Dilma: povo sabe identificar ‘lobos em pele de cordeiro’

Na primeira atividade partidária desde que deixou o comando da Casa Civil, há seis dias, a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, subiu o tom contra os tucanos e disse que o povo sabe identificar “lobos em pele de cordeiro”. Não foi só: afirmou que “ninguém quer pé frio nem azarado” dirigindo o Brasil.

Ao participar hoje do encontro do PR, na Câmara dos Deputados, Dilma disse que continuará repetindo que quem foi contra o governo durante dois mandatos não pode agora encarnar o pós Lula. Mesmo sem citar textualmente o PSDB e o ex-governador de São Paulo, José Serra, seu futuro adversário na disputa ao Palácio do Planalto, a ex-ministra chamou os tucanos para a briga. “Aqueles que venderam o nosso patrimônio, que quebraram o Brasil, que deixaram o nosso povo sem salários dignos e sem renda adequada não serão capazes de levar o Brasil adiante”, afirmou Dilma.

Aplaudida pela claque do PR, que gritava seu nome sem parar, a petista prosseguiu nas estocadas. “Num dia tentam enganar o povo, dizendo que vão continuar o trabalho do presidente Lula. No outro, mostram a patinha de lobo, ao cometer tremendo ato falho, e aí ameaçam acabar com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), com o Bolsa-Família e mudar a política econômica”, atacou.

Integrante da base aliada, o PR foi o primeiro partido a anunciar oficialmente o apoio a Dilma. O encontro também serviu para dar posse ao ex-ministro e atual senador Alfredo Nascimento – pré-candidato ao governo do Amazonas – na presidência da sigla. Novato no PR, o evangélico Anthony Garotinho – que concorrerá ao governo do Rio – assumiu a primeira secretaria.

Atraso

Recebida aos gritos de “Dilma, Dilma”, a ex-ministra parecia à vontade diante da plateia, que lotou o auditório Nereu Ramos da Câmara, com capacidade para 400 pessoas. “Estamos juntos na luta para não deixar que esse País retroceda, que a força do atraso volte e traga novamente esse processo que durou mais de décadas, aquele crescimento baixo, o chamado voo de galinha”, insistiu a petista.

Questionada mais tarde sobre quem era o lobo e o cordeiro, Dilma abriu um sorriso. “Fábulas não são para ser desvendadas. Elas só ilustram certas circunstâncias”, despistou.

Em discurso recheado de críticas aos tucanos, a pré-candidata do PT lembrou que a oposição sempre disse que Lula tinha sorte. Foi nesse momento que dirigiu mais uma farpa contra Serra, embora sem citar seu nome. “Sorte a gente tem, é verdade, porque também não queremos nenhum pé frio nem azarado dirigindo o Brasil”, provocou.

Ao recorrer a expressões usadas por Lula, Dilma procurou ostentar a credencial de herdeira do presidente. Em outra referência velada ao PSDB, disse ser preciso impedir que aqueles que governaram o País para que os ricos retornem ao poder para “excluir” os mais pobres.

agencia estado

Rizzolo: Como já comentei em outras oportunidades, a oposição sofre um severo desgaste, seu maior dilema é manter um discurso próximo do governo, e ao mesmo tempo já preparar um desmonte nos programas sociais caso a eleição seja ganha. A oposição nutre verdadeiro ódio à Bolsa Família e os demais programas de inclusão, mas dependem deles para o discurso. Contudo o povo percebe essa movimentação e rechaça esse retorno ao “Estado não”, e a resposta já pode ser inferida nas pesquisas. É o povo com o medo do retrocesso.

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