Caridade: um ato de justiça

*por Yanki Tauber

Baseado nos ensinamentos do Lubavitcher Rebe

O conceito caridade é praticamente inexistente na tradição judaica. Os judeus não fazem caridade: em vez da caridade, o judeu faz tsedacá, justiça. Quando um judeu faz uma contribuição em dinheiro, tempo ou recursos aos necessitados, não está sendo benevolente, generoso ou “caridoso”. Está fazendo aquilo que é certo e justo.

Conta-se a história de um rico chassid que certa vez recebeu uma carta de seu Rebe, Rabi Abraham Yehoshua Heshel de Apt, pedindo-lhe para contribuir com 200 rublos para salvar um colega chassid da ruína financeira. O chassid contribuía regularmente para as obras de caridade de seu Rebe, mas esta carta específica chegou numa ocasião não muito propícia sob o ponto de vista financeiro, e continha um pedido de uma quantia vultosa; após alguma deliberação, o chassid decidiu não responder ao pedido do Rebe.

D’us poderia ter distribuído porções iguais de Seu mundo a todos os habitantes. Mas então o mundo não teria sido mais que uma exibição dos poderes criativos de D’us, previsível como um jogo de computador e estático como uma prateleira de museu.

Pouco depois, a fortuna do chassid começou a diminuir. Uma das empresas teve sérios prejuízos, outra faliu, e então outra; não demorou muito para que ele perdesse tudo que tivera.

“Rebe” – queixou-se ele, quando foi admitido na sala de Rabi Abraham Yehoshua – “sei por que isso me aconteceu. Mas meu pecado foi tão grave para merecer uma punição assim severa? E é certo punir sem um aviso? Se você tivesse me falado como era importante doar aqueles 200 rublos, eu teria cumprido suas instruções ao pé da letra!”

“Mas você não foi punido, de forma alguma” – replicou o Rebe.

“O que está dizendo? Toda minha fortuna me foi tirada!”

“Nada que lhe pertencesse foi tirado de você” – disse o Rebe.

“Veja, quando minha alma desceu à terra, uma determinada quantidade de recursos materiais foi designada para que eu usasse em meu trabalho. No entanto, meus dias e noites são usados para a prece, o estudo e ensinamento da Torá, e a aconselhar aqueles que me procuram pedindo orientação; de modo que não há tempo para administrar todo aquele dinheiro. Então, estas reservas foram colocadas sob a guarda de diversos ‘banqueiros’ – pessoas que reconheceriam sua tarefa de apoiar minha obra. Quando você deixou de cumprir seu papel, minha conta com você foi transferida para outro banqueiro.”

Em nosso mundo, tão flagrantemente – e por vezes violentamente – dicotomizado pela prosperidade e pela pobreza, existem duas perspectivas gerais sobre riqueza e propriedade:

a – Que estas são possessões legítimas daqueles que as ganharam ou herdaram. Se escolherem compartilhar mesmo uma pequena parte de suas posses com outros, este é um ato nobre, que merece louvores e elogios.

b – Que a distribuição desigual dos recursos da terra entre seus habitantes é um engodo. Possuir mais que a cota do outro é uma injustiça, chega a ser um crime. Doar aos necessitados não é “uma boa ação”, mas a retificação de um erro.

A tradição judaica rejeita estas duas opiniões.

Segundo a lei da Torá, dar aos necessitados é uma mitsvá – um mandamento e uma boa ação. Isso significa que, por um lado, não é um ato arbitrário, mas um dever e uma obrigação. Por outro lado, é uma boa ação – um crédito àquele que reconhece seu dever e cumpre sua obrigação.

O judeu acredita que riqueza material não é um crime, mas uma bênção de D’us. Alguém que tenha sido abençoado a esse ponto deve considerar-se um “banqueiro” de D’us – foi privilegiado pelo Criador com o papel de distribuir os recursos de Sua criação a outros.

D’us poderia ter distribuído porções iguais de Seu mundo a todos os habitantes. Mas então o mundo não teria sido mais que uma exibição dos poderes criativos de D’us, previsível como um jogo de computador e estático como uma prateleira de museu. D’us desejava um mundo dinâmico – um mundo no qual o homem, também, fosse um criador e provedor. Um mundo no qual os controles têm, até certo ponto, sido entregue a seres que têm o poder de escolher entre cumprir ou renegar seu papel.

Assim, a Lei Judaica exige que todos dêem tsedacá – até mesmo aquele que é sustentado pela tsedacá dos outros. Se o propósito de tsedacá fosse apenas retificar a distribuição desigual de riqueza entre ricos e pobres, esta lei não faria sentido. Tsedacá, no entanto, é muito mais que isso: é a oportunidade concedida a todos de ser tornarem “um parceiro com D’us na criação.”

Dar tsedacá é, acima de tudo, um exercício de humildade. Perante nós está um ser humano menos afortunado que nós mesmos. Sabemos que D’us poderia facilmente ter dotado esta pessoa de tudo que ela precisa, em vez de nos enviar para prover suas necessidades. Aqui está alguém que sofre com a pobreza a fim de nos proporcionar a oportunidade de fazer um ato Divino!

Pelo mesmo raciocínio, se a Divina Providência nos colocou do lado receptor de um ato de caridade, não precisamos nos sentir desmoralizados pela experiência. Sabemos que D’us poderia facilmente ter nos dado Ele mesmo aquilo que precisamos, e que nossa necessidade de ajuda humana é meramente para dar a outra pessoa a capacidade de realizar um ato Divino. Nosso “benfeitor” está nos dando dinheiro ou algum outro recurso; estamos lhe dando algo muito mais importante – a oportunidade de tornar-se um parceiro de D’us na criação.

Nas palavras de Nossos Sábios: “Mais que o rico dá para o pobre, o pobre dá para o rico.”

Fonte: site do Beit Chabad
Baseado nos ensinamentos do Lubavitcher Rebe, transmitido por Yanki Tauber

Tenha um sábado de paz !!
Ajude a Casa Hope…..

Fernando Rizzolo

Procurador é preso por suspeita de manter arsenal no interior de SP

Polícia apreendeu 18 armas sem registro em dois imóveis do suspeito.
Operação foi feita em Casa Branca e Piracicaba.

Um procurador do estado de São Paulo foi preso na quinta-feira (29) em Piracicaba, a 160 km de São Paulo, por suspeita de manter um arsenal em uma chácara em Casa Branca, a 229 km da capital paulista. No local, foram encontradas 16 armas sem registro e muita munição.

Entre as armas apreendidas pela Polícia Civil estavam pistolas, fuzis e carabinas. O procurador não estava no local. No apartamento dele em Piracicaba, onde o procurador foi encontrado, foram apreendidas mais duas armas sem registro.

O suspeito foi levado até a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Piracicaba. Ele foi preso de acordo com o estatuto do desarmamento, por manter em depósito arma sem registro.

G1
Rizzolo: Realmente essa notícia impressiona. Agora precisamos saber a versão do procurador na justificativa de se manter esse verdadeiro arsenal, que segundo o texto estava dentro de sua chacara. Independentemente da notícia em si, a atração que a posse de armas provoca nas pessoas é algo indescritível. O Poder Público deve ser rigoroso na aplicação da Lei, sejam eles marginais dos morros, ou cidadãos acima de qualquer suspeita. O procurador terá direito à ampla defesa e ao contraditório para explicar a suspeita desse arsenal de se fazer inveja aos marginais dos morros do Rio e São Paulo…Por enquanto tudo isso é apenas uma suspeita, vamos ver a versão do acusado…Vamos aguardar…

Cineasta dos EUA assina perfil de Lula na “Time”

Michael Moore faz paralelo entre Brasil e EUA e diz que morte da 1.ª mulher determinou ingresso de líder brasileiro na política.

A revista “Time” incumbiu o polêmico cineasta americano Michael Moore, vencedor do Oscar de melhor documentário em 2003 por “Tiros em Columbine”, de escrever o perfil que apresentaria ao leitor o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, como um dos 25 líderes mundiais mais influentes do mundo.

No perfil, Moore, de 56 anos, apresenta Lula como um “genuíno filho da classe trabalhadora da América Latina” e fundador do Partido dos Trabalhadores, lembrando que ele foi preso por liderar uma greve.

Segundo Moore, quando Lula foi eleito pela primeira vez, em 2002, “os barões usurpadores” do Brasil foram “verificar os medidores de combustível de seus jatinhos”. Por quê? “Eles haviam transformado o Brasil em um dos locais mais desiguais da Terra” e interpretaram a eleição de Lula como a “hora da vingança”.

No texto, o diretor mundialmente conhecido por “Fahrenheit 11 de Setembro” e “Sicho – $O$ Saúde” é categórico ao negar os argumentos que poderiam ser usados para explicar a motivação de Lula para entrar na carreira política.

Para ele, Lula não se tornou um político por ter consciência do quanto é necessário trabalhar duro no Brasil para vencer. Ou por ter sido forçado a abandonar a escola na quinta série para apoiar sua família. Ou por seu trabalho como engraxate. Ou ainda pela perda de um dos dedos em um acidente de fábrica.

Numa indicação de que deve ter assistido ao filme “Lula, o Filho do Brasil”, de Fábio Barreto, Moore afirma que o fator determinante para a carreira política do líder brasileiro aconteceu aos 25 anos, quando testemunhou a morte de sua primeira mulher durante a gestação de um filho, porque “não podia pagar assistência médica decente”.

Ao fazer a afirmação, Moore completa: “Aqui há uma lição para os bilionários do mundo: Deixem as pessoas terem boa assistência à saúde, e elas não lhes causarão muitos problemas.”

Apesar de usar a palavra “mundo” com “bilionários”, o cineasta nesse trecho parece se referir a uma questão que lhe é cara: a problemática assistência à saúde nos EUA, tema de seu documentário “Sicko”. Em seu ativismo, o cineasta foi um dos mais ardorosos defensores da reforma da saúde aprovada no Congresso americano em março, após meses de disputa acirrada nos EUA.

No perfil, Moore também lembra o “Fome Zero”, que virou marca registrada de Lula mundialmente, para criticar os EUA. Moore diz que Lula usa o Fome Zero e “planos para melhorar a educação” para tentar levar o Brasil para o “primeiro mundo”, enquanto “os Estados Unidos se parecem mais com o terceiro mundo a cada dia”.

O cineasta termina o texto fazendo um novo paralelo entre Lula e os EUA. Segundo ele, o que Lula quer para o Brasil “é o que costumávamos chamar de American Dream (sonho americano)”. “Nós, nos Estados Unidos, onde os 1% mais ricos têm mais riquezas do que os 95% mais pobres somados, estamos vivendo em uma sociedade que está rapidamente ficando parecida com o Brasil”, completa.

*Com BBC
Rizzolo: Michael Moore é um cineasta progressita dos EUA, pertence a uma classe de artístas que tentam demonstrar a perversa lógica do consumismo, do capitalismo, do individualismo em detrimento ao coletivo. Sua análise em relação à Lula corresponde à visão crítica que possui sobre o sistema de saúde americano. Com muita propriedade aborda características desse líder nato, trabalhador brasileiro que com sua sensibilidade e acesso a uma dialética popular lógica, chegou a esse patamar de popularidade. Hoje Lula é um orgulho do Brasil.

Charge do Clayton para o O Povo (CE)

Copom eleva taxa Selic para 9,5% ao ano

SÃO PAULO E BRASÍLIA – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira, 28, elevar a taxa Selic para 9,5% ao ano, o que representa um aumento de 0,75 ponto porcentual. Desde julho do ano passado, o juro básico da economia brasileira estava em 8,75% ao ano e é a primeira alta da taxa Selic desde setembro de 2008, quando o juro foi elevado de 13% para 13,75% ao ano.

O mercado estava dividido sobre o resultado da reunião desta quarta, o terceiro encontro do Copom neste ano. De um total de 66 instituições consultadas pela Agência Estado, 35 casas esperavam um aumento da taxa de juros de 0,50 ponto porcentual; 30 aguardavam uma elevação de 0,75 ponto e apenas uma casa previa uma puxada de 1 ponto porcentual da taxa.

A pesquisa foi conduzida antes das declarações do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, no último fim de semana, que embaralharam ainda mais as expectativas no mercado de juros. Na terça-feira, a expectativa majoritária no mercado de juros era de alta de 0,75 ponto após os últimos comentários do presidente do BC. “A mensagem que eu daria aos players é de que não tentem ler nas entrelinhas do que o Banco Central disse nas atas ou no relatório de inflação (e tentem encontrar) um sinal dado por um membro ou por outro. Não há sinais”, disse Meirelles à agência Dow Jones, no domingo.

Na terça-feira, dia 20, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e na entrevista que concedeu à Agência Estado, no dia 22, Meirelles havia reafirmado que a condução da política monetária contempla o horizonte de 12 meses à frente e o ano de 2011. “No regime de metas de inflação, o BC implementa uma estratégia de política monetária visando a assegurar a convergência da inflação para o centro da meta no horizonte relevante que, neste caso, são os 12 meses à frente e o ano de 2011”, disse.

Os economistas do mercado financeiro trabalham com a previsão de que a taxa básica de juros termine 2010 no nível de 10,25% a 12,75% ao ano, conforme o levantamento realizado pela Agência Estado. Para os analistas, o atual cenário de atividade econômica aquecida, de inflação corrente mais pressionada e de expectativas também mais altas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), tanto de 2010 como de 2011, obriga o Banco Central a promover ajustes consecutivos na Selic a partir deste mês para evitar problemas futuros no cumprimento das metas de inflação.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 8 e 9 de junho. A ata da reunião desta quarta será divulgada pelo BC na quinta-feira da próxima semana, dia 6 de maio.

agencia estado

Rizzolo: Infelizmente o Banco Central tem uma visão pobre do que podemos chamar de desenvolvimento do mercado interno, da geração de emprego, e das exportações. Como sempre a legitimação vem sob a velha bandeira do controle da inflação. Com isso cada vez mais as exportações ficam prejudicadas, a valorização do real continua alta, e a festa dos especuladores enxarca o país com dólares para fins de realização de lucros a custa do cassino Brasil. Para finalizar, inflação se combate com aumento da produção, com investimentos nos meios de produção, com o fortalecimento do mercado interno.

Doleiros dizem que Igreja Universal enviou R$ 400 milhões ao exterior

Igreja Universal do Reino de Deus é acusada de ter enviado para o exterior cerca de R$ 5 milhões por mês entre 1995 e 2001 em remessas supostamente ilegais feitas por doleiros da casa de câmbio Diskline, o que faria o total chegar a cerca de R$ 400 milhões. A revelação foi feita por Cristina Marini, sócia da Diskline, que depôs ontem ao Ministério Público Estadual e confirmou o que havia dito à Justiça Federal e à Promotoria da cidade de Nova York.

O criminalista Antônio Pitombo, que defende a igreja e seus dirigentes, nega as acusações.

Cristina e seu sócio, Marcelo Birmarcker, aceitaram colaborar com as investigações nos dois países em troca de benefícios em caso de condenação, a chamada delação premiada. Cristina foi ouvida por três promotores paulistas. Ela já havia prestado o mesmo depoimento a 12 promotores de Nova York liderados por Adam Kaufmann, o mesmo que obteve a decretação da prisão do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), nos Estados Unidos – ele alega inocência.

Os doleiros resolveram colaborar depois que a Justiça americana decidiu investigar a atividade deles nos Estados Unidos com base no pedido de cooperação internacional feito em novembro de 2009 por autoridades brasileiras. Em Nova York, eles são investigados por suspeita de fraude e de desvio de recursos da igreja em território americano.

Seus depoimentos foram considerados excelente pelos investigadores. Ela afirmou aos promotores que começou a enviar dinheiro da Igreja Universal para o exterior em 1991. As operações teriam se intensificado entre 1995 e 2001, quando remetia em média R$ 5 milhões por mês, sempre pelo sistema do chamado dólar-cabo – o dono do dinheiro entrega dinheiro vivo em reais, no Brasil, ao doleiro, que faz o depósito em dólares do valor correspondente em uma conta para o cliente no exterior. Cristina disse que recebia pessoalmente o dinheiro.

Subterrâneo. Na maioria das vezes, os valores eram entregues por caminhões e chegavam em malotes. Houve ainda casos, segundo a testemunha, que ela foi apanhar o dinheiro em subterrâneos de templos no Rio.

Cristina afirmou que mantinha contato direto com Alba Maria da Silva Costa, diretora do Banco de Crédito Metropolitano e integrante da cúpula da igreja, e com uma mulher que, segundo Cristina, seria secretária particular do bispo Edir Macedo, fundador e líder da igreja.

De acordo com a testemunha, ela depositou o dinheiro nos EUA e em Portugal. Uma das contas usadas estaria nominada como “Universal Church”. Além dela, os promotores e procuradores ouviram o depoimento de Birmarcker. Ele confirmou a realização de supostas operações irregulares de câmbio para a igreja, mas não soube informar os valores.

Os doleiros Cristina e Birmarcker estão na relação de investigados no Caso Banestado (inquérito federal sobre evasão de divisas). Em 2004, foram alvo da Operação Farol da Colina – maior ofensiva da história da Polícia Federal contra crimes financeiros no País. Cristina e Birmarcker foram presos na ação e hoje respondem a processo na 2.ª Vara Federal Criminal de São Paulo.

No Brasil, Macedo e Alba estão entre os diretores do chamado Grupo Universal processados sob as acusações de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro obtido de fiéis por meio de estelionato. Alba representaria no País as empresas Investholding e Cableinvest, ambas sediadas em paraísos fiscais. A acusação sustenta que elas seriam usadas para a lavagem de dinheiro.

Provas. Os promotores brasileiros têm ainda como prova um relatório financeiro feito pelo Ministério Público Federal que relaciona algumas remessas supostamente ilegais feitas pela Diskline para a Cableinvest. A empresa teria movimentado recursos por meio da conta Beacon Hill, no JP Morgan Chase Bank, de Nova York, mantida pelos doleiros.

As provas sobre essas remessas foram encontradas em um CD apreendido na sede da casa de cambio pela PF. Uma tabela descreve remessas que totalizam R$ 7,5 milhões (em valores da época) feitas entre agosto de 1995 e fevereiro de 1996.

Na esfera estadual, as investigações seguem em duas frentes – uma comandada pela Promotoria do Patrimônio Público e Social e outra pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A primeira pode levar ao bloqueio e à perda dos bens dos diretores da igreja no Brasil. A segunda investigação pode levar à condenação criminal dos acusados.
agencia estado

Rizzolo: Bem, esta não é a primeira vez que surgem acusações contra a Igreja Universal, que evidentemente devem ser apuradas com o rigor apropriado. Contudo, ao que parece, existe em determinados segmentos da mídia uma verdadeira cruzada contra as atividades da referida Igreja, e aos evangélicos de uma forma geral, o que leva por certo à conclusão de que sempre há um componente político por trás de todas as acusações. A delação premiada é controversa, e na minha opinião pessoal, extremamente perigosa para a devida instrução criminal, portanto delação premiada, componentes políticos religiosos, conflitos de mídia, tudo pode levar à devida suspeição. Enfim apurar é o papel do Ministério Público.

PSB decide apoiar Dilma para “somar, unir e avançar”

O PSB oficializou nesta terça-feira (27) que Ciro Gomes não será candidato à Presidência da República. Após reunião da Executiva, o partido decidiu não indicar candidato próprio para a disputa. A legenda avaliou que se enfraqueceria nos Estados caso mantivesse a candidatura de Ciro Gomes. A tendência é que o PSB declare apoio à candidatura de Dilma Rousseff, do PT. Durante o anúncio, foi lida uma nota afirmando que Ciro é um “administrador vitorioso” que “engrandeceu o debate republicano”.

“Foi quase uma escolha de Sofia. Ou levar à degola vários candidatos ao governo e ao Senado ou ter a candidatura própria”, afirmou Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do PSB, para quem o apoio a Dilma é o caminho natural da legenda.

Em nota distribuída à imprensa, o partido afirma que “a Comissão Executiva Nacional avalia como correta e consequente a participação do PSB no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É dever das forças populares contribuir para a continuidade desse projeto, a partir do qual o Brasil retomou o caminho do desenvolvimento soberano”, diz o documento.

Eduardo Campos afirmou que ele e o vice-presidente do partido, Roberto Amaral, se reunirão com Ciro ainda nesta terça-feira ou amanhã no Rio de Janeiro, onde ele está, para discutir o futuro político do deputado. O presidente da legenda afirmou que falou com Ciro assim que a Executiva tomou a decisão e que o deputado recebeu a notícia com tranquilidade. O presidente do PSB disse ter certeza de que Ciro seguirá a orientação do partido.

Entre os diretórios regionais do PSB, apenas sete queriam que o partido apresentasse candidato próprio. Na reunião de hoje, apenas dois membros da Executiva votaram a favor de lançar um candidato.

Nos últimos dias, Ciro deu várias declarações polêmicas que refletem seu estilo pessoal mas que ao ganharem ampla repercussão contribuíram para sepultar suas chances de disputar o Palácio do Planalto pela terceira vez. Ciro já havia se candidatado à Presidência em 1998 e 2002, quando ainda era filiado ao PPS.

Tratamento igualitário

Eduardo Campos afirmou que o partido se reunirá na próxima terça-feira (4) com o PT para tratar do apoio da legenda à pré-candidata petista Dilma Rousseff. Campos marcou a reunião com presidente do PT após a decisão da Executiva.

Na internet, corre a versão de que o PSB irá cobrar uma “fatura alta” do PT em troca da desistência de disputar a Presidência. Mas o presidente do PSB negou que a decisão de não ter candidatura própria esteja vinculada a qualquer contrapartida do PT dentro dos Estados. Segundo Campos não há nenhum acordo sobre as disputas regionais. Campos afirmou que a única exigência será a não discriminação de candidatos do partido. “Não estamos condicionando a decisão daqui a qualquer acordo com relação aos candidatos a governador […]. O que não vamos aceitar é tratamento com discriminação com os candidatos do PSB. O que valer para o candidato do PT vai valer para os candidatos do PSB”, disse Campos.

O PSB quer o apoio do PT em quatro Estados, especialmente no Piauí, onde terá como candidato ao governo Wilson Martins, no Espírito Santo, onde Renato Casagrande será o candidato do partido ao governo, na Paraíba, onde a legenda lançará Ricardo Coutinho, e no Amapá, onde a disputa terá Camilo Capiberibe. O PSB também terá candidatos próprios ao governo em pelo menos outros seis Estados: Ceará (Cid Gomes), Rio Grande do Norte (Iberê Ferreira), Pernambuco (Eduardo Campos), Rio Grande do Sul (Beto Albuquerque), Mato Grosso (Mauro Mendes) e em São Paulo, com Paulo Skaf. Neste último, o PT ainda tenta atrair o apoio dos socialistas para a candidatura do senador Aloizio Mercadante ao governo estadual, oferecendo a vaga de vice a Paulo Skaf. Mas o PSB paulista tem dito que as chances de Skaf ser vice de Mercadante são, hoje, as mesmas de Mercadante ser vice de Skaf.

Dilma diz querer Ciro de volta e mais perto

Mais cedo, antes do PSB tomar a decisão de não ter candidatura própria, a pré-candidata Dilma Rousseff disse querer uma reaproximação com Ciro Gomes. Nos últimos dias, Ciro deu declarações que a imprensa repercutiu como sendo críticas à pré-candidata petista. “Não vou responder ao deputado Ciro Gomes. O deputado Ciro Gomes sempre esteve ao nosso lado, espero que ele volte a estar de uma forma mais próxima agora”, disse Dilma a jornalistas antes de participar de um evento promovido pelo sindicato dos caminhoneiros. “Para mim, o Ciro sempre foi um apoio”, resumiu.

O chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, seguiu na mesma linha e afirmou que Ciro foi um homem ‘leal’ ao presidente, por isso suas palavras não foram mal interpretadas pelo Palácio do Planalto. “Tudo o que ele falar não vai diminuir o nosso respeito e carinho por ele. Não há nenhum palanque que vai diminuir o carinho que temos por ele. Consideramos o Ciro muito mais aliado do que muitos que elogiam o governo apenas”, disse.

A adesão do PSB à pré-candidatura de Dilma Rousseff é uma grande reforço para a campanha da ex-ministra da Casa Civil. Além de aumentar ainda mais seu tempo de propaganda no rádio e na TV, o PSB oferecerá boa estrutura nos estados e colocará sua militância e dirigentes para pedirem votos para a candidata petista.

A saída de Ciro Gomes da corrida presidencial também reforça o caráter plebiscitário da disputa, tal como deseja o presidente Lula. Ainda que Marina Silva (PV) tente se apresentar como uma alternativa intermediária, a campanha deve mesmo se concentrar na comparação dos 8 anos de Fernando Henrique Cardoso no Planalto com os 8 anos do governo Lula.

Veja abaixo a íntegra da nota emitida pelo PSB logo após a reunião de sua direção executiva

“A Comissão Executiva Nacional do Partido Socialista Brasileiro reuniu-se nesta data em sua sede em Brasília para avaliar o quadro político-eleitoral do País e deliberar, depois de ouvidos os Diretórios Estaduais, sobre o papel a ser desempenhado pelo PSB na sucessão presidencial. Decidiu, por maioria de voto, não apresentar candidatura própria à Presidência da República.

A Comissão Executiva Nacional avalia como correta e consequente a participação do PSB no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É dever das forças populares contribuírem para a continuidade desse projeto, a partir do qual o Brasil retomou o caminho do desenvolvimento soberano, com maior repartição de renda e menor exclusão social.

As eleições de outubro não estão definidas. A aliança da oposição representa um desafio real aos socialistas e outras forças populares. O PSB está pronto para ampliar sua presença nos governos estaduais e no Senado, e duplicar sua representação na Câmara dos Deputados, reafirmando-se como um partido capaz de liderar, ao lado de outros, o avanço das mudanças há tanto tempo exigido pelo povo brasileiro. Sob tal perspectiva, para o PSB a disputa das eleições em outubro, em todos os seus níveis, é um projeto estratégico, condicionado, obrigatoriamente, pelos balizamentos da conjuntura.

Ao patrocinar a pré-candidatura presidencial do deputado federal Ciro Gomes, enxergou o PSB, associadamente a esse projeto estratégico, a possibilidade de contribuir para o aprofundamento das mudanças iniciadas pelo governo do presidente Lula.

De nenhuma forma foram em vão os esforços do PSB e do deputado Ciro Gomes nestes movimentos iniciais da campanha presidencial. Administrador vitorioso em diversos níveis de governo, homem de ideias e de atos em favor do País, Ciro Gomes engrandeceu o debate republicano. Com ele, expusemos nossas propostas aos brasileiros, mobilizando a nossa militância e abrimos novas e concretas vias de crescimento partidário. O PSB permanece firme e ativo no processo sucessório. Nele, queremos somar, unir e avançar, em favor da construção de uma nação à altura das mais legítimas esperanças socialistas.

Brasília, 27 de abril de 2010.

Comissão Executiva Nacional (CEN)

Partido Socialista Brasileiro (PSB)”
vermelho

Rizzolo: Foi a melhor solução, predominou o bom senso por parte do PSB. Ciro não tinha a menor condições, ademais, depois das declarações destemperadas nada mais restava a fazer. Para a pré candidata Dilma Rousseff a decisão foi excelente, terá mais espaço, mais articulação; agora Ciro Gomes demonstrou seu ruim temperamento, que na política significa um grande erro e defeito. Se não disponibilizar logo sua boa vontade numa aproximação amigável com o PT e Dilma, muitos poderão entender que tudo se tratou de pura traição política.