Os pensamentos de um estadista – Coluna Carlos Brickmann

Façam seu jogo, caros leitores. Identifiquem o autor das frases e a quem se dirigia. Recebi-as do leitor Alex Solomon, que coleciona pensamentos de políticos:

“Todos podem cometer erros e atribuí-los a outros: isso é fazer política”.

“Este é um país extremamente fértil: plantam-se funcionários públicos e colhem-se impostos”.

“É preciso saber o que se quer. Uma vez sabido, é preciso ter a coragem de dizê-lo. Uma vez dito, é preciso ter energia para fazê-lo”.

“Em política, sucedemos a imbecis e somos substituídos por incapazes”.

“Democracia é o poder, dado aos piolhos, de comer leões”.

“Nunca se mente tanto quanto antes da eleição, durante a guerra e depois da caça”.

“A honra é como a virgindade, só existe uma vez”.

“Os funcionários públicos são os maridos ideais. Chegam em casa descansados e já leram o jornal”.

“A vida me ensinou que há duas coisas que podemos dispensar: a Presidência da República e a próstata”.

“Manejar o silêncio é mais difícil do que manejar as palavras”.

Não, caros leitores, o autor das frases não pensava em Lula, Serra, Dilma – aliás, não pensava sequer no Brasil, mas na França do século passado. É Georges Clemenceau, primeiro-ministro francês por seis anos e apelidado “O Tigre”.

França, Brasil

O ministro Nelson Jobim com certeza leu os pensamentos do Tigre e falou sobre ele com o presidente Lula. Clemenceau, que governou a França durante boa parte da 1ª Guerra Mundial, dizia que a guerra é um assunto sério demais para ser confiado aos militares. A compra de aviões de guerra franceses pelo Brasil segue este pensamento: a opinião dos militares não é lá muito levada em conta.

Jogada de mestre

O cerco oficial a Aécio Neves, que quer seu secretário Antonio Anastasia no Governo e se eleger senador, vai-se apertando. O presidente Lula já interveio, conforme esta coluna informou na última quarta, para obrigar dois candidatos do PT ao Governo a renunciar e a apoiar o peemedebista Hélio Costa, recebendo em troca a coordenação da campanha de Dilma (Fernando Pimentel) e a candidatura ao Senado (Patrus Ananias). O outro candidato ao Senado seria o vice José Alencar, imbatível. Restaria a Aécio, sem esforço, a segunda vaga para o Senado. Mas os bons resultados do tratamento médico de Alencar o estimulam a sair para o Governo, o que tira qualquer possibilidade de vitória de Anastasia. Hélio Costa iria para o Senado. E Itamar Franco, sempre uma incógnita, herdando votos de Alencar, seria o terceiro candidato para a disputa de duas vagas. Aécio pode chegar lá: é muito popular e bem aprovado. Mas não será tão fácil como imaginava.

Nosso guia…

É injusta a tempestade de críticas ao presidente Lula por ter abandonado os presos políticos cubanos à própria sorte e por tê-los comparado a bandidos. Lula não poderia nunca defendê-los: já pensou o pito que levaria de Hugo Chávez?

…genial dos povos

O Brasil precisa agir com diplomacia, mantendo sua posição de liderança (ou, como gosta de dizer o assessor Top Top Garcia, “protagonismo”). Se o Brasil sai da linha, na próxima reunião bolivariana O Cara fica sem sobremesa.

Vale um livro de renda mínima

A ministra-candidata Dilma Rousseff (PT) e o ministro-candidato Hélio Costa (PMDB) foram convidados a falar à Câmara dos Deputados sobre o anunciado vazamento de informações sobre a criação de uma estatal de banda-larga (aquele caso da Eletronet, em que se denunciou o milagre da multiplicação dos reais). Este colunista aposta um livro do senador Eduardo Suplicy como Dilma não vai. Aliás, Hélio Costa também não vai. E se for, tudo bem: com a oposição que temos, tanto faz haver ou não interrogatório. Não há a menor diferença.

A festa do turismo

A corrida de Fórmula Indy em São Paulo deve render, segundo os cálculos da Prefeitura, algo como R$ 250 milhões em negócios diversos. Um mês depois, outro evento do mesmo porte se realiza na cidade: o Super Office Solution, maior feira de arquitetura e mobiliário para escritórios da América Latina, espera movimentar R$ 275 milhões. A feira reúne 180 empresas no Pavilhão da Bienal, entre 5 e 9 de abril. A Flex Eventos, organizadora do evento, espera 50 mil visitantes. É um setor que cresce firme: a arquitetura corporativa movimentou, em 2009, cerca de R$ 15 bilhões em todo o país.

Boa notícia, má notícia

O deputado federal José Eduardo Cardozo, do PT paulista, anunciou que não se candidatará mais a cargos proporcionais. A cargos majoritários também não deve candidatar-se, já que o PT sempre procura ter candidatos com condições de vitória. Mas Cardozo garante que continuará na política, mesmo sem cargo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: