Lula condena preconceito contra alunos do ProUni

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou hoje “o preconceito” dos ricos contra os pobres e “a inveja” que setores da elite, a seu ver, alimentam contra alunos carentes que se formam com auxílio do Programa Universidade para Todos (ProUni). Lula disse que seu governo promoveu uma revolução na educação, mas que ainda há um longo caminho pela frente. Ele acrescentou que seu governo teve de enfrentar fortes barreiras para vencer “o maldito preconceito, uma doença entranhada na cabeça das pessoas”. Segundo Lula, o preconceito e a inveja “são doenças crônicas que precisariam de uma especialidade da medicina para tratá-las”.

Lula discursou hoje na abertura do seminário “Perspectivas profissionais na área de saúde”, destinado aos primeiros formandos em Medicina do ProUni. Ele citou que o programa foi lançado em 2005 e, até agora, já beneficiou 704 mil estudantes com bolsas parciais e integrais, 4.400 deles na área de medicina. Para concorrer às bolsas integrais do ProUni, o candidato deve ter renda familiar de até um salário mínimo e meio por pessoa. Para as bolsas parciais (50%), a renda familiar deve ser de até três salários mínimos por pessoa.

Após o discurso, Lula posou para fotos com cada um dos formandos e seus familiares, que lotaram o auditório de um hotel em Brasília, onde se realiza o seminário. “Não sei se terei foto melhor que esta para justificar a minha passagem pela presidência”, disse ele, emocionado. Segundo ele, historicamente, o Brasil foi pensado e governado para “uma pequena parcela da sociedade”. “Só uma parte tinha direito a cursos de graduação, mestrado e doutorado. A outra parte era predestinada a fazer o primário e, no máximo, o secundário, para, a muito custo, conseguir um emprego”.

Ele ressaltou os investimentos do seu governo em educação e criticou os antecessores que não deram a mesma prioridade ao setor. “Alguns presidentes passaram o mandato todo sem fazer uma só universidade”. “Em oito anos, eu, o Haddad (ministro da Educação, Fernando Haddad) e o Alencar (vice-presidente, José Alencar) fomos os que mais fizemos universidades federais e escolas técnicas neste País. Falo com orgulho”, completou. Segundo ele, aplicação de recursos em educação não é gasto, é investimento. “No meu governo, tratamos recursos para educação como investimento e não como gasto. Aliás, o investimento que mais retorno dá ao País”.

Vice de Serra

Ao final do evento, quando deixava o local, um repórter questionou o que ele tinha achado do vice da chapa do tucano José Serra, o deputado Índio da Costa (DEM-RJ), e devolveu a pergunta: “Quem é? Não sei quem é”. Diante da informação sobre o nome do vice, indagou novamente: “De onde ele é?”. O repórter respondeu: “Do Rio” e, então, Lula limitou-se a dizer: “Ah é?”.
agencia estado

Rizzolo: Muitos estudos levantam a questão sobre qual seria a melhor forma de fazermos maior inclusão na área da saúde à grande massa carente, que, muitas vezes, se encontra longe dos grandes centros médicos e de pesquisa. Todavia, o cerne da questão sempre passa pela falta de médicos, de estrutura dos hospitais ou de oportunidade daqueles que por questão financeira não podem estudar medicina. Faltam médicos no Brasil, o número de faculdades de medicina no Brasil em relação à população é pequeno, precisamos dar oportunidade aos estudantes pobres que sonham ser médicos. Ingressar numa universidade particular abre as oportunidades e o ProUni é o instrumento social de acesso a este sonho. Agora preconceio existe, ser médico sempre foi um previlégio da elite, que por poder pagar aos seus filhos as melhores escolas, os colocavam em condição de melhor desempenho nos vestibulares, ou então tinham poder aquisitivo para pagar uma fortuna faculdade particular. Uma injustiça para com os jovens pobres.



Violência e Desenvolvimento


*por Fernando Rizzolo

Outrora, um dos discursos mais utilizados no mundo sempre foi a relação entre injustiça social, violência e criminalidade, cujo argumento tinha o intuito de apenas apontar a variante social como a principal causa dos desajustes da sociedade.

Contudo, parece ter havido um revisionismo moderado no que diz respeito a essa questão, até porque podemos observar nos países socialistas ou capitalistas que a questão da criminalidade e da violência transpõe a seara das desigualdades econômicas, colocando esse fator como um agregado, de importância relevante, da problemática social.

É bom lembrar que encontramos em nossa legislação, no âmbito das execuções penais, medidas de reabilitação como a progressão penal, que podem ser interpretadas de forma errônea, permitindo, de certo modo, uma interpretação simplista e equivocada da aplicação da lei, proporcionando, muitas vezes, discursos radicais no âmbito dos direitos humanos, remetendo-nos aos costumes repressivos medievais.

A grande questão é projetarmos um desenvolvimento econômico sustentável, acompanhado de maior inclusão social e controle estatal repressivo, dentro, evidentemente, da legalidade e dos princípios constitucionais. Esse fino ajuste social, firme na aplicação da lei e na revisão de alguns aspectos legais, servirá de resposta aos anseios do povo brasileiro, que já considera a violência e a criminalidade os problemas que mais incomodam a população (22,9%), seguidos das drogas (21,2%), do desemprego (19%), da falta de oportunidades de trabalho (8%) e do sistema de saúde (6,7%), segundo constatou uma pesquisa realizada este ano pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) e pelo Instituto Sensus.

Tornar a sociedade brasileira mais justa só será possível com maior oferta de empregos, desenvolvendo o mercado interno, promovendo a transferência de renda e maior acesso à saúde para as populações mais carentes. O ciclo de medidas sociais e jurídicas, em um contexto penal moderno, poderá trazer maior visão humanitária na correta aplicação do direito penal, no combate ao crime organizado e na determinação em fazer da pena uma verdadeira versão reabilitadora, num panorama humanístico, jamais ferindo os princípios da dignidade humana e dos direitos humanos.

Fernando Rizzolo

Anvisa determina que propaganda de alimentos avise sobre danos à saude

SÃO PAULO – Em no máximo seis meses, as propagandas de bebidas com baixo teor nutricional e de alimentos com elevadas quantidades de açúcar, de gordura saturada ou trans e de sódio vão mudar. Esse é o prazo que as empresas têm para se adequar à resolução publicada nesta terça-feira, 29, no Diário Oficial. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a decisão estabelece novas regras para a publicidade e a promoção comercial desses alimentos.

O objetivo é proteger os consumidores de práticas que possam, por exemplo, omitir informações ou induzir ao consumo excessivo. “O consumidor é livre para decidir o que comer. No entanto, a verdadeira liberdade de escolha só acontece quando ele tem acesso às informações daquele alimento, conhece os riscos para a sua saúde e não é induzido por meio de práticas abusivas”, afirma a gerente de monitoramento e fiscalização de propaganda da Anvisa, Maria José Delgado.

Ainda segundo o órgão, com a nova resolução, ficam proibidos os símbolos, figuras ou desenhos que possam causar interpretação falsa, erro ou confusão quanto à origem, qualidade e composição dos alimentos. Também não será permitido atribuir características superiores às que o produto possui, bem como sugerir que o alimento é nutricionalmente completo ou que seu consumo é garantia de uma boa saúde.

Uma das grandes preocupações da resolução está focada no público infantil, reconhecidamente mais vulnerável. Por isso a nova resolução dá especial importância à divulgação acerca dos perigos vinculados ao consumo excessivo de determinados produtos.

Alertas

Ao se divulgar ou promover alguns alimentos será necessário veicular alertas sobre os perigos do consumo excessivo. Para os alimentos com muito açúcar, por exemplo, o alerta é “O (marca comercial) contém muito açúcar e, se consumido em grande quantidade, aumenta o risco de obesidade e de cárie dentária”.

No caso dos alimentos sólidos, esse alerta deverá ser veiculado quando houver mais de 15g de açúcar em 100g de produto. Em relação aos refrigerantes, refrescos, concentrados e chás prontos, o alerta será obrigatório sempre que a bebida apresentar mais de 7,5 g de açúcar a cada 100 ml.

Na TV, o alerta terá de ser pronunciado pelo personagem principal. Já no rádio, a função caberá ao locutor. Quando se tratar de material impresso, o alerta deverá causar o mesmo impacto visual que as demais informações. E na internet, ele deverá ser exibido de forma permanente e visível, junto com a peça publicitária.

Os alertas deverão ser veiculados, ainda, durante a distribuição de amostras grátis, de cupons de descontos e de materiais publicitários de patrocínio, bem como na divulgação de campanhas sociais que mencionem os nomes ou marcas de alimentos com essas características.

Os fabricantes de alimentos, anunciantes, agências de publicidade e veículos de comunicação que não cumprirem as exigências estarão sujeitos às penalidades da lei federal, com sanções que vão de notificação a interdição e multas entre R$ 2 mil e R$ 1,5 milhão.
agência estado

Rizzolo: A medida é acima de tudo saudável. Não podemos deixar que os consumidores façam uso de alimentação inadequada agredindo o tipo de tratamento de cada um. A questão da quantidade, por exemplo, de açúcar é imprescindível. Classificar, mencionar, divulgar o que contém em cada produto, é o mínimo que consumidor merece em termo de informação. Agora, já existem publicitários alegando a ingerência governamental nas propagandas. Ora o que querem esses publicitários ? Vender mais, à custa da saúde do trabalhador ? O governo deve sim através da Anvisa, determinar via divulgação do que está o consumidor ingerindo, os que são contra prezam, mais o lucro do que a saúde do pobre povo brasileiro.

Transtornos mentais atingem 23 milhões de pessoas no Brasil

BRASÍLIA – No Brasil, 23 milhões de pessoas (12% da população) necessitam de algum atendimento em saúde mental. Pelo menos 5 milhões de brasileiros (3% da população) sofrem com transtornos mentais graves e persistentes.

De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, apesar de a política de saúde mental priorizar as doenças mais graves, como esquizofrenia e transtorno bipolar, as mais comuns estão ligadas à depressão, ansiedade e a transtornos de ajustamento.

Em todo o mundo, mais de 400 milhões de pessoas são afetadas por distúrbios mentais ou comportamentais. Os problemas de saúde mentais ocupam cinco posições no ranking das dez principais causas de incapacidade, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Dados da OMS indicam que 62% dos países têm políticas de saúde mental, entre eles o Brasil. No ano passado, o País destinou R$ 1,4 bilhão em saúde mental.

Desde a aprovação da chamada Lei da Reforma Psiquiátrica (Lei nº 10.216/2001), os investimentos são principalmente direcionados a medidas que visam a tirar a loucura dos hospícios, com a substituição do atendimento em hospitais psiquiátricos (principalmente das internações) pelos serviços abertos e de base comunitária.

Em 2002, 75,24% do orçamento federal de saúde mental foram repassados a hospitais psiquiátricos, de um investimento total de R$ 619,2 milhões. Em 2009, o porcentual caiu para 32,4%. Uma das principais metas da reforma é a redução do número de leitos nessas instituições. Até agora, foram fechados 17,5 mil, mas ainda restam 35.426 leitos em hospitais psiquiátricos públicos ou privados em todo o país.

A implementação da rede substitutiva – com a criação dos centros de Atenção Psicossocial (Caps), das residências terapêuticas e a ampliação do número de leitos psiquiátricos em hospitais gerais – tem avançado, mas ainda convive com o antigo modelo manicomial, marcado pelas internações de longa permanência.

O País conta com 1.513 Caps, mas a distribuição ainda é desigual. O Amazonas, por exemplo, com 3 milhões de habitantes, tem apenas quatro centros. Dos 27 estados, só a Paraíba e Sergipe têm Caps suficientes para atender ao parâmetro de uma unidade para cada 100 mil habitantes.

As residências terapêuticas, segundo dados do Ministério da Saúde referentes a maio deste ano, ainda não foram implantadas em oito Estados: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Rondônia, Roraima e Tocantins.

No Pará, o serviço ainda não está disponível, mas duas unidades estão em fase de implantação. Em todo o Brasil, há 564 residências terapêuticas, que abrigam 3.062 moradores.

agencia estado

Rizzolo: O problema da saúde mental é antigo. As formas de tratamento que visam a segregação do paciente a cada dia estão sendo abandonadas e substituídas pela integração e participação do doente mental integrando-o à sociedade. Houve no passado muita polêmica em relação à melhor forma de tratamento, e considerou-se que os Centros de Atenção psicossocial seria o mais humano. É claro que em crises agudas, não há como deixar de resguardar o paciente de uma internação, mas ele deve ser abreviada ao máximo. A grande loucura é ignorarmos a miséria, e a falta de condições de sobrevivência digna da maior parte da sociedade, o que por consequência leva muitos ao problemas mentais como ansiedade e depressão. O consumismo, a disputa, o egocentrismo leva as pessoas à percepção do humanismo residual que ainda subsiste nelas, e quando se dão conta desse resíduo e precariedade de humano, surge a imensa depressão mãe do desespero e da baixa autoestima.

Um jovem no circo da vida

Ainda me lembro de quando, numa entrevista pela televisão, um delegado de polícia informava dos perigos de andar em São Paulo e de ser assaltado no trânsito. Dizia ele que, através de estudos de especialistas, o correto seria o motorista nunca se posicionar na fileira da esquerda nos faróis, pois, segundo ele, a probabilidade de ocorrer um assalto é maior nessa faixa por causa da posição dos automóveis.

Como tudo que se relaciona à segurança, tentei memorizar o tático conselho, mas naquela noite chuvosa, na avenida Brasil, em São Paulo, me descuidei. Lá estava eu na fila da esquerda – e dessa vez sem nenhuma conotação ideológica – me expondo bem diante do brilhante farol vermelho. Minha preocupação naquele momento era olhar para os lados, como a procurar pelo agente delituoso, mas o que eu não esperava era ver o brilho de um jovem malabarista de 16 anos que soltava fogo pela boca e fazia ali, no pretenso campo de batalha, um maravilhoso espetáculo circense.

Como num teatro, assisti durante alguns instantes a uma apresentação profissional, cronometrada e com direito a agradecimento que me remeteu aos espetáculos dos circos russos de antigamente. Ao terminar sua apresentação, o rapaz passou ao meu lado e ofereci a minha modesta contribuição pela dedicação ao seu amor à arte. Em seguida, perguntei: “Parabéns, você é ator?”. O jovem me olhou e com um sorriso amável agradeceu meu gesto respondendo: “Não, senhor. Estudei na Escola Nacional de Circo e nas horas vagas ofereço um pouco de arte às pessoas no trânsito. Obrigado pelos ‘parabéns’”.

Eu pouco sabia sobre iniciativas educativas como esta. A Escola Nacional de Circo da Fundação Nacional de Arte (ENC/Funarte) é a única instituição de ensino diretamente mantida pelo Ministério da Cultura. Foi criada em 13 de maio de 1982, pelo artista circense Luiz Olimecha, para realizar cursos regulares de formação profissional e de reciclagem de artistas, atendendo a uma antiga reivindicação dos profissionais de circo de todo o país.

Hoje, quando passo pela avenida Brasil, não encontro mais o malabarista – talvez ele tenha se arrumado melhor num grande circo -, mas daquela experiência descobri que existem surpresas no trânsito quando se observam as pessoas com bondade e sem medo. Constatei ali que a insistência em andar na fila da esquerda não passa a ser tão perigosa quando se vive num ambiente de inclusão social. Inúmeros jovens pobres ainda são, na verdade, os malabaristas do circo da vida e apostam num Brasil mais justo. Num simples farol, sempre existem talentos – alguns esquecidos, outros perdidos e um tanto sem rumo. Mas pensando nos jovens e apostando na educação teremos talentos despertos em todas as avenidas da cidadania do nosso Brasil, incluindo naquela em que inadvertidamente insisti em andar do lado esquerdo. Uma avenida chamada Brasil.

Fernando Rizzolo

Por Que Um Cientista Diz a verdade?

*Por Chana Weisberg

“Não creio que Frankl deixou de fornecer um caminho rumo ao significado. Penso que é de certa forma uma profanação de sua mensagem. Ele escreveu um livro de psicologia, que naturalmente é um campo humanista e subjetivo, não um comentário ético ou bíblico,” disse-me uma amiga após ler meu último blog (AID) criticando a logoterapia, o método psicoterapêutico de Frankl para encontrar um significado.

Ela continuou: “Seria antiético para um terapeuta impor valores… a natureza da humanidade é ser subjetiva e felizmente é assim. Um código universal de moralidae não pode e não deveria existir!”

Minha amiga tocou num assunto interessante, e ela está em boa companhia.

Estabelecer valores de julgamentos tem sido visto por muitos psicólogos e cientistas como um afastamento ofensivo do método científico, que deve ser rechaçado a todo custo.

Segundo Thomas Harris, autor do best-seller I’m OK, You’re OK, “Algumas dessas pessoas insistem firmemente que pesquisa científica não pode ser aplicada a essa área. ‘É um julgamento de valor, portanto, não podemos examiná-lo’ – ou ‘Isto é no campo das crenças; portanto não podemos reunir dados plausíveis.’”

Valores e pesquisa científica podem – ou devem – ser misturados? Os critérios objetivos do pensamento e investigação científica devem estar sujeitos a um sistema de valores, crenças e morais que são aparentemente subjetivos?

Harris, cujo livro vendeu mais de 15 milhões de exemplares e segundo o Los Angeles Times “ajudou milhões de pessoas a encontrarem a liberdade para mudar”, argumenta que pode e deve.

“O que eles [pessoas que acham que ciência e valores não se misturam] deixam de ver é o fato de que o método científico depende totalmente de um valor moral – a confiabilidade dos repórteres de observação científica… Por que um cientista diz a verdade? Porque ele pode provar num laboratório que ele deveria?”

Harris cita Nathaniel Branden, outro membro importante da comunidade de psicólogos, o qual afirma que psiquiatras e psicólogos têm uma grave responsabilidade moral se declararem que “assuntos filosóficos e problemas morais não dizem respeito a eles, que a ciência não pode pronunciar julgamentos morais.” Aqueles que “fazem pouco das suas obrigações profissionais afirmando que um código racional de moralidade é impossível, pelo seu silêncio, dão a sanção para o assassinato espiritual.” (o itálico é meu – [autora])

Pois o que motiva um psicólogo ou cientista a fazer pesquisa para tornar mosso mundo um lugar melhor? Ele não é instigado pela convicção, estritamente indemonstrável da ciência, que o universo tem um rumo?

Como pode um terapeuta querer ajudar seu paciente a lidar com seus conflitos interiores sem acreditar nas habilidades inatas de um ser humano? Frankl declara: “Se pretendemos estimular o potencial humano naquilo que ele tem de melhor, devemos primeiro acreditar na sua existência e presença. E apesar da nossa crença na potencial humanidade do homem, não devemos fechar os olhos ao fato de que seres humanos com humanidade são e provavelmente sempre permanecerão sendo uma minoria. Porém é exatamente por este motivo que cada um de nós é desafiado a juntar-se à minoria.”

De fato, na raiz do movimento existencial está a crença de que o homem tem livre arbítrio para tornar-se responsável pelas suas ações. Ao analisar a contribuição dos existencialistas à terapia, Rollo May escreve: “O homem é o ser que pode ser consciente de, e portanto responsável por, sua existência. É a capacidade de tornar-se consciente do próprio ser que distingue o ser humano dos outros seres. Binswanger fala de ‘Escolha Dasein’ isto ou aquilo, significando ‘a pessoa que é responsável pela sua existência escolhendo…

“(Medard) Boss enfatiza que uma pessoa sente culpa porque “trancou algumas potencialidades essenciais em si mesma. Portanto tem sentimentos de culpa. Se você trancar as potencialidades, é culpado contra aquilo que é dado a você em sua origem, no seu âmago.”

Estes princípios subjacentes de terapia não são valores de julgamento? Essas declarações afirmam de maneira não-científica que todo ser tem um valor intrínseco e potencialidades essenciais que, se não usadas, o indivíduo é culpado de abuso. E aquele homem é distinguido entre todas as outras criações em sua percepção da responsabilidade para consigo mesmo e com o mundo.

Se estes não fossem membros da comunidade científica, muitas dessas alegações soariam quase como aquelas originadas de moralistas religiosos.

Até Sigmund Freud, considerado por muitos como o demolidor dos ícones religiosos, fez uma declaração incomumente religiosa. Quando lhe pediram para resumir a teoria psicoanalítica em uma frase, ele respondeu em sete palavras: onde o id estava, ali o ego estará. Ou seja, a psicoanálise tenta explicar o processo onde podemos (ou não podemos) substituir escolha por impulso.

Se fôssemos resumir a força moral da Torá, seria algo notavelmente similar – não faça aquilo que tem vontade de fazer; faça aquilo que D’us quer que você faça.

E então, julgamento de valores e pesquisa científica podem ser compatíveis?

Talvez uma questão mais fundamental seja: como a ciência pode ser eficaz sem julgamentos morais e de valores em seu alicerce?

Mas então o verdadeiro dilema – que se torna sempre tão complexo – é como definir o que esta moral deveria ser.

fonte: Site do Beit Chabad

Tenham um sábado de paz !

Fernando Rizzolo

Lula cancela viagem ao Canadá para monitorar ajuda ao Nordeste

BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou a viagem que faria hoje à tarde para Toronto, no Canadá, onde participaria da reunião do G-20 (grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo). A informação foi dada pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que despachou nesta manhã com o presidente, no Palácio da Alvorada.
De acordo com o ministro, Lula ficou impressionado com as imagens que viu, ontem, no Nordeste, ao visitar algumas cidades atingidas pelas chuvas. Por isso, ele decidiu monitorar de perto o auxílio às vítimas.

Nesta quinta-feira, 25, o presidente visitou as áreas afetadas pelas chuvas afirmou aos governadores de Alagoas, Eduardo Campos (PSB), e de Pernambuco, Teotônio Vilela Filho (PSDB), que haverá liberação imediata de R$ 500 milhões, sendo R$ 250 milhões para cada um dos dois Estados, para utilização em ações imediatas em prol da população atingida.
agencia estado

Rizzolo: Por bem o presidente Lula cancelou a viagem, a situação das áreas afetadas é trágica. A ajuda do governo federal é essencial e de nada tem de eleitoreira como a oposição já está insinuando. O apoio do presidente Lula e a solidariedade de todos é primordial. Interessante notar que a causa do avanço do rio ainda não foi esclarecida, cada vez mais a natureza se manifesta de forma inesperada, e isso não ocorre só no Brasil, como todos sabemos. A questão ambiental é de suma importância, tão urgente quanto a social no nosso País.

Um cão chamado Kalev, perto do coração

“Nossa tarefa deveria ser nos libertarmos … aumentando o nosso círculo de compaixão para envolver todas as criaturas viventes, toda a natureza e sua beleza.” Albert Einstein (físico, Nobel 1921)

*POR FERNANDO RIZZOLO

A Torá nos instrui várias leis de respeito e bom tratamento aos animais, com a finalidade de nutrir nossa midá (virtude) de compaixão e respeito para com todos os seres vivos. Um exemplo de bondade com os animais foi Nôach, que com seu caráter elevado poupou várias espécies de animais de um tenebroso dilúvio. Mas um animal, em especial pela sua bondade, doçura e fidelidade merece nossa atenção, o cachorro. Em hebraico, seu nome é muito mais significativo e interessante, chama-se “Kalev”, e muito embora poucos saibam, este nome significa “perto do coração”.

Os hebreus, os antigos formuladores da língua, observaram desde aquele tempo a característica do cão ser “todo emoção”, e conseguiram dar-lhe um nome exato reconhecendo que sua companhia nos faz senti-lo sempre perto do coração. Tenho profundo respeito e admiração pelos animais, pela resignação deles em servir ao homem. Talvez, dentro da lógica de um ser vivo que não mais retornará ao mundo – pois não possuem o neshamá (o nível mais elevado da alma ) – se entregam e acabam se aprisionando, tornando -se reféns do ser humano.

Acredito que o mundo caminha para uma compreensão maior do que os animais representam para a humanidade. Várias correntes científicas questionam o uso dos animais em experiências de laboratórios, e um número cada vez maior de pessoas evita ingerir carne, como eu; ou demandam práticas de abate mais humanas, o que no judaísmo é algo extremamente sério com suas considerações de cunho ” casher”, as formas de abate impõem menor sofrimento a estes seres.

Quando olho para um cão, lembro-me da sempre palavra Kalev, e do seu significado. Já tive vários cães que se chamaram kalev, e outros Dodi, que em hebraico significa amado. Impressiona-me olhar dos cães-guia, que emprestam sua visão e sua vida aos cegos e os ajudam a dar maior sentido à vida. Emociona-me saber de tantos solitários que contam com a companhia de cães que jamais os abandonarão, e que de nada esperam, a não ser um carinho, ou como eu brinco, ” um bifinho”. Os rabinos dizem: “o cão é pura emoção porque o coração está na mesma altura da cabeça. Diferente da condição humana em que a razão (cabeça) está acima do coração.”

Certa vez, nos Estados Unidos, ao entrar numa livraria, deparei-me com um cego, caminhando com um Labrador cor- de- mel que, soube depois, o guiava há 8 anos. Quando percebeu que eu acariciava seu cão, perguntou com uma voz rouca e pausada:

– Já descobri que o senhor gosta de cães, não é?

– Sim, muito – respondi.

-O senhor sabe por que os cães vivem pouco e geralmente morrem antes do dono ? – perguntou-me novamente como que justificando aquele afago meu – Talvez por que assim foram programados -, respondi.

– Não, senhor, porque jamais suportariam a dor de saber que seu dono não mais existiria.

Naquele momento rolou uma lágrima dos meus olhos, e entendi a partir de então, porque em hebraico o cão se chama Kalev, entendi enfim, o quanto é bom sempre ter um amigo perto do coração.

Fernando Rizzolo

Relatório da Anvisa aponta uso indiscriminado de agrotóxicos no Brasil

BRASÍLIA – Agrotóxicos que apresentam alto risco para a saúde da população são utilizados, no Brasil, sem levar em consideração a existência ou não de autorização do governo federal para o uso em alimentos. É o que apontam os novos dados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), divulgados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta quarta-feira, 23, em Brasília.

Em 15 das 20 culturas analisadas, foram identificados agrotóxicos ativos e prejudiciais à saúde humana. “Encontramos agrotóxicos, que estamos reavaliando, em culturas para os quais não estão autorizados, o que aumenta o risco tanto para a saúde dos trabalhadores rurais como para a dos consumidores”, afirma o diretor da Anvisa, Dirceu Barbano.

Nessa situação, chama a atenção a grande quantidade de amostras de pepino e pimentão contaminadas com endossulfan; de cebola e cenoura com acefato; e de pimentão, tomate, alface e cebola com metamidofós. Além de serem proibidas em vários países do mundo, essas três substâncias já começaram a ser reavaliadas pela Anvisa e tiveram indicação de banimento do Brasil.

De acordo com o diretor da Anvisa, “são ingredientes ativos com elevado e comprovado grau de toxicidade e que causam problemas neurológicos, reprodutivos, de desregulação hormonal e até câncer”. “Apesar de serem proibidos em vários locais do mundo, como União Europeia e Estados Unidos, há pressões do setor agrícola para manter esses três produtos no Brasil, mesmo após serem retirados de forma voluntária em outros países”, pondera Barbano.

A Anvisa faz a reavaliação toxicológica de ingredientes ativos de agrotóxicos sempre que existe algum alerta nacional ou internacional sobre o perigo dessas substâncias para a saúde. Em 2008, a agência colocou em reavaliação 14 ingredientes ativos, entre eles o endossulfan, o acefato e o metamidofós.

Juntos, esses 14 ingredientes representam 1,4% das 431 moléculas autorizadas para utilização como agrotóxico no Brasil. Entretanto, uma séria de decisões judiciais, também em 2008, impediram, por quase um ano, a Anvisa de realizar a reavaliação dessas substâncias.

De lá pra cá, a Agência conseguiu concluir a reavaliação de apenas uma molécula: a cihexatina. O resultado prevê que ela seja retirada do mercado brasileiro até 2011. “Todos os citricultores que exportam suco de laranja já não utilizam mais a cihexatina, pois nenhum país importador, como Canadá, Estados Unidos, Japão e União Europeia, aceita resíduos dessa substância nos alimentos”, diz o gerente de toxicologia da Anvisa, Luiz Cláudio Meirelles.

Para outras cinco substâncias, a Anvisa já publicou consulta públicas e está na fase final da reavaliação. Nesses casos, houve quatro recomendações de banimento (acefato, metamidofós, endossulfan e triclorfom) e uma indicação de permanência do produto com severas restrições ao uso (fosmete).

Balanço

Outra irregularidade apontada pela Para foi a presença, em 2,7% das amostras dos alimentos coletadas, de resíduos de agrotóxicos acima do permitido. “Esses resíduos evidenciam a utilização de agrotóxicos em desacordo com as informações presentes no rótulo e bula do produto, ou seja, indicação do número de aplicações, quantidade de ingrediente ativo por hectare e intervalo de segurança”, explica Meirelles.

Houve amostras, ainda, que apresentaram as duas irregularidades: resíduos de agrotóxicos acima do permitido e ingredientes ativos não autorizados para aquela cultura. No balanço geral, das 3.130 amostras coletadas 29% apresentaram algum tipo de irregularidade.

Os casos mais problemáticos foram os do pimentão (80% das amostras insatisfatórias), uva (56,4%), pepino (54,8%), e morango (50,8%). Já a cultura que apresentou melhor resultado foi a da batata, com irregularidades em apenas 1,2% das amostras analisadas.

Cuidados

Para reduzir o consumo de agrotóxico em alimentos, o consumidor deve optar por produtos com origem identificada. Essa identificação aumenta o comprometimento dos produtores em relação à qualidade dos alimentos, com adoção de boas práticas agrícolas.

É importante, ainda, que a população escolha alimentos da época ou produzidos por métodos de produção integrada (que recebem carga menor de agrotóxicos). Alimentos orgânicos também são uma boa opção, pois não utilizam produtos químicos para serem produzidos.

Os procedimentos de lavagem e retirada de cascas e folhas externas de verduras ajudam na redução dos resíduos de agrotóxicos presentes apenas nas superfícies dos alimentos. “Os supermercados também têm um papel fundamental nesse processo, no sentido de rastrear, identificar e só comprar produtos de fornecedores que efetivamente adotem boas práticas agrícolas na produção de alimentos”, afirma o gerente da Anvisa.

Para

O objetivo do Para, criado em 2001, é garantir a segurança alimentar do trabalhador brasileiro e a saúde do trabalhador rural. Em 2009, o programa da Anvisa monitorou 20 culturas em 26 Estados do Brasil. Apenas Alagoas não participou do Para em 2009.

O Programa funciona a partir de amostras coletadas pelas vigilâncias sanitárias dos Estados e municípios em supermercados. No último ano, as amostras foram enviadas para análise aos seguintes laboratórios: Instituto Octávio Magalhães (IOM/Funed/MG), Laboratório Central do Paraná (Lacen/PR) e para um laboratório contratado, nos quais foram investigadas até 234 diferentes agrotóxicos em cada uma das amostras.

Apesar das coletas realizadas não serem de caráter fiscal, o Para tem contribuído para que os supermercados qualifiquem seus fornecedores e para que os produtores rurais adotem integralmente as Boas Práticas Agrícolas. Prova disso foi a criação do Grupo de Trabalho de Educação e Saúde sobre Agrotóxicos (Gesa).

Integrado por diferentes órgãos e entidades, o grupo tem como objetivo elaborar propostas e ações educativas para reduzir os impactos do uso de agrotóxicos na saúde da população, implementar ações e estratégias para incentivar os sistemas de produção integrada e orgânicos e, no caso dos cultivos convencionais, orientar o uso racional de agrotóxicos. “Além de orientar, é preciso que o Estado fiscalize de forma efetiva o uso desses produtos no campo e coíba o uso indiscriminado e, até mesmo ilegal, de alguns agrotóxicos”, comenta Meirelles.

Os Estados também têm realizado diversas ações para ampliar o número de amostras rastreadas até o produtor. Das amostras coletadas em 2009, 842 (26,9%) foram rastreadas até o produtor/associação de produtores, 163 (5,2%) até o embalador, e 2032 (64,9%) até o distribuidor. Somente 93 (3%) amostras não tiveram qualquer rastreabilidade.
agencia estado

Rizzolo: Bem , eu como de costume tenho o hábito de me alimentar de forma semi vegetariana, ou seja, evito ao máximo o consumo de carne vermelha, nada contra quem a consume, só entendo que não podemos fazer do nosso hábito alimentar um ato de violência, além disso, muita carne prejudica nossa vida espiritual. Porém observem que não temos escapatória, este relatório da Anvisa nos assusta quando aponta que grande parte dos alimentos possui agrotóxicos. A grande verdade é que precisamos um controle mais rígido na cadeia produtiva, a questão é delicada pois produtividade se traduz também em uso de agrotóxicos, mas para tudo há uma medida e um controle, mais rígido é essencial. O principal instrumento é o rastreamento e a fiscalização maciça. Mesmo assim continuo semi vegetariano, até por questão, como já disse, espiritual.

Charge do Frank para o A Notícia

Chávez se solidariza com chuvas no nordeste do Brasil e oferece ajuda

CARACAS- A Venezuela expressou nesta terça-feira, 22, sua solidariedade com o Brasil, especialmente com os habitantes de Pernambuco e Alagoas, pela tragédia causada pelas fortes chuvas que atingiram os estados na última semana e que já deixaram ao menos 41 mortos e 607 desaparecidos.

“O presidente Hugo Chávez transmite suas mais sentidas condolências aos familiares e amigos das milhares de vítimas, e manifesta seu profundo pesar pelos numerosos danos materiais causados por este fenômeno”, afirmou um comunicado da chancelaria venezuelana.

Segundo o texto, o “governo bolivariano” colocou à disposição do Brasil “os meios humanos e materiais que modestamente possam contribuir modestamente para salvar vidas e aliviar as dificuldades provocadas por esta catástrofe”.

Além disso, Caracas expressou sua confiança em que o povo brasileiro “saberá superar esta adversidade graças a seu espírito combativo e solidário.
agência estado

Rizzolo: É nesse momento que realmente encontramos os países solidários e amigos. Quando muitos apregoam a desunião, o fim do Mercosul, lançam verbalizações demoníacas contra Hugo Chavez, surge a Venezuela nos estendendo a mão. Eu não vi até agora nenhum país europeu, se solidarizar com a catástrofe do nordeste. A união dos países da América do Sul e o respeito que devemos ter com a democracia participativa venezuelana são prerrogativas essenciais a um candidato à presidência. Devemos enxergar a solidariedade bolivariana como um a demonstração de carinho ao nosso povo, agora os radicais não gostam , não é ? Para eles o povo do nordeste que se dane, e romper com os nossos vizinhos é o sonho de verão de todo radical de plantão. Eu conheço a Venezuela, suas favelas, e o avanço social que o Chavez empreedeu, antes de falar mal sugiro: vão lá e vejam.

Cidades: Lula diz que saneamento básico não será artigo de luxo

“Bem antes do que se imagina a gente vai acabar com o déficit habitacional e saneamento básico não será artigo de luxo”. Com essas palavras o Presidente Lula abriu a 4ª Conferência Nacional das Cidades, nesta segunda-feira (21), em Brasília. O evento, que tem como tema “Cidade para todos e todas com gestão democrática, participativa e controle social”, reunirá até quarta-feira (23), cerca de três mil pessoas, entre delegados, autoridades internacionais e servidores do Ministério das Cidades.

Durante o evento, Lula assinou o decreto de regulamentação da Lei do Saneamento Básico. A lei, sancionada por Lula em 2007, após dez anos de discussão no Congresso Nacional, é conhecida como o marco regulatório do setor.

O discurso do presidente Lula foi breve, assim como o evento, que durou menos de uma hora. Ele se despediu dos “companheiros e companheiras” do movimento social urbano, dizendo que essa era a última conferência de que participava com eles como presidente da República; agradeceu “a lealdade, sem submissão”, nesses oito anos de governo; e destacou os avanços conquistados no setor de desenvolvimento urbano.

“Nunca antes na história da Caixa Econômica Federal nós tivemos a quantidade de financiamento para moradia”, disse, acrescentando que “pouca gente acreditava que nós tivéssemos coragem de apresentar o programa Minha Casa, Minha Vida para construir um milhão de casa neste país.” E, diante da presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, ele destacou que já foram contratadas 500 mil e até o final do ano serão contratadas as outras 500 mil.

E continuou: “Até 10 de janeiro, quem assumir a Presidência …”, sendo interrompido pelos gritos da platéia de “Dilma, Dilma”. Ao retomar o discurso, Lula disse que “feliz o presidente da República que tem os companheiros e a relação de amizade que construi ao longo da minha vida política com vocês”.

Acertar ouvindo

Ele demonstrou certeza de que “nas quatro conferências nós avançamos muitos, mas, no movimento social, a cada conquista, a gente precisa de nova conquista, e a sociedade vai evoluindo e nós construímos a democracia e criamos condições para que os governantes compreendam que é mais fácil acertar ouvindo o povo do que no silêncio dos nossos gabinetes.”

O discurso presidencial – informal – foi interrompido pelo próprio presidente, que pediu ao fotógrafo oficial que registrasse o momento com a foto dele com os membros do Conselho das Cidades reunidos no palco, tendo o público ao fundo. Lula também incluiu, em seu discurso, uma fala de destaque à sua amizade com Luiz Gonzaga da Silva (Gegê), líder do Movimento de Moradia do Centro de São Paulo e da Central de Movimentos Populares (CMP), que tem sido alvo de processos judiciais e perseguição política por causa de seu suposto envolvimento em um caso de homicídio até hoje não esclarecido.

“Nós queremos um julgamento digno e a defesa para tornar público o que aconteceu”, disse o presidente Lula, ao lado de Gegê. No dia 5 de abril de 2004, Luiz Gonzaga da Silva foi preso como co-autor de homicídio ocorrido em um acampamento na Vila Carioca, em São Paulo, capital.

O presidente Lula também pediu para que o público, de pé, prestasse uma homenagem às vítimas das enchentes ocorridas em Pernambuco e Alagoas. Após o minuto de silêncio, ele disse que o governo adotaria, com rapidez, as mesmas medidas adotadas para Santa Catarina e Rio de Janeiro.

Avanço nas conquistas

O evento foi aberto por Alcir Ferreira de Matos, representante da União Nacional por Moradia Popular, que disse chegar à quarta edição do evento com “a nítida impressão de missão cumprida”. Ele enumerou as conquistas na luta de 30 anos pela garantia da função social do solo urbano: a caracterização da moradia como direito social; o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social, a criação do Ministério das Cidades, a própria realização das conferências e a eleição do primeiro operário como presidente da República.

Ele também comemorou a regulamentação da Lei de Saneamento Básico como marco histórico da 4a Conferência, mas destacou a necessidade de fortalecer os movimentos democráticos e populares, “que dêem continuidade aos avanços que já conquistamos”. E defendeu a descriminalização dos movimentos sociais, maior controle social dos programas do governo e acesso aos recursos públicos pelas organizações populares.

Coube ao ministro das Cidades, Márcio Fortes, o terceiro orador do evento, falar sobre os preparativos da conferência e os assuntos que serão debatidos. “A Conferência Nacional vai juntar o conteúdo produzido nas 27 conferências estaduais e oferecer ao governo um conjunto de sugestões, que vai sentir o que ela deseja e oferecer a melhor resposta possível”, afirmou.

O Ministro aproveitou a ocasião para fazer o lançamento da campanha para a segurança nas estradas para o período das férias de julho, que tem como slogan “Tire férias, não tire vidas”.

Eixos temáticos

O Conselho das Cidades, promotor do evento, apontou quatro eixos temáticos que refletem os principais desafios para a implantação da política de desenvolvimento urbano:

•Criação e implementação de conselhos das cidades, planos, fundos e seus conselhos gestores nos níveis federal, estadual, municipal e no Distrito Federal;
•Aplicação do Estatuto da Cidade, dos planos diretores e a efetivação da função social da propriedade do solo urbano;
•Integração da política urbana no território: política fundiária, mobilidade e acessibilidade urbana, habitação e saneamento; e
•Relação entre os programas governamentais – como PAC e Minha Casa, Minha Vida – e a política de desenvolvimento urbano.

Esta conferência dá prosseguimento a um processo iniciado em 2003, ano em que foi realizada a 1ª Conferência Nacional das Cidades e criado o Conselho das Cidades, formado por 86 membros, representantes de segmentos da sociedade civil e dos poderes públicos federal, estadual e municipal, com mandato de dois anos.

De Brasília
Márcia Xavier

Rizzolo: O saneamento básico é um problema essencial de saúde pública, de nada adianta implementarmos construções de hospitais, formação de médicos e pessoas na área da saúde, se o que provoca as doenças não é atacado de forma incisiva. No Brasil a política de saneamento básico sempre foi preterida pelo Poder Público porque são obras que não aparecem, não podemos conceber que alem da miséria, as pessoas tenham que conviver com esgoto a céu aberto, sem o mínimo de higiene e dignidade, o decreto de regulamentação da Lei do Saneamento Básico vem ao encontro dessa necessidade imperiosa do povo brasileiro.

Sobre o apoio do PT à Roseana Sarney

*por Fernando Rizzolo

Uma breve reflexão

“Muitas são as vozes que se dizem contrárias as alianças partidárias de uma forma geral. Mas se apenas nos atermos às nas convicções políticas propriamente ditas, num isolacionismo crônico inserido num regime democrático e ignorarmos as necessárias alianças, por mais conservadoras que sejam, não iremos atingir nossos objetivos e jamais teremos sustentação política. Com efeito, o objetivo político deve se sobrepor ao contexto ideológico em nome da correlação de forças e ao acesso ao poder.

O Brasil ainda é um País regionalista, das governanças locais, do clientelismo, e o avanço político dentro de um regime democrático, deve levar essas circunstâncias em conta. Insistir na coexistência de um purismo ideológico pobre, abstraindo-se das condições típicas da história política brasileira, é fazer de certa forma o jogo do conservadorismo, aniquilando-se do conjunto de forças que perfazem a união da esfera política partidária organizada, tão necessária num pleno regime democrático e que por mais das vezes nos leva a vitória”

Fernando Rizzolo

Biblioteca:um espaço mágico

Na hora do intervalo, entre uma aula e outra, as coisas aconteciam. Eu a via, conversávamos, nos olhávamos, mas nos anos 60 namorar na escola era proibido. Quase sempre os encontros se davam no intervalo. Era naquele momento mágico que eu desenvolvia minha capacidade de compreensão da afetividade nas discórdias tão comuns dos primeiros encontros com as primeiras namoradas. Aquele sinal do famoso “recreio” era o prenúncio de fazer e refazer os ingênuos amores dos meus 15 anos.

Foi exatamente nessa época que descobri na minha escola um lugar especial: a biblioteca. Lá eu podia entender através dos versos de Vinicius de Moraes, Drummond ou Fernando Pessoa que aquele sentimento jovem, apaixonado, também era comum aos mais velhos e viajava nos enlaces e desencontros dos meus ídolos da literatura. Era a eles que eu me socorria na solidão do término de um romance; era na biblioteca que encontrava as palavras mais doces enviadas por carta àquela menina “que eu amava”, da terceira fila da minha classe.

Talvez o socorro à biblioteca e aos livros se desse muito mais porque a poesia, além de escrita, era cantada por grandes nomes da literatura, algo que hoje já não existe mais. Unir poesia e literatura com a melodia, como num casamento perfeito, sonorizava o encanto poético e aflorava em mim o gosto pela leitura. E era bem ali, na antiga biblioteca da minha escola, que eu me curava dos amores perdidos. Os remédios mais comuns eram Vinicius de Moraes e Fernando Pessoa. Além disso, era na mal iluminada biblioteca que eu e os demais alunos costumávamos tirar todas as nossas dúvidas sobre tantos assuntos que nos afligiam, típicos de uma adolescência carente de informações.

Desenvolver o gosto dos alunos pela literatura nos dias de hoje é um desafio aos educadores. A rapidez das informações pela internet, a banalização dos sentimentos, a praticidade em conquistar novos amores – o “ficar” – já não nos fazem socorrer de forma contumaz ao encanto das poesias.

Foi com base nessa percepção que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei n. 12.244, que visa à “universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do país”, determinando que as escolas públicas e privadas de todos os sistemas de ensino do Brasil deverão ter bibliotecas – ou seja, um acervo de livros – de no mínimo um título para cada aluno matriculado, cabendo ao respectivo sistema de ensino determinar a ampliação deste acervo, conforme sua realidade, bem como divulgar orientações de guarda, preservação, organização e funcionamento das bibliotecas escolares.

Pior do que não se habituar ao socorro da leitura é não ter livros para ler e sofrer da falta do espaço silencioso e quase sagrado das bibliotecas, local em que se procuram respostas, se descobrem histórias, se consola dos amores perdidos. Até hoje me lembro dos livros que me acalmaram, que me alegraram, que me prendiam a atenção durante tardes inteiras. Recordo-me dos longos corredores da gigantesca biblioteca da Hebraica de São Paulo, onde disputávamos os novos livros, os novos títulos, reservando-os com antecedência. Com a nova lei, teremos um espaço vivo de sabedoria, um encontro certo com a literatura, e talvez assim voltemos a induzir os jovens a entrar nessa sala mágica, onde se cura a curiosidade, se descobre a ciência e se trata os amores, por mais ingênuos que sejam, como o dos meus 15 anos, encantado com a menina da terceira fila.

Fernando Rizzolo

Um Antídoto para o Desespero

*Por Chana Weisberg

Quando você se sente envolvido num poço fundo e escuro de desespero, quando seu coração se sente partido em mil pedaços, quando você simplesmente não consegue mais lutar contra os dolorosos desafios nem mais um só momento…

Você simplesmente poderia não ter de fazê-lo. Seu momento seguinte pode ser totalmente diferente do seu momento atual.

O filósofo Kierkegaard, que semeou as raízes da psicologia existencial, escreveu de maneira eloquente: “Um ser, a todo instante em que existe, está no processo de tornar-se, pois o ser… é somente aquilo que vai se tornar.”

E apesar disso, a fonte de grande parte de nosso sofrimento é que vemos nossas vidas de maneiras limitada, como uma foto instantânea, acreditando que aquilo que temos agora representa como fomos e como seremos.

Porém tudo em nosso mundo continua num estado de fluxo. A cada momento há uma enorme mudança. A mudança pode ocorrer tão levemente que chega a ser imperceptível aos nossos olhos e mente, mas está ocorrendo.

A mudança é incessante. Um vaso ou um móvel muda a todo momento, mesmo que pareça permanente. Perde a cor e se torna antigo, não de repente, mas momento a momento.

Isso é verdadeiro sobre objetos inanimados, e se aplica ainda mais à dinâmica física, psicológica e espiritual.

A celula típica de nosso corpo morre após 100 dias ou algo equivalente, A cada segundo, 2.5 milhões de celulas sanguíneas nascem, e no mesmo segundo morre uma quantidade correspondente. Este ciclo de nascimento e morte ocorre constantemente.

Nas palavras de Rollo May: “A personalidade pode ser entendida somente como a vemos numa trajetória rumo ao seu futuro; um homem pode entender a si mesmo somente à medida que se projeta para a frente. Este é o corolário do fato de que a pessoa está sempre se tornando, sempre emergindo, no futuro. O ser deve ser visto em sua potencialidade.”

Alguns desafios não vêm e vão, mas coninuam a nos afligir durante toda a nossa vida. Porém, mesmo então, um novo conjunto de circunstâncias está constantemente sendo concebido e formado, criando o processo de mudança.

William James escreve: “A grama do lado de fora da janela agora me parece do mesmo verde quando está ao sol ou na sombra, e mesmo assim um pintor teria de pintar uma parte em marrom escuro, outra em amarelo brilhante para dar seu verdadeiro efeito sensacional. Não consideramos, como uma regra, a maneira pela qual as mesmas coisas se parecem e soam e cheiram a distâncias diferentes e sob diferentes circunstâncias.

“O mesmo objeto não pode facilmente nos dar a mesma sensação outra vez… Cada pensamento que temos sobre um determinado fato é, estritamente falando, único e somente tem uma semelhança pequena com nossos outros pensamentos sobre o mesmo fato. Quando o fato idêntico se repete, devemos pensar sobre ele de maneira nova, vê-lo sob um ângulo um tanto diferente, e apreendê-lo em relações diferentes daquelas nas quais apareceu da última vez.”

Em uma das narrativas mais comoventes de esperança emergindo de dentro daquela escuridão avassaladora, a Torá registra a primeira troca de palavras entre D’us e Moshê.

O povo judeu tinha passado pela mais severa degradação sob a tirania dos seus opressores egípcios. D’us ordena a Moshê que revele que Ele irá libertá-los do cativeiro. Moshê responde perguntando o que deveria dizer em nome de D’us.

Moshê estava pedindo uma mensagem de consolo e esperança para levar a um povo alquebrado cujo D’us aparentemente os tinha abandonado durante as últimas décadas, deixando de ouvir seus gemidos angustiados.

D’us responde de maneira elusiva. Moshê deveria transmitir aos escravos judeus que o nome de D’us é “Eu serei aquele que serei.”

Por algum tempo, a escravidão se tornou pior depois da mensagem de esperança de Moshê. Embora as sementes da redenção estivessem semeadas, sob a perspectiva do povo, nada tinha mudado. E mesmo assim, a situação estava mudando dramaticamente.

Talvez a mensagem de D’us ao povo extraviado seja a mensagem de D’us para nós, em nossos momentos de angústia, que podemos conectar a Divindade com “Eu serei aquele que serei” – o poder de ser.

Somente quando somos capazes de perceber que ser é inseparável de tornar-se, podemos nos libertar das amarras da servidão às nossas ansiedades e hábitos que nos derrotam.

O presente é apenas aquilo que trouxemos de nosso passado, e aquilo que usaremos para forjar nossos futuros imediatos. Trazer esta verdade à nossa consciência pode nos ajudar a encontrar consolo à medida que encontramos as provações no tempo presente de nossa vida.

Portanto, quando as trevas parecem avassaladoras, quando a monotonia entediante está levando você ao limite da insanidade, encontre conforto na percepção de que nada em nosso mundo permance estático.

Não os nossos desafios atuais. Não quem nós somos.

Você, sua vida e as circunstâncias são uma parte integrante do labirinto do plano cósmico de D’us, emergindo de novo a todo instante.

Não existe o estático “ser”. Há somente aquilo que fomos – e mais importante, aquilo que escolhemos nos tornar.

fonte: site do Beit Chabad

Tenham um sábado de paz !!

Fernando Rizzolo

Gripe Suína, Religião e a Imunidade

Foi com satisafação que soubemos que Ministério da Saúde vacinou, em três meses, 81 milhões de pessoas contra a gripe suína (gripe A H1N1), um recorde mundial. O número corresponde a 88% dos 92 milhões de brasileiros que se encontram em grupos de risco. Contudo gostaria de abordar um estudo interessante realizado em Israel sobre a questão da relação entre as doenças em geral e a fé.

Estudos científicos realizados nas últimas quatro décadas têm demonstrado o papel do ponto de vista público e pessoal da religiosidade e seus efeitos na saúde e na longevidade. Tais pesquisas têm evidenciado que a prática da fé e da religiosidade, aumenta, de certa forma, a imunidade geral dos pacientes. Alguns dos resultados citados foram pesquisados durante 16 anos em Israel, em comunidades com o mesmo perfil, porém vivendo espiritualmente de forma diversa: uma num kibutz secular não-religioso e outra num kibutz religioso.

Apesar de ambas as comunidades serem demograficamente iguais, contendo o mesmo nível de estrutura médica e social, o número de óbitos era o triplo no Kibutz secular, comparado-se em relação ao religioso. Pesquisas nesta área também foram realizada na Inglaterra. Através de estudos semelhantes foram constatado os efeitos da fé na superação dos problemas de saúde.

Verificou-se, por exemplo, num estudo sobre os efeitos das doenças meningocócicas em adolescentes, que a religiosidade, a fé e a espiritualidade, tinham o mesmo efeito preventivo que as vacinas para as doenças relacionadas a esta bactéria ( Tully J, Viner RM, Coen PG, Stuart JM, Zambon M, Peckham C, Booth C, Klein N, Kaczmarski E, Booy R. 2006. Risk and Protective Factors for Meningococcal Disease in Adolescents: Matched Cohort Study. BMJ 332: 445-450.)

O mundo ainda vive, a ameaça de uma pandemia de gripe do tipo H1N1 . Apesar dos esforços dos governos, das vacinações em massa, e de toda sociedade, os procedimentos de higiene preconizados devem continuar sendo amplamente difundidos pela imprensa. Contudo, por tratar-se de uma doença que tem no seu âmago, indevidas violações do ser humano contra natureza – no seu característico desrespeito especista, no triste confinamento antinatural de grandes quantidades de animais – temos que refletir e rever nosso estilo de vida e os nossos conceitos em relação aos hábitos alimentares que jamais deveriam ser baseados na violência.

O sofrimento dos animais e a incessante busca de lucro pelos grandes abatedouros escondem, com certeza, um baixo conteúdo espiritual-energético no contexto desta doença. Muito mais do que um vírus, encontramos uma forma de “virulência espiritual”; assim, a razão e a nossa espiritualidade nos levam a lançarmos mão de uma busca religiosa como uma forma complementar de proteção de seus efeitos nefastos.

Pouco importa a religião, a origem ou a forma de se conectar com Deus. Talvez, no silêncio da noite, numa reflexão sobre a procedência desta epidemia, e de outras que poderão um dia surgir, ou então numa oração, encontraremos, enfim, uma forma de nos apaziguarmos com toda a natureza e nos harmonizarmos com um elo perdido. Descobriremos também que nos relacionarmos com Deus é respeitarmos os seres vivos por Ele criados que aqui vivem e compartilham conosco essa jornada terrena. Afinal, uma oração ou uma reflexão espiritual é também uma forma de perdão e de harmonia que sempre leva à cura os que têm fé.

Fernando Rizzolo

Morre aos 87 anos o escritor José Saramago

MADRI – O escritor português e Prêmio Nobel de Literatura José Saramago morreu nesta sexta-feira, 18, em sua casa em Lanzarote (Ilhas Canárias) aos 87 anos de idade, informaram fontes da sua família.

O escritor faleceu às 13 horas locais (8 horas em Brasília), segundo sua esposa e tradutora, Pilar del Rio. Ainda de acordo com ela, Saramago havia passado uma noite tranquila e, depois de tomar café da manhã com a mulher, começou a passar mal e faleceu em pouco tempo.

O autor recebeu o prêmio máximo da Literatura em 1988. Segundo a premiação, Saramago “nos permitiu mais uma vez apreender uma realidade ilusória por meio de parábolas sustentadas pela imaginação, pela compaixão e pela ironia”.

Autor de “O Evangelho segundo Jesus Cristo” e “Ensaio sobre a cegueira”, Saramago vivia em Lanzarote desde 1993 com a jornalista espanhola. O escritor foi hospitalizado diversas vezes nos últimos anos, principalmente por conta de problemas respiratórios.
agência estado

Rizzolo: Lamento sua morte, porem como pessoa religiosa que sou, sempre discordei das suas contradições, de suas obras controvertidas, de seu antissemitismo, de uma busca de Deus, quando ele mesmo dizia não acreditar em algo superior. O que era mais ambíguo, paradoxal e interessante no discurso de Saramago era a energia que ele despendia para criticar, debater e contradizer algo que ele mesmo acreditava que não existia. Para a literatura pode ter sido uma perda, mas em relação às suas idéias,e acima de tudo pelo seu antissemitismo, pessoalmente não sentirei saudade.

Charge do Jorge Braga para o O Popular