Não Mate o Amor

*Por Rabino YY Jacobson

Cultivando a sensibilidade para com as aves (Parashá Tazria)
O Gênero dos Computadores

Por que os computadores devem ser considerados masculinos:
1 – Eles têm muitos dados mas ainda não têm noção
2 – Eles deveriam ajudar você a resolver seus problemas, mas na metade do tempo eles são o problema.
3 – Assim que você compra um, percebe que, se tivesse esperado um pouco mais, poderia ter tido um modelo melhor e muito mais barato.

Por que os computadores devem ser considerados femininos:
1 – Ninguém, exceto seu criador, entende sua lógica interior.
2 – A linguagem nativa que eles usam para se comunicar com outros computadores é incompreensível para o restante.
3 – Até mesmo os seus menores erros são armazenados na memória a longo prazo para depois serem recuperados.
4 – Assim que você compra um, gasta metade do seu salário comprando acessórios para ele.

Procurando as Discrepâncias
Os judeus sabem há muito tempo que a Bíblia Hebraica somente pode ser realmente apreciada quando se presta atenção não apenas à narrativa e mensagem explícitas, mas também às aparentes discrepâncias do texto, falhas gramaticais e sintaxe incomum. De fato, um dos aspectos mais aparentes da cultura judaica bíblica produzida no decorrer dos dois milênios e meio passados é sua interpretação incrivelmente rica dos erros aparentes da Torá, um estudo que escapou quase que por completo do olho de muitos críticos da Bíblia nos dois séculos passados.

Gostaria de chamar sua atenção a uma dessas pequenas anomalias na porção dessa semana da Torá, Tazria, a qual, quando se reflete sobre ela, nos mostra a atitude majestosa da Torá em relação ao cultivo da sensibilidade e empatia.

Oferendas após o nascimento
O início da porção dessa semana, Tazria, discute a oferenda que toda mulher judia levava na época do Templo após o nascimento de um filho. Essa oferenda, representando a cura e dedicação após o parto, era levada quarenta dias após o nascimento de um menino, e oito dias após o nascimento de uma menina.

O tipo dessa oferenda dependia em grande parte dos meios financeiros da família. Eis aqui como a Torá a descreve (1):

“Ela deve levar uma ovelha dentro do primeiro ano para uma oferenda de elevação, e um filhote de pomba ou uma rolinha.

“Mas se ela não puder comprar uma ovelha, então ela deverá levar duas rolas ou dois filhotes de pomba e ficará purificada.”

A Anomalia
Parece bem claro e objetivo. Porém o estudante esclarecido da Torá perceberá uma falha aqui. A Torá já discutiu várias vezes a possibilidade de indivíduos específicos levando rolas ou pombinhas como oferenda a D’us (2). Mais tarde, também, a Torá irá discutir repetidamente este tipo de oferenda (3). Em cada um desses exemplos, a Torá menciona primeiro a rola (tor, em hebraico), e somente depois a pombinha (ben yonah, em hebraico). Aqui também, ao discutir a oferenda levada pela mulher que possui menos meios, a Torá declara: “ela deverá levar duas rolas ou dois filhotes de pomba.” Em todas as nove vezes em que essa oferenda é discutida na Bíblia, a rola precede o filhote de pomba.

Há uma exceção, por incrível que pareça. Em nossa porção, enquanto discute a oferenda levada pela mulher com melhores condições financeiras, a Torá declara (como foi registrado acima): “Ela levará uma ovelha dentro de seu primeiro ano para uma oferenda de elevação, e uma pombinha ou uma rola.” Aqui, de repente, a ordem é mudada. Primeiro a pequena pomba, e somente depois a rola adulta, Por quê?

Os Pares
Uma das mais notáveis personalidades legais e espirituais da Idade Média, Rabino Jacob Ashkenazi (nascido na Alemanha em 1270 e falecido em 1343 em Toledo, Espanha), em seu comentário sobre a Torá conhecido como “Baal Haturim”, oferece uma resposta simples mas bastante comovente, em apenas duas linhas.

Toda vez que a oferenda da ave é mencionada na Torá, diz Rabino Jacob, é sempre no contexto de um par de rolas ou um par de pombinhas. A citação acima é um exemplo: “Mas se ela não puder comprar uma ovelha, então deve pegar duas rolas ou duas pombas jovens.” As aves são oferecidas aos pares.

A única exceção é a mulher que tem mais meios, que, após o parto, oferece uma ovelha e uma ave. Aqui a Torá declara: “Ela levará uma ovelha e uma pomba jovem ou uma rola.” É por isso que a Torá, nesse exemplo, muda a ordem das aves, mencionando primeiro a pomba jovem, e não a rola mais velha.

A Torá está tentando nos ensinar que no caso em que uma única ave é oferecida, deve-se dar preferência à pomba jovem sobre a rola mais adulta. A rola mais velha deveria ser levada apenas como último recurso, se não puder ser encontrada uma pomba jovem. Essa exigência não se aplicaria quando um par de aves está sendo oferecido junto.

Lealdade de uma pomba
A lógica por trás disso é comovente.

A maioria dos animais não aprecia relacionamentos monogâmicos. Quase todos os animais pertence à categoria de “quanto mais melhor”, na qual estão constantemente trocando de parceiros, mesmo numa única estação. O chimpanzé macho, por exemplo, chega ao ponto de convidar fêmeas diferentes apenas abrindo as pernas. Criaturas como os peixes (em especial o ouriço do mar) vão ainda mais longe. Liberam seus ovos e semente no mar e esperam que alguns deles se encontrem e fertilizem.

Há algumas poucas exceções à tendência não-monogâmica entre os animais: uma delas é a pomba. Muitas (embora não todas) as aves da família das pombas são fiéis aos seus parceiros, às vezes durante muitas estações e até mesmo anos. Na verdade, o Talmud declara (4) que se a Torá não tivesse sido outorgada, teríamos aprendido como ser fiéis aos nossos esposos através do comportamento das pombas.

As palavras apaixonadas expressas pelo noivo à noiva no Cântico dos Cânticos(5): “Veja, você é minha amada; veja, você é linda, seus olhos são pombas,” são entendidas no Midrash (6) como o profundo elogio de D’us ao povo judeu. “Assim como a pomba, a partir do momento em que reconhece seu parceiro jamais o troca por nenhum outro, também o povo judeu, a partir do momento em que reconheceu D’us, jamais O substituiu por qualquer outra deidade.”

A Lição
Existem até mesmo determinadas pombas que pranteiam a morte do parceiro, não escolhendo facilmente um outro. É por isso que no caso de uma mulher que oferece somente uma pomba, a Torá está insistindo conosco para evitarmos pegar uma única pomba adulta como oferenda, pois poderíamos estar privando seu (sua) parceiro(a) dele ou dela, que ascendeu a D’us. A preferência deve ser uma pomba jovem, que ainda não começou a cruzar. Em todos os outros exemplos, porém, onde a instrução é oferecer duas pombas, nenhum parceiro perderá seu companheiro, daí a Torá não dar preferência às pombas jovens sobre as adultas.

Isso transmite uma profunda lição sobre a sensibilidade que a Torá exige de nós quanto aos sentimentos dos animais, até mesmo com uma ave que sobra depois que seu parceiro é oferecido a D’us. Certamente, isso nos diz o quanto devemos honrar a dignidade e os sentimentos de um ser humano. Muito mais então devemos honrar e prezar as emoções de nossos parceiros na vida.

Fonte: site do Beit Chabad

Tenha um sábado de paz

Fernando Rizzolo

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