A Consciência da Liberdade

*Por Rabino Y. Y. Jacobson

Após uma série de pragas que esmagaram o país e subjugaram seu rei, o faraó finalmente se rende. Depois de torturar, abusar e assassinar judeus impiedosamente durante décadas, eles são libertados. No 15º dia do mês hebraico de Nissan, o povo judeu, finalmente, viveu um êxodo em massa de um regime genocida e de uma monarquia tirânica. Eles tinham embarcado no caminho da liberdade.

Mais de três milênios se passaram desde aquele dia. É muito tempo. Porém os filhos e netos dos escravos que partiram do Egito ainda comemoram anualmente este evento. Até hoje, Pêssach continua sendo a Festa mais amplamente observada e celebrada. Muitos judeus que se consideram afastados da tradição e da religião ainda se sentem compilados a participar em algum tipo de Sêder de Pêssach.

A importância disso não pode ser deixada de lado. É fácil celebrar o milagre da liberdade quando você é livre. Porém na maior parte da sua história a nação judaica se viu exilada, oprimida, dominada – física, emocional e religiosamente – por tiranos e ditadores de todos os tipos. Se Pêssach representa a jornada da escravidão à liberdade, o que ocorreu com isso depois da destruição babilônica do Primeiro Templo e o subsequente exílio de Israel? Ou após a conquista pelos gregos e romanos da terra judaica e o exílio de seus habitantes? O que aconteceu com a celebração da liberdade após a destruição do Segundo Templo, o fracasso da rebelião de Bar Kochba, as horríveis perseguições de Adrianus e a longa, trágica série de eventos que levaram ao maior exílio na história judaica? Poderiam os judeus celebrar a emancipação sob circunstâncias opressivas? Poderiam os judeus ainda se sentarem anualmente e declarar com sinceridade: “Fomos escravos do faraó no Egito e D’us nos libertou?”

Liberdade Sob Opressão?
Essa questão foi levantada por um dos maiores pensadores judeus do Século Dezesseis, que foi ele próprio sujeito a horríveis perseguições por parte das autoridades cristãs. Rabi Yehudah Leow (1512-1607), conhecido como o Maharal, foi Rabino Chefe de Praga, e uma das personalidades judaicas mais influentes de sua época, autor de muitas obras importantes sobre filosofia judaica. Durante seus dias, os judeus sofreram terrivelmente com os infames libelos de sangue, sendo acusados de assassinar crianças cristãs antes de Pêssach para usar seu sangue para a matsá de Pêssach, e diz a lenda que Rabi Leow criou um Golem, um homem criado através de poderes cabalísticos para combater os libelos de sangue que afligiam a comunidade judaica de Praga.
O Maharal de Praga perguntava-se (2) como o povo judeu poderia ter celebrado sua libertação do Egito durante os tempos em que estavam mergulhados novamente nas trevas do exílio e perseguição? Um judeu da Palestina no Segundo Século poderia realmente celebrar Pêssach? E quanto ao judeu iemenita do Século Oitavo? Um judeu na Espanha do Século Catorze? Um judeu polonês do Século Dezessete? Ou um judeu alemão em 1938? Um judeu russo na década de 1960?

Porém eles celebraram. Por 3.300 anos, quando chegava Pêssach, uma nação teimosa estava determinada a revivenciar a liberdade. Sob o olho vigilante da Inquisição, no Arquipélago Gulag de Stalin, até no Gueto de Varsóvia, você poderia ouvir a mesma pergunta sendo feita a cada ano: “Por que esta noite é diferente de todas as outras?” E a resposta: “Porque esta noite fomos libertados!”

Como eles conseguiram fazer isto? Eram escapistas irracionais, alheios à realidade? Ou, talvez, o povo judeu estivesse celebrando algo muito autêntico que sentiam na alma a cada Pêssach, apesar das condições muitas vezes insuportáveis que viviam?”

O Novo Homem
A resposta apresentada pelo Maharal de Praga é profunda e comovente (2).

O Êxodo do Egito, sugere ele, não foi meramente um evento político e geográfico, no qual trabalhadores escravos tiveram permissão de deixar o país e construir o próprio destino. Foi também uma mutacão existencial, na qual o presente da liberdade foi “instalado” na própria psique de um povo. Com a Divina libertação do cativeiro egípcio, um novo tipo de pessoa foi criado – o Homem Livre – o indivíduo que jamais concordará com a opressão e que sempre ansiará pela liberdade. O êxodo implantou dentro da alma do judeu uma repulsa inata contra a subjugação e um anseio inerente pela liberdade.

Daí, todo o drama que levou ao Êxodo do Egito: o diálogo com o faraó, os milagres realizados por Moshê e Aharon, o rei se tornando mais obstinado, as dez pragas que subjugaram o Egito, e finalmente a luxuosa cerimônia do sêder realizada enquanto ainda estavam no Egito. Numa era em que opressão era a norma, quando os reis acreditavam ter poder divino e infinito, e o ser humano comum estava à mercê do capricho dos líderes e deuses, o Êxodo do Egito ocorreu para revolucionar a paisagem da imaginação humana para toda a eternidade. Os judeus descobririam – e seriam responsáveis por partilhar essa descoberta com toda a humanidade – que a responsabilidade fundamental de toda sociedade é preservar a liberdade e a dignidade de todo ser humano, sob a soberania de um D’us livre que desejava seres humanos livres, que escolhessem construir um mundo fundamentado na liberdade, na dignidade do indivíduo e no apelo moral para construir um fragmento do céu no planeta terra (3).

Assim, mesmo se subsequentemente fosse dominado e oprimido, alvo de abuso, caçado como animal, o judeu jamais deixará de se ver como inerentemente um homem livre. Jamais concordará emocionalmente com a perseguição, e jamais chegará a um bom termo com a supressão. Jamais deixará de ver a escravidão e exílio como a suprema aberração da realidade e a maior distorção que o ser humano pode empreender. Seu íntimo gritará em protesto contra a tirania e a crueldade, e permanecerá obcecado com a crença de que o futuro deve ser diferente, que a Redenção ainda virá, que uma sociedade na qual dominem o mal e a corrupção não pode perdurar.

Isso, diz o Maharal, é o que os judeus celebraram a cada ano no Sêder de Pêssach, apesar das circunstâncias de privação. Eles não estavam vivendo num país de sonhos. Sabiam muito bem que estavam exilados, porém agradeciam a D’us pelo Êxodo de antigamente, porque implantou neles a consciência da liberdade para sempre, o anseio pela liberdade, e a convicção de que a liberdade é o direito inato de todo e cada um deles. Se – como declarou brilhantemente o Baal Shem Tov – você está onde sua vontade está, isso significa que você é essencialmente livre. Se você anseia pela liberdade, de fato você é livre.

Um Presente Divino
Os mestres chassídicos levam essa ideia um passo adiante. Se para alguns pensadores religiosos a busca do homem pela liberdade é sintomática de seu anseio pela indulgência frívola e emancipação do jugo da responsabilidade, no misticismo judaico, nosso anseio pela liberdade é uma das nossas qualidades mais divinas, impregnada em nós por causa da divina consciência embebida no espírito humano. O homem anseia por refletir a D’us. Assim como D’us é totalmente livre, o homem criado à imagem de D’us anseia por ser totalmente livre. É essa Divindade inerente num ser humano que nos impulsiona a desafiar e transcender constantemente os limites impostos sobre nós, incluindo até os limites da nossa própria natureza (4).

Como é interessante – e trágico – comparar essa inspiradora observação do Maharal com as odiosas observações feitas por um dos líderes filosóficos do moderno fundamentalismo islâmico, Sayyid Qutb. Em seu livro “Milestones”, Qutb argumenta que: “Durante seu cativeiro no Egito, os judeus adquiriram um ‘Caráter de escravos’. Como resultado eles se tornaram covardes e sem princípios quando indefesos, e cruéis e arrogantes quando poderosos. Essas características se tornaram qualidades eternamente judaicas e isso justifica sua eterna perfídia, ganância, ódio, impulsos diabólicos e as eternas conspirações e tramas contra Maomé e o Islã.”

Por que eles se rebelam?
Essa ideia do Maharal contém profundas ramificações no campo da educação contemporânea.

Como a liberdade é uma propriedade intrínseca da alma humana, uma manifestação da sua natureza Divina, devemos ser extremamente cautelosos para encorajar, em vez de ser ameaçados, pela sua completa e intensa expressão.

Se isso se aplica a toda pessoa, muito mais então com crianças e adolescentes, que têm um anseio especialmente profundo pela liberdade, pela auto expressão, pela liberdade de fazer as próprias escolhas e serem os donos da própria existência. Isso não é pecado; é uma qualidade nobre que pode ser concretizada para produzir as maiores bênçãos. Se suprimirmos sua liberdade, isso pode compeli-los a expressá-la de maneiras indesejáveis.

Se por exemplo, quando pais e educadores impõem sobre os filhos e alunos valores e tradições através somente de autoridade e coerção, muitas dessas crianças poderão rejeitar esses valores na vida adulta. Isso não é por desdém aos valores, mas é sua maneira de provar a si mesmos e ao seu ambiente que são livres.

A educação, obviamente, exige autoridade e disciplina. Crianças que têm permissão de fazer tudo aquilo que querem, freqüentemente terminam por ter vidas infelizes, carecendo de estabilidade, direção e segurança. A longo prazo, quando os valores morais são comunicados aos jovens somente em nome da autoridade em vez de com a voz da compaixão, quando a fé é baseada em dogmas ao invés de profundidade, quando a paixão é completamente substituída pela obrigação, o amor pelo hábito, a voz da alma suplantada pelo fardo da tradição, os valores que prezamos tanto podem ser sentidos como instrumentos de opressão aos olhos de nossos filhos. Em sua desesperada necessidade de liberdade, às vezes não lhe damos outra opção exceto dizer adeua a tudo que tentamos lhes ensinar.

Um delicado equilíbrio entre anarquia e supressão deve ser mantido. Deve-se mostrar aos jovens por que os valores tradicionais, morais e religiosos dos pais e avós são meios de auto-realização, auto-descoberta – e a suprema liberdade. E a eles devem ser fornecidas sábias oportunidades de vivenciar a alegria de ter a liberdade para escolher aquilo que constitui o caminho para uma vida digna e profunda; a liberdade para escolher a liberdade.

Fonte: site Beit Chabad

tenha um sábado de paz !!

Fernando Rizzolo

Estado é obrigado a custear remédios

Em decisão unânime, o STF reconheceu o direito dos brasileiros de recorrer ao Judiciário para obter remédios e tratamentos sonegados pelo SUS. Mais: deliberou-se que é obrigação do Estado custear remédios e tratamentos de alto custo a portadores de doenças graves. O tribunal manteve de pé nove liminares concedidas a pacientes. A União e os Estados afetados pediam que fossem revogadas. O relator do processo foi Gilmar Mendes (foto).

O voto dele foi acompanhado por todos os demais ministros. Ficou assentado que, excetuando-se os tratamentos experimentais, cuja eficácia ainda não tenha sido atestada, o Estado é obrigado a atender às demandas da clientela. Eis o que anotou Gilmar Mendes“O direito à saúde representa um pressuposto de quase todos os demais direitos…” “…É essencial que se preserve esse estado de bem-estar físico e psíquico em favor da população, que é titular desse direito público subjetivo de estatura constitucional”.

Um dos casos analisados envolve uma paciente de 21 anos. Mora em Fortaleza (CE). É portadora de patologia rara: Niemann-Pick Tipo C. Os médicos receitaram uma droga chamada Zavesca. O SUS negou-se a fornecer. E a família da moça pediu socorro ao Judiciário. Alegou que não tinha condições de bancar o tratamento, estimado em R$ 52 mil por mês. Obrigado a fornecer o remédio, o governo recorreu. Argumentou que a eficácia do Zavesca era coisa ainda pendente de aferição científica.

De resto, a droga não dispunha de registro na Anvisa. Gilmar Mendes disse que, de fato, na época em que a ação começara a tramitar, o Zavesca não possuía registro. O ministro fez, porém, uma visita ao sítio da Anvisa na Web. Constatou que, hoje, o medicamento já consta da lista de drogas registradas na Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Porém, embora comercializado legalmente no Brasil, o Zavesca não foi incluído nos protocolos e diretrizes terapêuticas do SUS. O ministro anotou: “Há necessidade de revisão periódica dos protocolos existentes e de elaboração de novos protocolos…” “…Não se pode afirmar que os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas dos SUS são inquestionáveis, o que permite sua contestação judicial”.

Afora as informações disponíveis no processo, Gilmar serviu-se de dados recolhidos em audiência pública promovida pelo STF em abril do ano passado. Fora a debate a crescente “judicialização” da saúde no Brasil. Um fenômeno que, segundo o governo, afeta o equilíbrio do orçamento do SUS.

Levada aos tribunais, a encrenca costuma desaguar no STF. Gilmar informou que há na presidência do Supremo “diversos pedidos” de suspensão de condenações. Envolvem “o fornecimento de remédios, suplementos alimentares, órteses e próteses…” Tratam da “…criação de vagas de UTIs e de leitos hospitalares, realização de cirurgias e exames, custeio de tratamento fora do domicílio e inclusive no exterior”.

Ao indeferir os nove recursos ajuizados pelo Estado, o STF sinalizou: desatendida nos guichês do SUS, a platéia deve, sim, recorrer ao Judiciário.
PB Agora

Rizzolo: Nem precisava os doentes recorrer ao Judiciário, está patente a obrigação do Estado em suprir a necessidade da população com remédios de alto custo. Isso não é em si um problema jurídico mas de moral. Não podemos falar em democracia, em justiça social se temos um Estado tirano e maldoso com a população pobre e carente que depende do Sus uma vergonha essa negativa, que por bem foi sanada pelo Judiciário.

Professor se irrita com falatório e atinge aluna com apagador

O professor de geografia da Escola Municipal Cuba, na Ilha do Governador, Marcelo Souza Leite, de 43 anos, encontrou uma maneira incomum de pedir silêncio aos alunos. O mestre arremessou um apagador no rosto de uma menina, de 11 anos, aluna do 6 ano. Constrangida, a menina procurou a direção da escola. Depois da chegada de sua mãe e da patroa dela, a advogada Consuelo de Freitas, o caso foi parar na 37ª DP (Ilha do Governador).

Segundo a menina, o professor lecionava Ciências, disciplina que normalmente é dada por sua mulher, Beth, que havia faltado. Quando os alunos começaram a conversar, ele fez uma ameaça. De acordo com a aluna, ele disse: “Vocês vão sentir o peso do meu apagador”.

— Depois disso, ele jogou o apagador no rosto do meu colega de sala. Eu estava falando sim, mas baixo, dizia para minha amiga que a questão que estava no quadro não tinha relação com o texto que ele passou. E eu não entendia a questão. Daí, ele jogou o apagador em mim — contou a menina ainda nervosa e chorosa, temendo sofrer represálias, já que ela está em semana de provas.

Na delegacia, o professor admitiu que jogou o objeto na menina, mas que sua intenção não era agredi-la, já que o apagador é leve. E, que queria apenas dar um susto na aluna.

Além do processo criminal, que seguirá para o Juizado Especial Criminal (Jecrim), a advogada disse que pretende representar contra o professor na esfera civil, alegando a prática bullying e danos psicológicos à criança.

Extra

Rizzolo: Sinceramente, esse tipo de atitude é lastimável. Como pode um professor chegar a esse ponto em termos de violência. Isso denota o mau preparo para a docência, há pouco tempo uma professora de Direito da FAAP uma faculdade frequentada pela elite em São Paulo se desentendeu com uma aluna o que gerou uma enorme repercussão. Professores precisam estar preparados para o nobre encargo e nada justifica atitudes selvagens como esta.

Serra vai ficando para trás, apontam novas pesquisas

Perplexo, o presidente do PSDB admite que Dilma “cresceu mais do que devia”

As últimas pesquisas sobre as eleições presidenciais de 2010 estão mostrando uma situação periclitante para o candidato tucano José Serra. Ele não para de cair enquanto a ministra Dilma Roussef só faz aumentar a sua popularidade entre os eleitores. Segundo algumas fontes, no último levantamento do Ibope, Dilma já teria atingido a dianteira e, em outra pesquisa encomendada pelo PT e levada ao Planalto na última sexta-feira, a ministra já estaria com 3 pontos percentuais à frente de José Serra.

Nem mesmo o Ibope, o mais serrista dos institutos, conseguiu esconder a desastrosa performance do candidato tucano. Os resultados de sua última pesquisa, encomendada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), realizada entre 5 e 10 de março com 2.002 pessoas em 142 municípios e que devem ser divulgadas nesta quarta-feira, estariam transformando a apreensão nas hostes tucanas em verdadeiro pânico. A pesquisa Ibope/CNI que mostra Serra caindo foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número 5429/2010.

Há diversas fontes e informações diferentes sobre o resultado deste levantamento. Para uns o Ibope vai mostrar que a diferença entre Serra e Dilma praticamente evaporou, caindo de 21% em dezembro para apenas 5%. Naquele mês, Dilma tinha 17% e Serra, 38%. Em fevereiro a diferença já tinha caído para 11 pontos e agora praticamente sumiu. Outros noticiários, por sua vez, ao comentarem o resultado do Ibope/CNI, confirmam o desabamento de Serra, mas, além disso, acrescentam que o instituto já vai mostrar a ministra na frente de Serra.

Em janeiro e fevereiro, outras pesquisas de institutos diferentes também captaram o rápido crescimento das intenções de voto na candidata petista. Os levantamentos do Datafolha, Sensus e Vox Populi mostraram quedas impressionantes na diferença entre os dois candidatos. Segundo todas os levantamentos, Serra tem queda constante e Dilma sobe sem parar. Os institutos já revelavam situações de empate técnico. Seja qual for o resultado do Ibope, com Dilma quase passando ou já na frente, o fato é que o instituto não terá conseguido – como gostaria seu presidente – esconder a forte ascensão da ministra.

O desânimo dos tucanos com o desempenho de seu candidato e o resultado das pesquisas vêm contaminando toda a oposição. Isso ficou patente nas declarações de insatisfação feitas por parlamentares do Dem e do próprio PSDB. O presidente nacional do PSDB, senador Sergio Guerra (PE), em entrevista ao programa “É Notícia”, apresentado pelo jornalista Kennedy Alencar, na Rede TV, no último domingo foi melancólico. Ao falar sobre a indecisão de Serra em assumir a candidatura, Guerra deixou escapar que dois fatos muito negativos prejudicaram a já tensa situação do governador. “Nesse período aconteceram fatos que não estavam previstos. A ministra [Dilma Roussef] cresceu mais do que devia. Cresceu além de nossas expectativas”, reclamou. “Além disso”, prosseguiu o presidente do PSDB, “as chuvas tiveram um papel importante aqui em São Paulo para o governador de uma forma muito especial e para o prefeito mais ainda”.

O serrista Carlos Augusto Montenegro, presidente do Ibope, que tinha alardeado que a ministra Dilma não passaria dos 20%, foi obrigado a reconhecer em entrevista que queimou a língua. Admitiu que haverá uma “disputa plebiscitária”. Ao jornalista Ricardo Kotscho ele jurou que ainda acredita que o governador Aécio Neves será o vice de Serra. Na seqüência acabou revelando que a situação de Serra está uma draga e que o tucano precisa de um bom vice para salvar sua candidatura. “Vice bom, normalmente, é aquele que não tira voto. No caso do Serra, porém, poderá ser fundamental na campanha, mas só se for o Aécio, pela importância dele”, disse.

O professor de ciência política da Universidade de Brasília (UnB), João Paulo Peixoto, também fez uma análise das dificuldades de Serra. “Ele está parado e ela [Dilma] está andando. Se comparar a exposição dela na mídia e a dele até agora, ela tem se beneficiado ao máximo da presença do presidente Lula junto a ela”, avaliou. Para outros analistas, o PSDB está com motor de fusca, enquanto Dilma Rousseff anda a mil, ao participar em quase todas as inaugurações do governo. Agora mesmo ela intensificou sua agenda no Sul e Sudeste e visitou o Nordeste, região onde é forte seu potencial de crescimento.

Nas próximas duas semanas, a ministra vai cumprir um intenso roteiro de visitas aos Estados na companhia do presidente. A agenda de ambos inclui uma visita à favela de Paraisópolis – a segunda maior de São Paulo -, no próximo dia 25, para uma cerimônia de licenciamento de rádios comunitárias e inauguração de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). De São Paulo, Dilma seguirá para o sul da Bahia, onde participa da inauguração de um gasoduto em Itabuna (BA).

Já o tucano, além da dificuldade em achar que queira ser seu vice, está esbarrando em muitos contratempos. Um deles é a Linha 4 do Metrô: a previsão era inaugurar quatro estações, mas só duas devem ficar prontas. Para o presidente da Comissão de Obras da Assembleia Legislativa, deputado Simão Pedro (PT), a pressa causa prejuízo para o estado. A Linha 4 é a mesma que foi palco da tragédia de 2007, com o desabamento das obras da estação de Pinheiros e a morte de sete pessoas.

SÉRGIO CRUZ
Hora do Povo

Rizzolo
: O crescimento de Dilma é espantoso. O grande problema do candidato da oposição é o nordeste e Minas Gerais, todos sabem que no segundo maior colégio eleitoral Serra leva “uma lavada”, em face disso, muitos especulam que Serra vai desistir. Muitas são as razões para o desgaste do governador, principalmente ter seu nome vinculado ao PSDB e FHC, cujo governo ignorou a classe trabalhadora e prestigiou a privatização e a especulação.

Charge do Aliedo para o Charge Online

Uma campanha curta e feroz – Coluna Carlos Brickmann

Dizem que José Serra revelará nos próximos dias aquilo que até seus poucos fios de cabelo sabiam há pelo menos dois anos: que é candidato à Presidência da República. Dizem que Ciro Gomes está descobrindo, nesses últimos dias, que o presidente Lula não o quer como candidato à Presidência. E, sem Lula, não dá. De qualquer forma, com ou sem Ciro, o quadro está montado: é Dilma x Serra, PT x PSDB, com Marina Silva e outros candidatos menores na disputa.

Mas campanha, que é bom e custa caro, é coisa que ainda demora: vem aí a Copa do Mundo, que monopolizará os debates até o início do segundo semestre. O tema é a Seleção, é Dunga, é quem entra na última convocação. Adriano vai? E Ronaldinho Gaúcho? O goleiro reserva é Doni ou Vítor? Terminada a Copa, só então, a partir de julho (e até outubro) teremos a campanha eleitoral.

Será curta, mas pesada: exércitos de militantes (ou, como podem ser chamados, patrulheiros) dos principais candidatos estão a postos, prontos para atacar os adversários. Com a entrada da Internet no circuito eleitoral, a agressividade não tem limites. Há a agressividade natural de pessoas pouco educadas, ou excessivamente entusiasmadas; e já está havendo, é visível, a agressividade encomendada. É o serviço sujo, aqueles ataques baixos que os candidatos evitam fazer para não ficar mal com o eleitor, e que ignoram limites entre o público e o privado.

Vale tudo – desde culpar Dilma por atentados de que não participou até dizer que Serra não gosta de pobres. Ele gosta de todo mundo, desde que vote nele.

Brasil e Israel

Qual o resultado da visita do presidente Lula a Israel?

1 – Do ponto de vista concreto, ótimo: foi firmado o primeiro acordo de cooperação econômica entre Israel e um país do Mercosul.

2 – Do ponto de vista simbólico, ruim: ao se recusar a visitar o túmulo de Theodor Herzl, o escritor austríaco que há 115 anos publicou o livro “O Estado Judeu”, com as bases do sionismo moderno, Lula criou uma polêmica absolutamente inútil. É como se fosse à Índia e se recusasse a visitar o túmulo de Gandhi.

3 – Do ponto de vista de participação nas negociações de paz, risível. Seria a primeira vez que isso daria certo desde o filme “O rato que ruge”, de 1959.

Brasil contra 000

A represália do chanceler israelense Avigdor Lieberman, de não comparecer à sessão do Parlamento israelense em que Lula discursou, não deve ser levada a sério. Lieberman é uma espécie de Marco Aurélio Garcia com sinal trocado, um líder sem liderados, que chegou ao Governo por acaso e que, quando sair, dificilmente conseguirá voltar. Sua plataforma lembra um pouco a do francês Le Pen, que chegou a assustar num determinado momento mas perdeu a importância.

Pizza mal assada

Parte da oposição quer criar uma CPI para investigar o tesoureiro do PT, João Vaccari, acusado de irregularidades na direção da Bancoop e de participar do Mensalão. Bobagem: dentro de alguns dias o Congresso vai parar por causa da Semana Santa, a Copa, o recesso, as eleições. Não dá nem para assar a pizza. E se houvesse tempo não faria diferença: com a oposição que lá está, nem a CPI da Petrobras, que tinha tudo para ser explosiva, funcionou. Foi morninha, morninha.

Marinho e aéreo

O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, do PT, está na Suécia, a convite da Saab, fabricante dos supersônicos Gripen. A Saab disputa com a Boeing e a Dassault o fornecimento de 36 caças à Força Aérea Brasileira. Curiosíssimo: Marinho não entende de aviões, nem de combate aéreo, nem de armamento. A única vantagem que leva sobre o caro leitor que também não entende do assunto é a proximidade com o presidente Lula – mesmo sabendo-se que, numa concorrência internacional desse tipo, da maior seriedade, nada se resolve por amizade, mas pelo estudo de uma comissão. Mas Marinho deve estar feliz. Gosta de viajar. E sua viagem à Alemanha, a convite da Volkswagen, é até hoje lembrada.

Auuuuuuuuuuuuuuu!

O vice Frank Aguiar, “o cãozinho dos teclados”, ocupa a Prefeitura de São Bernardo pela terceira vez em pouco mais de um ano. Marinho a-do-ra viajar.

Os limites da tolerância

O caso Vagner Love não pode se esgotar nos limites de uma reportagem da TV. O centroavante do Flamengo foi filmado num baile, em companhia de traficantes armados. Imagina-se que não consuma drogas, ou acabaria sendo flagrado num exame antidoping, mas sua presença ao lado de traficantes é inaceitável. Vagner Love é bom jogador, encaixou-se bem no time do Flamengo, sua vida particular só pertence a ele. Mas conviver com o crime violento é outra coisa.

Boa notícia

Vinícius de Moraes, poeta e diplomata, um dos maiores letristas que a música brasileira já teve, deve ser promovido, em memória, a ministro de primeira classe da carreira diplomática. Vinícius teve a carreira no Itamaraty cortada pelo marechal Costa e Silva, presidente da República, com a seguinte frase: “Demita-se este vagabundo”. O projeto da promoção está na pauta do Senado.

Lula visita Museu do Holocausto em seu último dia de visita a Israel

JERUSALÉM – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou nesta terça-feira, 16, o Museu do Holocausto (Yad Vashem) e o Bosque de Jerusalém, onde plantou uma oliveira que recebeu o seu nome. O presidente está em seu último dia de visita a Israel, onde chegou no domingo para se encontrar com as autoridades israelenses e tentar colocar o Brasil como um mediador no conflito do Estado judeu com os palestinos.

Lula também recebeu representantes de três organizações não-governamentais israelenses e palestinas. Ao final de seu percurso de quase uma hora no museu, o brasileiro participou da cerimônia da “Chama Eterna”, na Tenda da Memória, em cujo piso estão registrados os nomes dos seis campos de concentração nazistas e das fossas onde judeus foram fuzilados e enterrados. Ele percorreu o complexo ao lado do presidente de Israel, Shimon Peres, com quem se encontrou na segunda-feira.

No local, Lula depositou uma coroa de flores sobre uma lápide, onde estão depositadas as cinzas de judeus mortos no campo de Majdanek, na Polônia. Logo depois de assinar um livro de presença, declarou que “todos os que lutam pela democracia e pelos direitos humanos não podem permitir” que o holocausto se repita.

Lula foi enfático ao condenar o Holocausto, que chamou de irracionalidade. “A humanidade deve repetir quantas vezes for necessário: nunca mais, nunca mais, nunca mais. Eu acredito que visitar o Museu do Holocausto deveria ser quase uma obrigação a todo ser humano que quer dirigir uma Nação”, afirmou Lula.

No Bosque de Jerusalém, onde estão plantadas 240 mil árvores, Lula registrou que a Amazônia Legal tem algumas dezenas do território equivalente a Israel, mas esse país aproveita cada espaço disponível para o plantio.

Viagem

Ainda nesta terça-feira, Lula segue para Belém, na Cisjordânia, onde se reunirá com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. Depois, visitará Ramallah, onde depositará uma coroa de flores no túmulo do líder palestino Yasser Arafat, que morreu em 2004.
agência estado

Rizzolo: O Museu do Holocausto é um local comovente. Acompanhado do presidente israelense Shimon Peres, Lula depositou flores e reacendeu a chama eterna na Sala da Memória no Museu do Holocausto. A coroa de flores levava a inscrição “Homenagem do Brasil”. Na realidade, existem dois museus do holocausto, um nos EUA e outro em Israel, mas cujo objetivo, o de homenagear as vítimas do Holocausto, é comum.

“Senador escravocrata causa revolta ao povo brasileiro”

“Eles sempre falaram que a culpa da escravidão é dos próprios negros. É como se um erro justificasse outro”, declarou o professor Eduardo de Oliveira, poeta, presidente do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB) e militante do movimento negro há mais de 60 anos, sobre as declarações do senador Demóstenes Torres (Dem), durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), dias 3 e 4 de março, para debater a política de cotas no ensino superior.

Autor do Hino à Negritude e um dos maiores defensores das cotas para os negros nas universidades, o professor Eduardo condenou as declarações de Demóstenes que “tenta reverter toda a História dizendo que os negros eram culpados pela escravidão e as mulheres se entregavam aos senhores prazerosamente”. “Ele disse que as mulheres foram as responsáveis por serem violentadas. Que quem tinha prazer em servir os senhores eram as mulheres negras”.

Para o professor Eduardo, “o que o Demóstenes acabou fazendo é uma coisa horrível” e mereceu o repúdio de todos os que presenciaram aquele vexame. O presidente do CNAB se solidarizou “com as mulheres que estavam presentes à audiência no STF e redigiram um documento de protesto contra as palavras do senador”. “A atitude tomada por ele nessa audiência pública revoltou muito as mulheres”, declarou ao HP o autor de 10 livros publicados, entre os quais a enciclopédia “Quem é Quem na Negritude Brasileira”.

Eduardo Oliveira disse que os inimigos das cotas estão na contramão do momento em que o país vive, de “expressivas conquistas para a negritude, onde o governo Lula reconheceu a necessidade de compensar os afrodescendentes, com a criação das cotas e com a nomeação de negros para o primeiro escalão da administração pública nacional”.

As posições retrógradas do senador dos Demos provocaram reações indignadas de inúmeras lideranças negras e de várias personalidades. Segundo Demóstenes, “todos nós sabemos que a África subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para o mundo islâmico, para a Europa e para a América” e “até o princípio do século 20, o escravo era o principal item de exportação da pauta econômica africana”. O professor Eduardo rebateu: “O que ocorria na época eram problemas de guerras tribais. Quem perdia era condenado à morte ou à escravidão”.

O líder negro assinalou que a política de cotas nas universidades “vem no sentido de corrigir uma injustiça histórica que privilegia a condição social e econômica de poucos em detrimento da grande maioria do povo brasileiro de origem afro-descendente”, mas ressalta que “temos ainda muito a conquistar”. Ele destacou, contudo, que “não podemos esquecer as inúmeras vitórias dos afro-brasileiros, fruto de um esforço hercúleo, como a definição do racismo como crime inafiançável, o reconhecimento do direito dos quilombolas às suas terras, a proliferação de conselhos afrodescendentes que hoje atuam em vários estados, a oficialização do Hino à Negritude e a criação da Secretaria Especial de Políticas da Promoção da Igualdade Racial”.

ANDRÉ AUGUSTO
Hora do Povo

Rizzolo: Conheço pessoalmente o professor Eduardo de Oliveira, que hoje é um dos expoentes na luta contra as injustiças cometida contra os negros neste país durante nossa história. É repudiável o discurso de Demóstenes que nos remete a uma época em que o Brasil se encharcava de ódio e preconceito. A luta dos negros deve continuar para que possam restabelecer seu lugar com dignidade junto à nação brasileira.

Brasil quer retaliar EUA em filmes

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior vai abrir hoje à consulta pública a lista de setores econômicos dos Estados Unidos cujos direitos de propriedade intelectual podem ser suspensos pelo Brasil.

A medida faz parte das retaliações autorizadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC) após sete anos de uma controvérsia movida pelo Brasil contra os subsídios concedidos por Washington a produtores e exportadores de algodão.

A lista exposta a consulta pública, por 20 dias, foi aprovada pelos ministros que compõem a Câmara de Comércio Exterior (Camex) na semana passada, segundo fontes do ministério. Ao fim da consulta, haverá ainda um período de estudos dos resultados por uma equipe técnica.

O cuidado do governo com a aplicação das sanções sobre propriedade intelectual está no fato de se tratar de uma iniciativa inédita no mundo. As possíveis consequências serão avaliadas exaustivamente, segundo um diplomata experiente na área, para evitar prejuízos ao País.

Indústria cinematográfica. No governo, não há consenso sobre os segmentos econômicos que devem ser alvos preferenciais das retaliações e como elas poderão incidir. O ministério favorece a imposição de taxações sobre as remessas de royalties à indústria cinematográfica americana e prefere manter as patentes farmacêuticas isentas de sanções.

O Ministério da Saúde, que não faz parte da Camex, deve ser consultado sobre a lista final e já indica sua preferência por medidas que permitam a fabricação local e a importação de genéricos sem os custos dos royalties.

No total, a OMC autorizou o Brasil a aplicar US$ 829 milhões em retaliações, dos quais US$ 238 milhões voltados aos direitos de propriedade intelectual. Os US$ 561 milhões restantes abarcam uma lista já aprovada pela Camex, com 102 produtos.

Nesse caso, a retaliação consistirá no aumento de 100% do Imposto sobre Importação de cada item. Deverá ser aplicada a partir de 7 de abril, se o governo americano não apresentar até lá uma proposta alternativa.

Fontes do Departamento de Estado americano alegam que o país está disposto a oferecer compensação comercial temporária até pelo menos 2012, quando a Lei Agrícola americana passará pela revisão obrigatória.

PARA ENTENDER

A briga do algodão
A disputa entre Brasil e Estados Unidos se arrasta há oito anos. Em 2002, o País abriu um processo contra os EUA na Organização Mundial do Comércio por causa dos subsídios aos produtores de algodão. A OMC determinou o fim da ajuda, mas os EUA não cumpriram. A entidade autorizou então o Brasil a retaliar em bens e propriedade intelectual.
agência estado

Rizzolo: A retaliação por parte do Brasil em filmes americanos, é algo poderia ser implantado e que com certeza traria um enorme benefício cultural ao povo brasileiro. O conceito americano de filme é voltado à violência, aos maus costumes, e principalmente à anti cultura. Alegar que toda violência do país é fruto da mídia é um exagero, porem se inferimos as mensagens dos filmes americanos aos nossos jovens é no mínimo preocupante. A retaliação poderia dar prosseguimento por esse seguimento sem o menor problema.

Charge do Amorim para o Correio do Povo

Os pensamentos de um estadista – Coluna Carlos Brickmann

Façam seu jogo, caros leitores. Identifiquem o autor das frases e a quem se dirigia. Recebi-as do leitor Alex Solomon, que coleciona pensamentos de políticos:

“Todos podem cometer erros e atribuí-los a outros: isso é fazer política”.

“Este é um país extremamente fértil: plantam-se funcionários públicos e colhem-se impostos”.

“É preciso saber o que se quer. Uma vez sabido, é preciso ter a coragem de dizê-lo. Uma vez dito, é preciso ter energia para fazê-lo”.

“Em política, sucedemos a imbecis e somos substituídos por incapazes”.

“Democracia é o poder, dado aos piolhos, de comer leões”.

“Nunca se mente tanto quanto antes da eleição, durante a guerra e depois da caça”.

“A honra é como a virgindade, só existe uma vez”.

“Os funcionários públicos são os maridos ideais. Chegam em casa descansados e já leram o jornal”.

“A vida me ensinou que há duas coisas que podemos dispensar: a Presidência da República e a próstata”.

“Manejar o silêncio é mais difícil do que manejar as palavras”.

Não, caros leitores, o autor das frases não pensava em Lula, Serra, Dilma – aliás, não pensava sequer no Brasil, mas na França do século passado. É Georges Clemenceau, primeiro-ministro francês por seis anos e apelidado “O Tigre”.

França, Brasil

O ministro Nelson Jobim com certeza leu os pensamentos do Tigre e falou sobre ele com o presidente Lula. Clemenceau, que governou a França durante boa parte da 1ª Guerra Mundial, dizia que a guerra é um assunto sério demais para ser confiado aos militares. A compra de aviões de guerra franceses pelo Brasil segue este pensamento: a opinião dos militares não é lá muito levada em conta.

Jogada de mestre

O cerco oficial a Aécio Neves, que quer seu secretário Antonio Anastasia no Governo e se eleger senador, vai-se apertando. O presidente Lula já interveio, conforme esta coluna informou na última quarta, para obrigar dois candidatos do PT ao Governo a renunciar e a apoiar o peemedebista Hélio Costa, recebendo em troca a coordenação da campanha de Dilma (Fernando Pimentel) e a candidatura ao Senado (Patrus Ananias). O outro candidato ao Senado seria o vice José Alencar, imbatível. Restaria a Aécio, sem esforço, a segunda vaga para o Senado. Mas os bons resultados do tratamento médico de Alencar o estimulam a sair para o Governo, o que tira qualquer possibilidade de vitória de Anastasia. Hélio Costa iria para o Senado. E Itamar Franco, sempre uma incógnita, herdando votos de Alencar, seria o terceiro candidato para a disputa de duas vagas. Aécio pode chegar lá: é muito popular e bem aprovado. Mas não será tão fácil como imaginava.

Nosso guia…

É injusta a tempestade de críticas ao presidente Lula por ter abandonado os presos políticos cubanos à própria sorte e por tê-los comparado a bandidos. Lula não poderia nunca defendê-los: já pensou o pito que levaria de Hugo Chávez?

…genial dos povos

O Brasil precisa agir com diplomacia, mantendo sua posição de liderança (ou, como gosta de dizer o assessor Top Top Garcia, “protagonismo”). Se o Brasil sai da linha, na próxima reunião bolivariana O Cara fica sem sobremesa.

Vale um livro de renda mínima

A ministra-candidata Dilma Rousseff (PT) e o ministro-candidato Hélio Costa (PMDB) foram convidados a falar à Câmara dos Deputados sobre o anunciado vazamento de informações sobre a criação de uma estatal de banda-larga (aquele caso da Eletronet, em que se denunciou o milagre da multiplicação dos reais). Este colunista aposta um livro do senador Eduardo Suplicy como Dilma não vai. Aliás, Hélio Costa também não vai. E se for, tudo bem: com a oposição que temos, tanto faz haver ou não interrogatório. Não há a menor diferença.

A festa do turismo

A corrida de Fórmula Indy em São Paulo deve render, segundo os cálculos da Prefeitura, algo como R$ 250 milhões em negócios diversos. Um mês depois, outro evento do mesmo porte se realiza na cidade: o Super Office Solution, maior feira de arquitetura e mobiliário para escritórios da América Latina, espera movimentar R$ 275 milhões. A feira reúne 180 empresas no Pavilhão da Bienal, entre 5 e 9 de abril. A Flex Eventos, organizadora do evento, espera 50 mil visitantes. É um setor que cresce firme: a arquitetura corporativa movimentou, em 2009, cerca de R$ 15 bilhões em todo o país.

Boa notícia, má notícia

O deputado federal José Eduardo Cardozo, do PT paulista, anunciou que não se candidatará mais a cargos proporcionais. A cargos majoritários também não deve candidatar-se, já que o PT sempre procura ter candidatos com condições de vitória. Mas Cardozo garante que continuará na política, mesmo sem cargo.

NOVAS APTIDÕES

O Sr. Dovid Dryan, um judeu muito humilde e simples, era um Shochet (pessoa que faz o abate Kasher de animais) conhecido por todos pelo seu temor a D’us e extremo cuidado com a fala, evitando a todo custo pronunciar Lashon Hará (falar mal de outras pessoas). Em certa fase de sua vida o Sr. Dovid precisou mudar-se para uma cidade inglesa chamada Gateshead. Chegando lá ele descobriu que naquela cidade não havia nenhuma Yeshivá. Ele pensou consigo mesmo:

– Como posso viver em um lugar onde não há uma única Yeshivá?

Talvez muitos de nós também pensaria a mesma coisa nesta situação. Mas que atitude tomaríamos? Nenhuma. Já o Sr. Dovid decidiu não ficar apenas na pergunta, ele agiu. Ele dedicou muito tempo e esforço para realizar uma tarefa aparentemente impossível em face das consideráveis dificuldades. Ele assumiu muitas tarefas que não estavam dentro das áreas de suas competências, incluindo a captação e a administração de fundos para a Yeshivá, atividades que ele não tinha o mínimo conhecimento e experiência.

Com seu esforço incansável o Sr. Dovid conseguiu fundar e administrar por muitos anos a Yeshivá Gateshead. Desempenhou também um papel significativo na formação do Kolel Gateshead (centro de estudos de Torá para homens casados) e de um Seminário de estudos judaicos para mulheres. Certamente sua dedicação sem limites é um dos grandes responsáveis pelo fato da Yeshivá Gateshead ser atualmente reconhecida como o maior centro Torá da Europa, através do qual milhares de rapazes e moças recebem um elevado nível de educação de Torá.

O Sr. Dovid Dryan poderia ter decidido que sua função no mundo era apenas ser um simples Shochet, sem precisar se envolver em projetos difíceis. Ele poderia assumir que desta maneira estava cumprindo todas as suas responsabilidades com a comunidade e com D’us. Mas em vez disso ele motivou-se a fazer o que era necessário e D’us ajudou-o a ter sucesso. (História Real)

*

Nesta semana lemos duas Parashiot juntas, Vayakel e Pekudei, que tratam basicamente do mesmo assunto: as atividades de construção do Mishkan (Templo Móvel) de acordo com todos os ensinamentos de D’us. No meio da descrição das atividades de construção do Mishkan a Torá diz: “E veio todo homem cujo coração o inspirou…” (Shemot 35:21). Mas foi esta a qualificação necessária para as pessoas que construíram o Mishkan? Não era necessário provar nenhum tipo de habilidade? Apesar da Torá descrever detalhes construtivos difíceis de serem executados, o necessário foi apenas um coração inspirado?

O Ramban (Nachmânides) escreve que o Mishkan envolvia vários trabalhos de tecelagem, costura e construção, que exigiam pessoas muito habilidosas e experientes. Mas os judeus eram aparentemente desqualificados para estes tipos de trabalho, pois durante os dois séculos de escravidão no Egito eles haviam realizado apenas tarefas grosseiras de construção. Onde é que estas pessoas haviam aprendido a executar trabalhos finos tão difíceis? Explica o Ramban que realmente ninguém tinha nenhuma experiência nem conhecimento nestas áreas, mas as pessoas encontraram no fundo de suas almas a capacidade de fazer estes trabalhos. Essa força oculta veio à tona como consequência do profundo desejo de cumprir a vontade de D’us. Como resultado do desejo ardente de cada judeu que se voluntariou para construir o Mishkan, D’us deu-lhes a capacidade de fazer coisas que nunca haviam aprendido na vida.

Há um princípio muito conhecido de que D’us dá para cada um de nós um conjunto único de ferramentas com as quais podemos chegar ao nosso máximo potencial. Mas este conceito é muitas vezes mal aplicado no nosso crescimento espiritual. À medida que crescemos naturalmente ficamos cientes dos nossos pontos fortes e fracos e temos a tendência de limitar nossas atividades apenas dentro de áreas de atuação dos nossos pontos fortes, ignorando os campos em que somos menos aptos. Por exemplo, uma pessoa pode sentir que ela desempenha bem a função de falar na frente de pequenos grupos, mas que não pode falar diante de grandes audiências. Assim, mesmo quando existir a necessidade de alguém para falar em tal situação, ela vai fugir da responsabilidade porque se rotulou como alguém incapaz de falar na frente de muitas pessoas. Aprendemos com a Parashá desta semana que esta é uma atitude errada. As pessoas que se apresentaram para trabalhar no Mishkan não tinham consciência do quanto eram capazes de realizar. No entanto, como resultado da sua vontade de cumprir a vontade de D’us, descobriram talentos até então inexplorados.

Assim também acontece em nossas próprias vidas, muitas vezes nos limitamos por acharmos que não temos capacidade de ir mais longe. Às vezes surge a necessidade de que uma determinada tarefa espiritual seja executada e nos esquivamos por sentir que somos incapazes de realizá-la. Mas nos ensina o Pirkei Avót (Ética dos patriarcas): “Em um lugar onde não há homens, se esforce para ser um homem”, isto é, se não há pessoas aptas a realizarem certa tarefa, devemos tomar sobre nós a responsabilidade de fazê-la. Não está escrito no Pirkei Avót que devemos nos levantar para fazer o que ninguém está fazendo apenas em uma área onde nos sentimos altamente capazes. Pelo contrário, a única coisa que devemos analisar é se existe alguém que pode realizar as tarefas necessárias para cumprir a vontade de D’us. Se não há, então é certo que se nos esforçarmos então D’us revelará em nós talentos ocultos.

Muitas vezes o fracasso inicial nos faz desistir. Mas mesmo pessoas que no passado já se esforçaram em certas áreas e não tiveram sucesso não estão isentas das responsabilidades nestas áreas. O rabino Israel Meir HaCohen, mais conhecido como Chafetz Chaim, nos dá um exemplo prático deste conceito. Ele nos ensina a medir nossas forças observando o quanto estamos dispostos a nos esforçar quando o que está em jogo são os nossos próprios interesses. Por exemplo, se um negócio não está indo bem, uma pessoa não vai simplesmente desistir, antes ela sempre pensa em como pode melhorar a situação. Ela procura o conselho de outros homens de negócio, tenta outras alternativas, investe de maneiras diferentes e, eventualmente, muitas vezes acaba sendo bem sucedida após algumas tentativas.

Ensina o Chafetz Chaim que se cumprir a vontade de D’us tivesse o mesmo valor para uma pessoa do que os seus próprios assuntos pessoais, ela procuraria aconselhamento e estratégias de como se desenvolver espiritualmente e com certeza D’us a ajudaria a encontrar formas de ter sucesso. No entanto, não o fazemos desta maneira. Quando vemos que nosso crescimento espiritual é difícil, que não há nenhuma maneira de crescermos imediatamente, muitas vezes desistimos com a sensação de que estamos isentos de qualquer esforço futuro. A verdade é que se estivéssemos dispostos a aplicar o mesmo esforço que utilizamos nos nossos interesses financeiros no nosso crescimento espiritual, poderíamos então superar nossos limites.

As pessoas que elevaram seus corações para cumprir a vontade de D’us descobriram forças que eles nunca poderiam imaginar que possuíam. Nós também temos a habilidade de quebrar nossos limites e conseguir o aparentemente impossível. Basta ter o senso de responsabilidade e, acima de tudo, querer.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

Tenha um sábado de paz

Fernando Rizzolo

Charge do Dálcio para o Correio Popular

Exorcista chefe da Igreja Católica garante: ‘O diabo vive no Vaticano’

O diabo está no Vaticano. Pelo menos é nisso que acredita o padre Gabriele Amorth, de 84 anos. Exorcista chefe da Igreja Católica, ele crê que as más influências do demônio foram responsáveis pelos casos recentes de pedofilia envolvendo padres e o ataque ao Papa Bento XVI.

“O diabo vive no Vaticano. Ele ganhou a confiança das pessoas, mas é difícil conseguir provas sobre isso, mas as consequências são bem visíveis. Nós temos cardeais que não acreditam em Cristo, bispos ligados a demônios. Também temos essas histórias de pedofilia. Dá para sentir o fedor da podridão da fumaça de Satã nos locais sagrados (do Vaticano)”, disse o padre, ao tablóide britânico “The Sun”.

Fã confesso do filme “O Exorcista”, ele lembrou alguns casos de exorcismo que protagonizou recentemente. “Da boca dos possuídos, sai todo tipo de coisa. Pedaços de metal do tamanho de um dedo, pétalas de rosas”, garantiu.
SRZD

Rizzolo: Primeiramente esse é o tipo de abordagem religiosa sensacionalista. Mas achei interessante comentá-la pois passa pela crença de muitos a existência real da capacidade da influência negativa. Não vou entrar no mérito da questão religiosa em si, porém alegar que o diabo vive no Vaticano é no mínimo se empenhar numa notícia sensacionalista e sem base. A premissa serve para qualquer religião, pessoa, culto, credo: onde há luz não há escuridão, ou não existe treva em local iluminado, seja ele em qualquer crença. Não devemos insinuar ou desqualificar religiões sejam elas quais forem . Entenderam, não é ?

Para indústria paulista, resultado do PIB foi ‘positivo’

SÃO PAULO – O diretor do departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, diminuiu a importância da queda de 0,2% no PIB do País em 2009. “A rigor, esse era um jogo em que não existia uma grande animação da torcida. Já se sabia que o PIB iria ficar em torno de zero”, afirmou.

Francini destacou que menos 0,2% significa praticamente o mesmo que uma variação positiva de 0,2%. “Não dou importância ao número negativo, até porque a perspectiva no início de 2009 era muito pior”, declarou.

No início de 2009, a Fiesp esperava que o PIB caísse 1,5%. “Tudo indicava um desempenho pior que aquele que se verificou”, disse. Para Francini, o resultado do PIB pode ser avaliado de forma positiva. “Deixamos a crise para trás e tivemos um início de recuperação que vem se mantendo. Foi um bom resultado”, defendeu. A única ponderação de Francine se refere à atuação do Comitê de Política Monetária (Copom) a partir de agora. O temor é que as previsões dos analistas se confirmem e a taxa básica de juros inicie uma trajetória de alta. “Agora, é só o Banco Central não incomodar e deixar a indústria fazer seu trabalho, que é produzir. Se o BC ficar quietinho será muito bom”, ironizou.

agencia estado

Rizzolo: A verdade é que o consumo das famílias e o setor de serviços amorteceram a queda do PIB (conjunto de bens e serviços produzidos pelo país) no ano passado. Segundo dados divulgados hoje pelo IBGE, o consumo das famílias cresceu 4,1% em 2009, na comparação com o ano anterior. No quarto trimestre, esse indicador variou 1,9% em relação aos três meses anteriores. Agora, se considerado o segmento que mais emprega, o setor de serviços registrou alta de 2,6% no ano passado, enquanto a indústria e a agropecuária despencaram, respectivamente, 5,5% e 5,2%. No ano, a economia brasileira caiu 0,2%, por causa da crise, mas o resultado não é considerado negativo pelos economistas. Com isso podemos concluir que o impato da crise se deu mais no setor da indústria.

Jungmann protocola carta de dissidentes cubanos a Lula

Depois de ler na imprensa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alegou não ter recebido carta de dissidentes cubanos para prestar ajuda a condenados políticos, o deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE) retirou cópia da correspondência de um site na internet e entregou pessoalmente ao gabinete da Presidência. “Agora, o presidente não poderá dizer que não recebeu a carta”, disse Jungmann. “Ele não poderá mais dizer que não sabia do problema dos prisioneiros de consciência de Cuba.”

A carta é assinada por 50 dissidentes cubanos que pedem a intermediação do governo brasileiro junto ao governo de Raúl Castro para revisão de penas. A soma do tempo de condenação dos que assinam a carta chega a 973 anos. Na carta, os dissidentes escrevem que foram injustamente condenados e muitos estão enfermos. Em cinco páginas, a mensagem cita casos de pessoas condenadas a 10 e até 30 anos de prisão.

Nas últimas semanas, Lula entrou em polêmica internacional por não se envolver com a questão dos dissidentes cubanos condenados por fazerem oposição ao governo castrista. Um grupo deles informou a agências internacionais que entregou a mesma carta, datada de 21 de fevereiro, à embaixada brasileira, mas o presidente disse que não recebeu a mensagem.

Em entrevista à Associated Press, Lula fez defesa da Justiça cubana e comparou presos políticos a criminosos de São Paulo. Após entregar a carta no gabinete de Lula no Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória da Presidência, Jungmann disse que Lula comete um equívoco ao fazer a comparação e lembrou que o próprio presidente foi um “preso político” durante o regime militar brasileiro. “Ele nivelou homens como Miguel Arraes, Luiz Carlos Prestes, ele Lula, e a ministra Dilma Rousseff, que foram prisioneiros políticos, a sequestradores, assassinos e estupradores que estão presos nas celas e nas unidades prisionais do Brasil”, afirmou o deputado. “Quem está preso em Cuba luta pela liberdade e pela democracia.”

Jungmann avaliou que o presidente deixou de lado a tradição brasileira de defender os direitos humanos para ganhar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. “O Brasil se aliou a tiranias do Sudão, do Irã e de Cuba”, afirmou. “O governo busca um assento que é um trono manchado de sangue”, completou.

A carta entregue pelo deputado ao gabinete de Lula é uma cópia retirada do site da Anistia Internacional na internet. “O senhor poderia ser um magnífico interlocutor para obter que o governo cubano se decida a fazer reformas econômicas, políticas e sociais urgentemente requeridas, avançar no respeito dos direitos humanos, conseguir a ansiada reconciliação nacional e tirar a nação da profunda crise em que se encontra”, escreveram os dissidentes.

A questão dos dissidentes voltou à tona no mês passado, quando o dissidente, Orlando Zapata, que estava em greve de fome, morreu na prisão. Zapata não está na lista dos que assinam a carta entregue ao gabinete da Presidência.

Rizzolo: Jungmann na realidade quer aproveitar um problema político interno de Cuba e explorá-lo politicamente, tentando com isso desqualificar o presidente Lula. O fato do presidente não querer participar ou intervir num problema interno de Cuba é um direito dele e acabou, alem disso concordo que greve de fome não é o melhor meio de se reivindicar direitos.

Chegou a hora do bateu, levou – Coluna Carlos Brickmann

Os Estados Unidos são tradicionais aliados do Brasil, na guerra e na paz. Mas o suco de laranja brasileiro continua sendo encarecido, no mercado americano, por sobretaxas imensas. Os brasileiros só conseguem entrar lá porque nossa produção de laranjas é altamente competitiva. Mesmo assim, os grandes produtores daqui compram plantações e fábricas na Florida para escapar das sobretaxas.

O álcool brasileiro não consegue entrar nos Estados Unidos: uma enorme sobretaxa protege os produtores americanos de álcool de milho (que neste momento é até mais barato, mas que normalmente tem custo mais alto).

Há vários casos, na agricultura e na indústria. Mas o comportamento americano no caso do algodão foi tão exemplar, em termos de competição injusta, que a Organização Mundial do Comércio, OMC, autorizou o Brasil a retaliar produtos americanos, impondo-lhes sobretaxas punitivas. Pronto: começou a choradeira. O Financial Times acusa o Brasil de “arriscar uma guerra comercial com os EUA”. Não, não é guerra: apenas se aplica a decisão de um órgão internacional de comércio. Os americanos bateram à vontade; chegou a hora de levar de volta.

O Brasil está sendo prudente: as cobranças começam mais tarde, para dar tempo aos EUA de negociar, desistir das práticas desleais, oferecer compensações – nada de excessivo, apenas a aplicação daquilo que os Estados Unidos sempre defenderam, o livre comércio. É hora de conversar. Mas, para usar a linguagem de um presidente americano, mantendo o porrete ao alcance da mão.

Mudando de conversa

Os americanos aceitam e entendem a negociação dura. Tão logo o Brasil mostrou sua disposição de aplicar as retaliações autorizadas pela OMC, enviaram para cá o secretário do Comércio, Gary Locke, e o assessor de segurança nacional, Michael Froman. Eles estão mostrando os dentes, mas faz parte do jogo: os exportadores americanos que temem perder mercado também têm dentes a mostrar.

Olha a Bancoop aí!

O caso Bancoop, a Cooperativa dos Bancários que está sob investigação do Ministério Público por suspeita de desvio de verbas (que teriam sido usadas, suspeita o promotor José Carlos Blatt, no financiamento de campanha do PT), tem um detalhe que até agora não ganhou destaque: na época em que a Bancoop era dirigida por Ricardo Berzoini, o presidente Lula conseguiu financiamento para comprar seu apartamento no Guarujá. Outros cardeais petistas também puderam comprar seus imóveis. Ótimo; mas há muita gente que pagou e nada recebeu.

De palavra em palavra

O senador Tasso Jereissati, cacique cearense do PSDB, diz que não aguenta mais esperar a definição de Serra. Tudo bem, a indefinição do governador paulista é suficiente para transformar a festa de lançamento de sua candidatura à Presidência, algum dia desses, num evento com música de câmara regado a Ki-Suco. Mas não é isso que preocupa Tasso: em 2002 e 2006 ele já abandonou os candidatos de seu partido para ficar ao lado de Ciro Gomes, aliado no Ceará. Por que iria, agora, abandonar a família Gomes? Qualquer pretexto lhe serviria.

Aécio em manobra

O presidente Lula continua sendo o político mais hábil do país. Esperou o governador mineiro Aécio Neves a tomar posições irreversíveis (se bem que, como ensinou o senador Aloízio Mercadante, o irreversível também pode ser revertido) contra a participação na chapa de José Serra. A questão chegou a ser colocada, no principal jornal mineiro, como uma disputa de honra entre Minas e São Paulo. Concluída a manobra de Aécio, Lula entrou no jogo: está unificando suas forças em Minas, retirando os candidatos do PT que disputavam a sigla, convencendo-os a apoiar o peemedebista Hélio Costa para o Governo. Se tudo der certo, o candidato de Aécio à sucessão, Antônio Anastasia, fica ainda mais longe da vitória do que já está. E Aécio, que contava com eleição garantida ao Senado, continua favorito, mas com dificuldades – ainda mais se José Alencar sair candidato.

Hebe, a grande Hebe

Retorno triunfal é isso aí: o programa em que Hebe Camargo voltou à TV, depois de uma parada para tratamento de câncer, foi excelente. Mostrou Hebe em grande forma, animadíssima, falando tranquilamente de sua doença e mostrando que tem vigor para enfrentá-la. Mostrou astros e estrelas que não se incomodaram em ser coadjuvantes da Estrela-Rainha: Marília Gabriela, Ivete Sangalo, Xuxa, Ana Maria Braga, Maria Rita, Leonardo, Carlos Alberto de Nóbrega (que não conseguiu falar: chorou feito criança, ele que foi criado ao lado da Madrinha). E o rei Roberto Carlos, que foi apadrinhado por Hebe quando a Record o demitiu e extinguiu o programa Jovem Guarda, e a partir daí só cresceu.

Em Les Prémices, Henri Estienne lançou sua frase célebre: “Se a juventude soubesse, se a velhice pudesse…” Hebe sabe. Hebe pode.

Atraso, que nada!

Repare: os estádios pertencentes ao Poder Público ainda nem lançaram as licitações para adequar-se às exigências da Fifa. Atraso? Nada disso: quando não houver tempo para licitações, saem os contratos de emergência. Eta, coisa boa!

Parlamentares defendem mulher na disputa eleitoral

BRASÍLIA – Uma sessão festiva do Congresso em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, que teve como estrela a ministra da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, virou uma solenidade em defesa de uma candidatura feminina nas eleições presidenciais de outubro e de repúdio a declarações consideradas machistas do jogador do Flamengo Bruno.

Na solenidade realizada hoje, Dilma ouviu parlamentares defenderem a candidatura de uma mulher e se queixarem que o atacante Adriano teria batido na namorada Joana Machado. As parlamentares também reclamaram que o goleiro Bruno saiu em defesa do colega de time – ele questionou: “Quem nunca brigou ou até saiu na mão com a mulher?” O goleiro, depois, pediu desculpas pela declaração. “Adriano e Bruno, não façam mais isso”, disse a senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), sem cobrar punição.

Em discurso, Dilma evitou a polêmica envolvendo os flamenguistas e aproveitou para expor, de forma discreta, sua plataforma de campanha para o eleitorado feminino. A ministra avaliou que as mulheres são aptas a assumir postos importantes no jogo político e na administração pública porque são “sensíveis”, “práticas” e “sensatas”. “Elas são fortes e não se curvam à dor, são corajosas”, afirmou. “Sempre me perguntam se uma mulher está preparada para assumir a Presidência da República. Eu respondo que o Brasil está preparado para ter uma mulher presidente e as mulheres estão preparadas.”

Sentada à mesa ao lado do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), Dilma informou que o governo incluirá no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2, que será lançado dia 29, a meta de construir seis mil creches nos próximos três anos. A ministra reconheceu que as 1.788 creches construídas pelo atual governo não atendem a grande demanda.

Ela defendeu maior atenção às grávidas. “A maternidade é usada para desqualificar a mulher”, afirmou. “Devemos proteger as mulheres grávidas e seus filhos.” No momento, está em tramitação na Câmara uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que torna obrigatória a licença maternidade de seis meses. Ao comentar sobre a violência contra mulheres, Dilma disse que o governo não estuda qualquer alteração na Lei Maria da Penha, que prevê punições para agressores de mulheres.

Marina Silva

A senadora e pré-candidata do PV à Presidência, Marina Silva (AC), presente na sessão, se sentou numa das últimas fileiras do plenário. Só depois que Dilma se retirou, Marina subiu à tribuna para discursar. Ela falou sobre sua trajetória política e se queixou do PT. “A razão pela qual saí do partido foi a mesma pela qual fiquei nele durante 30 anos: a defesa da minha causa”, disse. “A minha causa é a defesa de uma sociedade culturalmente mais diversa, politicamente mais democrática e socialmente mais justa.”

A sessão do Congresso também homenageou a cantora Leci Brandão, a psiquiatra Maria Augusta Tibiriça Miranda, a prefeita de Salgueiro (PE), Cleuza do Nascimento, a advogada Andréa Maciel Pachá, a engenheira Clara Steinberg, a ex-secretária municipal da Criança de Curitiba Fani Lerner (falecida) e a criadora da Fundação de Promoção Social de Mato Grosso, Maria Lygia de Borges.
agência estado

Rizzolo: As mulheres no Brasil estão participando mais da vida política e econômica. Basta dizer que na área jurídica representam já 50 % ou mais, não é por acaso que a candidatura de Dilma é bem vista pela vasta população feminina neste Brasil. Eu pessoalmente entendo que as mulheres devem sim participar cada vez mais da vida pública, pois com certeza sabem gerir a rés pública de melhor forma.