Uma campanha curta e feroz – Coluna Carlos Brickmann

Dizem que José Serra revelará nos próximos dias aquilo que até seus poucos fios de cabelo sabiam há pelo menos dois anos: que é candidato à Presidência da República. Dizem que Ciro Gomes está descobrindo, nesses últimos dias, que o presidente Lula não o quer como candidato à Presidência. E, sem Lula, não dá. De qualquer forma, com ou sem Ciro, o quadro está montado: é Dilma x Serra, PT x PSDB, com Marina Silva e outros candidatos menores na disputa.

Mas campanha, que é bom e custa caro, é coisa que ainda demora: vem aí a Copa do Mundo, que monopolizará os debates até o início do segundo semestre. O tema é a Seleção, é Dunga, é quem entra na última convocação. Adriano vai? E Ronaldinho Gaúcho? O goleiro reserva é Doni ou Vítor? Terminada a Copa, só então, a partir de julho (e até outubro) teremos a campanha eleitoral.

Será curta, mas pesada: exércitos de militantes (ou, como podem ser chamados, patrulheiros) dos principais candidatos estão a postos, prontos para atacar os adversários. Com a entrada da Internet no circuito eleitoral, a agressividade não tem limites. Há a agressividade natural de pessoas pouco educadas, ou excessivamente entusiasmadas; e já está havendo, é visível, a agressividade encomendada. É o serviço sujo, aqueles ataques baixos que os candidatos evitam fazer para não ficar mal com o eleitor, e que ignoram limites entre o público e o privado.

Vale tudo – desde culpar Dilma por atentados de que não participou até dizer que Serra não gosta de pobres. Ele gosta de todo mundo, desde que vote nele.

Brasil e Israel

Qual o resultado da visita do presidente Lula a Israel?

1 – Do ponto de vista concreto, ótimo: foi firmado o primeiro acordo de cooperação econômica entre Israel e um país do Mercosul.

2 – Do ponto de vista simbólico, ruim: ao se recusar a visitar o túmulo de Theodor Herzl, o escritor austríaco que há 115 anos publicou o livro “O Estado Judeu”, com as bases do sionismo moderno, Lula criou uma polêmica absolutamente inútil. É como se fosse à Índia e se recusasse a visitar o túmulo de Gandhi.

3 – Do ponto de vista de participação nas negociações de paz, risível. Seria a primeira vez que isso daria certo desde o filme “O rato que ruge”, de 1959.

Brasil contra 000

A represália do chanceler israelense Avigdor Lieberman, de não comparecer à sessão do Parlamento israelense em que Lula discursou, não deve ser levada a sério. Lieberman é uma espécie de Marco Aurélio Garcia com sinal trocado, um líder sem liderados, que chegou ao Governo por acaso e que, quando sair, dificilmente conseguirá voltar. Sua plataforma lembra um pouco a do francês Le Pen, que chegou a assustar num determinado momento mas perdeu a importância.

Pizza mal assada

Parte da oposição quer criar uma CPI para investigar o tesoureiro do PT, João Vaccari, acusado de irregularidades na direção da Bancoop e de participar do Mensalão. Bobagem: dentro de alguns dias o Congresso vai parar por causa da Semana Santa, a Copa, o recesso, as eleições. Não dá nem para assar a pizza. E se houvesse tempo não faria diferença: com a oposição que lá está, nem a CPI da Petrobras, que tinha tudo para ser explosiva, funcionou. Foi morninha, morninha.

Marinho e aéreo

O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, do PT, está na Suécia, a convite da Saab, fabricante dos supersônicos Gripen. A Saab disputa com a Boeing e a Dassault o fornecimento de 36 caças à Força Aérea Brasileira. Curiosíssimo: Marinho não entende de aviões, nem de combate aéreo, nem de armamento. A única vantagem que leva sobre o caro leitor que também não entende do assunto é a proximidade com o presidente Lula – mesmo sabendo-se que, numa concorrência internacional desse tipo, da maior seriedade, nada se resolve por amizade, mas pelo estudo de uma comissão. Mas Marinho deve estar feliz. Gosta de viajar. E sua viagem à Alemanha, a convite da Volkswagen, é até hoje lembrada.

Auuuuuuuuuuuuuuu!

O vice Frank Aguiar, “o cãozinho dos teclados”, ocupa a Prefeitura de São Bernardo pela terceira vez em pouco mais de um ano. Marinho a-do-ra viajar.

Os limites da tolerância

O caso Vagner Love não pode se esgotar nos limites de uma reportagem da TV. O centroavante do Flamengo foi filmado num baile, em companhia de traficantes armados. Imagina-se que não consuma drogas, ou acabaria sendo flagrado num exame antidoping, mas sua presença ao lado de traficantes é inaceitável. Vagner Love é bom jogador, encaixou-se bem no time do Flamengo, sua vida particular só pertence a ele. Mas conviver com o crime violento é outra coisa.

Boa notícia

Vinícius de Moraes, poeta e diplomata, um dos maiores letristas que a música brasileira já teve, deve ser promovido, em memória, a ministro de primeira classe da carreira diplomática. Vinícius teve a carreira no Itamaraty cortada pelo marechal Costa e Silva, presidente da República, com a seguinte frase: “Demita-se este vagabundo”. O projeto da promoção está na pauta do Senado.

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