A guerra aérea das comissões – Coluna Carlos Brickmann

O presidente Lula está no canto do ringue: ou aceita a análise da comissão da FAB favorável aos supersônicos suecos Grippen (e desiste da palavra dada, em público, ao presidente francês Sarkozy), ou desafia a opinião técnica e opta pela análise de sua própria comissão, integrada por ele mesmo, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e a equipe do Itamaraty que participou das negociações. Que posição será menos comprometedora: com a FAB e contra a França, ou com a França e contra a FAB? Como preterir uma comissão por outra? Palavra de presidente volta atrás? Seria possível pedir ao senador Mercadante que o ajude a revogar a irrevogável decisão pela França? Afinal, que é que o Brasil deseja?

A compra dos caças supersônicos pela Aeronáutica tem três funções principais para o Brasil: garantir a defesa aérea do país (os aviões mais provados são os Super Hornet da Boeing, que estão em segundo lugar na análise técnica), sem gastar demais (os Grippen, que custam a metade dos Rafale franceses, levam vantagem); desenvolver tecnologia (os Grippen ficam à frente dos concorrentes, porque ainda estão em projeto e a indústria brasileira participaria de seu desenvolvimento); e buscar aliados que apóiem o desejo brasileiro de ocupar um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU (nesse caso, os Rafale estão na frente: a França ainda não conseguiu vendê-los a ninguém, e se votar pela pretensão brasileira for bom para ajudar o negócio, por que não?)

E, não se esqueça, Governo e FAB vêm ficando de mal já faz tempo.

As alfinetadas

As primeiras pancadas partiram do presidente. Nos tempos do apagão aéreo, mandou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, conversar com militares insubordinados, passando por cima do ministro da Aeronáutica, Juniti Saito. Em 7 de setembro, anunciou, sem esperar o relatório da FAB, a decisão de comprar os caças franceses; e agora, no final do ano, propôs mais uma comissão, agora a da Verdade, para apurar ilegalidades cometidas por militares, esquecendo o outro lado da luta. Talvez o relatório dos caças seja a primeira resposta da FAB.

Bom emprego
Do Natal até o Carnaval, na primeira quinzena de fevereiro, cada parlamentar federal receberá R$ 96 mil extraordinários. São o 14º e o 15º salários, mais quatro outros salários porque, afinal, nessa época as despesas aumentam, não é? E que o caro leitor não fique resmungando: eleja-se que o dinheiro aparece.

O bom Boris
Como dizia um famoso mestre há cerca de dois mil anos, quem nunca tiver pecado que atire a primeira pedra. Quem, entre os caros leitores, já não contou piada de português, de turco, de judeu, de preto, de anão, de japonês, de argentino, de loura burra? Essas piadas expressam preconceitos. E não têm nada de mais: aquilo que se fala em particular, sem intenção de causar o mal, não pode nem deve ser patrulhado, ou o mundo se transformará num grande 1984, com a submissão de todos os cidadãos à tirania do politicamente correto.

O que está acontecendo com Boris Casoy, pessoa correta e jornalista de nível, é uma tentativa de character assassination. Boris falou apenas para quem estava a seu lado; falou em caráter privado. A abertura do microfone tornou público o que disse, mas sua intenção não era falar ao microfone. O mais curioso é que, entre os que o acusam mais ferozmente, há pessoas que enfrentam suspeitas. Terão mesmo traído seus companheiros, e por isso gritam tanto, tentando limpar-se?

O trabalho do editor

O que poucos parecem ter percebido – porque é um fenômeno típico de quem faz televisão – é que Boris, ao criticar a opção pelos votos de Boas Festas transmitidos pelos garis, estava criticando o próprio jornal (e esta é sua função). Opções editoriais são discutíveis e contestáveis; no decorrer do tempo apura-se quem tem razão, quem acertou mais vezes o gosto do público. Este colunista já divergiu de muitas opções editoriais de Boris; mas ele teve razão mais vezes.

Volta por cima
Um dos maiores nomes do PMDB do Paraná, Maurício Fruet, morreu cedo, quando já era o deputado federal mais votado do Estado. Sua carreira foi retomada pelo filho Gustavo, que agora tenta um voo mais alto: o Senado. Gustavo Fruet deve sair pelo PSDB e, de acordo com pesquisa do jornal Gazeta do Povo, tem em Curitiba o triplo das intenções de voto do governador (e ex-prefeito) Roberto Requião, do PMDB; e é o líder da segunda intenção de voto entre os que escolheram outro candidato, numa eleição em que dois nomes serão escolhidos. Além do apelo eleitoral, Fruet herdou do pai uma característica pouco habitual entre políticos: o bom-humor. Deixará mais amenas as áridas reuniões do Senado.

Lula lá
Agora ninguém segura: com as distinções internacionais que vem recebendo de uma série de publicações de credibilidade, o presidente Lula aproveita o restante do mandato para viajar pelo mundo e buscar novos sucessos. Em fevereiro, o presidente deve ir ao México e ao Caribe – com uma passadinha por Cuba, para tomar a bênção de Fidel Castro. Depois, visitará as forças brasileiras no Haiti.

2 Respostas to “A guerra aérea das comissões – Coluna Carlos Brickmann”

  1. Victória Says:

    Isto é uma vergonha!. Adoro ouvir esta frase pela boca do grande jornalista Boris Casoy. Que celeuma estão fazendo contra o notável jornalista pelas expressões usadas em carater privado. Quem veicula uma frase dita em carater privativo é que deveria ser criminalizado.

    Quanto a guerra aérea das comissões deve ser alta!… Quem serão os beneficiários?

  2. Eliseu Says:

    O Bom Boris !
    O que ele disse não se trata de piada.
    Ele expressou alto e claro a opiniõa dele sobre os lixeiros.
    Creio eu que todos que ficam tentando colocar um pano sobre o fato, pensan exatamente o mesmo sobre lixeiros, pobres ou negros.
    Afinal…. quem é que gosta de pobre e/ou de gente feia ? Acho que ninguém, mas o mínimo que devemos a eles é o respeito e Boris faltou com esse fator. Isso não exclui o mérito dele ser um excelente jornalista.


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