Guardai os vossos pandeiros – Coluna Carlos Brickmann

1 – É Carnaval, e há pouca gente em Brasília, que Suas Excelências precisam visitar as bases – seja lá isso o que for. A chance é boa: vão tentar passar na Câmara aquela emenda constitucional que efetiva, sem essas formalidades moralistas de concurso, cinco mil titulares de cartórios. Existe gente que passou em concurso e aguarda nomeação. Talvez tenham de continuar esperando.

Quem propôs o trem da alegria dos cartórios sem nomeação é o mesmo Governo que fala em multar severamente empresas envolvidas em corrupção, naturalmente após um rigoroso inquérito. Tanto Dilma quanto Lula, cultores do idioma, sabem que rigoroso inquérito não significa inquérito rigoroso: é o contrário.

2 – Cartório no Brasil sempre serviu para enriquecer amigos e parentes. Quando o escritor Fernando Sabino casou com a filha do governador mineiro Benedicto Valladares, ganhou um cartório de presente. Quando se separou, devolveu o cartório. Se não era mais parente, por que ficaria com o cartório? Foi o reconhecimento público do toma lá, dá cá. Pelo jeito, tudo continua igual.

3 – Informação publicada nesta segunda pelo jornalista Aziz Ahmed, no tradicional Jornal do Commercio do Rio: “Hoje há mais de 4,5 mil jornalistas contratados pela Viúva, através de diferentes órgãos, para falar bem do Governo e contestar quem fala mal”. As fontes de pagamento são diferentes, mas o dinheiro é desta pessoa que você vê todas as manhãs no espelho ao escovar os dentes.

Guardai os vossos pandeiros, guardai, diz a marchinha. É para preservá-los.

Tem branco no samba

São espetáculos notáveis, muito melhores que os de Madonna ou Beyoncé: na sexta e no sábado, Dilma Rousseff e José Serra mostrarão toda a sua ginga, samba no pé, ritmo e sensualidade no Carnaval. Sexta, em São Paulo, no Sambódromo Paulistano, no camarote da Prefeitura; sábado, no desfile do Galo da Madrugada, no Recife. É só olhar os pré-candidatos à Presidência para notar que os dois adoram Carnaval – tanto que, se tudo der certo, ambos podem aparecer também no Sambódromo carioca, na noite de domingo, prontinhos para conhecer o sambante asfalto da Marquês de Sapucaí. Eleição não é santo mas faz milagres.

O nome, o nome!

Fernando Henrique comparou Dilma Rousseff a um boneco de ventríloquo, já que quem fala é sempre Lula. Mas faltou dar o nome do boneco. Que tal Chuck?

Passarinho na mão

O presidente da Confederação Nacional da Indústria, Armando Monteiro Neto, decidiu renunciar ao cargo entre abril e maio, para disputar a reeleição para o Senado, por Pernambuco. O mandato vai até outubro, mas ele pretende evitar acusações de beneficiar-se do cargo na eleição. Seu substituto natural seria o primeiro vice-presidente da entidade, Paulo Skaf, da Fiesp. Com isso, ele romperia o bloqueio lá vigente a empresários paulistas (desde que a CNI foi criada, há mais de 70 anos, só um paulista foi presidente – mas teve de ser um homem extraordinário, incontestável, Mário Amato). E Skaf teria a oportunidade de candidatar-se a um mandato integral, com boas chances. Entretanto, ele prefere acreditar que será candidato forte ao Governo paulista – o que é quase impossível. Skaf é uma espécie de Dilma sem Lula. Assim, quem deve assumir a CNI é o mineiro Robson Andrade, segundo vice, ligadíssimo ao governador Aécio Neves.

Cuidado: é Brasil

A empresa européia de consultoria Bernstein Research concluiu que o Brasil tem a segunda tarifa mais alta do mundo para a telefonia celular, perdendo apenas para a África do Sul. Esse tipo de pesquisa é perigoso: pode despertar o instinto competitivo dos empresários do setor, levando-os a lutar pelo primeiro lugar no campeonato mundial dos preços altos (é Brasil, sil, sil!)

Meu paipai

O presidente Lula deve viajar logo depois do Carnaval, para Cuba. Quer fazer o programa completo: conversas com Fidel Castro e seu herdeiro Raúl. O presidente, segundo se comenta, quer acertar a participação da Petrobras com a Cubana de Petróleo, Cupet, na pesquisa de novas jazidas no Mar do Caribe. E, já que está mesmo por lá, Lula deve ir também ao Haiti.

Atenção ao Supremo

Hoje deve entrar em julgamento a Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pelo DEM, com o objetivo de acabar com o repasse de 10% do dinheiro arrecadado pelo Imposto Sindical para as centrais sindicais. Este imposto sindical já foi criticadíssimo pelo PT, por igualar sindicatos combativos aos acomodados: o assalariado paga sempre, mesmo que nem seja sindicalizado. E agora ainda pegam parte deste dinheiro para CUT, Força, CGT, dispensando as centrais sindicais de atender bem aos assalariados para poder arrecadar.

Olho na novela

É amanhã: bem no meio da novela das oito, aparecem Carlos Luppi, Cristovam Buarque e outros astros do PDT para o horário político gratuito. São dez minutos, tempo que os partidos, claro, acham insuficiente para expor suas importantes teses. Mas, para o telespectador, é como se fosse mais de uma hora.

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