Lula critica ONU e pede debate sobre Ilhas Malvinas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu nesta terça-feira (23) o início de um debate na Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a polêmica envolvendo a exploração petroleira nas Ilhas Malvinas por uma empresa britânica, criticada pela Argentina.

Lula fez a declaração na Cúpula do Grupo do Rio, no México, evento no qual representantes de 32 países da América Latina e do Caribe estiveram reunidos. No encontro, os líderes aprovaram por unanimidade a reivindicação da Argentina pela soberania sobre as ilhas.

Os argentinos não aceitam a ação da empresa Desire Petroleum na região e se baseiam em uma resolução da ONU de que nada poderia ser feito nas ilhas sem o consentimento dos dois países, que entraram em guerra em 1982 pela posse das ilhas.

‘Qual explicação?’

Durante a cúpula, Lula disse não ser possível que a Argentina não tenha soberania sobre as Malvinas e que esse direito seja exercido por um país a 14 mil quilômetros de distância.

“Qual é a explicação política das Nações Unidas para que não tenham tomado uma decisão? Será o fato de a Inglaterra participar como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas a razão para que eles podem tudo e os outros não podem nada?”, indagou Lula. “É necessário que comecemos a lutar para que o secretário-geral das Nações Unidas reabra este debate com muita força dentro das Nações Unidas”, afirmou.

“Não é possível que as Nações Unidas continuem com um Conselho de Segurança que seja representado pelos interesses políticos da Segunda Guerra Mundial, que não levem em conta todas as mudanças que ocorreram no mundo”, disse Lula. “A ONU se distancia e os países individualmente se ocupam de seus assuntos, porque a ONU perdeu representatividade”, afirmou.
globo

Rizzolo: Essa disputa pela soberania das ilhas Malvinas ou Falklands nunca terá fim, o bom seria o Brasil não se envolver nessa discussão, quem teria ainda maior legitimidade para discutir essa disputa,se assim fosse, seria os franceses que foram os primeiros a lá se estabelecer. O governo argentino volta à discussão com a pura finalidade política nacionalista, um problema que na realidade vem ao socorro interno fruto da fragilidade política e econômica do governo de Cristina Kirchner.

Governo está ‘tranquilo’ com a Telebrás, diz assessor

BRASÍLIA – O assessor especial da Presidência da República e coordenador dos estudos para implantação do Plano Nacional de Banda Larga, Cezar Alvarez, disse hoje que o governo “está muito tranquilo” com a possibilidade de utilizar a Telebrás para ser a gestora do programa de expansão da internet rápida no Brasil, porque essa hipótese vem sendo considerada, segundo ele, desde 2004, quando o governo iniciou o projeto Computador para Todos. “Não é segredo que o governo tenta usar suas redes como elemento ''ofertador'' e regulador do mercado. Se vai ser através desta ou daquela empresa, tem estudos que mostram que a Telebrás é a empresa com maior possibilidade, que acumula as melhores condições para exercer a gestão”, afirmou.

O assessor disse que não tem conhecimento da denúncia publicada hoje no jornal Folha de S.Paulo de que o ex-ministro José Dirceu tenha se favorecido no processo de reativação da Telebrás e de utilização das redes de fibras óticas da Eletronet no programa de massificação da banda larga. Depois de participar de seminário em Brasília, Alvarez disse que não havia lido ainda os jornais do dia, mas assegurou que não há nenhum constrangimento com as denúncias e especulações envolvendo as ações da Telebrás na Bolsa de Valores. “Das informações que detenho e da tranquilidade como nós estamos trabalhando essa questão, não tenho o menor constrangimento e sei que o Plano Nacional de Banda Larga não se afastará um centímetro de suas diretrizes”, disse.

Sobre a possibilidade de criação da CPI da Telebrás, que será proposta pelo líder do DEM na Câmara, deputado Paulo Bornhausen, Alvarez disse que respeita as prerrogativas do Legislativo, mas provocou. “Só espero que não seja mais um elemento para fugir da discussão da necessidade que o Brasil tem da banda larga ou para fugir dos problemas que esse próprio partido tem em outras searas”, disse Alvarez, numa referência ao mensalão do DEM, no Distrito Federal.

Sobre a valorização das ações da Telebrás, Alvarez disse que desconhece os mecanismos do mercado financeiro e que informações privilegiadas devem ser combatidas pela publicidade do fato. “Desde 2004 há registros sobre a possibilidade de a Telebrás ser usada. A partir daí, qualquer observação será especulativa”, disse.

Questionado sobre o motivo de o governo não anunciar oficialmente que usará a Telebrás, para evitar especulações, Alvarez disse que a decisão ainda não foi tomada e que deverá sair na próxima reunião que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá com vários ministros. Inicialmente essa reunião estava prevista para a primeira quinzena de março, mas, segundo Alvarez, por problemas de agenda do presidente, ela deverá ocorrer no fim de março ou no início de abril. Segundo ele o presidente Lula tem falado sobre a reativação da Telebrás, porque conhece os estudos e sabe que a Telebrás é a empresa que tem as melhores condições para ser a operadora da expansão da banda larga. Ele lembrou que o governo tenta há cinco anos, no Judiciário, através da Eletrobrás, recuperar as redes de fibras óticas que pertencem à Eletronet.

agencia estado

Rizzolo: O grande desafio hoje é viabilizar o programa de expansão da internet rápida no Brasil. Nisso tudo existem os que odeiam a participação do Estado e de tudo fazem para desqualificar o processo, usam de todos meios e subterfúgios para saciar a sede do capital e dos interesses de poucos. Afirmar que a reativação da Telebrás beneficiaria empresa que José Dirceu assessorou, ou que por detrás disso tudo está o ex. ministro, entendo ser mais um argumento pobre para fugir da discussão maior, que é sim manter esse projeto, o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), nas mãos do Estado brasileiro. Definitivamente a Telebrás deve ser reativada para esse fim, aliás, a discussão sobre a ressurreição da Telebrás vem desde 2004, e de forma transparente, o resto é bobagem da oposição, pura manobra diversionista, de uma oposição sem discurso.