Jovens que saíram de escolas públicas comemoram bons resultados

Em época de divulgação das listas de aprovados nos principais vestibulares do país, jovens guerreiros comemoram a mudança de vida. Eles saíram de bairros pobres, estudaram em escolas públicas, se dedicaram e chegaram às melhores universidades do país.

Os livros pré-vestibulares agora são uma pilha no canto de casa. Foram aposentados, depois de seis anos de uso. Desde 2003, Priscila Bezerra da Silva tentava uma vaga de mecânica de projeto na Fatec, em São Paulo. E conseguiu. “[Me sinto] vitoriosa, nervosa, apreensiva, mas aliviada. Tudo isso junto, mas é uma questão de alivio por ter entrado em uma faculdade pública, uma faculdade que eu sempre quis”, comemora.

A manicure sempre estudou em escola pública e precisou se esforçar muito para ganhar da concorrência. “Foi estressante, puxado, corrido. Quase não saía, mal comia direito, ficava horas a fio acordada”, lembra a estudante.

Ada Geralda da Silva insistiu por quatro anos até que a universidade, que parecia tão distante, encheu os olhos desta jovem de alegria. “Não estou acreditando até agora. É indescritível, é inacreditável.”

Ela conquistou uma das 1,7 mil vagas de engenharia de uma universidade pública. Sem cursinho, com persistência. “Já era para eu estar me formando, mas devido à situação financeira, não consegui entrar na faculdade particular. Tive que estudar bastante para chegar aqui”, diz a estudante.

Nos canaviais de Pernambuco, Jonas Lopes da Silva ganhou cicatrizes e a força para querer outra vida. Com 24 anos, filho de um pedreiro e de uma cortadora de cana, ultrapassou 34 candidatos e entrou no curso de medicina da universidade estadual, um dos mais disputados de Pernambuco. “Não tenho como dizer a minha felicidade. Dá vontade de sair correndo nos quatro do mundo gritando”, diz a mãe de Jonas, Edileusa Maria da Silva.

“O sonho de ver meu filho estudando medicina é uma alegria”, completa o pai de Jonas, José Lopes da Silva.

Foram quatro anos de tentativas, morou em alojamento para estudantes, pagou o estudo com trabalho e passou até fome.

Futuro

Medicina, mecânica, engenharia – para cada um deles, a profissão escolhida é a melhor. É ela que vai ajudar a escrever o futuro. “Um futuro de várias amizades, uma boa educação, saindo formada de uma faculdade boa”, espera Priscila Bezerra da Silva.

“Eu pretendo estudar bastante e me tornar uma pessoa melhor, ter a formação que meu pai não conseguiu ter”, planeja Ada Geralda da Silva.

“Não suporto ver as pessoas sofrendo. Olho para elas e me vejo com um bisturi”, comenta o estudante Jonas Lopes da Silva. As aulas dele só começam em agosto. Enquanto isso, o estudante está trabalhando. Vai usar o dinheiro para comprar os livros do curso de medicina e também para reformar a casa dos pais.
globo

Rizzolo: Não há dúvida que estudantes pobres agora possuem uma maior oportunidade de ingressarem em universidades, mas é muito pouco, principalmente em cursos mais concorridos como medicina. Não é possível que num país pobre como o Brasil, ainda existam poucos médicos em relação à população, é inaceitável o corporativismo no bloqueio as novas faculdades de medicina, no não reconhecimento direto dos diplomas no exterior, e na dificuldade dos estuantes pobres pagarem os cursos em faculdades privadas, fazendo com que muitos façam o curso nos países da América Latina, obrigando-os a fazerem um exame quando os que aqui se formam, nem sequer são submetidos a qualquer avaliação. Não se trata de uma questão de nível, de grade, até porque em medicina não existe um exame como o da OAB, é puro corporativismo onde a vítima é a população, os estudantes pobres e a saúde pública. Vamos mudar isso!

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