região, diz americano

Artigo na revista ‘Science’ traça histórico sísmico da Ilha de Hispaniola.
Área passou por calmaria atípica por duas gerações, conclui texto.

Para o sismólogo americano William McCann, analista independente da Earth Scientific Consultants, com sede no estado do Colorado, o terremoto que devastou Porto Príncipe e arredores em 12 de janeiro marca o fim de um período de “sorte” usufruído por duas gerações de moradores da Ilha Hispaniola, compartilhada pela República Dominicana (que ocupa dois terços do território a leste), e pelo Haiti (com o terço oeste). A avaliação está em artigo na edição mais recente da revista “Science”.

Cobertura completa: terremoto no Haiti

Em 1979, McCann e um colega criaram um mapa global de potencial sísmico. Os riscos das zonas de falha geológica ( clique aqui para entender melhor esse e outros termos) foram indicados com uma escala de cores. Amarelo e vermelho apontavam as maiores probabilidades de grandes rupturas entre placas tectônicas, desencadeando terremotos mais violentos. Hispaniola aparece toda pintada de vermelho.

“Estávamos preocupados porque havia 240 anos desde o maior terremoto” na falha que rompeu há quase 15 dias, explica McCann. “Séculos se passaram, e essa área permanecia extremamente plácida.” Neste caso, a calmaria era um péssimo sinal, aponta o artigo. As tensões geológicas estavam se acumulando, sem nenhum rompimento para liberá-las. Quando um segmento da falha entregou os pontos, o resultado foi um colapso com “fúria devastadora”.

O abalo do dia 12 só ocorreu em uma parte da falha que rompeu em 1770 em um terremoto com magnitude estimada em 7,5, aproximadamente cinco vezes mais potente. Apesar do estrago que causou, o último tremor “não é realmente grande”, explica McCann. Na área da ilha, “eles podem chegar a magnitude 8”, ou seja, 32 vezes mais potentes.

Além das grandes fronteiras entre as placas tectônicas Caribenha, Norte-Americana, de Cocos e Sul-Americana, a “microplaca de Hispaniola” fica no meio de duas zonas de falha geológica paralelas, a Enriquillo-Plantain Garden, que passa por Porto Príncipe, e a Setentrional, ao norte.

“Essa fronteira dupla produziu muitos tremores, embora não muitos abalos grandes ultimamente”, afirma o texto. McCann compilou registros históricos, geológicos e sísmicos, recuando séculos, para uma apresentação em 2001, em um encontro científico sobre redução de riscos na região do Caribe. A magnitude 7,5 de 1770 foi um tremor secundário ou réplica do evento principal daquele século – um terremoto de magnitude 8 em 1751 . Outro 7,5 rompeu a parte central da Enriquillo poucos meses depois. No século 19, um terremoto de magnitude 8 atingiu a costa norte do Haiti, na falha Setentrional.

Já o século 20 foi muito mais tranquilo. Na primeira metade, quatro abalos grau 7 afetaram a costa norte da República Dominicana. O Haiti foi poupado de abalos maiores. “As duas últimas gerações têm tido sorte”, diz McCann, mas “podemos estar saindo do período de calmaria”. O estresse geológico está sempre se acumulando em uma falha. Quando a tensão é liberada, com um terremoto, as áreas de tensão podem ser transferidas para pontos vizinhos. O processo pode empurrá-las para rupturas uma após a outra, como parece ter ocorrido a partir de 1751. As falha de Hispaniola podem estar despertando do longo repouso, adverte McCann, e agora está mais claro que tipo de destruição elas podem infligir.
Globo

Rizzolo: Estes desastres naturais nos levam a pensar a magnitude da natureza, que na realidade é a pura expressão de Deus. Mas como poderíamos conceber tais estragos, açoitando muitos e poupando poucos como os ricos de Porto Príncipe, que foram poupados pelo terremoto? Existira explicação divina para tal fato? É claro que pela lógica humana jamais teremos condição de entender, a nós cabe na nossa ínfima condição de compreensão cerebral , apenas aceitar a vultuosidade da natureza, que em última instância é a expressão dos gestos de Deus.

Charge do Aroeira para o Jornal do Sul

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Lula exalta momento do Brasil e investimento na educação

RIO DE JANEIRO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que em seu governo a educação avançou para um novo patamar e declarou que em termos gerais o país vive um momento privilegiado.

Lula participou da cerimônia de entrega do prêmio educador do ano de 2009 concedido ao ministro da Educação, Fernando Haddad, pela Academia Brasileira de Educação.

“O Brasil vive uma situação privilegiada. Nunca na história esse povo esteve com a auto-estima tão elevada. Nunca vi o povo brasileiro acreditar tanto em si quanto agora. Não temos o direito de fracassar”, disse ele em discurso na sala Cecília Meirelles.

Lula voltou a criticar governos anteriores que, segundo ele, deixaram a educação em segundo plano.

“O problema do Brasil é que presidentes da República ficaram mandatos inteiros sem construir uma universidade pública ou uma escola técnica. O Brasil estava atrofiado economicamente e na educação”, disse.

“O Brasil nunca mais voltará a pensar pequeno na educação como pensou décadas e décadas… Acabamos com a palavra gasto em educação. É investimento. Mudou-se o patamar da educação no Brasil”, acrescentou.

O presidente participa ainda de dois eventos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nesta segunda-feira.
agencia estado

Rizzolo: Realmente precisamos cada vez mais investir na educação. Não há democracia de qualidade sem cultura e sem informação, e essas duas vertentes passam pela educação de base. Os grandes problemas que a democracia no Brasil enfrenta são frutos da baixa escolaridade da população no exercício da cidadania, melhorando os níveis de educação teremos mais senso crítico e conseguiremos eleger pessoas dignas e competentes. A educação mudará o perfil do Congresso.

Americana de 136 kg mata namorado de 54 kg ao sentar em cima dele em briga

A norte-americana Mia Landingham, de 136 kg, foi condenada nesta semana por ter matado seu namorado Mikal Middleston-Bey, de 54 kg, após sentar sobre ele durante uma briga.

Segundo a polícia dos EUA, o crime ocorreu em agosto passado.

Durante a briga, Mia sentou em cima de Mikal e acabou matando-o involuntariamente. O casal morava junto e tinha três filhos.

Mia recebeu uma sentença de três anos de liberdade condicional e 100 dias de serviço comunitário. Ela saiu da prisão imediatamente depois do julgamento, na quarta-feira (20).

Seu advogado argumentou que ela havia sido vítima de abuso doméstico durante um bom tempo. Ele pediu clemência à corte e lembrou que a acusada não tinha antecedentes criminais.

Ela disse que não teve intenção de cometer o crime. Mia disse que sentia por ter esmagado o pai de seus filhos.

“Eu só queria dizer que eu sinceramente sinto muito por esta situação”, disse à TV local. “Eu queria poder trazê-lo de volta.”

Uma irmã da vítima reclamou da sentença. “Você basicamente senta em cima de alguém e mata e fica em liberdade condicional? Isso é justiça?”, argumentou.
Globo

Rizzolo: Como já mencionei anteriormente em outros comentários, não gosto de comentar notícias sensacionalistas, porém como se trata de um crime, e os leitores muitos dos quais são estudantes de Direito resolvi fazê-lo. O crime em questão é do tipo preterdoloso, ou seja a vítima não teve intenção de matar mas poderiam sim prever o resultado. Ora se estamos falando de um agente que pesa 136 KG, ela deveria prever o resultado danoso do fato de sentar em cima de seu marido. Costumo dizer que precisamos acabar com o preconceito em relação aos obesos, mas por outro lado devemos iniciar uma campanha de conscientização dos malefícios em estar fora de forma, principalmente no caso de casais que não se dão bem, se moda pega hein!!

Lula receberá prêmio inédito de ‘estadista global’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva receberá o prêmio de Estadista Global do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), no dia 29. Esta é a primeira edição da homenagem, criada para marcar o aniversário de 40 anos do Fórum.

Conforme a organização do evento, o prêmio tem o objetivo de destacar um líder político que tenha usado o mandato para melhorar a situação do mundo. “O presidente do Brasil tem demonstrado verdadeiro compromisso com todas as áreas da sociedade”, disse o fundador e presidente do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, em nota à Agência Estado.

Segundo ele, esse compromisso tem seguido de mãos dadas com o objetivo de integrar crescimento econômico e justiça social. “O presidente Lula é um exemplo a ser seguido para a liderança global.”

A entrega do prêmio será feita pelo ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, e está prevista para às 11h30 (horário local; 8h30 de Brasília) do dia 29, quando o presidente brasileiro fará um discurso. Em seguida, terá início um painel de discussão sobre o Brasil. O objetivo é debater os atuais condutores do crescimento do País e os desafios à frente.

Entre os participantes do painel estarão o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o copresidente do conselho de administração da Brasil Foods, Luiz Fernando Furlan, o presidente do Instituto Ethos, Ricardo Young e o vice-presidente do argentino Banco Hipotecario, Mario Blejer. Lula também fará o encerramento do painel sobre o Brasil.
agencia estado

Rizzolo: É uma bela homenagem à altura do presidente Lula que é, sem dúvida nenhuma, um dos maiores estadistas brasileiros e agora global. Muitos se questionam o porquê de se prestigiar um presidente com pouco grau de educação, mas a grande verdade, é que para ser Presidente da República é preciso antes de tudo ter bom senso, coração, e acima de tudo sensibilidade. Cultura em si não é atributo essencial a prova está aí aos incrédulos e elitistas.

Vendas do comércio crescem 1,1% em novembro, diz IBGE

As vendas do comércio varejista tiveram em novembro uma alta de 1,1% em comparação com o mês anterior, divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a sétima expansão mensal consecutiva no volume de vendas. Em receita a alta é de 1,3%, a oitava seguida. Se comparado com novembro de 2008, o comércio teve expansão de 8,7% em volume e de 11% em receita. No ano passado, de janeiro a novembro, as vendas cresceram 5,5% e em 12 meses, 5,3%.

As vendas do setor de veículos que tiveram uma queda de 14% em outubro, voltaram a crescer 0,5%. No entanto, na passagem de outubro para novembro a alta foi liderada pelo setor de móveis e eletrodomésticos (5,9%); material de construção (2,7%); equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (1,9%).

Todas as atividades tiveram aumento no volume de vendas, em comparação com novembro de 2008, “destacando-se com as maiores taxas de desempenho justamente as que mais se retraíram com os impactos iniciais da crise financeira internacional”, aponta o IBGE. A venda de veículos e motos teve a maior alta, com 37,1%, seguido por equipamentos, materiais para escritório, informática e comunicação (19,2%) e móveis e eletrodomésticos (13,9%).

O segmento de supermercados e hipermercados deu a maior contribuição para a taxa global do varejo, com alta de 8,2% no volume de vendas.

hora do povo

Rizzolo
: Não há dúvida que é uma excelente notícia. A recuperação da economia brasileira muito atrelada às exportações a alguns países como a China, esta certa forma fortalecendo o nosso mercado interno. A grande saída para o Brasil, como já mencionei inúmeras vezes, é o desenvolvimento do mercado interno.

FORÇA SOBRENATURAL

“Em um dia quente de verão no sul da Flórida, um menino decidiu nadar no rio que corria atrás de sua casa. Ele se jogou na água refrescante e estava tão entretido que não percebeu quando um crocodilo enorme começou a nadar em sua direção. Sua mãe, que havia ficado em casa, aproximou-se da janela para ver se estava tudo bem. De repente, viu o crocodilo se aproximando de seu filho, que nadava tranquilamente sem perceber o perigo. Começou a gritar o mais alto que podia para alarmar o filho. Apesar da distância, o menino percebeu que havia algo de errado. Foi então que notou o crocodilo vindo em sua direção. Tentou nadar o mais rápido que podia para sair do rio, mas já era tarde demais, o crocodilo já o havia alcançado.

A mãe, em total desespero para salvar seu filho, atirou-se no rio. Quando o crocodilo abocanhou as pernas do garoto, a mãe agarrou-o pelos braços. A mãe, usando todas as suas forças, lutou contra o crocodilo para salvar a vida de seu filho. O crocodilo era forte, tentava arrastar o menino para o fundo do rio, mas a mãe não desistia, não parava de lutar.

Naquele instante passou por ali um caçador. Ao ver a luta desesperada da mãe com o crocodilo, sacou sua espingarda e, com um tiro certeiro, matou o crocodilo. A mãe trouxe o filho até a margem e levou-o o mais rápido que pôde ao hospital. O menino, apesar dos graves ferimentos nas pernas, sobreviveu e depois de alguns meses voltou a andar normalmente.

Enquanto o menino estava hospitalizado, ele recebeu a visita de um jornalista que havia escutado a história e queria saber mais detalhes. O garoto contou tudo o que havia acontecido e, levantando a colcha, mostrou os ferimentos dos pés e pernas, que deixariam cicatrizes profundas para o resto da vida. Quando o jornalista estava saído do quarto, o garoto o chamou de volta e disse:

– Perdoe-me, mas as marcas mais interessantes eu ainda não lhe mostrei.

Então, com muito orgulho, mostrou as marcas e cicatrizes de seu braço. Eram as marcas das mãos de sua mãe que, ao segurá-lo com muita força para tirá-lo da boca do crocodilo, tinha ferido seu braço. Então uma lágrima escorreu dos seus olhos e ele falou, muito emocionado:

– Eu tenho estas marcas porque minha mãe não me largou. Ela sabia que não podia lutar contra um crocodilo, mas ela não mediu esforços. Mesmo que parecia impossível, ela não desistiu de mim. Somente assim ela conseguiu salvar minha vida”

Não sabemos a força que temos dentro de cada um de nós, e muitas vezes desistimos, sem mesmo lutar, de batalhas que poderíamos vencer se conhecêssemos o nosso verdadeiro potencial.

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Na Parashá desta semana, Bo, D’us continuou castigando os egípcios com as pragas, em retribuição a todo o mal que eles haviam feito aos judeus durante todos os anos de escravidão. Outro motivo das pragas era para que D’us revelasse o Seu imenso poder a todo o mundo. Mas aparentemente as pragas não conseguiram fazer o faraó se curvar diante de D’us. Mesmo após oito pragas terem devastado o Egito, assim está escrito na Parashá “E ele os expulsou (Moshé e Aharon) diante da presença do faraó” (Shemot 10:11). Como o faraó ousou tratar Moshé e Aharon de maneira tão vergonhosa, expulsando-os de seu palácio, como se eles não fossem nada, depois de todos os milagres que eles haviam feito aos olhos de todos os egípcios?

A resposta encontramos na Parashá da semana passada. Após D’us ter mandado a sexta praga, uma doença que causava bolhas sobre todo o corpo dos egípcios, está escrito “D’us endureceu o coração do faraó e ele não os escutou” (Shemot 9:12). Até a sexta praga o faraó teve o livre arbítrio de enxergar seus erros e se arrepender, mas a partir da sexta praga seu livre arbítrio foi retirado. É por isso que, mesmo após tantos milagres e destruição, o faraó ainda tratava Moshé e Aharon com desdém, pois D’us havia endurecido seu coração.

Observamos que após a sexta praga, se D’us não tivesse endurecido o coração do faraó, ele teria deixado os judeus saírem do Egito. Mas surge uma grande pergunta: qual a diferença desta praga para as cinco pragas anteriores, que não tinham conseguido tocar o coração do faraó? Podemos entender o porquê das pragas do sangue e do sapo não terem tocado o coração do faraó, já que a Torá escreve que seus magos também conseguiram, através do uso de magia negra, repetir as pragas. Mas a partir da terceira praga, piolhos, os magos não conseguiram mais repeti-las, e eles mesmos afirmaram “É o dedo de D’us”. Então por que a praga das bolhas tocou mais o coração do faraó do que as anteriores?

Explica o Rav Chaim Shmulevitz que o ser humano tem forças dentro de si mesmo que ele não consegue nem mesmo imaginar. Quando Adam Harishon (Adão) foi criado, o Talmud (Torá Oral) ensina que ele podia enxergar de um extremo do mundo até o outro extremo, desde a Terra até o céu, e apenas quando ele pecou é que seu potencial foi diminuído. Isso quer dizer que ele tinha uma força sobrenatural, tudo estava ao seu alcance. Quando Yaacov foi dar água para o rebanho de Rachel, ele retirou sozinho da boca do poço uma gigantesca pedra que normalmente somente era removida com a força de vários pastores juntos. Quando Batia, a filha do faraó, viu a cesta de Moshé no rio Nilo, ela esticou sua mão e conseguiu alcançá-lo a uma distância que qualquer ser humano normal não teria conseguido. E Torá traz vários outros exemplos de eventos nos quais nossos antepassados mostraram ter uma força sobrenatural. Qual a fonte desta força?

Responde o Rav Chaim Shmulevitz que para conseguir esta força sobrenatural a pessoa precisa acertar o seu foco e os seus objetivos na vida. Quando a pessoa está completamente focada e determinada em atingir seu objetivo, ela consegue obter forças que nem mesmo imaginava. São inúmeros os casos de pessoas que, quando ameaçadas por qualquer tipo de perigo, conseguem realizar façanhas que eram consideradas impossíveis. Mães levantam sozinhas carros para salvar seus filhos de um atropelamento certo, pessoas fazem coisas impossíveis para salvar suas vidas em um incêndio. A obrigação de resolver um problema e a sensação de necessidade cria nas pessoas uma força imensa, muito maior do que sua força normal.

Esta foi a diferença da praga das bolhas e as pragas anteriores. Como Moshé executou a praga das bolhas? Assim está escrito: “E eles (Moshé e Aharon) pegaram um punhado de cinzas, ficaram diante do faraó, e Moshé atirou (as cinzas) aos céus, e elas se transformaram em bolhas que atingiram os seres humanos e os animais” (Shemot 9:10). Explica Rashi, comentarista da Torá, que a linguagem utilizada na Torá, “atirou”, somente é utilizada quando alguém joga algo com muita força. Mas se as pragas eram para revelar o poder de D’us, por que Moshé teve que atirar as cinzas com força? Se fazia parte do milagre, por que D’us não fez algo ainda maior, com Moshé jogando as cinzas para cima sem força?

Responde o Rav Chaim Shmulevitz que o ato de atirar as cinzas não fazia parte do milagre. Moshé conseguiu atirar o punhado de cinzas sobre todo o Egito com sua própria força, pois tinha o foco e a determinação, e conseguiu chegar a uma força sobrenatural. Quando o faraó presenciou isto, seu coração se derreteu e ele finalmente enxergou a grandeza de D’us.

Vemos na história do povo judeu muitas pessoas que se superaram e chegaram a níveis inimagináveis. Um dos maiores exemplos foi o famoso Rabi Akiva, a quem devemos muito por toda a Torá que temos até os nossos dias. Até os 40 anos ele era um completo analfabeto. Passou 24 anos estudando longe de casa e voltou com 24 mil alunos. Poderíamos pensar que todas as pessoas que tiveram desempenhos sobrenaturais na vida eram pessoas já “predestinadas” ao sucesso. Mas isso não é verdade, é um grande engano. Tudo depende do nosso foco e da nossa determinação na vida. Quando qualquer pessoa colocar em seu coração e sentir a necessidade de se conectar com a sua espiritualidade, certamente conseguirá despertar em sua alma forças inimagináveis, como fez o Rabi Akiva.

Quando a Torá descreve o nascimento de Moshé, está escrito: “E um homem da casa de Levi foi e se casou com uma filha de Levi. E a mulher engravidou e deu a luz a um filho” (Shemot 2:1,2). Por que a Torá escreve “um homem da casa de Levi” e “uma filha de Levi”, ao invés de escrever “Amram” e “Yochevet”, o nome dos pais de Moshé? Pois poderíamos pensar que Moshé foi grande apenas porque era filho de Amram, o líder do povo judeu no Egito, e Yochevet, uma grande Tzadiká (Justa) que arriscou a vida para proteger os bebês judeus. Então a Torá escreveu apenas “um homem da casa de Levi” e “uma filha de Levi” para nos ensinar que Moshé chegou a ser grande por seu próprio esforço e vontade de alcançar altos níveis espirituais.

Dizem os nossos sábios que todos os dias temos que nos fazer a seguinte pergunta: “Quando meus atos chegarão no mesmo nível dos atos dos meus antepassados Avraham, Itzchak e Yaacov?”. Não é uma utopia cobrar isso de nós mesmo, que estamos atualmente em um nível espiritual tão baixo? Nossa Parashá ensina que não, pois se conseguirmos nos concentrar no nosso objetivo na vida, colocando todo o nosso foco e os nossos esforços no nosso crescimento espiritual, certamente descobriremos dentro de cada um de nós uma força que nunca sonharíamos ter.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

Tenha um sábado de paz

Fernando Rizzolo

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Charge do Lézio Jr. para Diário da Região ( S.J.do Rio Preto)

Dilma adia legalização de terreiros para evitar crise

SÃO PAULO – Disposta a evitar novos atritos com evangélicos e a Igreja Católica em ano eleitoral, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência, mandou a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial adiar o anúncio do Plano Nacional de Proteção à Liberdade Religiosa. O projeto, que prevê a legalização fundiária dos imóveis ocupados por terreiros de umbanda e candomblé e até o tombamento de casas de culto, seria lançado ontem, mas na última hora o governo segurou a divulgação sob o argumento de que era preciso revisar aspectos jurídicos do texto.

O adiamento ocorre na esteira da polêmica envolvendo o Programa Nacional de Direitos Humanos, que pôs o Palácio do Planalto numa enrascada política, provocando crise dentro e fora do governo. Temas controversos, como descriminação do aborto, união civil de pessoas do mesmo sexo e proibição do uso de símbolos religiosos em repartições públicas, foram alvo de fortes críticas, principalmente por parte da Igreja.

Na avaliação do Planalto, é preciso evitar novos embates que possam criar “ruídos de comunicação” e prejudicar a campanha de Dilma. Desde o ano passado, a ministra tem feito todos os esforços para se aproximar tanto de católicos quanto de evangélicos e já percorreu vários templos religiosos.

“O programa de promoção de políticas públicas para as comunidades tradicionais de terreiro já estava adequado, mas, como é um plano de governo, precisa ser pactuado para não haver constrangimentos”, afirmou o ministro-chefe da Secretaria da Igualdade Racial, Edson Santos.

Apesar de dizer que nunca é demais dar “outra passada de olhos” no texto, para maior observância à Constituição e ao Código Penal, Santos não escondeu a decepção com a ordem para suspender o anúncio do plano, que seria feito justamente na véspera do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, comemorado hoje. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
agencia estado

Rizzolo: Não vejo isso com bons olhos. Ora, se existe uma política para de forma indiscriminada agregar, legalizar aspectos de determinas religião porque não fazer? Não é de bom alvitre se lançar a preocupações eleitoreiras em detrimento a causas legítimas e que vão aos anseios de grupos religiosos como os umbandistas. Seja lá qual for o credo, católicos, umbandistas, evangélicos, protestantes, judeus, ninguém há de se ficar “contrariado”, e tampouco o governo deve evitar os avanços em nome de popularidade. Sempre defendi os evangélicos e não acredito que haveria conflito religioso. Vai mal assim hein!