Medo de água fria. E de água quente – Coluna Carlos Brickmann

Um charuto pode ser um símbolo fálico. Mas às vezes é só um charuto. Paranoico é quem tem mania de perseguição. Mas às vezes a perseguição é real.

1 – O Plano de Direitos Humanos do Governo Federal, cujo texto final saiu do Gabinete Civil de Dilma Rousseff, criou problemas com militares; e com um aliado do presidente Lula, o ministro da Defesa, Nelson Jobim. E também com a Igreja Católica, companheira de viagem do PT. Cria uma crise que não existia.

2 – Juntar num mesmo pacote a questão do aborto, do casamento gay, das torturas praticadas durante o regime militar, da desocupação de terras invadidas (que se torna muito mais complexa, envolvendo os invasores e uma série de novas instâncias antes da manifestação da Justiça), da fiscalização das empresas produtoras de tecnologia (que deveriam ser estimuladas, não perseguidas), do agronegócio (que por algum motivo passa a ser contrário aos direitos humanos), de comitês sindicais para punir os meios de comunicação, tudo a nove meses das eleições, só pode criar confusão. Não se vai gerar luz, mas apenas calor.

3 – O presidente é extremamente popular; mas sua candidata continua longe do primeiro colocado nas pesquisas, apesar da ampla exposição pré-eleitoral.

4 – A iminente desautorização do relatório da FAB pelo Governo, no caso dos caças – tudo indica que o terceiro colocado da FAB é o favorito do presidente.

Nada disso prenuncia coisa boa. Parece buscar-se no confronto aquilo que não se espera obter nas urnas. É um filme que já vimos. E nós morremos no fim.

Boa vontade

A Internet está cheia de manifestações de gente que andava quieta há tempos, mas que nunca escondeu suas pretensões golpistas. Mas esperemos que esta coluna esteja apenas sendo paranóica, sem que nada do que a preocupa seja real.

A lição argentina

A propósito, antes que se formem comitês da verdade recheados de companheiros necessitados, vale a pena seguir o exemplo argentino: a presidente Cristina Kirchner mandou abrir todos os arquivos da ditadura. Aqui, por algum motivo estranho, o Governo não abre seus arquivos (até coisas da Guerra do Paraguai se mantêm em sigilo). Que se abra tudo, sem exceção, sem restrições. A luz do Sol é o melhor remédio para as sombras, o apodrecimento e o mofo.

A volta de Marta

A ex-prefeita paulistana Marta Suplicy, mais poderosa dirigente do PT estadual, deve ser candidata em outubro. Pode sair para o Governo; ou, caso o senador Aloízio Mercadante opte por tentar o Governo, e não a reeleição, pode disputar o Senado. Marta é uma candidata de porte: tem discurso, tem estrutura, tem voto, tem capacidade para conduzir uma campanha, é boa de debate. Não pode deixar os marqueteiros sem supervisão, como na última campanha, em que eles partiram para uma linha preconceituosa, que pegou mal; mas tem competência para reconhecer o erro, mesmo que em particular, e corrigir-se. São duas disputas difíceis. Mas, se sair para deputada federal, elege-se sem problemas.

O caro sai caro

Do chanceler Celso Amorim, comentando o relatório da FAB que sugere a compra dos caças supersônicos suecos Grippen, entre outros motivos pelo preço e manutenção mais baixos: “Muitas vezes, o barato sai caro”. Levemos ao limite o raciocínio do chanceler: o Itamaraty, que ele comanda, poderia deixar de lado os carros mais baratos e usar só Rolls-Royces. Sem dúvida, e já que o custo não é problema, ficaria mais bem servido.

Agora, vai!

A Comissão de Relações Exteriores do Senado, comandada pelo tucano Eduardo Azeredo, decidiu pedir explicações ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, sobre a compra de caças para a FAB. Jobim, que foi ministro do tucano Fernando Henrique, que é ligado ao candidato tucano José Serra, que assistiu ao pífio desempenho dos oposicionistas na CPI da Petrobras, não se assusta com o pedido de explicações. E marcará a data de ir ao Senado assim que parar de rir.

Sem fantasia

Pesadas críticas ao presidente Lula por não visitar as áreas de enchente. Bobagem: que é que ele poderia fazer ali que não pudesse ter sido feito em seu gabinete.

Aquecimento global

Na Florida, centro da produção de laranjas dos EUA, a temperatura está próxima de zero, com quebra de safra. A Florida é um Estado quente: mais ao Norte, a temperatura já caiu a -30º, e pode cair ainda mais. Na Inglaterra, o frio atingiu -22 graus. Na Índia, nos últimos dois meses, o frio já matou 200 pessoas.

Delícia da paz

Um grupo de 400 israelenses, formado por judeus, cristãos e muçulmanos, trabalhou em conjunto por seis horas para fazer o maior prato de homus da História, com quatro toneladas. O homus, pasta de grão de bico amassada com azeite, não vai durar muito tempo: é apreciadíssimo em todos os países do Oriente Médio. As quatro toneladas de homus entrarão no Livro Guiness dos Recordes. O recorde anterior, de duas toneladas, foi alcançado por cozinheiros libaneses.

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